Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 7 – Volume 16
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Grimgar volume 16 – Capítulo 7

7. Ficamos Ali Parados em Confusão
Damuro, situada a cerca de quatro quilômetros a noroeste de Altana, já foi conhecida como a segunda cidade do Reino de Arabakia. Suas origens eram antigas. Pessoas viviam ali desde tempos imemoriais.
Durante todo esse tempo, sempre que os humanos vinham para o sul por qualquer motivo, a maioria cruzava as Planícies dos Ventos Rápidos e se reunia no lugar chamado Damuro. Alguns se estabeleceram, construindo casas e vivendo lá por gerações.
Eventualmente, o Reino de Arabakia instalou um magistrado e começou a administrar o território. O antigo reduto humano foi dividido em Cidade Velha e Cidade Nova.
Os prédios próximos sem dúvida tiveram dois andares em algum momento, mas agora apenas um punhado deles ainda estava intacto. Aquelas coisas projetando-se dos escombros eram pilares? Havia um pequeno animal caminhando sobre uma viga apoiada no topo deles.
Aquele cercado com altura variável era uma cerca ou um muro? Nada além de ruínas, ruínas e ruínas, até onde a vista alcançava.
Poucos edifícios tinham suas paredes e telhados totalmente intactos. Na verdade, provavelmente era justo dizer que nenhum deles tinha.
— Tá silencioso demais… — Kuzaku murmurou.
Instantaneamente, ecoando ao longe, veio um grito: — Aaagahhh!
— …Credo — Neal reclamou com um fungado. — Eu realmente tirei a pior sorte de todas.
Essa fala é nossa.
Haruhiro adoraria ter dito isso, mas não queria falar com Neal. Ele precisava evitar se abalar. Não estava fazendo aquilo porque queria, mas, já que ia fazer, faria sem baixas. Mesmo que tivesse a suspeita de que seria incrivelmente difícil conseguir isso.
— Tem um monte deles, né? Estão por toda parte. É o Gobby McGobgob e seus amigos gobbies.
Sabe-se lá o que ela achava que estava fazendo, mas aquela vadia atrevida de marias-chiquinhas caminhava ao lado de Haruhiro, rindo sozinha. Que se dane ela.
Haruhiro não gostava de pensar nela como “aquela vadia”. Mas como não pensar? Primeiro, ele odiava a aparência dela. Sua voz e modo de falar eram desagradáveis. Até o calor do corpo dela e sua presença em geral eram perturbadores.
O próprio ser de Hiyomu, cada aspecto dele, irritava Haruhiro profundamente. Apenas por estar ao lado dele, ela fazia emoções incrivelmente sombrias brotarem em seu interior. Aversão e ódio intensos.
Ele estava um pouco surpreso e levemente chocado. Nunca soube que podia detestar alguém tanto assim. Isso o fez pensar: Isso não é meio anormal?
Não tendo nenhuma memória de seu antigo eu, Haruhiro não sabia realmente como ele era. Mas ele não devia ser uma boa pessoa. Pessoas boas não odiavam os outros desse jeito. Mesmo que fosse a Hiyomu.
Não, talvez Hiyomu fosse uma exceção. Era ela, afinal de contas.
De alguma forma, Haruhiro queria negar que Hiyomu estivesse ao alcance de seus braços. Quão mais feliz ele seria se pudesse esquecer? Era impossível, claro. Ele nunca poderia apagar isso de sua memória. Porque era um fato que Hiyomu estava ali mesmo.
Ele não tinha escolha a não ser aceitar, no fim das contas? Mas ele a odiava. Não queria aceitar.
Ele sabia. Não era uma criança, então tinha que aguentar coisas de que não gostava. Todos aguentavam. Eles suportavam, esperando o momento certo. Ele precisava focar.
Eles não estavam andando particularmente rápido, mas seu pulso estava acelerado. Era culpa da Hiyomu. Ele estava ficando irritado de novo. Não era bom. Precisava respirar o mais calmamente possível e ampliar seu campo de visão. Observar a si mesmo—não, observar o grupo de uma perspectiva aérea.
Quando fazia isso, era inevitável que visse Hiyomu também, mas ele só tinha que imaginar que ela era uma cenoura ambulante ou algo assim.
Será que isso era um insulto às cenouras? Cenouras nunca lhe fizeram nada de errado. Ele não gostava particularmente delas, no entanto. Bem, também não as odiava.
Uma cenoura. Talvez fosse uma ideia melhor do que ele pensava? Se ele não gostasse nem odiasse cenouras, a presença de uma não o deixaria tenso.
Uma cenoura.
Hiyomu é uma cenoura ambulante.
Eu não tenho nada contra cenouras e isso parece um pouco forçado, mas é o que vou dizer a mim mesmo.
Haruhiro e a cenoura estavam praticamente lado a lado na frente do grupo, com Kuzaku, Mary, Setora e Kiichi atrás deles, e Neal na retaguarda.
“Ahh!” e “Gyah!”, os goblins continuavam gritando ao longe.
Sim. Esta era a Cidade Velha de Damuro, um covil de goblins.
Eles podiam ver goblins nos telhados e nos segundos andares dos prédios que desmoronavam. Goblins espiavam por entre os escombros e pelas sombras dos pilares também.
Quando Haruhiro e os outros se aproximavam, todos os goblins se escondiam. Ou fugiam.
Às vezes, gritavam para intimidar o grupo. Apenas uma vez, um goblin atirou pedras neles de um ponto que não tinham esperança de alcançar.
Independentemente disso, por enquanto, não mostravam sinais de ataque. Os goblins da Cidade Velha observavam o grupo inquietos, para ver o que fariam.
— São apenas um bando de goblins perdedores que foram expulsos da Cidade Nova, afinal.
A cenoura ambulante agia com presunção. Haruhiro esperava que essa atitude tornasse a cenoura descuidada, para que ela cometesse um erro e se metesse em problemas. Mas, naquela situação, isso afetaria o grupo também.
Era difícil. Não havia algum jeito de algo ruim acontecer apenas com a cenoura?
— Os goblins lixo da Cidade Velha não podem desafiar o rei goblin. Eles sabem que não podem fazer nada contra um grupo sério de soldados voluntários humanos. São só pedacinhos de lixo inúteis. Podem ignorar eles. Se agirmos como se fôssemos os donos do lugar, eles não vão mexer com a gente.
Haruhiro e os outros permaneceram em silêncio. Parecia que ele não estava sozinho em seu pensamento. Mary, Setora e Kuzaku também não tinham intenção de se comunicar com a cenoura.
A cenoura ambulante estalou a língua. Parecia irritada por ser ignorada, apesar do fato de não ser nada além de uma cenoura.
Depois de algum tempo, Neal abriu a boca.
— É… acho que é mais ou menos isso mesmo.
Neal era o homem do General Jin Mogis, e a cenoura ambulante era uma representante de seu aliado. No que dizia respeito a Neal, mesmo que estivesse lidando com uma cenoura ambulante, ele precisava ser razoavelmente atencioso. Seria isso?
Haruhiro desejava que os dois fizessem companhia um ao outro. Por sua parte, ele queria o mínimo possível de contato com qualquer um deles, e queria concluir o que precisava ser feito com segurança. Ele também queria Shihoru de volta.
Esta era a missão confiada a Haruhiro e seu grupo:
Atravessar a Cidade Velha de Damuro até a Cidade Nova.
Encontrar-se com Gwagajin, o rei, ou mogado, dos goblins.
Entregar o pedido de Jin Mogis e receber uma resposta.
Retornar a Altana e transmitir a resposta do Mogado Gwagajin ao general.
Eles não conseguiram uma declaração direta do general confirmando que havia sequestrado Shihoru, mas ele disse: “Se vocês cumprirem seus deveres, tudo estará onde pertence”.
Isso tinha que significar que ele libertaria Shihoru ilesa. Se não, Haruhiro e os outros teriam que agir, sem mais espaço para conversa. Eles não iriam se segurar se chegasse a esse ponto.
Além disso, Neal era o vigia deles. A cenoura ambulante aparentemente iria negociar com o Mogado Gwagajin. Era difícil imaginar ser capaz de se comunicar com goblins, mas aparentemente aquela cenoura conseguia.
Seria porque era uma cenoura? Ele não entendia a lógica, mas aparentemente ela tinha um jeito. Eles não estariam caminhando para o reduto goblin se ela não tivesse.
Não importa como se olhasse, aquilo não poderia ser seguro.
Damuro era puramente território inimigo. Além disso, Altana fora ocupada pelos goblins até pouco tempo atrás. Eles mataram muitos humanos. E não foi só isso. Eles comeram os cadáveres.
Os goblins aparentemente comiam a própria espécie também, então podiam não ter tido a intenção de ofender especificamente com aquilo.
“O que têm de errado em comer os mortos? Vocês também comem a carne de animais, não é?”
Se eles dissessem isso a ele, Haruhiro teria dificuldade em encontrar uma resposta. Mas, deixando isso de lado, os goblins eram flagrantemente hostis à humanidade.
No entanto, de acordo com a cenoura ambulante, os goblins da Cidade Nova não tinham nada a ver com os da Cidade Velha. Estes eram os membros mais baixos da sociedade goblin, a escória.
Os goblins da Cidade Velha pareciam deploráveis em comparação aos que ocuparam Altana. Embora houvesse variação individual, no geral, nenhum deles parecia muito grande ou robusto. Mesmo quando a Expedição do Sul atacou, eles aparentemente não se deram ao trabalho de mobilizar os goblins da Cidade Velha.
Haruhiro não sabia se tinha sorte ou azar por ter esquecido isso, mas há cerca de cinco anos, ele e seu grupo vinham à Cidade Velha de Damuro diariamente.
O que eles vinham fazer aqui? Não era para piqueniques, com certeza. Era trabalho. Estavam ganhando a vida. Caçando. O grupo caçava goblins. A Cidade Velha de Damuro era o campo de caça ideal para soldados voluntários recém-formados.
Muitos aprendizes construíram experiência aqui e se acostumaram a matar criaturas vivas com as próprias mãos. Tornaram-se soldados plenos e deixaram o ninho. Haruhiro deve ter sido um desses novatos.
Mas os goblins também eram seres vivos. Naturalmente, eles não aceitavam isso de braços cruzados.
Em seus dias de treinamento, o grupo de Haruhiro perdeu um companheiro chamado Manato. Ele sabia disso porque Mary lhe contou.
Eles o vingaram. Haruhiro e seu grupo se vingaram contra os goblins da Cidade Velha.
Matar e ser morto, depois matar e ser morto novamente. Não era apenas lamentável; era um ciclo vicioso. Se não quebrassem a corrente em algum lugar, nunca terminaria. Ainda assim, lembrando ou não, Haruhiro havia matado goblins da Cidade Velha. Ele era um assassino.
“Vamos parar com a matança sem sentido.”
Ele não estava em posição de proferir essas palavras, então não as diria. Se os goblins da Cidade Velha os atacassem, ele reagiria sem hesitar e não teria misericórdia. Mas, se fosse possível evitar o confronto, seria melhor assim.
Acho que não vai ser assim, né?
— Gungyah! — um goblin gritou.
Estava perto. Atrás dele.
Haruhiro virou-se. Estava em uma ruína, cerca de dez metros atrás deles, à esquerda. O prédio tinha dois andares, mas estava quase destruído. Apenas metade de cada andar restava. Lá estava ele. No segundo andar. Um goblin. Vestindo uma cota de malha cheia de furos. Aquilo era uma lança em suas mãos? Era uma lança curta. Ele planejava arremessá-la? Já havia começado o movimento.
— Kuzaku…!
Antes mesmo de Haruhiro chamar seu nome, Kuzaku estava sacando sua grande katana. Ele girou e avançou. A lança voou. Kuzaku a rebateu com um golpe. Neal gritou: — Isso foi perigoso!
Você deveria ter notado!
Haruhiro sacou sua adaga enquanto olhava ao redor, amaldiçoando Neal mentalmente.
Pra que serve você aí atrás? Não baixe a guarda. Seja útil se for gastar o nosso oxigênio!
— O que foi isso?! Você é só um goooobzinho de merda!
Com os olhos saltando de um lado para o outro, a cenoura ambulante agarrou seu pequeno enfeite de cabelo de pelúcia, ou o que quer que fosse. Embora não parecesse, aquele adereço era uma relíquia genuína.
— Vamos!
Quando Haruhiro correu em direção à ruína à frente deles, à direita, todos o seguiram sem demora.
Era um prédio de um andar. Dois terços das paredes estavam intactos, mas o teto havia desabado. Não havia goblins lá dentro. Ele pôde confirmar isso num relance.
Com as costas voltadas para a ruína, eles se posicionaram de modo que o campo de visão coletivo cobrisse todas as direções. Kiichi escalou a parede e ficou no topo de uma viga de sustentação.
Neal, apesar de todas as suas falhas, ainda era um batedor ativo. Contanto que não baixasse a guarda, ele conseguia dar conta do recado.
Mas o fato de que até a cenoura ambulante estava cooperando e agindo como parte do grupo era um pouco surpreendente. O passado de Hiyomu era um mistério, mas ela talvez tivesse alguma experiência como soldado voluntário.
— Cinco ao sul — disse Setora com uma voz calma.
— Oeste, três — continuou Mary.
— Cinco ao leste, eu acho? — Kuzaku inclinou a cabeça. — Não, seis. Podem ser oito.
Ele estava sendo vago, então Neal o corrigiu.
— Tem que ter mais de dez. Onde tão seus olhos?
Haruhiro deu uma olhada geral nos goblins que seus companheiros haviam encontrado.
— Eles tão organizados…
Não eram uma horda desordenada. Tinham um líder. Onde ele estava?
— Parece que vão atacar pelo leste. Eu vou segurar eles — Kuzaku preparou sua grande katana. — Fico bem com o mínimo de suporte.
— Os inimigos ao sul e oeste estão tentando se encontrar. O leste não seria uma distração? — Setora disse de forma direta.
— O norte é suspeito — disse Hiyomu. — Agora pouco, uma das criaturinhas botou a cabeça pra fora e depois se escondeu. Esse gob é muito sorrateiro.
— Deixem isso com nós — disse Neal com uma risada desagradável, empurrando o ombro de Haruhiro. — Vá lá, herói.
Devo dar um chute nele? Haruhiro pensou por um momento. Obviamente, não faria algo tão inútil.
O norte, hein? Ele não via nenhum goblin que batesse com a descrição agora. Poderia confiar no que Hiyomu dissera? Ele não confiava nela nem um pouco como pessoa. No entanto, se não saíssem dessa situação, Hiyomu também estaria em apuros.
Além disso, não era como se Hiyomu e o mestre da Torre Proibida estivessem querendo prejudicar Haruhiro e seu grupo. Quem era o mestre da Torre Proibida? Isso não estava claro no momento, mas ele ou ela devia ter algum objetivo. Estavam tentando usar Haruhiro e seu grupo para alcançá-lo.
— Kuzaku, enfrente o inimigo no centro. Setora, você assume o comando. Vou encontrar e eliminar o líder deles.
Haruhiro não esperou por uma resposta. Ele afundou no chão. Essa era a imagem mental que ele usava.
Stealth.
Ele imediatamente se afastou de onde estava e seguiu para o norte. Não ficou vagando pelo meio da rua. Usou o melhor que pôde as ruínas, os escombros e as sombras que eles projetavam para se esconder enquanto avançava.
De vez em quando, cruzava a estrada. Não tinha medo. Tinha uma sensação—uma intuição, era a única forma de chamar—de quando seria descoberto. Desta vez, não seria.
Kuzaku e os outros estavam lutando. Ele não se virou para olhar. Eles ficariam bem. Podia deixar isso com eles.
Ele não procurou. Se fosse caçar com o olhar, teria mais chances de perder o que queria encontrar. Ele manteve uma visão ampla, muito ampla, de toda a cena. Se algo se movesse, se qualquer forma ou cor parecesse fora de lugar, sua atenção se voltaria para lá por conta própria.
Encontrou. Um goblin. A pele deles era geralmente de um verde amarelado. As ruínas estavam cobertas de musgo e hera, o que fornecia algum grau de camuflagem. Mas eles ainda se destacavam quando se moviam.
À sua frente, à direita, a cerca de trinta metros, havia uma grande ruína de dois andares. O primeiro andar era sólido. O segundo estava metade destruído, parecendo uma espécie de terraço caindo aos pedaços.
Haruhiro pressionou as costas contra a parede externa de uma ruína próxima e observou o terraço em questão. Havia dois goblins lá agora. Estavam agachados na sombra de um móvel retangular que estava caído de lado, ocasionalmente espiando por trás dele.
Eram apenas aqueles dois? Não. Dois terços do segundo andar haviam sido reduzidos ao que parecia um terraço, mas o terço restante ainda tinha teto e paredes. Havia um lance de escadas ali também.
Um goblin subiu as escadas. Estava tentando se juntar à dupla acima? Manteve a postura baixa, correndo para a sombra do móvel.
Haruhiro seguiu em direção à posição dos goblins. Os goblins no terraço permaneciam alertas aos arredores. Ele tinha que ser um pouco cuidadoso também.
Ele alcançou a ruína. O terraço do segundo andar estava acima da cabeça de Haruhiro. A parede estava densa de hera. Havia uma única janela cerca de três metros à sua frente. Ele tentou se aproximar dela.
Ouviu vozes. Vozes de goblins. Dentro da ruína, os goblins conversavam. Eram dois ou três? Poderia haver mais?
Espreitou pela janela para dentro do prédio. Era uma sala grande. Havia escadas ao fundo. Viu seis, sete—oito goblins.
Um desceu as escadas. Outro goblin subiu para tomar o seu lugar.
Um banquinho, não, uma mesa? Um dos goblins estava sentado em uma mesa. Aquele goblin, sozinho, parecia ter equipamentos melhores. Estavam meio mal ajustados, mas ainda era uma armadura de cobre, e ele até usava um elmo também. A armadura e o elmo brilhavam. Ele devia tê-los polido cuidadosamente. Havia uma série de adagas, provavelmente quatro, penduradas em sua cintura, e uma espada longa pendurada nas costas.
Aquele é o líder, pensou Haruhiro. Os outros eram claramente submissos àquele.
Além do goblin de elmo, havia quatro goblins carregando bestas. Os goblins com bestas exigiam cautela. Mesmo com Mary ali, receber um dardo de besta em qualquer lugar vital ainda seria uma péssima notícia.
Haruhiro moveu-se mais uns cinco metros ao longo da parede. Aquele parecia ser o ponto de entrada e saída. Não havia porta, apenas um buraco simples, alto e estreito. Havia sinais de que a hera fora removida dali recentemente.
Ele olhou pela entrada. Longe demais. O goblin de elmo estava a sete ou oito metros. Pela janela era mais perto, cerca de cinco metros, mas eles obviamente notariam se ele entrasse por lá.
Haruhiro decidiu escalar a parede na área onde o segundo andar ainda possuía teto e paredes. Parecia um bom ponto. A hera sozinha não suportaria o peso de Haruhiro; ela se romperia. Usando as saliências da cantaria como apoio para mãos e pés, ele subiu rapidamente até o telhado do segundo andar.
O telhado era feito de telhas. Haruhiro rastejou para frente, tomando cuidado para não quebrá-las. Olhou para baixo, em direção ao terraço. Aquele móvel retangular era uma cômoda? Três goblins estavam amontoados em sua sombra.
Um goblin botou a cabeça para fora da cômoda. Olhou ao redor e rapidamente se abaixou de novo.
Aqueles goblins eram vigias. Provavelmente havia dois ali o tempo todo, com um terceiro servindo de mensageiro. Três no total, hein?
Se fossem apenas dois, ele poderia apagar ambos no mesmo instante. O terceiro, porém, faria barulho. Os goblins lá embaixo perceberiam que algo estava errado. Não servia.
Os vigias só prestavam atenção ao que acontecia fora da ruína. Não seria possível eliminar os três de uma vez, mas ele não precisava realmente eliminá-los. Certo. Isso funcionaria.
Haruhiro deu meia-volta e desceu pela parede até o chão do terraço.
Um goblin projetou a cabeça por trás da cômoda, olhando ao redor inquieto. Mas não notou Haruhiro de jeito nenhum.
Haruhiro seguiu para as escadas. Os vigias ainda não o tinham visto. Não havia sinal de ninguém subindo também.
Haruhiro desceu os degraus, com a mão indo para o punho da adaga. Havia um patamar no meio do caminho. Mesmo sem descer tanto, se ele se agachasse, conseguiria observar todo o primeiro andar.
Havia cerca de dois metros da base da escada até onde o goblin de elmo estava sentado. Os quatro goblins com bestas estavam perto da mesa, e os outros quatro um pouco mais afastados.
O goblin de elmo disse algo, e os besteiros soltaram o que parecia ser uma risada. Então os outros goblins riram e aplaudiram também. Sim, o de elmo era definitivamente o líder. Os besteiros eram seus seguidores próximos, e os outros provavelmente estavam em posição de servidão. A dinâmica de poder era evidente.
Haruhiro sacou a adaga. Ele sabia o que precisava fazer. Ou talvez fosse mais preciso dizer que ele conseguia enxergar o que fazer. O vídeo passava dentro de sua cabeça. Haruhiro só precisava segui-lo.
Ele desceu as escadas. Logo estaria no patamar.
O goblin de elmo disse algo novamente. Os goblins riram.
Ele passou pelo patamar e desceu mais.
O goblin de elmo estava com o lado direito voltado para ele. Dois dos besteiros deveriam ter Haruhiro em seus campos de visão também. Eles deveriam ser capazes de vê-lo, mas nunca lhes ocorreu que Haruhiro estaria ali, e ainda não haviam notado. Mas poderiam a qualquer momento.
Ele chegou ao fim da escada. O goblin de elmo estava praticamente à sua frente.
Se eu parar agora, com certeza vou estragar tudo.
Esse pensamento o fez enrijecer. Ele continuou se movendo.
Haruhiro tentou circular por trás do goblin de elmo. Faltando apenas dois passos, um dos besteiros engoliu em seco. Estava olhando para ele, com os olhos arregalados. Ele fora avistado.
Ele fez questão de pensar: O quê, finalmente? Entrar em pânico seria a pior coisa. Tinha que recuar agora ou ir até o fim, e não podia hesitar.
Haruhiro saltou sobre o goblin de elmo. Envolveu o pescoço dele com o braço esquerdo por trás. O elmo era grande demais para o goblin e deslizou facilmente para o lado. Expondo o pescoço, ele cravou a adaga que segurava com uma pegada invertida. O goblin de elmo começou a se debater um instante antes disso. Tarde demais.
Mantendo o goblin de elmo—que morreu instantaneamente—preso em seu braço esquerdo, Haruhiro disparou em direção à saída.
Um dos goblins besteiros nivelou sua arma contra Haruhiro. Ele planejava usar o corpo do líder como escudo se disparassem, mas não o fizeram.
Os goblins começaram a fazer um barulho ensurdecedor. Àquela altura, Haruhiro já estava do lado de fora.
Descartando o cadáver do goblin de elmo ao sair, ele correu para o local onde havia escalado a parede anteriormente. Os besteiros saíram da ruína, perseguindo-o, mas Haruhiro já estava subindo, com a adaga entre os dentes. Os goblins o perderam de vista.
Ele subiu até o telhado do segundo andar. No terraço abaixo, os vigias olhavam para baixo, guinchando enquanto tentavam entender o que estava acontecendo. Estavam confusos e em pânico. Isso tornou tudo mais fácil.
Haruhiro saltou no terraço. Uma estocada de adaga nas costas de um vigia o matou instantaneamente. O outro estava inclinado sobre a borda; Haruhiro o chutou para baixo, depois investiu contra o terceiro, cortando sua garganta.
O vigia chutado gritou “Gyah!” ao atingir a rua, mas era apenas o segundo andar. No chão, ele rolou e rapidamente se pós de pé, olhando para Haruhiro.
— Ngyahgwoah!
Ele não fazia ideia do que o goblin dizia, mas presumiu que fosse algo como: “É o inimigo! Ele tá ali em cima!”
Dois dos besteiros miraram em Haruhiro. Ele se abaixou no momento em que as flechas voaram. Os projéteis passaram raspando, muito acima de sua cabeça, seguidos imediatamente por outros dois. Os disparos feitos de baixo não tinham chance de acertá-lo ali.
Os besteiros gritavam. Pelo som, vários goblins haviam corrido de volta para dentro da ruína. Estavam subindo as escadas, pretendendo atacá-lo no terraço.
Haruhiro ficou de pé e imediatamente se atirou do terraço para a rua. Havia três besteiros lá embaixo. Onde estaria o outro? Provavelmente dentro da ruína com os demais.
Ao aterrissar, ele avançou contra um besteiro. O monstro parecia terrivelmente surpreso. Quando Haruhiro se posicionou para derrubá-lo, o goblin não girou a besta para atirar, mas a segurou à frente, tentando se proteger. Estava aterrorizado, pronto para fugir.
Haruhiro não o derrubou; em vez disso, agarrou a besta com a mão esquerda. O goblin, por reflexo, puxou a arma para perto de si para evitar que fosse tomada. Quando Haruhiro soltou repentinamente, o goblin pendeu para frente. Desequilibrado e com as costas expostas, foi fácil cravar a adaga nele.
Por alguma razão, ele sabia exatamente quais golpes seriam letais, o ângulo preciso e a profundidade necessária, como se fosse uma segunda natureza. Aquilo parecia errado até para ele, mas tornava as coisas mais simples.
Restavam dois besteiros. Um fugia para a ruína. O outro arremessou a besta contra ele. Haruhiro esquivou-se da arma e encurtou a distância.
Golpeando o queixo do goblin com a palma da mão, ele varreu suas pernas. Um corte na garganta deixou o goblin sem ar. O sangue jorrou da carótida. Agora, restava apenas a morte.
Ele saltou para dentro da ruína, e o besteiro que fugira estava de costas. Haruhiro saltou sobre ele, cravando a adaga em um ponto vital.
Faltava apenas um. Os outros quatro goblins estavam no meio da escada, perseguindo-o. Eles pararam e se viraram, soltando guinchos agudos. Estavam em pânico total. Tinham medo de Haruhiro.
É claro que tinham. Ele estava encharcado de sangue de goblin da cabeça aos pés. Ele fizera aquilo por necessidade, mas os goblins não veriam dessa forma. Um assassino em massa humano apareceu e estava dizimando seus companheiros um após o outro. Aos olhos deles, Haruhiro devia ser um monstro.
Ele mentiria se dissesse que aquilo não o afetava nem um pouco. Mas não podia hesitar. Haruhiro perseguiu o último besteiro. As pernas da criatura devem ter cedido, pois ela desabou ao chegar no patamar da escada.
— …Droga.
Haruhiro tomou sua besta e lhe deu um chute no traseiro.
— Deixem a gente em paz. Vocês também não querem morrer, querem?
Não importava o que dissesse, eles não entenderiam. Mas, embora não falassem sua língua, ele esperava que a ameaça funcionasse. Ainda segurando a besta, Haruhiro deu as costas ao sobrevivente.
O besteiro não se moveu. Os outros goblins no andar de cima também ficaram parados.
Ao chegar na saída, Haruhiro olhou para trás. Os goblins o encaravam, todos tremendo.
Haruhiro jogou a besta no chão, e os monstros saltaram de susto. Ele provavelmente os intimidou o suficiente. Assim esperava. Se não, teria que matar mais, e queria evitar isso ao máximo.
— …Não que eu esteja em posição de dizer que não quero matar, depois de tudo o que fiz.
Haruhiro deixou a ruína. Afastou-se e observou de uma curta distância. Os goblins não saíam. Não havia mais ninguém no terraço. Será que achavam que ele estava esperando do lado de fora para uma emboscada?
— Eu exagerei…?
Haruhiro correu de volta para seus companheiros. Percebeu que eles já haviam resolvido as coisas por lá também.
Todos pareciam bem. Mais de dez goblins jaziam mortos. A maioria foi retalhado pela grande katana de Kuzaku.
— Bom trabalho, Haruhiro — disse Kuzaku.
Ele estava agindo de forma terrivelmente alegre e casual sobre tudo aquilo, considerando que estava ainda mais ensanguentado que Haruhiro. Foi meio desanimador.
— Bem, não sei se eu chamaria de bom trabalho.
— Esses goblins da Cidade Velha simplesmente não sabem lutar direito. Talvez eu seja forte demais?
— Não se ache, idiota. — Setora cutucou o ombro de Kuzaku.
— Eu tava brincando, tá?
— Se é brincadeira, então faça parecer uma.
— Ele é um bobão, não é? — Hiyomu se intrometeu. Kuzaku pareceu ofendido.
— Eu não quero ouvir isso logo de você…
Neal sorria de leve. Parecia que ele queria concordar. Mesmo que sua posição exigisse que ele fosse atencioso com os sentimentos de Hiyomu, ele devia estar farto dela.
— Como você se saiu? — Mary perguntou a Haruhiro.
Haruhiro assentiu por reflexo, mas não queria entrar em detalhes.
— …Eliminei quem parecia ser o líder deles. Vamos seguir em frente.
— Kiichi!
Quando Setora chamou seu nome, Kiichi saltou agilmente do topo do prédio em ruínas.
Haruhiro respirou fundo. Precisava ficar sério novamente. Ele havia afugentado a gangue que o goblin de elmo liderava. Mas era só isso. Outros grupos ainda poderiam atacá-los.
Mary aproximou-se dele. Ele achou que ela perguntaria: “Você está bem?”. Se ela perguntasse, ele teria que dizer que, obviamente, estava. Mas não foi isso.
Mary agarrou a mão esquerda de Haruhiro e verificou seu pulso.
— A magia acabou.
— …Ah. Sim, acabou.
Mary havia conjurado os feitiços de suporte do Deus da Luz Lumiaris, Protection e Assist, tendo Haruhiro, Kuzaku, Setora e ela mesma, além de Hiyomu e Neal, como os seis alvos. Uma vez conjurado, o efeito durava cerca de trinta minutos; por isso, Mary o renovava antes desse prazo.
Os dois hexagramas de cores diferentes ainda brilhavam no pulso esquerdo de Mary. Parecia que Kuzaku e os demais também os tinham. Aparentemente, a magia havia se dissipado porque Haruhiro se afastou demais de Mary.
— Vou conjurar de novo.
Mary ainda segurava o pulso de Haruhiro enquanto fazia o sinal do hexagrama com os dedos da outra mão.
— Ó Luz, que a proteção divina de Lumiaris esteja sobre você… Protection. Assist.
Dois hexagramas se acenderam no pulso de Haruhiro enquanto ele observava. Instantaneamente, seu corpo e seu coração pareceram mais leves. Ele não sabia que a magia de Mary afetava o coração também.
— Obrigado.
— Não foi nada. — Mary sorriu.
Hã? Haruhiro pensou, desconfiado. O que é isso? Meu peito parece estranho.
Dói.
Não estava frio, mas ele teve arrepios. Houve um formigamento na nuca. Sua garganta deu um nó e ele não conseguiu falar.
— O que foi? — Mary inclinou a cabeça para o lado.
Não, não é nada, ele quis dizer, mas sua boca apenas se abriu e fechou inutilmente, falhando em formar palavras.
— Ah! — Mary soltou o pulso de Haruhiro e baixou a cabeça.
Suas bochechas estavam coradas. Suas orelhas estavam vermelhas.
— Desculpe — Mary pediu em voz baixa, puxando o próprio cabelo. — Eu só estava… só estava conferindo. Só isso. Sério.
— …Sim.
Haruhiro baixou os olhos também. Mary disparava as palavras como se estivesse dando desculpas, mas por quê? Honestamente, ele não sabia. E não era só Mary. Ele também estava bastante perturbado. Por que estava entrando em pânico desse jeito?
Ele não conseguia tirar aquela expressão tímida dela da cabeça. É claro que não. Ela estava bem diante de seus olhos. Se ele erguesse a vista, mesmo que um pouco, poderia vê-la o quanto quisesse.
Mas não consigo olhar.
Meu coração tá batendo feito louco.
Isso é ruim, não é? Esse meu estado. Preciso me acalmar. Se eu não limpar a cabeça, não poderemos seguir em frente.
O que aconteceu comigo?
Alguém, por favor, me diga.
Não que eu pudesse perguntar.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui
Tradução feita por fãs.
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