Grieving Soul – Capítulo 06 – Volume 10
Nageki no Bourei wa Intai shitai
Let This Grieving Soul Retire
Grieving Soul – Capítulo 06 – Volume 10
História Paralela: O Futuro dos Espíritos Nobres
— Eu acho que já é hora de mudarmos.
Quando todos os problemas finalmente tinham sido resolvidos e estávamos apenas esperando o momento de voltar para a capital, eu estava relaxando no meu quarto. De repente, a princesa de Yggdra, Selene Yggdra Frestel, entrou sem avisar e soltou essa frase do nada.
Eu não fazia a menor ideia do que ela estava falando. Por reflexo, olhei em volta procurando ajuda, mas, para o meu azar, eu era o único ali. O resto do pessoal tinha saído para explorar a floresta.
A região ao redor de Yggdra era, por muito tempo, um território intocado pelos humanos. Agora que o incidente com a Árvore do Mundo enfurecida tinha sido resolvido e o Luke finalmente tinha voltado ao normal, não era de se estranhar que a Liz e os outros — que já têm alma de Caçador de Tesouros de nascença — tivessem focado em explorar a floresta. Afinal, se isso ajudasse no desenvolvimento deles como Caçadores daqui para frente, eu não tinha motivos para impedir.
Na verdade, eu deveria era agradecer por não ter sido arrastado junto à força.
O Luke tinha acabado de se recuperar da petrificação, mas já estava todo eufórico como se nada tivesse acontecido…
E agora, a Selene me aparece assim. Eu realmente não tinha pistas do porquê.
Quando chegamos a Yggdra, este lugar estava quase vazio. Mas agora, os moradores que tinham fugido já voltaram, os soldados que se transformaram em Fantasmas também se recuperaram e Yggdra estava voltando à vida. Como líder deles, a Selene devia estar atolada em trabalho.
Então por que ela se deu ao trabalho de vir aqui pessoalmente em vez de só me chamar?
— Olha, desculpa, mas a Sitri não está agora. Não seria melhor voltar mais tarde?
— Yggdra passou muito tempo limitando a entrada e saída de pessoas para evitar o fúria da Árvore do Mundo.
Selene ignorou completamente o que eu disse e continuou falando.
— E, no fim das contas, nós mesmos não conseguimos evitar nem impedir que aquilo acontecesse.
— ……Mas vocês se esforçaram bastante, sabe?
— Como princesa dos Espíritos Nobres, foi uma falha vergonhosa… Mas esta é uma oportunidade. Agora, a má impressão que os moradores de Yggdra tinham dos humanos diminuiu muito. É a hora certa── de sairmos e criarmos laços com a humanidade!
Parece que tem muita gente ao meu redor que não sabe bater um papo normal. Mas sobre essa interação com os humanos, bem…
A Selene, apesar de ser da mais alta nobreza, não é tão conservadora assim, né? Ela permitiu nossa entrada em Yggdra, ajudou nos planos da Sitri… É, eu não tinha motivos para ser contra a ideia dela.
— Bem, apesar da má fama, os Espíritos Nobres são superiores aos humanos em vários aspectos. Não deve ser difícil se adaptarem ao mundo deles.
— É, eu concordo. A Lapis e os outros estão se saindo bem na capital.
Embora, para ser sincero, tenha rolado um ou outro problema. Mas como não foi nada grave, vamos fingir que não aconteceu. Afinal, nada corre perfeitamente bem desde o início.
Selene, vendo como eu estava relaxado, pareceu ficar ainda mais determinada.
— A fúria da Árvore do Mundo parou, mas isso não significa que não haverá outras ameaças no futuro. Não cometerei o mesmo erro. Há muito o que aprender com o que aconteceu. Como princesa de Yggdra, devo cumprir minha responsabilidade por um futuro melhor para os Espíritos Nobres… e também para os humanos!
— Isso aí, falou tudo! Você consegue, Selene! Se tiver algo que eu possa fazer para ajudar, é só falar. Força aí!
Caramba, a Selene é dedicada até demais. Um problemão acaba de ser resolvido e ela já está pensando em coisas grandiosas assim. Será que ela veio aqui só para falar disso?
Então, com as bochechas levemente coradas e um sorriso que quase me deixou zonzo, Selene disse:
— Eu já imaginava. Obrigada pelo apoio, humano. Eu não entendo muito sobre o mundo dos humanos. Então… poderia me dar um conselho?
……No mundo dos humanos, isso é o que chamamos de “educação”, sabia?
Enquanto eu ainda estava com cara de tacho, Selene já tinha aberto vários documentos que trouxe e os espalhou sobre a mesa.
Que perigo… Se a Sitri e os outros estivessem aqui, eu podia jogar essa tarefa para eles. Por que a Selene tinha que vir logo quando estou sozinho…?
Sinceramente, eu sou a pessoa menos indicada para dar conselhos. Eu mal consigo cuidar da minha própria vida, como vou ajudar a resolver os problemas dos outros?
Mas é aquela coisa, ninguém nunca ignora o que eu digo. Esses boatos de que eu tenho um cérebro brilhante só me dão trabalho.
— O incidente com a Shelo no passado ajudou a elevar o status social dos Espíritos Nobres, e essa notícia chegou até Yggdra. Mas ainda há muitos de nós que não aceitam os humanos. Eu quero mudar isso.
— É uma boa ideia.
Por mim, eu preferia não me envolver.
— Afinal, o melhor jeito de se acostumar com a cultura humana é sentindo na pele. Então, pensei em enviar algumas pessoas para os reinos humanos── O pessoal aqui é todo muito bom, e eles também são mais capazes que os humanos, então não acho que teremos grandes problemas. Mas, sabe como é, cada um tem sua personalidade e talento. Ouvi dizer que existem muitos reinos humanos, então queria sua opinião sobre quem mandar para onde.
Então… isso quer dizer que ela vai jogar todo o trabalho nas minhas costas?! Que audácia, nem eu costumo empurrar a responsabilidade nesse nível.
Eu lá vou saber quem mandar para onde. Tá, eu devo entender mais de reinos humanos que a Selene, mas não sou nenhum especialista.
Além disso… esse papo de que “todo mundo é bom” é sério?
O pessoal da Starlight também é gente boa, mas quando entraram para o clã, viviam causando mal-entendidos — ou, falando o português claro, viviam arranjando encrenca.
Até hoje rolam umas paradas complicadas, mas pelo menos agora eles já estão mais adaptados. E não é porque o pessoal da capital se acostumou com eles, é porque eles começaram a se acostumar a viver entre os humanos. E isso não é fácil. Quem mais sofre com isso? Óbvio que são a Eva e o Gark-san.
Para mim, não importa para onde mandem esse povo, vai dar problema. A cultura é diferente demais. Mas eu não podia dizer isso na cara da Selene, que claramente ama o seu povo──
A única que não causa problema é a Eliza, porque ela é relaxada demais!
Limpei a garganta de leve para tentar mudar de assunto.
— Olha, é só uma sugestão, tá? E se… em vez de vocês irem até os reinos humanos, vocês não tentassem convidar os humanos para virem aqui?
— ……!! Fiquei interessada. Explique melhor.
As cidades humanas são cheias de perigos. Espíritos Nobres ainda são considerados raros e, parando para pensar, uns 35% dos problemas causados pela Starlight nem eram culpa deles. Então talvez fosse melhor os humanos virem para cá primeiro, para irem se acostumando com a existência dos Espíritos Nobres.
E mais, quem for forte o suficiente para chegar até aqui com certeza é alguém de elite, e… Ah, é mesmo! Lembrei que o Gark-san tinha me pedido para conseguir permissão para abrir uma sede da Associação de Caçadores nesta cidade.
A expressão da Selene ficou séria na hora. Bem, faz sentido. Yggdra é uma cidade lendária e um lugar sagrado para o povo dela. Deixar humanos entrarem não deve ser uma decisão fácil.
Mas enfim, eu só dei a ideia.
Se ela recusasse, tudo bem. Eu não perdia nada. O importante era que eu já tinha passado o recado do Gark-san.
— Se convidarmos os humanos, os moradores de Yggdra também podem começar a se acostumar com eles. Além disso, pode ser uma chance de mostrar ao mundo que vocês estão se abrindo. Pode ser que rolem problemas, mas se tiver uma sede da Associação de Caçadores, pelo menos algumas coisas podem ser resolvidas. Me pediram para falar sobre isso, então… se a Selene concordar──
— Eu concordo. Humano, se é o que você diz, vamos criar uma sede da Associação de Caçadores aqui. E sobre esse convite… acho que a ideia faz bastante sentido.
Selene respondeu sem hesitar.
Foi rápido demais, chega a dar medo… Pelo menos pensa um pouco, né.
Eu ainda estava meio passado, mas de repente a expressão dela ficou meio melancólica.
Será que ela se arrependeu de ter respondido sem pensar?
É, que bom. Não saia aceitando tudo o que os outros dizem, não. Pense bem antes de decidir.
Enquanto eu dava aquele sorrisinho satisfeito, Selene soltou um longo suspiro.
— Convidar os humanos até que dá, mas… será que eles vão querer vir? Afinal, para chegar aqui eles precisam atravessar uma floresta cheia de monstros. E a vida em Yggdra é muito ligada à natureza. Tenho medo que os humanos achem tudo muito entediante.
……Você está preocupada logo com isso?
— ……Bom, tem a Árvore do Mundo.
— É, de fato. A Árvore do Mundo é incrível. Mas, sendo sincera… se pararmos para pensar, é só uma árvore gigante, não é?
Pois é, vista de um certo ângulo, é só um mato grande… Mas pô, é a árvore sagrada do seu povo, você devia falar dela com mais respeito, não?
A Selene é meio estranha… ou melhor, ela leva as coisas a sério demais.
— Não precisa menosprezar o seu próprio lar. Yggdra é uma cidade linda, a natureza é maravilhosa e a comida também é boa.
— E o que mais?
Ê-êpa, o que mais…?
— ……Os moradores são todos bonitos, e a tecnologia mágica de vocês é bem avançada…
— Beleza é algo subjetivo. E eu não tenho certeza se os humanos conseguiriam entender a magia dos Espíritos Nobres. Além disso, vendo a magia que a Sitri usa── talvez a diferença não seja tão grande assim. Não parece ser motivo suficiente para eles virem até aqui.
Lá vem ela com esse papo complicado de novo… séria demais, né?
O que não vai faltar é gente querendo vir para Yggdra… afinal, é uma cidade lendária.
Mas, de repente, Selene cerrou os punhos, me olhou de baixo para cima e perguntou:
— Humano… responda com sinceridade. Você mesmo teria vontade de vir aqui de novo?
— ……Se fosse mais perto.
— ………………
Fazer o quê, o lugar é longe pra caramba… Eu já não sou muito de sair de casa. Se não tiver um bom motivo, sou capaz de passar o dia inteiro sem pisar fora da sala do Clan Master. Então, a culpa não é da cidade.
Selene ficou em silêncio por um momento, então perguntou com a voz baixa, como se estivesse segurando o choro.
— Como Yggdra teria que ser para você querer voltar?
— ……Bom, no momento Yggdra não foi feita para receber gente de fora… nem estalagem tem.
A pessoa faz um esforço danado para chegar aqui e não tem nem onde dormir? Aí fica difícil.
— Ah, é mesmo, uma vez eu vi uma cidade que estava fazendo um torneio de artes marciais… estava lotada. Tinha até um monte de lembrancinhas sendo vendidas──
O Festival do Imperador que aconteceu era bem famoso, e a cidade que o sediou era enorme e bem localizada. Então, não dava para comparar diretamente. Mas ainda assim, atrair muita gente é sempre um desafio.
Enquanto eu pensava nisso, Selene assentiu seriamente e disse:
— Tudo bem… Eu entendi. Vamos fazer um torneio de artes marciais.
— !?
— E vamos preparar estalagens e lembrancinhas também. Por sorte, a floresta ao redor de Yggdra é cheia de recursos. Realmente, no momento não temos nenhum produto típico, mas… podemos criar algo interessante!
Selene começou a falar umas loucuras. Parece que ela saiu totalmente dos trilhos, mas os olhos dela brilhavam de entusiasmo.
Acho que não foi a Relíquia que mudou ela, ela já devia ser assim desde o começo…
— Um torneio de artes marciais é um pouco bárbaro, mas não temos outra escolha. Com a ajuda dos espíritos elementares, as reformas na cidade podem ser feitas rapidinho. Yggdra com certeza vai mostrar sua identidade única, algo que não se encontra em nenhuma cidade humana! Também precisamos pensar no transporte… Não podemos desativar a magia do labirinto da Árvore Sagrada, mas que tal pedirmos ajuda às feras mágicas da floresta para servirem de transporte? Se tivermos um “leva e traz”, com certeza virão mais humanos… Isso!
Selene deu um grito súbito, me fazendo quase pular de susto.
— Temos que entrar em contato com os Espíritos Nobres de várias regiões para convidar mais clientes! Agora é a hora de mostrar ao mundo o quão incrível Yggdra é! Nós somos talentosos, e com certeza vamos construir uma cidade muito melhor que qualquer cidade humana!
……Eu só falei por falar, mas parece que acendi uma chama nela.
Se a Kris descobrir isso, eu vou levar a maior bronca. Ela já começou a chamar os visitantes de “clientes”, o que significa que já perdeu o propósito original.
Eu sabia que ela era flexível de pensamento, mas isso aqui já é exagero. Daqui a pouco ela começa até a criar uma indústria metalúrgica.
— Humano! Você não tem algum documento ou livro sobre outras cidades?
— ……Bom, eu tenho uns guias de viagem.
Eu vivo carregando coisas estranhas no Mimic-kun, então né… Guias de viagem são o melhor entretenimento para quem não pode ficar saindo da cidade.
— !! Como esperado de você! É exatamente o que eu mais preciso agora!
Tenho que pensar com cuidado, será que é disso mesmo que a Selene precisa agora…?
Mas se eu falasse algo, ela com certeza viria com mais papo furado, então só obedeci e entreguei o livro. Foi mal aí, povo de Yggdra, mas ela é a princesa de vocês, se quiserem parar ela, o problema é de vocês.
Selene pegou o guia e ficou encarando o livro colorido com os olhos brilhando.
— Então este é… o mundo lá fora!
— ……Não me diga que você ficou interessada?
— Eu estava muito ocupada cuidando da Árvore do Mundo, então não tive tempo de pensar em mais nada. Mas, como líder dos Espíritos Nobres, preciso ter uma visão ampla. Um dia, preciso ver o mundo lá fora com meus próprios olhos.
Os Espíritos Nobres… sinto que o futuro deles vai ser cheio de obstáculos. Mas enfim, melhor ver a princesa deles empolgada do que deprimida, mesmo que ela esteja meio sem noção.
Selene continuou folheando o guia enquanto murmurava:
— Águas termais… Se cavarmos aqui, será que sai água quente também?
— ……Só toma cuidado, porque às vezes tem coisas perigosas escondidas debaixo da terra.
Tipo… humanos subterrâneos, talvez?
Parecia que a Selene tinha esquecido do mundo e focado totalmente no guia de viagem. Senti que tinha cometido um erro terrível, mas enfim, o importante é que escapei do interrogatório.
— Se criarmos águas termais e fizermos um torneio, quer dizer que podemos superar duas cidades de uma vez, certo?
— É, é, com certeza.
Essas duas coisas não combinam muito, mas… ah, deixa para lá.
O importante era que ela parecia estar se divertindo. Conseguir pensar assim era a prova de que a paz tinha voltado. Com o tempo, talvez ela se acalme. Se o plano for sem pé nem cabeça, o Ruine com certeza vai dar um jeito de parar ela.
De qualquer forma, Yggdra está sob a liderança dela. Os Espíritos Nobres devem passar por grandes mudanças. Talvez eu esteja presenciando um marco histórico para eles.
Eu preciso voltar logo para a capital, mas só posso desejar o melhor para o futuro de Yggdra.
Enquanto eu observava a Selene, ela de repente levantou a cabeça do livro.
— Muito bem, humano. Deixo em suas mãos decidir quem enviar para onde. Eu vou começar a montar o plano para transformar Yggdra em um grande destino turístico.
— !? E-espera, eu quis dizer que sobre convidar humanos para Yggdra──
— Podemos fazer as duas coisas ao mesmo tempo!
— A-ah, entendi…
Selene saiu de lá saltitante logo após dizer o que queria. Só sobramos eu, que perdi a discussão, e a lista de moradores de Yggdra que ela largou para trás.
Yggdra vai virar um grande destino turístico…? Quando foi que o papo chegou nisso?
Fiquei encarando a lista com cara de bobo. Mas bem, ficar só olhando não ia fazer a lista sumir.
A Selene parecia tão feliz… Talvez seja mesmo divertido imaginar no que a cidade vai se transformar. Mas sério, jogar todo o trabalho chato para os outros é sacanagem.
Pensei por um bom tempo, mas acabei desistindo.
Ah, tanto faz, vou mandar para qualquer lugar mesmo. Espíritos Nobres são bem talentosos, o único problema é a personalidade deles que sempre causa confusão.
Quando coloquei o pessoal da Starlight como membros iniciais dos Primeiros Passos, o objetivo também era servirem de propaganda. Se esses Espíritos Nobres forem enviados para fora, com o tempo eles vão se acostumar com o mundo exterior. O importante é eu mandar cartas para conhecidos de confiança para cuidarem deles.
E nem são tantos assim. Por sorte, eu tenho alguns conhecidos que dão conta do recado.
Eva, Gark e Ark com certeza são confiáveis. O Comandante Franz também é um nobre, então deve manjar dessas paradas. Acho que o pessoal dos Cavaleiros da Tocha também disse uma vez que queria recrutar um Espírito Nobre para a equipe deles. O Sir Gladys e a Lady Éclair também me devem favores, então não vão recusar. Se o assunto for torneio ou águas termais, posso mandar para Cleat, a cidade das espadas e lutas, ou para Suls, a cidade das águas termais. As duas acabaram de passar por problemas recentemente, então se eu citar o meu nome, eles com certeza vão aceitar numa boa.
Mas parando para pensar, eu vivo me metendo nessas enrascadas…
Bom, já que decidi, melhor fazer logo.
Comecei a escrever as cartas cantarolando baixinho.
Tradução: Rudeus Greyrat
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