Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 18 – Volume 14
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – Capítulo 18:
[Às Vezes Você Tem que Ser Cruel]
(O_Cruel)
A questão era como se aproximar do rei.
Não só eles não tinham uma visão completa do poder do rei, sua magia, como também ela estava envolta em mistério.
Seria Narci, Doppel ou Philia? Parecia improvável que fosse Ressonância, mas o tipo ainda era desconhecido.
Por enquanto, o que sabiam era que aqueles esmagados pelo rei se tornavam sombras. Segundo Io, seu camarada, o guerreiro Katazu, havia sido transformado em sombra na primeira vez que encontraram o rei.
Katazu era mais alto que Kuzaku, com uma constituição mais robusta, mas o rei o esmagou como se estivesse pisando em um inseto. Se isso fosse verdade, você presumiria que o rei precisaria ter o dobro do tamanho de Katazu, cerca de quatro metros de altura.
Mas Alice e Ahiru disseram que o rei era grande, mas não desumanamente grande, e ainda assim, apesar disso, quando o rei pisava em alguém, parecia que ele não tinha apenas quatro metros, mas dez. Isso definitivamente tinha que ser o efeito da magia.
Além de transformar pessoas em sombras, o rei podia matar monstros dos sonhos facilmente. Quando fazia isso, ele os socava, chutava, agarrava e torcia, rasgava e despedaçava. Não havia dúvida de que seu poder era imenso.
Isso significava que, como Kuzaku, e aparentemente o cavaleiro das trevas do Esquadrão Io-sama, Gomi, ele usava o autofortalecimento Narci? Não, isso não explicaria seu poder de transformar pessoas em sombras ao pisá-las.
Não havia sinal de nada que o rei mantivesse consigo o tempo todo. Nesse caso, também não era Philia. Então seria Doppel?
Haruhiro e o grupo passaram pela Torre de Ferro do Céu, dirigindo-se para a Floresta Escarlate.
Embora as sombras pudessem sair do castelo para seguir os vassalos do rei, elas não vagavam fora dele. Ahiru, assim como Io e seus lacaios, já haviam se livrado de suas sombras. Não precisavam se preocupar com vigilância de sombras até entrarem no castelo, então todos se moviam juntos como um grupo. Havia usuários de magia poderosos reunidos, então os monstros dos sonhos nem chegavam perto.
Haruhiro refletiu. — Se estamos falando de Doppel, tem o Suzuki-san, e…
— A minha é esta. — Mary levantou seu cajado para que olhassem.
— Eu só vi você bater em monstros até a morte com isso, no entanto — disse Setora.
Havia uma frieza na atitude que Setora, que estava montada junto com Enba nas costas de Kiichi, tinha em relação a Mary. Elas nunca foram amigáveis para começar, mas aparentemente estiveram juntas durante todo o tempo que passaram em Parano, então parecia que deveriam ter se aproximado um pouco. Será que algo aconteceu para afastá-las ainda mais?
Mary, no entanto, ocasionalmente sorria para Setora, então era difícil dizer.
— Porque você, Kiichi e Enba me protegeram — disse ela, sorrindo.
— Não posso deixar você depender de Enba mais — disse Setora.
— Tudo bem. Todos estão aqui agora. — Mary de repente se virou para Haruhiro e disse, — Certo? — com um sorriso.
— Uh… Claro, bem, eu… suponho que sim. Sim… — Haruhiro ficou desconcertado.
Ele queria dar um soco leve em Kuzaku, que estava rindo ao seu lado. Não faria isso, no entanto.
Não, mas realmente havia algo com Mary, não é? Às vezes ela agia como uma completa estranha, depois de repente agia assim. Havia algo errado nisso.
— A propósito, Bossari. — Io, que estava um pouco afastada do resto deles com Gomi e Tonbe, jogou o cabelo para trás da orelha.
“Bossari” aparentemente era Kuzaku. Antes de ficar musculoso, Kuzaku pode ter parecido um pouco desleixado. Ainda assim, Bossari…?
— Por que você não está ao meu lado, sua mestra, mas sim com esse Usuraboke de olhos sonolentos? — exigiu Io. Essa era uma palavra que significava idiota.
— …Não, antes disso, você poderia não chamar meu líder de idiota? — disse Kuzaku.
— Ele parece um Usuraboke para mim, então vou chamá-lo de Usuraboke. Claramente não há problema com isso!
— Em vez de perguntar “Você tem algum problema com isso?’’ você já vai direto pra “Não há problema com isso’’? Sério, que personalidade é essa…
— Eeeei, Bossari! Você tá respondendo a Io-sama! Isso é imperdoável! Imperdoável! — gritou Tonbe.
— Ele tá certo! Quer morrer, Bossari?! — berrou Gomi.
Tonbe e Gomi não estavam apenas gritando, pareciam prontos para entrar em ação a qualquer momento. Que dor de cabeça.
— É possível a gente não brigar? — perguntou Haruhiro, cansado. — Quer dizer, temos problemas maiores…
— Cai fora! — gritou Tonbe. — Não sei se você é Harumaki ou Hello Miki ou seja lá o que for, mas estamos prontos pra te derrubar junto com ele! Entendeu?
— Não mexa com o Esquadrão Io-sama! — acrescentou Gomi.
— Não, escutem, vocês podem me chamar de Harumaki, ou o que quiserem, mas—
— Não, eles não podem, Haruhiro! Você é Haruhiro, tá?! — disse Kuzaku.
— …Kuzaku, não se exalte também — suspirou Haruhiro. — Você só vai dificultar as coisas.
— Ah! Não foi minha intenção! Ficar no seu caminho é a última coisa que quero fazer. — Kuzaku parecia constrangido.
— Isso é tão estúpido que quase quero jogar mais lenha na fogueira — disse Alice, rindo.
As coisas já estavam quentes o suficiente sem mais lenha, então Haruhiro realmente esperava que Alice não fizesse isso.
Ele olhou para Ahiru e Setora, que continuavam caminhando em silêncio, como se não fosse da conta deles, e pensou que eles tinham a atitude certa.
Sim, essa reação fazia total sentido para aqueles dois, mas e a Mary? Ela estava caminhando ao lado de Kiichi, que carregava Setora e Enba nas costas, sem olhar para esse lado de jeito nenhum. Ela estava sendo meio fria.
Além disso, o que era essa sensação de algo errado? Algo estava estranho, mas o que era?
Bem, de qualquer forma, deixando isso de lado…
— …Certo — disse Haruhiro. — Qual era a sua magia, Io… -san?
— Você não consegue perceber?
— Não… Acho que não. Não estaria perguntando se pudesse…
— Essa beleza — disse ela. — Não é óbvio?
— Ahh, sim, não entendi…
— Seus olhos não são só sonolentos, são podres também, né?
— Não, uh, entendi que você diz que é, uh, bonita? Io… san.
— Errado. A mais bonita de toda a história da humanidade. Corrija-se.
— Você é a mais bonita de toda a história da humanidade, claro… — disse Haruhiro em um tom completamente monótono. — Mas isso é magia?
— É possível que Narci tenha mudado a aparência dela, não é? — ofereceu Alice, em uma rara demonstração de gentileza. — Kuzaku, ou era Bossari-kun? Ele mudou visivelmente por causa disso. A outra possibilidade seria Doppel, eu diria. Para simplificar, Doppel permite que você traga uma cópia de si mesmo.
— Como o Suzuki-san, né? — perguntou Haruhiro.
— Sim. O Doppel dele é um pássaro parecido com um periquito. Ele tem medo de pessoas e não consegue falar com elas cara a cara. Então, o corpo principal dele tá sempre escondido em algum lugar.
— Então… o corpo principal da Io… -san é— — Haruhiro olhou ao redor.
Essa área era um pântano raso com cogumelos ou plantas, ele não conseguia distinguir, em forma de colheres prateadas crescendo na água suja e roxa clara.
Havia Ahiru, havia Setora e Enba em cima de Kiichi, havia Mary, havia Io, Tonbe e Gomi, havia Haruhiro, havia Kuzaku e, finalmente, havia Alice. Nenhum sinal de mais ninguém.
— Não… vejo ninguém.
— Não existe nenhum ser por aí tão único quanto eu, sabe? — Io bufou com raiva, virando a cabeça para o lado.
Tonbe e Gomi concordaram ruidosamente com ela.
— A magia daquela garota — disse Alice, apontando para Setora com a pá. — É interessante. Me fez pensar. Talvez o corpo principal não precise estar fora do Doppel. Pode estar dentro. Como uma fantasia de corpo inteiro.
— I-Isso é estúpido! — O passo de Io de repente acelerou.
Enquanto Io caminhava com grandes passadas, chutando a água roxa, Tonbe e Gomi a seguiram gritando, “Io-sama! Io-sama!”
— Ah! Agora que penso nisso— — começou Kuzaku.
Ele passou a explicar as coisas que, por algum motivo, Tonbe tinha falado em detalhes durante seu primeiro encontro com Io. Ele mencionou que ela era pequena, ou realmente, realmente pequena, ou algo assim.
— Io-san não é tão baixa, então eu fiquei tipo “Ué?” por um momento. Mas Tonbe-san, ele só continuava falando, então deixei pra lá.
Haruhiro refletiu sobre isso. — Nesse caso, talvez a magia do rei também seja Doppel, e a pessoa real tá dentro dele?
— Não podemos descartar isso — disse Alice, e então trouxe à tona outra coisa sobre o rei que aparentemente a incomodava. — Aquele canalha, ele parece um cara bem velho, sabe.
— Sim — disse Kuzaku. — Só o vi uma vez, mas ele usava roupas bem estilosas, como se fosse meio que um cara mau.
— Ainda assim, ele se chama de rei, e pode fazer o que quiser — disse Alice. — Para um cara assim, normalmente você construiria um harém ou dois, né?
— Sim — disse Kuzaku. — Você faria. Uh, não eu, sabe? Não, acho que talvez eu fizesse. Se eu me tornasse um rei, entãããão taaalveezzz. Eu poderia perder o controle de mim mesmo.
— Mano, você é muito honesto, Kuzaku…
— Qual seria o sentido de mentir pra você, Haruhiro? Quero ser o mais honesto possível na sua frente, Haruhiro.
— Por favor, não use meu nome tanto…
— Hã, por quê, Haruhiro? Você é Haruhiro, não é?
— É meio constrangedor…
— Você é popular, hein — provocou Alice. Não, mais como zombou dele. — Enfim, parece que aquele canalha não tá interessado em mulheres desse jeito. Ele pode matá-las, mas não as violenta. Se isso é um Doppel, a pessoa dentro pode parecer completamente diferente.
Haruhiro assentiu. — Como uma mulher… ou um velho, ou talvez o oposto, uma criança?
— Uma criança, é? — sussurrou Alice, depois ficou quieta. Talvez pensando, Isso também é possível.
Se presumissem que o rei era uma criança que sobreviveu em Parano, havia alguns pontos difíceis de entender. O rei estava defendendo a porta para o céu. Se ele fosse velho e não tivesse muito tempo de vida, seria uma coisa, mas uma criança com toda a vida pela frente faria algo assim? Você pensaria que ele abriria a porta e tentaria voltar.
E se fosse um velho, então? Imagine que Haruhiro tivesse setenta, oitenta anos, vagasse por Parano e, por acaso, ganhasse uma magia poderosa e se tornasse rei. Ele ainda gostaria de voltar, não importa o quê? Se ficasse em Parano, ele poderia continuar sendo rei para sempre, afinal.
Grimgar tinha suas próprias regras, e Darunggar também tinha suas próprias regras. O mesmo valia para Parano.
Parano podia parecer estranho para Haruhiro porque ele veio de Grimgar, mas neste mundo, todos podiam usar magia.
Mas e se as regras de Parano não se aplicassem nos outros mundos? Se o céu fosse outro mundo, o rei poderia perder a magia que o tornou rei.
O rei era presumivelmente um velho ou uma criança. Ele não queria deixar Parano porque poderia perder o incrível poder que tinha como rei. Se ficasse em Parano, ele poderia continuar seu reinado.
Eles estavam se aproximando das Ruínas Nº 7.
Haruhiro podia ver que estavam se aproximando daquele favo de mel distorcido, aquele poço cheio de buracos à distância que só podia ser descrito como desagradável.
Toupeira Arco-Íris, que havia cavado buracos por todas as Ruínas Nº 7 e agora chamava aquilo de lar, basicamente nunca aparecia na frente das pessoas, mas podia ser considerado parte da velha guarda entre os vassalos do rei. Isso exigiria alguma habilidade de atuação.
— Setora… Como está Enba? — perguntou Haruhiro.
— Não parece haver problemas — respondeu Setora imediatamente, pressionando o ouvido contra o peito de Enba. Ela ficou assim por um tempo. — Na verdade, está tão quieto que é inquietante.
Eles se dividiram em dois grupos, rezando para que nada acontecesse.
Haruhiro, Kuzaku, Mary, Setora, Kiichi e Enba com Shihoru dentro seriam os vassalos que Io reuniu de todos os lugares. Ela já havia ido para uma audiência para fazer Kuzaku jurar lealdade ao rei antes, então não deveria parecer nada anormal.
Então, Ahiru levaria Alice ao rei—ou faria parecer que estava levando Alice, em vez de ter sido derrotado e forçado a se submeter. Ele atuaria seguindo o roteiro de que estava sendo ameaçado e forçado a levá-los para dentro do Castelo do Elefante.
A propósito, Io também havia encontrado o Acampamento Leslie e veio para Parano através de sua porta. Além de Tonbe e Gomi, ela tinha camaradas chamados Katazu, Tasukete e Jam a seguindo também.
Jam, o mago, foi arrastado por monstros dos sonhos, depois transformado em um meio-monstro como Kejiman, e posteriormente eliminado por Io e o resto da party.
O guerreiro Katazu foi transformado em uma sombra.
O ladrão Tasukete foi capturado pelo rei e jogado na prisão.
Katazu, que foi transformado em sombra, poderia estar muito longe para ser ajudado, mas eles queriam salvar Tasukete, se isso fosse minimamente possível. O nome de Tasukete dado por Io aparentemente se referia ao jeito que ele estava sempre gritando, “Me ajuda!”
A prisão sempre esteve em um nível inferior do castelo. O rei tratava Alice como uma espécie de bobo da corte, mas depois de se rebelar muitas vezes, estando preparada para morrer por isso, Alice finalmente foi jogada lá.
Como foi possível escapar?
Bem, uma razão era que o rei subestimou muito Alice. Alice desempenhou o papel de princesa, impotente demais para fazer algo além de agir durona, para fazer com que ele a subestimasse. Graças a isso, o rei nunca sequer tirou a pá de Alice.
A outra razão era que o rei não conseguia ver dentro da prisão. Não importava o quão baixa fosse sua guarda, se Alice tivesse tentado fugir enquanto ele estava observando, o rei não teria permitido a fuga.
Além disso, o castelo em si era muito menor do que está em seu estado atual, e a Floresta Escarlate não era tão grande. Foi assim que Alice conseguiu escapar de alguma forma.
Após isso, a masmorra foi transferida para o salão do rei. O castelo também estava completamente diferente da época de Alice lá dentro, e a Floresta Escarlate havia se transformado em um covil de monstros dos sonhos incrivelmente ferozes. Na verdade, se não passassem pelas Ruínas Nº 7, o Ninho da Toupeira Arco-Íris, seria impossível entrar no castelo.
Com Io liderando Haruhiro e os outros, eles adentraram o Ninho da Toupeira Arco-Íris.
O buraco do ninho era um túnel de cerca de três metros de diâmetro. Não importava onde você estivesse, ele sempre subia ou descia, virando para a esquerda ou para a direita. Não havia nenhum lugar que fosse reto e nivelado.
De acordo com Io, os buracos do ninho levavam aonde a Toupeira Arco-Íris decidisse. Se a Toupeira Arco-Íris decidisse deixar alguém passar, eles chegariam ao castelo, mas, caso contrário, continuariam vagando.
— Io… -san, como você foi encontrar o rei pela primeira vez? — perguntou Haruhiro.
— Não foi aquele homem chamado Ahiru, mas fomos levados por outro dos vassalos do rei. Katazu e Tasukete se exaltaram com o rei. Foi assim que acabaram como estão. Aquele vassalo os fez assumir a responsabilidade por isso. Eles irritaram o rei, então foram transformados em sombras. Vou avisar vocês também. O truque para sobreviver aqui é fazer o rei gostar de você. Entenderam?
Eles não sabiam de onde a Toupeira Arco-Íris poderia estar ouvindo, então Io estava interpretando o papel de vassalo do rei. Mas será que era mesmo? Io poderia traí-los e entregar Haruhiro e os outros ao rei. Haruhiro não conhecia Io o suficiente para dizer que ela não faria isso.
Ahiru também era suspeito. Se ele confessasse todo o plano ao rei, poderia receber Yonaki Uguisu como recompensa. Será que Ahiru estava apenas enganando Alice e Haruhiro na esperança disso?
Se ele começasse a suspeitar das pessoas, não haveria fim para isso, então, independentemente de como as coisas fossem se desenrolar, havia apenas uma coisa para Haruhiro fazer.
Quando saíram do longo túnel, chegaram a um salão com um teto altíssimo. O chão era de mármore ou algo assim. Havia sido polido até brilhar, refletindo Haruhiro e os outros como um espelho. Sombras haviam se instalado aqui e ali, se contorcendo.
As sombras estavam apenas vagando, ou realmente estavam indo para algum lugar? Não estava claro. No entanto, uma sombra seguia Haruhiro e os outros.
Apenas uma vez, Io olhou para ela. Provavelmente era Katazu.
Estamos bem, pensou Haruhiro, vendo o olhar em seus olhos. Não havia como ela os trair. Ou melhor, se houvesse alguma chance de derrotar o rei que fez isso com ele, ela não a perderia.
Essa área era ampla o suficiente para ser um salão de reuniões, mas aparentemente era apenas um corredor. Havia um teatro circular à frente. Não, tinha a mesma estrutura circular em níveis, mas não havia assentos para uma plateia, então não era um teatro.
O ponto mais baixo tinha uma área plana como um palco, mas havia uma coluna redonda bem no centro dela.
O interior da coluna era um elevador. Não era possível ver nada de fora, mas, por algum motivo, era possível ver o exterior uma vez que estavam dentro.
Setora e Enba desceram das costas de Kiichi. Era um elevador bem grande e espaçoso.
Mesmo depois que Setora e Kiichi, Enba com Shihoru dentro, Kuzaku e Mary, Io, Tonbe, Gomi e, por último, Haruhiro estavam a bordo, ainda havia muito espaço.
O elevador começou a se mover, subindo continuamente.
— Não há nada além de sombras no castelo, né… — comentou Haruhiro.
— A maioria delas eram vassalos do rei. — O tom de Io era surpreendentemente indiferente.
O rei devia governar todo o Parano. Pelo menos, ninguém mais exercia seu poder com impunidade como ele fazia. Ainda assim, o que exatamente o rei estava governando? Que sentido havia em reinar sobre um país de nada além de sombras?
O elevador, descobriu-se, não era um elevador. Ele eventualmente começou a se mover violentamente em todas as direções, o que foi um choque, quase fazendo Haruhiro cair, mas Kuzaku o apoiou.
— …Valeu — disse Haruhiro.
— Tudo bem! Já passei por isso antes, sabe.
— Então avise a gente, cara…
— Nah, tem coisas que é melhor não dizer. Não acha?
— Como assim…?
Haruhiro olhou sutilmente para Mary. Mary estava encostada na parede transparente, com uma expressão tão neutra como se estivesse usando uma máscara moldada no formato do próprio rosto.
O pensamento, Essa não é a verdadeira Mary, passou por sua mente.
Isso não podia estar certo. Mas isso era Parano.
Não, mesmo em Parano, isso não podia acontecer. Ele não podia aceitar, então não podia ser verdade. Essa lógica fazia sentido?
Certamente, não. Isso não era mais do que um desejo.
Ao abrir a porta, ele começou a sentir que, uma vez que saíssem de Parano, tudo se resolveria. Haruhiro e a party haviam chegado a Parano através de uma porta vinda de Grimgar. Se passassem por uma porta em Parano, ela levaria a Grimgar, certo?
Alice havia chegado a Parano por algum tipo de névoa. Não uma porta. Então, a porta certamente levava a Grimgar. Tinha que levar.
Ele se lembrou da história de Urashima Taro que Alice lhe contara. Talvez não adiantasse pensar em tempo em relação a Parano. No entanto, ele tinha a impressão de que estavam em Parano há um tempo considerável. . Apesar disso, não parecia que o tempo havia passado. Para ser mais preciso, ele não achava que tinha envelhecido. Embora pudesse estar apenas se convencendo disso.
Como Urashima Taro, ele poderia ter envelhecido enquanto estava em outro mundo, mas por causa da magia, ilusões ou algum outro motivo, ele simplesmente não conseguia perceber isso. Não era que abrir a caixa do tesouro havia feito Urashima Taro envelhecer. Apenas quebrou o feitiço que o impedia de notar que ele havia se tornado velho.
Mesmo que Haruhiro e seus camaradas pudessem voltar para Grimgar… deveriam?
O elevador que não era um elevador parou de repente, e ao mesmo tempo, as portas se abriram.
Antes de questionar se deveriam voltar para casa… Deveriam sair do elevador ou não? Essa era a verdadeira questão.
Ele não conseguia respirar. Que espaço era aquele? A parede ao fundo era puramente branca, mas o resto era preto. Talvez não tudo preto, mas tudo era meio escuro.
Havia crescimentos semelhantes a espinhos, ou estacas, ou lanças, ou espadas, ou katanas por todos os lados. Se ele fosse perfurado por um, estaria em apuros. Mesmo que fosse cuidadoso para evitar se machucar enquanto caminhava, seria incrivelmente difícil se aproximar do trono.
O trono estava em frente à parede branca, em uma posição elevada muitos degraus acima.
A porta.
O rei, com as costas encostadas em uma porta envolta em várias camadas de correntes, estava sentado com as pernas cruzadas.
Ele tinha um rosto barbudo, vestia uma roupa preta justa, feita de couro ou algo assim, e, como Kuzaku havia dito, parecia um cara mau. Se não fosse pela coroa, ele não pareceria muito régio. No entanto, era claro à primeira vista que aquele homem era um ser supremo.
Quantos metros havia até o trono? Mesmo por uma estimativa conservadora, trinta. Talvez cinquenta. Ou mais, quem sabe.
Apesar disso, ele parecia tão próximo que seus narizes poderiam se tocar. Tal era a ilusão que a presença daquele homem criava. Ou seria magia, talvez?
Io, Tonbe e Gomi avançaram para o salão real e se curvaram. Kuzaku os seguiu. Até Setora fez o mesmo. Kiichi se abaixou, como um cachorro, ao lado de Setora.
Os únicos que permaneceram de pé no elevador que não era um elevador eram Haruhiro, Mary e Enba.
— Ei, Io. — A voz do rei ecoou.
Que voz, pensou Haruhiro.
Ele nunca tinha ouvido nada assim antes. Profunda e suave, fazia o ouvinte tremer. Derrubava-os. Haruhiro cambaleou para fora do elevador que não era um elevador e se ajoelhou. Ele virou o rosto para baixo em algum momento, também. Na verdade, ele não achava que poderia olhar mais para baixo.
Ele estava olhando diretamente para baixo, mas o rosto sorridente do rei ainda piscava dentro e fora de sua visão. Mesmo que ele não pudesse vê-lo.
O que Mary estava fazendo? Ou Enba? Ele queria descobrir. Mas não conseguia.
Isso era magia? Essa era a magia do rei.
— …Sim, Vossa Majestade — respondeu Io, sua voz tão fraca quanto a de um mosquito.
Na frente do rei, até a Io-sama era assim. Quem poderia culpá-la? Ele era o rei.
Alice afirmava ter resistido a ele. Isso tinha que ser mentira. De jeito nenhum. Que tipo de fortaleza mental isso exigiria? Ou o poder do rei tinha crescido desde então?
— Vejo que você trouxe algo para mim, Io — disse o rei. — Novos recrutas?
— …Sim, senhor… Para que possam servi-lo… Pois esse é meu dever como sua vassala… É por isso que os trouxe à sua presença real…
— Suas intenções são tão admiráveis como sempre. No entanto, Io…
— S-Sim… O que… O que é, senhor?
— Um deles não está se curvando diante de mim. Qual é, exatamente, o significado disso?
Haruhiro pensou que seu coração poderia explodir. Ele virou rapidamente para olhar para trás.
Mary estava se curvando.
Enba, huh? Enba ainda estava de pé no elevador que não era um elevador. Suas costas estavam completamente retas.
— E-Enba! O-O que há de errado? Vem, aqui… — Setora ordenou apressadamente. Pelo jeito que ela falou, Setora devia estar convencida de que Enba estava com ela antes.
Estaria Enba com defeito, talvez? Ele começou a andar, todo o corpo tremendo e sacudindo, mas algo estava claramente errado.
Seus joelhos não estavam dobrados, e ambos os braços tremiam por algum motivo. Por que ele estava sacudindo a cabeça violentamente para frente e para trás? Ele parecia pronto para desabar a qualquer momento.
No momento em que Haruhiro se perguntou sobre isso, Enba caiu no chão bem atrás de Setora e Kiichi, como era de se esperar.
Ele estava de bruços, então você poderia dizer que estava prostrado diante do rei, de certa forma. No entanto, Enba ainda estava tendo espasmos como antes.
— Que estranho — o rei riu. Ele não estava desconfiado. Na verdade, parecia estar interessado em Enba. Isso era inesperado, mas Haruhiro conseguiu se acalmar um pouco antes de entrar em pânico. Ou melhor, era possível que a pressão que o rei estava exercendo tivesse diminuído. Era isso? Se fosse, esse senso de intimidação avassalador poderia realmente vir da magia do rei.
Agora, pensou Haruhiro. Se eu fizer agora, posso usar Stealth. Hora de afundar. Visualizar minha consciência caindo pelo chão…
Estou dentro.
Haruhiro não havia se movido de onde estava. Ele simplesmente entrou em Stealth. Nem mesmo mudou de posição. Apesar disso, ele se sentia muito mais relaxado. Seu pensamento estava completamente claro.
Ele não tinha uma compreensão mais clara sobre o tipo de magia envolvida do que anteriormente, mas a magia do rei parecia realmente estar exercendo pressão de forma consciente sobre eles.
Stealth de Haruhiro o colocava fora da percepção do rei, então aquele poder não o estava afetando.
Sempre que usava Stealth, seu espírito se acalmava. Ou melhor, sempre que não estava em um estado onde seu coração estava inabalável, ele não conseguia usar Stealth.
Graças a isso, quando estava em Stealth, ele conseguia aceitar calmamente coisas que, se não estivesse em Stealth, o teriam surpreendido muito.
O salão real havia mudado completamente.
Era como se órgãos de feras tivessem sido espalhados pelo chão, paredes e teto. Mas, ao mesmo tempo, raízes de árvores antigas também se espalhavam por eles.
O rei havia empilhado várias camadas de celas em forma de caixa, colocado a porta que eles procuravam no topo e a configurou como um trono. Abaixo do trono havia uma única porta de grade e um conjunto de escadas.
A parede oposta a eles não era, de fato, puramente branca; estava coberta de manchas.
Em uma gaiola pendurada no teto, havia uma mulher, presa dentro. Aquela devia ser Yonaki Uguisu.
Aquelas coisas saindo de todos os lados não eram espinhos, nem estacas, nem lanças, nem mesmo espadas.
Eram meninos pálidos e nus.
Pelo que parecia, tinham talvez dez anos.
Havia meninos espalhados aqui e ali pelo salão real, com as costas arqueadas e braços esticados, ou pernas abertas para a frente e para trás, ou apenas o tronco superior inclinado para a direita, ou agachados, ou sentados com um joelho levantado.
Todos tinham rostos ovais perfeitos. Seus olhos eram claros, e suas bocas um pouco pequenas. Não tinham apenas praticamente o mesmo rosto, mas exatamente o mesmo, até nos mínimos detalhes. As proporções de seus corpos também eram as mesmas.
O que eram aqueles meninos?
Haruhiro decidiu adiar tirar uma conclusão sobre isso por enquanto.
Ele fez o melhor para não virar a cabeça, movendo apenas os olhos ligeiramente, utilizando a visão periférica para observar todo o salão real. Quando não estava em Stealth, ele não conseguia olhar ao redor assim muito bem.
Parecia que o rei ainda não havia notado. O rei sabia que Haruhiro estava ali, mas havia perdido ele de vista.
O rei, hein? Aquele era o rei.
A razão pela qual ele parecia um homem barbudo de meia-idade estiloso era provavelmente porque era isso que o rei escolhia mostrar a eles. Agora, tudo o que Haruhiro podia ver eram meninos de dez anos sem roupas. O que isso significava? Esses meninos de dez anos que ele só podia presumir serem a mesma pessoa… havia dezenas, não, centenas deles enchendo o salão real.
Um deles era o rei.
Não importava qual fosse, o rei não era um velho. Era uma criança.
Qual era o rei?
Se ele pensasse normalmente, o menino sentado no trono deveria ser o rei. Se fosse assim, o resto seriam Doppels? Múltiplos Doppels? Poderia haver casos assim também?
A porta do elevador que não era um elevador fechou. Ele estava se movendo. Retornando. Eventualmente, Alice e Ahiru também chegariam aqui.
— Nunca se tem vassalos demais — falou o rei.
A voz era diferente. Sua voz natural deveria ser aguda, mas ele a estava forçando a soar grave.
Quem estava produzindo aquela voz? Não parecia ser o menino no trono.
Algum menino estava movendo a boca? Ele não conseguia dizer. Um bom número dos meninos estava de costas para Haruhiro. Ele não conseguia descobrir.
— Se forem vassalos úteis, isso é — continuou o rei. — Se forem vassalos interessantes, melhor ainda.
— Continuarei fazendo o meu melhor. — Io abaixou a cabeça ainda mais.
Tonbe e Gomi pressionaram seus rostos contra o chão, suas costas tremendo.
— Servir ao rei é a… minha única alegria — disse Io. — De agora em diante, também… reunirei vassalos para você. Então, por favor, meu camarada…
— Você exige que eu devolva seu camarada?
— Não, hum… Se puder… Se Vossa Majestade permitir… Apesar de como ele é, ele pode ser útil para você…
— Aquele homem horrível me ofendeu, e você me diz para libertá-lo da prisão?
— N-Não, estou dizendo… Sei que peço demais de você, mas… algum dia, se eu puder receber uma recompensa… seria essa… Só isso…
— Eu poderia considerar.
— O-Obrigada! Continuarei trabalhando o mais duro possível para você, senhor, então, por favor, eu imploro…
— Só vou considerar, ouviu? — disse o rei.
— C-Claro, tudo bem, mesmo que seja só isso…
Enquanto Io falava com o rei, Haruhiro conseguiu confirmar que nenhum menino cujo rosto era visível de sua posição atual estava movendo os lábios. Não importava o quanto isso o ajudasse a reduzir as opções, ainda havia mais de cem candidatos.
Isso é ruim, pensou Haruhiro. Se ele não encontrasse o corpo principal do rei, não havia nada que pudesse fazer. Mas o plano já estava em andamento. Não havia como pará-lo agora.
— De agora em diante, todos vocês são meus vassalos.
De qual menino estava vindo essa voz?
— Se vocês trabalharem até os ossos, até que eu esteja satisfeito, serão recompensados. Vamos esperar que sejam vassalos competentes, como Io aqui.
Não adianta, pensou Haruhiro. Ele simplesmente não conseguia identificar. Procurar apenas pela voz era impossível.
Um barulho veio do elevador que não era um elevador. Alice e Ahiru tinham chegado?
Foi nesse momento que aconteceu.
Foi por pouco.
Se ele não estivesse olhando por todo o salão real assim, teria perdido.
Um dos meninos virou o rosto em direção ao elevador que não era um elevador. Ele estava à frente de Haruhiro e à direita, talvez a dez metros de distância na diagonal. Estava sentado no chão, abraçando os joelhos. A julgar pelo ângulo, até ele se virar agora, Haruhiro não poderia ter visto seu rosto.
Aquele menino era o corpo principal do rei?

As portas do elevador que não era um elevador se abriram.
Com os braços amarrados nas costas e um cinto enrolado no pescoço, Alice estava sendo arrastada por Ahiru. À primeira vista, parecia assim, mas o rosto sem máscara de Alice exibia uma expressão de ousadia. Claramente, não era a expressão de alguém que havia sido capturado. Exatamente como o roteiro pedia.
No entanto, Alice logo começou a fazer uma careta. Lutando, aparentemente. O poder do rei estava tentando forçar Alice a se submeter.
— Anda logo! — Ahiru empurrou Alice por trás.
Alice cambaleou para frente, mas não se ajoelhou mesmo após entrar no salão real.
— Ei! Ajoelhe-se, Princesa! — Ahiru gritou, puxando o cinto. Alice finalmente caiu sobre um joelho.
— Ora, ora. Se não é a minha princesa.
O menino que parecia ser o corpo principal do rei estava olhando para Alice. Sua boca se movia, também. Não havia dúvida. Aquele era o rei.
— Quem você tá chamando de princesa? — Alice cuspiu. — Também não sou sua. Não me faça dizer essas coisas. Você me dá nojo.
— O que aconteceu com aquela pá imunda sua?
— Ah, vai se ferrar. Seu rosto é um zilhão de vezes mais imundo, sabia? Você me dá nojo.
— Ouvindo isso pela primeira vez em tanto tempo, o seu canto é extremamente reconfortante — disse o rei. — Eu estava começando a me cansar do canto de Yonaki Uguisu, também. Devo transformá-la em uma sombra e encher meus ouvidos apenas com o gorjeio de uma princesa?
— V-Vossa Majestade! Espere, por favor! — Ahiru se colocou de quatro e gritou. Ele ainda segurava o cinto na mão direita, então esse gesto acabou apertando o pescoço de Alice.
— Guh! Ei, Ahiru, seu…
— …Desculpa.
— Por que você está se desculpando…?
— Ah… — Ahiru cobriu a boca com a mão esquerda.
Foi quando o corpo principal do rei se levantou. — Vocês dois… estão tramando algo, não é?
— Não! Não estamos! S-Senhor, não é assim! — exclamou Ahiru.
— Como não é?
Na frente de Ahiru, que balançava a cabeça para frente e para trás, Alice desfez as amarras em ambos os braços e também tirou o cinto. Eles haviam arranjado para que fossem fáceis de remover.
— Eu… fui apenas ameaçado por essa princesa.
— Eu o fiz me trazer — disse Alice friamente. — Você pode adivinhar por quê, né?
— Você queria ver a mim, seu rei? Finalmente percebeu que está mais feliz sendo mantida como meu animal de estimação.
— Como se isso fosse acontecer. Estou aqui pra te explodir, seu lixo.
— Sem aquela pá imunda que você tanto se orgulhava?
— Veja, o lance é que… eu ainda a tenho.
Alice de repente se curvou, enfiando a mão na própria boca. Os olhos de Io e dos outros se arregalaram. Mesmo sabendo, eles não podiam evitar ficar surpresos. Afinal, Alice estava tentando puxar aquele cabo de carne de lá.
— Urgh… blech… uhhh… blech…
Parecia extremamente agonizante. Era difícil tirá-la, mas era igualmente impressionante que ela tivesse entrado em primeiro lugar. Pelo tamanho, não parecia que caberia no estômago ou intestinos, mas a pá não era tão dura e podia encolher até certo ponto. Na verdade, o cabo de carne saiu surpreendentemente fácil. O que veio depois seria difícil.
Após o cabo de carne, a pele preta, que estava dividida para ser tão fina quanto macarrão ou algo assim, também começou a sair. Era incrivelmente longa e tinha muito volume, então como ela havia cabido dentro do corpo de Alice, ou mais especificamente, dentro do trato digestivo? Não caberia, né?
Até o rei ficou perplexo com isso. Ele estava observando Alice com os olhos arregalados.
Graças a isso, Haruhiro conseguiu se aproximar do rei enquanto mantinha Stealth.
Haruhiro estava diagonalmente atrás do rei. Mais um passo, e ele estaria ao alcance do braço.
Dando dois passos, ele o abraçou. Fez isso inconscientemente. A sensação de “Não quero deixá-lo escapar. Não vou deixá-lo escapar”o fez agir.
Ele ia acabar com isso aqui—não, ele queria acabar com isso aqui.
A pele do menino estava fria.
—Já estou—
— Ah…?!
Honestamente, ele quase conseguiu. Em mais um décimo de segundo, ele teria sincronizado com o rei.
O que ele fez de errado? Não fez nada de errado? Foi apenas má sorte?
Whoosh! O menino pareceu ser sugado para o chão. Ele escapou.
O rei havia escapado dos braços de Haruhiro.
Em um instante, o salão real mudou. Escuro. Com saliências semelhantes a espinhos, estacas, lanças, espadas e katanas por toda parte.
Era a magia do rei. O Stealth de Haruhiro havia sido quebrado?
Ele falhou. O rei o notou.
— Eu! — O rei rugiu. Sua voz não era mais a voz de um menino.
O homem barbudo se levantou do trono.
— Você me tocou! O rei! Que magia é essa?!
— Você estragou tudo, Haruhiro! — Alice tinha acabado de vomitar a pele da pá.
Limpando a área da boca com a manga, Alice tentou desdobrar a pele, mas não ia acontecer.
— Ah…! — Alice de repente caiu de bunda no chão, como se uma força estivesse pressionando de cima.
A pele da pá estava como uma flor murcha. Alice poderia estar tentando se levantar, mas não ia acontecer com pernas que tremiam assim.
Ahiru, Io, Tonbe, Gomi, Kuzaku, Setora, Mary e Kiichi, todos estavam encolhidos e tremendo. Suas formas ficaram borradas, e ele começou a ter dificuldade para vê-los.
Parecia que Haruhiro estava chorando. Por que ele estava chorando? Ele não estava triste. Estava com medo? Sim. Ele estava com um medo além do imaginável.
Ele tentou fechar os olhos. Não queria ver nada. Não queria ouvir nada. Não aguentava mais. Por que seus olhos ainda estavam abertos? Tudo era inútil, não era? Que sentido haveria em se obstinar agora? Ele sempre foi tão ruim em desistir?
Ele provavelmente não era tenaz, ou de vontade forte, ou algo assim, ele apenas tinha medo de acabar com tudo fechando os olhos.
Pode ter sido porque Haruhiro era um covarde, mas ele testemunhou o milagre de Enba se levantando.
Enba não apenas se levantou, no entanto.
Ele explodiu.
Bem, Haruhiro estava chorando como louco, então não conseguia ver muito bem, mas viu Enba ser apagado em um instante.
— Eu não importo nem um pouco — uma voz soluçou.
Shihoru.
Coisas brilhantes saíram do corpo aqui e ali, simplesmente por todo lugar, e brilhavam tanto que machucavam os olhos.
Não querendo ficar atrás de Haruhiro—não, querer ficar atrás provavelmente não tinha nada a ver com isso, mas Shihoru estava derramando lágrimas brilhantes.
— Essa é a sua magia?! — gritou o rei, o homem barbudo que presumivelmente era seu Doppel virando a palma da mão para Shihoru.
Shihoru cambaleou sob a pressão intimidadora do rei quando ele fez isso, mas de alguma forma resistiu.
Você é incrível, Shihoru, pensou Haruhiro. Essas lágrimas são incríveis. É como uma enchente de lágrimas brilhantes.
— Por que você está me intimidando?
Quando Shihoru balançou ambos os braços para cima, aquelas lágrimas brilharam e voaram em direção ao rei. Era como um rio de estrelas no céu.
Nem mesmo o rei conseguia bloquear as lágrimas de Shihoru? Quando elas tocaram o homem barbudo no trono, houve um som de estalo e fragmentação enquanto aquelas partes eram esmagadas.
Estava funcionando. Funcionou. As lágrimas brilhantes comprimiam o homem barbudo no trono mais e mais.
Acabou em pouco tempo. Com cada lágrima, o homem barbudo no trono ficava menor, até que não podiam mais vê-lo.
Mas que diferença fazia?
Nesse momento, bem ao lado de Shihoru, que estava a uma boa distância do trono, um homem barbudo alto usando uma coroa apareceu.
O homem barbudo no trono não era nada além do Doppel do rei. Ele tinha muitos outros Doppels. Mesmo que o do trono fosse eliminado, outro Doppel só precisava fingir ser o rei.
— Você se opôs ao rei! Vou transformar você em uma sombra! — Quando o homem barbudo levantou o pé direito, ele de repente ficou grande. Incrivelmente grande. Isso não era um tamanho humano. Não, ele não era humano para começar. Era um Doppel.
Ele ainda estava mantendo a calma? Haruhiro não podia dizer com certeza. Suas ações eram racionais, no final?
Shihoru olhou para o homem barbudo, recuando. As lágrimas não vinham. Ela estava tão aterrorizada que nem conseguia chorar.
Quando Haruhiro pensou, Não posso abandoná-la, ele já poderia estar agindo por emoção.
— Para…! — Haruhiro correu.
O que ele planejava fazer? O que ele poderia fazer? Nada, provavelmente. Mas ele tinha que salvar Shihoru.
Não importava se ela havia se tornado uma desvirtuada, não importava o que fosse, ela ainda seria sua camarada, sua amiga. Para Haruhiro, se alguém era um camarada e amigo, era mais importante do que ele próprio.
— O quê? — O homem barbudo virou-se para ele. No momento em que olhou para baixo, o corpo de Haruhiro ficou rígido, como se estivesse paralisado. — Você quer ser transformado em sombra primeiro? Então, que eu realize seu desejo!
Intimidado pela magia do rei, Haruhiro não conseguia mover nem um dedo.
Isso é o pior, pensou. O rei pisaria em Haruhiro e o transformaria em uma sombra. Depois disso, provavelmente faria o mesmo com Shihoru.
Alice também não conseguia derrotar o rei. Se Haruhiro estivesse usando Ressonância para impulsionar Alice, será que eles teriam conseguido causar pelo menos algum dano ao sair?
De qualquer forma, eles falharam. Estava acabado.
— Vai, Gordo! — Antes que tudo pudesse terminar, o cavaleiro das trevas de queixo longo, vestido todo de preto, jogou o homem gordo.
Gomi e Tonbe deveriam estar intimidados demais pelo rei para se moverem, então ele o lançou com magia? Eles mereciam elogios por conseguirem isso?
Tonbe, propelido por Gomi, rolou para o espaço entre o homem barbudo e Haruhiro. Ele carregava seu espelho enorme como se fosse uma tartaruga.
— Por Io-sama…!
Era um mistério. Por que Gomi e Tonbe fariam isso? Foi tão inesperado que a surpresa expulsou toda a emoção de Haruhiro, deixando apenas sua razão para encontrar a resposta.
Entendi, pensou ele.
Tonbe havia dito, “Por Io-sama!”
A magia de Haruhiro era a pedra angular desta operação, e apenas Haruhiro poderia derrotar o rei. Se perdessem Haruhiro, Io também morreria. Foi isso que Gomi e Tonbe determinaram. Por Io, eles não tinham escolha senão fazer isso.
— Não interfira! — O pé direito do homem barbudo desceu sobre Tonbe.
Naquele instante, Haruhiro afundou sua consciência e entrou em Stealth. Quando entrou em Stealth, ele percebeu que não havia nenhum homem barbudo em lugar algum. Era apenas uma ilusão. O menino interpretando o homem barbudo estava apenas parado na frente de Tonbe.
Mas, neste exato momento, um homem barbudo estava tentando pisar e esmagar Tonbe. Era assim que Tonbe devia estar se sentindo. Era assim que parecia para todos, exceto Haruhiro e o rei. Na verdade, Tonbe provavelmente se tornaria uma sombra. O homem barbudo não existia, e Tonbe não seria esmagado. Mesmo assim, algo que o rei faria iria transformar Tonbe em uma sombra.
Ele sabia que isso era cruel, mas Haruhiro precisava assistir do começo ao fim.
Aquele menino na frente de Tonbe, aquele Doppel, ia fazer algo? Não, provavelmente seria o corpo principal do rei. Havia muitos meninos no salão real. Qual era o verdadeiro?
Whoosh! O rei emergiu do chão.
Bem ao lado de Tonbe.
Ele se agachou, enfiando a mão direita no flanco de Tonbe.
Ele não o pisou.
Ele estava sugando algo.
Era sangue, ou água, ou talvez algum tipo de força vital ou energia, talvez?
Tonbe se tornou uma casca vazia enquanto ele observava, escurecendo e sendo reduzido a uma sombra.
No rosto do corpo principal do rei, o rosto pálido do menino, havia um leve sorriso.
Haruhiro não se apressou. Ele não repetiria seu erro anterior.
Ele se aproximou silenciosamente, segurando o pulso do menino sem ficar ansioso.
Ele se tornou o menino.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui
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