Rakuin no Monshou – CapĂ­tulo 5 – Volume 1

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Rakuin no Monshou
Emblem of the Branded

Light Novel Online – CapĂ­tulo 05:
[Princesa Vileena]


Zaim era conhecida como uma fortaleza inexpugnĂĄvel. Ao norte, penhascos Ă­ngremes marcavam a fronteira com Ende, enquanto ao sul se estendiam planĂ­cies abertas. Para Mephius, representava o maior obstĂĄculo em uma eventual invasĂŁo.

Ryucown a conquistara num piscar de olhos, transformando-a em seu quartel-general. Talvez contasse com traidores internos, ou talvez os defensores jamais tivessem intenção de levantar armas contra ele, afinal Ryucown era um Garberano.

E alĂ©m disso…

Provavelmente recebera apoio secreto do Principado de Ende.

Essa suspeita era compartilhada por Mephius e Garbera. Sem ajuda externa, seria impossível manter suprimentos de comida, ågua e munição. Para Ende, a situação era conveniente, Ryucown dividiria o território Garberano ao meio. Sua estratégia de evitar saquear vilarejos próximos também prevenira a revolta da população.

— Nosso Garbera atual perdeu de vista que o orgulho deve vir acima de tudo! — Ryucown bradou aos cĂ©us. — Mesmo carregando o estigma de traidores hoje, herdamos o verdadeiro orgulho de Garbera! Deslealdade envergonha um cavaleiro, mas nĂŁo podemos obedecer cegamente a governantes insensatos. Reflitam, por qual causa derramaremos nosso sangue azul? NĂŁo temam a desonra momentĂąnea. Abriremos os portĂ”es desta fortaleza a todos os verdadeiros cavaleiros que dedicam seus corpos Ă  lealdade pura!

Ryucown decapitara todos os mensageiros, ignorando até conselhos de sua própria påtria. Pior, liderara um ataque surpresa com sua aeronave contra tropas enviadas para retomar a fortaleza, escapando em seguida.

Na corte de Garbera, predominava a opinião de que deveriam enviar um exército imediatamente para recuperar Zaim e preservar a dignidade real. Mas seu maior temor era a intervenção de Ende.

Embora ainda mantivessem silĂȘncio, se o Principado publicamente admitisse aliança com Ryucown, Zaim se tornaria uma base de operaçÔes contra Garbera. E com a aliança rompida, Ende teria justificativa para agir.

Por isso, Garbera nĂŁo hesitou em aceitar o pedido de Mephius:

Permitir que o exército Mephiano cruzasse suas fronteiras para atacar Zaim pelo oeste.

Uma semana apĂłs o ataque surpresa no Vale Seirin…

Enquanto os dias voavam, a situação permanecia tensa. O grupo liderado pelo príncipe Gil partira imediatamente para Idoro, cidade fortaleza na fronteira tripla, frequentemente palco de batalhas contra Garbera.

Os gladiadores do grupo de Tarkas tambĂ©m foram forçados a acompanhar a jornada. Desarmados e vigiados por soldados, sofriam com a incerteza sobre seu futuro. Graças Ă  habilidade de Gowen, no entanto, obedeciam em silĂȘncio.

A situação complicava-se com a presença da comitiva Garberana. O casamento entre Gil e Vileena permanecia inconcluso após a cerimÎnia interrompida, mas retornar agora seria uma humilhação para ambos.

— Irei a Idoro — anunciara Vileena Ă  delegação de seu paĂ­s, partindo com Theresia. Para Mephius, era como manter uma refĂ©m, mas a princesa jĂĄ calculara esse movimento.

O exército avançava com suprimentos carregados em carroças puxadas por dragÔes. Cavalaria e tropas montadas em dragÔes menores protegiam os flancos, enquanto a família imperial e real viajava em carruagens no centro, cercada por soldados a pé.

— Suponho que esta será a primeira batalha do príncipe Gil — comentou Orba dentro da carruagem, sentado frente a Fedom.

— Mas não sou apenas um fantoche nos bastidores? Não está exagerando na proteção?

— Cale a boca — rosnou Fedom, irritado. — VocĂȘ nĂŁo precisa entender os mĂ©todos da famĂ­lia imperial para criar um bom imperador. Apenas obedeça.

— Então devo comandar quando ordenado, mandar amigos morrerem quando ordenado e matar inimigos quando ordenado?

— Seria esplĂȘndido.

Orba ainda ardia de raiva apĂłs a discussĂŁo com Vileena.

— Pare de falar. Nunca sabemos quem pode estar ouvindo.

Fedom tinha motivos ocultos. Originalmente, as ordens eram para retornar a Birac, deixando Simon como Ășnico tutor do prĂ­ncipe. Mas Simon conhecia o verdadeiro Gil — Fedom temia que desconfiasse do impostor durante a campanha.

Se o “prĂ­ncipe” se destacasse aqui, nobres começariam a vĂȘ-lo como um lĂ­der unificador. Fedom poderia reunir esses apoiadores e formar um novo poder polĂ­tico. Afinal, esse “Gil” era seu fantoche pessoal. A ideia de governar atravĂ©s dele fazia seu coração acelerar como o de um adolescente.

Enquanto isso…

— Príncipe.

Simon Rodloom chamou do lado de fora da carruagem. Naturalmente, suspeitava de algo.

— O que foi? — Fedom apareceu no lugar.

Simon, veterano de batalhas, acompanhava a carruagem a cavalo com habilidade. Tentou espiar o interior — o príncipe repousava a cabeça contra a janela oposta.

— Faz dias que mal vemos seu rosto. Espero que não esteja abalado pelo ataque no Vale Seirin. Isso poderia prejudicar sua primeira campanha. Por isso—

— O prĂ­ncipe estĂĄ bem — Fedom sorriu. — EstĂĄvamos justamente discutindo estratĂ©gias para tomar Zaim. Mais tarde, gostarĂ­amos de ouvir suas opiniĂ”es, Mestre Simon. Oh… Sua Alteza, a luz estĂĄ forte? Perdoe-me.

Fingindo que o prĂ­ncipe murmurara algo, Fedom fechou as cortinas rapidamente.

Estranho…

Simon acelerou o cavalo, coçando o queixo. A sĂșbita intimidade de Fedom e a mudança no prĂ­ncipe eram suspeitas. O Gil que conhecia jamais daria ordens precisas durante um ataque ou protegeria Vileena com tanta eficiĂȘncia. Por mais que desejasse acreditar no amadurecimento do pupilo, algo nĂŁo encaixava.

HĂĄ trĂȘs dias nĂŁo vejo o garoto…

Cinquenta metros atrås, Vileena e Theresia balançavam em outra carruagem fortemente escoltada.

A princesa permanecia em silĂȘncio, perdida em pensamentos enquanto observava a paisagem. Theresia estudava seu perfil.

Ainda uma menina Ă  beira da adolescĂȘncia, seu rosto transbordava a melancolia de quem anseia por algo precioso. Seus cĂ­lios escuros emolduravam olhos brilhantes, o nariz delicado traçava uma linha suave, e seus lĂĄbios cor de pĂ©tala umedecidos contrastavam com a pele alabastrina.

Se um jovem camponĂȘs a visse na janela durante seu caminho para casa, ficaria eternamente marcado por aquele instante. Anos depois, mesmo casado e rodeado de netos, jamais esqueceria aquela imagem fugaz da princesa adolescente…

Theresia, emocionada com suas próprias divagaçÔes, enxugou uma lågrima furtiva. Ah, a juventude!

— Theresia — chamou Vileena.

— Sim, minha senhora?

— Quantos anos vocĂȘ tem?

— Bem… apĂłs os quarenta e cinco, paramos de contar. É melhor fingir que estamos eternamente nessa idade.

— Conveniente — murmurou Vileena, apoiando o queixo na mão.

— Claro, vivi muitos amores e propostas de casamento nesse meio-tempo.

— Adoraria ouvir essas histórias algum dia.

— Algum dia nĂŁo! Agora! Seria Ăștil para a princesa.

— Não foi isso que quis dizer. Pare com esses devaneios.

Vileena virou o rosto, franzindo a testa.

Theresia reprimiu um sorriso. Adorava provocĂĄ-la.

— Esse prĂ­ncipe Gil Ă© curioso, nĂŁo? — disse, fingindo inocĂȘncia. — Tem ares de mundo, mas Ă s vezes fala como uma criança. Duvido que se adapte Ă  corte Garberana.

— Apenas um tolo — respondeu Vileena secamente. — Como inimigo, Ă© administrĂĄvel. Mas preciso estudĂĄ-lo melhor. VovĂŽ dizia que informação Ă© crucial numa batalha.

— Batalha?

— Sim. Uma batalha para evitar mais derramamento de sangue.

Nos dias seguintes à chegada em Idoro, a situação de Orba não melhorou. Com as negociaçÔes entre Mephius e Garbera ainda em curso, pouco podia decidir por conta própria. A fortaleza de Idoro, embora menos imponente que Zaim, possuía muralhas dispostas como um labirinto que cercavam a årea urbana. Enquanto perambulava pela cidade como turista, Orba era obrigado a levar um monte de acompanhantes.

Sua mente vagava entre lembranças de vagas da infñncia e conhecimentos superficiais de histórias heroicas. Por mais que fingisse ser o príncipe por interesse próprio — não por Mephius ou pelo herdeiro real —, sentia-se desequilibrado, como se caminhasse sobre areia movediça.

Outra preocupação surgiu quando, numa tarde, testemunhou um grupo de gladiadores sendo levado a ferros por guardas até as prisÔes de Idoro. Apesar de inocentados quanto ao atentado contra o príncipe, o fato de Tarkas ter sido usado no complÎ resultara na confiscação de seus escravos. Para piorar, o governante de Idoro era notório por sua crueldade contra cativos.

— Há rumores de que decapitarão todos os escravos para levantar a moral das tropas — sussurrou Dinn, arrepiado.

Orba nĂŁo nutria amizade pelos gladiadores. Afinal, eram homens que poderiam matar uns aos outros no dia seguinte sem hesitar. Mas sua fĂșria voltava-se contra os nobres que brincavam com vidas alheias como se fossem peças de xadrez.

— Guarda-costas sob comando direto?

A informação chegara a Orba na manhĂŁ do terceiro dia, quando Dinn deixara escapar o detalhe durante o cafĂ© da manhĂŁ. Membros da famĂ­lia real podiam escolher pessoalmente seus guarda-costas — um privilĂ©gio cobiçado atĂ© por filhos secundogĂȘnitos da nobreza. Aos quinze anos, o prĂ­ncipe Gil recebera tal direito, mas nunca o exercera.

Naquela noite, Orba adentrou o cĂĄrcere subterrĂąneo da fortaleza, onde cem gladiadores apinhavam-se numa cela Ășmida. Entre eles, Kain jĂĄ trabalhava num plano de fuga, seus dedos ĂĄgeis manipulando algo nas sombras.

— O quĂȘ?! VocĂȘ estĂĄ falando sĂ©rio, Orba!? — Gowen quase gritou, sendo rapidamente calado por Shique.

— Completamente sĂ©rio.

— Que ideia imprudente — Shique reprimiu em voz baixa, mas seu rosto o traĂ­a — Isso sĂł vai levantar suspeitas sobre vocĂȘ!

— Relaxem. Pesquisei sobre o prĂ­ncipe. Ele Ă© um imbecil que ignora conselhos. Essa Ă© exatamente o tipo de idiotice que ele faria. Quero vocĂȘs como minha guarda pessoal.

Com um Ășnico documento carimbado com a assinatura que Dinn lhe ensinara a forjar, Orba transformou os gladiadores — incluindo a tratadora de dragĂ”es Hou Ran — em guardas imperiais. Quando Fedom descobriu, sua fĂșria foi Ă©pica.

— Maldito! Não faça mais nada sem minha autorização! Sua vida depende do meu humor!

— O sentimento Ă© mĂștuo.

— O que disse!?

Dinn agitava-se como um rato entre dois gatos, mas Orba manteve o olhar firme.

— VocĂȘ me entende, nĂŁo? Prometo me comportar amanhĂŁ. Agora, providencie armaduras e armas dignas da Guarda Imperial.

— Vira-lata mordendo a mĂŁo que te alimenta…

Fedom saiu quase sufocando de raiva. Sozinho, Orba permitiu-se um pensamento inĂ©dito desde que assumira a identidade do prĂ­ncipe: aquela posição, apesar dos incĂŽmodos, oferecia liberdades impensĂĄveis para um plebeu. Salvara os gladiadores — ou pelo menos adiara seu destino cruel — e testara os limites de sua coleira sob Fedom.

Melhor não abusar, ponderou. Se Fedom o visse como ameaça, perderia até esse respiro de autonomia. Talvez até a vida.

Dois dias depois, as tropas da capital chegaram. Orba, agora comandante supremo, observou da varanda do castelo o desfile: duas aeronaves de pedra de dragão, cinquenta dragoneiros, cento e cinquenta cavaleiros e quinhentos soldados de infantaria — uma força considerável para um debutante.

O povo aglomerava-se nas ruas enquanto as tropas avançavam. As naves rasgavam os céus, o tinir de armaduras ecoava, e uma floresta de lanças e rifles formava linhas perfeitas. A cena lembrava as histórias épicas de sua infùncia.

Com olhos brilhando como os de um menino diante de um sonho, Orba deixou-se encantar. Nenhum de seus antigos companheiros de arena o reconheceria assim — e nĂŁo apenas pela ausĂȘncia da mĂĄscara.

PorĂ©m, ao encontrar-se no pĂĄtio com o capitĂŁo da nave mĂŁe — um general veterano —, toda aquela euforia evaporou. A realidade da guerra esmagara, mais uma vez, as ilusĂ”es do ĂłrfĂŁo que fora.

Tudo aquilo era inesperado demais.

Mais do que inesperado – ele demorara a perceber que esta era a cena que tanto aguardara.

Vestindo uma armadura negra simples, com os calcanhares unidos diante do “prĂ­ncipe”, o homem que se curvava possuĂ­a um sorriso caracterĂ­stico que beirava a arrogĂąncia.

Aquele ar majestoso permanecia igual ao de antes. Naquela Ă©poca, ele ordenara “queimem tudo” do alto de seu cavalo.

Oubary…

Com todos os nervos Ă  flor da pele, uma onda de calor percorreu seu corpo. A garganta secou, e uma tontura o atingiu.

Ao mesmo tempo, inĂșmeras possibilidades futuras surgiram em sua mente. Saltar sobre o homem e estrangulĂĄ-lo com as prĂłprias mĂŁos, esfaqueĂĄ-lo, disparar em sua cabeça ou interrogĂĄ-lo sobre o paradeiro de Alice, sua mĂŁe ou seu irmĂŁo – cada tentação girava em seu pensamento com igual intensidade, agitando-se, e Orba foi arremessado por toda essa força.

Mas agora… como PrĂ­ncipe Gil Mephius, em vez de escolher uma abordagem tĂŁo direta sem considerar seu futuro, deveria ser possĂ­vel criar outras opçÔes. Um modo mais cruel, mais impactante e mais trĂĄgico de perseguir este homem.

Orba, ereto, mal ouviu as saudaçÔes do outro. Fedom as aceitou em seu lugar. Quando informado sobre um banquete no salão do castelo para animar as tropas, o ajudante de Oubary respondeu:

— NĂŁo seria melhor poupar as energias dos soldados? GostarĂ­amos de realizar imediatamente um conselho de guerra. HĂĄ tambĂ©m uma mensagem de Sua Majestade, o Imperador Guhl.

— Ah, sim, compreendo.

Ao lado, Oubary sorria cordialmente enquanto cumprimentava o “prĂ­ncipe”:

— HĂĄ muito tempo, Vossa Alteza. E finalmente, sua primeira campanha. Este indigno servo, Oubary, tem a honra de auxiliĂĄ-lo. Prometo transformar sua estreia bĂ©lica em uma vitĂłria gloriosa.

Por um breve momento, Orba nada disse, apenas encarou os lĂĄbios roxos de Oubary que se estiravam.

— Sim… — assentiu por fim. — Deixo a seu cargo.

Oubary Bilan, 44 anos, era um general experiente que lutara inĂșmeras vezes contra Garbera. Comandara outrora a Fortaleza Apta, mas quando as tropas garberanas romperam suas defesas e iniciaram o cerco, ele recuara por ordens superiores. O plano era dividir o exĂ©rcito inimigo – sacrificar Apta inicialmente, depois cruzar a fronteira e aniquilar uma força de ataque garberana que se preparava para invadir Idoro.

Essa estratégia de isca resultou em perdas territoriais para Mephius, mas infligira danos consideråveis a Garbera.

Desde entĂŁo, permanecera nas linhas de frente, e agora fora designado para acompanhar o prĂ­ncipe em sua primeira campanha.

— Agora tenho que agir como babá para esse pirralho?

Oubary resmungara essas palavras quando recebera as ordens. Embora se gabasse de ser o melhor guerreiro de Mephius, na verdade sempre escolhera as batalhas mais fĂĄceis.

AlĂ©m disso, opunha-se veementemente Ă  paz com Garbera. NĂŁo tinha coragem de desafiar abertamente o imperador, mas, para alguĂ©m que lutara desde o inĂ­cio dessa guerra de dez anos, a irritação por vĂȘ-la terminar de forma tĂŁo abrupta era ainda maior.

Era um rebelde Ă s avessas.

— DeverĂ­amos ter deixado como estava. NĂŁo, cooperar com esses rebeldes e mergulhar Garbera no caos teria sido ainda melhor. Assim, poderĂ­amos fortalecer nosso exĂ©rcito e tomar a capital de Garbera.

Embora dissesse essas invencionices para famĂ­lias influentes, o incidente no Vale Seirin gradualmente mudara o pensamento de Oubary. A escala do conflito nĂŁo fora grande, mas certamente definiria as relaçÔes entre os trĂȘs paĂ­ses.

— Nem eu sou um homem capaz de escolher o futuro sozinho.

Tinha suas ambiçÔes. Após as negociaçÔes de paz, recebera uma carta pessoal do maior opositor da paz em Garbera. Seria prova de que temiam seu nome e força? Poderia se tornar ainda mais famoso se ampliasse seus horizontes.

Além disso, Oubary conhecia bem o príncipe Gil Mephius. Esta seria uma campanha gloriosa, afinal aquele príncipe não conseguiria fazer nada sozinho. Ele planejava tomar toda a autoridade.

— Ah, mas… — gracejou, bebendo vinho com seus subordinados antes de partir da capital.

— Farei parecer que tudo foi ideia do príncipe. Seria problemático criar atritos com ele.

Naquela noite, o conselho de guerra seguiu exatamente como Oubary planejara. Seu ajudante anunciou os resultados das negociaçÔes com Garbera: atacariam a fortaleza em duas frentes, Mephius pelo oeste e Garbera pelo sul.

— HĂĄ menção sobre enviarmos espiĂ”es a Ende? — perguntou Simon sobre a rota de marcha prĂłxima Ă  fronteira com Ende.

Se Ryucown e Ende estivessem aliados, o exército Mephiano poderia sofrer um ataque surpresa.

— Embora sejamos alvo óbvio, Ende não agirá tão facilmente. Mas mesmo que o façam, sofrerão um contra-ataque em pinça.

— Nesse caso, nĂŁo podemos confiar nem na diplomacia — disse Fedom, estudando o mapa sobre a mesa. — Talvez devĂȘssemos enviar um emissĂĄrio em nome do prĂ­ncipe herdeiro durante a marcha.

— Concordo — assentiu Julius, senhor de Idoro. — Podemos reforçar a linha de suprimentos com tropas daqui.

Enquanto organizavam as unidades, Oubary observou o príncipe. Desde o início do conselho, ele permanecera calado, de braços cruzados.

— Sua Alteza concorda? — Oubary forçou sua participação.

O prĂ­ncipe olhou por um instante, depois desviou o olhar:

— Sim.

E continuou em silĂȘncio. Os oficiais trocaram olhares significativos.

Continue assim, Alteza…

Oubary cruzou os braços, contendo a risada que ameaçava escapar.

Deixe tudo com Oubary. Teremos que pensar em como garantir “mĂ©ritos justos para o prĂ­ncipe”. SerĂĄ difĂ­cil vencer sem perder um Ășnico soldado.

Enquanto o “prĂ­ncipe” suportava aquele olhar, Orba cravava as unhas nos prĂłprios braços.

Exigira concentração total para nĂŁo olhar para Oubary. Aquele aposento pequeno era o pior, mesmo de olhos fechados, ouvia cada murmĂșrio e respiração dele.

Seu coração doía de tanto bater, o sangue pulsando em cada veia. Todo seu corpo pedia ação. Braços, pernas, cada fibra muscular treinada por dois anos gritava para matar aquele bastardo agora.

Lembranças invadiam sua mente: chamas, fumaça cinza, Alice sendo levada, corpos carbonizados. E Roan, seu irmão, sempre sorridente.

Oubary abandonara Roan, que nunca deveria ter pegado em armas. E agora o sobrevivente daquela vila em chamas estava a seu alcance!

Haveria razĂŁo para piedade? Para deixĂĄ-lo viver um segundo sequer?

Mate-!

O sussurro em sua mente tornou-se um coro ensurdecedor.

Mate-o!

VocĂȘ pode matĂĄ-lo agora!

AGORA!

No instante em que Orba se levantou, a discussĂŁo cessou. Todos olharam para ele.

EntĂŁo, bateram na porta.

— O quĂȘ? — respondeu Orba, jĂĄ de pĂ© para sair. Temia nĂŁo conseguir mais se conter.

Ao saber que a princesa Vileena aguardava no quarto ao lado, porém, foi obrigado a permanecer.

— Que negócios tem uma princesa Garberana num conselho de guerra? — Oubary disse com tom depreciativo. — Estaria preocupada que maltratemos seu marido? Minha imagem nunca foi boa com mulheres.

Alguns riram.

— Mandem-na embora — disse Fedom.

— NĂŁo — contrapĂŽs Simon. — Ela Ă© nossa aliada. NĂŁo podemos ignorĂĄ-la. Sua Alteza permite?

Sem forças para recusar, Orba assentiu e sentou-se novamente.

Vileena entrou sozinha. Num ambiente masculino de guerra, sua presença causava desconforto. Mas seus traços inocentes irradiavam determinação, como naquele dia.

— Nobres de Mephius, perdoem a intromissĂŁo de uma mulher no conselho de guerra. Isso tambĂ©m Ă© exceção em Garbera. Com isso, eu, Vileena Owell, carrego vergonha.

Minutos depois, apesar dos olhares desconfiados, os oficiais fingiam aceitação, elogiando seu entusiasmo.

A princesa pedia para evitar soluçÔes militares, insistindo em negociar com Ryucown pessoalmente. Um conflito armado sĂł traria morte e destruição a Garbera. Ryucown era um cavaleiro patriota que exagerara em seu zelo pelo paĂ­s. Ela pedia a chance de trazĂȘ-lo de volta Ă  razĂŁo.

— Claro, o crime de atentar contra o herdeiro do Trono de Mephius Ă© gravĂ­ssimo. Estou disposta a discutir com Mephius como punir os lĂ­deres, começando por Ryucown. Entendo que este nĂŁo Ă© um problema apenas de Garbera. Portanto


— Isso Ă© assunto para depois da guerra — interrompeu Rogue Saian, o oficial dos dragĂ”es alados.

Embora os outros lançassem olhares reprovadores quando ele se levantou, era óbvio que todos o apoiavam em seus coraçÔes.

— Esta Ă© nossa retaliação pelo ataque Ă  famĂ­lia imperial! Desde o inĂ­cio ficou claro que nĂŁo se trata apenas de um problema Garberano!

Como o mais experiente entre os doze generais de Mephius, atĂ© Oubary Ă s vezes pedia sua orientação. NĂŁo se sabia se era mais velho ou mais novo que Gowen — mesmo em um conselho de guerra, vestia a pesada armadura de seus ancestrais. Transpirava o espĂ­rito de um verdadeiro guerreiro.

Diante dele, Vileena pouco sabia sobre guerra. Por mais que seu zelo juvenil ardessem, seria julgada por ser uma princesa de sua idade. Ela jå preparava uma réplica imediata.

Mas os outros generais, inflamados pelo veterano, falaram primeiro:

— Garbera pode ver nosso exĂ©rcito marchando em suas terras como preocupante, mas nĂŁo somos bandidos. NĂŁo somos ladrĂ”es que se aproveitam do caos.

— AlĂ©m disso, o prĂłprio Rei de Garbera consentiu com nosso avanço. NĂŁo devemos perturbar a organização entre paĂ­ses por ideias de uma Ășnica princesa.

— M-Mas — Vileena inclinou-se para frente. — Ao menos me concedam o privilĂ©gio de acompanhar esta campanha! TambĂ©m nĂŁo acredito que possa agir sozinha, mas Ă© impossĂ­vel ficar calada numa disputa entre meus prĂłprios conterrĂąneos!

Os soldados e estadistas trocaram olhares novamente.

Ora essa — esta princesa estava se mostrando bem problemática.

— Não há motivo para ficar calada, Princesa Vileena, pois seu próprio pai pediu nossa cooperação.

— AlĂ©m do mais — Oubary suavizou. — Para nosso paĂ­s, a princesa ainda Ă© importante como futura noiva do prĂ­ncipe. NĂŁo podemos levĂĄ-la ao campo de batalha.

Vileena baixou a cabeça. Orba reconheceu aquela expressão em que ela mordia o låbio inferior. Alguém tão inteligente quanto ela deveria estar plenamente consciente de como sua intervenção no conselho era vista como incÎmoda. Mesmo assim, não conseguia ficar quieta.

Seus deveres reais…

As palavras que Vileena dissera ecoaram em sua mente. Algo inabalĂĄvel — nĂŁo para ele, mas para a prĂłpria Vileena — parecia estar oculto naquelas palavras. Ao mesmo tempo, para qualquer ser humano, saber que tipo de pessoa vocĂȘ realmente Ă© era uma questĂŁo complexa demais. Sem saber o que fazer com esses sentimentos, Orba recordou-se daquela noite em que contemplara o cĂ©u estrelado com seu irmĂŁo Roan.

Muito bem. Suas convicçÔes — deixe-me testĂĄ-las.

— Então pode se retirar.

— Tenha fĂ© em seu pai e em seu futuro marido.

— Esperem! Por favor — Vileena inclinou-se ainda mais para frente.

Parecia não perceber o clima de indiferença e irritação no ar, quando:

— Deixem a princesa nos acompanhar — disse Orba.

Todos se viraram para encarar o prĂ­ncipe como se tivessem sido atingidos por uma flecha. Alguns pareciam estar pasmos, questionando se deveriam ser os primeiros a falar.

— Vossa Alteza — Oubary finalmente quebrou o silĂȘncio com uma presença dominante e um sorriso levemente repreensivo. — Se a princesa estiver ao seu lado, certamente lutarĂĄ com a fĂșria de um leĂŁo no campo de batalha. Mas conquistar o coração da princesa Ă© uma coisa, e as regras inflexĂ­veis da guerra sĂŁo outra. Suplico que nĂŁo aja impulsivamente. Que tal escolher um local mais adequado para sua lua de mel depois?

Suas palavras arrancaram sorrisos involuntĂĄrios dos estadistas mais velhos.

— Vamos designar a Princesa Vileena como nossa porta-estandarte.

Todos olharam novamente para o príncipe. Ele continuava de braços cruzados, olhando para frente como antes.

— Os soldados de Garbera devem estar tĂŁo ansiosos quanto a princesa com a batalha que se aproxima. NĂŁo acredito que seja bom que tenham dĂșvidas. TambĂ©m hĂĄ incertezas do nosso lado sobre se essa cooperação funcionarĂĄ.

— ……

— Ter a Princesa Vileena como nossa porta-estandarte entre eles darĂĄ o mesmo significado para ambos os exĂ©rcitos, Mephius e Garbera. O prĂłprio Ryucown pode concordar em negociar com a princesa, mas se recusar, mostrarĂĄ que nĂŁo passa de um mero rebelde. Assim, tambĂ©m dissiparĂĄ todas as dĂșvidas que o exĂ©rcito garberano possa ter sobre esta batalha se eventualmente forçarmos Ryucown a se render de forma justa.

Incluindo Vileena, ninguém foi capaz de emitir um som.

Oubary encarou fixamente o rosto do príncipe pelo canto do olho, e o príncipe lançou-lhe um breve olhar. Instantaneamente, o príncipe desviou o olhar novamente, mas Oubary ficou surpreso ao ver a hostilidade naqueles olhos. Poderia ter sido um engano. No entanto, Oubary secretamente ficou com um suor frio.

Enquanto o silĂȘncio persistia, o som distante da festa e das flautas no salĂŁo de recepção do castelo chegou trazido pela brisa noturna.

◇◇◇

Cinco dias depois, as forças expedicionårias concluíram os preparativos e partiram da fortaleza. Uma linha de defesa se estendia a partir de Idoro, pronta para qualquer ataque surpresa de Ende enquanto cruzavam a fronteira de Garbera.

O príncipe Gil encontrava-se na ponte de comando da nave de comando Dhum. Embora Orba jå tivesse visto naves subirem aos céus vårias vezes, esta era sua primeira vez a bordo de uma.

A Dhum era uma enorme aeronave de pedra de dragĂŁo capaz de transportar duzentos soldados. No momento, deslizava rente ao solo, mas sua velocidade mĂĄxima atingia 90 quilĂŽmetros por hora e podia elevar-se dois quilĂŽmetros de altitude. Para uma nave deste porte, era sem dĂșvida uma das melhores de sua classe.

Tanto a Dhum quanto as naves de assento Ășnico, todas chamadas de naves-dragĂŁo, eram fruto da “magia”. A ciĂȘncia que a humanidade trouxera ao cruzar o oceano espacial jĂĄ havia declinado.

Esta Ă© a histĂłria de milhares de anos atrĂĄs, passada de geração em geração…

Buscando um novo lar, a humanidade partira da Terra em jornada espacial atĂ© chegar a este planeta. Seria natural tentar reconstruir aqui a mesma civilização tecnolĂłgica, mas os frequentes ataques dos Ryuujin – uma raça semi-humana que se dizia descendente dos deuses dragĂ”es – esgotaram rapidamente as armas e energia trazidas nas naves espaciais. AlĂ©m disso, os recursos minerais deste planeta diferiam muito dos da terra, tornando quase impossĂ­vel recriar a civilização do outrora planeta azul.

Foi quando, durante o quinto ataque consecutivo dos Ryuujin, surgiu um sĂĄbio chamado Zodias, posteriormente conhecido como Rei da Magia.

Zodias estudava as ruĂ­nas ancestrais espalhadas pelo planeta, tentando decifrar os segredos da civilização dos deuses dragĂ”es. Os artefatos descobertos, de função incerta, diferiam radicalmente da ciĂȘncia terrestre, e ele estava convencido de que detinham algum poder.

Descobriu que uma substĂąncia vaporizada no mar sob a luz solar possuĂ­a natureza completamente diversa. IndetectĂĄvel pela tecnologia terrestre, Zodias a batizou de “Ă©ter” em suas pesquisas.

O Ă©ter reagia aos artefatos causando fenĂŽmenos variados: fogo, explosĂ”es, purificação da ĂĄgua, repulsĂŁo ao magnetismo, variaçÔes de temperatura… Baseado nisso, Zodias recriou objetos similares e passou a dominar a “magia” para produzir os efeitos desejados.

Usando essa magia, Zodias repeliu os Ryuujin para os confins do mundo e tornou-se rei, unificando quase todas as terras do planeta. Porém, essa prosperidade e a queda subsequente da era Zodias são outra história.

As naves que flutuam e cruzam os cĂ©us neste planeta – como as naves-dragĂŁo e fragatas aĂ©reas – nĂŁo sĂŁo produto da ciĂȘncia, mas herança da magia criada por Zodias.

Para flutuar, usam o éter para criar força antigravitacional. Ao voar, o éter se dissipa de forma gradual. Naturalmente, quando o éter se esgota, a nave perde a capacidade de voo, e quanto maior a altitude, mais fraca se torna a força antigravitacional.

Essas naves sĂŁo chamadas de “naves-dragĂŁo” porque sua estrutura Ă© feita do chamado metal sem peso, refinado de fĂłsseis de ossos de dragĂŁo extraĂ­dos de camadas geolĂłgicas antigas.

Atualmente, bons depósitos de fósseis de dragão são recursos valiosíssimos, especialmente com o esgotamento global do éter que levou ao declino da civilização mågica. Embora não possam ser produzidas em massa, essas naves são indispensåveis como poder militar.

Orba aparecia na ponte por algumas horas diĂĄrias antes de retirar-se para seus aposentos. Como Fedom sugerira, “nĂŁo tem como cometer deslizes, se vocĂȘ nĂŁo estiver presente”, ele achou conveniente. Ter todos os olhos sobre ele apenas por ficar imĂłvel contrariava sua natureza, alĂ©m de que estivera profundamente absorto em pensamentos nos Ășltimos dias.

Mephius, Ende, Garbera e Ryucown.

Ele precisava entender suas forças e características. Incerto sobre seu próprio conhecimento, recorreu a Dinn, mais instruído que ele, a Gowen e Shique, que viveram em outras terras antes de se juntarem ao Grupo Tarkas.

Do ponto de vista de Garbera, não podiam ignorar a rebelião de Ryucown. Porém, sozinhos, estariam em desvantagem se Ende entrasse na guerra. Se Ende realmente tivesse laços com Ryucown, poderiam avançar sobre a capital.

Mas o maior temor de Garbera era a discĂłrdia interna. Muitos jovens cheios de vigor haviam se unido a Ryucown, acreditando que deveriam atacar Mephius. Era possĂ­vel que abandonassem a famĂ­lia real e formassem uma nova, usando o casamento de Vileena com Ryucown.

— Quanto a Mephius — analisou Gowen —, esperam fortalecer a aliança após derrotar Ryucown juntos. Dessa forma conseguirão se preparar contra Ende e ainda colocarão Garbera em dívida com esta campanha.

Por outro lado, se o casamento não ocorresse e Garbera se dividisse, também não seria ruim. Se a aliança se desfizesse, Mephius poderia se aproximar de Ende em busca de vantagens.

Mas havia outro risco:

— Se Ryucown obtiver a princesa Vileena, pode unificar o país com ajuda de Ende.

Muitas possibilidades se abriam, e cada movimento precisava ser calculado.

— Gowen, Iver nĂŁo Ă© originalmente de Garbera? — Orba mencionou o nome de um gladiador.

— Sim. Trabalhou como mercenário, mas dizia que não dava para encher a barriga, então virou bandido.

— VocĂȘ estĂĄ pensando em infiltrĂĄ-lo no lado de Ryucown? Eles sĂŁo unidos, vĂŁo perceber logo.

— Não no meio de uma batalha caótica, não acha?

Orba imediatamente chamou Iver e deu suas instruçÔes — Ă© claro, fazendo-se passar pelo “prĂ­ncipe”. O Ășnico gladiador que sabia de sua verdadeira identidade era Shique.

Meio dia após cruzarem a fronteira, o exército Mephiano posicionou-se numa colina com vista para a Fortaleza Zaim, com artilharia pronta para o cerco.

As forças aliadas de Garbera posicionaram-se ao sul da fortaleza, levando trĂȘs horas para organizar suas formaçÔes de batalha na planĂ­cie. Mephius enviou um emissĂĄrio a Ryucown, informando que a princesa Vileena estava a bordo da nave de comando e exigindo sua rendição.

O emissĂĄrio voltou em menos de uma hora. Dos trĂȘs enviados, apenas um teve permissĂŁo para retornar. O homem que chegou de joelhos Ă  ponte estava com o rosto pĂĄlido.

— Resgatar a Princesa Vileena das mĂŁos vis dos Mephianos que a mantĂȘm refĂ©m Ă© nossa prioridade. Embora a princesa seja bem-vinda se desejar vir atĂ© nĂłs, jamais permitiremos que um Mephiano pise nesta fortaleza.

Junto com a mensagem do emissårio, Orba recebeu um binóculo de um suboficial. Ao olhar, viu duas lanças erguidas no topo da fortaleza, exibindo cabeças recém-cortadas. Era a resposta de Ryucown.

— Ora, este homem Ă© um rebelde contra seu senhor — nĂŁo Ă©, prĂ­ncipe? — Oubary comentou, espiando por seu prĂłprio binĂłculo. Ele nunca acreditara que uma “causa justa” faria Garbera cooperar com eles.

— Nossa força militar Ă© superior — continuou. — Muito bem. Vamos atacĂĄ-los imediatamente por ambos os lados. Se perdermos tempo, Ende pode enviar reforços a Ryucown.

Pensando que a intromissão excessiva do príncipe terminara ali, Oubary deu imediatamente a ordem de avanço. Porém, Orba o interrompeu:

— Esperem.

Todos na ponte, incluindo os generais, voltaram-se para ele com olhares perplexos.

— Primeiro, vamos confirmar se o lado Garberano tambĂ©m estĂĄ preparado.

O início da batalha ocorreu pouco antes do pÎr do sol. As tropas de Garbera atacaram pelo sul, enquanto o exército de Mephius segurava as posiçÔes para fornecer cobertura. Mas pouco adiantou, pois o acampamento Mephiano estava muito distante da fortaleza.

Os dragoneiros colidiram nas planícies centrais. Pontas de lança atravessavam crùnios, fazendo corpos dançarem no ar antes de caírem.

As forças de Ryucown mostravam sólida coesão. Flechas disparadas da fortaleza e rajadas de metralha dilaceravam dragÔes, cavalos e homens pelas planícies.

Enquanto as forças aéreas permaneciam em espera, ocasionalmente mergulhavam em ataques precisos. Além disso, soldados de Ryucown em postos avançados ao redor da fortaleza forneciam apoio com fogo de cobertura. Uma disposição impecåvel. As tropas de Garbera estagnaram, e suas naves aéreas também sofreram baixas, incapazes de receber apoio.

— Que diabos está fazendo Mephius!?

— Gahh, não aguentamos mais! Recuar, recuar!!

— Elevem as naves-dragĂŁo! Retirada sob cobertura dos canhĂ”es! NĂŁo avancem demais!!

Após duas horas, a maior parte do exército Garberano retirou-se para o acampamento principal, tendo testemunhado pessoalmente a robustez da fortaleza que eles mesmos construíram.

O silĂȘncio retornou a Zaim. Tochas eram apagadas estrategicamente, mas a vigilĂąncia permanecia atenta.

Horas depois, um mensageiro de Garbera chegou à Dhum para reclamar e reafirmar estratégias. Orba deixou Fedom lidar com isso enquanto estudava mapas na ponte.

No conselho de guerra, os capitães reunidos mal ouviram o príncipe falar. Mesmo assim, ele não deu permissão final para avançar, causando irritação geral.

— Isto seria a primeira campanha do prĂ­ncipe Gil? — Oubary murmurou quase para si, com um sorriso sarcĂĄstico. — SerĂĄ que sua indecisĂŁo Ă© cautela excessiva? Espero que os soldados nĂŁo interpretem como covardia.

ApĂłs o conselho, Fedom confrontou Orba em seus aposentos:

— O que vocĂȘ estĂĄ tramando? Perdeu a coragem? NĂŁo estou pedindo um ataque suicida. Deixe comigo. Se continuar agindo por conta prĂłpria, juro que cortarei sua cabeça!

Sua raiva era evidente, mas Orba sabia que Fedom pouco podia fazer contra ele no campo de batalha.

Quando Gowen questionou suas intençÔes, Orba respondeu:

— Não tem a ver com misericórdia. Estou numa posição onde não distingo aliados de inimigos.

— Inimigos? Está falando de Garbera?

— Eles tambĂ©m.

A desconfiança nĂŁo se limitava a Garbera. O general Rogue Saian monitorava sinais de traição no campo Garberano. Mesmo que poucos, se mudassem de lado durante a batalha, o dano seria imenso. E se Ryucown contra-atacasse nesse momento…

— Mas vocĂȘ nĂŁo planeja ficar sitiando eternamente, certo? — Shique ponderou. — Se Ende enviar suprimentos, isso se arrastarĂĄ e o moral de Garbera despencarĂĄ. Ryucown pode incendiar o paĂ­s em guerras civis.

— Não, terminará com traidores atacando nosso acampamento à noite — Gowen acrescentou. — Eles irão querer a cabeça do príncipe Gil e resgatar a princesa Vileena.

Ao ouvir isso, Orba sorriu – um sorriso que teria enfurecido seus oponentes na arena.

— EstĂĄ perfeito. Porque Ă© exatamente esse momento que espero.

Gowen emitiu um grunhido. Shique pareceu questionar se era uma piada.

— Orba, vocĂȘ nĂŁo estĂĄ… Foi por isso que trouxe a princesa?

— Quem sabe.

A ambiguidade entre aliados e inimigos nĂŁo se limitava a Garbera. O incidente no Vale Seirin ainda era nebuloso, e Orba – ou “prĂ­ncipe Gil” – nĂŁo confiava plenamente no exĂ©rcito Mephiano. Sem clareza sobre quem puxava as cordas, ele nĂŁo podia agir.

Em vez de explicar seus planos, Orba disse:

— Esses soldados “acostumados” a lutar sem saber de nada são diferentes. Eu não tenho nervos de aço.

Esta era sua verdadeira motivação. Ele finalmente compreendera o que lhe faltara antes.

Fortaleça sua posição, conheça aliados e inimigos, colete informaçÔes. Se puder transformå-las em alicerce, até açÔes ousadas terão efeito. Sem isso, não passaria de um louco em missão suicida.

Seja discreto antes de lutar. Depois, seja rĂĄpido e decisivo. NĂŁo hĂĄ tempo para pensar no calor da batalha. O momento para refletir Ă© agora.

Orba manteve os olhos fixos na janela de seus aposentos, imerso em pensamentos estratégicos.


Tradução feita por fãs.
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