Digimon Tamers 00 – Capítulo 28
Digimon Tamers 00
Web Novel Online – Capítulo 28
[Responsabilidades_ Liderança e Culpa]
O silêncio após a dolorosa constatação do trio dos domadores lendários soou ainda mais prolongado do que pareceu.
O eco ocorreu também em seus pensamentos, no mais profundo ponto de suas almas feridas.
Alimentado por um sentimento de liderança que recebeu naturalmente durante sua sina como domador, Takato sabia que não podia ficar calado por mais tempo — seus amigos precisavam de um norte.
Foi o que fez.
— Esse sentimento de incapacidade já veio várias e várias vezes. Eu lembro de tudo que passamos… e vivemos.
O jovem estava estacionado na racionalização do momento.
— Éramos crianças, e tínhamos pouca noção do ridículo… Estávamos sempre correndo perigo, mas a confiança em sempre vencer era tanta que…
Takato ainda tropeçava para exercer o papel, por mais que sua sinceridade transparecesse.
Havia etapas para percorrer antes de encontrar a luz.
— Ah… Olha só a gente agora… Agimos como cinco anos atrás e veja onde chegamos.
Ele era sempre otimista.
Ainda restava um pouco disso nele.
Entretanto, era uma situação bem diferente do que enfrentaram no passado.
— Eu… eu só… só que quero tentar falar alguma coisa pra fazer a gente parar de ficar assim, essa sensação de ter engolido um sapo e ele ficar pulando dentro da barriga tentando sair…
A analogia grosseira deixou transparecer o nervosismo de Takato
Até no meio de um vale soturno, um pequeno brilho era capaz de vencer a escuridão.
O discurso frustrado de Takato trouxe um sentimento em Lee e Ruki: eles, sem mais nem menos, começaram a gargalhar — veio devagar, com cuidado, mas tomou muita força..
— Haha! — Lee chorava de rir desta vez. — Essa foi a coisa mais engraçada que você disse em cinco anos que te conheço, haha!
— Seu palhaço! — Ruki gargalhava tanto que precisou abraçar o próprio corpo. — Haha! Como a gente vai crescer se temos você como líder? Haha!
As gargalhadas continuaram, em contraponto com o momento nada favorável.
Um silêncio veio — dez segundos de descanso.
Era como um peso, quase beirava a um grito de socorro.
Respostas não vieram, não havia onde obter.
Nem precisava — nenhum deles possuíam experiência.
O passado, de quando eram crianças destemidas em um mundo de guerra religiosa e autoconhecimento, agora eram lembranças.
O “daqui para frente” era o mais importante.
Tão logo, Takato levou seu olhar para longe, enquanto Lee deitou-se no leito e olhou para o teto.
Ruki voltou suas atenções para a janela, olhando a cidade.
Embora com foco de visão diferente, o pensamento era o mesmo.
Houve uma derrota.
E uma sobrevida.
Mas, desta vez, soou diferente.
Nem as risadas doces conseguiram tirar o amargo da boca.
O pior sentimento de um perdedor estava além da derrota.
“O que eu perdi… consigo recuperar?”
Entre viver ou morrer, há uma diferença monumental.
Contudo, Takato estava disposto a mudar o panorama.
Sua tentativa:
— Se estamos vivos, então nós temos uma segunda chance! Temos que ter o mesmo empenho e confiança de quando éramos crianças!
Interrompendo a conversa, a porta do lugar se abriu e, dela, surgiu Yamaki.
A surpresa foi grande, as atenções eram todas para o executivo.
O domador o fitou, mostrando em seu rosto ainda combalido a incerteza.
Yamaki lhe entregou palavras:
— Faz parte de todos, das suas lembranças, boas ou ruins… Mas é história. Vê-los ruir me magoa. Porém vocês são muito jovens…
Ruki estranhou o que o Sr Yamaki disse — não foi à toa.
— Como sabia do que estávamos falando?
— Paredes têm ouvidos… — sorriu, ajeitando os óculos. — Hehe… Os enfermeiros me informaram do ambiente que aqui estava. Pelo visto muita coisa mudou…
O semblante do trio se equilibrou.
Takato, sério.
Lee, olhando para o teto, estava indiferente.
E Ruki, não fugiu do olhar do executivo.
— Não é preciso fazer um esforço para saber que todos vocês sofreram um baque enorme.
Yamaki caminhou até eles.

Pegou seu isqueiro, o click soou como um metrônomo — sinergia quase musical.
— Vocês foram forjados na vitória. Mesmo que tenham caído uma vez ou outra, se levantaram e conseguiram ir em frente.
Fechando o pequeno utensílio na mão, fundamentou;
— Não importa se um milagre aconteceu. Vocês salvaram o mundo com isso. Entretanto, desta vez, vocês não só perderam…
Foi até a janela, olhando o horizonte.
Ajeitou os óculos, os clicks não cessaram.
— Eu reconheço esse sentimento… como guerras, não é nada agradável. Essa dor se soma, e dificilmente se consegue lidar: o medo… de não saber o que fazer.
Os jovens só ouviam.
A passividade lhes serviu para ancorar melhor a situação.
Yamaki aproveitou esse momento.
— Escapar da morte é uma sensação ruim, como sentir alívio e sofrer traumas. Juntem as peças que ainda sobraram… porque não haverá uma “nova segunda vez” se vocês caírem!
Aquela era a hora de os jovens receberem um choque de realidade para nunca mais se esquecerem.
— Estar de pé não quer dizer nada. Do que decidirem agora, pode ser a última vez que verão um ao outro nessa vida. Vocês entenderam?
Pior do que perder é você não ter mais forças para se levantar e, dentro do contexto da batalha, o fim de todos era iminente.
Entendida a mensagem, Ruki dessa vez falou:
— Ele está certo…
— Ruki… — disse Takato, olhando para a jovem.
— Não começa! Já deu isso tudo! Caia na real, Takato: um dos motivos da gente ter perdido foi nesse sentimento de “sermos domadores”. Acorda!
Dentro do que entendeu das palavras do CEO da Hypnos, Lee contribuiu no raciocínio:
— Agora nós sabemos o peso do risco que tomamos. Eu quando fico emotivo acabo ignorando muitas coisas simples e básicas. Meu principal defeito é esquecer que se parte do básico para o complexo, como meu mestre sempre me disse…
Yamaki acompanhava seu fechamento.
Lee continuou:
— Ficamos muito felizes por termos nossos amigos de volta e esquecemos de cuidar mais deles, saber o que estão passando…
Como um eco, isso ressoou em Ruki — se lembrou das conversas com Renamon.
— “Isso que ele disse…” — pensava, mantendo o fio. — “Faz total sentido. Renamon esteve mais acuada, tentando se esquivar do que eu perguntava…”
Analítica — comportamento fora do comum — A rainha digimon continuou:
— “Até mesmo o jeito que ela olhou para Lee após vencermos Bulkmon já dizia que havia algo estranho. Porque eu estou com uma sensação de que…?”
Contrariado, Takato se mostrou pensativo por alguns segundos.
Seu rosto ainda estampava tristeza, mas essa não era sua personalidade..
E, nesse contexto, eles estavam certos.
— “A um minuto atrás estávamos rindo…” — pensava Takato. — “Então porque estou recuando? Porque tudo isso está tão confuso pra mim? Que belo líder eu sou…”
Nesse meio tempo, o jovem voltou no tempo.
Viu sua vida, desde o dia que encontrou com Guilmon.
E foi nesse dia que ele criou a vida mais significante de sua vida.
— “Eu criei o Guilmon… e cresci com ele! E se eu não o tivesse criado? O que eu seria hoje e… onde meus amigos estariam? O que aconteceria com nossa cidade? E quem… a protegeria?”
Mergulhado em dilemas, Takato tinha uma criatividade enorme.
Ele percebeu.
— “Se tudo é um destino… eu o quebrei com o que eu sempre fui! E se sempre fui assim…
Ele estava em um passado mais recente.
Lidar com questões mais maduras passou a fazer parte de sua vida.
Eram frequentes, os professores cobravam isso.
As amizades eram seu vínculo com o que era e com o que se tornou.
Dentro de sua mente, era isso que o ancorava.
— “Eu tomei a responsabilidade… e eu fracassei nisso. E hoje, aqui na frente dos meus amigos, eu não estou mostrando esse mesmo desejo de fazer as coisas certas. Mas… se eu não falar nada…”
O sorriso de cada um dos amigos de longa data o levaram novamente ao passado.
Foi nesse momento que Takato mediu bem a distância entre nostalgia e senso maior.
— “É ISSO!”
O que guardava de bom, ele compartilhou com todos ainda melhor.
— Nós somos domadores! Nunca se esqueçam disso!
Seu grito veio junto com a surpresa de todos.
— O que foi agora, Takato? – Perguntou Ruki.
— Continuar crescendo mais e mais… Até a gente não cometer os mesmos erros. Nós escapamos da morte… e não podemos pensar que isso é só mais um dia de vitória! Não é!
Lee entendeu isso como um chamado, Ruki também.
Takato não parou.
— Não é só sobre nós. A nossa cidade pode sofrer com isso. Então, essa é a hora de mudarmos a chave. Ninguém colocou a gente nisso… e sim nós escolhemos estar aqui!
Ruki tinha o mesmo espírito.
— Chega desse sentimento! Se falhamos, então vamos fazer as coisas do jeito certo! vamos cuidar melhor de nossos digimons!
Bastou poucas palavras e o foco logo retornou.
— Eu queria ouvir isso… — falava Lee. — Essa decisão de não parar. Não estamos no direito de errar, mas acho que o pior erro é pensar que tudo acabou. Não temos esse luxo. Nunca teremos.
Partir de Takato o primeiro passo não era só um simbolismo; todos ali eram auto suficientes, mas a confiança do grupo voltou, quase como um milagre, naquele momento movido por Matsuda.
Os sorrisos voltaram.
Mas, neste momento de recuperar o foco, Takato perguntou:
— Aliás, como a gente escapou disso tudo? Eu… não tenho a mínima ideia.
Yamaki, com pompas de protagonista, tomou a palavra.
Não foi pela resposta a pergunta.
— Agora é hora das visitas entrarem.
A porta do leito se abriu, lenta e sem arranhar.
Naquele instante, os pais e responsáveis entraram no leito onde estavam, para alegria de todos os jovens — uma explosão de emoções.
Foi tocante.
Porém:
“Onde estão Guilmon, Terriermon e Renamon?”
O cenário mudou — abrupto — para mostrar acontecimentos paralelos em um outro lugar.
Outro ambiente… mas a dicotomia se mantivera.
(Enfermaria Digital da HYPNOS)
時間: 11:00 PM
Não era uma ala médica tradicional.
O lugar era cercado por computadores e monitores.
Gráficos eram mostrados em tempo real assim como leituras de potencialidade completavam o cronograma — telas como ferramentas, prompts como instrumentos cirúrgicos.
Ambiente de luz controlada, mais escuro, necessitava de relaxamento visual.
Haviam também agentes da Hypnos indo de um lado para outro, agência sem respirar.
Quanto aos profissionais “médicos”, a urgência era para Guilmon e Terriermon.
Os dois digimons era o caso mais grave.
Como contraste, sentada ao fundo do salão, estava Renamon.
Imóvel, seu olhar ilustrava o fracasso em proteger Ruki.
— “Tudo isso… foi culpa minha…”
Flashes piscaram em sua mente.
Strabimon aparecia em cada um deles, como um juiz.

Pensamentos negativos a torturavam — mesmo dados guardavam emoções.
— “Fui incapaz de ficar em pé… à frente do inimigo. Não consegui proteger Ruki e… dependi de um humano para não vê-la morrer…”
Ela se lembrou do momento maldito: viu Guilmon e Terriermon caírem, cujo sacrifício foi o único subterfúgio que tinham.
Alimentada pela vontade de ser a mais forte, ela ficou à frente de Ruki, usando seu golpe mais poderoso para protegê-la.
Mas nem mesmo a Morte Gélida foi o suficiente para deter o movimento radiante de Strabimon.
Ela olhou para o braço. Sua luva estava suja com o sangue de sua domadora, como uma marca.
Seu olhar fixou nisso, como um trauma que ela carregaria por um bom tempo — olhou para a palma da mão, tentando achar uma saída…
Ou propósito.
Mas, naquele momento, ela não estava mais sozinha.
Terriermon já havia despertado.
Seus olhos se abriram, mas a percepção foi imediata.
Sem medir as palavras, disse:
— Não adianta… Você também perdeu sua força.
A raposa o olhou, já sabendo do contexto.
— Terriermon, você acordou… — divagava, desviando o olhar.
— Momantai… e você não tá sozinha nisso, tá?
Ela guardou suas palavras, cruzando os braços — defensiva, mas conexa com sua natureza.
— Onde nós estamos? E cadê o Lee e os outros? — ele olhou para o lado. — Guilmon?! O que acont…
— Acalme-se — falava a raposa. — Estamos no prédio da Hypnos. Os nossos domadores estão todos bem, então não se preocupe.
— Ah… — respirou aliviado. — Hora boa para falar “momantai”, mas não quero.
Ele tentou se levantar, mas percebeu fraqueza no corpo — a vontade de ir ver Lee era maior que a própria força.
— Você deveria continuar deitado. Se machucou muito…
— Não o suficiente… — disse, se sentando na cama.
Um silêncio veio.
Os dois ficaram imóveis e calados.
O entendimento do colapso veio — sincronizado e verbalizado.
— Aquele digimon era muito forte — Terriermon falou a dura verdade.
— Sim… Era.
— Você o conhece… Não é? Parecia que já sabia o que iríamos enfrentar… Tanto que quis lutar sozinha.
— Isso já não importa mais… Eu não consegui proteger Ruki.
— E eu tentei proteger o Lee… e estou preocupado com ele.
— Hm… Takato e Lee não se machucaram, mas Ruki…
— O que tem ela?! O que houve?
Ele então viu a mancha de sangue, o que o deixou ainda mais assustado.
Olhou ao redor, só havia telas e monitores, além de computadores.
A respiração se tornou ávida, os olhos dilatados.
O pequeno pensou no pior.
— Renamon, não me diga que… Não, não pode…
Seu comportamento e sua falta desencadearam o aflorar tempestuoso em Renamon.
A raposa não suportou.
— ELA NÃO MORREU!
Seu grito raivoso se misturou com a aflição de Terriermon.
Foi ouvido por toda a enfermaria, com os profissionais responsáveis pelo lugar tomando postos.
Era o começo… ao mesmo tempo o fim.
O ato despertou Guilmon.
— Ah… Ta… Takato…
As palavras tentavam fugir de sua boca, deixando claro a reconexão com o mundo.
Fraquejou, piscava os olhos répteis, ainda frágeis, se acostumando com o ambiente.
— Ele acordou! — Terriermon começou a saltar, mas ainda estava fraco. — Ah… Ai… Eu ainda não tô bem…
Guilmon esboçou um pequeno sorriso ao ver o amigo voltando a se deitar.
Suas palavras vieram, desta vez com peso.
— Terriermon? Renamon? O que… O que aconteceu? E… onde está o… Takato?
— Ele está bem! O Lee também! E a Ruki!
Guilmon ficou mais aliviado, se mantendo deitado enquanto era examinado por um dos enfermeiros.
Mas era empático o suficiente para saber que havia algo errado com a raposa.
— Renamon… você… está triste…?
— Hm… Não foi nada…
— Está triste… não é? Foi por causa… da gente ter perdido?
— Hm… — Ela virou o rosto, se levantando.
Não só se levantou, como também caminhou para longe, deixando ali os dois.
Terriermon comunicou a Guilmon:
— Ela não tá bem… e não é só porque a gente perdeu.
— Então… o que… foi?
— Eu não sei bem, mas… Deve ser porque… Ah… A gente não conseguiu proteger nossos domadores como deveríamos.
— Mas… Takato, Lee e Ruki… estão bem.
— Essa é a parte que eu não sei bem… Mas a gente conhece a Renamon. Ela é sempre assim de se sentir forte. Mas agora…
— Grani… Ele disse pra gente que… nosso poder não era tão forte como antes… e ela sabia.
— Momantai…
O clima não era dos melhores.
Mesmo que tivessem a certeza de que os jovens estavam bem, Renamon não conseguia administrar bem o fato de ter falhado.
Havia alí um pouco de culpa inclusive, já que, como Guilmon disse, tinham conhecimento de limitações de seus poderes.
Até os digimons tinham essa noção.
Uns aceitavam… e outros não.
O sentimento de culpa acertou Renamon.
Um ego ferido, com um retrocesso.
Tradução feita por fãs.
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