Grieving Soul – Capítulo 5 – Volume 9
Nageki no Bourei wa Intai shitai
Let This Grieving Soul Retire
Volume 09 – Grieving Soul – Capítulo 05
Epílogo: Deixe este Caçador se Aposentar, Parte Nove
E assim, nós conseguimos quebrar a, er, a maldição… na verdade, a gente não conquistou nada!
Três dias depois, meus amigos já tinham se recuperado da intoxicação por Mana Material. Sentado no alojamento dentro do Mimicky, eu batia um papo com eles.
— O quê?! — Liz disparou. — Você se divertiu tanto assim enquanto a gente estava presa na cama?!
— Ei, eu também não esperava por isso. Todo mundo do Starlight ficou bem abalado quando viu ele saindo em disparada.
A operação tinha sido uma sucessão de surpresas de todos os tipos. Fantasmas se manifestando diante dos meus olhos, depois a Lorde Monstro e o bando dela, que eu achei que já tivessem sido derrotados, invadindo tudo, e depois de toda aquela carnificina mútua, a estátua do Luke começou a se mover. Tanta coisa aconteceu que eu mal entendia o que estava dizendo enquanto as palavras saíam da minha boca.
Considerando o histórico dele de fazer o impossível, eu não estava tão preocupado com o Luke. A história já tinha provado que ele voltaria em segurança, não importa o que acontecesse.
— O Luke é… — Tino parecia não saber direito o que dizer. — Incrível.
Ansem resmungou, concordando.
Era impressionante pensar que a Tino tinha se recuperado da intoxicação ao mesmo tempo que todo mundo. Eu mal conseguia expressar o quanto queria que ela estivesse lá para vivenciar aquele Cofre do Tesouro.
— Nós vamos na próxima, Krai Baby! — Liz declarou. — Sem a intoxicação, estamos em perfeitas condições!
— Eu nunca vou me acostumar com essa sensação de me sentir mal em um dia e estar na melhor forma possível no outro — comentou Sitri.
Os prós e contras da intoxicação por Mana Material eram dois lados da mesma moeda. A absorção excessiva deixava o corpo temporariamente fora de combate, mas, ainda assim, aquele Mana Material fornecia uma força recém-descoberta. Todos, inclusive Ansem, haviam desabado devido à intoxicação, o que significava que agora que estavam recuperados, estavam mais fortes do que nunca. Eu só conseguia imaginar o que isso significava, já que eles já eram tão formidáveis.
— É, aham. Estou contando com vocês. — Eu sorri e balancei a cabeça. Provavelmente não demoraria muito para eu ter que confiar nos novos poderes deles.
Notei que Tino estava me olhando com uma cara de descontentamento, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Sitri pegou minhas mãos no que parecia ser um pedido de piedade.
— Na verdade, Krai, tem uma coisa que eu gostaria de testar! — Havia lágrimas em seus olhos, e sua voz era quase um sussurro. — Nós vamos ficar em Yggdra mais um pouco, não vamos?
— Sim, aham. Com certeza!
— Hm? Aconteceu alguma coisa? Você geralmente quer bater em retirada em momentos assim.
Mmm, aham. Tentar recuar nunca funciona para mim. E sim, definitivamente aconteceu alguma coisa. Eu deveria saber que você perceberia através da minha cara de pôquer.
Ansem abriu a boca, interrompendo seu resmungo baixo e contínuo.
— Krai. E quanto ao Luke?
Todos nós caímos em um silêncio desconfortável. Evidentemente eles tinham percebido que algo estava errado, mas evitaram tocar no assunto.
Limpei a garganta e disse com um sorriso:
— Pois é. Vejam bem, ele entrou na Árvore do Mundo enquanto perseguia um Fantasma e ainda não voltou.
Isso assustou Ansem.
— Mmm…
Ei, eu tentei inventar algo, só que era na Árvore do Mundo que o Luke estava. Enfrentar aqueles Fantasmas apenas com o Starlight seria uma missão suicida. Mas, mais do que isso, estávamos falando do Luke.
— A Eliza deu uma olhada e descobriu que as defesas deles eram fortes demais para passar despercebido. Ela também disse que os Fantasmas estão ficando mais fortes a cada dia. Alguém tem alguma ideia?
Cofres do Tesouro que abrigam deuses não são brincadeira. Ainda levaria mais um século para o advento desse deus se completar, mas o local já era quase intocável. Dava para entender como os melhores de Yggdra foram preparados e ainda assim falharam em conquistá-lo. Se o que ouvimos fosse verdade e os Fantasmas do lado de dentro superassem em muito os do lado de fora, então os métodos convencionais não funcionariam nem mesmo para os Grieving Souls.
Lucia franziu a testa. Liz parecia séria. Sitri, no entanto, estava inquieta e me olhava como se tivesse algo a dizer. Ultimamente, ela andava muito mais ousada, nem um pouco do tipo que ficaria se contorcendo assim. Era cativante como isso me lembrava a garota reservada que ela costumava ser.
— Sitri, você tem alguma ideia?
— E-eu tenho! No entanto, é um pouco difícil de falar na frente de todo mundo, então você poderia vir aqui?
Não era sempre que ela dizia coisas assim. Respondendo aos seus gestos, me aproximei e me inclinei. Parecendo um pouco tímida, ela aproximou os lábios do meu ouvido.
— Krai — sussurrou ela, entusiasmada. — Se não podemos lutar contra os Fantasmas, isso não significa que deveríamos enfraquecer o Cofre do Tesouro? Será que agora é a hora de usar a pesquisa de manipulação de Linhas Ley que eu fiz na Torre Akashic?
Nas profundezas mais remotas do Corredor da Árvore Divina, uma lâmina metálica surgiu de repente, abrindo uma grande fenda. Desse rasgo no espaço, a cabeça de Yuden emergiu. Não restava nada do astrovore além do pescoço. Adler e Quint, ambos surrados e machucados, estavam montados no que sobrou. Depois que Uno, segurando uma boneca com um par de tesouras, e os soldados de carta saíram, a fenda se fechou.
O retalhador de Uno Silba era um espírito sagrado com a habilidade extremamente rara de manipular o espaço. O espírito que habitava aquela boneca era o único familiar de Uno e a tábua de salvação do Night Parade. No entanto, esta não foi apenas a primeira vez que usaram os poderes do retalhador para recuar, mas também a primeira vez que ele foi usado repetidamente em sequência.
Adler e Quint caíram de costas. Embora Uno estivesse praticamente bem, já que estava focada na defesa, os dois haviam entrado na briga, o que os deixou exaustos. Era um milagre que ainda estivessem vivos.
— Parece que foi um empate — disse Adler. — Eu tinha certeza de que poderíamos vencer.
— É, eles foram um poooouco demais para nós — acrescentou Uno. — O astrovore estava reforçado pelo Mana Material, e tínhamos monstros do Corredor da Árvore Divina, mas eles ainda estavam além das nossas capacidades. Antes de virmos para cá, éramos invictos!
— Eles eram insanos! — Quint murmurou. — Eu sei que foi uma briga generalizada, mas como diabos o Zork foi morto? Ele era mais fraco que os Fantasmas?
Ele tentava parecer durão, mas seu rosto estava completamente pálido. Zork tinha sido seu monstro de confiança desde que ele domou o ciclope pela primeira vez. Perder Zork causou um choque maior do que a morte de tantos soldados de carta.
Eles tinham lutado bem no início. Os monstros que Adler obteve no Corredor da Árvore Divina certamente provaram ser páreos para os Fantasmas. A situação mudou quando aquele sub-chefe falou sério.
— Aquele devia ser o Fantasma de algum cavaleiro antigo realmente famoso. Aquela coisa se formou em Mana Material ultradenso, um pesadelo que ganhou vida.
Seus monstros recém-domados e feras míticas foram massacrados. Era importante ter um grande rebanho, mas era ainda mais importante ter pelo menos algumas criaturas inigualáveis. Eliminar o rebanho inimigo sem sofrer danos no seu era como se tomava a vantagem.
Embora Yuden, a centopeia astrovore, e Zork, o ciclope sombrio, pudessem ser considerados inigualáveis, ambos os monstros eram mais adequados para lutar contra exércitos do que contra indivíduos. Isso nunca tinha sido um problema, mas eles foram ingênuos ao pensar que as coisas continuariam assim.
Embora tivessem conseguido sobrecarregar os Fantasmas com números, restava apenas a cabeça de Yuden, e Zork tinha sido morto em combate. Tanto o exército que Adler passou uma semana construindo quanto os soldados de carta com quem Quint gostava de negociar haviam sido reduzidos a uma única unidade. No geral, o poder de fogo deles tinha sido praticamente anulado.
— Estávamos perto. Estávamos tão perto — lamentou Adler, com o braço sobre os olhos. — Se tivéssemos apenas mais um monstro sobrando, poderíamos ter mostrado ao Mil Truques o que acontece quando alguém mexe com a gente.
— Diferente dos Fantasmas, os monstros são finitos — respondeu Uno. — E não temos tempo para procurar mais.
O Mil Truques nem sequer estremeceu enquanto observava seu exército colidir com o do Night Parade. Eles não sabiam se era porque ele estava confiante, porque os Fantasmas podem ser facilmente substituídos ou se ele simplesmente não estava tão interessado na batalha em si. A única certeza era que tinham sido subestimados. Ele assistiu em silêncio quando eles fugiram com o retalhador. Na verdade, durante toda a luta, ele não fez nada além de ficar parado. Alguém que conseguisse fazer isso tinha que ser formidável ou estúpido.
Respirando fundo, Uno verificou as tesouras do retalhador. Depois de cortar o espaço, as lâminas ganharam um brilho vermelho fraco e um pouco de ferrugem. A habilidade do retalhador mudava o jogo, mas não era algo feito para ser usado sucessivamente. Tinha mais um, talvez dois usos restantes.
— Lady Adler, o que faremos? Só temos um ou dois usos do retalhador sobrando.
Assim que aquelas tesouras quebrassem, precisariam de muito tempo para se regenerar. Em outras palavras, se fossem encurralados depois disso, não haveria escapatória. Resultados à parte, esse confronto recente os deixou esgotados.
Ainda deitada no chão, Adler olhou para Yuden. Mesmo tendo perdido a maior parte do corpo, o astrovore conseguia se regenerar. Com tempo suficiente, estaria em condições de lutar mais uma vez.
— Boa pergunta. Não deveríamos nos meter em mais brigas. Aquele homem pode domar até Fantasmas. Eu nunca pensei que pudesse existir um Controlador como aquele.
Nenhum dos três conseguia fazer algo assim. Na verdade, a própria possibilidade nunca lhes ocorrera. Apesar de todas as semelhanças, os Fantasmas eram muito diferentes dos monstros.
Quint pareceu surpreso ao ver Adler adotando um tom tão melancólico. A líder fechou os olhos, pensativa. No entanto, após um aceno de confirmação para si mesma, ela disse algo inacreditável.
— Certo, já sei. Aprendemos sobre poderes que nunca pensamos serem possíveis. Então, que tal irmos até o Mil Truques e perguntarmos a ele como domar um Fantasma?!
— Tá brincando?! A gente acabou de lutar com aquele cara!
— Dizem que devemos bater enquanto o ferro está quente, não dizem?! Além disso, parece que este lugar tem alguns Fantasmas que se encaixariam perfeitamente no nosso exército de monstros. Tenho certeza de que aquele cara não se importará se perguntarmos os segredos dele.
— É. Acho que você tem razão. Talvez eu possa vingar o Zork domando os Fantasmas que o mataram.
Ah não, pensou Uno enquanto observava Quint cair nas palavras fervorosas de Adler. Será que vamos usar a última carga do retalhador nisso?
— Vocês dois estão se ouvindo?! — ela gritou, frenética. — Eu me recuso a concordar com isso!
Tradução: Rudeus Greyrat
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