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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – Volume 16:
Grimgar volume 16 – CapĂ­tulo 3


3. Da Constelação de Inverno

Em Altana, a Força Expedicionåria havia montado locais de incineração improvisados ao redor da cidade, onde estavam queimando os cadåveres dos goblins. A cidade possuía um crematório, mas não tinha estrutura para queimar tantos corpos de uma vez só. Além disso, crematórios eram para pessoas.

Talvez fosse apenas o rancor falando, mas por que os goblins deveriam ser despachados no mesmo lugar? De qualquer forma, os goblins aparentemente também se transformavam em zumbis por causa da maldição do No-Life King. Havia a necessidade de descartar os corpos rapidamente.

Haruhiro e Neal entraram em Altana pelo portão norte e correram para a Torre Tenboro. O maior local de incineração ficava no terreno em frente, e lå estava especialmente enfumaçado. Não apenas isso, o cheiro era terrível. Fazia seus olhos, nariz e até a garganta doerem.

Os soldados que trabalhavam na incineração estavam ou chorando e vomitando, ou fugindo de suas obrigaçÔes e levando bronca de seus superiores.

A barricada que os goblins haviam erguido em frente Ă  Torre Tenboro ainda nĂŁo tinha sido totalmente removida. Ela fora simplesmente movida para os lados para nĂŁo obstruir mais o trĂĄfego. Limpar esse tipo de coisa era um verdadeiro transtorno.

O General Jin Mogis estava no salĂŁo principal. Esse cĂŽmodo fora outrora usado pelo Margrave como sala de audiĂȘncias, e havia um palco ao longo da parede do fundo com uma cadeira impressionante o adornando. O general ruivo tinha tomado gosto por sentar naquele assento.

Que babaca pomposo. Ele acha que Ă© o rei da fronteira?

Mas, antes que qualquer um desses pensamentos rebeldes pudesse tomar conta de Haruhiro hoje, ele se viu surpreso.

O general costumava ter vårios de seus soldados de manto preto esperando por ele o tempo todo. Eram homens leais que o serviam desde que ele liderava os Cães Pretos, e eram a rara elite na Força Expedicionåria que conseguia lutar decentemente.

Havia quatro mantos pretos além do general no salão principal. Isso não era surpresa, é claro.

Mas havia outra pessoa parada em frente ao palco.

Quem era? Claramente não era um membro da Força Expedicionåria. Vestia um manto branco. Não era liso; ostentava um brasão de estrelas, talvez bordado. Sete delas no formato de um X.

Quem quer que fosse, virou-se para olhar para Haruhiro.

— Ei — disse o homem casualmente, mas, assim que realmente viu Haruhiro, seus olhos se arregalaram.

Aquela reação significava que o sujeito o conhecia. Esse homem com um rosto amigåvel e digno estava familiarizado com Haruhiro.

Eles deviam ser conhecidos. Então, Haruhiro o conhecia também. Não, ele tinha conhecido. Ele tinha esquecido e não se lembrava.

— Er… Oi. — Haruhiro abaixou a cabeça.

Neal lançou um olhar duvidoso para Haruhiro.

Quem era esse cara? Haruhiro tinha se forçado a memorizar os nomes das pessoas que Mary lhe dissera que ele conhecia. Os nomes deles. Um perfil simples. A relação deles com ele e com o resto do grupo. Ele sentia que tinha gravado tudo aquilo na memória o melhor que pÎde.

Mas ele nĂŁo conhecia os rostos. Palavras sĂł conseguiam descrever a aparĂȘncia de uma pessoa atĂ© certo ponto.

— General — disse Neal, mantendo um olho no homem enquanto se aproximava, então se ajoelhou. Ele baixou a cabeça. — Retornamos.

O general assentiu solenemente.

Parecia estranho ficar ali parado. Haruhiro estava um pouco atrås e ao lado de Neal. Ele apenas inclinou a cabeça levemente.

O homem ainda estava observando Haruhiro. Com um sorriso.

Ele estava sorridente. Por quĂȘ? Ele passava uma impressĂŁo terrivelmente amigĂĄvel. Era obviamente um cara legal.

— E então? — perguntou o general.

Ah, Ăłtimo. Nenhuma explicação. Nada sobre quem era esse homem. Ele poderia tĂȘ-lo apresentado, pelo menos. Mas Jin Mogis nĂŁo era o tipo de homem que seguia esse tipo de bom senso.

Haruhiro era lembrado disso constantemente.

— Senhor. — Neal não fez menção de levantar o rosto e falou com uma voz levemente abafada. — A Fortaleza de Vigia Cabeça-Morta era uma casca vazia, como pensávamos.

— Então para onde os orcs foram?

— Sinto muito. Isso… nĂŁo estĂĄ claro.

O general tamborilou os dedos no braço da cadeira. Cada vez que suas unhas o atingiam, um barulho alto ecoava pelo salão.

O general tem unhas duras, pensou Haruhiro, mesmo que isso realmente nĂŁo importasse.

— Parece que o EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios tem informaçÔes — disse o general, olhando para o homem nĂŁo identificado.

O EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios.

Haruhiro teve certeza de que o general acabara de mencionar o EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios.

Neal olhou para o homem, ainda ajoelhado.

— …O EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios, vocĂȘ diz?

— Eu sou Shinohara, da Orion.

O homem se apresentou.

Shinohara.

Haruhiro inconscientemente tocou o próprio pescoço.

Eu conheço ele.

Shinohara…-san, nĂ©?

NĂŁo era como se suas memĂłrias tivessem voltado, mas ele sabia o seguinte:

De acordo com Mary, a Orion era um clã consideravelmente grande, com cerca de 30 membros. O líder deles era um homem chamado Shinohara, e ele conhecia bem o Haruhiro. Eram mais do que apenas conhecidos de vista. Qual seria a melhor forma de descrever a relação deles? Era difícil resumir em uma palavra.

Shinohara costumava cuidar dos outros e tinha se interessado por Haruhiro e seu grupo desde a época em que ainda eram novatos.

Isso aconteceu em parte porque Mary jå foi membro da Orion em algum momento. Tinha um cara chamado Hayashi, que fora companheiro dela hå muito tempo e que ainda estava na Orion agora. Talvez fosse isso que fizera Shinohara prestar atenção neles.

Era um tipo de conexĂŁo estranha.

Eles eram um pouco prĂłximos.

Mas nĂŁo tipo, super prĂłximos.

O quanto eles eram chegados? Se tivessem se cruzado na rua, provavelmente teriam dito um “oi”. Ou será que parariam para conversar?

SerĂĄ que os soldados voluntĂĄrios estavam se mexendo?

Tinham enviado Shinohara como um enviado para a Força Expedicionåria. Era isso que estava acontecendo ali? Sinceramente, Haruhiro não sabia. Ele tinha deixado a parte de coordenação com o Esquadrão de Soldados Voluntårios para a Barbara e a Eliza.

Isso ia soar como uma desculpa, mas nunca tinha passado pela cabeça de Haruhiro.

Que a Barbara pudesse morrer.

— VocĂȘ jĂĄ deve estar ciente, mas — Shinohara começou, entĂŁo deu de ombros levemente — no outro dia, nĂłs do EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios retomamos a Fortaleza de Ferro Beira-Rio dos kobolds.

Neal levantou o rosto e olhou para o general.

O general estava impassível. Serå que ele não sentia nada? Não estava pensando em nada? Isso não podia estar certo. O general não queria que os outros soubessem seus pensamentos. Não era por isso que ele mascarava suas emoçÔes?

O general de repente olhou na direção de Haruhiro, fazendo-o suar frio.

Ih, caramba. Haruhiro cobriu a boca apressadamente com a mĂŁo e ficou encarando Shinohara. SerĂĄ que isso bastava? Ele parecia devidamente surpreso? Esperava que sim. Porque estaria encrencado se nĂŁo parecesse.

Haruhiro sabia que o Esquadrão de Soldados Voluntårios estava intacto. Ele também sabia que eles tinham planejado atacar a Fortaleza de Ferro ao mesmo tempo em que a Força Expedicionåria retomava Altana.

Mas o general e Neal nĂŁo sabiam que ele sabia disso. Ele tinha deliberadamente nĂŁo contado para eles.

Isso deveria vir como uma surpresa total para a Força Expedicionåria. Se Haruhiro não parecesse chocado, ele pareceria suspeito.

— No entanto — continuou Shinohara — acredito que havia cerca de 5.000 kobolds. Infelizmente não fomos capazes de erradicá-los completamente.

— 5.000… — sussurrou Neal.

— Sim — confirmou Shinohara com um sorriso e um aceno.

— Contamos um total de cerca de 2.000 corpos de kobolds. Os 3.000 restantes não fugiram para seu antigo covil nas Minas Cyrene, mas para um velho castelo no Monte Tristeza.

Em termos gerais, a Fortaleza de Ferro Beira-Rio ficava próxima ao Rio Jet, e o Posto Avançado do Campo Solitårio ficava a outros dez quilÎmetros a leste-nordeste de lå. O Buraco das Maravilhas ficava a um ou dois quilÎmetros ao noroeste do Posto Avançado do Campo Solitårio, e sete ou oito quilÎmetros ao norte de lå ficava o Monte Tristeza.

Haruhiro não sabia nada sobre aquele lugar além do nome.

Shinohara acabara de mencionar um velho castelo. EntĂŁo existia um castelo lĂĄ hĂĄ muito tempo?

— Ainda nĂŁo temos total certeza disso, mas nossa suposição Ă© que os orcs da Fortaleza de Vigia Cabeça-Morta tambĂ©m se mudaram para o Monte Tristeza. Temos vĂĄrios ladrĂ”es infiltrados na ĂĄrea agora, entĂŁo descobriremos em breve.

— Se eu acreditar na sua palavra — o general interrompeu de repente —, o EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios, ou seja, vocĂȘs, sĂŁo altamente competentes. Tomaram uma fortaleza defendida por 5.000 soldados, mesmo que fossem meros selvagens, no espaço de dois dias. EntĂŁo, em vez de comemorarem a vitĂłria, perseguiram imediatamente o inimigo em retirada, determinaram exatamente para onde foram e jĂĄ estĂŁo considerando o prĂłximo passo contra eles.

Shinohara voltou-se para o general novamente. Haruhiro se perguntou o que ele diria, mas Ă© claro que ele apenas sorriu e, em vez de agir com humildade…

— Obrigado — respondeu ele.

Isso podia ser óbvio, mas ele não era apenas o sujeito afåvel que parecia ser. Shinohara também podia ser atrevido. Ele devia estar bem confiante em suas habilidades. Estava agindo com audåcia diante daquele general indecifråvel e perturbador.

— Se eu confiar no que vocĂȘ disse… — O general inclinou o pescoço levemente. — VocĂȘs atacaram a Fortaleza de Ferro Beira-Rio quase exatamente ao mesmo tempo em que minhas forças estavam atacando Altana.

— E o que isso significaria, sim — respondeu Shinohara com uma falta de preocupação quase preocupante.

— Isso Ă© conveniente demais — disse o general, fazendo uma pausa dramĂĄtica — para ter sido uma coincidĂȘncia. Se vocĂȘs nĂŁo estavam monitorando meu exĂ©rcito, devem ter tido muita sorte.

— NĂŁo fomos apenas nĂłs, General. — Shinohara levou a mĂŁo ao peito e inclinou a cabeça. — O senhor tambĂ©m tem sorte.

O general ruivo riu sem levantar a voz. Era difĂ­cil imaginar qualquer humano rindo daquele jeito. Embora, talvez, o general nĂŁo fosse nem um pouco humano. De qualquer forma, o sorriso dele era inquietante.

— Estou aqui por ordem do rei. Agora que o Margrave morreu, minha vontade Ă© a vontade de Sua Majestade, o Rei Idelta de Arabakia.

— O Margrave… entendo. — Shinohara franziu a testa. — Ele era um homem amigĂĄvel, chegando a convidar um mero soldado voluntĂĄrio como eu para conversar na Torre Tenboro. É uma pena. Fico triste em saber que ele partiu. Quando isso aconteceu?

— Quando retomamos Altana, ele já tinha falecido — respondeu o general instantaneamente.

— Compreendo. — Shinohara cruzou os braços e franziu o cenho. — Sabe, na verdade houve um soldado voluntário que resistiu em Altana por muito tempo. Quando ele escapou por um triz, ele nos contou que o Margrave tinha sido feito prisioneiro pelos goblins e estava sendo terrivelmente maltratado enquanto o desfilavam pela cidade. Eu queria encontrar uma forma de salvá-lo. É uma lástima.

— Garlan Vedoy. Da famosa Casa Vedoy.

O general encostou a cabeça no encosto da cadeira, com um olhar distante. Parecia quase como se estivesse revivendo e se deliciando com o momento em que matou o Margrave, mas talvez fosse apenas Haruhiro pensando demais.

— Lamento profundamente não ter sido capaz de salvá-lo, mas ele está morto agora.

— Onde está o corpo dele?

Quando Shinohara perguntou isso, o general nĂŁo hesitou por um segundo.

— Foi cremado — respondeu ele.

— O Margrave… — Shinohara fez uma pausa, parecendo ter um pouco de dificuldade para perguntar isso, — ele estava se movendo?

— Sob a maldição do No-Life King?

— Sim.

— Eu mesmo o abati. Ele estava em um estado deplorável demais para fazer qualquer outra coisa.

O fato de o general conseguir declarar aquilo com tanta naturalidade mostrava o quanto ele era anormal.

— Entendo. — O pesar no rosto de Shinohara era… bem, era incrĂ­vel.

Havia apenas alguns selecionados que sabiam a verdade por trås da morte do Margrave. Apenas o general, Haruhiro e seu grupo, além do Comandante Anthony Justeen. Shinohara provavelmente só sabia que o Margrave foi prisioneiro na Torre Tenboro. Mas serå que ele percebeu o que realmente aconteceu durante aquela troca de palavras agora hå pouco?

Quando Altana fora retomada, o Margrave estava vivo. Mas o General Jin Mogis o assassinou. Para o general, alguém que fosse o governante oficial de Altana, e ainda por cima de um nascimento mais elevado, não passava de um estorvo. Mesmo agora, tendo uma noção do que havia acontecido, Shinohara permaneceu calmo.

— Ouvi dizer que alguns o chamavam de rei da fronteira — disse o general, com os olhos em Shinohara. — Sei que era apenas uma metĂĄfora, Ă© claro, mas sou eu quem senta em seu trono agora.

“Então curve-se diante de mim”, era o que o general sugeria. Por que ele apenas insinuava o que queria, em vez de declarar abertamente?

A Força Expedicionåria perdera cerca de cem homens na batalha por Altana. Isso incluía muitos dos mantos pretos da equipe liderada por Dylan Stone que invadiu a Torre Tenboro. Eles eram os seguidores de confiança do general, suas próprias tropas treinadas pessoalmente. A Força Expedicionåria ainda tinha mais de novecentos homens, mas consistia em grande parte de baderneiros e desertores que haviam sido reunidos às pressas.

Pelo que Barbara e Eliza lhe contaram, o EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios tinha menos de cento e cinquenta membros no total. Mesmo com esses nĂșmeros reduzidos, eles tomaram a Fortaleza de Ferro Beira-Rio, que era defendida por mais de 5.000 kobolds. Os soldados voluntĂĄrios nĂŁo eram soldados comuns. Eram guerreiros de elite e magos excelentes.

Poderia ser que Jin Mogis estivesse projetando uma falsa confiança. Ele talvez estivesse com medo do EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios. E, mesmo que nĂŁo estivesse tĂŁo preocupado assim, provavelmente nĂŁo achava que poderia forçå-los a se submeterem facilmente. Shinohara tambĂ©m estava confiante de que, apesar do nĂșmero menor, o EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios era igual em poder Ă  Força ExpedicionĂĄria.

Se o general tentasse obstinadamente emitir uma ordem, Shinohara poderia recusar. Era muito improvĂĄvel que ele simplesmente se tornasse um lacaio do general por vontade prĂłpria.

— General — Shinohara o chamou. Jin Mogis não era o rei da fronteira. No mínimo, Shinohara e os soldados voluntários não tinham motivo para se ajoelharem diante dele como seu monarca.

— Se os kobolds e orcs se reuniram no Monte Tristeza, nĂŁo podemos ignorĂĄ-los. Os goblins em Damuro tambĂ©m me preocupam. Os soldados voluntĂĄrios nĂŁo vĂŁo conseguir sair da Fortaleza de Ferro por um tempo.

O general permaneceu em silĂȘncio por um breve perĂ­odo. Em termos de poder relativo, era na verdade o general, e nĂŁo Shinohara, quem estava em desvantagem ali. No entanto, o general ruivo era capaz de dominar a sala usando nada alĂ©m desse silĂȘncio tenso. NĂŁo dava para saber o que ele poderia tentar. Sempre parecia que ele podia fazer algo impensĂĄvel a qualquer momento.

— Compreendo sua situação. Shinohara, nĂŁo Ă©? VocĂȘ deve descansar aqui em Tenboro por hoje. Farei com que tragam comida para vocĂȘ mais tarde.

— Agradeço por sua gentileza, General Mogis.

Shinohara curvou-se para ele com um sorriso que parecia completamente natural.

Sei lĂĄ, Ă© difĂ­cil de assistir.

Haruhiro nĂŁo podia negar que era assim que se sentia. Estava difĂ­cil de respirar e seus ombros estavam rĂ­gidos. NĂŁo, nĂŁo eram apenas os ombros. O corpo dele todo estava em frangalhos.

O general acenou levemente com a mĂŁo. Isso provavelmente significava: “Caiam fora”. Neal praticamente saltou de pĂ© e virou-se para sair.

— Bom, a gente se vĂȘ depois.

Shinohara estava saindo, entĂŁo Haruhiro achou que deveria ir tambĂ©m — ou ao menos foi o que pensou, mas nĂŁo foi tĂŁo fĂĄcil.

— VocĂȘ fica — o general o chamou.

Como Ă©?

VocĂȘ?

Quem?

Ele nĂŁo foi chamado pelo nome. Ele poderia ter tentado se fazer de desentendido, mas nĂŁo, talvez fosse melhor nĂŁo. O general estava olhando para Haruhiro. Encarando-o com firmeza. Estava claro que se referia a ele.

— …Sim, senhor.

Ele teve que ficar, mesmo não gostando nem um pouco. E ele realmente, realmente não gostava. Mas ficou pior. Assim que Neal e Shinohara saíram do salão principal, o general dispensou até os seus mantos pretos. Haruhiro realmente desejou que ele não tivesse feito aquilo.

Estavam sozinhos agora. Era mais do que desagradĂĄvel. O general nĂŁo dizia nada por algum motivo. Mandar Haruhiro ficar e depois ficar em silĂȘncio? O que ele estava tramando? NĂŁo fazia sentido.

Finalmente, cedendo, Haruhiro perguntou: — …O que foi?

Ele estava deixando o general levar a melhor, nĂŁo estava? Palavras, atitude, poder — o general usava todos os meios Ă  sua disposição para controlar os outros. Haruhiro nĂŁo gostava do tipo dele. Mas, mesmo deixando de lado as preferĂȘncias pessoais, ele precisava ser cauteloso ao lidar com alguĂ©m assim. Se nĂŁo mantivesse sua vontade forte, acabaria apenas cedendo ao que eles queriam que fizesse.

— Aquele homem, Shinohara.

O general ainda olhava para Haruhiro, mas seus olhos estavam sem foco. Ele claramente pensava em Shinohara.

— VocĂȘ parecia ter certa familiaridade com ele. Ele Ă© confiĂĄvel?

— Bom… — Haruhiro murmurou. — Eu o conheço, sim. Afinal, somos ambos soldados voluntĂĄrios. E o Shinohara-san Ă© o lĂ­der de um clĂŁ grande chamado Orion. Ele Ă© meio famoso, pode-se dizer.

— De qual lado vocĂȘ vai ficar?

— …Como disse?

O tom dele soava menos degradante, quase amigĂĄvel. O general continuou: — Se vocĂȘ escolher ficar do meu lado, garantirei que receba um tratamento favorĂĄvel. Provavelmente serĂĄ colocado no comando de uma unidade dentro da minha força expedicionĂĄria.

E se ele recusasse? Haruhiro soube, instintivamente, que era melhor nĂŁo perguntar aquilo.

Ficar do lado de Jin Mogis. Sinceramente, estava fora de questĂŁo. Haruhiro perdera a memĂłria, mas, mesmo assim, se lhe apresentassem a escolha entre o general ou o EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios, ele escolheria o EsquadrĂŁo sem hesitar.

SerĂĄ que o general nĂŁo entendia isso? O general o ameaçou, forçou a se submeter e o usara como um peĂŁo conveniente. EntĂŁo o general nĂŁo estava checando quais eram as intençÔes de Haruhiro. Era mais provĂĄvel que ele estivesse fazendo uma exigĂȘncia em forma de pergunta.

“Cale a boca e fique do meu lado”, era o que ele dizia. “Se não ficar, terei que agir”. Essa era a insinuação. Basicamente, Haruhiro estava sendo ameaçado. Ele sentia uma pressão psicológica considerável, mas se perguntava: será que esse medo era mesmo racional?

Era verdade que ele nĂŁo sabia o que o general poderia fazer. Mas era sĂł isso. Naturalmente, o general nĂŁo era onipotente, entĂŁo nĂŁo era como se ele pudesse fazer absolutamente qualquer coisa.

Por exemplo, imagine que o general partisse para cima de Haruhiro agora mesmo. Haruhiro não queria lutar, mas não ia simplesmente se deixar ser retalhado. Ele revidaria. Poderia vencer o general? Não saberia até tentar. Mas não era como se não tivesse chance.

Além disso, Haruhiro era um ladrão. Não precisava tentar trocar golpes com o general. Se o objetivo fosse apenas fugir, ele sentia que conseguiria dar conta.

AlĂ©m disso, como chefe da Força ExpedicionĂĄria, o general poderia mobilizar todo o seu exĂ©rcito se quisesse, mas o nĂșcleo de suas forças eram, na verdade, os mantos pretos, junto com Neal e os outros batedores. Por causa das baixas que sofreram, restavam menos de cinquenta deles. Isso nĂŁo significava que nĂŁo fossem temĂ­veis, mas nĂŁo havia necessidade de superestimar a ameaça que representavam.

Ele estava se sentindo um pouco melhor agora.

Não tinha motivo para sucumbir às ameaças do general. Ele só queria evitar dar uma recusa definitiva agora e romper a relação entre eles. No momento, seria muito satisfatório fazer isso, mas não havia outra razão pråtica.

— Não acho que nós, humanos, possamos nos dar ao luxo de estarmos uns contra os outros agora.

O general ficou em silĂȘncio.

A pressĂŁo que ele conseguia exercer sobre as pessoas era incrĂ­vel como sempre.

Mas nĂŁo seria apenas pressĂŁo? O general talvez fosse pouco mais que um tigre de papel.

Haruhiro suspeitava disso, mas também sabia que, se subestimasse o general, ainda assim poderia acabar tropeçando.

— Talvez a Força ExpedicionĂĄria e o EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios devessem cooperar. Quero fazer o que puder para tornar isso possĂ­vel. Acho que na nossa situação, Ă© o que temos que fazer.

— É mesmo?

O general sorriu. É, ele era assustador. Havia algo de indecifrável nele. Haruhiro não sabia como interpretar aquele sorriso.

— Retire-se.

O general acenou com a mĂŁo.

Haruhiro assentiu levemente e entĂŁo se virou, afastando-se do general.

Pouco antes de sair do salĂŁo principal, ele olhou para trĂĄs.

O general ainda sorria. Havia uma distùncia consideråvel entre eles, então ele não podia ter certeza, mas sentiu como se seus olhos tivessem se cruzado. Haruhiro abaixou a cabeça sem perceber.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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