CONECTANDO À J-HERO...

Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 19 – Volume 16

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – Volume 16:
Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 19 – Volume 16


#1 O Lobo e o Homem Mascarado, Sob o Luar

— Droga, droga, droga! Já começou…! — O homem mascarado correu. Ele avançava o mais rápido possível, apesar de estar sem fôlego.

Ele se dirigia para uma Altana em chamas. O homem mascarado havia retornado, finalmente, a Altana. Não era um momento emocional. Ele não tinha tempo para sentimentalismos agora.

As muralhas já haviam sido violadas. Escadas estavam encostadas nelas, e os homens de Forgan subiam uma após a outra. Ele poderia eliminar todos os que ainda estavam ao alcance, mas isso não faria diferença alguma. Seria suicídio, também. Havia muitos lutadores habilidosos em Forgan, mesmo que nem todos estivessem no mesmo nível. Se ele enfrentasse vários dos mais talentosos ao mesmo tempo, nem mesmo o homem mascarado conseguiria escapar vivo. O homem mascarado era audacioso, mas não imprudente.

Seus passos diminuíram, mas não pararam. Enquanto corria devagar, ele recuperou o fôlego. Quando se atinge o nível do homem mascarado, é possível até cochilar enquanto se caminha. Sem a capacidade de se forçar a descansar assim, ele não teria sobrevivido. Isso demonstra quão severa havia sido sua situação.

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— Habilidade Pessoal, Corpo Tremeluzente, Espaço Cortante.

Ele se moveu rapidamente, misturando-se aos homens de Forgan enquanto subiam as escadas. Mesmo ao chegar do outro lado, eles não perceberam que o homem mascarado não era um deles. Por um tempo, ele havia sido, afinal.

Chamas subiam de construções por toda a cidade. No entanto, muitas das construções, especialmente no Distrito Norte, eram feitas de pedra. Não se transformaria em um inferno. Forgan não pretendia reduzir Altana a cinzas. Eles intencionavam semear o caos com incêndios, e então prosseguir com o trabalho.

Para Forgan, isso era apenas trabalho. Jumbo, o líder deles, poderia ser um orc, mas era diferente de outros orcs. Ele, pelo menos, não discriminava com base na raça. A ética de Forgan girava em torno de uma coisa: se uma pessoa estava com eles ou não. Para eles, companheiros eram família. Forgan era o lar definitivo deles.

Dito isso, mesmo que tivessem escolhido Forgan como o lugar para morrer, as terras natais em que nasceram eram outra questão. Nem todos eram órfãos. Se tivessem parentes vivos, não os esqueceriam simplesmente.

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Em particular, apesar de há muito ter se tornado um reino, a raça orc valorizava enormemente suas antigas tribos. Mesmo que tivessem de abandonar a vila de nascimento por algum motivo, um número considerável deles ainda mantinha um laço inquebrável com aqueles de seu sangue.

Isso era exatamente o que havia arrastado Forgan para essa batalha.

O homem mascarado havia se dado ao trabalho de capturar um dos orcs de Forgan para interrogá-lo. Dif Gogun, rei dos orcs, era generoso com aqueles que o obedeciam. Mas não tinha misericórdia para a desobediência. Sequestros, ameaças e tortura eram especialidades dele. Tomar parentes como reféns para forçar alguém a fazer sua vontade era uma tática comum para ele. O rei Dif mantinha até um acampamento massivo apenas para esses reféns.

Um número considerável de orcs de Forgan havia caído vítima desses métodos desleais. Ele se juntaria ao rei Dif? Ou abandonaria as famílias de seus companheiros—o que equivalia às famílias de sua própria família—para morrer? Essa era a decisão amarga que Jumbo havia enfrentado.

Isso não era típico dele, pensou o homem mascarado, mas ele não era membro de Forgan, então não era seu lugar opinar.

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O homem mascarado era sábio e, portanto, estava bem ciente de que não tinha o poder para deter Forgan.

Então… O que estou fazendo? O que eu quero fazer? Qual é o sentido?

Por algum motivo, os orcs e os mortos-vivos de Forgan estavam se reunindo no final da estrada que levava do portão norte. Alguém ali estava enfrentando eles?

Tinha que ser um soldado voluntário.

Poderia ser? Pensou o homem mascarado. Poderia ser o quê? Alguém que ele conhecia? Não era impossível. Mas e daí? O que importava se ele os conhecesse?

O quê, não posso sentir curiosidade?

Ele poderia forçar passagem pelos membros de Forgan para chegar lá. Isso seria um plano estúpido. Então, o que ele faria em vez disso?

Os edifícios nessa rua não estavam em chamas. Ele não hesitou. O homem mascarado correu pela parede de um dos edifícios. Olhando a área do telhado—lá estavam.

Um soldado voluntário. Com cabelos longos. Era uma mulher.

— …!

O homem mascarado cravou as unhas no peito. Se pudesse alcançar o coração, talvez o tivesse apertado e espremido.

Ele quase gritou o nome dela. Mal conseguiu se conter. Ela não era a única pessoa abaixo dele. Havia outra. Um humano, não um orc, nem um morto-vivo.

Um homem de um braço só lutava contra ela. Seria um duelo?

A mulher só tinha duas facas grandes. Enquanto isso, o homem de um braço só empunhava uma katana.

— Aquele desgraçado…

O que ele pensava que estava fazendo? Seu oponente era apenas uma mulher. Não, mas aquele velho não gostava de atormentar mulheres. Na verdade, embora ele pudesse não mostrar empatia pelos fracos, nunca saía do seu caminho para prejudicá-los. Ele deve ter decidido que, mulher ou não, ela era boa o suficiente para precisar ser derrubada. Mesmo que o homem de um braço só também tivesse apenas um olho, ele era um bom juiz de caráter.

— Isso significa que ela ficou mais forte? Mas ainda assim…

Ela jogou as facas fora. Foi deliberado? O que ela poderia fazer desarmada? Enquanto se aproximava, o velho começou a mover sua katana.

— Contemple minha técnica secreta.

Nem mesmo o homem mascarado sabia disso. O que havia com o jeito que a katana dele se movia?

Estava dançando. Ou talvez se espalhando, até.

— Queda Enevoada.

Ela avançou contra o velho, como se atraída. Não, ela estava sendo atraída de fato. A katana do velho a havia hipnotizado.

O que diabos você fazendo? O que fazendo com ela?

Desse jeito, ela vai ser morta. Não, nem aquele velho iria tão longe. Sim, não. Ele iria. Ele poderia. Não que eu vá deixar.

— Habilidade Pessoal! — O homem mascarado sacou sua katana e saltou. Ele caiu diretamente sobre o velho.

— Grande Cachoeira Impura! — A katana do homem mascarado acertou com força a lâmina do velho.

— Ngh…!

O velho fez jus à sua reputação, conseguindo manter o controle da katana mesmo quando quase foi arremessada de sua mão, e ainda desferir um golpe, mesmo que desajeitado, no homem mascarado.

— Seu…!

— Tá perdendo o jeito, velhote!

O homem mascarado se esquivou da lâmina do velho e desferiu seu próprio golpe. O velho Takasagi conseguiu bloquear de alguma forma, mas não em uma posição favorável. Ele estava desmoronando.

— Orah, orah, orah, orahhh…!

Com ataque após ataque, o homem mascarado pressionava cada vez mais. Mas, mesmo com uma desvantagem tão grande desde o início, Takasagi não era um velho qualquer. Ele bloqueava, ainda que imperfeitamente. Esquivava-se por um triz. Ele resistia, suportava e buscava uma abertura não maior que o buraco de uma agulha para contra-atacar.

Eu te conheço, pensou o homem mascarado. Quantas vezes você acha que já lutamos?

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Takasagi era fraco contra ataques vindos da sua parte inferior esquerda e respondia a eles de forma um pouco mais lenta.

Mesmo assim, se o homem mascarado mirasse apenas ali, ele se adaptaria em pouco tempo. Takasagi era apenas um pouco pior em lidar com ataques daquele ângulo; não era uma fraqueza fatal.

Portanto, o homem mascarado precisava misturar outros golpes. Fingir que atacaria aquele ponto fraco e não fazê-lo. Então, quando Takasagi pensasse: “O quê, não vai atacar?”, ele atacaria.

— Droga…!

Takasagi recuou. Ele não estava lançando um contra-ataque. Não, era mais do que isso. Ele não conseguia. O homem mascarado tinha Takasagi contra a parede.

— Oorah! — Ele mirou na parte inferior esquerda.

— Tch! — Takasagi desviou o golpe com sua katana. Não, não foi isso. Ele foi forçado a fazer aquilo.

O homem mascarado segurou sua katana com as duas mãos.

— Habilidade Pessoal! Deus do Trovão Voador…!

Era uma estocada com as duas mãos. Quantas delas ele conseguiria fazer?

Não pense nisso. Vou superar meus limites.

Dê tudo de si.

— Ohhh?! Ohhhh…?!

Takasagi instantaneamente liberou seus limitadores também. O homem mascarado percebeu. Se ele não fizesse isso, estaria acabado. Foi o que Takasagi decidiu.

Nossa. Quantas ações defensivas Takasagi realizou naquele único instante comprimido? O homem mascarado desferiu oito estocadas. Sua katana conectou-se com a de Takasagi um total de quatro vezes. Ele cortou dois fios de cabelo da cabeça de Takasagi. Takasagi tinha um arranhão na bochecha direita.

Foi apenas isso. O homem mascarado estava sinceramente tentando matar. Acabar com aquilo ali mesmo. Era o que ele pretendia fazer. E este foi o resultado.

Takasagi caiu sentado no chão. E, no entanto, o desgraçado estava sorrindo.

Ele sabia que, se tirasse a máscara, também estaria sorrindo. O homem mascarado sentiu um arrepio percorrer o corpo. Ele apoiou o lado plano da katana no ombro.

— Levante-se, velhote.

Takasagi se ergueu sem fazer cerimônia. Ele limpou a garganta e soltou uma gargalhada alta, como se estivesse se divertindo muito, sem o menor sinal de constrangimento.

— Você simplesmente aparece em todo lugar que eu vou agora, não é? Você certamente aprendeu a falar grosso agora, Ranta.

— Seu…! Não diga o nome! Tô escondendo o rosto por um motivo…!

— É óbvio, e você sabe disso.

— N-Não, não é!

Ranta olhou para trás. Ela estava olhando para ele. O rosto dela estava horrível. Estava uma bagunça, coberto de arranhões, sujo de sangue e suor, e, para completar… parecia que ela estava chorando também.

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Ranta desviou o olhar imediatamente, voltando a encarar a frente.

— Você consegue se mexer, certo?

— …S-Sim.

— Ótimo. Então venha comigo.

— “Venha comigo”…? — Takasagi apontou sua katana para Ranta, incrédulo. — Você está fugindo, Ranta? Isso é me subestimar demais. Você seriamente acha que consegue escapar nessa situação?

— Não, você é quem tá me subestimando.

Sob a máscara, Ranta sorriu maliciosamente, embainhando sua katana. Ele agarrou o máximo que pôde de facas, navalhas, pregos, pedras e outros objetos que guardava sob o manto.

— Habilidade Pessoal, Vento Violento de Destroços de Guerra…!

Ele saltou, girando, arremessando as facas, navalhas, pregos e pedras contra Takasagi, os orcs e os mortos-vivos. Era fácil de descrever, mas fazer aquilo de fato era bem difícil. Ranta estava convencido de que algum dia chegaria a hora de usar essa técnica, por isso treinou arduamente.

Este era o retorno.

— O quê…! — Takasagi rebateu uma faca.

Naquele momento, Ranta já havia pousado e estava correndo. Durante seu Vento Violento de Destroços de Guerra, Ranta encontrou um ponto fraco no cerco inimigo. Ele disparou entre dois orcs, passando por eles.

Sacando a katana novamente, ele fingiu que cortaria o morto-vivo à sua frente, mas, em vez disso, aproximou-se e o empurrou. Ele não precisava olhar para trás para conferir. Yume o estava seguindo. Melhor do que isso, ela estava ao lado dele, chutando orcs e mortos-vivos, ou passando rasteiras neles. Droga, aquela mulher tinha um trabalho de pernas formidável.

— Você é a melhor…!

— Nuhh?! O que foi que disse?!

— Nada!

— Ranta, você…!

Takasagi uivou como um cão derrotado. Ele parecia um pouco feliz.

Você me dá calafrios, velhote. Não se preocupe. Eu mesmo vou te apagar um dia desses. É isso que você quer, não é? Você não gostaria de ficar senil e não ver a morte chegando, de morrer após definhar por muito tempo doente ou de simplesmente não acordar um dia. Eu sei que esse tipo de morte fácil não é para você.

No fim das contas, você quer estar satisfeito e pensar: “É, isso aqui é o que vai me matar”. Se possível,quer que seja pelas mãos de um cara que você treinou.

As pessoas eram propensas a pensar dessa forma quando sentiam que estavam chegando ao fim? Ranta ainda não sabia. Mas, quando chegasse a hora, ele daria a Takasagi a morte que ele desejava. Não agora. Isso ainda estava por vir. Bem que poderia ser amanhã, mas não era hoje.

Assim que Ranta rompeu totalmente o cerco da Forgan, ele entrou em um beco.

— Não tá sem fôlego, tá?!

— E você?!

— Você parece bem. Vamos sair de Altana por enquanto!

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Ele queria dar uma olhada em Altana, entender a situação. Não era como se não pudesse perder tempo. Mas os instintos de Ranta já lhe diziam que aquela era uma batalha perdida. Altana cairia. Permanecer na cidade seria apenas perigoso.

Ranta conseguiria se virar sozinho. Ele seria capaz de dar um jeito. Mas… Yume também estava ali.

O portão norte devia ter sido rompido, mas haveria sujeitos lá para visar qualquer um que tentasse escapar. Enquanto isso, as muralhas não eram mais o campo de batalha principal, e quase não havia luta ocorrendo por lá. Do lado de dentro, havia várias escadarias e escadas de mão que poderiam levá-los ao topo das muralhas e, uma vez lá em cima, seria fácil descer para o outro lado.

Ranta e Yume seguiram em direção à floresta no norte. Pouco antes de entrar, Yume se virou para olhar Altana uma última vez.

— Vamos. — disse Ranta, puxando Yume pelo braço.

Ela não resistiu.

A escuridão profunda da floresta era aliada de Ranta. Embora lutasse usando inteiramente seu próprio estilo único, ele ainda era um Cavaleiro das trevas até o âmago. A escuridão era sua amiga.

De repente, ele teve um pensamento. O que teria acontecido com os mestres da guilda dos Cavaleiros das trevas? Conhecendo-os, eles lutariam até o fim, mesmo que a batalha fosse comprovadamente impossível de vencer. Eles iriam para os braços de Skullhell após terem lutado até estarem satisfeitos.

Ranta percebeu que ainda segurava a mão de Yume, sem nunca tê-la soltado. Não, não era que ele tivesse esquecido. Ele jamais esqueceria.

Por que? Por que ela não ficando irritada e me mandando soltar?! Se ela não fizer isso, eu não posso soltar. Tenha um pouco de bom senso. Não que o bom senso algum dia tenha tido algo a ver comigo.

Vamos, diga alguma coisa.

Tudo o que ele conseguia ouvir, além do cricri dos insetos, era a respiração de Yume e os passos de ambos.

— …Hm? — Ranta parou.

— Ah! — Yume engoliu em seco. Eles ouviram algo logo em seguida. Era um cachorro? Ou um lobo, talvez?

Auuuuuu… Foi um uivo fraco. Era a primeira vez que Ranta ouvia um assim, mas o mesmo aparentemente não se aplicava a Yume.

— Mestre! É o senhor, Mestre?! É a Yume!

— Ohh! Eu sabia que era você! — Ele ouviu a voz do homem à distância.

— Quem? — Ranta perguntou enquanto Yume se soltava da mão dele sem esforço.

— O mestre da Yume da guilda dos caçadores! O nome dele é Itsukushima!

— …A-Ah, é? Espera aí, você não tá ficando animada demais?

— Bem, é porque a Yume tá feliz!

Ranta ficou confuso ao se ver um pouco irritado com aquilo. Ele não conhecia esse tal de Itsukushima, mas sabia que Yume era bastante apegada ao seu mestre na guilda. É claro que ela ficaria feliz ao descobrir que ele estava bem.

Não é nada pra ficar puto, ele pensou. Sim. Não pra um cara super tolerante como eu.

Logo, um caçador barbudo apareceu com oito cães-lobo atrás dele.

— Mestre!

Yume deu um abraço de urso em Itsukushima e, embora ele tenha cambaleado para trás ao pegá-la, o sujeito retribuiu o abraço.

— O-Oh, Yume, fico feliz. Estou tão feliz que você esteja bem…

— A gente se separou, A Yume tava ficando muito preocupada.

— Eu também estava preocupado com você, é claro, mas eu tinha esses carinhas aqui pra pensar. Então saí de Altana por um tempo…

— Tá falando dos cães-lobo, certo? Tão todos aqui?

— O-Ok! Já chega! Vocês dois já podem parar de ficar grudados um no outro agora!

Incapaz de aguentar mais, Ranta separou Yume e Itsukushima. Yume não ficou feliz com isso, mas pareceu que Itsukushima sentiu que Ranta acabara de lhe fazer um favor.

— Ouça, Yume. Eu planejava procurar por você antes de tomar qualquer outra atitude, mas parece que não preciso mais. Estou indo para as Montanhas Kurogane.

— Hoh? — Yume inclinou a cabeça para o lado. — As Toca da Boca do Crocodilo…?

— Não soa nem um pouco parecido com isso! — Ranta não sabia se ria ou se ficava irritado. — São as Montanhas Kurogane, não as Toca da Boca do Crocodilo!

— Bem, era assim que tava parecendo pra Yume.

— …O Reino Sangue de Ferro dos anões fica nas Montanhas Kurogane.

Ranta não precisava que Itsukushima lhe dissesse aquilo.

— E daí? Você conhece um anão lá, ou algo assim?

— Sim, um dos meus poucos amigos. Gottheld. Ele pode ser complicado, mas é um bom sujeito.

— Parece que você tem mais em mente do que apenas reatar velhas amizades.

— Do jeito que eu vejo, Altana vai cair. Tenho certeza de que a capital élfica, Arnotu, também deve ter sido eliminada como diziam os rumores.

— Pode acreditar em mim, ela foi — resmungou Ranta. — …Não que eu queira ser o portador de más notícias. Eu tava na Floresta das Sombras no dia em que Arnotu foi atacada.

— Nesse caso, o Reino Sangue de Ferro será o próximo. As Montanhas Kurogane podem ser nosso último refúgio.

— Você vai até lá pra avisar eles, então?

— Teve um tempo em que homens e anões lutaram juntos até a morte. Obviamente, não é problema meu, mas… eu não gostaria de apenas aceitar isso de braços cruzados. — Itsukushima olhou para Yume. — O que você quer fazer? Virá comigo?

— Yume… — Ela hesitou, como se estivesse incerta, então olhou diretamente para Itsukushima e balançou a cabeça. — …não vai. O Ranta tá com ela, afinal. Além disso, tem mais companheiros que a gente ainda vai querer encontrar.

— Entendo. — Itsukushima pareceu decepcionado, mas também aliviado. Provavelmente as duas coisas. O homem era direto com seus sentimentos.

— Prestem seus respeitos, rapazes.

Quando Itsukushima deu a ordem, os oito cães-lobo se reuniram ao redor de Yume. Eles lamberam o rosto dela, a cheiraram e a cutucaram com as patas por toda parte, mas Yume parecia realmente feliz com aquilo.

— Se cuidem, cachorrinhos-lobo. Nyeheheh, a gente se vê depois, Poochie.

— Ei — Itsukushima dirigiu-se a Ranta. — Cuide da Yume, por favor?

— Eu faria isso sem você precisar me pedir.

— …Tente imaginar como eu me sinto, tendo que agir todo sério enquanto digo isso para um esquisitão que esconde o rosto atrás de uma máscara.

— Heh. — Ranta deslocou a máscara para a testa. — Apenas relaxe e siga para as Montanhas Kurogane, ou seja lá pra onde for. …E cuide-se, cara. A Yume ficaria triste se você morresse em uma vala qualquer.

— Eu sou bom em sobreviver.

Itsukushima latiu uma ordem curta para os cães-lobo e fez um gesto para que entrassem em fila. O maior, e provavelmente mais velho dos cães, foi o primeiro a ir, desaparecendo na floresta escura.

— Poochie… — Yume pareceu querer dizer algo, mas reconsiderou, decidindo que não deveria atrapalhar o cão-lobo.

Os cães-lobo continuaram seguindo, e Itsukushima os acompanhou. Deve ter sido deliberado o fato de ele não ter se despedido. Quando Ranta pensou nos sentimentos de Itsukushima, sentiu um aperto no peito. Yume respeitava e adorava aquele homem barbudo. Ranta podia não gostar do fato de ela gostar dele, mas sabia que Itsukushima não devia ser um cara mau. Ele não conseguia se obrigar a odiá-lo.

Yume permaneceu em silêncio, mesmo depois que Itsukushima e os cães-lobo desapareceram completamente. Ranta pensou em perguntar: Tudo bem por você?, mas decidiu não fazer. Ele não precisava conferir.

Yume tinha ficado porque estava de acordo com isso. Ela escolhera estar com ele. Bem, não era como se Ranta não pudesse ter ido junto com eles, mas ele e Yume tinham outras coisas que precisavam fazer.

— …A questão é: e agora? — Ranta murmurou para si mesmo, e Yume riu.

— Yume tá achando que tudo vai dar certo de algum jeito. Ela conseguiu se encontrar com você, afinal de contas.

— Heh…

Ele estava prestes a responder: “Pode apostar que sim”, quando a realidade de estar sozinho no escuro com Yume o atingiu, e ele começou a se sentir realmente ansioso.

— O-… O que deveríamos fazer? Altana tá, bem, você sabe, e pode não ser uma boa ideia tentar fazer qualquer coisa imediatamente… Além disso, você tá ferida e provavelmente cansada também…

— Sim. E é noite também, sabe? Talvez a gente devesse descansar um pouco.

— C-Claro. Faz sentido. E-Eu também. Não tô exausto nem nada. Quer dizer, eu sou um cara durão, então tô bem, mas descansar pode ser importante. É…

— Acho que vamos dormir, então — disse Yume, e imediatamente se deitou.

— A-Aqui?! Assim, de repente?!

— Ahhh. A Yume consegue dormir em qualquer lugar. O chão não tá muito duro aqui também.

— …B-Bem, eu também consigo dormir em qualquer lugar. Eu sou um verdadeiro homem de aço, sabe…

Ranta se deitou no chão também. Ele já havia dormido em penhascos fustigados pelo vento enquanto estava exposto à chuva. Comparado a isso, ali era como uma cama confortável.

— Você, hã…

— Nuh?

— …Não. Esquece.

Ele tinha um monte de coisas que queria dizer, mas, se começasse a fazer perguntas agora, não haveria fim. Ele não ia descansar? Sim. Precisava se recuperar um pouco. Tanto o corpo quanto a alma. Essa era sua primeira prioridade. O que fariam a seguir? Ele poderia pensar nisso depois.

— Ranta.

— …Hm?

— Tá meio…

— Sim. …O que foi?

— Sua pata.

— …Hã?

— Oh, ops, sua mão.

— O que tem a minha mão…?

— Hnnngh. — A mão de Yume roçou na de Ranta. Então, ela a segurou. — Yume tava esperando poder segurar assim. …Tudo bem?

— Tá… — Ranta parou de respirar por um segundo. Então, ele deu uma respiração curta e profunda. — …Tudo bem por mim. Não é grande coisa.

— Ah, é? Que bom…

Yume parecia terrivelmente sonolenta. Ranta estava totalmente desperto.

Ei, agora.

Fala sério…

Fazer isso? Nessa situação? Não tem como eu conseguir dormir, né…?

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#2 O Sussurro do Monstro

Um guia baixo, com olhos da cor de chá preto, quase vermelhos, liderava o caminho por uma escadaria em espiral. Shinohara sabia que a própria escadaria era uma relíquia. Pois, se não fosse, o que mais poderia ser?

Aqueles degraus, que pareciam ser feitos de algo que não era ferro nem pedra, seguiam voltas e mais voltas, para cima e para o alto, em um espaço aberto que não era nem claro nem escuro. Não havia nada que se assemelhasse a paredes. Apenas a escada em caracol.

As escadas, que pareciam infinitas, pararam abruptamente, e eles emergiram no que parecia ser uma floresta. Ele olhou para cima, mas não havia sol, nem lua, nem estrelas. Em vez disso, havia luzes globulares penduradas nos galhos ou posicionadas sobre tocos de árvores.

O guia virou-se para falar com ele.

— O mestre o aguarda.

Tendo informado isso secamente, o guia tentou partir, mas Shinohara não pôde evitar chamá-lo: — Qual é o seu nome?

— Alice.

— Sir Unchain é um bom mestre?

— Ele é o tipo de pessoa que transformará você em um monstro se você confiar nele. Não que eu ache que ele seja uma pessoa, para começo de conversa. — O guia sorriu levemente e então alertou Shinohara: — Você também se tornará um monstro em breve. Acho que eu já sou um. Ou, pelo menos, estou na metade do caminho.

Com essas palavras, o guia partiu. Shinohara foi forçado a caminhar pelo andar superior da Torre Proibida, procurando por seu mestre sozinho.

O mestre estava sentado em uma poltrona, seus olhos encovados focados no livro que repousava em seu colo. Shinohara surpreendeu-se ao ver que seu chapéu alto de abas largas não estava em sua cabeça, mas no chão, aos seus pés.

Ao lado da poltrona havia uma árvore, cujo interior fora esculpido para criar uma estante de livros. Os galhos entrelaçados acima formavam uma gaiola, aprisionando uma mulher seminua em seu interior.

— Você veio, não veio?

Sir Unchain fechou o livro e voltou o rosto para Shinohara. Se é que se podia chamar o que ele tinha de rosto. Bem, provavelmente era. O homem parecia um cadáver afogado resgatado das profundezas do mar, mas seu longo cabelo encaracolado e sua barba transbordavam vida. Cada fio parecia que poderia começar a se debater por conta própria a qualquer segundo.

— Conseguimos garantir nossa participação no Exército da Fronteira. Pensei em vir prestar meus respeitos.

— Será tranquilizador tê-lo lá.

Sir Unchain levantou-se da poltrona com movimentos desajeitados, porém silenciosos, devolvendo o livro à estante de árvore.

— O que achou dele? Como o Comandante Mogis está se saindo?

— Ele está de bom humor. O homem parece falar sério sobre se tornar rei.

— Um rei, hum?

Quando Sir Unchain ergueu a mão direita, um cajado branco apareceu de algum lugar e voou para seu punho.

— Eventualmente, o No-Life King despertará e se colocará diante de todos os reis.

— Onde é que o seu suserano dorme?

Sir Unchain—ou seja, Ainrand Leslie—soltou um som estranho que poderia ter sido uma risada abafada, mas não respondeu.

— Quem… é você…? — a mulher aprisionada na árvore perguntou baixinho.

— Chamam-me de Shinohara — ele respondeu com um sorriso, e a mulher repetiu o nome dele com olhos vagos.

— Você… sabe… quem eu sou…?

— Sim. Só um pouco.

— Eu… não sei… Apenas… meu nome… — A mulher balançou a cabeça. — …Dark.

Teria ela o convocado? Como se estivessem atravessando uma porta invisível em frente ao seu peito, longos fios pretos surgiram, tecendo-se uns aos outros. Em pouco tempo, assumiram uma forma humanoide.

— Isso é… — Os olhos de Shinohara se arregalaram. Era magia, certamente, mas não de um tipo que ele já tivesse visto antes.

— Afaste-se — rosnou Sir Unchain. Shinohara obedeceu imediatamente.

Aquele Dark, ou o que quer que fosse, soltou ruídos bizarros, girando em sentido anti-horário enquanto crescia. A gaiola de galhos se estilhaçou. A mulher caiu.

Por um instante, Shinohara questionou se deveria avançar e segurá-la. Mas não, não era necessário. Dark a sustentava. A mulher desceu com Dark enrolado nela. Era como se ela tivesse brotado asas de escuridão.

— Eu sou… Shihoru… Só conheço meu nome… e o Dark… mas… — A mulher olhou de relance para Sir Unchain. — Ele diz que, se eu fizer o que me mandarem… posso ir para casa…

— Isso está correto. — Sir Unchain sempre proferia palavras doces em um tom ríspido. Era como se aquele monstro não tivesse sentimentos próprios. — Se o nosso objetivo for alcançado, você poderá retornar para casa, para o seu mundo. O mundo de onde você veio. O lugar onde você deveria estar.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


Tradução feita por fãs.
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