Rakuin no Monshou – CapĂtulo 7 – Volume 2
Rakuin no Monshou
Emblem of the Branded
Light Novel Online – CapĂtulo 07:
[Veredito Vazio]
Mais de trinta espadas e armas de fogo foram apontas para os estadistas de Mephius. Os nobres empalideceram, e até os comandantes ficaram momentaneamente sem palavras diante da intenção assassina e silenciosa dirigida a eles. Os guardas responsåveis por proteger o coliseu tentaram avançar.
â NĂŁo se mexam! â Uma voz entre os soldados os fez parar abruptamente. â NinguĂ©m se move! DĂȘem um Ășnico passo e começaremos a atirar um por um!
Com as figuras centrais de Mephius como alvo da ameaça, eles ficaram impotentes.
â V-Vossa Majestade…
O Imperador afastou o braço da Imperatriz Melissa, que tentou detĂȘ-lo, e se levantou.
â Identifiquem-se! â Guhl Mephius declarou, sua barba branca tremendo de raiva. â Sob ordens de quem agem? Seus tolos, entendem contra quem apontam suas armas?
PorĂ©m, os homens de capacetes que cobriam os olhos nem sequer vacilaram diante de seu rugido. Ele percebeu que o equipamento era de Mephius, mas nĂŁo havia brasĂ”es nem bandeiras que revelassem suas origens. Era impossĂvel saber a quem serviam ou se pertenciam a um poder externo que roubou o equipamento.
â Tch!
O Comandante Rogue Saian apertou o punho da espada na cintura, mas nada podia fazer. O jovem Romus se agarrou Ă sua perna. Ele abraçou os ombros do garoto e murmurou âĂ tudo minha culpaâŠâ repetidamente.
â NĂŁo permitirei que se aproximem da princesa, seus canalhas!
â Theresia, recue!
Sua mestra, Vileena, também estava presente no meio do tumulto. Um suor frio escorreu por seu corpo, mas ela manteve a calma, observando todos os lados.
Sua serenidade contrastava com o tremor dos nobres. Alguns haviam deixado seus assentos, outros se encolhiam diante das armas, e alguns, paralisados, chamavam pelos nomes de seus servos, como se esperassem acordar de um pesadelo.
EntĂŁo Ă© isso que Mephius se tornou.
Apenas uma pessoa, Zaat Quark, sentia-se inundado por uma torrente de satisfação e, ao mesmo tempo, de desespero.
Sem saber que foram encurralados pelo artifĂcio de Noue e Oubary, eu, que os elevei atĂ© aqui, posso fazĂȘ-los se render com um Ășnico golpe. Isso Ă© Mephius hoje.
Zaat engoliu o riso com dificuldade. A nave capitùnia da Guarnição foi uma substituição apressada. Ele infiltrou seus soldados nela com ordens de assumir o controle assim que a rebelião começasse.
O prĂłximo passo era se levantar e sair do cerco. EntĂŁo, o Imperador e seus cortesĂŁos perceberiam quem ousava apontar uma espada contra eles, e quem segurava suas vidas em suas mĂŁos.
E ele se declararia o novo lĂder de Mephius.
A maioria certamente se juntaria Ă causa. Ele sempre desprezou o imperador, fingindo lealdade apenas para chegar a esse momento.
Eles nunca tiveram talento para bajular o imperador. SĂŁo como feras que obedecem ao forte.
Os dissidentes seriam presos. Claro, a famĂlia imperial nĂŁo seria exceção.
Que cara Guhl Mephius faria? O pensamento o fez tremer de excitação. Dessa vez, ele estaria acima do velho que ignorava a todos.
Zaat, no ĂĄpice de seu orgulho, finalmente se endireitou. Deu o primeiro passo para criar um novo paĂs. Mas, antes mesmo de completĂĄ-lo, suas mĂŁos foram violentamente contidas.
â O que vocĂȘ-! â Ele começou, mas foi interrompido pela ponta de uma adaga pressionada contra seu pescoço.
Para os presentes, parecia que um rebelde o capturou durante sua fuga. Ineli e outros prĂłximos caĂram de seus assentos, gritando. Apenas Vileena reconheceu, quem deteu Zaat era a bela escrava que ela vira antes.
Ela também faz parte disso?
Zaat pensou o mesmo.
â O que estĂĄ fazendo? â Sussurrou, confuso. â VocĂȘ nĂŁo Ă© uma escrava que conhece o plano? Esses soldados todos sĂŁo meus.
â Exatamente por isso.
O tom desrespeitoso da escrava fez Zaat arregalar os olhos. Aquela voz nĂŁo era de uma mulher. A força que o imobilizou tambĂ©m nĂŁo era frĂĄgil e, enquanto mantinha a adaga no pescoço de Zaat, a “escrava” falou com uma voz clara e ressonante:
â Nobres presentes, peço perdĂŁo por interromper esta crise, mas tenho algo que certamente lhes interessarĂĄ. Pois revelarei o verdadeiro mentor desta rebeliĂŁo!
â O quĂȘ! â Zaat gritou, tĂŁo estupefato quanto os outros.
Finalmente, Vileena percebeu a verdadeira identidade da “escrava”. O corte de cabelo impecĂĄvel, o olhar cativante, o nariz afiado, traços tĂŁo belos que justificavam a confusĂŁo.
â NĂŁo pode ser… Shique? Da guarda imperial do prĂncipe…?
A “escrava” vestida de mulher piscou para ela.
â Guarda imperial? â Rogue Saian cuspiu. â Mas suas açÔes sĂł apoiam a rebeliĂŁo! Quem Ă© o mentor? Diga!
â NĂŁo entenderam? Eu jĂĄ o estou apresentando.
Mesmo descoberto como homem, Shique sorriu de modo encantador.
â Ah! â Rogue e Simon responderam, atĂŽnitos.
Com a adaga ainda no pescoço de Zaat, ele usou o nobre como escudo e virou-se para os soldados.
â EstĂĄ vendo? E agora, o que farĂŁo, senhores soldados? Por que nĂŁo se moveram atĂ© agora? EstĂŁo preocupados com a vida de Zaat-dono? Por que, entre Sua Majestade e os estadistas, ele nĂŁo estĂĄ sob suas armas?
Como Shique dissera, os soldados, com rostos ocultos, tremiam visivelmente.
Enquanto isso, no outro lado da arena, outro tumulto começava.
Homens disfarçados de guardas tentaram escalar a torre de vigia, mas foram surpreendidos por um obståculo.
â Parece que alguĂ©m fez a escolha certa.
Shique murmurou e lançou um olhar fugaz a Vileena.
Eles planejavam aproveitar o caos para alvejar a princesa, mas a antecipação de Orba os impediu. Os guardas imperiais, disfarçados de escravos, prenderam os homens sem resistĂȘncia.
Ao perceber o sinal, Shique sorriu.
â Agora Ă© um empate, nĂŁo?
â N-NĂŁo sei do que fala. Solte-me, escravo! Como ousa me tocar? VocĂȘ Ă© que Ă© suspeito!
â EstĂĄ se contradizendo, Zaat-dono. Um escravo jamais seria o mentor. Por que acha que eles nĂŁo se moveram? Atirem em nĂłs dois, se ousarem.
Enquanto Shique avançava, os soldados recuavam. Todos na arena agora os observavam. O pùnico cessou. Até os nobres, antes desesperados, fixaram os olhos neles.
Zaat, Ă beira do desespero, lembrou-se de uma Ășltima esperança e sorriu.
â Idiota! Disse que Ă© da Guarda Imperial, nĂŁo? EntĂŁo nĂŁo pode deixar aquele prĂncipe incompetente morrer, pode? O mesmo que os escravos capturaram!
Todos olharam para a arena, onde o prĂncipe Gil supostamente estava preso. Zaat riu.
â Entendeu? Solte-me, seu vira-lata!
Shique nĂŁo vacilou.
â O que diz, meu prĂncipe? â Chamou.
EntĂŁo, Zaat viu o impossĂvel: as cordas que deveriam prender o prĂncipe caĂram, e ele caminhou livremente. Nenhum escravo o impediu.
â MALDITO!
A Ășnica reação foi Pashir rangendo os dentes. Os escravos fitavam o prĂncipe com Ăłdio, mas nĂŁo se moveram.
Gil â ou melhor, Orba â sentiu-se amargo.
Sua “captura” pelos escravos foi um plano desde o inĂcio. Orba usou a jovem escrava Mira, amada por todos, como refĂ©m para controlĂĄ-los.
Quando Pashir o descobriu com Kain, atĂ© ele nĂŁo pĂŽde reagir com Mira ameaçada. Kain anunciou que “ouviu o plano de Orba”, quebrando o Ăąnimo dos escravos. Sem sua surpresa, a vontade de lutar atĂ© a morte desmoronou.
Apenas Pashir continuou a encarar o prĂncipe com um Ăłdio mortal. Orba reprimiu seu prĂłprio desconforto sob aquele olhar.
Isso bastaria para acabar com a rebelião, mas não para encurralar o verdadeiro inimigo. O plano precisava avançar, mesmo que significasse fingir uma revolta.
Mas Orba queria evitar mortes, daĂ sua “captura” pelos escravos.
â VocĂȘ mesmo confessou, Zaat â Orba bradou, enquanto a arena se silenciava. â Como usou os escravos e participou da revolta. Agora estĂĄ claro, vocĂȘ Ă© o mentor.
O rosto de Zaat ficou vermelho.
â Ă verdade, Zaat? â Simon Rodloom levantou-se, com voz agustiada. â VocĂȘ planejou isso?
Zaat desviou o olhar. Não suportava a decepção nos olhos de Simon.
O Imperador, a Imperatriz, os nobres, todos observavam Zaat e o guarda que o ameaçava. Um silĂȘncio sobrenatural pairava. Orba, sem qualquer sinal de orgulho por seu feito, olhou indiferente.
Ele nĂŁo viu a sombra que se aproximava.
â PrĂncipe! â Vileena gritou.
Orba virou-se e viu um escravo atacando. Ele desviou, mas caiu de joelhos, seu corpo, jĂĄ ferido, nĂŁo reagiu a tempo.
O escravo atacou novamente, mas Pashir o agarrou como um furacĂŁo e o jogou ao chĂŁo.
â Seu bastardo! Vai deixar Mira morrer? â Pashir tremia de raiva. â VocĂȘ nos traiu! Fez pacto com esse nobre e nos levou Ă morte!
O escravo, encurralado, cuspiu sangue e morreu.
Veneno.
Os outros sniper capturados também sucumbiram.
Nesse instante, Zaat agiu como um animal acuado. Aproveitando a distração de Shique pelo ocorrido, empurrou-o, agarrou Ineli e a usou como escudo.
â AJUDEM-ME! â Ineli estendeu a mĂŁo, mas Baton recuou como um covarde.
Zaat arrastou-a para uma nave e decolou.
â MĂE! â Seus gritos se distanciaram.
As naves de Zaat subiram em formação. Um porta-naves os aguardava.
Orba reagiu rĂĄpido. Reuniu a Guarda Imperial, ordenou que vigiassem os escravos e perseguiu Zaat com as poucas naves disponĂveis.
Pashir observou Orba â ou “Gil” â com rancor, mas tambĂ©m certa admiração.
As naves imperiais decolaram, mas as de Zaat as bloquearam. Orba tinha pilotos habilidosos, mas em menor nĂșmero.
â NĂŁo hĂĄ outras naves!? â Orba agarrou um soldado, mas nĂŁo havia mais no coliseu.
Se Zaat alcançasse o porta-naves, Ineli estaria perdida.
Maldito Zaat, resistindo inutilmente!
Orba queria capturĂĄ-lo vivo para revelar todos os cĂșmplices.
â DROGA!
Então, uma nave pousou ao seu lado. Alguém conseguira uma.
â Ătimo! â Orba sorriu, mas surpreendeu-se ao ver quem a pilotava.
â Vai ou nĂŁo? â Era Vileena.
Ela ignorou os protestos de Theresia, subiu em uma nave de evacuação e a trouxe de volta até ele.
Sem tempo para discutir, Orba pulou atrĂĄs dela.
â Claro!
Vileena acelerou. O motor zumbia, e a nave, com forma de wyvern, ganhou altitude.
â VocĂȘ⊠â Ela começou, entre manobras.
â O quĂȘ?
â Fez Orba entrar no torneio para isso?
Orba ficou tenso ao ouvir seu prĂłprio nome.
â F-foi.
â Por que nĂŁo me contou? Para rir da minha birra infantil?
â C-claro que nĂŁo…
â EntĂŁo por quĂȘ…? NĂŁo confia em mim como sua futura esposa? Ainda me vĂȘ como uma assassina de Garbera?
Mulheres…
Por que discutiam isso agora? Enquanto balas silvavam ao redor, uma nave inimiga mergulhou em sua direção.
â Mais importante, eles estĂŁo vindo!
â Eu sei! NĂŁo me subestime! â Vileena virou bruscamente, quase arremessando Orba para fora, que se agarrou no Ășltimo segundo na cabine do piloto.
â Eu posso ter esquecido de mencionar â Vileena disse calmamente, com os olhos fixos Ă frente â, mas como um aviso, isso nĂŁo vai ser um passeio tranquilo.
Desgraçada!
Orba quase soltou uma sequĂȘncia de insultos do seu tempo como lĂder de bandidos, mas se segurou. Em vez disso, agarrou a arma montada na parte traseira da nave e disparou um tiro de advertĂȘncia contra a embarcação que acabara de passar por eles e agora começava a virar. O rastro laranja do projĂ©til curvou-se como um chicote abaixo dele.
â Espere! VocĂȘ poderia nĂŁo atirar, por favor? Atrapalha o voo.
â MasâŠ
â O ar Ă© o meu domĂnio.
Mesmo enquanto falava, Vileena continuou a desviar dos tiros de volta com maestria. Enquanto Orba era repetidamente atingido por uma sensação de frio na espinha, ela passou habilmente pelas naves inimigas que tentavam se espalhar em formação defensiva e alcançou a embarcação pilotada por Zaat.
Impressionante.
Orba ficou maravilhado com as habilidades de manobra da princesa. Ela seria uma instrutora de aeronaves promissora para a Guarda Imperial.
A nave de comando da guarnição aproximou-se, bloqueando a luz do sol e escurecendo a visão à frente. Sem hesitar, alinhou-se com a nave de Zaat e abriu a escotilha, de onde ele saltou para dentro.
Vileena reduziu a velocidade da aeronave. Orba, sem parar, pulou e tentou correr em direção a Zaat.
â NĂŁo se aproxime!
Zaat também havia saltado e aterrissou rolando, segurando Ineli pelos ombros, mas não esqueceu de apontar a arma para a testa dela.
Não havia sinais de ninguém no hangar. A maioria dos soldados tinha sido enviada para fora, e o resto provavelmente estava a bordo da nave de comando.
â I-IrmĂŁoâŠ!
Usando a jovem, que tremia violentamente, como escudo, Zaat levantou-se mais uma vez.
â Quem diria que seria o prĂncipe. Nunca imaginei que seria pego em flagrante por vocĂȘ. â Seus olhos ardiam de Ăłdio. â VocĂȘ chegou a esta conclusĂŁo graças ao estilo de vida concedido por Sua Majestade? Ou talvez tenha sido os ensinamentos de Lord Simon? Aquele homem fala demais o que pensa. Mas, mesmo assim, nunca imaginei que vocĂȘ enxergaria atĂ© mesmo a rebeliĂŁo dos escravos…
â Chega, Zaat! NĂŁo hĂĄ mais para onde fugir! Se vocĂȘ tambĂ©m Ă© um nobre, aceite a derrota como um homem e entregue Ineli.
â Ha! â Zaat bufou. â Olhe sĂł o herĂłi que se tornou, prĂncipe. Aposto que adoraria ver isso escrito na histĂłria. Mas, infelizmente para vocĂȘ, isso nĂŁo vai acontecer. Como se eu deixasse qualquer pedaço da sua histĂłria imperial sobreviver. Pelo amanhecer que me celebrarĂĄ como o rei “fundador” de Mephius, primeiro, terei que queimar essa histĂłria manchada em pedaços!
â Isso seria Ăłtimo.
â Cale a boca!

Zaat apertou a arma com mais força contra Ineli, que parecia prestes a chorar como uma criança.
Um vento forte entrou pela escotilha aberta. Enquanto roupas e cabelos esvoaçavam com o barulho do vento,
â Isso nĂŁo vai acabar assim. A estagnação que vocĂȘs, autoproclamados imperiais, criaram vai destruĂ-los por dentro. E quando isso acontecer⊠eu voltarei. Para cĂĄ, para estas terras de Mephius!
Ao dizer isso, Zaat disparou para o lado de Orba. Era um aviso para conter Vileena, que começava se mover sorrateiramente pela aeronave, tentando chegar atrås dele. Até a princesa se abaixou e gritou. Naquele momento, Orba correu em direção a Zaat.
Puxando a espada das costas, ele tentou atingir o braço de Zaat. O rebelde jamais esperaria que o prĂncipe avançasse com uma arma em mĂŁos e, em pĂąnico, mudou o alvo. Mas jĂĄ era tarde. Em um instante, Orba estava ao seu alcance.
Um tiro ecoou. Dessa vez, a sorte sorriu para Zaat. Os ferimentos de Orba das batalhas contra Gash e Pashir o afetaram mais do que ele esperava, e quando estava a pouca distĂąncia, ele caiu por causa do vento.
â Guh!
Orba tombou para trĂĄs com um gemido. A bala perfurou seu peito.
â IrmĂŁoâŠ!
â PrĂncipe!
Os gritos das duas garotas se sobrepuseram. Zaat deu uma risada baixa e manĂaca, com as sobrancelhas brilhando de suor.
â Com isso⊠com isso, nĂŁo hĂĄ mais volta!
Orba permaneceu imĂłvel no chĂŁo.
â PrĂncipe! â a princesa chamou novamente da aeronave.
Zaat apontou a arma para Vileena, que começava a descer de sua nave. Seus cabelos platinados balançavam enquanto ela encarava o rebelde com ódio.
â VocĂȘâŠ!
â Isso Ă© o que ele ganha por bancar o herĂłi. Devia ter continuado sendo o prĂncipe covarde e ficado tremendo num canto!
â E foi vocĂȘ quem acabou encurralado por esse mesmo prĂncipe, nĂŁo foi? Renda-se, Zaat! Assim, pelo menos, serĂĄ lembrado como um homem que apenas se perdeu!
â Ă justamente para devolver Mephius Ă s mĂŁos dos homens que eu fiz tudo isso! NĂŁo entende, garotinha!?
â Homem patĂ©tico â Vileena murmurou. â Cego pelas prĂłprias palavras. Um paĂs nĂŁo pode ser governado por uma sĂł pessoa. VocĂȘ Ă© um pobre homem que ignora os tempos e persegue uma ilusĂŁo, assim como o lamentĂĄvel Ryucown!
Vileena tentou provocĂĄ-lo, na esperança de fazĂȘ-lo vacilar. Mas a sorte ainda estava com Zaat. Vendo que a Guarda Imperial estava contida, uma nave de um de seus subordinados surgiu no horizonte. Mesmo assim, ela nĂŁo desistiu.
â Para onde vocĂȘ vai fugir? NĂŁo hĂĄ potĂȘncias dispostas a abrigar um traidor!
â Ah, e quanto a Garbera? â Zaat sorriu, de repente se divertindo com a conversa. â Como cavaleiros honrados, nĂŁo me receberiam de braços abertos, eu, que ousei desafiar o infame Mephius?
â Que tolice. Enquanto eu estiver aqui, Garbera e Mephius permanecerĂŁo unidos. Acha que pode romper esse laço tĂŁo fĂĄcil?
â Moça, vocĂȘ fala como se soubesse de tudo. Mas nĂŁo entende nada. Foi Garbera quem a envolveu nesse plano, atĂ© mesmo sua vida.
â O que quer dizer?
â Bem, me pergunto⊠jĂĄ falei demais. Teremos muito tempo a partir de agora. Que tal eu explicar devagar durante nossa viagem pelos cĂ©us?
A escotilha se abriu, e uma aeronave adentrou. Dois soldados desceram e se aproximaram dela. Vileena cerrou os dentes. O prĂncipe estava no canto de sua visĂŁo. Ele ainda nĂŁo se mexia.
NĂŁo pode serâŠ, ela pensou.
O prĂncipe criticado e zombado por todos. Verdade seja dita, Vileena tambĂ©m se irritava com sua fraqueza. JĂĄ havia se zangado com ele. Mas ele era um prĂncipe que, Ă s vezes, agia com ousadia e astĂșcia, confundindo seus inimigos. Todo dia, ele mostrava uma face diferente, e mesmo quando ela tentava entendĂȘ-lo, o dia passava e ela se perguntava se, talvez no dia seguinte, finalmente o compreenderia.
E esse prĂncipe encontraria seu fim aliâŠ
Enquanto trocavam olhares, Zaat gritou para os soldados com baionetas.
â Levem as mulheres conosco! Afastem o cadĂĄver do prĂncipe. Livrem-se dele direito. Melhor fazer parecer que temos mais refĂ©ns.
Os soldados passaram por cima do corpo de Gil e arrancaram Ineli de Zaat. Nesse momento, a garota resistiu fracamente.
â E-eu? O que vĂŁo fazer comigo?
â VocĂȘ? Hmm⊠usaremos como escudo contra os perseguidores de Mephius â Zaat deu um sorriso cruel. â E depois⊠quando minha conquista estiver completa, acho que a colocarei na guilhotina como sĂmbolo da famĂlia imperial. O povo vai comemorar e certamente zombarĂĄ e atirar pedras enquanto vocĂȘ Ă© executada.
â Eu⊠eu nĂŁo acredito nisso! NĂŁo fiz nada de errado!
Zaat riu, satisfeito.
â AtĂ© vocĂȘ deve saber dos sofrimentos diĂĄrios do povo. Deve conhecer a angĂșstia dos vassalos, sabendo que o prĂłprio alicerce do paĂs pode mudar a qualquer capricho do imperador â ele disse, cantarolando.
Sem dĂșvida, Zaat Quark se via agora como um enviado da justiça, alguĂ©m que seria lembrado nos livros de histĂłria. Por que serĂĄ que aqueles olhos, que antes nĂŁo enxergavam a dor do povo, agora pareciam compreendĂȘ-la? Nesse momento, ele tinha a certeza de que lutava pelo povo.
â Aaah!
O soldado que segurava Ineli gritou de repente.
Alguém o agarrou por trås. Enquanto o homem se debatia em pùnico, essa pessoa arrancou a baioneta dele, desferiu um golpe na cabeça com o cabo e o chutou para longe.
â ImpossĂvel!
Zaat recuou. Diante dele, viu uma aparição de rosto pålido.
â NĂŁo pode ser! A bala⊠eu jurei que tinha acertado vocĂȘâŠ
Orba, ofegante, desviou por pouco de uma investida de outro soldado e o cortou no estĂŽmago. O homem caiu em silĂȘncio, e desta vez foi Orba quem pisou sobre seu corpo.
A cada passo, uma dor ardente percorria seu torso. A bala tinha acertado ele. O impacto ainda reverberava em seu corpo como um tijolo. Ignorando Ineli, que agora se arrastava para fugir, Zaat gritou como um possesso.
â N-NĂO SE APROXIME!
Ele mirou a arma novamente. Orba a afastou com a mĂŁo direita.
â O que foi aquilo? O que vocĂȘ disse sobre os escravos, como eles arriscaram a vida e vocĂȘ os esmagou? Como se pudesse entender!
Orba falou com voz rouca e golpeou Zaat na tĂȘmpora com a mĂŁo esquerda.
Seus joelhos fraquejaram. Orba o deixou cair inconsciente no chĂŁo. Foi entĂŁo queâŠ
â Zaat-sama!
Um homem apareceu nas escadas do hangar. Orba nĂŁo conhecia seu rosto ou nome, mas era Gary Lynwood, um oficial da DivisĂŁo Arco Azul.
Infelizmente para ambos, Gary interpretou a queda de Zaat como um sinal de que ele estava morto. Cego de raiva, ele disparou. Uma bala ricocheteou perto dos pés de Orba.
Orba revidou. Naquele momento, uma vertigem violenta o atingiu. Seus reflexos, jĂĄ lentos pelos ferimentos, ficaram ainda piores.
Bang! Bang! Bang!
TrĂȘs tiros foram disparados, e um corpo se contorceu. NĂŁo era o de Orba, mas o de Zaat, que ele usou como escudo.
â Tss.
Orba cuspiu sangue e atirou por cima do ombro de Zaat. O projétil acertou Gary no peito, arremessando-o contra a parede, onde ele escorregou, deixando um rastro de sangue.
Assim, a luta â onde cada respiração queimava seu corpo inteiro â chegou ao fim.
â Droga!
O corpo de Zaat escorregou de seus braços. O próprio Orba caiu de joelhos, curvando as costas com força. O suor escorria por seu rosto e pingava no chão do hangar.
Sem dĂșvida, Zaat estava morto. Orba mordeu os lĂĄbios.
Agora o elo com Oubary se foi.
Ele poderia tentar capturar os subordinados de Zaat, mas as chances de que soubessem do plano completo eram mĂnimas.
A fĂșria que o mantinha em pĂ©, agora que a batalha acabara, deu lugar a um vazio angustiante.
Pelo que eu estava lutando? Para proteger o status do prĂncipe? Para salvar aqueles nobres fedorentos de Mephius?
No momento em que quase cedeu Ă vontade de chutar o cadĂĄver de ZaatâŠ
â PrĂncipe Gil.
Uma garota correu em sua direção como se quisesse voar.
Vileena franziu a testa, seus lĂĄbios levemente Ășmidos se abriram. Seus cabelos, soltos pelo vento da escotilha, esvoaçavam atrĂĄs dela. Quando Orba a viu, um sentimento estranho brotou dentro dele.
EntendoâŠ
Veio de repente, preenchendo um pouco do vazio sem fundo em seu peito.
Se hĂĄ um motivo, se hĂĄ um motivo, entĂŁo o meu objetivo foiâŠ
â EstĂĄ ferido? Deixe-me ver onde foi atingido. NĂŁo, na verdade, nĂŁo se force, deite-se aliâŠ
â Estou bem.
â MasâŠ
Foi nesse momento que Orba sucumbiu ao cansaço. Ele levou a mão ao peito, onde uma queimadura latejava, e tirou uma medalha dourada e brilhante. A bala estava cravada na parte superior, deformando-a, mas ainda quente. Vileena arregalou os olhos.
â PrĂncipe? â ela perguntou, confusa. â Por que o prĂncipe estĂĄ carregando isso?
Orba ficou sem palavras. Apenas o choro de Ineli ecoava pelo hangar.
âââ
Logo depois, Orba se prendeu a uma aeronave pilotada por um soldado. Ineli embarcou na nave de Vileena.
Abaixo deles, a batalha ainda continuava. De cima, Orba anunciou a morte de Zaat e o resgate de Ineli, fazendo com que os movimentos dos soldados de Zaat rapidamente perdessem coordenação. A vitĂłria jĂĄ estava praticamente decidida na arena. Eles sabiam que sua resistĂȘncia final seria inĂștil, nĂŁo passando de uma luta sem sentido.
A nave de comando capturada pelos homens de Zaat tambĂ©m foi tomada pela frota reorganizada da guarnição. Assim, o Ășltimo dia do festival da fundação chegou ao fim, e a sĂ©rie de revoltas foi encerrada.
E Orba…
â Bem, ele estava sentindo uma dor excruciante em todo o corpo, especialmente no ombro direito.
Apesar de a medalha ter parado a bala, o impacto provavelmente fraturou sua clavĂcula. Mesmo assim, ele nĂŁo podia descansar ainda. Havia trabalho a ser feito.
Orba garantiu que Vileena e os outros fossem deixados em um local seguro e mandou sua nave voltar para a arena.
Embora ainda fosse antes do meio-dia, os corredores do PalĂĄcio Principal estavam sombrios.
Nuvens cobriam o céu.
Orba, acompanhado por Shique e Gowen, caminhou com passos firmes pelo corredor.
Menos de sete dias haviam se passado desde o fim do festival. Orba usava um gesso no braço, mas andava com o peito erguido.
As criadas e camareiros que encontrava pelo caminho paravam e se curvavam diante dele. Seus olhos mostravam um respeito nunca visto antes pelo prĂncipe que deteve a rebeliĂŁo de Zaat Quark.
A fama de como, apĂłs sua primeira campanha, ele revelou sua astĂșcia oculta se espalhou pelo paĂs. Mas tambĂ©m surgiram comentĂĄrios que o chamavam de excĂȘntrico.
Isso veio da decisĂŁo de Gil logo apĂłs resgatar Ineli da nave de Zaat.
Ele voltou para a arena e anunciou aos escravos que iria âtĂȘ-los sob seu comandoâ.
Eles podem ter sido incitados e usados por Zaat, mas era difĂcil imaginar qualquer coisa alĂ©m de pena capital para escravos que planejaram uma rebeliĂŁo. Isso significaria se tornarem escravos de guerra, ou como Gil disse:
â De cem a duzentos dos nossos prĂłprios soldados se revoltaram contra Mephius. Com uma rĂ©dea curta, certamente se tornarĂŁo herĂłis que trarĂŁo vitĂłria para Mephius.
â O que vocĂȘ acha, Colyne?
O imperador perguntou a seu conselheiro, incapaz de esconder sua surpresa por como seu filho conseguiu pĂŽr fim Ă sĂ©rie de distĂșrbios.
O mesmo valia para Colyne Isphan. No entanto, ele era natural em ler as intençÔes de seu senhor e, desta vez também, respondeu com cortesia.
â …O prĂncipe tem habilidade. Acredito que Ă© melhor deixar as coisas com ele.
Com essa Ășnica conversa, o imperador Guhl Mephius tomou sua decisĂŁo. Como recompensa para Gil, ele aceitou o pedido.
No entanto, foi apenas desta vez que Guhl mostrou generosidade como imperador. Desde o incidente com Zaat, o imperador começou a agir cada vez mais cheio de si. Como se tivesse esquecido a oposição de Kaiser Ă realocação do SantuĂĄrio do DragĂŁo, ele agora levantou a questĂŁo da construção do santuĂĄrio e, em pouco tempo, começou sua edificação. Como conselheiros do imperador, foi decidido que o grupo de anciĂŁos moraria no santuĂĄrio, e o imperador, usando a rebeliĂŁo de Zaat a seu favor, fortaleceu seu poder polĂtico.
Isso me torna o responsĂĄvel por seu sucesso, pensou Orba.
AlĂ©m de deter a rebeliĂŁo de Zaat, Orba lutou uma batalha onde ganhou pouco do que queria. Mesmo assim, a pequena satisfação que teve foi a queda na reputação de Oubary Bilan. Sabendo do plano, Oubary provavelmente desapareceu da rebeliĂŁo e planejou ajudar o lado vencedor, seja o imperador ou Zaat, atuando como um herĂłi patriĂłtico. No entanto, com os resultados, ele foi criticado por âter abandonado o imperador e fugido sozinhoâ.
Um leve sorriso surgiu nos lĂĄbios de Orba quando, no caminho oposto, apareceu Noue Salzantes. Noue o cumprimentou com um sorriso. Ele permaneceu em Solon mesmo apĂłs o fim do festival para continuar as negociaçÔes sobre a transferĂȘncia do territĂłrio de Apta, mas isso tambĂ©m terminaria hoje.
â Lorde Noue.
Orba chamou casualmente o homem, que estava prestes a passar por ele sem incidentes.
â Sim? â Noue se virou.
â Acima de tudo, Ă© Ăłtimo que a princesa esteja a salvo.
â Como assim?
Noue ficou confuso por um momento. Então, confirmando com um aceno de cabeça:
â Sim, Ă© mesmo.
â Havia um verdadeiro risco de a princesa estar em perigo durante aquele distĂșrbio. Os esforços heroicos de Sua Alteza, o prĂncipe herdeiro, tambĂ©m nos salvaram, os vassalos de Garbera…
â Da prĂłxima vez â Orba apontou para a prĂłpria cabeça â, podem mirar em mim.
E continuou caminhando, acompanhado por Shique e Gowen, sem se virar.
Noue encarou suas costas, incrĂ©dulo. Essas palavras pareciam sugerir que a princesa nĂŁo havia sido âapanhada no distĂșrbioâ, mas que o inimigo realmente mirava em sua vida. E transmitir isso deliberadamente a Noue…
Sua intenção era clara.
A fachada sorridente de Noue, que normalmente nunca caĂa, se desfez.
Gil Mephius.
Sem perceber, ele enxugou o suor da testa. Claro, ele sentia raiva e surpresa por como Gil arruinou seus planos. Mas, neste momento, ele experimentou um calafrio genuĂno.
Que homem insondĂĄvel. Assim, teria sido melhor se eu apenas o tivesse observado.
Neste momento, Noue Salzantes nĂŁo conseguia entender Gil. Embora fosse fato que Gil causara a morte de Ryucown, quando Noue o viu, concluiu que ele nĂŁo era uma grande ameaça e negligenciou coletar seus âfragmentosâ.
Meus olhos ficaram nublados. O Ășnico a temer em Mephius Ă© aquele homem.
Com um movimento de cabelo, Noue se virou novamente.
Interessante. Quem diria que, no paĂs bĂĄrbaro que Ă© Mephius, existiria um homem do mesmo tipo que eu. Que medo… e que interessante.
A Ășltima vez que sentira isso fora quando vislumbrou o futuro deslumbrante de Ryucown? Enquanto pensava nisso, uma risada escapou de seu rosto pĂĄlido.
â Depressa, princesa. Por favor, apresse-se. Lorde Noue estĂĄ partindo.
â Espere. SĂł mais um pouco.
Vileena estava, naquele momento, trancada em seu quarto, sentada em frente a uma escrivaninha incomum. Ela escrevia cartas para serem enviadas Ă s pessoas de sua cidade natal. Ela as entregaria a Noue, que retornava a seu paĂs.
Recentemente, ela vinha fazendo isso todas as noites, mas sua caligrafia era ruim e, para piorar…
â Ora ora, estĂĄ agindo como se tivesse sido separada de Garbera por dĂ©cadas. VocĂȘ nĂŁo para de escrever mais e mais!
Assim como Theresia comentou, o que ela havia escrito nĂŁo era pouca coisa, mas estava insatisfeita com a quantidade.
Porque ela era a Vileena com o mau håbito de amassar as folhas de rascunho sempre que escrevia cartas, o quarto rapidamente virava uma bagunça de papéis descartados. Naturalmente, cabia a Theresia juntå-los.
â Que tal dedicar um pouco dessa paixĂŁo a escrever uma carta de amor para o prĂncipe?
Naturalmente, Vileena ignorou o comentĂĄrio e continuou obcecada em como queria contar isso ao seu avĂŽ querido, e como queria escrever sobre aquilo.
Falando no prĂncipe…
Sua caneta parou subitamente.
Era sobre a medalha. Depois, quando questionou o prĂncipe Gil sobre ela:
â Eu… peguei emprestado com Orba.
Ele respondeu, meio hesitante.
â Parecia um bom amuleto. EntĂŁo peguei emprestado enquanto detinha a rebeliĂŁo de Zaat. Acabou assim… mas nĂŁo se preocupe, vou consertar de algum jeito. Deve ficar bem. Provavelmente.
Vileena certamente escrevia agora suas impressĂ”es sobre o prĂncipe Gil.
Ele é meio que uma criança.
Ela anotou. Continuando:
Mas não é alguém com quem eu possa baixar a guarda.
Entre mim e o prĂncipe, quem controlarĂĄ Mephius? Ele serĂĄ um bom competidor.
Vileena sorriu ao terminar de escrever.
âââ
â VocĂȘ finalmente chegou
â Sim, pai.
Orba juntou os pés em saudação, e atrås dele, Gowen e Shique se curvaram, então se retiraram.
O imperador o convocou pessoalmente.
Ele estava em uma das quatro torres que cercavam o Palåcio Principal. Do andar superior, o imperador observava os jardins e os abrigos de dragÔes dentro do palåcio. Dois dragÔes Gor de tamanho médio treinavam um contra o outro, e em outro local, um cavaleiro montado em um dragão Tengo pequeno dava voltas.
Orba tinha alguns palpites sobre o motivo da convocação. E Fedom também não estava sem suas reclamaçÔes.
â SĂ©rio… a audĂĄcia de vocĂȘ!
Fedom Aulin estava Ă beira de um ataque de nervos. A fama crescente do prĂncipe era boa para Fedom, mas ele nĂŁo podia perdoar o fato de tĂȘ-lo deixado de fora, incapaz de compartilhar os louros.
â NĂŁo faria mal algum colocar uma Ășnica palavra boa sobre mim! Tudo poderia ter sido melhor. O pior foi vocĂȘ colocar aqueles escravos sob seu comando por conta prĂłpria outra vez! Sua majestade, Guhl, pode tĂȘ-lo aceitado de braços abertos, mas certamente vai repreendĂȘ-lo depois. Melhor nĂŁo falar nada! Espere, e apenas espere atĂ© a raiva de sua majestade passar.
Mas nem mesmo Orba ousava desafiar o imperador ali. Ele encarou as costas do imperador, esperando por repreensÔes.
Algum tempo passou.
Daquele ùngulo, ele não via mudança no que pareciam ser apenas as costas de um velho. Claro, ele estava sem espada e sem arma, mas Orba ainda tinha receios de que sua vida pudesse ser tirada ali.
â VocĂȘ conhece Ax Bazgan?
Perguntado de repente, Orba sĂł pĂŽde responder:
â Sim, senhor.
A oeste de Mephius havia uma nação composta por vårias fortalezas espalhadas. Ela jå servira à corte imperial, mas se separou após rebeliÔes e agora competia com Mephius por poder. Dessa nação vinha o velho inimigo de Mephius, Ax Bazgan.
A Casa Bazgan vinha de uma linhagem que serviu a Mephius, mas hĂĄ cerca de duzentos anos, eles arbitrariamente massacraram os Zerdianos espalhados pelas terras ocidentais em sua busca por domĂnio. Orba ainda nĂŁo sabia o que tinha acontecido depois, mas, independentemente disso, desde entĂŁo mantiveram uma relação antagĂŽnica com a Dinastia Imperial de Mephius.
Ax Bazgan invadiu o territĂłrio de Mephius trĂȘs vezes, e em todas, Mephius o repelira. Mas Ax era um homem astuto e oportunista, e, por trĂȘs vezes, Mephius falhou em matĂĄ-lo.
Doze anos atrĂĄs, Guhl Mephius enviou um exĂ©rcito para o oeste atrĂĄs de sua cabeça. No entanto, Ax prontamente abandonou sua prĂłpria fortaleza e, com a ajuda de um parente, escapou em segurança para uma cidade-Estado diferente. O exĂ©rcito ocupou a fortaleza, mas a pequena cidade-Estado, que deveria estar em guerra civil, estranhamente cooperou com os invasores e lançou um ataque simultĂąneo com trĂȘs forças.
Entre eles estava, claro, Ax, e ele logo reestabeleceu o terreno como seu depois que o exército de Mephius recuou, sem dificuldade. Depois disso, Mephius começou sua guerra de dez anos com Garbera, e as fortalezas ocidentais reacenderam a hostilidade entre eles.
Os movimentos de Ax Bazgan estavam suspeitos ultimamente.
A fortaleza de Apta ficava no sudoeste de Mephius. A fortaleza onde o irmĂŁo de Orba, Roan, fora recrutado e Oubary assumira o comando logo seria devolvida a Mephius. Eles receberam notĂcias de que Ax se preparava para atacar, aproveitando a oportunidade.
â Rumores da rebeliĂŁo de Zaat se espalharam pelos paĂses vizinhos. De qualquer forma, muitos enviados chegaram. Ă impossĂvel conter o fluxo de informaçÔes. AlĂ©m de Ax, nĂŁo seria estranho se alguĂ©m atacasse Mephius vendo sua instabilidade polĂtica.
â NĂŁo, nĂŁo seria, pai.
â Pode haver outros incitados por Zaat e dispostos a me desafiar novamente. NĂŁo posso destinar um exĂ©rcito grande para Apta. Ă para lĂĄ que vocĂȘ irĂĄ, Gil.
â …
Orba nĂŁo tinha palavras para se expressar. Suas forças consistiam em sessenta e trĂȘs membros da Guarda Imperial e duzentos e seis escravos da rebeliĂŁo que agora trabalhavam para ele. AlĂ©m disso, a DivisĂŁo de Armadura Negra de Oubary e a DivisĂŁo Machado Dourado de Odyne emprestariam cinquenta soldados cada para ajudar a proteger Apta.
â Um mĂȘs serĂĄ suficiente â Guhl disse, ainda de costas. â Segure as tropas de Ax em Apta por esse tempo. Quando o mĂȘs acabar, enviarei reforços se nĂŁo houver movimentos de Ende ou das facçÔes anti-imperiais. O amanhecer daquele dia celebrarĂĄ seu casamento e sua nomeação oficial como responsĂĄvel por Apta.
Orba ficou em silĂȘncio, curvando a cabeça.
Ele estĂĄ testando o prĂłprio filho?
Embora nenhum som escapasse de seus lĂĄbios, dezenas de milhares de palavras passaram por sua mente.
Das tropas dadas ao prĂncipe, trĂȘs quintos haviam se revoltado recentemente contra o paĂs, e era questionĂĄvel se ele poderia controlĂĄ-las. Se Ax realmente atacasse, era duvidoso que ele aguentasse trĂȘs dias, quanto mais um mĂȘs.
Era uma jogada ruim do imperador. Se as coisas dessem errado, ele perderia o território finalmente devolvido e possivelmente até seu sucessor.
No entanto, Orba também não deixou de coletar informaçÔes. A possibilidade de uma guerra entre Ende e Garbera tornou-se assunto entre os estadistas. O imperador só podia estar pensando em usar o ataque de Ax como desculpa para não enviar reforços e manter sua relação com Ende.
EntĂŁo ele quer esperar o mĂĄximo possĂvel para ver qual lado Ă© mais forte?
Guhl era cauteloso. Se ele simplesmente apoiasse Garbera, havia a possibilidade de o aliado oriental de Ende, Arion, intervir. AtĂ© agora, Arion concentrou a maioria de suas forças em uma expedição para o leste e, tendo quase concluĂdo essa missĂŁo, provavelmente voltaria seus olhos para o centro do continente. AlĂ©m disso, sabendo da turbulĂȘncia polĂtica em Mephius, o poderoso Arion poderia mirar sua força diretamente na capital Solon.
Mas se Mephius se aliar a Ende, o que acontecerå com Vileena? Como isso afetarå a posição de Gil Mephius?
E, embora ainda nĂŁo confirmado, outro assunto se tornou tema de fofoca no palĂĄcio.
Uma equipe de médicos da corte foi vista frequentando os aposentos das mulheres. Rumores diziam que isso poderia significar que Melissa estava gråvida.
Sem perceber as emoçÔes que percorriam a mente de Orba, o imperador continuou.
â Infelizmente, a princesa terĂĄ que esperar mais. VocĂȘ tambĂ©m deve levar a princesa Vileena com vocĂȘ. Apta eventualmente serĂĄ seu prĂłprio castelo. A princesa tambĂ©m deve se acostumar a viver lĂĄ.
â Celebraremos seu casamento depois de um mĂȘs â Guhl murmurou.
Enquanto mantinha a cabeça curvada, ele sentiu uma raiva queimar em seu peito. Na enxurrada de pensamentos que fluĂam em seu corpo, o mais primitivo dos instintos, seu desejo de lutar, fora aceso.
Entendo agora. A ameaça não se limita a Ax e aos escravos.
Uma batalha com chances mĂnimas de vitĂłria.
Mais especificamente, ainda mais batalhas.
O que Orba podia esperar era, no fim, uma luta contĂnua.
Nesse caso…
â Entendido, pai.
Orba juntou os pés em saudação.
Eu farei isso.
Comparado a quando jurou vingança, Orba agora tinha posição, mesmo que isso significasse que sua vida estivesse constantemente ameaçada. Comparado a quando jurou vingança, Orba agora tinha suas próprias tropas, mesmo que as chamas da discórdia ainda agitassem aquelas tropas.
Comparado a quando jurou vingança…
Eu farei isso. Voltarei aqui, para Solon, em triunfo.
Apta, perto de sua cidade natal, tornaria fåcil obter informaçÔes sobre seu irmão e sua mãe. No entanto, Orba talvez não percebesse, mas as vezes que cruzou espadas com Ryucown e Zaat mudaram sua visão sobre a batalha.
Quanto mais difĂceis as batalhas e maiores os inimigos, mais os sentimentos de Orba se acendiam como uma chama para enfrentĂĄ-los.
Os olhos e todo o corpo de Orba agora irradiavam a ferocidade de um tigre.
Tradução feita por fãs.
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