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Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 16 – Volume 16

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

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Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 16 – Volume 16


16. Eles Apareceram como o Vento

Ele conseguiu se encontrar com Eliza. Não que ela tenha mostrado o rosto, claro. De qualquer forma, assim que ele explicou a situação, ela concordou em ajudar na busca por Shihoru.

No entanto, como mentora na guilda dos ladrões, Eliza também tinha um trabalho a fazer. Ela estava ligada ao Esquadrão de Soldados Voluntários.

Seu trabalho exigia que ela viajasse constantemente entre Altana e a Fortaleza de Ferro Beira-Rio, que eles ocupavam no momento. Por isso, havia um limite para o que ela podia fazer dentro de Altana.

— O Esquadrão de Soldados Voluntários ainda não sabe que Jin Mogis está tentando se unir aos goblins, então preciso avisá-los primeiro — disse Eliza. — Imagino que isso causará discórdia. Talvez muita.

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Como o Esquadrão de Soldados Voluntários reagiria se a Força Expedicionária e a raça goblin formassem uma aliança? Nem Eliza conseguia prever.

Contudo, os Voluntários não podiam se dar ao luxo de ficarem completamente isolados. Mesmo que Mogis estivesse trabalhando com os goblins, eles poderiam ser forçados a coordenar ações com ele.

Naturalmente, Mogis sabia disso e avançava com esse resultado em mente.

Além disso, em relação ao que Shinohara, da Orion, dissera sobre o Monte Tristeza, parecia que os remanescentes da Expedição do Sul estavam, de fato, se reunindo lá.

Embora fossem “remanescentes”, havia cerca de três mil kobolds da Fortaleza de Ferro e cerca de quinhentos orcs da Fortaleza de Vigia. Isso sem contar um número considerável de mortos-vivos que já estavam na montanha.

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Era uma força formidável.

— O Monte Tristeza pode ser a chave agora — afirmou Eliza.

Para Mogis e o Esquadrão de Soldados Voluntários, as forças no Monte Tristeza eram claramente o inimigo. Normalmente, os goblins também estariam do outro lado, mas sua aliança com Mogis era, essencialmente, uma retirada da Aliança dos Reis.

Parecia improvável que os goblins lutassem contra as forças no Monte Tristeza. No entanto, era inteiramente possível que permanecessem neutros.

O Esquadrão de Soldados Voluntários queria eliminar os inimigos no Monte Tristeza devido à proximidade com a Fortaleza de Ferro. Se Mogis lhes desse uma mão, isso fortaleceria os laços entre eles.

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Haruhiro e Kiichi evitaram os olhos vigilantes de Neal e dos Mantos Pretos para iniciar a busca dentro da Torre Tenboro.

Eles vasculharam cada canto do primeiro andar: o salão de entrada, a área de armazenamento e o quarto que lhes fora designado.

Depois, o segundo andar: o grande salão, a sala de recepção, o refeitório, a cozinha e a sala da lareira.

Do terceiro andar para cima, era literalmente uma torre. A segurança ao redor do quarto de Jin Mogis, no terceiro andar, era apertada demais para sequer se aproximarem, mas revistaram o restante. Parecia que os outros cômodos estavam todos desocupados e sem uso.

Eles se dividiram para procurar por toda Altana, mas não tiveram sucesso.

A cidade podia ser dividida em distrito norte e distrito sul, com a Torre Tenboro aproximadamente no centro. A parte alta ao leste era chamada de Cidade Leste, e o bloco ocidental, mais baixo, era a Cidade Oeste.

Os soldados da Força Expedicionária estavam alojados no antigo quartel-general do Exército da Fronteira, nas hospedarias da Rua Jardim das Flores, no bairro do prazer da Rua Celestial e na cidade dos artesãos, no distrito sul. Aparentemente, Mogis dera ordens nesse sentido.

Havia soldados posicionados nas muralhas, mas dentro da cidade via-se apenas um Manto Preto ocasional em patrulha.

Às vezes, soldados matando tempo em vez de limpar escombros ou consertar prédios podiam passar por ali também. Não muitos, porém. Quase nenhum soldado se aventurava fora da área de vivência que Mogis designara para eles.

Se não houvesse soldados por perto em certos lugares, ao contrário do que se poderia esperar, talvez fosse mais fácil manter Shihoru ali. Era uma forma de ver as coisas.

No entanto, Mogis e sua Força Expedicionária não conheciam bem a cidade. Eles conseguiriam realmente encontrar um lugar bem pensado para trancar a Shihoru?

Haruhiro tentou investigar a possibilidade de Anthony Justeen, ex-membro do Exército da Fronteira de Arabakia, ter ajudado os sequestradores.

Mas quando cruzou com o homem dentro da Torre Tenboro, antes mesmo de Haruhiro tocar no assunto, Anthony já se mostrava desconfiado sobre o desaparecimento de Shihoru e estava preocupado com ela.

Poderia ser encenação, mas Haruhiro achava difícil imaginar Anthony ajudando o general secretamente.

Talvez Shihoru não estivesse nos distritos norte ou sul, afinal.

O saque e a destruição atingiram as mansões aconchegantes da Cidade Leste com extrema força. Não havia chance de a área ser reparada tão cedo. Após uma busca superficial, Haruhiro não encontrou nada se movendo por lá além de insetos e ratos.

A Cidade Oeste, onde ficavam as guildas dos cavaleiros das trevas e dos ladrões, era uma favela composta por ruas complicadas e entrelaçadas. Mesmo em uma caminhada comum, era fácil se perder. Haruhiro teve a ajuda de Eliza para vasculhar aquela parte da cidade, mas não tinha muita esperança de encontrar algo.

Quatro dias depois de Haruhiro ter conseguido se infiltrar em Ahsvasin, ocorreu a entrega dos equipamentos de hi’irogane.

Funcionou assim: a Força Expedicionária levou o equipamento até a muralha que dividia a Cidade Velha de Damuro da Cidade Nova. Então, eles recuaram. Os goblins saíram da Cidade Nova e conferiram os itens.

Parecia que os goblins sabiam exatamente quais e quantos itens de hi’irogane existiam. Se faltasse apenas um, haveria problemas. Felizmente, todo o equipamento foi devolvido e a troca foi concluída sem incidentes.

Os goblins prepararam um local de encontro na Cidade Velha, e a Força Expedicionária o investigou. No dia em que os itens foram entregues, eles já haviam concluído um edifício que parecia metade de um bolinho de lama.

Estranho para os padrões humanos de arquitetura.

Haruhiro e seu grupo foram enviados para revistar o prédio minuciosamente, mas não encontraram nenhum lugar onde os goblins pudessem esconder emboscadores. Também não havia outros truques estranhos. Embora o edifício tivesse uma claraboia, a única outra abertura era a porta, então não havia risco de atiradores visarem os participantes com armas de longo alcance do lado de fora.

No dia seguinte, Jin Mogis reorganizaria a Força Expedicionária no Exército da Fronteira e assumiria o título de Comandante do Exército da Fronteira.

Então, ele se encontraria com Mogado Gwagajin na Cidade Velha de Damuro ao meio-dia, e o Exército da Fronteira forjaria uma aliança formal com os goblins.

Ele estaria planejando comemorar na noite anterior? Mogis convocou todos os soldados, exceto os que estavam de guarda nas muralhas, para a praça em frente à Torre Tenboro, acendeu uma grande fogueira e serviu quantidades generosas de álcool.

Ele abateu vários ganaroes, aquelas grandes feras de carga, e os fritou inteiros, enquanto fervia em potes o arroz que trouxeram do continente com uma variedade de ingredientes.

Os barris de bebida, que pareciam convidar todos a beber até o coração estar satisfeito, continham destilados aguados e cheios de especiarias. Tinham um gosto e cheiro horríveis, mas os soldados estavam, de alguma forma, convencidos de que a mistura era saudável para eles.

Os soldados receberam pratos, tigelas e canecas feitos de madeira ou cerâmica bruta. Haruhiro e seu grupo acabaram sentados com os soldados, tendo que esperar para serem servidos com eles.

Neal, o batedor, e seus subordinados os vigiavam, então, infelizmente, eles não tiveram escolha a não ser participar dessa celebração de gosto duvidoso.

Havia um bom número de barris e caixas vazios espalhados pela praça. Aparentemente, esperava-se que os usassem como mesas.

Haruhiro sentou-se ao redor de um barril vazio com Kuzaku, Mary, Setora e Kiichi, comendo tigelas de algum tipo de mingau. Não tinha um gosto ruim, por mais que odiasse admitir, e o espeto de carne que Kuzaku estava devorando também parecia saboroso.

Ele podia não conseguir se convencer a provar a bebida, mas a comida não lhe fizera mal. Ficaria bem, desde que não se empanturrasse ao ponto de prejudicar sua capacidade de se movimentar.

Talvez uma chance surgisse no caminho deles.

Mogis fez um discurso, e esperavam que ele saísse depois disso, mas, em vez disso, ele se sentou a uma mesa em frente ao portão principal da Torre Tenboro e observou os soldados.

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Embora houvesse bebidas preparadas, ele mal as tocara até agora. Ele tinha quatro Mantos Pretos o guardando. Provavelmente havia mais alguns dentro da Torre Tenboro.

Haruhiro e Kiichi quase não tinham mais lugares para procurar ali dentro.

Mas apenas “quase”. Não completamente.

Eles nunca tinham conseguido entrar no quarto de Mogis, no terceiro andar.

Anthony Justeen tentou falar com eles, mas foi ignorado e se afastou com um olhar solitário.

— Estão se divertindo? — Neal aproximou-se carregando uma caneca de madeira. — Não estão bebendo? Estamos celebrando antes de partirmos amanhã. Por que não relaxam um pouco?

— Você também tá sóbrio, não é? — disse Kuzaku, sem esconder o desdém.

Neal levou a caneca aos lábios, fazendo um espetáculo ao beber.

— Não importa o quanto eu beba, nunca transparece no meu rosto. Sou como uma peneira.

— Isso é mesmo álcool…?

— Quer testar? — Neal aproximou a caneca do nariz de Kuzaku, sorrindo de canto. — Não vou deixar você me dizer que não pode beber a minha bebida.

— Pois é exatamente o que eu vou dizer — Kuzaku enunciou cada sílaba. — Eu não posso beber a sua bebida.

Neal riu e recolheu a caneca, dando um tapa amigável no ombro de Kuzaku.

— Ei, vamos ser bonzinhos.

— Eu não quero! — Kuzaku esquivou-se, afastando a mão de Neal.

O batedor não se ofendeu; pelo contrário, pareceu achar hilário.

— Não me odeie tanto, irmão. Estamos todos no mesmo barco. Certo?

— Sim — Haruhiro respondeu instantaneamente. — É isso mesmo.

As palavras podiam soar vazias, mas ele não se importava. Neal também não era sincero.

— Divirtam-se — disse Neal antes de se afastar.

O grupo estava sendo monitorado por Neal e seus subordinados, um total de quatro homens. Haruhiro lembrava-se de cada rosto.

Mas os batedores também estavam ocupados. Muitos estavam destacados em Damuro agora. Apenas Neal e outro estavam na praça. Quando Neal não olhava, o outro vigiava o que Haruhiro e os demais faziam.

Enquanto lidavam com Neal, Mogis deixou seu assento. Teria voltado para a Torre Tenboro? Não. Ele caminhava pela praça, acompanhado pelos Mantos Pretos.

Jin Mogis não era o tipo de comandante que puxava conversas amigáveis. A maioria dos soldados o evitava. Alguns até fugiam quando ele se aproximava.

Houve uma época em que muitos subestimavam abertamente do que Mogis era capaz. No entanto, após ele tomar Altana, devem ter reavaliado suas opiniões.

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Ainda havia homens que não suportavam o protocolo militar, mas até o mais preguiçoso o temia. Retrucar comandantes era uma coisa; desafiar o próprio Mogis era outra. Ele era o tipo de homem que cortaria cabeças sem hesitar.

Havia até sinais de apoio afirmativo, quase apaixonado, vindo de parte das tropas.

— Um brinde ao General Jin Mogis!

— Não é General, agora é Comandante!

— Isso mesmo! Não somos mais a Força Expedicionária! Somos o Exército da Fronteira!

— Ao Comandante Jin Mogis!

— Viva o Comandante! Tome o trono! Seja nosso rei!

Mogis gostava de ser cercado por soldados barulhentos erguendo canecas em sua honra? Sua expressão era a mesma de sempre. Mas ele não os impedia, nem demonstrava desagrado.

Do ponto de vista de Mogis, tudo ia conforme o planejado. Ele podia respirar aliviado por enquanto.

Suspiro… — Kuzaku franziu o cenho ao morder o espeto de carne, mastigando ruidosamente. — Isso tá estragando o gosto da carne.

— Quanto você pretende comer? — perguntou Setora, pousando sua tigela no barril vazio.

— Bem, achei que devia comer tudo o que pudesse, algo assim. Talvez eu pegue mais dois ou três. Alguém quer? Aproveito a viagem.

— Eu passo — Mary respondeu educadamente. Setora apenas balançou a cabeça. Kiichi, porém, olhou para Kuzaku com expectativa.

— Oh, você quer um, Kiichi? Entendi. E você, Haruhiro?

— Eu… — “Não quero”, Haruhiro ia responder, mas sentiu um arrepio na nuca. Todos os seus pelos se arrepiaram.

— Eai.

Haruhiro ficou chocado ao perceber que não notara a presença do homem até ele falar.

Ele se virou e viu um sujeito vestindo um manto preto que cobria todo o corpo, com o capuz puxado sobre os olhos. Não era só isso. Seu rosto também estava coberto por algum tipo de máscara.

— Er…

Antes que pudesse perguntar “Quem é você?”, Mary engoliu em seco.

Haruhiro escondeu sua confusão e olhou em volta, tentando agir como se nada estivesse fora do comum. Neal estava a quinze metros, e o outro batedor estava com Mogis. Ambos olhavam para cá.

Mas será que importava? O mascarado não estava em um ponto cego para ambos? Provavelmente não o tinham visto.

Teria sido coincidência? Ou ele fizera contato deliberadamente evitando os vigias?

— Você não saca mesmo, né? — O homem mascarado soltou uma risadinha baixa. — Ouvi dizer que perdeu a memória, Haruhiro. …Em um assunto totalmente não relacionado, você não precisa dar uma mijada?

Antes que Haruhiro pudesse responder, o mascarado se virou para ir embora.

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Ele era rápido demais. Num piscar de olhos, o homem deslizou por entre a multidão e desapareceu.

Haruhiro e o resto do grupo se entreolharam.

— Hum, eu, ah, preciso ir… — Haruhiro murmurou, fazendo um gesto para indicar que atenderia ao chamado da natureza.

Obviamente, ele não tinha nenhuma necessidade urgente. Seus companheiros entenderam o recado.

— Ah… Com certeza, beleza! — Kuzaku disse com um aceno exagerado, enquanto Setora suspirava ao observá-lo.

A mente de Mary parecia estar em outro lugar. Seria porque, ao contrário de Haruhiro e dos outros, ela se lembrava?

Quando Haruhiro deixou seu prato de madeira no barril vazio e saiu, Neal também se moveu.

Ele provavelmente pretendia deixar o monitoramento de Kuzaku e do resto para o batedor que estava com Mogis, enquanto ele mesmo seguia Haruhiro pessoalmente. Mas ele escolhera o cara errado para tentar seguir.

Haruhiro usou Stealth para despistar Neal. Ele saiu da praça e, antes que tivesse tempo de considerar para onde deveria ir, seus pés já o guiavam para o alojamento dos soldados voluntários.

O homem mascarado estava esperando por Haruhiro dentro de um dos quartos.

— Realmente não se lembra de nada?

— …Por quê? Por que você pergunta isso?

— Porque você veio pra esse quarto sem hesitar.

O homem removeu a máscara e puxou o capuz para trás. Haruhiro conseguiu distinguir suas feições pela luz do luar que entrava pela janela.

— É verdade. Você não se lembra.

— …Sim, pois é?

O homem jogou a máscara na cama e começou a coçar o cabelo com irritação.

— Você sabe quem eu sou, certo?

— Sim. Eu tenho uma boa ideia.

— Uma boa ideia, é? Você quer que eu te mate, cara?

— Não.

— Mesmo sem suas memórias, você ainda tem as mesmas respostas estúpidas e sem graça de sempre.

— Ranta.

O que ele deveria dizer? Como deveria dizer?

— Há quanto tempo.

Como nada vinha à mente, ele optou pelo inofensivo. Era verdade, ele era entediante. Tinha que aceitar isso. Ranta baixou a cabeça.

— Isso é coisa que um cara sem memórias deveria dizer? Seu idjit… — disse Ranta, a voz sumindo conforme perdia o ímpeto.

Parecia que ele e Ranta não tinham tido, necessariamente, uma boa relação. Na verdade, eles se davam muito mal. Do contrário, não teriam seguido caminhos opostos.

O sujeito tinha uma língua afiada. Haruhiro percebia isso mesmo com essa curta interação. Seria por isso que ele não gostava do Ranta? Não podia ser tão simples.

Devia haver algo em cada um que o outro não conseguia aceitar. Mas eles ainda tinham sido companheiros. Tinham passado por muitas dificuldades juntos antes de se separarem.

— Não me chame de idiota, seu imbecil.

Por alguma razão, as palavras escaparam por conta própria. Ranta olhou para cima, os olhos arregalados por um momento, e então voltou a olhar para baixo.

— Eu não te chamei de idiota. Eu te chamei de idjit. Aprenda a diferença.

— …Não é a mesma coisa?

— É diferente, dã. É idjit e idiota.

— É uma diferença pequena demais, se quer saber.

— Esse tipo de nuance é muito importante, cara. Entende? É, não, não entende. Você é relaxado, Parupiro. Esse é o problema com caras como você.

— Escuta… Eu não sei que diferença de nuance é essa que tá falando, mas acho que consigo ver por que eu não me dava bem com você.

— Porque eu sou sensível e você é relaxado. Somos como água e óleo. Não, como a lua e uma tartaruga. A propósito, nessa analogia, eu sou a lua e você é a tartaruga.

Se Haruhiro dizia uma coisa, Ranta retrucava com dez. Ele era diferente de Setora, que era argumentativa e mordaz. O cara não conseguia parar de falar. Se Haruhiro tentasse responder a tudo, seria exaustivo.

— Ouvi dizer que você estava com o Esquadrão de Soldados Voluntários.

Parecia sábio apenas ignorá-lo e fazer as coisas avançarem.

— Você se demitiu e foi embora por conta própria?

— Mas nem ferrando. Ouvi dizer que a Shihoru foi sequestrada, e… quer dizer, eu não me importo, mas, sabe, ela se importa, então—

Justo quando Haruhiro ia perguntar a quem Ranta se referia, algo pulou nele pelas costas.

— Haru-kun…!

— O quê?!

O que era aquilo? Alguém montado em suas costas? Haruhiro estava dando cavalinho em alguém? Alguém que pulou nele, do nada? Não, não era isso. Estavam apenas grudados nele por conta própria.

Haruhiro não tinha colocado os braços para trás para dar apoio. Ele estava apenas ajustando o equilíbrio para não cair. Deveria jogá-la no chão?

Mas “Haru-kun”? Espera, o quê?

— Haru-kun! É o Haru-kun! Você tem cheiro de Haru-kun! É o Haru-kun…!

— Não, espera, ei…!

Estavam cheirando ele. Com o nariz pressionado contra seu pescoço, atrás da orelha, farejando como loucos. Era um cachorro? Não. Obviamente não.

— Ei, Yume, pára com issoooo…! — Ranta tentava arrancar quem quer que fosse de cima de Haruhiro. — O que você pensa que tá fazendo, sua idiota?! Sai daí!

— Nããão! A Yume não ficava com o Haru-kun faz uma eternidade!

— Você não “ficava” com ele? As pessoas vão entender mal se você falar desse jeito, ok?! Além disso, você já se esfregou no Haruhiro desse jeito antes?!

— A Yume já!

— Já?! Mentira! Sério?!

— Foi faz muito tempo, mas o Haru-kun abraçou a Yume bem forte!

— Tá, tá, tanto faz! Isso foi milênios atrás! E deixa eu te falar, esse lixo aqui não se lembra de nada disso! Você entende?!

— Mesmo que o Haru-kun tenha esquecido da Yume, talvez o corpo dele lembre!

— Eu já disse, as pessoas vão entender mal se você disser essas coisas…!

— U-Umm… — Haruhiro lutava para falar.

Dói.

Ranta tentava puxar Yume para fora dele, e Yume—sim, era a Yume—estava agarrada a Haruhiro.

Ela tinha os braços enrolados apertado em seu pescoço, enterrando-os nele, de modo que ele não conseguia respirar direito.

— S-Socorro! M-Me solta…!

Hai To Gensou No Grimgar – Capítulo 16  – Volume 16 Img 1

— O-O quê! Desculpa!

Yume pulou para trás e se afastou dele no último segundo, impedindo-o de sufocar.

Haruhiro se agachou, tentando recuperar o fôlego, enquanto Yume massageava suas costas.

— Tá tudo bem? Desculpa. É que a Yume ficou tão, mas tão feliz em te ver, Haru-kun.

— Por que você tá tão feliz em ver esse idiota melequento, sua tonta? Não faça tanto alarde, sua oferecida.

Ranta parecia terrivelmente irritado. Yume retrucou na hora.

— A Yume não é tonta!

— Eu não disse que você é tonta! Disse que você é oferecida!

— Hãm? — Yume inclinou a cabeça para o lado.

O cabelo dela, que apesar de trançado ainda era muito longo, tocou o chão.

— O que isso quer dizer? A Yume é toda feita de músculos, então, se for o caso, ela é firme!

— Ah, esquece! Eu já nem sei mais!

— …Vocês dois são sempre assim? — Haruhiro perguntou após limpar a garganta.

Ranta começou a entrar em pânico.

— A-A-A-Assim como? O que você quer dizer com isso, hein?!

— Bem, sim. A gente tá sempre agindo assim — confirmou Yume com um suspiro.

Ranta pareceu meio envergonhado.

— …É verdade, estamos sempre meio que assim. Brincando, ou sei lá, sabe? Não é nada mais do que isso, então não tenha ideias estranhas, ok?

— Sim, sim… — Haruhiro respondeu sem qualquer emoção. Ranta explodiu.

— Um “sim” é o suficiente! Um! Desde o início do universo, todo mundo sabe que—

— Ah, sim!

Quando Yume subitamente se levantou, Ranta soltou um pequeno guincho e pulou para longe dela.

— O-O-O que foi isso, de repente?!

— A Shihoru foi sequestrada, certo? Viemos aqui pra encontrar o Haru-kun e todo mundo, mas viemos pra resgatar a Shihoru também, não viemos? Hein?

— …É-É. Certo. I-Isso mesmo! — Ranta apontou para Haruhiro. — Isso mesmo, Parupororon!

— Quem é que deveria ser Parupororon…?

— Quem seria senão você? Ninguém, certo? Você é lerdo? Sua cabeça é tão vazia assim?

— …Não precisamos falar sobre a Shihoru?

— Nós vamos! Não precisa me dizer isso! Quer dizer, fala! Explique a maldita situação. Desembucha. Seja curto e direto ao ponto. Anda logo!

Se Ranta fosse o único ali, Haruhiro poderia ter se recusado a falar por pura teimosia. Foi bom que Yume estivesse por perto.

Ele ouvira de Mary que Yume e Shihoru eram relativamente próximas. Shihoru tinha perdido as memórias. Isso já devia ter sido chocante o suficiente para Yume.

Agora, ela estava desaparecida. Yume deixara o Esquadrão de Soldados Voluntários para vir a Altana porque não conseguia mais ficar parada. E trouxe Ranta com ela. Ranta era apenas um acompanhante.

— …E acho que isso é tudo. Por enquanto.

Quando Haruhiro explicou a situação atual de Shihoru, Yume teve que se sentar na cama por um momento. Ranta cruzou os braços e mordeu o polegar.

— …Oh, essa é uma situação muito divertida. Não, Yume, eu não quis dizer isso literalmente, ok? Eu só tava tentando parecer legal. Espera, se eu explico, perde o propósito…

Yume continuava de cabeça baixa. Ela nem estava ouvindo as bobagens de Ranta. Ranta estalou a língua e encarou Haruhiro.

— Então? O que vai fazer?

— Fazer? — Haruhiro olhou para baixo e desviou os olhos. — …Esperar por uma oportunidade e depois revistar o quarto de Jin Mogis.

— E se a Shihoru não estiver lá também? Não consigo imaginar ele escondendo uma refém em um lugar tão óbvio.

— Bem… talvez você tenha razão.

— Que tal a Torre Proibida?

— Hein?

— Mogis tá trabalhando com o mestre da Hiyomu… acho que posso chamá-la de Hiyo, né? Enfim, ele tá trabalhando com o mestre dela. Se ele é o dono da Torre Proibida, como você diz…

— …Oh. Se ele deixar a refém… a Shihoru com o mestre da Torre Proibida pra custódia…

— Não tem como entrar na torre. Quer dizer, provavelmente existe um jeito, mas não o conhecemos. Isso tornaria encontrá-la e salvá-la impossível desde o início.

— Eu… — Haruhiro sentou-se ao lado de Yume. — …Eu nunca pensei nisso.

— Bem, isso é porque você tem estrume no lugar do cérebro, seu idiota — Ranta sorriu de canto. — Você sempre foi um desanimado, pensando nas coisas da maneira mais negativa possível. Fica mais fácil para você criando uma saída dessas para si mesmo?

— Tem como não falar como se me entendesse? …Honestamente, é desagradável.

— Eu ganho alguma coisa tornando as coisas agradáveis para você?

— O que você ganha me importunando?

Ranta deu de ombros.

— É bom. Só um pouquinho, no entanto.

— Ranta.

Foi uma voz baixa. Para Yume, pelo menos. A frieza dela deixou mais impressão. Era assustador. Haruhiro não foi o único que sentiu calafrios.

— …Vixe! — disse Ranta, soando obviamente assustado.

Vixe”, sério? Haruhiro quis tirar sarro dele, mas decidiu que era melhor não.

— Se não parar de pirraçar, a Yume vai te castigar, entendeu?

— Você quer dizer—

Ranta provavelmente ia dizer: “Você quer dizer implicar, não pirraçar”. Mas não disse. Talvez ela já tivesse lhe dado uma bronca séria antes? Yume deveria ser bem assustadora quando ficava brava.

— …A-Enfim. Se você tem tempo pra isso, não seria mais rápido simplesmente dar um cacete nesse tal de Mogis e fazer ele soltar a Shihoru?

— Dar um cacete nele?

Se Haruhiro questionasse cada palavra que Ranta usava, nunca chegariam a lugar nenhum. Haruhiro sabia mais ou menos o que ele queria dizer.

— …Bem, eu considerei tomar o Mogis como refém. Não é tão fácil. Ele também tá de guarda contra nós.

— Mesmo comigo e com a Yume aqui? — Ranta sorriu e fez um sinal de positivo. — Tenho certeza de que você esqueceu, mas eu sou mais confiável do que cem outros caras juntos, ok?


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


Tradução feita por fãs.
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