Rakuin no Monshou – CapĂ­tulo 4 – Volume 2

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Rakuin no Monshou
Emblem of the Branded

Light Novel Online – CapĂ­tulo 04:
[Festival da Espada]


Naquele dia, Zaat Quark foi inundado por visitantes.

Pela manhĂŁ, chegou Simon Rodloom. que assim que avistou o rosto de Zaat, perguntou:

— VocĂȘ emagreceu?

Zaat sorriu amargamente e balançou a cabeça.

— NĂŁo importa a situação, a quantidade que como e bebo nĂŁo muda. É minha Ășnica qualidade redentora. Bem, mas quem sabe o que pode acontecer em uma semana…

— O senhor foi liberto da prisão domiciliar. Agora pode comer e beber à vontade.

— Liberto?

A forma casual como Simon mencionou isso deixou Zaat estupefato. Simon apontou para a janela, e, de fato, os guardas que cercavam o salĂŁo residencial estavam se retirando.

Naquela manhã, Simon se apresentou perante o imperador e, por um golpe de sorte, os dois conseguiram conversar a sós sobre o festival. Passaram algum tempo discutindo Garbera, os movimentos de Ende e também como, começando por seu antigo inimigo, a Casa Bazgan do oeste, novas atividades surgiram em um grupo de cidades-fortaleza de Tauran. Depois disso, Simon mencionou o nome de Zaat como se fosse por acaso. E o imperador, como se tivesse completamente esquecido até então, riu da situação.

— Depois disso, a prisĂŁo domiciliar foi imediatamente revogada. Sua majestade estava furioso no momento do incidente, mas eu mesmo nĂŁo levei a sĂ©rio. Por isso fiquei tranquilo. Sua majestade nĂŁo impĂŽs nenhum castigo ou coisa do tipo. Daqui em diante, contant que vocĂȘ mostre lealdade inquebrantĂĄvel a Mephius—

— A Mephius — Zaat respondeu com amargura.

Ele jĂĄ se resignou a enterrar seus ossos em Mephius. No entanto…

Quer tenha entendido ou nĂŁo o significado implĂ­cito, Simon permaneceu em silĂȘncio. Zaat entĂŁo levantou a questĂŁo de Kaiser Islan. Sua execução seria realizada no dia seguinte. Nem mesmo Simon pĂŽde reverter isso. Zaat e Kaiser se opuseram a esta decisĂŁo, mas o sentimento do imperador em relação a suas puniçÔes foi completamente indiferente.

— Dessa forma, ele nĂŁo Ă© diferente de um espadachim-escravo. Ao sabor do capricho do pĂșblico, pode ser ordenado a morrer ou a viver. Isso faz com que todos, exceto a famĂ­lia impĂ©rial, nĂŁo passem de escravos do imperador.

Zaat falou, encarando fixamente.

— Eu, Ă© claro, amo Mephius. Gosto muito da natureza simples de nosso povo e do traquejo militarista que eles, por vezes, possuem. NĂŁo hĂĄ nada em nosso paĂ­s que supere nossas tropas fortes e ferozes. O Ă©ter estĂĄ se esgotando, e uma vez que as armas das aeronaves e aquela magia desprezĂ­vel desapareçam deste mundo, quem reinarĂĄ supremo nĂŁo pode ser outro senĂŁo Mephius. Mas com o modo como Mephius está
 com nosso atual imperador…

— Pare, Zaat. VocĂȘ nĂŁo sabe onde estĂŁo os ouvidos dele.

— Lorde Simon, atĂ© o senhor nĂŁo o despreza? O imperador estĂĄ tentando reviver a FĂ© Ryuujin pela segunda vez! Muito provavelmente, Ă© apenas com o propĂłsito expresso de reinar como soberano absoluto. Ele nĂŁo hesitaria em rotular todos os que se opĂ”em a ele como rebeldes. Sim, exatamente como Jasch Bazgan começou seu reinado de terror em nome do Deus DragĂŁo.

O assunto relacionado à Fé Ryuujin jå se espalhou como um rumor. De como, na véspera do festival, os anciãos convocados participaram em massa do ritual no santuårio do Templo do Deus Dragão. E também de como Kaiser, que se opÎs a ele, seria executado como o primeiro e principal rebelde.

— A paz com Garbera tambĂ©m Ă© a mesma coisa. Ele pode ter ouvido seus vassalos e aceitado suas palavras, mas isso Ă© apenas por um breve perĂ­odo. Certamente, alguĂ©m de sua capacidade deve entender isso. Sua majestade tem se reunido frequentemente com um mensageiro de Ende, um atrĂĄs do outro. O conteĂșdo dessas reuniĂ”es pode ser facilmente adivinhado. AmanhĂŁ, nĂŁo me surpreenderia se a princesa Vileena fosse expulsa do paĂ­s e, em seu lugar, o casamento prosseguisse com a grĂŁ-princesa de Ende.

— Isso…

Inquietação pairou nos olhos de Simon. Isso tambĂ©m foi um fato definitivo. O imperador Guhl nĂŁo era alguĂ©m que se contentaria em manipular um Ășnico paĂ­s como Garbera. Na disputa pelo controle do centro do continente, incluindo Ende, o equilĂ­brio nas relaçÔes entre os trĂȘs paĂ­ses era essencial. Guhl queria ser quem puxava as cordas das duas outras naçÔes.

A subjugação de Ryucown serviu para fortalecer a aliança com Garbera, mas por causa disso, Ende não pÎde mais ignorar Mephius. Havia até rumores de que Ende propÎs uma aliança vantajosa a Mephius; tudo de acordo com a vontade de Guhl.

— No entanto, se isso acontecer, perderemos a confiança de outros países e a reputação de Mephius irá para o fundo do poço. Se sua majestade continuar a exercer seu poder como bem entender, mais cedo ou mais tarde Mephius enfrentará o declínio.

Nesse momento, os olhos de Zaat brilharam.

— HĂĄ um grande nĂșmero de pessoas descontentes com o imperador. Se lorde Simon se colocar no centro delas, nobres com alta popularidade e a grande maioria se juntarĂŁo Ă  causa. Os poucos lordes que existem estĂŁo reunidos em Solon. NĂŁo hĂĄ momento melhor do que agora, durante o festival.

— Zaat. Vou fingir que não ouvi isso. Agora, irei me retirar.

Simon levantou-se abruptamente.

— É justamente porque pensamos no futuro que devemos estar unidos. O caso de Kaiser Ă© lamentĂĄvel, mas nĂŁo tenho intenção de permitir que a mesma coisa se repita.

— É exatamente por isso, lorde Simon!

— Vejo que vocĂȘ estĂĄ mais do que disposto a dar sua vida. No entanto, isso levaria a uma reviuvolta completa da lei. Se vocĂȘ tentar executar seus planos em um acesso de impaciĂȘncia, sangue desnecessĂĄrio serĂĄ derramado. O povo tambĂ©m serĂĄ arrastado junto e isso daria a outros paĂ­ses a chance de atacar. NĂłs devemos evitar que aconteça a qualquer custo. Tenho certeza de que vocĂȘ entende, Zaat.

Simon colocou as mĂŁos nos ombros de Zaat e depois deixou a sala de espera.

Esse foi o encontro da manhĂŁ.

O encontro da tarde foi com Oubary Bilan. Embora suas posiçÔes os tivessem feito se encontrar inĂșmeras vezes atĂ© entĂŁo, recentemente passaram a conversar francamente com mais frequĂȘncia.

Oubary nĂŁo ficou por muito tempo. Trocaram algumas palavras aleatĂłrias e jogaram apenas uma partida de um jogo recreativo quando, de repente, ele se levantou. E, como se aproveitando da oportunidade, entregou uma certa carta a Zaat.

— Gostaria que deixasse o tabuleiro como está.

Oubary riu alto, apontando para o tabuleiro no momento de sua partida.

— Vamos continuar em outra ocasião, digamos, quando estivermos brindando em celebração.

Depois que Oubary partiu, Zaat fez uma refeição leve e se retirou para seu estudo.

— Aqueles Garberanos insolentes…

Ele examinou a carta dezenas de vezes e finalmente a soltou, jogando-a sobre a mesa.

— Eles planejam me usar…?

A assinatura de Noue Salzantes estava no documento. AtĂ© entĂŁo, vĂĄrias cartas de Noue foram entregues, mas o conteĂșdo desta foi muito mais direto. No entanto, dificilmente poderia ser elogiado como heroico. Ele sem dĂșvida acendeu as chamas da revolução e esperava por bajulação, mas em vez disso, recebeu algo que beirava uma reclamação.

Desde que o casamento entre o príncipe Gil e a princesa Vileena foi decidido, as relaçÔes entre Garbera e Ende chegaram a um estado de tensão. Originalmente, havia sido planejado o casamento da princesa com Ende. No entanto, Garbera decidiu não depositar toda a sua confiança em Ende e, priorizando os interesses de seu próprio país acima de tudo, optou por se aliar a Mephius.

Para salvar as aparĂȘncias, Ende nĂŁo hesitou em usar todos os seus recursos diplomĂĄticos. Ende reduziu as tarifas sobre produtos importados, como seda e especiarias, e o segundo prĂ­ncipe de Garbera e lĂ­der da Ordem do Tigre, Zeno Owell, apareceu perante o arquiduque, onde trocaram juramentos de amizade eterna.

No entanto, o corpo do arquiduque Malchio Le Doria estava chegando ao fim.

Por meio de suas fontes diplomĂĄticas e rede de inteligĂȘncia secreta, Mephius mais ou menos compreendeu a situação. Malchio era um homem na casa dos cinquenta, mas sua condição fĂ­sica estava piorando rapidamente. Apesar de suas apariçÔes pĂșblicas por duas vezes no ano passado, havia rumores de que ele poderia atĂ© ter sido envenenado. Muito provavelmente, nĂŁo tinha muito tempo de vida, ou assim muitos acreditaram, apesar das atividades domĂ©sticas e estrangeiras em curso em Ende.

O arquiduque tinha dois filhos. O mais velho era o prĂ­ncipe Jeremie, e o prĂłximo na linha era o prĂ­ncipe Eric. Jeremie, embora prudente, tinha pouca capacidade militar, e Eric era proficiente nas artes da guerra, mas carecia de prudĂȘncia, conforme afirmou o relatĂłrio. E entre eles, o robusto Eric pareceu desejar a guerra com Garbera, como estava escrito na carta.

Eric era originalmente a primeira escolha para ser o noivo de Vileena. Sendo esse o caso, a aliança foi descartada e ele, tomando como insulto, uniu-se a alguns vassalos com intençÔes de declarar guerra a Garbera.

É lĂłgico que quem sucederĂĄ ao cargo de arquiduque serĂĄ Jeremie. EntĂŁo ele jĂĄ antecipou os prĂłximos passos com isso em mente, nĂŁo Ă©?

Ele demonstrou seu poder e açÔes para ganhar o favor do povo e parecer o candidato mais adequado. Embora o atual arquiduque desejasse manter relaçÔes amistosas com Garbera, pareceu ser apenas uma questão de tempo até sua morte, quando Ende prepararia suas tropas.

Assim, o Ășltimo raio de esperança de Garbera estava em sua aliança com Mephius. No entanto—

Aquele maldito Noue. NĂŁo suporto aquele homem.

Zaat mencionou alguns dias antes que Guhl Mephius se encontrou secretamente com um mensageiro de Ende. Foi feito com absoluto sigilo, mas Noue, de alguma forma, por meio de sua rede de informaçÔes, descobriu o conteĂșdo daquela reuniĂŁo.

Em tempos de guerra, Noue ficou nervoso quanto ao nível de reforços que Guhl Mephius enviaria a Garbera. E também, o assunto da tentativa de assassinato da família real por Ryucown poderia muito bem ser levantado, e Vileena poderia ser forçada a retornar ao seu país.

Isso levou Noue a manter os olhos em Zaat. Como o homem valente que tão justamente defendeu a aliança com Garbera, ele não hesitaria em ajudå-lo, ou assim estava escrito na carta. O objetivo de Garbera era trazer instabilidade política a Mephius. Mesmo que estivesse além do poder de Zaat, um estado temporårio de confusão aliviaria seus medos de serem esfaqueados pelas costas.

— No entanto — Zaat deu um suspiro baixo.

Em outras palavras, precisamente porque Garbera e Ende estavam em tensão, era uma boa oportunidade para reformar Mephius. Mesmo com um estado temporårio de desordem, havia pouca preocupação de que outros países interviessem.

Metade do dia passou desde que a ordem de prisĂŁo domiciliar de Zaat foi revogada, e logo depois de organizar um ponto de contato, ele partiu. Dentro da carruagem, Zaat Quark encarou o grupo de soldados sob seu comando, os lĂ­deres da DivisĂŁo do Arco Azul. Cada um deles era alguĂ©m em quem ele confiava. Desde pouco antes, ele enviou o sinal que os pressionou a se prepararem. Por meio da prisĂŁo domiciliar naquela ocasiĂŁo, eles entenderam que “aquele momento” estava prĂłximo.

Zaat olhou para trĂĄs, para sua mansĂŁo desaparecendo no horizonte. LĂĄ, ele viu um mar de chamas. Piscou os olhos vĂĄrias vezes, surpreso. As fileiras de chamas desapareceram. Era uma ilusĂŁo.

◇◇◇

No dia seguinte, pouco antes do meio-dia, Simon Rodloom encontrou-se inesperadamente cara a cara com Noue Salzantes na grande arena de Solon.

Noue acabou de sair da carruagem de uma nobre que cortejou na noite anterior, e Simon programou-se para visitar Kaiser, que foi transferido para a masmorra subterrĂąnea da arena.

Depois de trocarem saudaçÔes,

— Eu venho aqui todos os dias — Noue disse com um sorriso. — Estou completamente fascinado com os jogos de gladiadores, sabe? O do ano passado foi realmente espetacular.

— Vamos recebĂȘ-lo cordialmente.

Depois de duas ou trĂȘs breves discussĂ”es, Simon se despediu. Noue encarou fixamente o homem que partiu.

Aquele homem Ă© o mais proeminente entre os lĂ­deres mephianos. Seria bom tĂȘ-lo como aliado, mas seria muito mais fĂĄcil prever seus movimentos como um mero acessĂłrio, assim como Zaat Quark.

O mesmo valeu para Oubary Bilan. Enquanto as negociaçÔes de paz progrediam, Noue enviou uma carta ao general. Ouviu que Oubary era da facção contrĂĄria Ă s negociaçÔes pacĂ­ficas e pareceu ter sido conquistado para a causa de Oubary, tudo em um plano para tĂȘ-lo como outro peĂŁo sob seu controle. Noue investigou o carĂĄter de Oubary antecipadamente. Oubary possuĂ­a a fortaleza de um soldado e, embora tivesse suas prĂłprias conquistas, nĂŁo era o mais brilhante dos homens. Sua forma de lidar com as coisas gerava insatisfação e queixas, e isso refletiu seus prĂłprios hĂĄbitos. Era o tipo de homem mais fĂĄcil de controlar.

Noue enviou repetidamente cartas a Oubary, deixando-o mais do que ciente de quĂŁo alto Garbera o considerava. E, ao fazĂȘ-lo, levou Oubary a ficar ainda mais indignado com a posição injusta em que se viu forçado em Mephius. EntĂŁo Oubary lembrou-se de como Garbera valorizou seus verdadeiros mĂ©ritos.

Logo, ele enviou uma carta própria. A informação de que o homem conhecido como Zaat Quark era o líder da facção anti-imperial foi recebida de Oubary.

Posso usar essa informação.

Pensando nisso, Noue logo se envolveu com Zaat por meio de correspondĂȘncia. Noue observou que ele tambĂ©m tinha uma personalidade fĂĄcil de manipular. Zaat era um homem convencido e, como Oubary, orgulhoso.

Mephius é um grande dragão. Seu corpo, ou melhor, seus longos anos de vida inflaram seu orgulho, tanto que ele pensa que seu corpo é maior do que realmente é, dando-me a chance de enfiar minhas garras. O impasse serå, em um futuro não muito distante, dominado por nós através dos preparativos que coloquei em movimento.

O descontentamento entre os nobres de Mephius em relação ao imperador estava em brasa. Isso, Ă© claro, tambĂ©m foi investigado. Foi por isso que ele elaborou um plano que sĂł precisava de uma Ășnica fagulha, mas entĂŁo o caso de Kaiser e Zaat ocorreu, e as coisas de repente começaram a avançar a seu favor. Tudo isso nĂŁo foi obra de Noue, mas sim resultado da conduta do imperador, Guhl Mephius.

Mephius estĂĄ caminhando para sua prĂłpria ruĂ­na.

Mephius, de acordo com seu plano, esgotou sua boa sorte. Agora ele pĂŽde se dedicar ao paĂ­s de Ende. Noue nĂŁo esperou a destruição de Mephius, nem desejou que fosse assimilado por outro paĂ­s. Quem sabe quanto dinheiro e tempo isso levaria. O que deixou Noue inquieto foi a existĂȘncia do aliado de Ende, o poderoso paĂ­s oriental de Arion. A longa campanha de Arion no leste estava chegando ao fim. Se o paĂ­s de Garbera enfrentasse esse paĂ­s distante em uma batalha direta, nĂŁo teria a menor chance. Para esse propĂłsito expresso, Mephius nĂŁo poderia continuar essa aliança problemĂĄtica.

Noue pretendia trazer temporariamente desordem a Mephius e golpear o imperador nos olhos. Ele apoiaria Zaat ou os imperialistas, dependendo de quem oferecesse as maiores vantagens. EntĂŁo ele colocou Oubary liderando o apoio, como o general completamente imerso no papel de “herĂłi patriĂłtico”. Se fosse esse homem, a situação domĂ©stica em Mephius poderia ser lida e Noue seria capaz de facilmente planejar um meio de sucesso. E, acima de tudo, Mephius sem dĂșvida reformaria sua aliança com Garbera outra vez.

Desde que ele recrutou a ajuda de Oubary dentro de Mephius, o pensamento de a princesa Vileena entrar em seus planos nunca surgiu.

Aquela pessoa Ă© muito direta.

Ela era uma líder adequada, mas jamais aprovaria tal plano. Sua noção de sangue real era diferente da de Ryucown. Mas, ao contrårio,

Se o sangue real fosse derramado para proteger Garbera…

Um brilho sombrio habitou seus olhos, por trĂĄs daquele disfarce indiferente e sorridente.

◇◇◇

Enquanto Noue refletia sobre sua estratégia, Simon encontrou-se com Kaiser na masmorra. Embora pudesse ser chamado de encontro, foi através das grades da prisão, onde apenas cinco minutos de conversa seriam permitidos.

Por isso, Simon dispensou as longas saudaçÔes.

— Como está sua família?

— Eu lhes disse para não vir.

Kaiser ficou pĂĄlido e depois sorriu.

— Senhor, e o futuro da Casa Kaiser?

— Eu sei. Deixe comigo.

— Obrigado.

Kaiser permanecia um homem íntegro até o fim. Para Simon, ele era um homem sincero, sem muito gosto. No entanto, sentiu que era verdadeiramente representativo desse homem que ele permaneceu sincero e sério demais para seu próprio bem, até esse fim.

— E quanto a sua majestade? — Kaiser disse, olhando para o teto. — Ele mudou de ideia?

— …

— Eu nĂŁo guardo rancor dele. Apenas que, na Ă©poca em que a falecida imperatriz, Lana-sama, estava viva, embora ele ainda tivesse um temperamento ardente, nĂŁo importava quem fosse a pessoa, seria motivo de celebração, desde que tivesse a força que sua majestade desejava. Mas agora, sua majestade nĂŁo consegue nem confiar em si mesmo. Neste Ășltimo mĂȘs, eu chorei, clamei e me queixei mil vezes aos cĂ©us vazios, mas agora, isso nĂŁo farĂĄ sua majestade derramar lĂĄgrimas.

Às vezes, atĂ© mesmo nos corredores do palĂĄcio, murmuraram coisas. Na Ă©poca em que Lana estava por perto, o imperador costumava ouvir atentamente seus vassalos. Sem dĂșvida, isso se devia Ă  personalidade generosa de Lana. Aquele freio foi perdido, e o imperador começou a agir como bem entendia.

Isso Ă© certamente verdade.

Simon e Kaiser foram suportes para o imperador desde sua juventude. Eles conheceram bem a falecida imperatriz Lana e o relacionamento que ele teve com ela durante o casamento.

O imperador confiou em muitos a um nĂ­vel problemĂĄtico, mas por natureza tinha uma personalidade reservada.

Atualmente, ele era casado com Melissa e parecia transbordar a energia de um jovem. Seu relacionamento com ela pareceu tĂŁo bom quanto com sua ex-esposa, mas Simon viu isso como nada mais que uma aparĂȘncia.

Ele perdeu seu apoio?

Simon não pÎde evitar a sensação de que o imperador estava determinado a se isolar. Ele não conseguia mais reconhecer seu velho amigo Simon no fundo de seu coração, nem ofereceu qualquer amor a seu próprio filho, Gil Mephius.

Depois disso, Simon e Kaiser conversaram descontraidamente. Simon nunca disse as palavras “Sinto muito”. Era a Ășnica coisa que sabia que nĂŁo deveria dizer. “Isso nĂŁo acontecerĂĄ uma segunda vez”, ele disse a Zaat com convicção. Simon ficou mais irritado consigo mesmo por nĂŁo conseguir impedir o avanço de Zaat.

E depois que Simon partiu, ele, por alguma razão estranha, lembrou-se das memórias de um homem cujo nome era tudo o que ouviu e de quem nada sabia. Um homem com quem sentiu uma espécie de ligação.

O homem chamado Ryucown.

Ele tinha a marca de um tolo.

A rebeliĂŁo levantada por Ryucown foi uma sem futuro. Era algo alheio aos tempos, ou talvez algo que tentou se afastar dos tempos. Foi o ato de um tolo. Foi uma tolice que fez sangue ser derramado; uma tolice que convidou a desordem.

No entanto… Simon pensou. Isso nĂŁo era algo que ele mesmo sabia muito bem? Ele agiu e arriscou sua vida sabendo que nĂŁo havia precedentes e sabendo que estava fadado ao fracasso. Todo o sangue derramado, o sangue derramado por seu prĂłprio paĂ­s, Garbera, nĂŁo poderia ser deixado em vĂŁo.

Esse foi o grito de Ryucown.

Foi assim que Simon o sentiu.

◇◇◇

Sobre a mesa, havia frutas frescas e bebidas. Havia também uma seleção farta de carnes, o suficiente para deixar alguém enjoado após a refeição matinal.

Orba mal tocou em sua comida, tendo se restringido a apenas um ou dois pedaços de pĂŁo. Embora, Ă© claro, isso nĂŁo fosse um problema de tempo ou de sua saĂșde.

Era porque ele estava acompanhado pelo imperador em sua refeição matinal. Guhl, Melissa, Ineli e a irmã mais nova, Flora, e não apenas os membros da família imperial, mas também Simon Rodloom, o comandante militar Odyne Lorgo e um dos estadistas seniores, Colyne Isphan, estavam incluídos nesse café da manhã.

O imperador, dessa forma, recebeu aqueles que buscaram sua audiĂȘncia e os convidou para se juntar a ele no cafĂ© da manhĂŁ, onde ouviu suas preocupaçÔes. Embora pudesse ser considerado um ato vĂŁo, era um costume que nĂŁo mudou desde tempos antigos e ainda era praticado atĂ© hoje.

Era a primeira vez que Orba participou de tal reunião. Até então, uma razão ou outra foi usada para dispenså-lo de comparecer. Fedom quis evitar que a pessoa que interpretava Gil encontrasse sua própria família e aqueles parentes próximos que o conheciam bem. Mas desta vez foi diferente. Ele manteve Fedom alheio ao assunto. Se Fedom soubesse, teria usado todos os meios para impedi-lo e talvez até mesmo se intrometesse à força na companhia de Orba.

Bem, entĂŁo.

Orba estava nervoso, mas esperou por essa chance; a conversa chegou a um ponto de silĂȘncio completo. Orba respirou fundo e entĂŁo abriu a boca.

— Pai.

Todos olharam para Orba com surpresa. O antigo príncipe Gil talvez tenha evitado falar. Os olhos do imperador também se arregalaram ao encarar Orba.

— O que foi?

— Eu gostaria de fazer um pedido.

— Oh? SerĂĄ que vocĂȘ quer alguma coisa? Um cavalo, talvez? Ou serĂĄ que vocĂȘ quer a posição de general? Se Ă© a coroa que deseja, ainda Ă© cedo para vocĂȘ.

O imperador falou com bom humor. Ele provavelmente esperou uma resposta mais “animada”, mas Orba nĂŁo percebeu.

— É sobre os jogos de gladiadores.

— Fale.

O humor do imperador mudou completamente quando ele falou com irritação. Desde a manhã, ele vinha bebendo vinho de frutas como se fosse ågua. Não que Orba não tivesse notado a mudança no ambiente, mas, por enquanto, ele expressou seus pensamentos com assertividade.

— Eu gostaria que o senhor permitisse que um membro da Guarda Imperial, aquele que derrotou Ryucown, participasse dos jogos de gladiadores durante o festival.

A proposta inesperada provocou murmĂșrios de interesse de todos, exceto do imperador. Oubary e os outros brilharam de antecipação. O imperador bufou para Orba.

— De novo, por que justo agora?

— Ouvi dizer que muitos desejam que Orba participe. O povo certamente ficará feliz.

— O que vocĂȘ estĂĄ dizendo? — O imperador encarou Orba diretamente. — O povo ficarĂĄ feliz? VocĂȘ sĂł estĂĄ usando isso como desculpa. VocĂȘ espera que seu Guarda Imperial vença para ter mais do que se gabar, nĂŁo Ă©? AliĂĄs, por que vocĂȘ mesmo nĂŁo participa? NĂŁo Ă© como se nenhum membro da famĂ­lia imperial jĂĄ tivesse participado antes.

— O-o senhor deve estar brincando…

Orba baixou a cabeça rapidamente, com medo de que o imperador tivesse percebido que ele era um gladiador. Orba tinha certeza de que essa era a razão, mas o olhar de Guhl Mephius tinha uma pressão completamente diferente de qualquer coisa que ele jå havia enfrentado.

— Hmph — o imperador resmungou. — Bem, talvez nĂŁo faça mal deixar as coisas acontecerem como vocĂȘ quer. No mĂ­nimo, quero ver uma vitĂłria digna de um herĂłi.

— P-Por favor, espere, Sua Majestade Imperial!

Quem interveio foi Simon Rodloom. Um clima tenso pairou no ar. Naturalmente, porque todos presentes sabiam muito bem do incidente no SantuĂĄrio do Deus DragĂŁo.

— Se me permitem, imploro que o senhor nĂŁo apenas deixe as coisas acontecerem, mas que considere as implicaçÔes de um Guarda Imperial participar dos jogos. Sim, gladiadores podem nĂŁo ser totalmente escravos, mas permitir que um membro da Guarda Imperial de Sua Alteza seja morto diante do pĂșblico prejudicarĂĄ vossa autoridade.

— Oh.

— Sua majestade mencionou que, na histĂłria de Mephius, nĂŁo foi sem incidentes que um membro da famĂ­lia imperial participou de uma luta de gladiadores, mas as circunstĂąncias da Ă©poca eram muito diferentes e nĂŁo devem ser usadas como comparação.

— Oh — o imperador disse novamente. Ele apoiou o queixo no braço que repousava sobre a poltrona e encarou Simon com os olhos semicerrados. Nesse momento, Colyne Isphan falou.

— NĂŁo estĂĄ tudo bem? NĂłs de Mephius somos um paĂ­s de espadas e dragĂ”es. Origem e linhagem nĂŁo tĂȘm importĂąncia. Competir estĂĄ em nosso sangue.

— Mesmo assim…

— E tambĂ©m, o Guarda Imperial que derrotou Ryucown Ă© certamente um herĂłi. No entanto, ele tambĂ©m era originalmente um gladiador, e por isso o povo hesitarĂĄ em elogiĂĄ-lo abertamente. Se me permitem, os lordes e cada um dos generais nĂŁo ficaram em dĂșvida sobre convidĂĄ-lo para a festa desta noite? Faz sentido que esse Guarda Imperial dispute o lugar de Clovis.

— Bem colocado.

O imperador acenou com a cabeça aprovadoramente, enquanto Colyne se curvou. Colyne era excelente em peças como essa. Ele lia os sentimentos do imperador e, mesmo que o imperador tivesse qualquer ressalva, ele distorcia o raciocínio por trås disso, fazendo parecer mais sensato quando falava.

— Aqueles que obtiveram a mesma honra que Clovis e seu auxiliar Felipe, supondo que tenham nascido escravos, competiram todos os anos por esse tĂ­tulo. Eles sĂŁo, sem dĂșvida, herĂłis. Entre eles, hĂĄ aqueles que se tornaram generais. Isso nĂŁo remonta a mais de trinta anos em nossa histĂłria, nĂŁo Ă©, Simon?

— Sim…

Todo ano, o torneio de gladiadores durante o festival premiava os dois gladiadores vencedores como herĂłis. No Ășltimo dia, esses herĂłis lideravam os duzentos escravos restantes e lutavam contra os dragĂ”es como parte do evento principal. Mesmo na histĂłria de Mephius, o herĂłi Clovis e seu auxiliar Felipe, e todos que os seguiram, independentemente de sua origem, foram oficialmente recrutados para as forças mephianas.

— AtĂ© o Ășltimo, todos foram herĂłis que nĂŁo envergonharam seu tĂ­tulo. Aqueles que perdem sĂł podem chegar atĂ© certo ponto, mas os guerreiros que caem competindo pelo lugar de Clovis sĂŁo grandes homens que se sacrificam pela tradição de Mephius. NĂŁo haverĂĄ dano Ă  vossa autoridade ou coisa parecida.

— Ohh.

— Entendo, isso realmente faz sentido.

Os outros nobres o elogiaram, e Simon nĂŁo ofereceu mais protestos. Assim, eles deixaram o prĂ­ncipe em questĂŁo fora da conversa. Durante esse tempo,

— EntĂŁo vocĂȘ ouviu meu pedido, irmĂŁo.

Ineli sorriu sorrateiramente, com um sorriso que se espalhou por todo o rosto.

Orba nem sequer respondeu com um simples “ah” ou “sim”. Mesmo assim, ela nĂŁo se importou. Ela jĂĄ estava perdida em seus prĂłprios pensamentos.

— Se ele vencer como campeĂŁo, eu devo ser a Ășnica a entregar-lhe o capacete dourado que Ă© a prova de Clovis. Naquela hora, vou anunciĂĄ-lo como o herĂłi que tambĂ©m salvou a princesa imperial, Ineli, das garras de um dragĂŁo.

Orba, sendo Orba, estava no momento preparando a prĂłxima fase de seus planos em sua mente, alheio ao fato de que Ineli falava como uma jovem sonhadora, mas com sentimentos maliciosos que buscavam possuir o gladiador mascarado, Orba.

Os rumores sobre a participação de Orba se espalharam pelo palåcio em pouco tempo. Embora ele fosse um ex-gladiador, era uma situação sem precedentes um membro da Guarda Imperial participar dos jogos. As reaçÔes das pessoas naturalmente foram divididas.

— O príncipe está correspondendo às nossas expectativas.

Havia aqueles que aprovaram totalmente,

— O príncipe não está apenas se aproveitando da glória de sua primeira campanha?

E também aqueles que o criticavam pelas costas.

Uma pessoa, Fedom Aulin, ao ouvir esses rumores, explodiu de raiva. Para ele, o fantoche Orba, que ele tanto se esforçou para colocar no lugar, estava jogando sua própria vida em perigo diante de seus olhos. No entanto, Orba havia apelado diretamente ao imperador, e era algo que Fedom não podia mais mudar.

— SĂł duas ou trĂȘs batalhas.

Orba, escondendo seus planos de prender Noue e Oubary, falou em um tom despreocupado.

— Isso Ă© estranho. Agora, neste mundo todo, quem imaginaria que a pessoa mais preocupada com minha vida seria vocĂȘ.

— Cale a boca. — A expressĂŁo de Fedom vacilou, como se ele estivesse prestes a desmaiar. — Ouça bem. VocĂȘ nĂŁo pode morrer. Isso Ă© Ăłbvio, mas vocĂȘ tambĂ©m nĂŁo pode se machucar. Ou seria suspeito quando retornar como sĂłsia do prĂ­ncipe. Argh, maldição!! Prepare-se! Quando o festival acabar, vou acorrentĂĄ-lo igual a quando vocĂȘ era um escravo!

E, claro, esse rumor também chegou aos ouvidos de Vileena Owell. Assim que ouviu, ela se livrou da restrição de Theresia e foi até o príncipe.

Em preparação para sua aparição no dia seguinte, Orba saiu de seu quarto e foi direto para a arena.

Sua decisĂŁo de participar dos jogos obviamente nĂŁo foi porque o povo desejava. Ele pensou em obter um meio de contatar Pashir atravĂ©s do torneio. Oubary havia mencionado claramente o nome desse espadachi-escravo. NĂŁo havia dĂșvida de que Pashir tinha um papel importante em seus planos. Orba iria perturbar seus planos de todas as formas possĂ­veis.

— Oh?

Foi quando ele encontrou Vileena, que corria em sua direção. Seus låbios estavam cerrados e seus olhos arregalados. Na noite anterior, quando ela o visitou, sua agressividade estava bem escondida. Agora ressurgia novamente. E de forma ainda mais direta. Era como se ele fosse culpado de algo que a desagradara.

— Por quĂȘ?

Vileena começou seu interrogatório acusador.

— Por quĂȘ, o quĂȘ?

— Orba! Por que vocĂȘ o fez participar dos jogos!?

— Ah. Ele tem algo a ver com a princesa?

— Ele-!

Vileena, que estava furiosa, ficou sem palavras. Orba começou a passar por ela novamente. Ele nunca imaginaria que o assunto da princesa fosse sobre ele mesmo. Sabendo disso, não tinha mais vontade de discutir com ela.

— Ele Ă© meu amigo!

Quando essas palavras o atingiram por trås, seus pés pararam subitamente.

A princesa de quatorze anos endureceu o olhar.

— É por isso que essa questĂŁo nĂŁo Ă© algo sem relação comigo. AtĂ© agora, ele sobreviveu a batalhas difĂ­ceis, as superou e finalmente foi libertado dessas correntes. VocĂȘ estĂĄ forçando-o a lutar como quando era escravo. E para quĂȘ?

— A princesa de Garbera nĂŁo entende. VocĂȘ vĂȘ os jogos de gladiadores como um inferno, mas Ă© o principal entretenimento de Mephius. Ter mais um gladiador conhecido participando animarĂĄ o clima do festival.

— VocĂȘ nĂŁo estĂĄ se vendendo ao clima do festival sĂł para receber atenção!? Mesmo que tenha que sacrificar a vida de Orba para isso!

— Ele não vai morrer — Orba disse com um rosto sombrio.

As bochechas da princesa estrangeira se coraram, e ela chegou mais próximo ainda. Seu rosto lembrava a outra ocasião. Era exatamente igual à expressão que ela fez quando confrontou o príncipe por não se mover em direção à Fortaleza Zaim.

— Como pode dizer isso!?

— Porque… ele Ă© Orba. Ele nunca perdeu. Como sua amiga querida, vocĂȘ deveria confiar em suas habilidades.

— NĂŁo Ă© disso que estou falando!

— Isso tambĂ©m Ă© o que Orba quer. NĂŁo fale mais sobre isso, princesa.

Por mais que tentasse conter, sua irritação só aumentava. A forma como ele falava de si mesmo parecia exatamente como os nobres de Mephius.

— Ainda assim, para pensar que vocĂȘ era amiga dele — Orba zombou — O que vocĂȘ sabe sobre ele? Sabe quantas vidas ele tirou? Pessoas como vocĂȘ e esses nobres e cavaleiros “orgulhosos” veem batalhas como algo sĂ©rio, honroso e significativo. Ele luta por nenhuma dessas razĂ”es, sĂł para sobreviver. Ele se mancha de carne e sangue sĂł para sobreviver.

— Isso Ă© porque vocĂȘs, mephianos…

— CALE A BOCA!!

Ultrapassando seu limite emocional, a raiva de Orba transbordou em suas palavras.

— NĂŁo se chame de amiga de Orba novamente! NĂŁo fale com ele! NĂŁo finja que sabe tudo sĂł porque Ă© da realeza!

Vileena ficou furiosa instantaneamente. No entanto, ao contrĂĄrio de sua aparĂȘncia, ela permaneceu parada e nĂŁo disse uma palavra.

Orba, perdido em suas emoçÔes e sem saber o que fazer com elas, saiu rapidamente do local.

Quem sou eu?

Seus passos pesados, junto com as batidas do coração, o corroíam enquanto Orba questionava seu próprio senso de identidade.

Como gladiador, sou alguĂ©m que nĂŁo pode se tornar algo como “amigo” da princesa.

Como escravo, nĂŁo suporto quando a princesa fala como se entendesse as circunstĂąncias de um escravo.

Como príncipe, não me importo se Orba tiver que ser sacrificado para alcançar meus objetivos.

Quem… sou eu?

Enquanto se questionava repetidamente, ele logo perdeu a noção do mundo exterior.

◇◇◇

Naquele dia, Orba foi para a arena e chegou pouco antes do pĂŽr do sol. Os jogos do dia jĂĄ haviam terminado, e nĂŁo havia vestĂ­gios de pessoas nas arquibancadas.

Os gladiadores surgiram pouco a pouco no campo da arena. Dos gladiadores participantes do torneio, todos os que tinham status de escravo ficavam em um acampamento de detenção. Lå, eles passavam o dia exercitando-se no vasto campo em preparação para a luta do dia seguinte.

Os guardas vigiavam o centro, onde os gladiadores livremente brandiam suas espadas, praticavam seus passos e faziam combates simulados.

Então o gladiador mascarado apareceu do nada. Naturalmente, olhares foram lançados a ele de todos os lados. Eles provavelmente jå tinham ouvido falar dele, e embora não parecessem surpresos, não o chamaram nem se aproximaram. Em vez disso, um atendente da arena veio até ele.

— JĂĄ ouvi falar de vocĂȘ. No entanto, nĂŁo hĂĄ necessidade de ficar aqui. No dia da sua luta, enviaremos um guia para buscĂĄ-lo.

— É uma atmosfera que não sinto há muito tempo. Quero me acostumar.

O atendente ficou confuso e então trouxe uma espada para ele. Orba começou seus alongamentos e depois passou a brandir a espada. E novamente, os escravos apenas observavam. Podia-se dizer que eles não conseguiam ignorå-lo e afastar seu interesse.

Ele fingiu fazer seu exercĂ­cio de rotina, olhando para os escravos inĂșmeras vezes, mas nĂŁo viu Pashir entre eles.

Os jogos de gladiadores tinham mais dois dias. Se Pashir estivesse envolvido nos planos de Noue, independentemente de qual fosse seu papel, ele provavelmente agiria nesses dois dias. Ele tinha status de escravo e não podia se mover à vontade. Isso significava que os planos de Noue progrediriam dentro do acampamento de detenção.

Até lå, ele precisava se aproximar de Pashir e entender completamente seus planos.

Orba se sentia impaciente, mas também pensou com firmeza,

NĂŁo posso me apressar.

O que estava em jogo era o futuro de Mephius, em outras palavras, a esperança que ele finalmente alcançara, a posição de Príncipe Gil.

— A vida da princesa, hein…

Ele torceu o corpo e deu um passo Ă  frente enquanto cortava com a espada diagonalmente para baixo.

◇◇◇

No dia seguinte.

Através de uma pequena janela esculpida na parede de pedra, Orba observou o andamento dos jogos de gladiadores. Ele estava na sala de espera dos combatentes. Como tinha status de escravo nesta situação, deveria estar na mesma antecùmara que os outros gladiadores, mas por ser um Guarda Imperial, recebeu uma sala estreita, porém especialmente preparada. Naturalmente, seus pés também estavam livres de correntes.

Assim como quando veio aqui antes com Ineli e os outros, vĂĄrios combates aconteciam simultaneamente. Mas ainda nĂŁo era visĂ­vel entre eles a luta de Orba, cuja vez chegaria em breve.

— Por aqui, por favor.

Uma escrava da arena entrou na sala e colocou seu equipamento. Orba reconheceu a garota. Era a mesma que lhe serviu chå quando ele esteve aqui com Ineli. Seus traços ordenados e agradåveis lhe deixaram uma impressão.

Ela ajudou Orba a vestir a armadura de couro. Ele enfiou a espada em um escudo redondo, como nos velhos tempos, vestiu roupas e sandålias que também pareciam antiquadas.

— Este equipamento Ă© bem antigo.

— Ele carrega o sĂ­mbolo da era de Clovis. Provavelmente ninguĂ©m sabe ao certo se os gladiadores da antiguidade realmente usavam algo assim. Mas Ă© uma questĂŁo de criar o clima.

Ele achou algo humorĂ­stico no jeito que ela encolheu os ombros. Intrigado, perguntou seu nome, e ela respondeu “Mira”. Enquanto isso, ela ficou se remexendo, como se quisesse dizer algo.

— O senhor pertence Ă  Guarda Imperial do prĂ­ncipe, nĂŁo Ă©? É rude alguĂ©m como eu pedir que transmita uma mensagem, mas se tiver a oportunidade, poderia agradecer ao prĂ­ncipe por mim?

— Agradecer?

— Por ter ajudado Pashir-sama.

Com o rosto levemente corado, Mira saiu da sala.

Oh?

Pashir parecia ser teimoso e do tipo que inexplicavelmente atraĂ­a mulheres.

Quando ficou sozinho, Orba, como costumava fazer antes das lutas, encostou-se na parede e respirou fundo.

EntĂŁo estou aqui de novo.

Estou aqui “de novo”.

Apesar de planejar controlar seus pensamentos, suas emoçÔes escaparam e deixaram Orba apåtico. De manhã, Ineli e os outros haviam convidado o príncipe Gil para assistir ao festival com eles. Era para ver justamente os jogos de gladiadores, mas Orba recusou, alegando dor de cabeça.

Ineli disse que me viu em Ba Roux…

Foi quando os Sozos ficaram violentos. Ele ficou surpreso ao ver que o próprio príncipe também estava lå. Isso significava que ele ainda estava vivo naquela época.

SerĂĄ que o prĂ­ncipe foi morto por Fedom? Ele planejava me usar como sĂłsia desde o inĂ­cio e esperou por essa chance?

Seus pensamentos estavam fragmentados, e ele nĂŁo conseguia se concentrar. EntĂŁo, o nome de Pashir foi chamado repentinamente.

Orba espiou e viu Pashir no meio de um combate individual. Ele lutava com controle, como da Ășltima vez que Orba o viu. Venceu trĂȘs lutas sem ferimentos e antes que pudesse admirar, chegou a vez de Orba.

O guarda chamou seu nome, e ele saiu da sala. Os outros escravos estavam amontoados em uma série de antecùmaras. Todos os olhos seguiram Orba. Da frente, dos lados, de trås, olhares o perfuravam de todas as direçÔes.

Enquanto caminhava pelo corredor, Pashir saía da arena e vinha em sua direção. Com cabelo e bigode negros, era um pouco mais alto que Orba, mas com um físico massivo. Vendo de novo, era o corpo proporcional ideal.

Sua respiração estava pesada e seus olhos injetados de sangue após a batalha. Ele cruzou com Orba.

— Maldito cĂŁo…

Pashir cuspiu as palavras sem hesitar. Orba virou-se e viu as costas do homem robusto. Uma marca de queimadura em forma de X com uma linha no centro era visível. A marca de um escravo. As costas de Orba também tinham a mesma marca.

— Seu maldito cão mephiano. Não perca antes de lutar comigo. Vou despedaçá-lo com minhas próprias mãos.

Pashir falou sem se virar. Orba viu aquela marca queimar com a vontade e paixĂŁo do homem enquanto ele desaparecia na distĂąncia.

EntĂŁo Ă© assim.

Pashir era um escravo. Tinha suas próprias circunstùncias que o levaram a isso, mas pelo jeito que falava, odiava Mephius. E além dos mephianos, odiava aquele elogiado como herói, que se tornara um Guarda Imperial.

Embora fosse um argumento absurdo, agora servia como grilhÔes para Orba. Seria difícil ganhar a confiança de Pashir assim. E o fato de ele ter se esforçado para cruzar com Orba despertou uma certeza nele.

Se Ă© “assim”, hĂĄ vĂĄrias maneiras de lidar com isso.

Logo antes de sair pelo arco de entrada, uma luz brilhante o atingiu, e a cada passo, a arena se iluminava, até que todo o espaço ficou branco.

— É Orba!

— É o Tigre de Ferro!

Gritos caĂ­ram sobre ele como uma onda, esmagando Orba por todos os lados.

Mesmo os da primeira fileira estavam tĂŁo distantes e altos que o rosto de Orba parecia menor que um grĂŁo de arroz. Incapazes de vĂȘ-lo direito, eles se amontoavam nas cadeiras, ansiosos por uma visĂŁo melhor.

MemĂłrias de quando ele suava sob o sol aberto, lutando vividamente, voltaram a ele. A cada batida do coração, seus mĂșsculos se contraĂ­am, como se todos os nervos se unissem em uma Ășnica fibra.

— Guarda Imperial Orba, avance!

O oponente de Orba era um homem chamado Miguel Tes. Considerado uma promessa entre os gladiadores, e segundo a impressĂŁo de Shique em sua primeira luta:

— Ele Ă© um gladiador inteligente que segue o bĂĄsico.

Parecia ser.

— Se vai fazer isso, faça com determinação.

Orba lembrou como Gowen repetiu isso no dia anterior.

No inĂ­cio, ele se opusera Ă  participação de Orba no torneio. “VocĂȘ nĂŁo empunha uma espada hĂĄ mais de um mĂȘs. Sabe que vencer uma sĂ©rie de batalhas na arena serĂĄ difĂ­cil”, Gowen o repreendeu com um suspiro, sabendo de sua teimosia.

— NĂŁo subestime seu oponente sĂł porque Ă© um gladiador comum. Na verdade, Ă© por serem assim que sĂŁo mais perigosos no final. NĂŁo importa o quĂŁo forte vocĂȘ fique, nunca esqueça o bĂĄsico. Toda tĂ©cnica, todo esquema, todo golpe mortal espetacular vem do bĂĄsico. E mantenha a compostura.

Gowen atĂ© invadiu o quarto do prĂ­ncipe e o irritou sem parar. “Se fizer assim, nĂŁo morrerĂĄ”.

Eu sei disso.

Ele caminhou até o centro da arena de Solon e encarou Miguel Tes. Loiro de olhos azuis, com cerca de vinte anos, era um homem bonito. Seus olhos azuis fitaram Orba, e um leve sorriso apareceu nos cantos de sua boca. Seu histórico atual era dez lutas e dez vitórias.

— Minhas saudaçÔes.

Miguel o cumprimentou sem hesitação. Orba nunca respondia a gladiadores que o saudavam assim. Desta vez tambĂ©m ficou em silĂȘncio.

— Ryucown deve ser o mais forte dos cavaleiros de Garbera, nĂŁo? — o jovem apontou diretamente, e continuou. — Ele tambĂ©m Ă© quem Mephius mais temia. O que significa que, contra qualquer cavaleiro garberano, qualquer soldado mephiano, vocĂȘ que o derrotou Ă© ainda mais forte. NĂŁo hĂĄ adversĂĄrio melhor que eu poderia pedir.

Ele sorriu, mostrando dentes brancos. Sua compostura sugeria que jĂĄ enfrentou mais de cinquenta batalhas.

— Se ele vencer esse Miguel, sua popularidade vai disparar atĂ© fora de Solon.

Hoje, Ineli também estava na årea exclusiva para nobres. Ela se divertia na primeira fileira enquanto uma escrava servia chå.

— Que expressĂŁo bonita. Ele tem cĂ©rebro, e aposto que muitas mulheres querem apoiĂĄ-lo.

— Como se.

Baton Cadmos, sentado ao seu lado, falou. O gordo Troa ficou nas arquibancadas, absorto em comprar comida.

— E entĂŁo? Ele Ă© o Orba? Achei que fosse, mas nĂŁo Ă© meio magro? Ou melhor, nĂŁo Ă© sĂł uma criança? — Baton cuspiu com arrogĂąncia.

Sua atitude com Ineli era claramente diferente quando Gil estava presente. Mas ela nĂŁo via necessidade de criticar.

— NĂŁo Ă© sĂł um gladiador voltando cheio de si? Bem, quero ver como ele sobrevive. Sempre achei impossĂ­vel que, onde quer que fosse, ele sempre fosse o mais forte. NinguĂ©m pode ser tĂŁo versĂĄtil.

— Mas ele matou um dragão diante dos meus olhos.

— Isso tambĂ©m Ă© suspeito. É um truque para animar a plateia, sem contar que o dragĂŁo estava dopado… Ai!

Ineli pisou no pé de Baton com força, fazendo-o pular. Ela o encarou o tempo todo.

— SĂ©rio, fui atacada! Seria diferente se eu estivesse a par.

Ela o dispensou com um gesto da mĂŁo, como se Baton merecesse.

— Hmph. Bem, por que não vejo suas habilidades então? As que Miguel mostrou ontem eram bem boas.

Ela percebeu que a plateia jå cantava o nome de Miguel. Por ter chamado a atenção do povo de Solon nesta arena cheia de gladiadores, provava que sua habilidade era real.

Bem, vocĂȘ terĂĄ que ver por si mesmo entĂŁo.

Seus låbios carnudos formaram um sorriso. Os gritos por Orba também eram altos, mas eles só o conheciam de nome. Um sentimento de superioridade surgiu nela, sabendo que este herói a salvou pessoalmente.

Do outro lado, na ĂĄrea para convidados, o enviado de garbera, Noue Salzantes, observava no meio do entusiasmo, mantendo uma aparĂȘncia agradavelmente bela que faria as mulheres suspirarem.

— COMECEM!

A luta entre Orba e Miguel começou. Miguel rapidamente avançou. No entanto, era um blefe, e ele só deU um passo à frente. Orba recuou rapIDO. Miguel encolheu os ombros com a reação exagerada e provocou risos na plateia.

SĂł uma pessoa.

— Viu isso?

Ineli sorriu, como se soubesse de tudo. Quando Miguel avançava, Orba recuava. Com as costas curvadas, mantinha uma distùncia que lhe permitia avaliar os movimentos do oponente.

— Ele Ă© como um gato — Baton riu. Ineli o ignorou.

Miguel avançou de verdade. E Orba também saltou para trås, tentando ganhar distùncia. Mas desta vez, Miguel não parou. Demonstrou um trabalho com os pés excelente, como se fosse puxado para Orba, e pressionou.

Duas, trĂȘs vezes, as lĂąminas brilharam entre eles. Orba parecia ter bloqueado os golpes, mas Miguel encurtava a distĂąncia. Os pĂ©s de Orba pararam. O ataque de Miguel, disfarçado de blefe, finalmente alcançou sua mĂĄscara.

A plateia suspirou em surpresa quando, no mesmo instante, Orba estava ao alcance de Miguel. Não foi tanto que a espada alcançou a måscara, mas que Orba avançou, fazendo a ponta da espada bater com força nela.

A uma distùncia onde até os cabos das espadas se tocavam, Miguel, levemente surpreso, quis uma prova de força bruta. Nesse momento, Orba saltou para trås novamente. Miguel, que exercera força, tropeçou para frente. A espada de Orba varreu em sua direção. A série de movimentos habilidosos deixou Ineli de olhos arregalados.

Ao mesmo tempo, um som metålico agudo ecoou. Na tentativa imediata de defesa, a espada de Miguel voou pelo ar. Ele caiu de joelhos. Quando Orba agarrou a espada para terminar a luta, Miguel bateu os punhos no chão. Era o sinal de rendição.

— Oooh! — suspiros sem desespero, mas com admiração, surgiram ao redor.

Orba olhou ao redor.

Na arena, quando um combate era decidido e o perdedor sobrevivia, o destino dele ficava a cargo da plateia. Se a maioria desse polegares para baixo, a vida do perdedor terminaria sem piedade. Se a maioria levantasse as mĂŁos, ele seria poupado.

Havia muitos casos onde gladiadores populares ou aqueles que mostravam lutas brilhantes eram poupados.

Mas mesmo assim, se o momento fosse considerado sem emoção, ou a plateia insatisfeita com o derramamento de sangue, eles desejariam um final brutal.

Por sorte, Miguel recebeu muito apoio e foi poupado. Orba jogou a espada para longe e deixou o perdedor. Ele mostrou uma diferença esmagadora de habilidade, mas a plateia ficou perplexa com o fim repentino.

— VocĂȘ viu isso? Viu, Baton, Troa? Sua força esmagadora!

A Ășnica que gritava animada era Ineli. “É”, Baton respondeu, nĂŁo muito feliz. E Troa, que nĂŁo fazia ideia das regras da arena, apenas assentiu.

O que mais desagradava Baton era como seus olhos ficaram Ășmidos e suas bochechas coradas. Ele suspeitava que nĂŁo fosse por sede de sangue. Na verdade, Ineli estava incomumente agitada. Enquanto assistia Ă  luta de Orba, a cena em Ba Roux voltou vividamente Ă  sua mente.

Quando o Sozos se aproximou, ela só sentiu medo. A silhueta do gladiador mascarado, depois de salvå-la enquanto ela desmoronava no chão, ficou gravada em sua memória. Ela era uma garota cansada da rotina, sempre em busca de emoçÔes. Relembrando aquela cena, seu coração acelerou, e uma sensação prazerosa a preencheu.

No entanto, enquanto apoiava o gladiador mascarado, ela também o odiava. Ele não lhe dera nem um olhar quando a salvou do dragão. E para piorar, estendeu a mão àquela princesa estrangeira, justo quando Ineli estava a um passo de humilhå-la. Ela não podia perdoå-lo por isso.

Se for vencer, vença com estrondo. Quero que todos o reconheçam como herói.

E quando morrer, que tenha uma morte de cĂŁo. EntĂŁo arrancarei essa mĂĄscara do seu cadĂĄver.

Esses dois sentimentos conflitantes colidiram, agitando uma tempestade emocional, mas Ineli ainda sentia seu corpo tremer com uma sensação prazerosa.

— Será que não dá para convidá-lo para a festa desta noite? Seria inadequado eu enviar um mensageiro. Baton, não pode fazer algo?

Muitos gladiadores eram convidados para as festas no palĂĄcio durante o festival. E ao convidar os mais populares, os nobres elevavam seu status.

— NĂŁo pode pedir ao prĂ­ncipe? — Baton respondeu, sem interesse. — Ele Ă© da Guarda Imperial do prĂ­ncipe.

— Acha que não sei? Estou pedindo porque não posso contar com meu irmão — Ineli resmungou.

— Ele está se sentindo mal de novo. Deve ter ficado traumatizado no campo de batalha. — Troa sorriu com um espeto de kebab no rosto.

— Ah, esquece. JĂĄ sei! Talvez eu possa pedir a Fedom. Ele Ă© o diretor do GrĂȘmio de Gladiadores, nĂŁo Ă©? SerĂĄ que posso negociar algo com ele sobre o Orba?

Enquanto conversavam, os próximos gladiadores entraram e começaram a apostar suas vidas nas espadas.

Depois disso, Orba lutou mais duas vezes. Enfrentou um animal loiro, supostamente trazido das terras do leste, cujo nome ele herdou — um tigre — e depois cruzou espadas contra dois gladiadores de uma vez.

Ambas terminaram em vitĂłrias satisfatĂłrias. Isso era diferente de quando ele estava no ambiente estranho do palĂĄcio. Em uma batalha com uma espada na mĂŁo, ele nĂŁo tinha nada a temer.

Sua habilidade inabalĂĄvel nĂŁo decepcionou as expectativas, mas o jeito como lutou foi um tanto simples e deixou os cidadĂŁos de Solon, amantes da arena, levemente insatisfeitos.

Os jogos de gladiadores terminaram antes do pĂŽr do sol. Orba nĂŁo voltou ao palĂĄcio naquela noite e pediu ao supervisor do acampamento para dormir no mesmo quarto que os escravos. Sua justificativa foi que voltar toda hora seria irritante.

Orba juntou-se aos escravos no local de jantar. Homens quase nus sentados em bancos de pedra recebiam pratos que as escravas enchiam com pequenas refeiçÔes. Comendo com as mãos, Orba achou estranhamente nostålgico aquele ambiente.

Havia pouco ou nenhum diĂĄlogo. Eram todos enviados por companhias de escravos de vĂĄrias regiĂ”es. Claro, seria estranho vĂȘ-los conversando animadamente quando no dia seguinte seriam forçados a se matar, mas o clima era diferente. Como no dia anterior, todos estavam conscientes de Orba. Mas ninguĂ©m falou com ele. Continuaram em silĂȘncio.

Orba espiou Pashir, sentado Ă  sua frente. Ele novamente olhava em sua direção. Quando os olhos se encontraram, Pashir levantou seu copo vazio, e Mira correu para enchĂȘ-lo com ĂĄgua.

O supervisor dos escravos apareceu brevemente, mas saiu sem falar. Quando as refeiçÔes estavam terminando, Pashir subitamente falou.

— Sua vinda aqui teve um lado bom.

Orba olhou sem entender.

— O carcereiro sempre nos apressa, mas se segurou com vocĂȘ aqui, um Guarda Imperial. Graças a isso, tivemos tempo para comer.

Pashir riu alto, e todos seguiram o exemplo.

Um tempo depois que se acalmaram:

— Por que veio aqui? VocĂȘ Ă© um herĂłi de Mephius. EstĂĄ tĂŁo confiante em matar outros?

— Fui ordenado a vir. O que mais seria? Não fale como se eu tivesse os mesmos gostos que um escravo.

Orba propositalmente os negou e levantou-se. Só ele não tinha correntes nos pés. Quando estava saindo:

— NĂŁo hĂĄ diferença entre vocĂȘ e nĂłs. Mesmo sem correntes, se Ă© ordenado a matar, Ă© um escravo. Diria que Ă© sĂł uma besta acorrentada, feita para matar em pĂșblico.

— Cale a boca!

Depois de levantar a voz, ele saiu a passos largos.

Logo depois de deixĂĄ-los, Orba parou, perdido em pensamentos. Ele extraiu daquele breve diĂĄlogo:

Pashir odeia Mephius.

EntĂŁo esse plano nĂŁo beneficiaria os nobres mephianos.

SerĂĄ que Oubary e Zaat propuseram isso escondendo seus nomes, ou Ă© um esquema de Noue para retaliar Mephius?

No dia seguinte, Orba participaria de uma luta montado em um dragão. Seria um combate entre dois lutadores em cima de um Baian médio.

Claro, Orba nĂŁo veio sĂł para matar escravos. Ele precisava aproveitar o pouco tempo que tinha.


Tradução feita por fãs.
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