Rakuin no Monshou – CapĂ­tulo 7 – Volume 1

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Rakuin no Monshou
Emblem of the Branded

Light Novel Online – CapĂ­tulo 07:
[Reino da Miragem]


— Quem Ă© vocĂȘ? — Ryucown perguntou novamente.

— Um gladiador.

Com essa resposta simples, o espadachim investiu contra o general rebelde em velocidade mĂĄxima, brandindo uma espada com ambas as mĂŁos.

O golpe passou a centímetros do rosto de Ryucown, que respondeu com um golpe em direção à cabeça. O gladiador mascarado rapidamente recuou.

O vento da troca de golpes em alta velocidade levantou um turbilhĂŁo entre os dois duelistas.

— Um mephiano? Como vocĂȘ se infiltrou aqui?

— Quem sabe?

Durante esse breve confronto, o salĂŁo irrompeu em caos. Guerreiros vestidos com o mesmo equipamento que o gladiador colidiram com as tropas de Ryucown. Cada membro desse grupo era um lutador de elite, escolhido a dedo por sua habilidade em combates caĂłticos.

FaĂ­scas voaram e xingamentos foram trocados. Shique lutava com duas lĂąminas gĂȘmeas, decapitando um inimigo apĂłs outro, enquanto o gigantesco escravo-espadachim Gilliam balançava seu machado com toda força, cortando atravĂ©s da carne inimiga mesmo trajados de armaduras.

O gladiador mascarado atacou novamente.

Ryucown desviou do golpe e então desferiu um corte vertical. O espadachim firmou seu centro de gravidade afastando as pernas e bloqueou o golpe. Imediatamente aproveitou o recuo, no instante em que Ryucown deu um passo para trås, para lançar um ataque vicioso.

— Oh, nada mal.

Dois, trĂȘs, entĂŁo inĂșmeros golpes se seguiram, com os dois travados em um impasse.

— Diga seu nome. Com tal habilidade, deve ser famoso.

— Quem sabe.

Repetindo as palavras de anteriormente, o espadachim mascarado — Orba — desferiu um golpe giratório.

O “presente” que Orba mencionara na ponte da Dhum anteriormente era a Princesa Vileena. Ele esperava que houvesse traidores no acampamento garberano e que, assim que lançassem seu ataque, as forças de Ryucown coordenariam com eles um ataque em pinça.

E os espiÔes dentro do acampamento garberano fizeram exatamente como esperado, proximando-se dos soldados que guardavam a princesa. Assim, ele conseguiu prever os movimentos inimigos e, antes de levarem a princesa do navio, Orba mergulhou sobre eles para salvå-la.

Então, durante a confusão causada pelo ataque de Ryucown, Orba e suas forças vestiram armaduras garberanas, levaram a princesa inconsciente do navio e conduziram um batalhão de soldados treinados em direção à Fortaleza Zaim. Naturalmente, quando as forças de Ryucown os viram chegando, automaticamente pensaram que o plano de seus aliados tivera sucesso e até os escoltaram para dentro da fortaleza.

O coração de Orba transbordava de excitação. Sentia-se como um personagem principal dos romances heroicos que lia quando jovem. Tudo estava seguindo seu plano, e agora enfrentava o general inimigo frente a frente.

Mas,

Droga!

Um quarto, um quinto golpe; os dois guerreiros continuaram lutando e faĂ­scas voavam a cada golpe.

As habilidades de Ryucown superavam em muito as expectativas de Orba. Prevendo facilmente os movimentos do jovem, a espada de seu oponente parecia vir de todas as direçÔes. E enquanto os golpes de Ryucown vinham da esquerda, direita, frente e costas com agressividade ousada, ele nunca deixava uma abertura para explorar.

Gotas de suor começaram a escorrer pelas costas de Orba. Ele não podia desperdiçar tempo ali. Quanto mais durasse, mais inimigos alcançariam o andar superior. Se seguissem sua estratégia, a Dhum deveria estar rumando para a fortaleza enquanto eliminava a força rebelde principal, mas era difícil para um novato como Orba prever quanto tempo isso levaria.

A Ășnica coisa que podia fazer era utilizar cada minuto, cada segundo que tinha para eliminar Ryucown. Assim, tudo que lhe restava era brandir sua espada, atacar, esquivar e fingir.

Vileena segurou a respiração enquanto assistia à cena diante dela. Claro que não percebeu que o Príncipe Gil que conhecia e o duelista mascarado eram a mesma pessoa. E embora a batalha parecesse equilibrada por um tempo, seus olhos começaram a perceber as mínimas diferenças entre os dois lutadores.

Durante seus inĂșmeros confrontos, Ryucown observava as tĂ©cnicas de Orba. As habilidades estavam lĂĄ, mas havia uma esquisitice pessoal em sua tĂ©cnica. Especialmente quando desferia um golpe de longa distĂąncia, deixava seu lado esquerdo desprotegido, porque seus pĂ©s nĂŁo acompanhavam.

Ryucown sorriu levemente. EntĂŁo recuou.

Orba caiu no blefe e o seguiu. Naquele instante, Ryucown impulsionou-se do chão. A ponta de sua lùmina arranhou o rosto de Orba. E quando seus pés tocaram o chão novamente, Ryucown posicionou-se ao lado de seu oponente. Impulsionando-se novamente, ergueu sua espada sobre a cabeça, e logo a ponta de sua lùmina tocou a måscara.

— Ugh.

Orba rapidamente concentrou toda sua força nas costas e girou o corpo para desviar. Ryucown continuou pressionando. Incapaz de recuperar a postura, Orba percebeu que estava sendo empurrado para trås enquanto tentava bloquear a violenta sucessão de ataques.

— Seu plano de infiltração Ă© impressionante.

Embora seu rosto estivesse coberto de suor, Ryucown ainda respirava normalmente.

— Mas Ă© impossĂ­vel alcançar a vitĂłria se vocĂȘ nĂŁo me derrotar rapidamente. Mesmo sendo um excelente lutador, vocĂȘ jĂĄ perdeu no instante em que nĂŁo pĂŽde me matar.

Orba nĂŁo tinha o luxo de responder. Finalmente percebera a verdade. A habilidade de seu oponente era maior que a sua e ele nĂŁo contara com isso. A esgrima, força, tĂ©cnica e atĂ© experiĂȘncia do cavaleiro superavam em muito as suas. Comparado ao ileso Ryucown, o lado e quadril de Orba estavam levemente feridos, e uma de suas proteçÔes de ombro quebrou. Estava sem fĂŽlego, e mal conseguia segurar sua espada.

Naquele momento, as tropas de Ryucown começaram a se reunir no salão principal. Os gladiadores também foram empurrados para trås por sua força. Não mais capazes de defender a porta, foram encurralados no centro do salão e imediatamente cercados pelos soldados que avançavam sobre eles.

— Droga! — Gilliam resmungou e ergueu seu machado.

Shique imitou sua postura. Ainda havia uma intenção assassina em seus olhos. Desviando de uma lança arremessada pelos soldados ao redor, Gilliam disse:

— NĂŁo quero dizer isso, mas queria que Orba estivesse aqui. O desgraçado Ă© irritante, mas vocĂȘ pode contar com aquela força gĂ©lida numa batalha! Ei, o que tem de engraçado, Shique!?

— NĂŁo nada, vocĂȘ estĂĄ certo. Apesar daquele cara mascarado ser bem forte, estĂĄ longe do Orba, nĂ©? Ah, se soubesse que chegaria a isso, teria me esforçado mais para trazĂȘ-lo.

Cobertos no sangue de inimigos e deles mesmos, a dupla ainda conseguia fazer piadas em tal situação desesperadora, mas os outros gladiadores — um perfurado por uma lança inimiga, outro com a perna cortada — caíam um a um.

Ryucown estava convencido de que a batalha terminara. Planejava surpreender Orba no peito e, no momento em que o gladiador se esquivasse, desferir outro golpe. As duas espadas se encontraram mais uma vez, e finalmente a espada de Orba voou de suas mĂŁos.

— O quĂȘ?

Foi Ryucown quem gritou em surpresa.

Confiante em sua vitĂłria, o general rebelde relaxou sua postura, e naquele instante Orba puxou uma adaga de sua cintura e atacou. Escolhera apostar sua arma em um ataque desesperado.

Peguei!

Carregado de confiança, Orba investiu contra o corpo de Ryucown. As tropas rebeldes gritaram em surpresa, e subitamente o salão principal encheu-se com o som de metal batendo contra metal.

No lado sul da colina, os exércitos colidiram sob o bombardeio da artilharia de ambos os lados. O campo de batalha jå se tornara uma luta cada-um-por-si. Tropas de Mephius e de Ryucown misturavam-se em um caótico corpo a corpo, e um fogo alaranjado iluminava o céu sem lua.

— Fogo! Fogo!!

O velho general Rogue Saian não conseguia conter sua excitação e sede de sangue, então pessoalmente liderou suas tropas na linha de frente. Rajada após rajada de tiros eram disparados, mirando na linha inimiga.

Embora as tropas mephianas tivessem recursos e nĂșmeros superiores, era seu inimigo quem detinha a vantagem no momento.

Ao mesmo tempo, Gowen liderou um time de dez homens para flanquear o inimigo pela direita. Tinham um Baian arrastando dois canhÔes junto deles. Esperavam uså-los para bombardear o inimigo, mas sua posição foi rapidamente descoberta por uma aeronave de patrulha.

— Abaixem!

Enquanto Gowen se jogava no chĂŁo, dando a ordem, uma bala passou rente a seus olhos. Uma aeronave de assento Ășnico quase o metralhou ao passar e entĂŁo mudou de direção, subindo abruptamente. No curso dessa ação, a aeronave subitamente perdeu o equilĂ­brio. Um dos gladiadores agarrava-se Ă  cauda da nave. Os outros gladiadores rapidamente se aglomeraram, arrastando o piloto para fora.

Embora continuassem seu avanço, o coração de Gowen estava sob a sombra da impaciĂȘncia.

Para as forças de Ryucown, esse ataque era a melhor oportunidade possível. Provavelmente incitados por instigadores, parte do exército garberano voltou-se e desferira um golpe no exército mephiano, lançando-os em confusão. Não precisavam aniquilar completamente suas forças, infligir 20 a 30 por cento de baixas era suficiente. Com isso, o exército mephiano não veria mais valor no território alheio e recuaria.

Era a oportunidade perfeita. Por isso, para alguém como Ryucown, que não precisava pensar em recuar, não haveria contenção. Ele usaria todas suas forças e isso de fato seguiu como Orba previra. Tecendo seu caminho por essa brecha, Orba e um grupo de elite infiltraram-se na fortaleza para dar um fim a Ryucown. E após repelir a força inimiga principal, a Dhum rumaria para o forte ao mesmo tempo e o ocuparia.

Essa era a ideia, mas…

Segundo o plano de Orba, o acampamento garberano deveria imediatamente juntar-se a Mephius. Mesmo que seu lado estivesse em confusão, teriam forças suficientes para confrontar e esmagar o inimigo, mas os garberanos não se moveram. Numa batalha caótica e desorganizada, até suas mensagens ficaram embaralhadas. Ele estaria mentindo se dissesse que suas próprias previsÔes não foram um pouco idealizadas.

De qualquer forma, o moral inimigo estava extraordinariamente alto. Se um caía, outro pisava sobre o cadåver, ou até o usava como escudo. Passo a passo, avançavam lentamente em sua direção. Além disso, as tropas mephianas nem sabiam que seu indispensåvel príncipe, ainda que apenas um sósia, e princesa estavam dentro da fortaleza.

Os mephianos nĂŁo tĂȘm o mesmo espĂ­rito de luta. Se isso continuar, seu exĂ©rcito logo se despedaçarĂĄ. Preciso me apressar!

E assim, Gowen retomou sua marcha. Do centro da colina, de um local com boa visĂŁo, disparou seu canhĂŁo bem no meio dos artilheiros inimigos. Um tiro, dois tiros… Uma coluna de chamas erguia-se a cada disparo, mas trĂȘs tiros era o limite. Uma nova unidade de aeronaves jĂĄ rumava para sua posição.

— Abram caminho! Abram caminho!!

Esse ataque definitivamente infligiu danos sĂ©rios, mas a linha inimiga nĂŁo cedeu, nem um pouco. A Ășnica coisa que Gowen pĂŽde fazer foi abandonar sua artilharia e fugir do local com os dragĂ”es.

Orba!

Se chegasse a isso, Orba só precisava se apressar e eliminar Ryucown. Então, só poderiam esperar que seus inimigos perdessem a vontade de lutar. Recuou, o som de tiros uivando ao seu redor enquanto balas roçavam seus ombros.

Ryucown abriu os olhos arregalados… depois os cerrou com força.

Orba estava inclinado para frente com todo seu peso pressionando contra ele. NĂŁo conseguira fazer sangrar, mas Ryucown mal conseguira bloquear o ataque desesperado. Ainda carregava uma espada curta de 60 cm nas costas, que sacara no momento exato para se defender.

Orba ainda tentou usar sua força para desferir outro golpe, mas o ataque falhou quando Ryucown se movimentou em semicírculo ao seu redor, fazendo-o cair de bruços no chão. De quatro, sentiu o frio da lùmina contra sua nuca.

Eu perdi.

O corpo de Orba gelou ao sentir o aço cutucando sua pele. NĂŁo havia como mudar o resultado. Conseguira superar seu inimigo em astĂșcia, mas a esgrima de Ryucown e os movimentos garberanos haviam sido um golpe fatal.

Depois de tantas batalhas, esta era sua primeira derrota. Para ele, significava que o coração que batia apenas por vingança pararia no meio do caminho.

— Admiro sua ousadia. Se não tivesse nascido em Mephius, teria prazer em lutar ao seu lado — disse Ryucown, preparando-se para decapitá-lo.

— PARE COM ISSO!

O grito de Vileena ecoou claramente pelo salĂŁo. Ryucown inicialmente tentou ignorĂĄ-la, mas.

— PARE AGORA MESMO!!!

Sentindo que o segundo grito carregava uma força de vida ou morte, Ryucown lançou-lhe um olhar. Como esperado, a princesa garberana estava apontando uma pistola em sua direção. O soldado atrás dela tinha uma expressão apavorada – ela provavelmente roubara a arma dele.

Ryucown sorriu.

— E o que vocĂȘ pretende fazer? Atirar em mim?

— Não — a princesa Vileena respondeu, balançando a cabeça.

Seu rosto floresceu em um sorriso encantador, fazendo todos se perguntarem o que se passava em sua mente, enquanto erguia a pistola.

— Eu vou atirar em mim mesma.

Ela apontou a arma para sua prĂłpria tĂȘmpora. As sobrancelhas de Ryucown se ergueram enquanto agitação surgia entre os soldados.

— Qual o significado disso?

— VocĂȘ tem coragem de repetir suas palavras anteriores diante de suas tropas leais? Suas verdadeiras intençÔes? Enquanto vocĂȘ Ă© um cavaleiro servindo Ă  realeza, seus prĂłprios ideais se desviam de seu verdadeiro propĂłsito. VocĂȘ deseja que eles carreguem o mesmo fardo?

Uma luz vibrante retornara ao par de olhos que antes estavam cheios de desespero. Mesmo com uma arma apontada para sua própria cabeça.

Ryucown manteve-se em silĂȘncio. Estava perplexo com Vileena apostando sua vida dessa forma. Como a princesa de quatorze anos previra, Ryucown nĂŁo podia permitir que Vileena morresse diante de suas tropas. Esses soldados compartilhavam seus ideais de reconstruir o Reino de Garbera como uma nação de verdadeiros cavaleiros. No entanto, eles tambĂ©m reverenciavam a linhagem real da princesa Vileena. Se perdessem seu Ă­dolo, sua causa desmoronaria. AlguĂ©m como ele, disposto a tudo para criar uma nação ideal, era de um lado um inovador, mas de outro o tipo a ser criticado como vilĂŁo.

Enquanto Ryucown e Vileena travavam uma batalha silenciosa, Orba, derrotado, agachava-se Ă  margem. Suas costas arfavam enquanto respirava com dificuldade, mas de forma alguma ele aceitara sua morte.

Do interior de sua mĂĄscara, ele fitou a lĂąmina curta que bloqueara seu ataque anterior.

Aquilo…

Havia letras claramente gravadas na lĂąmina. NĂŁo havia dĂșvida.

O, R, B, A…

Era nada menos que seu próprio nome. O coração de Orba, que estivera à beira da parada, voltou a bater firmemente em um ritmo constante.

— Princesa!

— Vossa Alteza, por favor abaixe a arma!

Enquanto os soldados suplicavam, a princesa Vileena mantinha o olhar fixo em Ryucown. Seu rosto de porcelana não mostrava vestígios de hesitação, apenas determinação inabalåvel.

— Princesa, atĂ© onde levarĂĄ esse espĂ­rito militar? — Ryucown suspirou. — Se… sim, se eu mostrar minha resolução diante de todos aqui, minha determinação, o que farĂĄ? Podemos continuar nos velhos caminhos sem alcançar nossos ideais, e no fim, mesmo sobrevivendo a esta batalha, nada mudarĂĄ. NĂŁo seria melhor escolher o desfecho mais benĂ©fico para ambos?

— Então apresse-se. Já encontrei minha resolução.

— Princesa!

— NÃO SE APROXIMEM!

Ao perceber que os soldados avançavam, Vileena recuou abruptamente. A pistola nĂŁo se moveu um milĂ­metro de sua tĂȘmpora, mas eles continuaram se aproximando.

— Veja, Vossa Alteza.

Ryucown apontou para as colunas do lado oposto, onde as chamas da guerra ainda ardiam.

— Olhe para os exĂ©rcitos Mephius e Garbera, que mesmo com nĂșmeros superiores, lutam contra nossos homens corajosos. NĂŁo compreende o que isso representa? Deixando de lado os covardes Mephianos, o exĂ©rcito Garberano estĂĄ em caos. Eles vacilam porque nĂŁo sabem se me seguem ou nĂŁo. JĂĄ nĂŁo seguem cegamente a famĂ­lia real, e se perguntam se aqueles no meu caminho nĂŁo sĂŁo os verdadeiros protetores desta nação. Esta Ă© a resposta que o povo Garberano encontrou.

Os homens de Ryucown ergueram as vozes em unĂ­ssono:

— Princesa, reconheça nossa causa!

— Esta batalha Ă© pelo verdadeiro orgulho de Garbera. Compreenda!

Vileena olhou para eles sem hostilidade. Seus olhos brilhavam com tristeza. Desde o início, ela nunca conseguira nutrir ódio por eles. Em seus coraçÔes, todos amavam Garbera, e todos amavam a flor de Garbera, a princesa Vileena.

— Eu nĂŁo quero!!! — a princesa gritou subitamente, como uma criança em birra, as lĂĄgrimas escorrendo enquanto a pistola tremia em sua tĂȘmpora. — NĂŁo quero! NĂŁo quero! NĂŁo quero!!!

— Vileena-sama!

— Esta Ă© a Garbera que meu avĂŽ amou e meu pai cultivou! — Vileena deixou escapar uma lĂĄgrima. — Por quĂȘ? Por que tudo…?

— Pare com essas bobagens.

Ryucown estava ancorado em crenças inabalåveis, mas foi interrompido por uma voz inesperada.

— NÃO SÃO BOBAGENS!

A voz vinha das profundezas, fazendo Ryucown e Vileena se virarem. O general rebelde, que havia esquecido Orba atĂ© entĂŁo, rosnou “NĂŁo se mova” e apontou sua espada para o gladiador. PorĂ©m…

— Devolva essa espada.

— Devolver? Do que estĂĄ falando? Isso Ă©…

— Seis anos atrás — Orba disse.

Ryucown engasgou, surpreso. Seu olhar mudou ao ver o gladiador se levantar do chĂŁo.

— Seis anos atrĂĄs… vocĂȘ aspirava ser um cavaleiro, mas jĂĄ era mais cavaleiro que qualquer outro. Agora Ă© diferente. Para cumprir seus ideais, ergueu uma espada contra sua soberana. AtĂ© ameaçou matĂĄ-la! Por que estĂĄ jogando sua vida fora? EstĂĄ tĂŁo intoxicado que Ă© surdo Ă s palavras de sua prĂłpria soberana, que tambĂ©m arrisca a vida? Ryucown, vocĂȘ nĂŁo Ă© mais um cavaleiro!

Enquanto Ryucown se preparava para atacar, Shique aproveitou o momento de distração para escapar do cerco.

— Pegue!

Shique arremessou sua espada. Orba a agarrou no ar como se tudo estivesse planejado. EntĂŁo Shique correu para trĂĄs da princesa, arrancando a pistola de sua mĂŁo e pressionando-a contra sua nuca.

— Princesa?!

— Vossa Alteza!

— Não se mexam!

Ignorando Shique, Ryucown investiu contra Orba. Por reflexo, o gladiador bloqueou o golpe e os dois travaram suas lĂąminas novamente.

— O QUE ESTÃO FAZENDO!? — Ryucown rugiu com uma expressão demoníaca. — NÃO PODEMOS DEIXAR UM MEPHIANO MATAR A PRINCESA. CAPTUREM-NO!

Shique estalou a língua. O terror e confusão nos rostos dos soldados começava a se dissipar. Era agora ou nunca.

— Senhor gladiador.

— Hã? — Shique balbuciou, surpreso.

A princesa que ele supostamente mantinha como refém tomou a iniciativa.

— Por aqui — ela sussurrou, indicando com o queixo a aeronave estacionada nas proximidades.

Num instante, Shique compreendeu.

— Entendido. Será um pouco brusco.

— Estou acostumada.

Imediatamente após sua resposta, Shique atirou para o alto. Antes que o eco se dissipasse, agarrou os ombros delicados da princesa e correu. Vileena saltou para a aeronave enquanto Shique assumia os controles. O motor a éter rugiu, elevando-os aos céus.

— Trarei reforços! Aguardem! — Shique gritou.

Mas Vileena hesitou. No salĂŁo abaixo estavam soldados Mephianos heroicos e seguidores leais de sua famĂ­lia real, todos arriscando suas vidas por Garbera. E agora ela os abandonava.

— Princesa!

Como esperado, Ryucown empalideceu e correu em direção à aeronave. Mas uma lùmina de aço cruzou seu caminho. Cuspindo no chão, ele se virou para enfrentar Orba, que avançava contra ele.

— Vá!!! — Orba rugiu.

Ele bloqueou um golpe que teria decepado sua cabeça, seguido por dois, trĂȘs ataques precisos. EntĂŁo gritou novamente:

— VILEENA, VÁ!!!

A princesa olhou para ele como se tivesse sido golpeada. Então, sacudindo os soldados que tentavam alcançå-la, lançou a aeronave no céu noturno. Em instantes, desapareceu na escuridão.

— Se chegou a isso… — Ryucown rosnou enquanto suas espadas se cruzavam, — devo simplesmente ordenar que matem a princesa junto com o exĂ©rcito Mephiano?

— O quĂȘ?!

A respiração de Orba tornou-se mais pesada. A força que o mantinha em pé estava se esgotando. Ele não sabia o que fazer, não sabia se poderia concluir o que começara, e não sabia se seria capaz de fazer algo além de assistir tudo ser arrancado de suas mãos, como sempre.

Mas Orba tinha uma espada — a personificação de seu sangue fervente.

— AlguĂ©m como vocĂȘ…

— Seu maldito…!!!

— NĂŁo vou deixar vocĂȘ me impedir!

Enquanto bloqueava a espada de Ryucown e ajustava sua postura, Orba se movia para a esquerda, para a direita, investindo contra seu inimigo, mas todos os seus golpes eram igualmente bloqueados.

Talvez eu sĂł precise de um pouco mais de força. É tudo o que me resta…

Se algo estivesse bloqueando seu objetivo, fossem ideais elevados, divindades ou até mesmo deuses dragÔes, Orba provavelmente os desafiaria com apenas uma espada na mão.

Nesse instante, Orba recaiu em seus velhos hĂĄbitos. Assim que seu oponente pareceu recuar para a defesa, ele aproveitou para investir com tudo. Mas Ryucown, que esperava por esse ataque, desviou com maestria da estocada e contra-atacou com um golpe certeiro.

Era exatamente como Orba presenciara seis anos atrĂĄs.

FaĂ­scas voaram pelo ar e, num piscar de olhos,

— Argh…!

Um grito de dor ecoou, acompanhado por um jorro de sangue.

A lùmina de Ryucown foi repelida pela espada que Orba sacara num movimento råpido. No final, foi o general rebelde quem mordeu a isca. Confiante no golpe fatal, concentou toda sua força no ataque, perdendo completamente o equilíbrio. Orba bloqueara o contra-ataque erguendo a face plana de sua espada.

Mas não saíra ileso. Um golpe perfurou a parte superior direita de sua måscara, deixando uma rachadura nítida que se estendia até o meio.

— MagnĂ­fico… — Ryucown lutou para falar enquanto caĂ­a de costas no chĂŁo, tossindo sangue. — AtĂ© momentos atrĂĄs, eu via uma nação de cavaleiros… mas este era meu limite? Diga seu nome. Eu, Ryucown, nĂŁo descansarei em paz sendo derrotado por um homem sem nome.

— Orba.

Nenhum dos soldados presentes, exceto Ryucown, ouviu seu nome. NĂŁo ficou claro se isso trouxe consolo ao moribundo, pois apenas um Ășltimo jorro de sangue escapou de seus lĂĄbios antes que seus olhos se fechassem para sempre. Orba permaneceu em silĂȘncio, observando-o fixamente.

O mesmo homem que infiltrara o campo inimigo com um punhado de escolhidos para derrotar o rebelde Bateaux, agora perecia da mesma forma. A ironia desses “Ășltimos momentos de Ryucown” seria cantada em versos por geraçÔes.

— MILORDE!!

— ELE MATOU O LORDE RYUCOWN! NÃO DEIXEM SEQUER UM SAIR VIVO!!

A fĂșria dos soldados se misturava ao espĂ­rito de luta. Os gladiadores que tambĂ©m invadiram o salĂŁo formaram um cĂ­rculo protetor ao redor de Orba.

Nesse momento, cerca de uma dĂșzia de aeronaves que atacavam o corpo aĂ©reo mePHiano retornaram para reabastecimento. Ao perceberem a situação, os soldados desembarcaram com espadas e armas em punho, convergindo para o topo da fortaleza.

RespiraNDO ofegante, Orba pensou:

Este Ă© o fim?

Era apenas um pensamento fugaz. Durante seus dois anos como gladiador, muitas vezes enfrentARA a mesma dĂșvida. E sempre…

NĂŁo, nĂŁo acabarĂĄ aqui!

Sempre se reerguera. Agora, com dezenas de espadas apontadas em sua direção e armas prontas para disparar, Orba apertou com força o punho de sua espada.

Lenta mas inexoravelmente, os homens de Ryucown se aproximaram. Orba cogitou romper o cerco, mas os escravos-espadachins permaneceram em silĂȘncio, armas em erguidas, formando uma barreira humana ao seu redor. Ambos os lados ardiam em fĂșria assassina, prontos para se chocarem como projĂ©teis de balas…

Quando, de repente, um grito de guerra ecoou como uma tsunami. Da varanda superior, avistou-se um exército avançando pelas planícies como fogo em capim seco.

Os homens de Ryucown cerraram os dentes, enfrentando a desesperança. Ainda dispostos a lutar atĂ© o Ășltimo homem, queriam ao menos vingar-se do assassino de seu general.

Mas agora, o exército mephiano se aproximava.

— Ah…! — Um soldado exclamou com voz infantil.

Iluminada por labaredas, tremulava no cĂ©u noturno a bandeira de Garbera – sĂ­mbolo de sua terra natal, da qual se despediram com o coração em frangalhos.

— Acabou…! Tudo acabou!!

Com a mesma agilidade de antes, ela saltou da aeronave para a varanda – a Princesa Vileena.

O quĂȘ…?

Viajando a bordo do dirigĂ­vel, o gladiador Shique suava profusamente, cerrando os punhos.

Que tipo de garota Ă© essa!?

A aeronave que transportava Vileena, após partir da Fortaleza de Zaim, só aumentava sua velocidade enquanto seguia em direção ao acampamento garberano. Naturalmente, Shique foi pego de surpresa, pois esperava que fossem para as forças de Mephius. Ele se preocupava com a possibilidade de que ela estivesse considerando voltar para Garbera de vez.

Assim como Ryucown mencionara antes, o acampamento garberano provavelmente estava um completo caos. Eles estavam ocupados lidando com os traidores entre suas fileiras, alĂ©m de observarem os incĂȘndios que se espalhavam pelo exĂ©rcito de Mephius. NĂŁo seria estranho que alguns soldados estivessem pensando em se juntar Ă  causa de Ryucown.

Para piorar, e isso era Ăłbvio, estavam em um campo de batalha.

Após o pÎr do sol, qualquer dirigível que se aproximasse poderia ser recebido a tiros antes mesmo de se identificar. Os disparos cortavam o céu sem aviso, e até mesmo um homem como Shique gritava enquanto Vileena inclinava a aeronave para os lados. Quando o dirigível perdeu altitude, finalmente alguns soldados a reconheceram e gritaram:

— Princesa!

Vileena, entĂŁo, ordenou de cima:

— Ataquem as forças de Ryucown junto com os mephianos agora mesmo!!

No instante em que os disparos cessaram, parecia que o tempo havia parado. Ao fundo, atrĂĄs de Vileena, os incĂȘndios da guerra ainda ardiam, refletindo suas cores nos olhos dos soldados garberanos. Naquele instante, Shique viu a compreensĂŁo correr por eles como um raio. De repente, pareciam verdadeiros cavaleiros erguendo suas espadas ao chamado de sua soberana.

— Garbera nĂŁo Ă© um reino de cavaleiros? VocĂȘs podem se chamar de cavaleiros se jogam fora a promessa de seu paĂ­s e levantam suas lĂąminas contra Mephius? Como podem encarar os grandes ancestrais de nossa nação!? Venham! Sigam-me!!

Certamente, como um farol descendo dos céus, era isso que aqueles cavaleiros precisavam.

Com um lamento por terem demorado tanto a se posicionar, o exército de Garbera lançou seu ataque. As tropas foram divididas: uma parte se uniu aos mephianos para reforçå-los, enquanto a outra avançou em direção à Fortaleza de Zaim. Como o foco principal de Ryucown era atacar Mephius, não demorou para que as forças de Garbera o cercassem, posicionando-se diante dos portÔes da fortaleza.

— ACABOU!

Vileena avançou para o alto da fortaleza, cercada pelo brilho das espadas e das armaduras.

— O general Ryucown apontou sua espada para mim! Não duvido de seu amor por sua pátria e por seu povo, mas, em vez de Garbera e sua cavalaria, ele passou a amar apenas uma nação de cavaleiros moldada por seus próprios ideais! Não há mais sentido em continuar essa batalha!

Cercados por soldados garberanos, seus próprios compatriotas, sem um líder e diante das palavras de sua amada princesa, os homens de Ryucown perderam completamente suas forças e seu propósito.

Na verdade, a fortaleza jĂĄ havia caĂ­do. Os soldados largaram as armas e desabaram ao chĂŁo, enquanto lĂĄgrimas escorriam de seus olhos em luto por Ryucown.

O cenĂĄrio era completamente diferente da selvageria do campo de batalha. A fortaleza se encheu de choros e lamentos, como um funeral.

Vileena observava o ambiente quando, caminhando sem rumo, tropeçou nos próprios pés.

— Princesa!

Gilliam, que estava por perto, a segurou rapidamente.

Seu rosto estava pålido como cera, mas apenas porque estava coberto por uma fina camada de suor. Seus låbios, porém, mantinham um vermelho intenso.

— G-Gilliam, seu bastardo! Já não está na hora de soltar a princesa?

— O que te deixou tão exaltado, Shique? Se eu a soltar agora, ela vai cair no chão, não vai?

— EntĂŁo me passe ela…

— E-Eu estou bem. Obrigada — disse Vileena, constrangida, soltando-se de Gilliam. — Shique e Gilliam, certo?

— S-Sim!

— VocĂȘs demonstraram excelĂȘncia desde o Vale de Seirin. NĂŁo apenas salvaram meu destino, mas tambĂ©m o de Mephius e Garbera. Em nome dos povos de ambas as naçÔes, agradeço de coração.

— NĂŁo, eu… — começou Gilliam.

— Ele estĂĄ certo, princesa. NĂŁo precisa dizer palavras tĂŁo calorosas a esse brutamontes. Ele nĂŁo passa de um ignorante que sĂł sente prazer em brandir seu machado em batalhas e saques…

— S-Seu cĂŁo traiçoeiro! Escute, princesa, nĂŁo se trata de amor ou de bajular nobres, ou— argh, vocĂȘ provavelmente nĂŁo entende nada disso!

Vileena sorriu ao ver os dois começando a discutir.

Naturalmente, ela também estava exausta. No entanto, como membro da família real de Garbera, precisava suportar. Afinal, se quisesse realizar algo após se tornar a Imperatriz de Mephius no futuro, teria que se fortalecer.

Foi entĂŁo que avistou uma figura entre a multidĂŁo que merecia um reconhecimento especial. O espadachim mascarado jĂĄ estava prestes a deixar o grande salĂŁo. Ela correu atrĂĄs dele.

— VocĂȘ foi quem derrotou Ryucown, nĂŁo foi? Isso Ă© incrĂ­vel. JĂĄ que se chama gladiador, quer dizer que faz parte da guarda pessoal do prĂ­ncipe?

— Sim…

— Graças a vocĂȘ, despertei de minhas dĂșvidas. Agradeço por isso.

Vileena falou com sinceridade. Quando embarcara no dirigĂ­vel e hesitara em partir, ainda estava dividida entre dois paĂ­ses, incapaz de escolher.

Por causa daquelas palavras.

Ela foi fraca. Sentia que estava abandonando os soldados de Ryucown e os companheiros daquele homem para morrerem.

Mas, por isso…

Precisava se tornar mais forte. A base da realeza era ser alguém cujas virtudes pudessem ser admiradas por toda a nação. Esse era o dever dos privilegiados. Não era isso que seu avÎ, Jeorg, sempre dizia?

O espadachim virou levemente a cabeça para encarå-la. Seus olhos eram visíveis através das fissuras da måscara, e por um momento, Vileena teve a impressão de que jå os vira antes.

◇◇◇

Saindo sozinho da fortaleza, Orba atravessou os campos marcados pela batalha. Embora fosse no meio da noite, havia fogueiras e braseiros aqui e ali, permitindo-lhe caminhar sem dificuldades, mesmo sem uma lanterna.

O som constante de armaduras tilintando enchia o ar enquanto ele passava por muitos soldados de Mephius. Seus rostos estavam cheios de excitação e entusiasmo, provavelmente porque planejavam saquear a fortaleza. Por enquanto, as forças de Garbera haviam montado acampamento fora dos portÔes, mas não avançaram mais. Como era de se esperar, ainda havia certa desconfiança. Não apenas porque parte das tropas garberanas havia se voltado contra eles e atacado os mephianos, mas também porque o líder dessa rebelião, Ryucown, fora derrotado por Mephius.

Orba, no entanto, nĂŁo achou que valesse a pena se preocupar com isso.

A euforia da batalha jå o havia abandonado, restando apenas o cansaço, a dor e a desolação.

Por quem eu lutei? E como quem lutei?

Parecia que Ryucown estava preparado para a morte. NĂŁo apenas no momento em que foi derrotado, mas desde o instante em que se encontraram, o fim jĂĄ era visĂ­vel em seus olhos. Embora fosse difĂ­cil dizer atĂ© onde ele iria para reformar Garbera com sinceridade, nĂŁo havia dĂșvida de que seu nome permaneceria na memĂłria de seu povo. Por ora, as chamas da rebeliĂŁo pareciam extintas, mas o nome de Ryucown certamente continuaria ardendo nos coraçÔes dos homens.

Uma miragem.

AlĂ©m das ondulaçÔes trĂȘmulas do ar quente, uma ilusĂŁo vĂ­vida se formava. Era uma lembrança da infĂąncia de Orba e, no entanto, Ryucown nĂŁo teria perseguido seus sonhos atĂ© o fim exatamente da mesma forma? Enquanto Orba, jogado de um lado para o outro pelo destino, havia gradualmente deixado de lado aquelas ilusĂ”es de menino, Ryucown era diferente.

Se ao menos pudesse segurar um fragmento daquela miragem em suas prĂłprias mĂŁos… Ele realmente acreditava que precisava vencer, lutar ou morrer.

E se Orba se perguntasse se era esse o tipo de homem que queria ser, a Ășnica resposta possĂ­vel seria enfrentar o desafio de cabeça erguida e com confiança.

— Ei, vocĂȘ! É da guarda pessoal do prĂ­ncipe?

Orba arregalou os olhos, surpreso. Oubary caminhava em sua direção. Como um comandante de um exército vitorioso, vinha com os ombros largos, acompanhado por dois soldados à esquerda e à direita, um carregando uma espada e o outro, um rifle.

— Sim — respondeu Orba de maneira seca, parando no meio do caminho.

Oubary torceu os lĂĄbios em um sorriso amargo.

— O fato de termos tomado emprestada a força de escravos-espadachins para conquistar a vitória será uma mancha na honra militar de Mephius. Eventualmente, o príncipe terá de se justificar diante de seu pai.

Ele estava prestes a se afastar, murmurando sua insatisfação, mas Orba chamou por ele.

— General.

— O quĂȘ?

Oubary virou-se, assumindo uma postura imponente, mas Orba apenas baixou o olhar, sem dizer nada. NĂŁo conseguiu proferir nenhuma palavra. Nem sequer imaginara desafiar o homem em primeiro lugar.

— Perguntei algo.

Se eu fizer isso agora…

Ele estava quase sozinho. Ao observar os homens Ă  esquerda e Ă  direita, nĂŁo viu nada de notĂĄvel neles.

Se eu fizer isso agora… talvez…

— Bastardo insolente! — disse Oubary, irritado, dando um passo à frente.

— Não. É só que ainda há inimigos por perto. Tome cuidado.

— Hmph.

Oubary deu um sorriso cĂ­nico, cuspiu no chĂŁo e virou-se de costas.

— Não se ache demais, escravo. Um cão que não obedece ao seu mestre não tem para onde ir.

Erguendo os ombros mais uma vez, seguiu na direção da fortaleza. Orba ficou ali parado, observando suas costas até que ele desaparecesse dentro da construção. Só então retomou seu caminho original.

Agora nĂŁo.

Ele apertou a empunhadura da espada com força e depois relaxou os dedos. No momento, era apenas Orba, o gladiador comum, capaz de atacar apenas sob o manto da escuridão. Mesmo que conseguisse tirar a vida de Oubary naquele instante, não teria para onde voltar.

Quando arrancasse a mĂĄscara e se tornasse “PrĂ­ncipe Gil”, provavelmente teria alternativas melhores do que Orba, o escravo-espadachim.

O próximo a chamå-lo foi Fedom. Olhando esguiamente para os soldados ao redor, aproximou-se com um sorriso que parecia de congratulação pela vitória.

— Espero que esteja satisfeito — sussurrou venenosamente.

— O que quer dizer?

— Representar um soldado de verdade, em uma aeronave de verdade, em uma guerra de verdade… EstĂĄ satisfeito? EntĂŁo, basta. NĂŁo permitirei que faça mais nada.

“Basta, já chega”, quantas vezes Fedom já lhe dissera aquelas palavras? Pensando nisso, Orba, de repente, sorriu.

— O que foi tĂŁo engraçado? Escute, vocĂȘ ainda nĂŁo terminou seus deveres. O prĂ­ncipe continuarĂĄ em perigo atĂ© que o casamento com a princesa seja oficializado. NĂŁo posso deixar que vĂĄ Ă  capital por conta prĂłpria. Terei homens armados vigiando vocĂȘ todos os dias.

Embora estivesse sorrindo por fora, suas ameaças eram repletas de veneno. Orba pensou que o sujeito tinha um talento especial para isso.

— HĂĄ muitas mais pessoas que conhecem o prĂ­ncipe lĂĄ do que em Birac. VocĂȘ precisa ser extremamente cuidadoso. Se for descoberto… eles cortarĂŁo sua cabeça sem hesitar.

Oh?

Havia algo estranho naquela frase.

Entendi… entĂŁo era exatamente como eu suspeitava…

AtĂ© aquele momento, ele tinha suas dĂșvidas. Agora, no entanto, estava convencido.

Ninguém além de Fedom sabia que Orba estava se passando pelo príncipe. Pelo menos, ninguém no governo. Não sabia exatamente o motivo, mas era provåvel que Fedom quisesse manipular Mephius a seu bel-prazer. Além disso, havia vårias outras coisas que Orba poderia considerar.

Contudo, não deixou transparecer sua realização repentina. Apenas assentiu com a cabeça.

Depois disso, Orba retornou Ă  nave de comando, trocou sua armadura com Kain, o “sĂłsia do prĂ­ncipe”, e subiu ao deck como prĂ­ncipe.

Havia muitas pessoas reunidas, gritando o nome do prĂ­ncipe, erguidas em jĂșbilo, acenando com entusiasmo.

Lå, ele se misturou com Gowen e Shique. Todos ficaram satisfeitos em ver que os outros estavam a salvo, e ele caminhou na direção dos gladiadores.

— Ryucown tentou tomar a mão da princesa — comentou Shique pelo caminho. — Mas não foi ele quem planejou o atentado no Vale Seirin?

— Ele mesmo declarou que atacou Mephius — disse Gowen. — Mas nĂŁo Ă© difĂ­cil imaginar que delegados de outros paĂ­ses tenham tentado assassinar a princesa. Ainda assim, Ă© um mistĂ©rio.

— Não.

Quando Orba falou, os dois olharam para o “prĂ­ncipe”. Talvez estivesse se acostumando ao papel ou talvez algum talento natural estivesse começando a despertar. Toda vez que os soldados o aclamavam ao passar, sentia dentro de si um orgulho que jamais experimentara antes.

— Pensei muito nisso. Mas quem teria lucrado mais se o Príncipe Gil e a Princesa Vileena tivessem morrido naquela ocasião?

— Bem, quem?

— Isso Ă©…

A lua branca brilhava no céu noturno.

Orba tocou a espada presa Ă  cintura, diferente daquela que costumava carregar. Era o glĂĄdio que havia tomado de Ryucown. A lĂąmina reluzia como se ainda fosse nova, e nela estava gravado seu nome.


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