Digimon Tamers 00 – Capítulo 27
Digimon Tamers 00
Web Novel Online – Capítulo 27
[Estigma na Alma]
“A coisa mais incompreensível do universo é o fato de ele ser compreensível.”
— Albert Einstein
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ヒプノス公式本部 (Sede Oficial da HYPNOS)
時間: 10:26 PM
A conversa entre os adultos — os pais dos domadores e o executivo máximo da Hypnos — prosseguiu no mesmo teor imprevisível e tenso que se construiu conforme os minutos passaram.
Continuando no exato ponto onde Janyuu questionou Yamaki por mais informações, o CEO não poupou palavras para justificar seu ato heróico de salvar seus filhos.
Sob um tom quase messiânico, o executivo renovado confirmou na sua resposta:
— Sentido? Vou lhe dizer o que eu acho disso: por muito pouco eu não perdi a sanidade. Vários fatores quase me levaram a isso, mas eu sou o cabeça da Hypnos e tenho uma equipe capacitada que depende do meu tato e das minhas relações para termos êxito nessa missão.
Com os pés no chão, Janyuu, assim como os demais, recebeu a explicação do momento, por Yamaki:
— E respondendo sua pergunta sobre o tal “sentido”: por acaso, nós conseguimos captar o áudio do selvagem e tudo à sua volta. Com isso, descobrimos seus objetivos, o que trouxe urgência ao caso.
— E desde quando a Hypnos dispõe de tecnologia de rastreamento sonoro? Nem Shaggai atualizado poderia fazer isso com tanta eficiência.
— Acredite: foi Shaggai… em sua última versão.
Seu ex-funcionário o fitou, descobrindo no seu olhar que não só o software recebeu upgrades.
— Deixa eu adivinhar: você encontrou prodígios do mundo da tecnologia da computação para sua equipe, não foi?
— Bingo! — voltou a abrir e fechar o seu isqueiro. — Eu não parei no tempo, Janyuu. Já sou calejado com esses assuntos, você sabe.
— Sim, eu sei… — puxou ar, mudando o assunto. — Você esteve naquele galpão com o novo inimigo. Quero que diga para todos nós o que estamos lidando dessa vez.
A resposta veio sem rodeios.
— Estamos diante de um Selvagem astuto, forte… e fundamentado em toda uma ideologia religiosa. Uma mistura perfeita, você não acha?
Os três responsáveis se olharam, sabendo que não eram tópicos simples de lidar.
Janyuu serviu como a voz de todos:
— Ideologia? Religião? De novo com o assunto dos Deva?
Yamaki, após ouvir isso, caminhou para próximo deles — era algo que também o afligia.
Sua teoria veio à tona em seguida.
— Há um tipo de ordem ou clero no digimundo nesse exato momento… e é tudo que sabemos. Os Deva não existem mais, mas os “líderes religiosos” no digimundo parecem estar por trás dessa doutrinação toda.
— Mas como isso pode ser possível? — perguntou a Sra Hata — Esse tipo de comportamento esperaríamos no nosso mundo, mas não de seres como os digimons.
Janyuu tomou a palavra.
— O digimundo é composto por dados… Os nossos dados. Digimons nada mais são que representações do que nós somos, seja concreto ou abstrato.
O pai de Lee, para completar com o raciocínio, disse:
— Qualquer coisa pode ser uma fonte de influência por lá… É como um algoritmo dos sites de busca, como os líderes Yahoo ou Google. Digimons, como os Deva, criaram suas formas de fé interligadas à nossa.
Ele estava certo.
As palavras de Yamaki completaram esse raciocínio.
— Exatamente — cessou o abrir e fechar. — Toda e qualquer informação reforçada por nós tem influência direta no digimundo. Matsuda e sua turma relataram sobre o embate político e religioso deles enquanto estavam por lá.
Um levantamento útil de informações prosseguiu, até pela Sra Hata:
— Então aquela história de Deva e deuses dos digimons que tanto a Rukinha e seus amigos diziam não terminou.
— Não sabemos, senhora — falava Yamaki, o clique metálico do isqueiro soou. — Não há como saber. O único que poderia responder a essas perguntas seria Strabimon, o digimon que tentou tirar a vida deles
Janyuu não perdeu tempo:
— E onde este digimon está?
— Eu não sei.
Curto e direto, essa foi a resposta sincera de Yamaki.
Era evidente que não foi o suficiente para saciar a necessidade de informações — isso tinha a ver com a segurança dos domadores lendários.
Foi o que o Sr Matsuda levantou, com razão:
— Não sabe?! Como vocês do torneio deixaram um digimon perigoso como ele solto por aí? Você mesmo disse que tinha meios para detê-lo e não fez nada?
— Eu salvei os meninos e os seus digimons por ter feito um acordo com ele, senhor — Yamaki respondeu. — Você acha mesmo que eu não tentei fazer algo mais incisivo? Não tem ideia do que aquele digimon é poderoso.
A avó de Ruki, dando um passo para frente, tinha algo a acrescentar — ela detinha conhecimento religioso nipônico em seu currículo.
— Esse digimon que você fez um trato… Qual pregação ele possui? A que segue, o que acredita?
— Unicamente em uma justiça divina que foi concedida a ele por um deus que venera. Com isso, ele jurou vingança a todos os jovens domadores e a seus digimons.
Assim que falou o verdadeiro porquê do ataque de Strabimon, um silêncio incorreu no recinto.
Todos olharam para Yamaki, como um manifesto inacreditável.
— Que deus ele tem essa devoção?
— Um digimon chamado Zhuqiaomon, como relatado por ele mesmo, Sra Seiko Hata.
Janyuu se surpreendeu ao ouvir esse nome.
— Z-zhuqiaomon?! O mesmo que lutou contra Jianliang e os outros no digimundo?
— Ele mesmo.
A Sra Hata prosseguiu:
— O quão fiel é ele?
— Incondicional. Prognóstico. Quase o fanatismo religioso. Inflexível… e foi por causa de todos esses fatores que ele acordou comigo. Sua fé é tão forte que nem ele teve forças para ser hipócrita.
— Minha nossa… — seu olhar buscou o de Yamaki, tamanho seu espanto. — Um digimon assim pode interpretar tudo de um jeito distorcido.
— Ou não — a voz do executivo soou forte. — Ele pode ver o que não vemos…
A imagem na mente de Yamaki de quem era Strabimon era cristalina.

Um ser que continha a luz da esperança munido do poder do ódio para fazer justiça.
Uma figura imponente poderosa que seguia um deus cujo poder era ainda maior — não só de força física, mas também da palavra.
Tão logo, o Sr Matsuda perguntou:
— Será que só eu acho que esse digimon não deveria estar lá fora solto? Yamaki, o que vocês da Hypnos vão fazer para deter esse fanático?
— Não faremos nada contra ele… — direto, gritou sua voz. — Se eu não pensasse bem no que fazer, algo de muito ruim poderia ter acontecido. Nem sempre ser bruto com quem te agride é a resposta.
— Ele é uma ameaça a nossa cidade! — disse, ficando irritado. — Nossas famílias estão correndo perigo!
O senhor quase partiu para cima do executivo, sendo impedido por Janyuu.
A força que colocou, quase arrastando o engenheiro, mostrou sua revolta.
— Sr Matsuda, acalme-se!
— Me acalmar? Está louco? Não percebe que tem um lunático lá fora atrás dos nossos filhos?
Era um sentimento esperado por um pai desesperado.
Yamaki, mesmo assim, manteve a calma — não se abalou com a afronta.
Mas não ficou calado: tomou uma postura mais ofensiva, mas também respeitosa.
— Todos vocês são bem-vindos aqui o quanto quiserem. Se se sentem seguros aqui, fiquem à vontade. Nada lhes faltará, eu prometo. Porém existem duas coisas que devem ser levadas em consideração…
O chamado foi respeitado — Matsuda encerrou sua raiva, lhe dando ouvidos.
Com a ordem restituída, o CEO da Hypnos continuou:
— Primeira: Strabimon, por mais que seja perigoso, só tem interesse nos jovens e em seus digimons. Eu agora estou responsável para que mantenha a promessa.
Era um fato.
Yamaki tinha um trunfo, e não iria jogá-lo fora com atitudes irresponsáveis.
Dito isso, havia mais coisas a serem ouvidas:
— E segundo: precisamos nos preparar para o pior. Por isso preciso da cooperação de todos vocês. Em cinco anos tivemos paz e prosperidade… mas sempre esperava que um dia como esse chegasse.
O preço pela paz era alto.
E tinha prazo de validade.
O período desde 2001 trouxe crescimento tecnológico no mundo inteiro, mas era certo de que não estaria ligado só ao mundo real essa evolução.
Seja para bom ou para mal, o rito da vida andava em linha reta, e para frente, com eventos paralelos ocorrendo na mesma direção.
O mundo mudou, tudo estava em constante movimento.
E a cidade de Shinjuku, assim como toda a área metropolitana do Japão, era a apoteose do boom tecnológico do mundo no ano de 2006.
Era um caminho sem volta.
— Infelizmente fomos pegos de surpresa… — falava Yamaki, guardando o isqueiro. — Os ataques atualmente são invisíveis e imprevisíveis. Shaggai tem limitações… mas, com o pouco que temos, conseguimos salvar os meninos.
Sr Matsuda, já mais contido, tomou a palavra:
— Então é isso: não há como saber o que virá pela frente. E esse digimon aí… Ele está solto pela cidade. Se o senhor teve essa conversa e o convenceu de não matar nossos filhos, quer dizer que ele pensa antes de agir…
Isso sim foi uma constatação que fez a todos os familiares concordarem.
E Yamaki concluiu:
— Exato… e isso é boa notícia. Se ele fosse mesmo maléfico, estaríamos com um problema muito maior…
Essas eram as boas.
Mas havia também as ruins de verdade, como a Sra Hata realçou:
— Ou em luto.
Ela disse isso com toda a seriedade possível, olhando nos olhos de Yamaki.
Embora tenham sido salvos, o risco de morte nunca esteve tão perto do trio de domadores e de seus digimons.
O CEO da Hypnos tinha noção de que o que fez foi praticamente um milagre.
Talvez a última cartada que tinha.
その間 (enquanto isso)…
ヒプノス病院棟 (Ala Hospitalar da Hypnos)
時間: 10:34 PM
Acamados na ala médica do prédio governamental, Takato e Lee estavam deitados recebendo soro.
E durante essa hidratação no quarto esterilizado, onde era um local simples, bastante limpo e com todo aparato próprio desse tipo de recinto, o jovem Matsuda foi o primeiro a despertar.
Abrindo lentamente seus olhos, o incômodo ao abri-los deixou claro que adormeceu por um longo período, recobrando a consciência aos poucos.
— Ah… Eu… O que… — olhou para os lados, ainda com a visão turva.
Enquanto recobrava os sentidos, ele ouviu uma voz:
— Takato, fico feliz que tenha acordado.
Era Lee, que estava em um leito ao lado dele.
Para recebê-lo também, lá estava Ruki.
Sentada ao lado das camas, ela estava com ataduras no braço e em seu rosto, que mostrava um sorriso, mesmo com pouco brilho.
— Acordou, finalmente!
— Ruki?! — disse Takato, sentado na cama – O que…
— “O que aconteceu? Onde nós estamos”… O velho clichê. Estamos no prédio da Hypnos, e o que aconteceu: nós “perdemos”.
— O quê?! Mas…
Takato logo assimilou o pouco de informação que lhe trouxe a lembrança ruim.
O mesmo ocorreu a Lee, racional:
— Strabimon… Ele nos derrotou sozinho.
— Lee?! Mas isso que você está dizendo…
— Takato, quanto mais você tentar evitar em reconhecer, será pior.
Ruki também tinha esse reconhecimento.
— Exatamente… — ela se levantou. — E isso é um saco…
Divagando enquanto a jovem observava a noite da janela da ala médica, Takato desta vez tentou refletir:
— Uma derrota… mas ainda estamos aqui. Isso… Isso que aconteceu com a gente…
— Você não tem respostas, Takato… — Lee, a exemplo de Matsuda, se sentou na cama — Acho que nenhum de nós tem. Mas como Ruki disse, nós perdemos… isso é um fato.
Nessa dor de derrota, o silêncio tomou a sala, com os domadores expressando um semblante triste e com um olhar distante.
Mas Takato, reagindo após a noção da situação, gritou:
— ONDE ESTÁ O GUILMON?!
Seu brado foi tão alto que os enfermeiros olharam ao mesmo tempo em sua direção.
Ele não parou.
— E o Terriermon e a Renamon… onde eles estão?! Será que… Não, eles não podem ter m…
Bem antes de completar, Ruki impôs sua palavra:
— Fica quieto, ô dramático! Nossos amigos estão bem. O pessoal do Sr Yamaki os levou para a enfermaria de digimons.
— Sr Yamaki?! Hypnos?!
— É, seu ator de araque! — cruzou os braços, cara emburrada. — Vê se não dá chilique. Estamos no prédio da Hypnos… e seguros.
Lee sabia exatamente o que isso significava:
— Provavelmente meu pai está com ele agora. Ele sabia que, cedo ou tarde, isso iria acontecer… Mas eu não esperava que seria desse jeito.
Esse comentário despertou a curiosidade de Ruki.
Ela perguntou logo após.
— O que quer dizer com isso?
— Derrota, Ruki. Nós perdemos para o Strabimon… e meu pai me avisou sobre tudo isso esses anos todos. Eu deveria ter falado isso para vocês também.
Ruki não gostou do que ouviu, mas por outro motivo que só ela entendeu.
Irritada, falou:
— Você não pode mesmo estar com a cabeça no lugar.
— O quê?! Do que está falando, Ruki?
— Esse “jeito” que você tava falando… Reconheça: você não sabe o que é perder. Nem eu ou Takato… Você não sabe de nada! NADA!
— Porque está falando assim comigo? Nós perdemos! O que você quer que eu diga mais?
Takato havia entendido.
Por isso ficou em silêncio enquanto seus amigos estavam discutindo.

O diálogo estava ficando mais cinza, e certas coisas ditas poderiam mudar o panorama… para pior.
Porém, não demorou mais tempo para explicar a Lee.
— Cara, a Ruki tá certa.
— Como é? — perguntou Lee, confuso. — Onde ela está certa, Takato?
— Perder é o de menos… e eu não esperava que você fosse tratar desse assunto assim.
Lágrimas voltaram a ser vistas nos olhos de Lee, não escondeu isso de ninguém.
Matsuda explicou melhor seu ponto de vista.
— O assunto… de ainda estarmos mais vivos. Ou seja, de termos escapado da morte.
Isso sim foi um golpe direto no ímpeto de Lee.
Aliás, de todos eles.
Strabimon atingiu o ponto mais sensível dos três.
Não no orgulho, muito menos no ego.
Era no porquê estarem ali lutando.
Uma ferida na alma — estigma maldito.
Tradução feita por fãs.
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