Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 4 – Volume 16
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – Volume 16:
Grimgar volume 16 – Capítulo 4

4 A Ilusão de uma Encruzilhada
Jin Mogis havia designado para Haruhiro e seus companheiros um quarto na Torre Tenboro.
Parecia que o lugar fora originalmente usado como uma sala de apoio para banquetes. Era impressionantemente grande, mas estava quase vazio, sem qualquer mobília além de mesas e cadeiras.
Aliás, esse quarto era maior que o cedido aos mantos pretos ou o destinado ao Comandante Regimental do Exército da Fronteira, Anthony Justeen, e seus subordinados. Seria essa a forma de o general mostrar o quanto valorizava Haruhiro e seu grupo?
Mesmo que fosse, e daí? Isso não deixava Haruhiro nem um pouco feliz.
Shinohara também estava no quarto, esperando Haruhiro e seu grupo chegarem. Havia um monte de coisas sobre as quais Haruhiro queria conversar, mas ele não podia falar livremente dentro da Torre Tenboro.
Então, ele imaginou que, como Shinohara devia estar interessado em ver como as coisas estavam em Altana, Haruhiro poderia levar todos para fora sob o pretexto de dar uma olhada ao redor.
Enquanto passavam pelo Escritório do Esquadrão de Soldados Voluntários e pelo Templo de Lumiaris, ele checou se estavam sendo seguidos. Parecia que dois batedores, subordinados de Neal, os estavam monitorando.
Ele poderia tê-los despistado, mas não havia necessidade de fazer nada que provocasse o general ainda.
A pedido de Shinohara, eles deram uma passada na Companhia de Depósitos Yorozu.
A Companhia de Depósitos Yorozu guardava com segurança qualquer coisa que você depositasse com eles mediante uma taxa fixa. Era um negócio familiar para muitos soldados voluntários, algo sem o qual não conseguiriam viver.
Quando Altana caiu, a companhia devia ter um estoque enorme de ouro, prata, armas, equipamentos e outros tesouros, mas nada fora saqueado.
Não havia como roubar o lugar. O armazém sólido não tinha janelas e permanecia hermeticamente fechado, sem meios de ser aberto, embora isso não impedisse as pessoas de tentarem.
O general certamente não havia desistido. Havia vários soldados circulando por ali, guardando o armazém.
Em seguida, Haruhiro e os outros fingiram não notar os batedores que os seguiam e entraram na Taverna Sherry, no Beco Celestial, onde poderiam conversar em particular.
— …Isso aqui está bem triste.
Ver a taverna naquele estado deplorável magoou Shinohara.
Como não tinha lembranças do lugar, Haruhiro não pensou nada além de: Os goblins detonaram esse lugar legal também, mas, sim, estava uma verdadeira bagunça.
A maioria das cadeiras e mesas tinha sido virada de cabeça para baixo ou derrubada, e várias delas foram destruídas. Havia cacos de pratos e garrafas espalhados pelo chão, e um cheiro azedo impregnava o prédio.
As moscas deviam estar sendo atraídas pela comida e bebidas estragadas.
— Este lugar. — Mary apertou o peito, falando para ninguém em especial. — A gente costumava vir aqui. Muito…
O grupo se dividiu e abriu todas as janelas. Eles também deixaram a porta aberta.
Arejar o local ajudou com o fedor, mas a luz do sol apenas tornou mais fácil ver o tamanho do desastre que era a taverna.
— Quando Altana foi atacada, tenho certeza de que deve ter havido luta aqui dentro.
Shinohara examinou de perto as manchas escurecidas que pareciam sangue e as flechas presas na parede.
— A maioria dos soldados voluntários conseguiu escapar, mas quase todos os soldados do Exército da Fronteira e os civis morreram em Altana. Ao contrário de nós, esta era a terra natal deles, o único lugar onde podiam estar. Mesmo que fugissem, não tinham para onde ir.
— É meio difícil de processar… — Kuzaku sentou no balcão, baixando a cabeça.
Setora sentou-se nos degraus que levavam ao segundo andar, com Kiichi descansando ao seu lado.
Shihoru ficou apenas parada ali no meio da taverna. Ela parecia perdida.
Mary caminhou até Shihoru, colocando uma mão reconfortante em suas costas. Shihoru estremeceu por um momento, mas retribuiu com um sorriso tenso. Então, em uma voz tão baixa que era quase inaudível, ela disse: “Obrigada”, ou algo bem próximo disso.
Eventualmente, Shinohara começou a desvirar as mesas e cadeiras, colocando-as em fileiras. Haruhiro e Kuzaku ajudaram.
Shinohara, Haruhiro, Kuzaku, Mary e Shihoru sentaram-se em volta de uma mesa. Setora permaneceu na escada. De lá, ela conseguia ver a maior parte da taverna, incluindo as janelas e a porta. Kiichi saiu pela janela. Se os observadores estivessem tentando ouvir a conversa, Kiichi os avisaria.
— Faz um tempo, Haruhiro. Deixe-me começar dizendo que fico feliz que você esteja bem.
— Eu só queria me lembrar de você também, Shinohara-san.
— Fiquei sabendo de alguns detalhes.
— …Imagino.
— Ouvi dizer que a guilda dos ladrões… — Shinohara baixou os olhos. — Ouvi dizer que a mentora da guilda dos ladrões, Barbara, faleceu.
Haruhiro suspirou.
— É — respondeu ele. Sua voz era baixa e terrivelmente fraca.
Shinohara colocou as mãos sobre a mesa.
— Eu a conheci quando ela estava na ativa como soldado voluntária.
— Você… conheceu?
— Foi apenas por um curto período, mas estávamos no mesmo grupo.
— Hã?
— Fomos companheiros. — Shinohara olhou para as próprias mãos. — Ela parecia ser a última pessoa que morreria. Quando ela largou a vida de soldado voluntária e se tornou mentora na guilda dos ladrões, tive certeza de que ela ficaria bem. A gente nunca sabe, né? Aposto que nem ela mesma esperava por isso. Mas essas coisas acontecem. O tempo todo aqui. Esse é o jeito do mundo aqui em Grimgar.
— Shinohara-san… — Mary parecia tentar dizer algo. Mas não conseguiu encontrar as palavras certas e olhou para baixo.
— Desculpe — disse Shinohara com uma risada modesta. — Não é hora de ficar sentimental. Ouvi sobre a amnésia de vocês através da Eliza. Ela disse que a Mary foi a única que não foi afetada.
Em vez de assentir, Mary pareceu baixar a cabeça ainda mais.
— …Sim.
Shinohara acariciou o queixo, com um olhar pensativo.
— Esta é a primeira vez que ouço falar de algo assim. Sinceramente, é difícil de acreditar. Embora todos nós tenhamos passado pela mesma experiência uma vez.
— Er… — Haruhiro esfregou as bochechas enquanto falava. — O que aconteceu foi que acordamos na Torre Proibida. Estava escuro lá… Estávamos no subsolo. Tudo o que lembrávamos eram nossos nomes. De acordo com a Mary, antes disso estávamos em algum… outro mundo? Acho que é como se chamaria. Algum lugar que não era Grimgar.
— Nas minhas memórias, nós fomos para o Acampamento de Leslie e…
No momento em que Mary mencionou aquele nome, o rosto de Shinohara mudou de cor.
— O Acampamento de Leslie? O acampamento de Ainrand Leslie?
Mary pareceu intimidada.
— …Ah. Sim. Acho que é isso mesmo.
— Pelo Acampamento de Leslie para outro mundo, hein? — Shinohara cruzou os braços. — O que aconteceu nesse outro mundo?
— O problema é que eu… — Mary mordeu o lábio. — Eu não… bem… não lembro muito bem do outro mundo…
Shihoru colocou uma mão preocupada no braço de Mary.
Shinohara observava Mary atentamente. O que era aquilo? Aquele olhar nos olhos dele. Não era exatamente afiado. Não, não era isso; seria dúvida?
— Entendo.
Será que Shinohara suspeitava de Mary? No mínimo, ele não parecia totalmente convencido pela história dela.
— Seja o que for, coisas aconteceram nesse outro mundo, e todos vocês acordaram no porão da Torre Proibida. Quando isso aconteceu, vocês tinham esquecido tudo, exceto seus nomes. Com exceção da Mary.
Kuzaku agarrou a cabeça e soltou um gemido.
— É, cara, pensando bem nisso de novo, sei lá. É assustador. Digo, é uma loucura, não é? Que diabos aconteceu…?
— O que é “loucura” é a sua falta de vocabulário lamentável.
Quando Setora disse aquilo, Kuzaku gritou bem alto: — Ei! Eu sou sensível com isso!
Haruhiro sorriu de pura exasperação.
— Então isso te incomodava…
— Só um pouquinho, vai.
Kuzaku ergueu a mão com o indicador e o polegar tão próximos que não dava para saber se estavam se tocando ou não.
— Sério, só um pouquinho.
— Devia te incomodar mais.
— Setora-san, escuta, dá pra não ficar sentada aí no canto só me dando alfinetada?
— O quê? Você quer que eu fique perto de você?
— Não sei se quero você perto, mas sei que não quero você longe, então acho que, sim, quero que você fique razoavelmente por perto…?
— Eu recuso.
— Quê, você vai recusar?
Kuzaku murchou os ombros.
— …Quê, você vai recusar?
— Por que você teve que dizer duas vezes…? — Haruhiro perguntou, impaciente.
Kuzaku olhou para Haruhiro com os olhos franzidos.
— O que é isso que tô sentindo agora? Meio que dói, sabe…?
— Cara, você não é um cachorrinho abandonado…
— Ohh, entendi. É isso então, né? É assim que um cachorro se sente quando é abandonado pelo dono? Algo do tipo, né? Você pode tá certo…
— Desde quando você é meu bicho de estimação?
Quando Setora disse aquilo com claro nojo, os olhos de Kuzaku saltaram.
— Por que você é tão contra a ideia…?
— Você não entende?
— Hã? Não, nem um pouco. Por quê?
— O que quer que esteja errado com a sua cabeça não tem mais conserto…
— …Tudo bem. Sério. Vou pedir pra Mary-san me curar.
— Acho que não consigo te consertar. — Mary parecia bem descontente também.
— É sério? — Kuzaku ficou visivelmente chocado. — …Nem você consegue me consertar? …Sério? Eu tô mal mesmo…
— Ei, calma lá…
Por um momento, Haruhiro considerou consolá-lo, mas parecia errado.
— É, acho que você tá, né?
— Então esse é o tipo de garoto que você era…
Mesmo sendo o Shinohara, Haruhiro não sabia como se sentia sobre ele tratar o Kuzaku como uma criança. Bom, ele não podia culpá-lo.
Na tentativa de colocar as coisas de volta nos trilhos, Haruhiro voltou-se para Shinohara.
— Se eu disser o nome Hiyomu, você sabe de quem estou falando?
— Sim — respondeu Shinohara, mas ele não assentiu. — Eu sei.
Algo parecia fora de lugar. O que era? Haruhiro não tinha total certeza.
— …A Hiyomu, ou o mestre dela, fez algo com a gente, e parece que foi isso que nos fez perder as memórias.
Shinohara ficou em silêncio. Algo teria ocorrido a ele? Ou ele estava confuso? Era difícil dizer qual das duas opções era. Foi um momento estranho.
Haruhiro olhou de relance para Mary. Mary pareceu achar esquisito também.
— Independentemente disso. — Shinohara olhou ao redor para o grupo. — Devemos pensar nesse assunto como algo separado do problema atual. Não consigo imaginar que o mestre da Torre Proibida teria convidado a Expedição do Sul para entrar.
— É… acho que sim…
Haruhiro quase inclinou a cabeça para o lado. Algo parecia errado. De novo. Mas desta vez ele sentiu que tinha vislumbrado o que era aquilo que o incomodava.
Shinohara não conseguia imaginar que o mestre da Torre Proibida tivesse convidado a Expedição do Sul, ou seja, os orcs, goblins e kobolds. Foi o que ele acabara de dizer. Poderia muito bem ser verdade.
Mas não havia algo estranho nisso? Bom, ele sabia o que era esse “algo”. Quem exatamente era o mestre da Torre Proibida? Haruhiro podia fazer deduções.
Haruhiro e os outros acordaram no porão da torre. Hiyomu estava infiltrada em um grupo que era todo de soldados voluntários, incluindo Haruhiro. Ela fingiu ter perdido as memórias, como todos os outros. Foi uma encenação.
Hiyomu aparentemente estava planejando algo nefasto sob as ordens de seu mestre. O mestre da Torre Proibida provavelmente era o mestre de Hiyomu. Essa era uma interpretação possível. Fazia sentido.
No entanto, Haruhiro nunca havia pensado antes que o mestre de Hiyomu fosse o mestre da Torre Proibida.
Hiyomu estava profundamente envolvida com a torre. Disso não havia dúvida. Mas, ainda assim, a equação “mestre dela” = “mestre da torre” funcionava?
A Torre Proibida deveria ser essa edificação misteriosa na qual os soldados voluntários não conseguiam entrar. Será que isso estava errado?
Shinohara não pensava assim? A Torre Proibida tinha um mestre. Ele sabia que alguém morava lá? Ou era apenas um boato? Ainda assim, no mínimo, Mary não tinha dito nada parecido.
— A propósito — Shinohara mudou de assunto de repente — vocês ficaram sabendo que a Yume-san e o Ranta-kun estão com o Esquadrão de Soldados Voluntários?
— Yume…! — Mary cobriu a boca com as duas mãos. Seus olhos pareciam tentar ultrapassar o limite de abertura, e ela parecia que ia cair no choro a qualquer segundo.
Yume. Ranta.
Para Haruhiro, eram apenas nomes. Afinal, ele não se lembrava deles. Mas, ao ver a reação de Mary, sentiu a emoção aflorar dentro de si.
— …Eles estavam com vocês, né? Entendi. Os dois, também. Sei lá… A gente se separou do Ranta depois de uma briga, certo? Tá, talvez “ter uma briga” não seja o jeito certo de colocar. Eu não sei direito…
Haruhiro tentou recordar como Mary lhe contou que as coisas aconteceram, mas não estava indo muito bem.
— Ohh?! — Kuzaku começou a tremer e abraçou o próprio corpo. — Tô ficando todo arrepiado. O que é isso? Eu tô com alguma doença estranha? Não tô, né…?
Shihoru estava com os olhos marejados. Ela parecia perplexa com aquilo.
— Não tendo memórias deles, não tenho nada em particular a dizer. — Setora estava igual a sempre. — Eu preferiria tê-los encontrado pessoalmente em vez de apenas ser informada de que estão bem. Teria sido mais rápido e mais garantido. Você não poderia ter trazido os dois com você?
— Er, você tinha que falar desse jeito com o nosso veterano, Setora-san…? — Kuzaku a repreendeu baixinho.
Shinohara sorriu.
— Não precisa se preocupar com isso. O clã tem uma estrutura de comando, então é inevitável que haja uma hierarquia, mas sou um soldado voluntário, igual a todos vocês. Somos iguais.
Setora ostentava um leve sorriso no rosto.
— Eu nem sou uma soldada voluntária, então tenho menos necessidade ainda de medir as palavras com você. Sinto que vamos nos dar mal se aceitarmos suas palavras pelo valor de face. Provavelmente sou do tipo desconfiada. Abordo as coisas sem preconceitos, mas isso só faz com que todo mundo pareça suspeito.
Haruhiro sentiu como se tivessem jogado água fria nele.
Setora não estava errada. Na verdade, Setora raramente errava sobre qualquer coisa.
Yume e Ranta estavam vivos e trabalhando com o Esquadrão de Soldados Voluntários. Essa era uma boa notícia. Se fosse verdade. No momento, o único dizendo isso era Shinohara.
— Eu cheguei a considerar trazê-los comigo, é claro.
Shinohara não parecia particularmente ofendido. Ele sorria, da mesma forma que antes.
— Mas tem a questão das memórias de vocês. Eu não queria complicar uma situação que já é complexa. Levando tudo em consideração, conversamos dentro do Esquadrão de Soldados Voluntários e foi isso que decidimos fazer. Tanto a Yume-san quanto o Ranta-kun aceitaram.
Setora simplesmente deu de ombros, sem dizer mais nada.
Shinohara. O mestre da Orion. O cara parecia impecável.
Ao contrário de Setora, Haruhiro não suspeitava particularmente dele—tá, talvez isso não fosse verdade. Mary parecia confiar nele cegamente, mas Haruhiro não se lembrava de Shinohara, e Setora sequer o conhecia.
Ele parecia digno de confiança. Mas mesmo que passasse essa impressão, isso significava que podiam realmente confiar nele?
Haruhiro talvez estivesse apenas tentando ler demais as entrelinhas. Ele estava sendo cauteloso. Isso era certeza. Setora provavelmente estava fazendo o mesmo.
Ele tinha ido com o fluxo até aquele ponto porque não tivera outra escolha a não ser seguir o caminho traçado à sua frente.
Agora, ele chegara a uma bifurcação na estrada. Tinha que decidir qual escolha seria a melhor para ele e seu grupo.
Haruhiro olhou ao redor para cada um de seus companheiros.
— Pessoal, se alguém tiver uma opinião, eu quero ouvir.
Kuzaku resmungou e balançou a cabeça.
— Acho que não tenho nenhuma.
— Eu nem disse sobre o que tô falando ainda…
— Alguém poderia, por favor, calar esse paspalho? — disse Setora, friamente.
Shihoru soltou uma risada fraca.
— Setora-san.
A expressão de Kuzaku ficou subitamente séria, o que fez Setora vacilar um pouco.
— …O-O quê?
— Você me chamou de paspalho… Não acha que isso soa meio fofo?
— Isso é uma pergunta que se faça com essa cara séria?
— Não sei, só pensei nisso agora.
— E você tem que dizer cada coisinha que passa pela sua cabeça?
— Sabe, talvez soe um pouco fofo mesmo. Paspalho… — Mary murmurou.
Haruhiro limpou a garganta. Todos se voltaram para ele.
— Err. Olhem, o que estou tentando dizer é que não precisamos deixar a Força Expedicionária… ou melhor, o General Jin Mogis, nos mandar para sempre. Acho que podemos agir como membros do Esquadrão de Soldados Voluntários.
Todos olharam nos olhos de Haruhiro e assentiram. Até agora, não havia objeções. Aquilo parecia bom o suficiente.
— É que… a questão de se devemos deixar a Força Expedicionária agora ou não é outro assunto. O general nos vê como seus peões. Duvido que ele confie na gente, mas ele tá tentando nos atrair para o lado dele. Precisamos pensar no que ele pode fazer se tentarmos dizer: “Beleza, estamos voltando para o Esquadrão de Soldados Voluntários agora”.
— É exatamente isso.
Shinohara explicou a situação atual do Esquadrão de Soldados Voluntários. Haruhiro já tinha ouvido isso, mas o Esquadrão estava sofrendo com a falta de suprimentos. Na verdade, ocupar a Fortaleza de Ferro Beira-Rio não tinha ajudado em nada a aliviar isso.
Os kobolds tinham hábitos alimentares um tanto únicos, então não havia muita coisa na fortaleza que fosse própria para o consumo humano. Embora ainda não estivessem passando fome, se não garantissem suprimentos logo, ou recebessem de alguém, o Esquadrão de Soldados Voluntários enfrentaria uma crise alimentar num futuro próximo.
Além disso, o Monte Tristeza, onde acreditavam que seus inimigos estavam se reunindo, ficava a quinze quilômetros ao norte da Fortaleza de Ferro. Em linha reta, ficava a quarenta quilômetros de Altana, então a Fortaleza de Ferro era muito mais próxima.
O Esquadrão de Soldados Voluntários venceu 5.000 kobolds para tomar a fortaleza. No entanto, tomá-la e mantê-la eram duas questões distintas. O defensor geralmente deveria ter uma vantagem esmagadora, mas isso na verdade dependia das condições.
O Esquadrão de Soldados Voluntários superou a diferença numérica com sua magia poderosa e habilidade de luta individual excepcional. Mas, se tentassem defender a fortaleza com pouco mais de cem pessoas, teriam gente suficiente para cobrir todas as muralhas?
Se houvesse uma única brecha em qualquer lugar, toda a defesa da fortaleza poderia desmoronar em um instante.
Somado a isso, se os orcs da Fortaleza de Vigia Cabeça-Morta tivessem ido para o Monte Tristeza, como pensavam, a ameaça só aumentava. Os orcs eram uma raça muito mais perigosa que os kobolds, afinal.
Se os inimigos no Monte Tristeza atacassem a Fortaleza de Ferro, o Esquadrão de Soldados Voluntários teria problemas sérios. Se não pudessem manter o forte, não teriam escolha a não ser fugir.
Para onde fugiriam? Não para o Buraco das Maravilhas. O Esquadrão já vinha enfrentando dificuldades na base de lá. Eles retomaram a Fortaleza de Ferro justamente para abrir uma rota de sobrevivência.
Havia outra possibilidade. Altana. Assumindo que a Força Expedicionária os recebesse bem.
— De minha parte — disse Shinohara em um tom gentil, mas firme — eu gostaria que vocês ficassem com a Força Expedicionária, da mesma forma que têm feito até agora. O que quero dizer com isso é: estou pedindo para serem nossos espiões. Obviamente, isso traz um certo grau de risco. Se vocês se virem em perigo, por favor, retirem-se imediatamente. Se chegar a esse ponto, nós os protegeremos.
— Como exatamente? — Setora riu. — Vocês estão longe de Altana, onde é seguro. Não vejo como vão nos ajudar quando precisarmos.
— Não temos intenção de nos opor à Força Expedicionária. Se pudermos cooperar, seria o melhor. No entanto, embora eu tenha chamado vocês de espiões, não espero que sabotem a Força Expedicionária por dentro, nem nada do tipo.
— O que você quer é… informação, certo?
Quando Shihoru perguntou isso hesitante, Shinohara respondeu imediatamente.
— Exato. Particularmente sobre os objetivos de Jin Mogis e o que ele pretende fazer daqui em diante, com o máximo de detalhes que conseguirem. Isso não é para lutarmos contra a Força Expedicionária. Se pudermos nos dar bem com eles de forma tranquila, esse é o melhor resultado. Quero que nos ajudem com isso.
Não parecia haver motivo para recusar. Embora Haruhiro ainda não tivesse o acordo de seus companheiros, ele e seu grupo provavelmente aceitariam o pedido de Shinohara. Eles não iam dizer não.
Não é ruim. Digo, acho que é a única opção.
Mas algo não parece certo.
Por quê?
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui
Tradução feita por fãs.
Apoie o autor comprando a obra original.











