Digimon Tamers 00 – Capítulo 26
Digimon Tamers 00
Web Novel Online – Capítulo 26
[Pós Derrota_ A Ascensão da Hypnos]
A situação entre os domadores e seus digimons não era nada agradável.
A acachapante derrota de Guilmon, Terriermon e Renamon, para um único oponente trouxe a certeza amarga de que seus poderes não eram os mesmos de cinco anos atrás.
Embora tenham digievoluído, isso não era garantia de potencial.
Ajudando a juntar os cacos após a fatídica derrocada dos domadores lendários e seus digimons, Yamaki se encarregou de tudo, trazendo sua equipe até o galpão de manutenção de trens de Shinjuku e socorrendo a Takato, Lee e Ruki, a única consciente.
Assim como ela, Renamon também estava consciente, ao contrário de Guilmon e Terriermon.
A equipe de Yamaki, membros ativos da Hypnos, órgão governamental que buscava proteger a rede da cidade e, porventura, do Japão, levou todos até o prédio da instituição para abrigá-los durante esse momento de crise extrema.
Os devidos cuidados estavam sendo prestados — mas as feridas eram mais profundas.
A superfície era só uma casca que o terror criou.
Mas, enquanto percorria o caminho até o prédio em uma das vans da Hypnos, Ruki, ainda incrédula com o que aconteceu, estava perdida em seus pensamentos:
— “Nós fomos derrotados… Totalmente!” — seu olhar distante procurava por respostas.
Incapaz de encontrar um norte, a rainha digimon estava mais vulnerável, visível em seu semblante e ainda mais em sua mente.
— “Essa sensação… ela não passa. É como se eu tivesse perdido mais do que parece. O que vamos fazer?”
Ela precisou encarar os fatos.
As coisas mudariam daqui pra frente.
政府の建物を追跡するネットワーク
(Edifício Governamental de Rast. de Rede)
ヒプノス公式本部 (Sede Oficial da HYPNOS)
時間: 10:00 PM
Apesar do horário, os corredores do prédio estavam movimentados o suficiente para dizer que o momento era de extrema urgência.
Vários dos agentes corriam para fazer ajustes ao mainframe e também análises dos recém chegados digimons.
Não somente eles, mas Yamaki, junto com sua equipe, tinham total ciência do que estavam lidando — não só derrota, mas o conhecimento de ameaça real e imediata à segurança de Shinjuku e toda Tokyo.
E ele, sem perder tempo, deu ordens:
— Contatem as famílias Matsuda, Lee e Makino o quanto antes. Quero todos aqui para nos ajudar com a questão… e a cuidar dos jovens.
A pressa em ajudar os jovens foi o fator mais importante que Yamaki mostrou à sua equipe.
— Precisamos de toda ajuda… e eles são os principais. Ofereçam todo o suporte possível a todos eles!
— Senhor Yamaki — falava um dos assessores — devo contatar também o governo?
— Não, por enquanto. Precisamos agora levantar o máximo de informações.
Ordem dada, o CEO da Hypnos olhava para um monitor, acompanhando o avanço de sua equipe.
Contudo, ele tinha outros pensamentos:
— “No momento, precisamos intensificar o tratamento a Guilmon, Terriermon e Renamon. Eles parecem estar bem feridos…”
Era esse o clima.
時間後 (Horas depois)…
A sala de reunião.
As quatro paredes que formavam o local tinham o isolamento perfeito para horas de conversa e trabalho.
Uma enorme mesa central delineava o espaço útil da sala, assim como um grande monitor pendurado à parede, deixando claro a tecnologia de última geração que a Hypnos dispunha.
O aconchego das luzes baixas e a climatização a 23 ºC ajudavam a manter a temperatura da conversa sob controle — mas nem tanto assim.
Lá dentro estavam todos os responsáveis pelos jovens — onde a pergunta de todos era:
“Onde eles estão… e como estão?”
A resposta veio logo:
— Todos estão bem, sob cuidados da ala médica da Hypnos. Fiquem tranquilos!

Essa era uma palavra carregada de ironia, e também de significado literal.
Porém ele estava cercado de pessoas simples, que agora tinham suas vidas normais mudadas mais uma vez por um evento traumático.
O executivo tinha muito a responder a eles:
— Tranquilo?! — Disse o pai de Takato, apontando para Yamaki. — Como podemos ficar tranquilos depois do que acabou de acontecer?
Um emaranhado de trocas.
A culpa era pesada, e ninguém estava disposto a abaixar a cabeça.
— Nossas crianças acabaram de ser atacadas por um digimon! — a Sra Hara falava, irritada. — Queremos ir até onde estão… e que vocês façam alguma coisa para impedir que aconteça outra vez!

O executivo se esquivou, compartilhando parte da culpa:
— Todos vocês foram muito irresponsáveis em não terem me avisado sobre a volta do trio de digimons. Onde estavam com a cabeça ao pensarem nisso?
O Sr Janyuu, após ouvir o que Yamaki disse, tentou ser racional:
— Se você disse que estão na ala médica são e salvos, então devo pensar que o pior já passou, não é? — ele também foi irônico. — Trate de melhorar nas suas respostas, Yamaki! Vocês da Hypnos demoraram muito para aparecer!
Não era tão simples.
Yamaki tentou levar o assunto para um lado mais empático, porém os fatos exigiam uma resposta mais concreta.
— Se refere ao estado de saúde deles? Se sim, então fiquem tranquilos. Peço por favor que me ouçam atentamente.
— Nem pense em passar para nós a culpa, já que você é o cabeça daqui e é você que tem a responsabilidade!
Não era só necessária uma explicação: era um imperativo.
Por mais que os pais não tivessem avisado sobre a volta de Guilmon, Terriermon e Renamon, a verdade era uma só: não faria a mínima diferença.
O tempo curto entre o surgimento do trio e a aparição dos digimons invasores quebrava qualquer diagnóstico.
Sabido disso, Yamaki usou de suas habilidades como executivo.
— A todos os presentes: como os digimons estão de volta, isso corrobora com o que nós da Hypnos já desconfiávamos.
— Desconfiava e mesmo assim passou esses anos afastado de nós? — perguntou Sr Matsuda. — Esperava que o governo estivesse o tempo inteiro nos protegendo depois daquilo que aconteceu no passado… Eu pago impostos pra isso!
O Sr Janyuu o olhou, sinalizando com uma das mãos — apontando para o homem — a concordância.
Cinco anos desde que os digimons se foram… e agora a bomba explodiu.
— Yamaki, Matsuda está coberto de razão — disse o pai de Lee. — Nossos filhos quase morreram desta vez… Isso é irrefutável. Vocês sumiram por cinco anos!
— Somos uma instituição secreta. Onde isso não ficou evidente?
A resposta seca de Yamaki despertou a ira de todos.
Quase uma piada, próximo do escárnio.
— Acha que somos idiotas? — a Sra Hara não se conteve. — Minha filha está em viagem, mas espere só quando ela chegar e saber do que aconteceu! Vocês deveriam ter um plano para combater esse inimigo!
O CEO da Hypnos, ao ouvir isso, foi direto ao ponto:
— Eu já esperava por isso… — olhar distante, voz baixa. — A Sra Rumiko Makino ganhou destaque internacional… e vai expôr isso para a mídia, eu presumo.
— Que bom que você sabe disso!
— Sim… e seria um ledo engano.
Yamaki a fitou, em sinal de provocação — ameaças veladas o irritavam.
Tudo aquilo estava acontecendo rápido demais.
Enquanto a Sra Hara mantinha seu semblante irritadiço, o CEO da Hypnos continuou o que estava falando.
— Eu os chamei até aqui para evitar que o governo agisse para isolá-los do resto da população de Tóquio. Igual a irresponsabilidade de vocês, eu também não anunciei essa ocorrência.
Nem isso foi o suficiente para abaixar os ânimos.
Sr Janyuu, o mais entendido das invasões recentes na rede de computadores dos digimons, o inteirou de seu raciocínio:
— Vocês sabiam e não me disseram nada! Eu sei que vocês queriam nos proteger, mas tenho certeza de que o retorno de Guilmon, Terriermon e Renamon era um indício de que outros viriam.
Yamaki coçou o próprio queixo, e ressentiu em silêncio da definição — não havia como demonstrar controle da situação, era impossível.
— Eu entendo perfeitamente o que você quer dizer com tudo isso — respondeu, abrindo e fechando o isqueiro. — Mas isso é algo que deveria estar em sua alçada desde o início, estou errado?
Evidente que o executivo tinha ciência da posição de Janyuu em sua atual atividade — o pai do Lee trabalhava para uma empresa privada de tecnologia — e jogou com essa peça para equilibrar a balança.
Contudo, ele não era o único jogador.
— E é o que eu estou fazendo desde o início! — falou Sr Janyuu. — Mesmo sem saber de que os digimons dos nossos filhos estavam de volta, já haviam outras manifestações na rede.
— Tão fácil, mas ao mesmo tempo tão difícil… — Yamaki caminhou até o centro da sala de reuniões. — Esse também foi um dos motivos de chamá-los até aqui.
Sem perder o fio, mostrou em um dos monitores um mapa da rede de computadores de Shinjuku.
A movimentação de dados continha atividade constante desde 2001 — semanas depois da derrota do Matador — cuja informação deixou Janyuu focado nos resultados colhidos.
— O que?! Mas isso… Isso é incrível! Shaggai continuou ativo, é isso mesmo?
— Sim, mas isso não é tudo. As limitações que ainda temos para estar na mesma velocidade do desenvolvimento de tecnologia agora é muito mais evidente.
O ceticismo não era exclusivo de Yamaki.
— Você quer mesmo que eu acredite que um órgão governamental como a Hypnos não tem aparato para rastrear vestígios de digimons? Me poupe disso! — Janyuu indagou, retirando os óculos.
Ao lado dele, também estavam os demais responsáveis.
O descontrole da situação ficava cada vez mais aparente — a Hypnos estava atrás na corrida.
A conversa entre os dois entendidos continuou.
— Eu mesmo, usando o computador e sistema da empresa que eu trabalho, consegui saber que havia tal movimentação!
— E quando você fez isso? — Yamaki o fitou, mantendo o seu rosto neutro.
— A uns três dias, a partir do momento que Gummymon apareceu para Lee. Ou seja, quando eles voltaram. Mas porque você está me fazendo essa pergunta?
— Simples, Janyuu… — disse, apertando um botão na mesa à sua frente.
Logo o projetor da sala mostrou gráficos de leituras de monitoramento de rede.
Uma explicação de Yamaki era necessária para integrar melhor aos responsáveis o grau de urgência — dados na mesa, desta vez sem esconder a realidade.
— Desde o final do Matador sabíamos que não era o fim. Conforme o tempo foi passando, melhoramos nossa infraestrutura e maquinário. Atualizamos Shaggai desde a data de onde vimos os digimons pela última vez.
Foi mostrado no monitor as instalações do interior do prédio da Hypnos.
Setor por setor, os profissionais envolvidos deixaram claro a atividade incessante do órgão institucional — “nunca parou, e nunca vai parar”, como Yamaki deixou claro.
— Hoje nosso software tem pelo menos 500% de potência com relação a cinco anos atrás. Temos a banda larga mais rápida do mundo, o mainframe com maior capacidade de processamento montado… e mesmo assim não é o suficiente.
— Espera! — exclamou o Sr Matsuda. — Está me dizendo que vocês da Hypnos são incapazes de nos proteger?
— Precisar o local exato e como o “selvagem” se apresenta no momento é impossível — respondeu Yamaki. — Boas notícias só existem na ficção.
— Minha nossa… — pôs a mão no rosto, começou a tremer. — Mas isso…
— Temos uma das melhores equipes de engenheiros, matemáticos, físicos e cientistas de tecnologia trabalhando aqui… para encontrarmos uma saída. No momento, nada é garantido. Sinto muito.
A revolta inicial deu lugar a um sentimento de luto.
O ambiente desabou tanto quanto a derrota dos digimons e seus domadores.
Lendas foram destruídas, assim como a esperança que se despedaçava em segundos.
O mosaico opaco da sensação formou no chão uma imagem clara: a incerteza.
Entretanto, Janyuu observou melhor o que foi colhido pela Hypnos.
Antes de dizer qualquer coisa, pegou seu PDA — um Sharp Zaurus com cartão Willcom embutido para fazer ligações — e pensou em ligar para casa.
Sua preocupação com a família era grande, mas, por ironia, um lapso mental surgiu, lhe trazendo informações passadas: se lembrou das noites onde esteve fazendo rastreamento, por acaso, imaginando que um dia os cinco anos trariam a conta.
E foi o que aconteceu.
Curioso como a cortina digital foi costurada desde o fatídico ano de 2001, seu conhecimento apurado de tráfego da rede o levou a uma conclusão — a luta continuou, mesmo que as armas fossem outras.
Só que, nas lembranças de sua assiduidade, trouxe à superfície seu achado.
Enfim, expôs com força seus argumentos:
— Eles estão usando a Darknet, não é? — falou, com muita irritação. — Nada de rodeios, Yamaki! Estou perdendo a paciência com o pouco de informação que você está liberando!

Todos olharam para ele, sem exceção.
Janyuu escalou o tom, mas o executivo mostrou mais controle emocional que de costume.
— Hm… Bingo! — Yamaki sorriu, o som metálico do clique do isqueiro retornou. — É bom conversar com gente que entende como você…
— Eu suspeitava disso… e temia que fosse verdade. E o que vocês fizeram quanto a isso? Diga logo!
— A imprevisibilidade desta camada profunda da rede é uma terra sem lei. Nem mesmo Shaggai atuando com sua potência máxima conseguiu precisar o local da invasão. A darknet… é obscura demais.
Eles tinham um norte, mas os obstáculos eram maiores do que os modernos softwares de monitoramento de rede da Hypnos.
Eles tinham o conhecimento, mas a tecnologia ainda não havia galgado tanto degraus na escala evolutiva do crescimento de dados escondidos em todas as camadas.
Janyuu e Yamaki tinham total ciência dessa limitação.
E esse nem era o principal problema: a Sra Hara estava mais preocupada com outra coisa:
— Tudo isso é mero detalhe! Onde estão nossas crianças, Yamaki?
— Hm… De certa forma, eu concordo com a senhora. E respondendo, eles estão bem. A ala médica do nosso edifício os está cuidando.
E o pai de Takato reforçou:
— Tudo aquilo que aconteceu nessa cidade a cinco anos antes está prestes a voltar… e eu quero proteger o meu filho!
Imediatamente, Yamaki ligou vários monitores, mostrando o leito de recuperação na ala médica da Hypnos.
Todos estavam sendo bem cuidados.
— Eu concordo com o que vocês disseram, e quero que saibam que tudo isso ainda é pouco para o que eles fizeram a essa cidade.
Havia muita sinceridade nas palavras do CEO da Hypnos, algo raro de se ver.
Um pouco de calma surgiu no recinto, onde a restituição da ordem prosseguiu crescendo.
O executivo seguiu com sua explicação.
— O tempo passou… e muitos duvidam que o incidente contra o Matador tenha sido real. Porém, eu tenho um sentimento de gratidão por tudo que esses jovens fizeram para nos salvar.
Um sorriso brotou em seu rosto, deixando claro que estava emocionado com o que estava acontecendo.
— E eu, junto com minha equipe, estamos comprometidos a ajudá-los, não só dessa vez, mas para o que vier pela frente.
— Ou seja, você quer tomar dessa vez a responsabilidade por tudo? — Janyuu, de braços cruzados, explanou. — Mais cedo, um digimon tentou matar nossos filhos e os digimons…
— Sim… e por tudo que é bom no mundo, eu consegui salvá-los.
— Como conseguiu isso, posso saber? Yamaki, tem várias coisas que não fazem sentido nessa história.
A retórica tinha motivo: o executivo pareceu estar passos à frente, e interveio no momento certo antes de um fim trágico.
Havia mais para saberem.
Não era o fim… e nem o começo.
Tradução feita por fãs.
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