CONECTANDO À J-HERO...

Grieving Soul – Capítulo 04 – Volume 10

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Nageki no Bourei wa Intai shitai
Let This Grieving Soul Retire

Capítulo 04 – Volume 10


Epílogo: Let this Grieving Soul Retire! 10

O Mana Material às vezes pode despertar monstros realmente terríveis. Dragões que destruíram nações, reis demônios que quase conquistaram o mundo e… deuses que eram adorados por seitas malignas em eras antigas. Existe uma teoria que diz que algumas civilizações replicadas pelos Cofres do Tesouro foram, na verdade, destruídas por desastres causados pelo Mana Material. Se essa teoria estiver correta, o fato do nosso mundo ter sobrevivido até agora é pura sorte.

A tempestade que veio com a Pousada Peregrina não parou por um dia inteiro. Mesmo depois que voltamos para Yggdra, o som dos trovões não acabava e o chão continuava a tremer. Eu não conseguia sentir, mas os espíritos da floresta ficaram inquietos com a luta dos deuses. A energia do choque entre eles alcançou quilômetros de distância, abalando até a barreira de Yggdra.

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Depois de uma noite em que ninguém conseguiu dormir, a tempestade finalmente enfraqueceu e as vibrações pararam. Enquanto eu olhava para o céu pela janela, Lucia, que estava me dando um sermão sem fim desde que voltei, parou ao meu lado e disse:

— O choque de energias desapareceu. Parece que a luta deles terminou.

— …Quem você acha que ganhou?

Se o Keller ganhou, estamos ferrados.

Assim que fugimos para Yggdra, o que me esperava era o inferno dos sermões. Não foram apenas Lucia e Kris, até Selene e Ruine, que deveriam ser meus aliados, e todo o povo de Yggdra vieram me dar bronca. Até o Ansem não ficou de fora. Sério, esse foi o momento em que eu, Krai Andrey, mostrei minha incompetência da forma mais dolorosa possível. Eu tentei explicar que nada daquilo era o plano original, mas ninguém acreditou. Bom, faz sentido, já que a Irmãzinha Raposa apareceu por causa do meu celular.

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Felizmente, depois de um tempo, a irritação da Lucia pareceu diminuir um pouco. Ela franziu a testa, pensou por um momento e respondeu:

— Não sei. Quando a luta chega a esse nível, o resultado muda dependendo da situação e das condições do momento. Mas uma coisa é certa… o mundo é vasto demais. É difícil acreditar que existam seres assim que já foram humanos.

Nós também precisamos nos esforçar mais, hein~

Mas se a Lucia ficar forte demais, minha dignidade como irmão mais velho vai pro ralo.

— Quando chegam a esse nível, parece que são uma espécie diferente da nossa… Nenhum ataque da Liz ou do Ansem funcionou.

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— Tinha algo que parecia uma almofada, nada pegava nele. Não teve jeito! Que ódio!

— Umu…

Enquanto Sitri analisava o inimigo, Liz parecia irritada e estalava a língua. E olha que ela parecia estar se divertindo durante a luta.

— O que te deixou tão brava?

— Eu não consegui cumprir as expectativas do Krai-chan! Droga! É uma sensação nojenta, ainda sinto isso! Era como… se eu estivesse atacando algo inexplicável… duro, mas ao mesmo tempo mole; leve, mas pesado! Como se luta com algo assim?! Temos que achar outro jeito se o Keller aparecer de novo──

Sério, por favor, que monstros assim nunca mais apareçam!

— Magia, chutes, espadas ou ataques físicos, tudo era simplesmente parado. Não havia nem efeito de impacto… Mas quando o Keller bloqueou a Liz e o Ansem, ele se moveu para desviar os golpes, então talvez ataques físicos tenham mais chance que magia. Mas ser parado tão fácil assim não faz muita diferença.

— …Aquele deus não tinha brechas, nem no ataque nem na defesa. Parecia que ele tinha olhos, ouvidos e mãos em todas as direções. O único jeito de vencer seria esmagá-lo com um poder que ultrapasse o limite do seu Sexto Sentido.

Essa foi a conclusão da Eliza, especialista em analisar fraquezas de Fantasmas. Um poder que ultrapassa os limites… ou seja, alguém mais forte que o Ansem? A situação é tensa. Tino ficou até sem palavras. Se a Irmãzinha Raposa perder, nós teremos que lutar de novo.

O que vai ser da gente…

Nesse momento, tive uma ideia. Tirei o celular do bolso. Ah, é mesmo… não preciso ter medo, posso perguntar o resultado direto para ela. Escolhi o contato na lista e me preparei para ligar. Mas antes que eu pudesse, uma voz soou bem de perto:

— …Não me ligue do nada.

— Uah?!

Num instante, Liz e os outros entraram em modo de combate. Levantei as mãos rápido, tentando pará-los antes que atacassem. Olhei para a Irmãzinha Raposa e tentei dar um sorriso amigável.

— …Você realmente adora aparecer do nada, né?

Aparece e some sem deixar rastros. Se o que o Irmão Raposa disse for verdade, deve ser algum tipo de ilusão ou truque.

Mesmo eu parando o ataque, Lucia e os outros continuavam em alerta máximo. Céus…

— Então, vocês venceram o Keller? Mandaram bem.

— …Não nos subestime. Minha mãe não perderia para um truque barato.

Ela falava com marra, mas a Irmãzinha Raposa parecia bem acabada. Suas caudas estavam vermelhas e seu quimono branco estava sujo. Quando olhei melhor e levantei a cabeça, percebi que o Irmão Raposa já estava parado ao lado dela. Aparecer assim ainda me assusta… mas acho que já estou ficando imune.

— Ele era realmente forte. Aquilo… era um deus nascido da batalha.

— Sim, sim, com certeza.

— Ele era diferente de nós desde o nascimento. Não achei que, mesmo naquela forma recém-desperta, ele conseguiria arrancar três caudas da minha mãe. Se apenas nós da Pousada Peregrina tivéssemos lutado… não teríamos vencido.

— É, é verdade. Enfim, valeu mesmo por virem nos ajudar!

— …O Senhor Cautela é realmente um mestre em provocar insegurança, não é? Se esta criança não tivesse sido protegida, eu estaria pronto para destruir meu próprio corpo para estraçalhar vocês. Mas, que pena… nós temos esse senso de gratidão enraizado em nós… por isso não posso me vingar. Ataques comuns tudo bem, mas vingança é outra história.

Parece que até os Fantasmas da Pousada Peregrina com poderes absurdos têm seus problemas. Eu me esforcei para agradecer do fundo do coração e recebo esse olhar de nojo, dói um pouco…

Gratidão, né…

Mas sendo sincero, eu nem protegi de propósito. Foi tudo coincidência. No fim, sou eu quem deveria agradecer, certo? …Quem sabe eu precise de ajuda de novo!

— Não precisa pagar a dívida. Eu que agradeço… ah, é mesmo! Agora não dá, mas depois vou pedir pro clã preparar um tofu frito de primeira para vocês!

— !!

Mesmo com a máscara de raposa, as caudas da Irmãzinha Raposa começaram a balançar animadas. começando a achar que você é viciada em tofu frito, hein?

— …Você não vai mais zombar da minha irmã, certo? Bom, tanto faz, tudo termina hoje──

— Hein?

— Não quero que continue nos usando. A dívida de gratidão foi paga quando expulsamos aquele deus. Vá logo.

O Irmão Raposa empurrou as costas da irmã, fazendo-a tropeçar para frente. Ela me encarou por um tempo e depois apontou para o celular na minha mão.

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— Você foi enganado.

— !?

Num instante, o celular na minha mão virou um pedaço de papel brilhante. Quando peguei, estava meio grudento e tinha cheiro de tofu frito. A Irmãzinha Raposa suspirou e acenou satisfeita.

— Agora estamos quites.

— !? Por quê?! Devolve meu celular!

— !! Isso sempre foi apenas uma embalagem!! O Senhor Cautela foi enganado desde o começo!! Que fraco!!

— É isso. Você conseguiu usar um item feito de lixo por todo esse tempo, isso é um talento incrível. Com o tempo a ilusão sumiria, mas──

Eu não entendo… Devolve meu celular…

Fiquei estático em choque. O Irmão Raposa suspirou antes de falar:

— Bem, agora tudo voltou ao normal. Embora o estrago tenha sido grande para ser chamado de “experiência”… bom, tanto faz. Pelo menos tivemos a sorte de derrotar aquele “deus” agora. O poder da minha mãe vai se recuperar com o tempo. Cem ou duzentos anos para nós é um piscar de olhos. Adeus, Mil Truques.

— …Bye-bye.

A Irmãzinha Raposa acenou casualmente. Eu nem tive tempo de dizer nada antes que os dois sumissem. Uma despedida súbita demais. O que sobrou foi o papel de embrulho que antes era meu celular… Espera, isso é a embalagem do tofu que eu dei para ela antes?

— Eles foram embora tão rápido… eu ia pagar o tofu frito…

— …Parece que eles se cansaram de você — comentou Lucia, que observava tudo em silêncio.

É… talvez eu tenha exagerado um pouco. Achei que estávamos ficando amigos.

Mas a vida é longa e, para um Caçador, despedidas são normais. Se for o destino, nos encontraremos de novo. Estalei os dedos e disse:

— Ah, é mesmo! Eu ainda lembro o número. Quando eu comprar um celular novo, salvo o contato de novo.

— …Irmão, você esqueceu que eles são Fantasmas de um Cofre do Tesouro de nível 10?

— Então o único jeito de vencer um deus é se tornando um, né? O que você acha, T?

— …Mestre, você sempre foi meio deus.

A Irmãzinha Raposa era até bonitinha. Até o Keller tentou me fazer ajoelhar de primeira… então talvez esses Fantasmas de nível 10 sejam abertos a negociações? Guardei o papel do celular no bolso do peito. Enquanto isso, em algum lugar, Selene e os outros deviam estar vigiando a luta do Keller a noite toda. Preciso dar a notícia.

Fui relatar o resultado da batalha entre os Fantasmas da Pousada Peregrina e Keller. Na mansão da Selene, muitos moradores de Yggdra estavam reunidos. Parece que em Yggdra não tem muita divisão entre a realeza e o povo, talvez por serem poucos habitantes.

Quando me viu, a expressão da Selene estava tão ruim quanto no dia em que nos conhecemos. Houve um momento em que ela relaxou, mas o que aconteceu ontem parece ter resetado tudo. Na frente de todos, relatei o resultado: a luta entre Keller e os Fantasmas da Pousada Peregrina terminou com a vitória dos últimos. Eles voltaram para casa e a paz retornaria.

Achei que seriam boas notícias, mas ninguém comemorou. Em vez disso, Selene deu um longo suspiro e disse:

— …Estou sem palavras para reagir a isso, Mil Truques. Ouvi as histórias da Starlight e da Eliza… Parece que você fez coisas absurdas esse tempo todo. Mas trazer outro deus para a Árvore do Mundo e fazê-los lutar… Isso é realmente──

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Ela parou, sem saber como continuar, e depois perguntou:

— …Espere, como diabos você conseguiu fazer isso?

— …Personalidade atraente?

— …Humano Fraco, você acha que somos idiotas, desu?!

— Mas o que mais me intriga é esse tal poder divino que você possui — comentou Lapis com seu olhar frio de sempre.

Por favor, esqueçam isso. Na minha jornada vergonhosa como Caçador, acabei de ganhar mais uma mancha. Mas pensando bem, graças àquela dança, ganhei tempo até a Irmãzinha Raposa chegar. Então, de tudo o que fiz aqui, aquilo foi o mais útil, não? Eu poderia falar a verdade, mas quem acreditaria?

Fiz uma pose de bonitão e disse:

— Por enquanto, é segredo. Conto quando for a hora certa.

— …Hmph. Sempre misterioso. Que seja. O fato é um só: você salvou Yggdra.

Na verdade, quem salvou foram as raposas. Eu só estava lá no meio. Quem lutou de verdade foi a Starlight, a Grieving Souls, a Selene e todo o resto — menos eu.

Mas para eles isso não importava. Lapis continuou:

— Eu tive dúvidas sobre criar o clã. Mas vendo tudo o que aconteceu… sim, foi a decisão certa. Tirando a Lucia, sua presença aqui não foi em vão. Sinta orgulho, humano. Você deu a nós, os Espíritos Nobres, uma dívida que jamais poderemos pagar.

Ela foi meio arrogante, mas o que disse foi educado. Eu não sinto que eles me devem nada, mas não adianta explicar. Conheço a teimosia deles.

Lapis tem razão, não foque nos detalhes. O importante é que cumprimos a missão. Salvamos a Shelo, ajudamos os companheiros perdidos, derrotamos um “deus” e salvamos a Árvore do Mundo. Nós, Espíritos Nobres, temos uma dívida imensa com a Grieving Souls e a Starlight. Humano, sua vida pode ser curta, mas lembraremos da sua coragem para sempre.

— Ah, eu não fiz nada. Podem esquecer.

— Humano, ser humilde demais vira arrogância, sabia? — Astor me deu um toque. — É raro um humano fazer os Espíritos Nobres deverem um favor. Sinta orgulho.

Astor falou sério e o resto da Starlight concordou. Eles que eram tão desconfiados no começo, agora estavam assim. Quando Lapis falou aquilo, o clima pesado sumiu.

— Nós cuidamos da limpeza. Obrigado por tudo. Ainda não os recebemos direito, então descansem. Se precisarem de algo, é só falar. Humanos ou Espíritos Nobres, somos todos irmãos.

Por que os Espíritos Nobres sempre falam isso?

Os olhos da Sitri brilharam. Ela com certeza vai aproveitar isso. No fundo, tive pena dos Espíritos Nobres que seriam explorados por ela. Quando as coisas acalmaram, Liz finalmente falou:

— Com tudo isso, o Krai-chan vai subir para o nível 9, não vai? O Gark-chan parece estar esperando muito.

— …Não, não. Nível 9 está longe para mim. Tem muitos Caçadores melhores na capital.

Por favor, chega de peso! O nível 8 já é um saco, imagina o 9?

Mas enfim, acabou de verdade. Uma série de lutas e imprevistos… Achei que ia deixar tudo com o deus Ark, mas tive que lidar com a deusa raposa. Foi tenso, mas ninguém morreu e os problemas foram resolvidos. O resultado foi bom, né? Yggdra é um lugar legal. Infelizmente, estive ocupado demais para aproveitar. Se der, volto aqui para tirar férias.

Respirei aliviado e olhei para meus amigos um por um. Foi aí que percebi.

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………..AH! LUKE!

Eu não baixei a guarda. Dei tudo de mim — e mesmo assim perdi.

Uma raposa branca gigante com onze caudas. Um monstro que viveu tanto tempo que alcançou a divindade. Geralmente, o poder de uma raposa é medido pelas caudas, e aquela tinha mais caudas que qualquer fera que Keller já enfrentou. Só de olhar dava para ver o poder, e não havia diálogo. Aquelas balas de chumbo eram um tabu para ex-animais que se tornaram deuses.

E o mais importante: um deus não se curva a ninguém. Pelo seu lugar no mundo, eles lutam até o fim. Aquilo… era uma guerra de deuses.

Keller caminhava cambaleante pelo terreno desolado. O resultado da batalha feroz deixou seu corpo recém-formado cheio de rachaduras. Ele não conseguia manter sua força. Sentia o Mana Material vazando aos poucos. Em termos de habilidade, Keller era superior, mas a reserva total de energia deles era incomparável.

Aquela raposa devia estar no mundo há eras. Ele destruiu três caudas dela, mas em troca, a alma de Keller foi ferida. Uma ferida que jamais cicatrizaria. A voz da raposa ecoava em sua mente. Mesmo perdendo três caudas e enfraquecida, ela permaneceu majestosa:

— Eu não vou te matar. Deus derrotado, humano tolo. Essa ferida nunca sumirá. Viva para sempre num canto do mundo carregando essa vergonha.

Cem anos. Em cem anos ele poderia destruir quase todas as caudas. Na pior das hipóteses, seria uma destruição mútua. Ele tinha certeza disso.

Keller não estava no auge. Mesmo devorando o templo, absorvendo seus Familiares e parte da energia da Árvore do Mundo, ele estava longe do poder total. Ele não se arrependia da luta, apenas sentia frustração por não enfrentar um deus daqueles com força total.

Poder. Ele precisava de mais poder. Felizmente, ele estava no centro do mundo, perto da grande árvore. Descansando ali, ele se recuperaria o suficiente para não desaparecer. A raposa maldita tinha razão. Seu Sexto Sentido divino agora estava travado. As chamas e caudas daquela raposa feriram o poder de Keller — uma habilidade que não deveria ser ferida. Feridas na alma não curam, nem com o Sexto Sentido. Pelo menos não até ele matar aquela raposa.

Cambaleando, ele atravessou o solo destruído. A árvore misteriosa tinha perdido parte do fluxo de energia pela tática do herói, mas ainda era o bastante. Ele finalmente chegou à Árvore do Mundo. Quando encostou no tronco para descansar, algo chamou sua atenção.

──Uma estátua de pedra.

A estátua de um espadachim, como se fosse se mover a qualquer momento. Olhos bem abertos, mãos segurando uma espada. Ontem, essa árvore estava engolida pelo templo de Keller. Se ninguém a colocou ali, significava que ela já estava dentro do templo.

Tudo o que podia ser convertido — Relíquias, Fantasmas — ele já tinha absorvido. Por que essa estátua ainda existia? Se seus seguidores estivessem vivos, saberiam a resposta, mas Keller não teve tempo de checar.

Então, ele notou a espada da estátua.

— …Esta espada… era uma das guardadas no meu templo. Por que não foi absorvida?

Com o Sexto Sentido, ele podia decompor e absorver a matéria. O templo, os Fantasmas, as Relíquias — tudo foi forçado a se decompor. Se algo escapou, significava que… o Mana Material tem a propriedade de capturar vontade e informação. Mesmo para Keller, converter isso não era fácil. Provavelmente, a arma não foi absorvida porque tinha um dono.

Mas quem segurava a arma era apenas pedra. A mente de Keller estava turva pelas feridas, mas um alerta surgiu no fundo de sua consciência. Com seu corpo divino em farrapos, ele tocou a estátua.

E de dentro dela, Keller ouviu uma voz:

— ──Tra…paça… eu, lutar──

…Esta estátua… já foi humana?

Keller conhecia poderes de petrificação. Ele já viu, curou e até usou. Mas que voz era aquela? Por que algo feito de pedra falava? Como era possível? Ele investigou mais fundo. A estátua não era apenas pedra por fora; estava sob uma maldição fortíssima, o corpo era pedra pura. A única coisa intacta… era a alma.

— Chama… K…rai

Se ele falava apenas com a alma… quão forte era a vontade desse homem? Keller usou o resto de sua força para ouvir. Os olhos da estátua pareciam queimar. Atraído por aquele olhar, Keller se aproximou.

Então, a voz falha finalmente se conectou:

— Trapaça! Eu também quero lutar! Me chama, Krai!!

— !?

Não era a voz da alma. Era uma voz real. Rachaduras surgiram na estátua, espalhando-se por todo o corpo. Ele suprimiu a maldição inteiramente com a força de sua vontade. O Mana Material capturou esse desejo.

Escapar da petrificação apenas com força de vontade? Aquilo já era um milagre.

Grieving Soul – Capítulo 04 – Volume 10 Img 1

— Não pode ser.

— UOOOOOOOOOOHHHHH!!

A petrificação se despedaçou. O grito de seu renascimento, um rugido ardente, balançou a Árvore do Mundo. Mesmo para Keller, que viveu por tanto tempo até alcançar o status de um deus, aquilo era um milagre que ele jamais havia testemunhado.

Por um instante, sua mente congelou. E a última coisa que Keller viu foi o brilho de uma lâmina branca sendo descarregada sem a menor hesitação.

— …Então, esse é o fim? Uma performance bem… barulhenta.

Adler suspirou após confirmar que todos os planos do Mil Truques haviam se concretizado.

O Espelho da Realidade, que até agora mostrava os restos da batalha nas ruínas do Santuário das Origens, perdeu seu brilho. Parecia que o espelho tinha esgotado toda a sua energia. Bom, era de se esperar. A luta entre Keller e o deus raposa gigante invocado pelo Mil Truques foi, de fato, um embate entre divindades.

Quando Adler obteve a Yuden, ela chegou a sentir que tinha atingido o topo do poder. No entanto, a realidade mostrou que o mundo era muito mais vasto do que ela imaginava. Uno e Quint, que também assistiram à luta, pareciam exaustos agora.

Os três estavam em uma cidadezinha bem longe de Yggdra, o lugar mais distante possível da Árvore do Mundo. Eles usaram o resto do poder da Ripper para fugir até ali. Naquele lugar, nem mesmo o nome do Mil Truques jamais fora ouvido.

Isso significava… que eles tinham perdido. Mas, sendo sincera, isso não era algo que Adler estava processando agora.

— Quem diria que ele jogaria um Fantasma de outro deus no meio… Sério, ele é muito mais insano do que dizem os boatos.

— Aquele cara claramente não precisa da gente pra nada… — Quint resmungou, com a voz cansada.

E sim, era verdade. Eles nunca deveriam ter se envolvido com ele. Ou… talvez tivessem dado sorte de encontrá-lo antes que ele acumulasse ainda mais poder? Pelo menos, agora sabiam o quão absurda era a força do Mil Truques, e jamais pensariam em arrumar briga com ele de novo.

Quint olhou para Adler.

— E então, o que a gente faz agora?

— Hmm…

Quase todos os monstros que eles lideravam estavam mortos. A Night Parade não tinha mais um poder de combate descente. Claro, eles poderiam procurar novos monstros e se reerguer. Embora o Mil Truques claramente não fosse um oponente que pudessem incomodar, eles ainda tinham confiança para enfrentar a maioria dos Caçadores de Tesouros do mundo.

Mas, após pensar um pouco, Adler coçou a cabeça e disse:

— Acho que cansei disso. O que acham da gente começar a ajudar as pessoas?

— …Olha, eu entendo o que quer dizer, mas… tirando a Uno, eu e você realmente combinamos com esse tipo de trabalho?

— Ah, não tem problema. Se mudar um pouco o corte de cabelo, as roupas e o jeito de falar, a Adler-sama com certeza consegue parecer uma heroína. Além do mais, o mundo está um caos agora, deve ter muita gente precisando de ajuda. Ainda podemos ser úteis, sabe~

Parecia que Quint e Uno também tinham perdido a vontade de continuar com a Night Parade. Sem hesitar nem um pouco, começaram a discutir animados sobre os novos planos, como se mudar de uma vida criminosa para o trabalho social fosse a coisa mais natural do mundo. Adler apenas soltou um longo suspiro.


Tradução: Rudeus Greyrat
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Tradução feita por fãs.
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