Hoshizora no Shita – Capítulo 1
Ruka-senpai queria muito saber quem era o autor, mas eu não poderia simplesmente dizer “Consegui de alguém que encontrei em um aplicativo de conversa”. Não queria que ela se preocupasse comigo, temendo que eu estivesse sofrendo um golpe.
— Sei que é repentino, mas você pode fazer as ilustrações da capa e preparar isso?
Ela também não escrevia. Ao invés disso, fazia ilustrações e design de capas. Obviamente, gostava de livros, mas não era do tipo que queria escrevê-los, preferia fazer as ilustrações. Era a pessoa certa na hora certa.
Tinha outros dois membros do terceiro ano que escreviam. Porém, saíram do clube para focarem nas provas.
— Sim, para sexta, pode ser?
Ruka-senpai sorriu para mim e assentiu.
— Sem problema. Muito obrigado por fazer isso enquanto está ocupada estudando.
— Não esquenta. Eu também ficaria triste se perdesse a sala e quero apoiá-lo.
Fiquei comovido pela sua gentileza.
A capa foi encomendada. Eu a pegaria na sexta e a imprimiria no sábado, então, publicaria na segunda. Entretanto, ainda precisaria pedir a sala de impressão emprestada ao Conselho Estudantil. Isso era um pouco deprimente. A Presidente Minekawa estaria lá, e eu realmente não queria vê-la.
Mas era necessário, então me despedi da Ruka-senpai e fui em direção ao escritório deles.
— Com licença.
Bati na porta e entrei na sala. Todos os membros estavam trabalhando em suas próprias mesas. Todos pareciam ocupados, por isso ninguém veio para conversar comigo. Na verdade, eu não estava com pressa, então continuei esperando tranquilamente à porta.
— Entendi. Irei conversar com o Clube de Baseball e…
A Presidente estava trabalhando em uma mesa interna. Não pude evitar de olhar para onde ela estava.
Parecia que estava lidando com os clubes de esporte. Tinha um sorriso refinado no rosto e se parecia um pouco com uma das pinturas ocidentais de santos. Ela era realmente fotogênica.
— Clube de Literatura?
Me notou e olhou na minha direção, suas sobrancelhas fizeram uma carranca. Ela sempre parecia irritada comigo.
Coloquei um sorriso tenso no rosto.
— Precisa de alguma coisa? Estamos bem ocupados no momento — disse enquanto se levantava e caminhava até mim.
— Eu gostaria de usar a sala de impressão no sábado, ela está livre?
— Sim. — Girou sobre os calcanhares e pegou um caderno da estante. — Coloque o nome do seu clube aqui e quando vai usá-la.
Escrevi como me foi dito.
— Mas o que vai imprimir?
— O livro para os novos alunos.
— Você escreveu algo.
— Eu não. — Aproveitando que já estava conversando com ela, decidi perguntar sobre a sala do clube. — Ei, Presidente, se estivermos fazendo alguma atividade, não seremos despejados da sala, né?
— Não posso decidir isso sozinha, mas, caso se mantenha publicando, posso trazer isso de volta para o plano.
— Prometo que vamos continuar.
— Tudo bem. Comentarei sobre isso na reunião de amanhã. Mas ainda tem mais uma condição.
— Condição?
— Me dê um dos livros também.
— Você sabe que nós os entregamos de graça, né?
Sempre os colocamos dentro de caixas em cada um dos andares, ao lado dos quadros de aviso com um “Pode pegar um” escrito na caixa.
— Traga um para mim.
— Por quê?
— Não faz mal se esforçar um pouco, faz? Eu vou estar tentando cancelar algo que já tinha sido decidido, não é mesmo?
Pensei que estava colocando mais um fardo sobre nós ao dizer isso, mas, se seguir essa condição permitirá que defendamos nossa sala, eu poderia responder no mesmo instante.
Quando terminamos, voltou à sua mesa sem nem mesmo um “adeus”, por causa disso, não consegui agradecê-la. Ela sempre foi tão contundente. Eu sabia que ela era uma pessoa prática, mas ainda parecia tão amarga comigo.
— Acho que me odeia mesmo… — murmurei enquanto caminhava pelos corredores. Não pude evitar de lembrar do dia em que a conheci.
Era o primeiro dia de aula. Eu era um autoproclamado bibliófilo e curioso sobre que tipos de livros haviam na escola que entrei, por isso fui até a biblioteca quando a aula terminou. Eu gostava de salas de leitura e bibliotecas, davam uma boa impressão quando estavam cheias de livros. O cheiro de poeira dos livros mais velhos fazia parecer que eu estava coberto por eles, esse era um charme diferente quando comparado ao das livrarias.
Olhei pelas estantes, começando pelo canto.
— Oh!
Encontrei um dos meus favoritos de Ficção Científica e, inconscientemente, estendi a mão para pegá-lo.
Era um livro que tratava sobre viagem no tempo, chamado “A Porta Para O Verão”. Porém, outra mão estendia-se para pegá-lo, então parei.
— Pode pegar.
Recuei a minha mão.
— Tem certeza?
— Sim, já o li… antes.
Quando vi a dona da mão, fiquei sem palavras.
Ela era tão linda que precisei engolir em seco.
Aquela era a Presidente Demônio, Minekawa Yukino.
— Você é Shuu Yagi-kun da turma A, certo?
— Sim. — Consegui responder quando ela falou meu nome.
Como ela sabia? Eu havia acabado de entrar nessa escola…
— Me chamo Minekawa Yukino, da turma B. Prazer em conhecê-lo.
— O… prazer é meu.
— Então, você gosta de livros?
— Sim, e você?
— Também.
— Então está no Clube de Literatura?
— Ainda estou meio perdida. Tem muita coisa que quero fazer…
— Entendo, estou me juntando ao Clube de Literatura, então dê uma passada lá, se quiser.
— Vou pensar nisso…
Ainda não me esqueci daquele sorriso gentil e amigável. Ela não se juntou ao Clube de Literatura no final, e eu acabei não a encontrando mais. Pode-se dizer que aquele dia, no primeiro ano, foi a nossa primeira e última ligação.
Depois, quando nos encontramos novamente na mesma turma durante o segundo ano, ela parecia me tratar de forma dura. Mal conversamos, então eu não sabia o que a fez me odiar assim, do nada. A vida é mesmo cheia de mistérios.
Parte 5
Imprimi cem panfletos.
Embora fossem distribuídos gratuitamente, havia um limite para quantos alunos gostavam de livros, por isso era uma quantia justa. Mas, quando se trabalhava sozinho, a quantia se tornava bem grande.
Era sábado e eu conseguia ouvir os membros dos clubes de esporte do lado de fora. Terminei o trabalho na sala de impressão e levei o material, agora impresso, até a sala do clube e comecei a uni-los.
O trabalho em si era fácil. Eu dobrava cada Folha B4 ao meio, as empilhava, então as grampeava. O simples fato de carregar tudo aquilo até o clube já era exaustivo, pois não dormi o suficiente durante a noite.
Ruka-senpai enviou as ilustrações na sexta de manhã, e eu fiz toda a tipografia depois da escola, terminando só hoje de manhã. O texto estava completo, mas tive que trabalhar até de manhã.
Tirei um cochilo e, em seguida, fui até a sala de impressão, o que demorou até o meio dia. Comi antes da hora o almoço que comprei na loja e comecei a trabalhar a sério.
Eu dobrava o papel em silêncio enquanto música tocava no meu celular.
As impressoras mais modernas liam os dados e transformavam em livros automaticamente, mas minha escola não tinha algo tão caro assim. Por causa disso, tínhamos que fazer à mão…, mas eu era o único membro ativo.
— Preciso fazer isso — disse eu, propositalmente pomposo para me motivar, a exata imagem de um herói trágico.
Valeu a pena ficar acordado até tarde.
E, então:
Bzz bzz.
Meu celular vibrou.
Eina: Olá, como está?
Shuu: Tudo bem.
Eina: O que está fazendo hoje?
Shuu: Encadernando os livros.
Eina: Você tinha clube hoje?
Shuu: Bem, estou sozinho.
Eina: Ninguém está ajudando você?! Isso é terrível!
Shuu: Os alunos do terceiro ano já se retiraram, por isso sou o único ativo.
Eina: Entendo… então você está encadernando sozinho? Quantos?
Shuu: Cem.
Eina: Eita, é bastante. Eu… não posso ajudar, sinto muito.
Shuu: Tudo bem. O simples fato de ter alguém para conversar já torna tudo mais fácil.
Eina: Então, se não for um incômodo, vou ligar.
A ligação veio praticamente no mesmo momento em que terminei de ler a mensagem e rapidamente coloquei no ouvido.
— E aí.
— Valeu.
<…>
— …
— Nós não sabemos nada um do outro. Vamos nos apresentar. Que tipo de livros você gosta, Eina?
— Meio que de tudo, mas Ficção Científica é meu favorito.
Eina fez a pergunta desta vez.
— Lamen, katsudon, coisas do tipo.
— E você, Eina?
choux cream
, dorayaki, anmitsu…>
Achei que fazia sentido uma garota listar coisas doces.
— Não.
De repente, o rosto da Presidente apareceu em minha mente, e um sorriso irônico apareceu rapidamente.
Ela era mesmo bonita, mas estava em outro nível. Eu só poderia admirá-la de longe. Se possível, eu preferia não ter que conversar com ela. É difícil vê-la agir como se me odiasse quando conversamos cara a cara.
— Acho que tem alguém que eu admiro.
— Como? Hmm… Não sei dizer, não sei muito sobre ela.
— Acho que é. Mas e quanto a você? Tem um namorado?
Pensei que provavelmente não, então perguntei:
— Alguém que você gosta?
Parecia que queria evitar a pergunta.
Ela soou solitária, e isso fez com que meu coração doesse. Um amor platônico… complicado.
— Se precisar de algum conselho, eu posso tentar ajudar, sabe?
Continuamos com nossa conversa sinuosa, o tempo parecia voar enquanto eu conversava com Eina, e o sol se pôs antes mesmo de eu perceber. Os livros já estavam encadernados.
Parte 6
Era segunda-feira, os livros estavam em segurança ao lado dos quadros de aviso. Fui direto até a sala do Conselho Estudantil assim que todos foram organizados.
A Presidente estava sentada, trabalhando sozinha.
— Presidente, aqui está, como foi prometido.
— Obrigada. Como eu prometi também, não vamos retirar sua sala.
— Aê! Te devo uma.
— Em troca, pode parecer chato, mas faça suas atividades, pode ser?
— Entendido.
Saí da sala, sentindo-me triunfante.
*
O livreto dos novos estudantes, ainda que estivesse atrasado, causou um leve alvoroço na escola. Nosso Clube de Literatura tinha a tradição de publicar coisas sob o nome verdadeiro, mas “Eina” era, obviamente, um pseudônimo. Além disso, não havia muitas pessoas que escreviam histórias como a de Eina.
Todo mundo estava curioso sobre quem havia escrito aquilo, também parecia que mais pessoas estavam lendo do que o normal. Por exemplo, quando eu estava almoçando na quarta-feira, o craque do Clube de Jornalismo, Keisuke Sakai, apareceu.
Ele estava na mesma turma que eu desde o primeiro ano, e nós dois fizemos muitas coisas juntos, mas ele nunca apareceu no clube antes.
— Quem é Eina? Um novo membro? Um pseudônimo de algum veterano? Ou você mesmo?
Parecia não se incomodar em levantar os óculos que haviam escorregado e me bombardeou com perguntas.
— Não vou te contar.
Além disso, mesmo se quisesse, não poderia. Eu não sabia muito sobre ela também.
— Por favor, somos amigos, não somos? Meu chefe me ameaçou para vir aqui e perguntar quem era! — Estava de joelhos, me implorando. Era um pouco triste, mas se eu não podia, nada poderia ser feito.
— Sinto muito, não posso.
— Você não tem coração.
— Tenho meus próprios motivos, assim como Eina.
— Ahhhhh, vou ser demitidoooooo!
Foi difícil fazer com que Sakai parasse de chorar, mas me senti feliz pela obra ter ficado famosa. Eu queria contar isso para Eina o quanto antes. Fiz Sakai ir embora e enviei uma mensagem para ela.
Shuu: Todos gostaram da sua história!
A resposta veio quando cheguei em casa.
Eina: Sério?!
Normalmente, eu não recebia suas mensagens quando estava na escola. Era provável que ela enviava quando chegava em casa. Talvez a escola que frequentava proibisse celulares.
Shuu: Sério! O Clube de Jornalismo queria uma entrevista. Eles querem saber quem a escreveu! Mas consegui driblá-los.
Eina: Está indo tão bem assim?!
Eu conseguia sentir sua alegria através da tela.
Mas, então, me lembrei de algo importante.
Shuu: Ah, sim, já ia me esquecendo. O que devo fazer com o livro finalizado? Quer que eu te envie?
Eina: Enviar… pode ser um pouco problemático.
Shuu: Acho que você não iria querer dar seu endereço.
Claro que não iria querer. Até porque eu era só uma pessoa qualquer.
Eina: Não, não me importaria… mas minha família pode não gostar de alguém que não conhecem me enviando algo…
Shuu: Entendo.
Eina: Hmm… quem sabe… você poderia… me entregá-lo pessoalmente?
Meu coração saltou assim que vi a mensagem. Eu encontraria Eina.
Eina: Ah! Me desculpe! Não perguntei onde você mora.
Ela enviou outra mensagem enquanto eu ainda não conseguia decidir o que responder.
Eina: Moro em Chiba, então eu acho que perto de Kanto pode dar certo.
— O quê?!
Não pude deixar de gritar com surpresa. Eina também morava em Chiba?! Coincidências como essa realmente existiam? Por alguma razão, meu coração estava acelerado.
Eina: Shuu-san, onde você mora?
Shuu: Em Chiba também, na Cidade C.
Acabou com uma série de mensagens de Eina, por isso me apressei em responder onde eu morava.
Eina: Então, o que acha de nos encontrarmos na Estação C?
Shuu: Pode ser.
Eina: Tudo bem, obrigada. Até sábado então!
Parte 7
A estação estava cheia de pessoas, possivelmente porque era sábado. O local estava limpo e arrumado desde que foi reformado há dois anos, e era perfeito para encontrar pessoas.
Cheguei no local de compra dos bilhetes dez minutos antes do horário que combinamos.
Shuu: Cheguei um pouco mais cedo. Estou na frente do pilar, usando um casaco preto e jeans, sou um adolescente.
Eina: Eu também. Pilar…? Hmm, onde?
Shuu: Em frente aos portões. Á direita de quem sai.
Eina: Direita… Pode levantar a mão?
Levantei a mão como ela pediu.
Shuu: Ergui.
Eina: Hã, onde?
Shuu: O que você está usando?
Eina: Uma camisa de malha leve, corsário e sandálias. Meu cabelo está solto e também sou adolescente.
Olhei ao redor. Vi muitas adolescentes, mas nenhuma parecia estar procurando alguém.
Shuu: Que estranho. Não é a estação privada, certo?
Eina: Não.
Shuu: Quer saber, vá até a máquina de bilhetes, vou para lá também.
Eina: Tudo bem, estou aqui.
Não vi ninguém lá.
Eina: É difícil achar alguém quando está sendo reformado.
Franzi a testa.
Shuu: Reformado? Mas já terminaram, não?
Eina: Hein? Disseram que vai levar mais uns três anos, não é?
Shuu: …
Eina: …
Provavelmente estava brincando comigo, ou era outro lugar com o mesmo nome. No entanto, existia apenas uma Estação C em Chiba. Então, me lembrei da data no arquivo dela, 09/xx/2013. Era 2018 agora, exatamente cinco anos de diferença.
As reformas terminaram dois anos atrás, então a data batia com Eina dizendo que levaria “mais três anos”.
Shuu: Pode me enviar uma foto da frente da estação?
Eina: Aham.
Meu celular tocou quando a foto chegou. Estava coberta por barreiras de construção, no meio delas, a estação estava sendo reformada.
Estou sendo enganado.
Era fácil falsificar esse tipo de coisa. Por exemplo, se usar as mensagens iniciais como “uma garota que vive em 2013”, seria simples seguir a partir disso. Porém, por alguma razão, eu não conseguia duvidar dela. Será que ela realmente mentiria assim?
Então…
Shuu: Eina, em que ano estamos?
Eina: Hein? Por quê?
Ela respondeu à pergunta óbvia.
Shuu: Explicarei depois, só me responda.
Eina: 2013…
Li 2013 várias vezes. Não havia engano. Podia ser uma mentira, mas eu queria acreditar nela, por isso falei com honestidade.
Shuu: Não fique surpresa, mas, para mim, é 2018.
Não teve resposta por um tempo.
Eina: Eu… não consigo acreditar.
Shuu: Nem eu.
Parte 8
Fui até uma praça próxima, sentei-me em um banco e liguei para Eina. Estava ficando estressante conversar por mensagem.
Ela atendeu na mesma hora.
— Sou eu, Shuu. Você está mesmo em 2013? Não está me engando, está? — perguntei logo de cara.
Ela parecia aborrecida. Eu conseguia imaginar uma menina do ensino médio fazendo beiço para mim.
— Talvez você precisasse fazer alguma pegadinha comigo por causa de alguma punição em um jogo.
Fazia sentido.
— Mas é possível conversar com alguém que está cinco anos no passado?
Peguei o livro da minha mochila e fiquei olhando para ele. Eu não conseguiria entregá-lo então. Que pena… Talvez eu pudesse transformar em PDF e enviar? Pode não ser como ter a versão física, mas seria melhor do que nada.
Conforme esses pensamentos passavam pela minha mente, percebi algo.
— Não, nós podemos nos encontrar.
— Posso te encontrar cinco anos depois. Claro, você vai ter que esperar por isso, foi mal.
Não era como se fossem cem ou duzentos anos, apenas cinco. Claro, em cinco anos, um adolescente como eu já seria um adulto, então ainda era bastante tempo, mas não tanto para que precisássemos desistir de nosso encontro. Ou era isso o que deveria acontecer, entretanto, Eina, por alguma razão, permaneceu em silencio.
— Eina?
Depois de um tempo, ela falou baixinho.
— Hein, claro que não…
Ela parecia ter ficado triste. Entrei em pânico com a mudança de sua atitude alegre.
— Você não fez nada de errado, me desculpe por sugerir isso.
Meu coração acelerou quando ela disse aquilo.
Sua voz ficou mais baixa, ela sussurrou:
Parecia que eu fui apunhalado por suas palavras silenciosas.
Eina… morta?
— Você está… doente?
Ela disse hipoteticamente.
Não estava errada, a vida de qualquer pessoa podia mudar drasticamente da noite para o dia. Mas a maioria das pessoas vivia com uma vaga sensação de que ainda estaria aqui no dia seguinte, e no dia depois desse… e até mesmo depois de cinco ou dez anos.
As pessoas conseguiam viver uma vida normal porque não duvidavam disso. Mas Eina disse que poderia morrer.
Por quê?
O que a fez dizer uma coisa dessas…?
Não perguntei qual era sua situação, ou por que era tão pessimista. Ela até pensava em suicídio na primeira vez que conversamos. Provavelmente tinha alguma relação, mas eu não poderia perguntar, ainda havia uma distância muito grande entre nós. Eu não sabia se poderia fazer uma pergunta dessas para alguém que nunca vi antes.
— Tudo bem, vamos continuar conversando então, Eina.
Falei com o máximo de euforia que podia e, possivelmente por causa disso, a voz dela ficou energética mais uma vez.
Suspirei.
Parte 9
Enquanto estava em meu quarto naquela noite, já deitado, Eina me mandou uma mensagem.
Eina: Posso ligar para você agora? Shuu: Claro.
Logo recebi a ligação.
Alô.
<Alô, Shuu-san? Sou eu, Eina. Me desculpe por ligar tão tarde.> Não disse isso apena por educação, era o seu jeito mesmo.
Não se preocupe, amanhã é feriado. Então, o que foi?
<Eu estava pensando. Acho que devemos ter mais regras, já que estou cinco anos no passado.>
Regras? — Franzi a testa.
<Sim, regras para evitar a influência do passado. Acho que a me- lhor coisa a se fazer é evitar mudar o passado o máximo possível. Isso parece bastante com uma Ficção Científica, certo?>
Verdade. Então, conversar comigo assim não contaria?
<Por isso que eu falei o máximo possível. Um pequeno impacto não deve ter problema, mas algo grande pode fazer o universo todo ex- plodir.>
Eu já tinha ouvido esse tipo de coisa antes.
<Primeiro, de forma alguma me fale muito sobre o futuro.> Bem, isso era o básico.
Hmm? Espere um pouco.
Se eu disser quais empresas fizeram sucesso, você pode ficar ri- ca, não pode? Daí você pode dividir comigo depois…
<Shuu-san! Essa é a pior coisa que você poderia ter dito!>
Estou brincando.
<Humph!>
Ri, mas parecia que ela estava fazendo beiço do outro lado do tele-
fone.
Me desculpe.
<Não tem graça. Precisamos tomar cuidado com coisas relaciona- das a dinheiro. Eu gostaria que você não me dissesse que produtos estarão na moda daqui cinco anos.>
Entendido.
<Além disso… é melhor não falarmos muito sobre mim.>
Por quê?
<Se você souber de coisas relacionadas a mim, pode mudar a futu- ra eu de alguma forma, não é?>
Verdade. Vou evitar ao máximo fazer perguntas.
<Agora que penso sobre isso, parece que só eu estou falando para você ter cuidado, sinto muito.>
Não tem como evitar, sou eu quem está no futuro.
<Eu posso te falar sobre o passado, então, se tiver algo que queira saber, só perguntar.>
Tipo o quê?
<Hmm, tipo, como Chiba era cinco anos atrás?>
Duvido que mudou tanto em cinco anos.
<Pois é.>
Ela parecia um pouco desanimada.
Não se preocupe. Estou no futuro, então você não pode mudar
isso.
<Você é gentil, obriga…>
Beeeep.
De repente, a ligação caiu.
Eina? — liguei de volta, mas ninguém atendeu. Depois de dez
minutos, ela me ligou.
<Me desculpe, Shuu-san.>
Tudo bem, o que aconteceu?
<Meu telefone não parece estar funcionando direito…>
Ela disse de forma estranha, se não houvesse um problema com o sinal, devia ser o telefone, mas Eina não parecia querer falar sobre isso, por isso fechei a boca.
<Acho que por hoje era isso então.>
Tudo bem, boa noite.
A ligação caiu abruptamente de novo. O que aconteceu?
Enquanto pensava sobre isso, percebi algo. Eu não queria saber sobre o passado, ele não importava. Só queria saber mais sobre Eina.
Tradução feita por fãs.
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