Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – Volume 16:
Grimgar volume 16 – CapĂtulo 4

4 A IlusĂŁo de uma Encruzilhada
Jin Mogis havia designado para Haruhiro e seus companheiros um quarto na Torre Tenboro.
Parecia que o lugar fora originalmente usado como uma sala de apoio para banquetes. Era impressionantemente grande, mas estava quase vazio, sem qualquer mobĂlia alĂ©m de mesas e cadeiras.
Aliås, esse quarto era maior que o cedido aos mantos pretos ou o destinado ao Comandante Regimental do Exército da Fronteira, Anthony Justeen, e seus subordinados. Seria essa a forma de o general mostrar o quanto valorizava Haruhiro e seu grupo?
Mesmo que fosse, e daĂ? Isso nĂŁo deixava Haruhiro nem um pouco feliz.
Shinohara também estava no quarto, esperando Haruhiro e seu grupo chegarem. Havia um monte de coisas sobre as quais Haruhiro queria conversar, mas ele não podia falar livremente dentro da Torre Tenboro.
EntĂŁo, ele imaginou que, como Shinohara devia estar interessado em ver como as coisas estavam em Altana, Haruhiro poderia levar todos para fora sob o pretexto de dar uma olhada ao redor.
Enquanto passavam pelo EscritĂłrio do EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios e pelo Templo de Lumiaris, ele checou se estavam sendo seguidos. Parecia que dois batedores, subordinados de Neal, os estavam monitorando.
Ele poderia tĂȘ-los despistado, mas nĂŁo havia necessidade de fazer nada que provocasse o general ainda.
A pedido de Shinohara, eles deram uma passada na Companhia de DepĂłsitos Yorozu.
A Companhia de DepĂłsitos Yorozu guardava com segurança qualquer coisa que vocĂȘ depositasse com eles mediante uma taxa fixa. Era um negĂłcio familiar para muitos soldados voluntĂĄrios, algo sem o qual nĂŁo conseguiriam viver.
Quando Altana caiu, a companhia devia ter um estoque enorme de ouro, prata, armas, equipamentos e outros tesouros, mas nada fora saqueado.
Não havia como roubar o lugar. O armazém sólido não tinha janelas e permanecia hermeticamente fechado, sem meios de ser aberto, embora isso não impedisse as pessoas de tentarem.
O general certamente não havia desistido. Havia vårios soldados circulando por ali, guardando o armazém.
Em seguida, Haruhiro e os outros fingiram nĂŁo notar os batedores que os seguiam e entraram na Taverna Sherry, no Beco Celestial, onde poderiam conversar em particular.
â …Isso aqui estĂĄ bem triste.
Ver a taverna naquele estado deplorĂĄvel magoou Shinohara.
Como não tinha lembranças do lugar, Haruhiro não pensou nada além de: Os goblins detonaram esse lugar legal também, mas, sim, estava uma verdadeira bagunça.
A maioria das cadeiras e mesas tinha sido virada de cabeça para baixo ou derrubada, e vĂĄrias delas foram destruĂdas. Havia cacos de pratos e garrafas espalhados pelo chĂŁo, e um cheiro azedo impregnava o prĂ©dio.
As moscas deviam estar sendo atraĂdas pela comida e bebidas estragadas.
â Este lugar. â Mary apertou o peito, falando para ninguĂ©m em especial. â A gente costumava vir aqui. Muito…
O grupo se dividiu e abriu todas as janelas. Eles também deixaram a porta aberta.
Arejar o local ajudou com o fedor, mas a luz do sol apenas tornou mais fĂĄcil ver o tamanho do desastre que era a taverna.
â Quando Altana foi atacada, tenho certeza de que deve ter havido luta aqui dentro.
Shinohara examinou de perto as manchas escurecidas que pareciam sangue e as flechas presas na parede.
â A maioria dos soldados voluntĂĄrios conseguiu escapar, mas quase todos os soldados do ExĂ©rcito da Fronteira e os civis morreram em Altana. Ao contrĂĄrio de nĂłs, esta era a terra natal deles, o Ășnico lugar onde podiam estar. Mesmo que fugissem, nĂŁo tinham para onde ir.
â Ă meio difĂcil de processar… â Kuzaku sentou no balcĂŁo, baixando a cabeça.
Setora sentou-se nos degraus que levavam ao segundo andar, com Kiichi descansando ao seu lado.
Shihoru ficou apenas parada ali no meio da taverna. Ela parecia perdida.
Mary caminhou atĂ© Shihoru, colocando uma mĂŁo reconfortante em suas costas. Shihoru estremeceu por um momento, mas retribuiu com um sorriso tenso. EntĂŁo, em uma voz tĂŁo baixa que era quase inaudĂvel, ela disse: âObrigadaâ, ou algo bem prĂłximo disso.
Eventualmente, Shinohara começou a desvirar as mesas e cadeiras, colocando-as em fileiras. Haruhiro e Kuzaku ajudaram.
Shinohara, Haruhiro, Kuzaku, Mary e Shihoru sentaram-se em volta de uma mesa. Setora permaneceu na escada. De lĂĄ, ela conseguia ver a maior parte da taverna, incluindo as janelas e a porta. Kiichi saiu pela janela. Se os observadores estivessem tentando ouvir a conversa, Kiichi os avisaria.
â Faz um tempo, Haruhiro. Deixe-me começar dizendo que fico feliz que vocĂȘ esteja bem.
â Eu sĂł queria me lembrar de vocĂȘ tambĂ©m, Shinohara-san.
â Fiquei sabendo de alguns detalhes.
â …Imagino.
â Ouvi dizer que a guilda dos ladrĂ”es… â Shinohara baixou os olhos. â Ouvi dizer que a mentora da guilda dos ladrĂ”es, Barbara, faleceu.
Haruhiro suspirou.
â Ă â respondeu ele. Sua voz era baixa e terrivelmente fraca.
Shinohara colocou as mĂŁos sobre a mesa.
â Eu a conheci quando ela estava na ativa como soldado voluntĂĄria.
â VocĂȘ… conheceu?
â Foi apenas por um curto perĂodo, mas estĂĄvamos no mesmo grupo.
â HĂŁ?
â Fomos companheiros. â Shinohara olhou para as prĂłprias mĂŁos. â Ela parecia ser a Ășltima pessoa que morreria. Quando ela largou a vida de soldado voluntĂĄria e se tornou mentora na guilda dos ladrĂ”es, tive certeza de que ela ficaria bem. A gente nunca sabe, nĂ©? Aposto que nem ela mesma esperava por isso. Mas essas coisas acontecem. O tempo todo aqui. Esse Ă© o jeito do mundo aqui em Grimgar.
â Shinohara-san… â Mary parecia tentar dizer algo. Mas nĂŁo conseguiu encontrar as palavras certas e olhou para baixo.
â Desculpe â disse Shinohara com uma risada modesta. â NĂŁo Ă© hora de ficar sentimental. Ouvi sobre a amnĂ©sia de vocĂȘs atravĂ©s da Eliza. Ela disse que a Mary foi a Ășnica que nĂŁo foi afetada.
Em vez de assentir, Mary pareceu baixar a cabeça ainda mais.
â …Sim.
Shinohara acariciou o queixo, com um olhar pensativo.
â Esta Ă© a primeira vez que ouço falar de algo assim. Sinceramente, Ă© difĂcil de acreditar. Embora todos nĂłs tenhamos passado pela mesma experiĂȘncia uma vez.
â Er… â Haruhiro esfregou as bochechas enquanto falava. â O que aconteceu foi que acordamos na Torre Proibida. Estava escuro lĂĄ… EstĂĄvamos no subsolo. Tudo o que lembrĂĄvamos eram nossos nomes. De acordo com a Mary, antes disso estĂĄvamos em algum… outro mundo? Acho que Ă© como se chamaria. Algum lugar que nĂŁo era Grimgar.
â Nas minhas memĂłrias, nĂłs fomos para o Acampamento de Leslie e…
No momento em que Mary mencionou aquele nome, o rosto de Shinohara mudou de cor.
â O Acampamento de Leslie? O acampamento de Ainrand Leslie?
Mary pareceu intimidada.
â …Ah. Sim. Acho que Ă© isso mesmo.
â Pelo Acampamento de Leslie para outro mundo, hein? â Shinohara cruzou os braços. â O que aconteceu nesse outro mundo?
â O problema Ă© que eu… â Mary mordeu o lĂĄbio. â Eu nĂŁo… bem… nĂŁo lembro muito bem do outro mundo…
Shihoru colocou uma mão preocupada no braço de Mary.
Shinohara observava Mary atentamente. O que era aquilo? Aquele olhar nos olhos dele. NĂŁo era exatamente afiado. NĂŁo, nĂŁo era isso; seria dĂșvida?
â Entendo.
SerĂĄ que Shinohara suspeitava de Mary? No mĂnimo, ele nĂŁo parecia totalmente convencido pela histĂłria dela.
â Seja o que for, coisas aconteceram nesse outro mundo, e todos vocĂȘs acordaram no porĂŁo da Torre Proibida. Quando isso aconteceu, vocĂȘs tinham esquecido tudo, exceto seus nomes. Com exceção da Mary.
Kuzaku agarrou a cabeça e soltou um gemido.
â Ă, cara, pensando bem nisso de novo, sei lĂĄ. Ă assustador. Digo, Ă© uma loucura, nĂŁo Ă©? Que diabos aconteceu…?
â O que Ă© âloucuraâ Ă© a sua falta de vocabulĂĄrio lamentĂĄvel.
Quando Setora disse aquilo, Kuzaku gritou bem alto: â Ei! Eu sou sensĂvel com isso!
Haruhiro sorriu de pura exasperação.
â EntĂŁo isso te incomodava…
â SĂł um pouquinho, vai.
Kuzaku ergueu a mĂŁo com o indicador e o polegar tĂŁo prĂłximos que nĂŁo dava para saber se estavam se tocando ou nĂŁo.
â SĂ©rio, sĂł um pouquinho.
â Devia te incomodar mais.
â Setora-san, escuta, dĂĄ pra nĂŁo ficar sentada aĂ no canto sĂł me dando alfinetada?
â O quĂȘ? VocĂȘ quer que eu fique perto de vocĂȘ?
â NĂŁo sei se quero vocĂȘ perto, mas sei que nĂŁo quero vocĂȘ longe, entĂŁo acho que, sim, quero que vocĂȘ fique razoavelmente por perto…?
â Eu recuso.
â QuĂȘ, vocĂȘ vai recusar?
Kuzaku murchou os ombros.
â …QuĂȘ, vocĂȘ vai recusar?
â Por que vocĂȘ teve que dizer duas vezes…? â Haruhiro perguntou, impaciente.
Kuzaku olhou para Haruhiro com os olhos franzidos.
â O que Ă© isso que tĂŽ sentindo agora? Meio que dĂłi, sabe…?
â Cara, vocĂȘ nĂŁo Ă© um cachorrinho abandonado…
â Ohh, entendi. Ă isso entĂŁo, nĂ©? Ă assim que um cachorro se sente quando Ă© abandonado pelo dono? Algo do tipo, nĂ©? VocĂȘ pode tĂĄ certo…
â Desde quando vocĂȘ Ă© meu bicho de estimação?
Quando Setora disse aquilo com claro nojo, os olhos de Kuzaku saltaram.
â Por que vocĂȘ Ă© tĂŁo contra a ideia…?
â VocĂȘ nĂŁo entende?
â HĂŁ? NĂŁo, nem um pouco. Por quĂȘ?
â O que quer que esteja errado com a sua cabeça nĂŁo tem mais conserto…
â …Tudo bem. SĂ©rio. Vou pedir pra Mary-san me curar.
â Acho que nĂŁo consigo te consertar. â Mary parecia bem descontente tambĂ©m.
â Ă sĂ©rio? â Kuzaku ficou visivelmente chocado. â …Nem vocĂȘ consegue me consertar? …SĂ©rio? Eu tĂŽ mal mesmo…
â Ei, calma lĂĄ…
Por um momento, Haruhiro considerou consolĂĄ-lo, mas parecia errado.
â Ă, acho que vocĂȘ tĂĄ, nĂ©?
â EntĂŁo esse Ă© o tipo de garoto que vocĂȘ era…
Mesmo sendo o Shinohara, Haruhiro não sabia como se sentia sobre ele tratar o Kuzaku como uma criança. Bom, ele não podia culpå-lo.
Na tentativa de colocar as coisas de volta nos trilhos, Haruhiro voltou-se para Shinohara.
â Se eu disser o nome Hiyomu, vocĂȘ sabe de quem estou falando?
â Sim â respondeu Shinohara, mas ele nĂŁo assentiu. â Eu sei.
Algo parecia fora de lugar. O que era? Haruhiro nĂŁo tinha total certeza.
â …A Hiyomu, ou o mestre dela, fez algo com a gente, e parece que foi isso que nos fez perder as memĂłrias.
Shinohara ficou em silĂȘncio. Algo teria ocorrido a ele? Ou ele estava confuso? Era difĂcil dizer qual das duas opçÔes era. Foi um momento estranho.
Haruhiro olhou de relance para Mary. Mary pareceu achar esquisito também.
â Independentemente disso. â Shinohara olhou ao redor para o grupo. â Devemos pensar nesse assunto como algo separado do problema atual. NĂŁo consigo imaginar que o mestre da Torre Proibida teria convidado a Expedição do Sul para entrar.
â Ă… acho que sim…
Haruhiro quase inclinou a cabeça para o lado. Algo parecia errado. De novo. Mas desta vez ele sentiu que tinha vislumbrado o que era aquilo que o incomodava.
Shinohara não conseguia imaginar que o mestre da Torre Proibida tivesse convidado a Expedição do Sul, ou seja, os orcs, goblins e kobolds. Foi o que ele acabara de dizer. Poderia muito bem ser verdade.
Mas nĂŁo havia algo estranho nisso? Bom, ele sabia o que era esse âalgoâ. Quem exatamente era o mestre da Torre Proibida? Haruhiro podia fazer deduçÔes.
Haruhiro e os outros acordaram no porão da torre. Hiyomu estava infiltrada em um grupo que era todo de soldados voluntårios, incluindo Haruhiro. Ela fingiu ter perdido as memórias, como todos os outros. Foi uma encenação.
Hiyomu aparentemente estava planejando algo nefasto sob as ordens de seu mestre. O mestre da Torre Proibida provavelmente era o mestre de Hiyomu. Essa era uma interpretação possĂvel. Fazia sentido.
No entanto, Haruhiro nunca havia pensado antes que o mestre de Hiyomu fosse o mestre da Torre Proibida.
Hiyomu estava profundamente envolvida com a torre. Disso nĂŁo havia dĂșvida. Mas, ainda assim, a equação âmestre delaâ = âmestre da torreâ funcionava?
A Torre Proibida deveria ser essa edificação misteriosa na qual os soldados voluntårios não conseguiam entrar. Serå que isso estava errado?
Shinohara nĂŁo pensava assim? A Torre Proibida tinha um mestre. Ele sabia que alguĂ©m morava lĂĄ? Ou era apenas um boato? Ainda assim, no mĂnimo, Mary nĂŁo tinha dito nada parecido.
â A propĂłsito â Shinohara mudou de assunto de repente â vocĂȘs ficaram sabendo que a Yume-san e o Ranta-kun estĂŁo com o EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios?
â Yume…! â Mary cobriu a boca com as duas mĂŁos. Seus olhos pareciam tentar ultrapassar o limite de abertura, e ela parecia que ia cair no choro a qualquer segundo.
Yume. Ranta.
Para Haruhiro, eram apenas nomes. Afinal, ele não se lembrava deles. Mas, ao ver a reação de Mary, sentiu a emoção aflorar dentro de si.
â …Eles estavam com vocĂȘs, nĂ©? Entendi. Os dois, tambĂ©m. Sei lĂĄ… A gente se separou do Ranta depois de uma briga, certo? TĂĄ, talvez âter uma brigaâ nĂŁo seja o jeito certo de colocar. Eu nĂŁo sei direito…
Haruhiro tentou recordar como Mary lhe contou que as coisas aconteceram, mas nĂŁo estava indo muito bem.
â Ohh?! â Kuzaku começou a tremer e abraçou o prĂłprio corpo. â TĂŽ ficando todo arrepiado. O que Ă© isso? Eu tĂŽ com alguma doença estranha? NĂŁo tĂŽ, nĂ©…?
Shihoru estava com os olhos marejados. Ela parecia perplexa com aquilo.
â NĂŁo tendo memĂłrias deles, nĂŁo tenho nada em particular a dizer. â Setora estava igual a sempre. â Eu preferiria tĂȘ-los encontrado pessoalmente em vez de apenas ser informada de que estĂŁo bem. Teria sido mais rĂĄpido e mais garantido. VocĂȘ nĂŁo poderia ter trazido os dois com vocĂȘ?
â Er, vocĂȘ tinha que falar desse jeito com o nosso veterano, Setora-san…? â Kuzaku a repreendeu baixinho.
Shinohara sorriu.
â NĂŁo precisa se preocupar com isso. O clĂŁ tem uma estrutura de comando, entĂŁo Ă© inevitĂĄvel que haja uma hierarquia, mas sou um soldado voluntĂĄrio, igual a todos vocĂȘs. Somos iguais.
Setora ostentava um leve sorriso no rosto.
â Eu nem sou uma soldada voluntĂĄria, entĂŁo tenho menos necessidade ainda de medir as palavras com vocĂȘ. Sinto que vamos nos dar mal se aceitarmos suas palavras pelo valor de face. Provavelmente sou do tipo desconfiada. Abordo as coisas sem preconceitos, mas isso sĂł faz com que todo mundo pareça suspeito.
Haruhiro sentiu como se tivessem jogado ĂĄgua fria nele.
Setora nĂŁo estava errada. Na verdade, Setora raramente errava sobre qualquer coisa.
Yume e Ranta estavam vivos e trabalhando com o EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios. Essa era uma boa notĂcia. Se fosse verdade. No momento, o Ășnico dizendo isso era Shinohara.
â Eu cheguei a considerar trazĂȘ-los comigo, Ă© claro.
Shinohara nĂŁo parecia particularmente ofendido. Ele sorria, da mesma forma que antes.
â Mas tem a questĂŁo das memĂłrias de vocĂȘs. Eu nĂŁo queria complicar uma situação que jĂĄ Ă© complexa. Levando tudo em consideração, conversamos dentro do EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios e foi isso que decidimos fazer. Tanto a Yume-san quanto o Ranta-kun aceitaram.
Setora simplesmente deu de ombros, sem dizer mais nada.
Shinohara. O mestre da Orion. O cara parecia impecĂĄvel.
Ao contrĂĄrio de Setora, Haruhiro nĂŁo suspeitava particularmente deleâtĂĄ, talvez isso nĂŁo fosse verdade. Mary parecia confiar nele cegamente, mas Haruhiro nĂŁo se lembrava de Shinohara, e Setora sequer o conhecia.
Ele parecia digno de confiança. Mas mesmo que passasse essa impressão, isso significava que podiam realmente confiar nele?
Haruhiro talvez estivesse apenas tentando ler demais as entrelinhas. Ele estava sendo cauteloso. Isso era certeza. Setora provavelmente estava fazendo o mesmo.
Ele tinha ido com o fluxo até aquele ponto porque não tivera outra escolha a não ser seguir o caminho traçado à sua frente.
Agora, ele chegara a uma bifurcação na estrada. Tinha que decidir qual escolha seria a melhor para ele e seu grupo.
Haruhiro olhou ao redor para cada um de seus companheiros.
â Pessoal, se alguĂ©m tiver uma opiniĂŁo, eu quero ouvir.
Kuzaku resmungou e balançou a cabeça.
â Acho que nĂŁo tenho nenhuma.
â Eu nem disse sobre o que tĂŽ falando ainda…
â AlguĂ©m poderia, por favor, calar esse paspalho? â disse Setora, friamente.
Shihoru soltou uma risada fraca.
â Setora-san.
A expressão de Kuzaku ficou subitamente séria, o que fez Setora vacilar um pouco.
â …O-O quĂȘ?
â VocĂȘ me chamou de paspalho… NĂŁo acha que isso soa meio fofo?
â Isso Ă© uma pergunta que se faça com essa cara sĂ©ria?
â NĂŁo sei, sĂł pensei nisso agora.
â E vocĂȘ tem que dizer cada coisinha que passa pela sua cabeça?
â Sabe, talvez soe um pouco fofo mesmo. Paspalho… â Mary murmurou.
Haruhiro limpou a garganta. Todos se voltaram para ele.
â Err. Olhem, o que estou tentando dizer Ă© que nĂŁo precisamos deixar a Força ExpedicionĂĄria… ou melhor, o General Jin Mogis, nos mandar para sempre. Acho que podemos agir como membros do EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios.
Todos olharam nos olhos de Haruhiro e assentiram. Até agora, não havia objeçÔes. Aquilo parecia bom o suficiente.
â Ă que… a questĂŁo de se devemos deixar a Força ExpedicionĂĄria agora ou nĂŁo Ă© outro assunto. O general nos vĂȘ como seus peĂ”es. Duvido que ele confie na gente, mas ele tĂĄ tentando nos atrair para o lado dele. Precisamos pensar no que ele pode fazer se tentarmos dizer: âBeleza, estamos voltando para o EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios agoraâ.
â Ă exatamente isso.
Shinohara explicou a situação atual do Esquadrão de Soldados Voluntårios. Haruhiro jå tinha ouvido isso, mas o Esquadrão estava sofrendo com a falta de suprimentos. Na verdade, ocupar a Fortaleza de Ferro Beira-Rio não tinha ajudado em nada a aliviar isso.
Os kobolds tinham hĂĄbitos alimentares um tanto Ășnicos, entĂŁo nĂŁo havia muita coisa na fortaleza que fosse prĂłpria para o consumo humano. Embora ainda nĂŁo estivessem passando fome, se nĂŁo garantissem suprimentos logo, ou recebessem de alguĂ©m, o EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios enfrentaria uma crise alimentar num futuro prĂłximo.
Além disso, o Monte Tristeza, onde acreditavam que seus inimigos estavam se reunindo, ficava a quinze quilÎmetros ao norte da Fortaleza de Ferro. Em linha reta, ficava a quarenta quilÎmetros de Altana, então a Fortaleza de Ferro era muito mais próxima.
O EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios venceu 5.000 kobolds para tomar a fortaleza. No entanto, tomĂĄ-la e mantĂȘ-la eram duas questĂ”es distintas. O defensor geralmente deveria ter uma vantagem esmagadora, mas isso na verdade dependia das condiçÔes.
O Esquadrão de Soldados Voluntårios superou a diferença numérica com sua magia poderosa e habilidade de luta individual excepcional. Mas, se tentassem defender a fortaleza com pouco mais de cem pessoas, teriam gente suficiente para cobrir todas as muralhas?
Se houvesse uma Ășnica brecha em qualquer lugar, toda a defesa da fortaleza poderia desmoronar em um instante.
Somado a isso, se os orcs da Fortaleza de Vigia Cabeça-Morta tivessem ido para o Monte Tristeza, como pensavam, a ameaça só aumentava. Os orcs eram uma raça muito mais perigosa que os kobolds, afinal.
Se os inimigos no Monte Tristeza atacassem a Fortaleza de Ferro, o Esquadrão de Soldados Voluntårios teria problemas sérios. Se não pudessem manter o forte, não teriam escolha a não ser fugir.
Para onde fugiriam? NĂŁo para o Buraco das Maravilhas. O EsquadrĂŁo jĂĄ vinha enfrentando dificuldades na base de lĂĄ. Eles retomaram a Fortaleza de Ferro justamente para abrir uma rota de sobrevivĂȘncia.
Havia outra possibilidade. Altana. Assumindo que a Força Expedicionåria os recebesse bem.
â De minha parte â disse Shinohara em um tom gentil, mas firme â eu gostaria que vocĂȘs ficassem com a Força ExpedicionĂĄria, da mesma forma que tĂȘm feito atĂ© agora. O que quero dizer com isso Ă©: estou pedindo para serem nossos espiĂ”es. Obviamente, isso traz um certo grau de risco. Se vocĂȘs se virem em perigo, por favor, retirem-se imediatamente. Se chegar a esse ponto, nĂłs os protegeremos.
â Como exatamente? â Setora riu. â VocĂȘs estĂŁo longe de Altana, onde Ă© seguro. NĂŁo vejo como vĂŁo nos ajudar quando precisarmos.
â NĂŁo temos intenção de nos opor Ă Força ExpedicionĂĄria. Se pudermos cooperar, seria o melhor. No entanto, embora eu tenha chamado vocĂȘs de espiĂ”es, nĂŁo espero que sabotem a Força ExpedicionĂĄria por dentro, nem nada do tipo.
â O que vocĂȘ quer Ă©… informação, certo?
Quando Shihoru perguntou isso hesitante, Shinohara respondeu imediatamente.
â Exato. Particularmente sobre os objetivos de Jin Mogis e o que ele pretende fazer daqui em diante, com o mĂĄximo de detalhes que conseguirem. Isso nĂŁo Ă© para lutarmos contra a Força ExpedicionĂĄria. Se pudermos nos dar bem com eles de forma tranquila, esse Ă© o melhor resultado. Quero que nos ajudem com isso.
NĂŁo parecia haver motivo para recusar. Embora Haruhiro ainda nĂŁo tivesse o acordo de seus companheiros, ele e seu grupo provavelmente aceitariam o pedido de Shinohara. Eles nĂŁo iam dizer nĂŁo.
NĂŁo Ă© ruim. Digo, acho que Ă© a Ășnica opção.
Mas algo nĂŁo parece certo.
Por quĂȘ?
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
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