Capítulo 31 – O Legado dos Que Vieram Antes
Digimon Tamers 00
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[O Legado dos Que Vieram Antes]

新宿港 | ドック(Porto de Tokyo | Docas)
時間: 11:50 PM
— Quem é você?
— Alguém que compartilha de quase as mesmas palavras de Zhuqiaomon… mas não todas.
O diálogo continuava denso, tal qual a chuva que se aproximava.
— As palavras de Zhuqiaomon são inquestionáveis! Não existem contrapartidas!
— Eu não concordo com você… mas respeito.
Com a mesma gana, Strabimon se irritou mais rápido que de costume.

Os dentes à mostra deixaram seu estado de espírito evidente.
— Grr… QUEM É VOCÊ?
— Alguém que age como emissário… do destino.
A tal pessoa, vestindo um sobretudo, estava no alto, sobre um dos contêineres.
O lobo sequer se moveu, aguardando o próximo movimento.
Calado. Em parceria com o silêncio.
A figura misteriosa tinha outros planos.
— Eu também sou um adorador da continuidade. Me diga: quer ouvir o que tenho a dizer?
Sua voz continua um leve tom místico, como se as palavras soassem como golpes psíquicos.
Contudo, sua eficácia era zero contra um digimon como Strabimon.
— Tire seu véu e se apresente, então! — a raiva estava na sua voz.
A pergunta ecoou, como o raio tracejado no céu que iluminou o local.
Strabimon rangeu os dentes, protuberantes, assim como suas garras afiadas. Sua respiração forte era de alguém prestes a explodir, mas que fazia um esforço maior para se segurar.
Enfim, veio uma resposta.
— Eu não desejo me apresentar agora — disse o encapuzado. — Mas está destinado a você saber algum dia.
Um trovão cortou o céu. O estrondo foi alto, com o eco ressoando por todo porto.
O vazio prolongou o eco, trazendo tensão e a acumulando ainda mais.
— Posso fazê-lo se mostrar aqui… e agora!
As garras foram mostradas, não era uma simples ameaça — Strabimon tentava se segurar.
A figura:
— Antes que faça isso, me permite uma outra pergunta?
A frase veio junto ao silêncio ao redor, só interrompida com as palavras do misterioso:
— Você tinha a oportunidade de aniquilar os hereges, mas não o fez. Zhuqiaomon não é misericordioso com essa casta, você sabe. A pergunta: qual o motivo de seu recuo?
Antes que a figura fizesse a tal pergunta, Strabimon o interrompeu, dizendo:
— Cale-se! — As palavras cortavam na garganta. — Você não é alguém que eu deva satisfações!
— O destino… Você sabe muito bem que suas escolhas tem uma finalidade. Se expor a um desconhecido que conhece seu deus, admitir abertamente sua recusa, vai contra o que já está escrito.
Os pelos do lobo arrepiaram, a pressão contida estava prestes a explodir.
— Desgraçado! Eu vou te calar!
O avanço de Strabimon quase ocorreu, postergado por causa da aterrissagem da figura — o véu o manteve anônimo, mesmo esvoaçante durante a manobra acrobática.
De pé à sua frente, ela disse:
— Quer entregar àquele humano o destino que você já sabe, não é?
— Quem é você, seu patife?
Strabimon tinha questões, sempre retornadas por não conseguir respostas.
Uma sensação de dejavu — tão infantil.
— Sua insistência… — falava a figura. — Ela se assemelha a um digimon que acabou de quebrar sua digitama. Uma criança… É isso.
A fúria do lupino estava em um nível quase imparável, com seu poder se expandindo pelas garras.
— “Porque estamos tendo essa conversa?” — pensava Strabimon. — “Ele parece saber muito sobre mim e meu senhor…”
O indivíduo encapuzado, ignorando a gama abismal da energia, manteve sua postura cinza.
— Strabimon, você é leal à Zhuqiaomon. Mas, você é fraco… e sabe disso. Ele sabe. E esse é o motivo de você estar aqui. Aceite isso… o destino.
Um relâmpago ocorreu, com um barulho alto e estridente.
Foi perto, talvez a duzentos metros, ou menos — o clarão sequer fez com que Strabimon piscasse.
Nesse cenário, o lobo recebeu a mensagem:
— Tranquilize-se, fiel seguidor: não tenho interesse em fazer o destino chegar antes da hora… — disse a figura, virando-se e dando as costas.
Sua ação parecia fugaz, mas a postura era de um mensageiro.
— Ele chegará em seu próprio tempo, como deve ser. Só peço que mantenha seu foco. Orgulhe Zhuqiaomon.
Esse gesto oportuno gerou um sentimento de ofensa a Strabimon.
O encapuzado lhe deu as costas logo após falar, menosprezando o digimon.
— Grr… Patife! Onde você vai?
— Você me disse que não sou alguém que se dê satisfações… Porque acha que tem o direito?
— Vai fugir, mesmo depois de tudo? Traste…
— Como eu disse, sou um emissário do destino… e meu papel aqui é conduzi-lo.
Sem que o digimon lupino pudesse fazer algo, o indivíduo misterioso simplesmente desapareceu diante de seus olhos.
— Hã?! Ele… Mas… Como? Um emissário do destino…?
Mais dúvidas, mais mistérios.
Nem mesmo Strabimon conhecia o digimon misterioso.
Tudo isso tornava a situação ainda mais densa.
Mas não só ele tinha esse sentimento.
Dúvidas, incertezas… e o destino que estava por vir — tudo enraizado, também em outros lugares.
A chuva começou a cair, pesada e gelada.
Seria uma noite longa.
時間後 (Horas depois)…
ヒプノス公式本部 (Sede Oficial da Hypnos)
時間: 03:00 AM
A madrugada seguiu forte no Prédio Governamental de Rastreamento de Rede da Cidade de Shinjuku.
Após os incidentes na cidade, os domadores e seus digimons foram mantidos em observação. Isso, inclusive, foi algo pedido pelos responsáveis, dado o momento conturbado.
Takato, Lee e Ruki estavam no dormitório da Hypnos, assim como seus pais.
Com os jovens descansando, a Sra Hara, avó de Ruki, era a única ainda acordada.
Havia sido servido chá, que estava sobre uma copa. Camomila, ideal para acalmar os ânimos e relaxamento para o sono.
Olhando para a chuva pela janela, ela olhava para o horizonte. Sua íris tremia, incessante, sem mascarar seu estado de espírito atual.

Sozinha, ela falou consigo mesma.
— Como meus pais falaram para mim várias vezes: tudo que vai, volta. Coisas ruins, que não foram resolvidas no devido momento, voltam piores e mais fortes.
Ela estava de bom humor, mas era de fachada.
Um clarão iluminou o céu. Por milissegundos a luminosidade fez virar dia.
Em seguida, um silêncio — só o ruído da chuva se manteve.
Um pequeno estrondo veio, aumentando de volume e terminando em um ruído trovejante.
Veio outro raio, o ciclo sonoro se repetiu.
A anciã voltou a falar.
— Eles são tão jovens e já precisam lidar com responsabilidades que adultos não lidariam. Há cinco anos eles já eram assim, mas, agora, tudo parece ter voltado muito pior.
Ela olhou para baixo, observando as ruas.
Os automóveis circulando pela cidade, mesmo de madrugada, lhe trouxeram um pensamento inquietante.
— Essa cidade nunca para, assim como toda Tokyo. Todos que estão aqui estão em movimento, mesmo parados. Essas coisas parecem conectadas… e isso me assusta.
Ela se afastou da janela, passando a caminhar para o interior do corredor.
Andando, pensou:
— “Espero que meu passado não atrapalhe o futuro. E que isso não impacte a Rukinha de alguma forma. Minha história, a da minha família longe do Japão…”
Ela seguiu para o dormitório, a mão torceu a maçaneta, mas a Sra Hara não entrou.
— “Faz tempo… mas nunca foi embora.”
A voz, sussurrante em seu pensamento, silenciou, com a matriarca da Família Makino entrando no quarto.
Uma noite de sono era o seu destino.
Porém, a Hypnos não parava.
Yamaki não procurou descanso e sim por mais responsabilidades.
それについて (Enquanto isso)…
ヒュプノス会議講堂 (Auditório de Reuniões da Hypnos)
臨時評議会 (Conselho Extraordinário)
Uma enorme sala que abrigava os agentes da instituição estava em um momento extraordinário.
Pelos acontecimentos recentes, um conselho foi formado às pressas.
Yamaki e Janyuu (pai do Lee) eram os líderes da união de forças, com o CEO da organização tomando a palavra.
Ele estava em frente a um grande monitor.
— Como sabemos, Guilmon, Terriermon e Renamon continuam na Enfermaria Digital, para mais leituras de seu estado. Esses digimons são nossa linha de frente, e seus domadores também. E esse é o motivo de estarmos aqui.
O Sr Janyuu foi o próximo a falar;
— Muitos que estão nesta sala agora não faziam parte da Hypnos há cinco anos, então não os conhecem. Se alguém aqui tem alguma dúvida, faça agora, por favor.
Segundos se passaram, mas sem resposta.
Ledo engano dos responsáveis: uma voz veio.
— Confiar em monstros soa hipocrisia.
A reação foi imediata. Todo o público veio com burburinhos, o que fez Yamaki agir.
— Quem disse isso? Se apresente!
Um homem levantou: Era Ohma Katamari.
O rapaz não ficou calado.
— Não estava aqui em 2001, mas vivi o terror de ver aquela coisa quase devorar a cidade. Aquilo era um monstro. Digimons são monstros. Preciso explicar mais minha tese?
Yamaki ficou calado por alguns segundos.
O isqueiro já estava na mão — veio o fechar e abrir, com o click soando no ambiente.
— Sr Katamari, você tem ciência de quem criou o Matador?
— Com certeza. Um deles está ao seu lado nesse exato momento.
O executivo olhou para Janyuu, que se irritou.
O pai de Lee não ficou quieto.
— Rapaz, se sabe disso, então não generalize. Os digimons que estamos tratando são a única forma de combate direto contra selvagens que temos.
— Foi o senhor quem criou eles também, não? Os digimons… são monstros criados por humanos. Eles existem porque nós quisemos. O que queremos agora é eliminar essa ameaça… e elas estão sobre nosso mesmo teto. Hipocrisia que se chama?
Yamaki não deixou por menos:
— Fomos nós que o fizemos e seremos nós a impedi-los! E são os próprios digimons que tem o poder de ajudar contra a real ameaça.
— Real ameaça? — falava Ohma, de braços cruzados. — Todos são reais e todos são uma ameaça! Qualquer digimon é perigoso só por existir. Ou vocês virão com a ideia de que eles são “exceções bonitinhas”?
Risadas, bem baixas, vieram.
A piada não veio em boa hora para Yamaki, prestes a ter o assunto no abismo da ridicularização.
O executivo desceu as escadas e foi até Ohma.
A poucos metros do rapaz, ele tirou seus óculos e guardou o isqueiro.

O semblante apresentado era de alguém bem sério.
— Escute, novato: não importa se você está com medo ou não, ou se duvida deles. Não só esses digimons, como os jovens que estão sendo tratados nesse prédio, foram os responsáveis para que você, toda e qualquer pessoa mal agradecida estivesse vivo e são para que, por Deus, você esteja aqui fazendo piada.
Ohma engoliu seco, descruzando os braços.
Yamaki não parou.
— Continue com essas ideias… — Yamaki respirou fundo. — Pode ser útil de alguma forma. Pessoas como você são importantes porque fazem pessoas como eu se mexerem e dizer verdades que ninguém consegue contestar sem cair no ridículo.
Enfim, a definição final:
— Se hoje temos um futuro, foi porque no passado todos aqueles seis lutaram e colocaram suas vidas em risco… para que hoje você tivesse a oportunidade de questionar a existência deles. Te dou o direito de discordar, mas agradeça àqueles jovens todos os dias. Eles merecem.
O franzir da testa de Ohma deixou claro o clima desconfortável que ele mesmo construiu. Yamaki só se limitou a ajeitar o colarinho e voltar à sacada do salão de reuniões.
O rapaz se sentou, segurando nos braços da poltrona com força.
— “Velhote idiota… Vai nos levar pra um caminho errado!” — pensou, sua respiração estava ofegante.
Na quarta fileira para trás, um outro agente — uma jovem mulher — olhou para Ohma. Ela marcou seu rosto, e também suas palavras.
Ela se limitou a isso, com um sorriso no canto de sua boca.
Após a conturbada discussão, ao fim o assunto principal voltou com força.
— Sr Yamaki… — disse um dos agentes. — Nenhum dos membros do “Bando Selvagem” foi contatado. O que devemos fazer?
— Hm… Isso sim é uma falta significativa. Mas Janyuu já tem um plano.
Janyuu parecia saber de algo a respeito. Tanto que disse:
— Shibumi, Dolphin, Curly, Daisy, Babel… Todas essas pessoas já contribuíram muito e devem ser deixadas em paz.
Conversas e cochichos vieram, gerando burburinho.
O programador sênior continuou:
— Após tudo que fizemos para acabar com o Matador, cada um tomou seu caminho. Eu realmente não quero envolvê-los no que está acontecendo aqui.
— Como assim, Sr Janyuu? — falou o mesmo agente. — Precisamos deles nesse momento, porque foram vocês que criaram tudo isso.
Janyuu pigarreou, fechando os olhos brevemente. Tomou ar, dando um passo para frente — uma comunicação mais íntima veio.
— Em 2003, todos nós nos reunimos pela última vez como o Bando Selvagem.
Olhares cheio de preocupações vieram, até mesmo de Yamaki.
As conversas voltaram, paralelas, com mais volume e força — o legado da lenda que o grupo veterano falou era notável.
Janyuu continuou o relato.
— Nesse dia de despedida, nós criamos uma cápsula do tempo. Nossa herança para as futuras gerações… que são vocês.
Essa notícia cessou o parlatório lateral, deixando a todos em silêncio.
O nível de respeito de Janyuu foi elevado, tamanho o presente imensurável que seus amigos de longa data deixaram.
Yamaki bateu palmas, como se estivesse puxando coro.
O resto da sala reagiu, salvas vieram, maiores e com entusiasmo, embora dois dos agentes, em pontos diferentes, não mostravam a mesma alegria — isso passou despercebido.
No fim, com Janyuu sorrindo, seus olhos marejados ilustravam sua felicidade.
Porém havia outras camadas.
O programador, sabendo que um parecer mais explicativo seria necessário, falou:
— O Bando Selvagem me proporcionou os melhores momentos da minha vida. Não só como programador mas também como pessoa.
As atenções estavam voltadas para ele.
A reunião virou uma homenagem.
— Somos amigos para todo o sempre. Como muitos aqui sabem, há cinco anos atrás nos reunimos aqui para ajudarmos na eliminação do Matador.
Era o último ato de programação do Bando Selvagem. Janyuu tinha isso em cada palavra.
— Meu eterno amigo Shibumi disse que “tudo que podíamos fazer foi feito naquele dia”. Esse foi o porquê da cápsula… e hoje eu a apresento e entrego a vocês.
Ele pegou algo em seu bolso, o colocando sobre a mesa.
O item causou surpresa: era um pendrive de marca OCZ Rally com 4GB de armazenamento, o mais rápido da atualidade (em 2006).
— Essa é a cápsula. Todos os dados, anotações e códigos de programação de toda a existência do Bando Selvagem estão aí.
Quatro gigabytes de dados cujo valor era imenso foi entregue por Janyuu a Yamaki, que aceitou o item com cuidado.
— Todo o legado do seu grupo está na palma da minha mão nesse momento. E juro honrar cada arquivo aqui armazenado.
— Eu agradeço pelo respeito, Yamaki. Ele é um dos motivos de eu querer poupá-los dessa vez. Em memória a Dolphin, inclusive.
Yamaki estranhou, franzindo sua testa. Sua curiosidade se tornou latente:
— Você se refere ao Rob McCoy, não? O que aconteceu com ele que eu não estou sabendo?
— Não com ele. Meu amigo está bem e vivendo na cidade de Nikko. Mesmo aqui no Japão, ele ainda trabalha como professor e representante de uma universidade dos EUA, para intercâmbio.
— Mas… Então o que houve? Ele deveria estar aqui também, já que…
Yamaki se calou assim que ouviu:
— Ah, bem… Ele teve perdas na família. Desde então, ele só quer viver em paz. McCoy está bem, fiquem tranquilos.
O silêncio veio tão forte que parecia um vale inóspito, cessado pelas palavras tranquilizadoras de Janyuu, que continuou:
— Ele sempre teve a força emocional de um urso. Mas seu drama é sentido por mim e por todos do Bando Selvagem.
Contido emocionalmente, concluiu:
— É hora do Bando Selvagem dar lugar a novos bandos, hehe. Esse é o valor da cápsula. Cuidem bem desse presente.
Mais palmas vieram, com ainda mais intensidade. O acontecimento sacramentou um novo horizonte para a Hypnos.
Agraciados pela dedicação acumulada do Bando Selvagem, o futuro guardava novas ideias e soluções.
E Janyuu sabia como lidar com perdas — não envolver seus eternos amigos nessa ação contra a iminente invasão de digimons ao mundo real.
Proteger quem protegeu… é legado.
Tradução feita por fãs.
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