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Grieving Soul – Prólogo – Volume 9

 

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Nageki no Bourei wa Intai shitai
Let This Grieving Soul Retire Volume 09

Prólogo:
[Calamidade Sem Fim]


Nas primeiras horas da manhã, várias carruagens se reuniram diante dos portões da capital imperial. Suas rodas, estruturas e até as coberturas eram construídas inteiramente de flora. Uma flor ocasional era colocada como ornamento, evitando cuidadosamente a ostentação. Cada carruagem estava conectada a um Platinum Mustang, um monstro poderoso com a força de algumas dezenas de cavalos normais.

Platinum Mustangs eram criaturas raras; até grandes companhias comerciais tinham dificuldade em conseguir mais do que alguns. Ver criaturas tão valiosas puxando carruagens de aparência frívola era uma visão estranha, mas qualquer um que passasse por ali tinha sua atenção voltada para as pessoas paradas por perto.

Espíritos Nobres eram uma raça superior, conhecida por sua alta proeza mágica, corpos fortes e beleza de outro mundo. Com sua tendência de ver os humanos como seres inferiores, raramente visitavam assentamentos feitos por homens. Mesmo a imensa capital imperial de Zebrudia abrigava apenas um número limitado de Espíritos Nobres. Aqueles que viviam nesta cidade eram conhecidos por muitos.

Sendo uma equipe de caçadores de tesouros composta apenas por Espíritos Nobres, a Starlight era um grupo único. Todos possuíam a beleza especial e os talentos arcanos característicos de sua espécie, bem como a reputação de tratar seus clientes com frieza. Agora, eles estavam parados com os braços cruzados enquanto conversavam entre si, imperturbáveis pelos muitos olhares lançados em sua direção.

— Lapis, eu diria que aquele homem não é de todo mal se conseguiu arranjar as carruagens adequadas em tão pouco tempo.

— Hunf. Uma Magi Nobre está oferecendo ajuda. Seria um problema se aquele homem preparasse algo inferior a isso. Ainda assim, ele providenciou o mínimo do que pedimos. Desistir agora seria uma mancha no nosso nome.

A líder da Starlight, Lapis Fulgor, olhou para cima e soltou um pequeno suspiro. Com sua estrutura esguia e cabelos lisos, ela tinha a boa aparência de uma figura mitológica.

— E-Ei, você aí. O que pensa que está olhando?! Desu?! — Kris gritou para um curioso que estava enfeitiçado pela visão. Ele voltou a si e se afastou apressado.

— Ah, é por isso que eu não gosto de humanos, desu. Lapis, deixe-me lembrá-la de que Franz está acostumado a aguentar as merdas do humano fracote. Ele está sempre sendo pressionado, então não o pressione também. Desu.

— Você não precisa me dizer. Pode não ter sido o que estávamos procurando, mas ainda é de uma maldição que estamos tratando. Não podemos deixar isso passar.

A pedra amaldiçoada da ex-rainha dos Espíritos Nobres, Shero, era a mais famosa, poderosa e miserável de todas as joias malignas. Repleta de pura malícia, a pedra levou nações inteiras à ruína. Era a prova do poder dos Espíritos Nobres e também um item que eles precisavam recuperar a qualquer custo. A partida dos Espíritos Nobres de suas florestas para viver entre os humanos e seu subsequente emprego como caçadores de tesouros começaram com a busca pela pedra.

Espíritos Nobres eram especialistas em maldições. Quando os humanos encontravam uma maldição pesada demais para sua espécie lidar, pediam a ajuda desses especialistas arcanos. E os nobres misantropos aceitavam esses pedidos.

Embora usassem todos os meios possíveis, descartassem seu orgulho quando necessário e às vezes fixassem residência entre os humanos como parte de sua busca, os Espíritos Nobres não pareciam estar nem um pouco mais perto de encontrar a pedra que sua rainha havia deixado para trás.

— Faz tempo que não voltamos para a floresta, mas os anciãos vão me dar um sermão, dizendo que estou perdendo tempo.

— Francamente, desu, não podemos ver uma maldição de nível tão alto e simplesmente olhar para o outro lado. Além disso, foram os anciãos que criaram essas regras, para começo de conversa, desu.

Rudy: Depois de ter sido pela Kris pela forma desrespeitosa que ela falava, Kris passou a acreditar que colocando “Desu” no final de cada frase a faria ser perdoada, independente do quão absurda fosse sua fala menosprezando os seres humanos.

Entre os Espíritos Nobres, havia poucos dispostos a deixar sua floresta por vontade própria. Kris franziu a testa ao lembrar dos olhares que recebeu quando partiu de sua floresta natal.

— Hunf. Você está atrasado — disse ela.

— Estou exatamente no horário. Vocês não são os únicos com coisas para resolver.

Parado diante delas em uma armadura de prata brilhante estava Franz Argman, capitão da Ordem Zero de Zebrudia. Havia cansaço em seu rosto franzido. Atrás dele estavam mais cavaleiros, todos em armaduras combinando.

A Ordem Zero respondia diretamente ao Imperador. Servindo como os braços e pernas de Sua Majestade Imperial, detendo uma autoridade que as outras ordens não possuíam, esses cavaleiros não participavam de operações comuns. Se eles estavam se movendo, significava que a família imperial considerava o assunto de grande importância.

Ainda assim, eles não demonstraram hesitação, apesar do número de olhares curiosos que atraíam. A maneira como Franz avançava com ousadia enquanto era observado por tantos certamente sugeria que ele era digno de seu status como capitão.

— Preparamos tudo o que nos pediu — disse ele. — Até a via principal será fechada. De um jeito ou de outro, suponho.

— Hunf. Vou cobrar isso de você. Os Magi de nossa floresta são todos tipos excêntricos. Estrague o humor deles e você pode acabar transformado em um sapo.

— Hein?!

— Ah! Lapis, o Franz não vai entender isso como uma piada. Desu — Kris interveio rapidamente. — Esse tipo de feitiço não existe, Desu. Bem, pelo menos não entre as maldições, provavelmente, desu.

A lembrança de terem sido transformados em sapos durante a viagem para a conferência ainda estava fresca. Franz ficou particularmente traumatizado quando seu protegido, o próprio imperador, foi transformado em sapo.

— A única pessoa que você verá fazendo isso é o humano fracote! Desu! Mesmo o Espírito Nobre mais misantropo não usaria um feitiço insano como esse, desu!

Franz parecia ter provado algo amargo.

— Já chega. Não quero ser lembrado do que aconteceu.

Percebendo seu profundo desconforto, Kris mudou de assunto.

— É-É verdade, Franz! Você falou com o humano fracote? Desu? Parece que ele estava envolvido em cada um daqueles incidentes com as maldições!

— Kris, você sabe falar de outra coisa além daquele homem?!

Kris recuou como um pássaro atingido por uma pedra.

Franz limpou a garganta antes de continuar.

— Naturalmente. Por precaução, eu o contatei. Não temos escolha a não ser desviar a segurança da capital quando mobilizamos nossos cavaleiros, entende? E ele me respondeu dizendo que tem algo que precisa fazer, então podemos agir como quisermos! Maldito homem, ele sempre, sempre…

— O que ele tem que fazer? Desu?

— Você acha que aquele homem de boca fechada me diria?

Kris calou a boca e evitou o contato visual. Ela olhou suplicante para Lapis e o resto da Starlight, mas elas permaneceram em silêncio.

Franz soltou um suspiro e olhou ao redor.

— Recrutamos caçadores e as outras ordens. A segurança na capital imperial está impenetrável. Caso o Lamento de Marin se liberte novamente ou alguém ataque de fora, estamos equipados para lidar com isso.

Algo em sua voz sugeria que sua cautela era mais do que apenas profissional. Kris engoliu em seco, apesar de si mesma. Ela ouviu dizer que a profecia do Astral Divinarium era a culpada por a recente série de eventos relacionados a maldições não ter terminado pior do que terminou. Não era difícil imaginar que essa fosse a fonte da inquietação de Franz.

Que tipo de profecia viria depois disso?, Kris se perguntou.

— No entanto — Franz disse asperamente para Lapis —, a purificação dependerá do seu Magi. Você tem certeza de que isso vai funcionar?

A líder da equipe de Kris estava fria como sempre, inabalável pelo olhar penetrante de Franz.

— Hunf. Uma pergunta tola — declarou ela, sem sequer mover as sobrancelhas. — Franz, tenho certeza de que não preciso lhe contar a lenda da Pedra Espiritual Carmesim Amaldiçoada. Maldições são feitiços nascidos dos sentimentos mais primordiais. Podemos usá-las tão facilmente quanto movemos nossos membros. Não vou contestar que o Lamento de Marin é uma maldição poderosa, uma malícia aprimorada por meios deploráveis, mas é, em última análise, um produto de humanos. Se você tem tempo para preocupações tão desnecessárias, sugiro que se concentre em pensar no que pode vir após a purificação.

Embora se assemblassem, magia e maldições eram coisas muito diferentes. A principal diferença era, simplificando, que uma era usada através de métodos estruturados enquanto a outra era invocada subconscientemente. Portanto, as inclinações arcanas pelas quais os Espíritos Nobres eram tão famosos também se aplicavam às maldições.

Todos os Espíritos Nobres podiam usar magia tão facilmente quanto respiravam, mas mesmo para os padrões deles, aqueles de sua terra natal, Yggdra, eram ditos capazes de induzir fenômenos apenas com um pensamento. Comparadas a eles, as maldições trazidas pelos humanos eram brincadeira de criança.

Por um momento, Franz franziu a testa e olhou-a diretamente nos olhos, mas pareceu perceber que discutir o assunto adiante seria inútil.

Ele se virou para seus subordinados e disse:

— Pois bem, vamos nos dirigir à estimada Magi Nobre. Não sei o que aquele homem pode estar tramando, mas não vamos deixá-lo fazer o que quer. Voltaremos antes que ele possa fazer seu movimento.

— Franz, eu sei como você se sente, mas sério, quem você acha que aquele homem é? Desu?

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Ignorando os protestos veementes de seu corpo, ele avançava fervorosamente pela capital imperial. Era o meio do dia, mas sua mente não registrava a luz solar escaldante ou o ruído ambiente da capital imperial. Ele estava indo para a via principal, onde encontraria a Casa do Clã dos Primeiros Passos.

Tudo o que restava a Hugh Regland era seu senso de dever. Ele garantiria que o Mil Truques recebesse a caixa que ele ganhou de uma garota estranha no distrito em ruínas.

Ele abraçou a caixa firmemente contra o peito. Era feita de madeira, com design ornamentado, e quase do tamanho da palma de sua mão. Ele não sabia o que continha. Em circunstâncias típicas, ele teria pelo menos verificado o interior, se não tivesse questionado minuciosamente a garota. No entanto, apenas desta vez, ele não se sentiu compelido a fazê-lo.

Ele não precisava espiar ou fazer perguntas para conseguir imaginar o que a caixa continha. O miasma vazando dela não era nada comum. Apenas segurá-la era o suficiente para manter os sinais de alerta em sua mente tocando constantemente. Era sinistro o suficiente para que mesmo um cavaleiro altamente respeitado como Hugh instintivamente jogasse a caixa de lado se deixasse sua concentração vacilar.

Essa coisa era má. Os cavaleiros tinham lidado recentemente com várias maldições após receberem uma profecia do Astral Divinarium, mas Hugh não duvidou por um momento que esta caixa que a garota empurrou para ele era o tema da profecia. Sua única opção era entregar a caixa ao Mil Truques. A escolha mais razoável seria levar o item ao especialista na Igreja do Espírito Radiante. Se ele quisesse ir além, poderia retornar a um posto avançado de cavaleiros e procurar como lidar com isso.

Obter a fonte da profecia sozinho traria a Hugh um bom prestígio. Lidar mal com a caixa certamente causaria grandes danos à capital imperial. Poderia colocar o Império de Zebrudia em declínio.

Mas a garota disse para dar a caixa ao Mil Truques.

Além disso, foi o Mil Truques quem pediu a Hugh para procurar algo amaldiçoado, para começo de conversa. Hugh pretendia se tornar um aprendiz do Mil Truques e aprender seus métodos, mas isso não importava mais para ele. Com toda a probabilidade, Hugh poderia estudar por décadas e absorver imensas quantidades de Mana Material, e ainda assim não chegar a um ponto onde pudesse lidar com esta caixa.

Tudo o que ele podia fazer era acreditar. Acreditar no artifício sobre-humano do Mil Truques. Acreditar que aquele homem faria algo sobre esta caixa. A garganta de Hugh estava seca. Seu corpo tremia. Seus pensamentos estavam dispersos. Ele achou que suas mãos carregando a caixa poderiam ceder. Tudo isso quando ele ainda nem sabia o que ela continha. Uma olhada lá dentro poderia muito bem deixá-lo louco.

Ele lutava para acreditar que qualquer caçador pudesse lidar com esse miasma, não importa o nível. Mas se o Mil Truques sabia desta caixa com antecedência, então ele provavelmente tinha alguma contramedida preparada.

Hugh canalizou cada pedaço de seu corpo e alma para segurar a caixa. A Casa do Clã que deveria estar a uma curta distância parecia distante. Se ele de alguma forma deixasse cair esta caixa, a capital imperial poderia se tornar uma cacofonia de gritos e tristeza. Por seu pálido orgulho como cavaleiro da Ordem Zero, isso era algo que Hugh sentia que precisava evitar.


Tradução: Rudeus Greyrat
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