Hai to Gensou no Grimgar – AP 1: Capítulo 20 – Volume 14+
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – Apêndice 01:
[Capítulo 20: Misericórdia]
O homem não tinha nome.
Porque ele estava sozinho. Não tinha necessidade de um nome.
O sol já havia nascido há muito.
O homem colocou sua máscara de anonimato aos seus pés enquanto estava sentado diante de uma fogueira.
Ele havia despistado seus perseguidores e cruzado uma montanha, então deveria estar seguro agora. Ainda assim, não baixou a guarda. Esse era o costume de um homem solitário.
— …É um costume, no entanto? — murmurou.
O homem inclinou a cabeça para o lado. Tinha a sensação de que isso estava errado de alguma forma, mas tanto faz. Ele não se preocupava com os detalhes. Esse era o costume de um homem maduro com toneladas de compostura.
A carne e os órgãos do dadehho que ele havia abatido estavam cozinhando no fogo, e o cheiro fragrante estava aguçando seu apetite.
— Está quase pronto — disse a si mesmo. — Não… um pouco mais, huh.
Ele nunca se cansava desse momento.
No entanto, ele nunca podia relaxar. Era em momentos como esse que as coisas eram mais propensas a dar errado.
— Honestamente, que saco — murmurou irritado.
Mesmo assim, os lábios do homem estavam sorrindo. Afinal, em todas as coisas, a compostura era vital.
O homem colocou a máscara e segurou sua katana. Não precisou procurar muito.
Nos arbustos, a sete, talvez oito metros do homem mascarado, algo, ou melhor, alguma criatura humanoide, estava olhando para ele.
Estava agachado, mas mais que isso, era pequeno. Provavelmente não era um orc. Um gumow, hein? Provavelmente uma criança, também.
— Saia daí! — chamou o homem mascarado.
Mas não houve resposta. Estava tremendo. Estava com medo? Mesmo uma criança gumow devia entender o verdadeiro poder do homem mascarado e a ameaça que ele representava.
Não, talvez não.
O homem mascarado colocou a katana no chão e levantou as mãos.
— Olha. Não vou te matar. Tá? Agora saia daí, ou suma, você escolhe. Decida rápido. Se a carne queimar, até um cara tranquilo como eu vai perder a paciência. Sério.
Logo a criança gumow rastejou para fora dos arbustos. Não se aproximou do homem mascarado. Ficou a cerca de três metros do fogo, encolhida na incerteza.
Bem, tanto faz. Não é problema meu.
Enquanto isso acontecia, o dadehho agora estava pronto para comer. O homem mascarado ajustou sua máscara, cravando os dentes na carne gordurosa da coxa.
— Oh, hoh…
A delícia ressoou em sua cabeça, e era estonteante.
— Não é fácil pegar aves selvagens e cervos por aqui. Talvez os orcs tenham caçado todos até a extinção. Esses caras não conhecem o significado da palavra moderação… Mas, nossa, isso está bom. Sério.
A criança gumow estava encarando o homem.
A julgar pela sua altura, não tinha nem dez anos. Vestia roupas esfarrapadas e sujas feitas de material áspero. Estava descalça, também. Sua pele era mais próxima de roxo do que verde, mas era difícil descrever a cor em palavras. Estava emaciada, seus membros pouco mais que gravetos.
A criança gumow segurava o estômago de maneira lamentável. Estava segurando o estômago todo esse tempo. Não era o homem mascarado que ela estava olhando agora, parecia ser a coxa do dadehho.
— Vou te dizer agora — rosnou o homem mascarado. — Você não vai pegar nada.
O homem mascarado terminou o resto da coxa e jogou fora o graveto que estava usando como espeto.
A criança olhou faminta para o graveto que estava úmido de gordura.
— …O quê? Tá bom, tá.
O homem mascarado deu uma asa para a criança gumow. Afinal, ele era um homem cheio de amor, então fazia coisas assim de vez em quando.
— Espera… — disse o homem mascarado, alarmado.
O rosto enrugado da criança gumow que estava devorando a asa que ele deu não mostrava sinais de inteligência. Era um animal. Um feio, também.
Se alguém se acostumasse a ver orcs, poderia começar a pensar que orcs pareciam durões e legais, mas esses caras que carregavam seu sangue eram magricelas. Suas maçãs do rosto se destacavam de maneira estranha, suas testas eram inclinadas, e seus queixos eram minúsculos.
— Cara, vocês são feios… — Com um sorriso irônico, o homem mascarado voltou a comer.
Havia outra coxa. Depois havia o peito, outra asa, o pescoço e os órgãos.
A criança gumow terminou rapidamente a asa, lambendo o graveto e voltando um par de olhos apaixonados para o homem mascarado.
— Seu idiota. Isso é tudo que você vai ganhar. Eu também estou morrendo de fome aqui, e essa é a primeira comida decente que consegui em muito tempo.
Ele não achava que a criança gumow entendia suas palavras, mas ela abaixou os ombros.
O homem mascarado mordeu uma coxa, então estalou a língua.
— Tá, primeiro, criança ou não, você tem que ser capaz de fazer algo por si mesmo. Se não puder, apenas espere silenciosamente ser abraçado por Skullhell. É assim que o mundo funciona. Essa é a última vez, ok? Sério, acabou, entendeu? Qual…?
Após uma consideração cuidadosa, ele escolheu a moela. Isso era amor. Sim, amor.
— Toma. Come.
Quando pegou a moela do homem mascarado, a criança gumow soltou um grito de alegria que beirava um berro.
— Se ao menos as vozes de vocês fossem um pouco mais bonitinhas. Aí talvez até vocês tivessem uma chance…
A criança gumow, claro, mal estava ouvindo. Ela devorou a asa rapidamente, mas a moela ela mordiscava com cuidado, pouco a pouco.
— Heh… — O homem mascarado riu. — Agora, o resto é meu…
Ele queria se concentrar em comer, mas, embora gostasse do dadehho, nunca se perdia de verdade nisso. Sempre alerta e pronto para reagir, observando tudo ao seu redor e mantendo as orelhas em pé, isso era uma segunda natureza para ele.
Olhando para a criança gumow que mordiscava como um rato, usando os dentes da frente, uma moela que agora era apenas do tamanho da ponta de seu dedo mindinho, ele notou seus pulsos, tornozelos e pescoço. A criança devia estar amarrada. O homem mascarado notou as marcas deixadas por essas amarras.
— De onde você veio? — ele perguntou.
A criança gumow olhou para o homem mascarado por um momento, mas foi só isso. Não houve resposta. Não havia como ela responder, né.
— Acho que você não me entende, né. Você é um servo… Não, um escravo? Aposto que seu gentil mestre não decidiu te libertar. Tenho certeza que você fugiu… o que significa que eles virão atrás de você, não é?
O homem mascarado pegou sua katana e se levantou.
A criança gumow se encolheu.
Cães.
Havia cães latindo.
Latido, latido, latido, latido!
O homem mascarado olhou para sua fogueira. Em vez de apagá-la, era melhor sair daqui.
Quando agarrou o braço da criança gumow e puxou, ela se levantou obedientemente.
— Vamos — o homem mascarado disse bruscamente.
Ainda restava o espeto crocante do pescoço do dadehho. Ele o tirou do graveto, deu para a criança gumow, e eles partiram.
A criança gumow seguiu o homem mascarado, com a carne do pescoço na boca. Devia estar desesperada. Não era rápida, mas também não era tão lenta. Talvez estivesse desnutrida e subdesenvolvida por causa disso, e não fosse realmente tão jovem quanto parecia.
O latido dos cães os perseguia. Ele queria despistá-los, mas eles estavam se aproximando.
— Parece que não vamos ganhar uma corrida com esses filhotes…! — O homem mascarado parou de repente e empurrou a criança gumow para longe. Ele imediatamente sacou sua katana.
Um cão saltou de entre uma brecha nas árvores. Seu pelo emaranhado era preto, misturado com manchas cinzas e marrons. Era a raça que os orcs frequentemente mantinham como cães de caça—um cão orc, por assim dizer.
O cão orc não atacou. Apenas latiu como louco. Estava dizendo ao seu mestre onde estava sua presa.
— Habilidade Pessoal, Relâmpago…
O homem mascarado pulou primeiro para a direita, depois para frente. E finalmente, para a esquerda.
Movendo-se em alta velocidade, com um lampejo de sua espada, ele decapitou o cão orc.
— Ataque Rápido! …Caramba. Sou muito legal.
Enquanto ele cantava seus próprios louvores, uma flecha voou. Não apenas uma, no entanto. Duas. Não, três.
— Habilidade Pessoal, Eclipse!
O homem mascarado deslizou diretamente para o lado, balançando sua katana, e derrubou duas das flechas.
Ele só perdeu uma. Ou melhor, aquela já estava fora do alvo para começar.
— Gauh!
Havia uma voz atrás dele.
A criança gumow estava dobrada ao meio.
A flecha. Ela a acertou.
Que azar, foi tudo o que o homem mascarado pôde dizer.
O peito. A flecha havia atingido a criança gumow no peito.
O homem mascarado estava prestes a correr até a criança gumow—
Não, não posso. Eles estão vindo.
De novo! Mais três flechas!
— Habilidade Pessoal… Cavala Curada?!
Era um nome que ele inventou na hora. A espada do homem por acaso desenhou um 〆, o primeiro caractere de “shime saba”, cavala curada.
Ele derrubou brilhantemente todas as três flechas, então olhou na direção de onde elas vieram.
Orcs. Com cabelos azuis. Três deles, com arcos prontos.
— Comeisme! — Na língua usada pelos mortos-vivos, o homem mascarado desafiou os orcs a virem atrás dele.
A linguagem dos orcs ainda era incompreensível para ele, mas a língua dos mortos-vivos ele tinha pelo menos algum domínio limitado. Mais do que um pequeno número de orcs falava a língua dos mortos-vivos.
Os orcs estavam preparando flechas. O homem mascarado avançou na velocidade máxima.
— Habilidade Pessoal, Céu Piscante! — O homem mascarado aparecia e desaparecia, desaparecia e reaparecia.
Obviamente, ele não estava realmente desaparecendo ou aparecendo de repente do nada. Ele se movia deliberadamente na direção oposta à que enfrentava e fazia movimentos duplos deliberadamente não naturais para parecer assim, além de usar as árvores. Isso criava a ilusão de que ele estava aparecendo e desaparecendo, tornando isso uma habilidade genuína.
— Dansuda, nnbode?! — Os orcs estavam agitados e não dispararam suas flechas.
— Habilidade Pessoal…
O homem mascarado se aproximou dos orcs.
— …Campo da Morte!
Ele cortou o braço do primeiro orc, então imediatamente pegou a espada do orc com a mão esquerda. Os orcs sempre carregavam uma arma secundária, uma espada curta e curva.
Ele cortou o segundo orc em pedaços com sua katana e a espada curta do primeiro orc. Então, sem perder o ritmo, ele jogou a espada curta no terceiro orc.
A espada curta se enterrou na testa do terceiro com uma estocada!
Agora, para terminar, havia apenas o primeiro orc, meio lúcido, que estava sem um braço. Se o orc estava apenas parado lá, atordoado, não representava mais ameaça para ele do que qualquer uma das árvores.
O homem mascarado relaxou os ombros, então decapitou o orc gentilmente.
— Hmph. Vocês não são muito habilidosos. Só um bando de capangas contratados pelos fazendeiros, huh…?
O homem mascarado balançou sua katana para limpar o sangue dela antes de embainhá-la, então rapidamente revistou os pertences dos orcs.
Nove das moedas de cobre usadas como moeda entre os orcs e mortos-vivos. Fora isso, nada além de tranqueiras.
Quando voltou para a criança gumow, ela estava tentando puxar a flecha do peito.
— Seu idi—Para com isso!
Ele tentou impedi-la, mas era tarde demais. A criança gumow puxou a flecha, e a ferida começou a jorrar sangue.
— Ai! Oah?! — A criança gumow não estava reagindo tanto à dor, mas sim ao pânico intenso.
— Calma! — O homem mascarado rasgou uma tira do manto esfarrapado que usava.
Seria melhor se ele tivesse um pano limpo, mas isso teria que servir.
Ele pressionou a tira do manto contra a ferida da criança gumow. Ela ficou vermelho-escura enquanto ele observava.
— Segura isso aí. Entendeu? Segura aqui. Ok?
Vendo a criança gumow assentir, o homem mascarado pegou uma bolsa de couro que estava pendurada em seu ombro. A bolsa continha várias ervas medicinais. Ele triturou uma com as mãos, e um cheiro refrescante, mas ligeiramente amargo, se espalhou.
— Isso é remédio. Re-mé-dio. Medosun.
— …Saraza?
— Não sei, mas, sim, provavelmente isso. Vai estancar o sangramento. Parar, sangue. Tá bom? Vou colocar.
O homem mascarado aplicou sem piedade a erva triturada na ferida aberta da criança gumow.
A criança gumow gemeu e se contorceu, mas de alguma forma conseguiu suportar.
— Dói, né? — disse o homem mascarado. — Bem, aguenta. Suporta dor.
— …Aye.
A criança gumow devia estar acostumada a suportar dor. Talvez não fosse verdade para todos eles, mas se você nascesse e crescesse como gumow, não tinha outra escolha.
O homem rasgou mais tiras de seu manto. Ele cobriu a ferida na qual havia esfregado o remédio com uma tira e depois envolveu outra tira por cima. Ele deu um nó para garantir que não se desfizesse.
— Ok. Parece mais ou menos bom. Mas não podemos ficar aqui para sempre. Provavelmente tem mais deles vindo… Droga. Acho que não tenho escolha.
O homem mascarado moveu sua katana e bolsa das costas para a frente e se ajoelhou na frente da criança gumow.
— Ei, sobe. Costas, eu.
A criança gumow estava claramente hesitante.
— Anda logo. Ei, rapidap!
Quando ele a encorajou alto algumas vezes, a criança gumow finalmente subiu nas costas do homem mascarado.
— Por que estou fazendo isso…? — murmurou o homem mascarado.
Mesmo assim, ele continuou correndo.
A criança gumow devia estar com muita dor, mas se agarrava firmemente às costas do homem mascarado. Não era pesada. Se é que era alguma coisa, era leve.
Ok, isso era mentira. Sim, era pesada.
— O que estou fazendo…? — O homem mascarado sentiu uma risada brotando.
Ele queria gritar alto.
“O que estou fazendo aqui?! Sério, sério, sério!”
Ele não gritaria, claro. O homem mascarado não era tolo.
— Estou sendo fiel ao meu próprio coração?
Ele pensou muito sobre isso.
Logo, ele encontrou sua resposta. Então o homem mascarado assentiu.
— Bem, então, sem problemas.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui
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