Grieving Soul – Capítulo 6 – Volume 6

Nageki no Bourei wa Intai shitai

Let This Grieving Soul Retire Volume 06

CapĂ­tulo 6: Deixe Esse Grieving Soul se Aposentar, Parte 6


E assim chegamos em segurança ao paĂ­s desĂ©rtico de Toweyezant. NĂŁo tivemos fatalidades (mas muitos feridos) e ainda tĂ­nhamos tempo de sobra antes da conferĂȘncia. Um trabalho perfeito. Tudo estĂĄ bem quando termina bem.

— Vou te dar um soco assim que recuperar minhas forças — disse Kris da cama. Lançar feitiços defensivos sobre todos no momento da queda havia drenado atĂ© a Ășltima gota de sua mana.

Depois daquele desastre, minha reputação começou a despencar, mas a de Kris disparou. Como ela era um Espírito Nobre, todos na caravana mantinham uma distùncia respeitosa, mas agora pareciam muito mais à vontade ao seu redor. Alguns até declararam abertamente que deviam suas vidas a ela.

No fundo, Kris era uma boa pessoa, então merecia esse reconhecimento desde o começo. Eu teria que agradecer formalmente à Lapis por me emprestar um de seus companheiros de grupo, mas ainda assim, não entregaria a Lucia.

Agora que estĂĄvamos em Toweyezant, nosso trabalho como guardas havia terminado. A partir daqui, os funcionĂĄrios pĂșblicos assumiriam. Tivemos nossa cota de problemas nessa jornada. Traidores inesperados e atĂ© um encontro com um Cofre do Tesouro. Mas pense bem, antes de partir, eu tinha dito para minha vice-mestre de clĂŁ:

— NĂŁo. Pode haver ladrĂ”es, pode haver monstros, um cofre do tesouro pode surgir, pode acontecer um desastre natural. Eva, eu posso estar em sĂ©rio perigo.

E olha só o que aconteceu: não encontramos nenhum desses problemas. Sim, tivemos traidores, mas nenhum ladrão nos atacou. Havia dragÔes, mas eu não tive que lidar com eles. Houve um cofre do tesouro, mas um que eu jå conhecia. Houve uma tempestade, mas eu não sei se chamaria isso de desastre natural. Nada do que eu mencionei realmente aconteceu. O que isso poderia significar?

— Espera? Será que a sorte esteve do meu lado dessa vez?

— Hã!?

— Não, não. Não vamos nos precipitar. É quando relaxamos que estamos mais vulneráveis. Algo ainda pode acontecer.

— Dá pra parar com essas piadas ruins, senhor?

Kris estendeu a mão fracamente para mim, seu braço branco e esguio completamente exposto. Por um momento, não entendi o que ela queria fazer, mas então percebi. Me inclinei para frente e deixei que ela me acertasse na cabeça.

Se Kris foi a heroína do dia, então os espectros de lençol foram os heróis não reconhecidos.

Fui até a hospedaria designada por Sitri. Entrei em um quarto espaçoso e vi a Lucia-espectro desabada na cama, me encarando com um olhar fulminante. Ela estava vestida confortavelmente, sem seu casaco habitual. No entanto, sua expressão não estava das melhores.

— Seu idiota… — murmurou.

— Parece que manter uma nave daquele tamanho no ar por trezentos metros nĂŁo Ă© uma tarefa fĂĄcil — disse Sitri, agora sem seu lençol, enquanto trazia uma bebida gelada. — VocĂȘ estava tĂŁo fora da rota que nĂŁo podĂ­amos simplesmente deixar vocĂȘ pousar no meio do deserto.

EntĂŁo Lucia tinha mantido a nave no ar por trezentos metros enquanto a guiava. Eu nem tinha percebido. Estava ocupado demais tentando sobreviver Ă  turbulĂȘncia.

— É, aham — falei. — Eu sempre posso contar com a Lucia! Eu sabia que vocĂȘ daria um jeito!

Foi por isso que pousamos tão perto do destino. Deve ter sido um esforço gigantesco, mas graças à minha irmã, não tivemos nenhuma fatalidade. Se ela não tivesse se esforçado tanto, alguns dos nossos feridos provavelmente não teriam sobrevivido.

Sentei-me na cama e, casualmente, estendi a mão para acariciar as orelhas brancas que brotavam de sua cabeça. E levei um tapa por isso.

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— Pare com isso — protestou ela com a voz vacilante. Pelo que parecia, se eu tocasse na cauda dela, ela faria algo muito pior do que simplesmente me bater.

— Nenhuma quantidade de poçÔes de mana pode ajudar Lucy a se recuperar depois que ela absorve a cauda — disse Sitri com um sorriso torto. — E ela nĂŁo pode removĂȘ-la atĂ© que sua mana se recupere. Existem impulsionadores temporĂĄrios, mas eles tĂȘm desvantagens severas.

A cauda e as orelhas que sobressaíam de Lucia eram efeitos colaterais da Última Cauda do Deus Raposa. Depois do primeiro encontro na Pousada Peregrine, Sitri investigou a cauda e a entregou para Lucia. Com algum treinamento, ela descobriu como extrair uma parte do poder da cauda com sucesso.

Normalmente, ela a mantinha presa a uma haste, que usava como vassoura, mas se alguma vez ficasse sem mana, a cauda poderia fornecer um grande suprimento. (Eu nĂŁo sabia como ela prendia a cauda em si mesma e perguntar apenas resultava em socos voando. Mas parecia que ela nĂŁo precisava tirar a roupa para usĂĄ-la.)

Consciente de suas orelhas felpudas, Lucia as escondeu debaixo das cobertas.

— Cuide dela — eu disse para Sitri. — Parece que as coisas se acalmaram por enquanto.

A proteção durante a conferĂȘncia aparentemente seria cuidada por outro grupo. E, independentemente do que acontecesse, eu faria o que pudesse para evitar pedir mais alguma coisa a Lucia. E isso estava bem. Mesmo sem ela, ainda havia o espadachim espectral muito enĂ©rgico. Ele estava brincando por aĂ­ em algum lugar, mas eu sabia que viria se eu chamasse. Éramos um grupo; meus amigos estariam lĂĄ quando eu precisasse deles.

— Pode contar comigo — disse o espectro da alquimia com um sorriso. Eu me perguntei se isso tambĂ©m valia para o Matadinho esquelĂ©tico ali perto. — Essa jornada tambĂ©m foi muito benĂ©fica para nĂłs. Deixar Matadinho aos seus cuidados o tornou mais esperto e forte.

Eu ainda não tinha me recuperado do choque de ver um Matadinho cadavérico emergir da armadura de Sir Matadinho.

— Ah, acabei de lembrar — eu disse. — Tenho um presente para vocĂȘ, Lucia.

O espectro mĂĄgico se remexeu sob o cobertor, suas orelhas tremendo.

— Aqui estĂĄ, agora vocĂȘ terĂĄ duas caudas.

Assenti para mim mesmo e puxei a nova cauda da bolsa que eu havia trazido.

***

— E-Espere! Me escuta! — gritei.

O Tapete avançou e me acertou em cheio. Enquanto eu estava deitado de costas, ela me socava repetidamente, mas ser esmurrado por um tecido era algo indolor. Se algo, atĂ© que era divertido. Ser montado por um Tapete era uma experiĂȘncia muito mais insana do que o contrĂĄrio.

— Eu disse que sinto muito! NĂŁo havia nada mais que eu pudesse ter feito! NĂŁo gosto disso mais do que vocĂȘ!

Parecia que o Tapete Delinquente guardava ressentimento pela minha decisão de dar sua namorada (ou namorado?) para a raposa. Mas eu não tinha outras opçÔes. Qualquer um faria o mesmo no meu lugar.

— Eu tinha o dever de proteger o imperador — continuei. — E o que vocĂȘ fez, alĂ©m de se esconder lĂĄ atrĂĄs!

Minhas reclamaçÔes caíram em ouvidos surdos. Eu nem sabia onde ficavam os ouvidos de um Tapete. Ela me acertou na bochecha. Que trågico que isso tivesse que acontecer justo quando começåvamos a nos dar bem. Mas a culpa era minha, então deixei o Tapete fazer o que queria.

Enquanto eu estava deitado de lado, sendo espancado por uma Relíquia, a porta se abriu e Kris entrou. Ela não estava com sua robe de sempre, mas sim com um pijama fino. Levantei os braços para me defender do Tapete. Kris ficou brevemente chocada antes de assumir uma expressão severa.

— H-Humano fraco! O que está fazendo? Senhor!

— VocĂȘ estĂĄ se sentindo melhor? Ah, que bom.

— Eu fiz uma pergunta. Senhor.

— Acho que vocĂȘ devia perguntar para o Tapete.

As bordas franzidas do Tapete batiam contra meu rosto. Eu nĂŁo conhecia nenhuma criatura que atacasse com as orelhas, entĂŁo imaginei que as dela deviam estar em outro lugar.

Acho que nĂŁo hĂĄ mais nada que eu possa fazer. A diversĂŁo acabou.

— Certo, certo, eu desisto — disse. — Vou comprar um novo tapete para vocĂȘ. Um que seja bem bonito.

O Tapete parou de me atacar, mas continuou em cima de mim. Suspirei.

— Tudo bem. Certo, seu tecido carente. Para mostrar como estou arrependido, vou comprar dois, nĂŁo, trĂȘs tapetes para vocĂȘ. Que tal? VocĂȘ me perdoa?

O Tapete deu uns tapinhas na minha cabeça e saiu de cima. Parecia que seu humor havia melhorado. Honestamente, ela podia ser muito exigente para alguém do tamanho de um carpete.

— Por favor. Pare de brincar. Senhor.

— Eu sei como parece, mas não estou brincando.

Kris franziu a testa e suspirou, deixando de lado sua expressão sombria anterior. Notei seus braços pålidos saindo do pijama. Pensei sobre como ser uma Nobre da Floresta dava a ela uma pele clara, mas no deserto, havia Nobres Espirituais com pele bronzeada (afinal, eu conhecia uma: Eliza). Se Kris passasse tempo suficiente no deserto, ela se bronzearia?

— Me escute, humano fraco — Kris me repreendeu, cortando meu devaneio. — NĂŁo sou sua aliada, mas tenho minhas ordens de Lapis. Qualquer coisa que manche seu nome tambĂ©m prejudicarĂĄ nossa honra. Senhor.

— Muito diligente da sua parte, Kris.

Se todos os Nobres Espirituais fossem como ela, talvez fosse inevitĂĄvel que olhassem para os humanos de cima.

— Tivemos um incidente grave. Senhor. Acho que precisamos discutir isso. Concorda? Senhor?

— Hmm. Não acho que foi tão grave. Chegamos aqui inteiros.

— Foi grave! VocĂȘ trouxe dois traidores para o nosso grupo! Senhor!

— Aah. Isso foi, uh, um descuido.

— Vou te bater, Senhor! Se tiver uma ideia boa para evitar esse tipo de coisa, adoraria ouvir. Agora, tem? Senhor?

— Não. Sabe, agora que mencionou, esqueci completamente de Telm e Kechachakka.

Eles nĂŁo estavam na aeronave depois que partimos. A possibilidade mais provĂĄvel era que ainda estivessem dentro do cofre do tesouro. Pisquei e inclinei a cabeça. Esfregando as tĂȘmporas, Kris suspirou com uma expressĂŁo que me lembrava muito a de Lucia.

***

— Onde estamos?

— Hee hee hee…

Telm tinha uma longa histĂłria como caçador de tesouros. Assim que se tornou um Magus, imediatamente seguiu esse caminho e nunca mais olhou para trĂĄs. Depois disso, ele se tornou um Raposa, o que expandiu ainda mais sua experiĂȘncia. Mas algo tĂŁo inquietante quanto isso era uma novidade para ele.

Ele tinha certeza de que haviam saltado da aeronave. A intenção era recuar para se reagrupar. Mas quando saíram pela porta, viram algo inesperado. A densa presença de mana material tornou imediatamente claro para Telm que estavam em um cofre de tesouros. E não só isso: esse cofre superava qualquer um dos cofres de nível 8 em que ele jå havia entrado.

Ele sabia que não era uma ilusão. Mesmo alguém tão enigmåtico quanto o Mil Truques precisaria de tempo para criar uma ilusão capaz de enganar Telm. Isso também explicava por que seus feitiços não estavam funcionando. Ao entrarem no cofre de tesouros, estavam sujeitos a novas leis. O lugar era perigoso, mas ficar parado não era uma opção. Felizmente, os feitiços de fortalecimento de Telm ainda estavam ativos.

Com extrema cautela, os dois começaram a investigar o prédio. O espaço era amplo, com um teto alto. Algo nisso os deixava inquietos. O local era claramente projetado para humanoides, mas não havia sinais de vida.

— Fique atento — disse Telm. — Deve haver uma saída em algum lugar.

Kechachakka riu baixinho em resposta.

O corredor parecia infinito e era certamente mais largo do que a aeronave de onde tinham acabado de sair. O espaço ao redor provavelmente estava sendo distorcido, algo comum entre cofres de tesouro de alto nível.

Algo estranho chamou a atenção de Telm: um quadro. Uma pintura abstrata decorava a parede. Ele se aproximou devagar e a observou atentamente. A princípio, não entendeu o que eram aqueles traços amarelos entrecruzados.

Ele estreitou os olhos. — Uma raposa? — murmurou.

— Heh heh!

Ouvindo o aviso de Kechachakka, Telm virou-se e se afastou da pintura. Mais adiante no corredor, ele avistou uma pequena silhueta humana. Era uma criança vestida com um quimono branco. Um fantasma. Seu rosto estava escondido por uma måscara branca polida, modelada no formato de uma raposa, e a mana material emanando de seu corpo era extraordinåria.

Quando Telm percebeu o que estava vendo, um calafrio indescritĂ­vel percorreu sua espinha. — ImpossĂ­vel. Isso pode realmente ser…

“Nove Caudas Sombria.” O nome da organização secreta Ă  qual Telm pertencia vinha de um cofre de tesouro. Diziam que esse cofre abrigava um deus raposa. O fundador da organização encontrara essa entidade divina por pura desgraça. Ele sobreviveu ao encontro e, impressionado pelo poder e imponĂȘncia da criatura, nomeou sua organização em sua homenagem. As mĂĄscaras de raposa tornaram-se o sĂ­mbolo do grupo. A mĂĄscara que o fundador trouxe de volta do cofre ainda era usada para identificar o lĂ­der da organização.

Kechachakka parecia nervoso, o que sugeria que ele tinha chegado Ă  mesma conclusĂŁo que Telm. NĂŁo parecia possĂ­vel que estivessem aqui. A localização desse cofre nĂŁo era apenas incerta, sua prĂłpria existĂȘncia era debatida. Telm ouvira que o fundador nunca conseguiu encontrar novamente o domĂ­nio do deus raposa. Apenas sorte nĂŁo bastava para trazer alguĂ©m atĂ© aqui; era necessĂĄrio um toque do destino. Esse encontro era um desĂ­gnio do destino.

Telm não desviou o olhar nem por um momento, mas, ainda assim, a criança raposa desapareceu sem que ele percebesse. Então, uma voz surgiu atrås dele.

— Bem-vindos, visitantes.

— O quĂȘ!?

— NĂŁo precisam ficar tĂŁo tensos. Estamos cientes de suas circunstĂąncias, Telm Apoclys, Kechachakka Munk. VocĂȘs, pobres humanos, abandonados pelo Sr. Cauteloso.

Ele nĂŁo tinha presença alguma. Um jovem usando uma mĂĄscara de raposa estava parado atrĂĄs deles, como se sempre tivesse estado ali. Um Ășnico olhar foi suficiente para que os dois caçadores percebessem que nĂŁo poderiam vencer aqui. Aquele ser estava em um nĂ­vel muito alĂ©m deles. Os instintos de Telm gritavam para que ele recuasse, e ele mal conseguiu resistir a esse impulso.

Ainda era cedo para perder a esperança. Um conselho deixado pelo fundador sobre como lidar com esse cofre de tesouro era nunca desistir. Se houve pessoas que sobreviveram e trouxeram uma måscara como prova, então não havia razão para que Telm, o Contra Cascata, não pudesse fazer o mesmo.

— VocĂȘ Ă©… um deus? — perguntou ele, tentando distrair o fantasma.

Ele podia tocå-lo. Muitos fantasmas que pareciam humanos também se assemelhavam a humanos por dentro. Se esse fosse o caso aqui, haveria ågua dentro desse fantasma. Se Telm conseguisse tocar essa ågua diretamente, ele poderia manipulå-lo. Para alguém que dominava o controle da ågua, isso estava bem dentro do seu alcance. Não havia mais nada que ele pudesse fazer.

— Fiquem tranquilos — disse o fantasma. — Somos justos aqui. Garantirei sua segurança, mas quero algo em troca.

— Em troca?

— Pegarei o que vocĂȘs mais valorizam. NĂŁo temam, esta Ă© uma troca justa. JĂĄ fiz um acordo semelhante com o Sr. Cauteloso.

Telm via brechas, dezenas delas, por onde poderia atacar. Esse fantasma nĂŁo parecia estar atento a possĂ­veis ofensivas.

O jovem viu que seus dois convidados ainda estavam na defensiva. Ele assentiu e entĂŁo abriu a boca lentamente.

— Pegarei a Graça do Deus das Águas e a Revanche do Dragão.

O suor frio escorreu pelo rosto de Telm. O fantasma estava lendo suas mentes! Essas Relíquias eram centrais para as operaçÔes de Telm e Kechachakka, e não havia substitutos conhecidos para nenhuma delas. Se fossem tomadas, eles perderiam qualquer chance de enfrentar esses fantasmas.

— O que vão decidir? — perguntou o fantasma com um sorriso.

— E se eu recusar?

***

Telm podia alcançar a ågua interna do fantasma. Se ele conseguisse fazer isso, poderia controlar o fantasma, e isso resolveria tudo. Tudo o que precisava era de um dedo.

A pergunta provocativa de Telm arrancou uma risada simples do fantasma.

— De fato, vocĂȘ certamente tem razĂŁo. Afinal, somos muito justos.

***

Recebi permissĂŁo para vasculhar o local da queda da aeronave em busca de Telm e Kechachakka. A onipotente Sombra Sitri e Matadinho Smart, agora com metade do seu tamanho original, me acompanharam.

Com a conferĂȘncia se aproximando, Toweyezant estava ficando agitada. Eu via cada vez mais cavaleiros e magos que pareciam vir de outros paĂ­ses. Havia uma tensĂŁo subjacente por trĂĄs de toda aquela animação.

Toweyezant era um paĂ­s vasto, mas nĂŁo muito prĂłspero. Eu nĂŁo sabia muito sobre sua histĂłria, mas havia ouvido que essa terra jĂĄ fora um campo de conflito incessante. Um verdadeiro pedaço do inferno. A maior parte do territĂłrio tinha um clima desĂ©rtico com pouquĂ­ssima chuva. O pouco alimento que era produzido era motivo de disputa, e monstros poderosos, Ășnicos dessa regiĂŁo, estavam por toda parte.

Esses tempos de caos chegaram ao fim com a era dourada da caça ao tesouro. Toweyezant nĂŁo era um local ideal para a habitação humana, mas seu clima propiciou a formação de cofres de tesouro Ășnicos. AlĂ©m disso, o mana material que fluĂ­a pelas linhas de energia fornecia uma fonte de energia praticamente ilimitada, garantindo recursos quase infinitos, desde que houvesse alguĂ©m para extraĂ­-los.

Na busca por cofres de tesouro inexplorados, caçadores se aglomeraram nesse paĂ­s outrora miserĂĄvel, e vĂĄrias cidades surgiram para recebĂȘ-los. O povo da regiĂŁo parou de lutar e se uniu. Foi assim que esse paĂ­s nasceu.

— Mas parece que apenas algumas cidades estĂŁo realmente crescendo — observou Sombra Sitri. — Como eu imaginava, a produção de alimentos ainda faz toda a diferença. Comida Ă© rara nos cofres de tesouro, e a importação Ă© difĂ­cil por causa dos monstros.

— Parece complicado — comentei.

— EstĂŁo tentando plantar ĂĄrvores e outras vegetaçÔes, mas os resultados tĂȘm sido abaixo do esperado — explicou Sombra Sitri com um sorriso. Ela supostamente era tĂŁo nova nesse lugar quanto eu, mas parecia estar incrivelmente bem informada.

SaĂ­mos da cidade. O Black Star nĂŁo podia ser movido nem reparado rapidamente, entĂŁo permaneceu no local onde pousou. Ao ver a nave pela primeira vez em dias, percebi que o balĂŁo no topo estava um pouco murcho, e toda a sua imponĂȘncia havia desaparecido por completo.

O casco, cravado no solo em um Ăąngulo, havia sido escavado, mas ainda parecia longe de ser consertado. Guardas estavam posicionados ao redor, mas como jĂĄ tĂ­nhamos permissĂŁo para entrar, seguimos em frente e entramos por uma janela quebrada.

A nave estava do mesmo jeito de quando caiu. Antes de partir, eu havia feito uma busca no interior e não encontrei sinais de Telm ou Kechachakka. No entanto, minha visão não era das melhores, então imaginei que algo poderia aparecer se trouxesse Sitri até aqui. Também queríamos recuperar os suprimentos a bordo. Se deixados ali, o calor os estragaria, e eles jå não eram mais necessårios, pois o Black Star não levaria mais o imperador para casa. Da mesma forma, jå havíamos recebido permissão para recolher esses suprimentos.

— Muito obrigada! — exclamou Sitri. — Esse paĂ­s estĂĄ sempre com falta de comida e poçÔes.

— Bem, esses suprimentos já eram seus. Acha que conseguirá cobrir suas perdas?

— Com certeza! Tudo graças a vocĂȘ, Krai!

O sorriso de Sitri se estendeu até as extremidades do rosto. Ela realmente tinha um espírito empreendedor. Nós dois (mais Matadinho) examinamos cuidadosamente o interior da nave. Os olhos de Sitri brilharam ao ver uma aeronave por dentro pela primeira vez.

— Pensando bem — comentei —, estou surpreso que vocĂȘs nĂŁo tenham sido puxados para o cofre do tesouro.

— Bem, tentamos ser puxados, mas não conseguimos ganhar velocidade suficiente.

— Hã?

— EstĂĄvamos perdendo velocidade, sabe. Quando chegamos perto, Luke tentou cortar um buraco pelo lado de fora, mas nada do que ele fez teve efeito no cofre. Por isso, nĂŁo conseguimos nos conectar a vocĂȘs.

— Aham…

— Parece que os limites do Peregrine Lodge nĂŁo sĂŁo definidos por barreiras fĂ­sicas. Se tomarmos essa experiĂȘncia como referĂȘncia, a espada de Luke nĂŁo afeta oponentes que podem distorcer o espaço. Ele disse que vai treinar mais.

— É, isso acontece às vezes.

Assenti, aliviado por nĂŁo ter me encontrado com eles. Se isso tivesse ocorrido, o que eu mais valorizava nĂŁo teria sido um tapete, mas sim meus amigos. Eu nunca poderia tĂȘ-los entregado, o que teria nos deixado sem escolha a nĂŁo ser enfrentar o fantasma de frente.

Espera, entĂŁo o motivo de eu ter encontrado apenas Lucia e Sitri Ă© porque todo mundo estĂĄ fora treinando? Eles tĂȘm mĂșsculos no lugar do cĂ©rebro?

— Suponho que o Peregrine Lodge ainda seja um pouco demais para nós — comentei, completamente tranquilo.

— Mas deixe-me dizer uma coisa, Krai! — protestou Sitri com a voz trĂȘmula. — Minhas preparaçÔes foram impecĂĄveis! Eu atĂ© considerei a possibilidade de um encontro com o Peregrine Lodge!

— VocĂȘ Ă© incrĂ­vel, Sitri — respondi apĂłs um momento.

Se ela achava que era uma possibilidade, deveria ter dito algo. Talvez eu nĂŁo tivesse passado por tudo aquilo. Sitri parecia achar que tinha cometido um erro, entĂŁo dei um tapinha nas costas dela. Qualquer erro que ela tivesse cometido nĂŁo era nada comparado aos meus.

A expressĂŁo de Sombra Sitri suavizou um pouco. Ela me olhou com olhos levemente suplicantes e perguntou, hesitante:

— EntĂŁo, Krai, o tofu frito que eu embalei foi Ăștil?

HĂŁ? Tofu frito? Havia algo assim a bordo? Eu nĂŁo fazia ideia.

Ela não parecia estar brincando, e seu jeito inquieto indicava que esperava um elogio. É, eu deveria ter lido a lista de suprimentos, mas quem poderia esperar que tofu frito estivesse entre eles?

Decidi evitar o assunto. Afaguei a cabeça dela, deixando seus cabelos macios escorrerem pelos meus dedos. Seus olhos sonolentos ficaram um pouco menos ansiosos.

— Sim, vocĂȘ me salvou naquela hora — eu disse. — SĂ©rio, de verdade. Se nĂŁo fosse por aquele tofu frito, uh, eu teria me metido em uma encrenca sĂ©ria.

— VocĂȘ usou isso para escapar do Peregrine Lodge da Ășltima vez, entĂŁo tive certeza de que poderia ser Ăștil. Ah, estou tĂŁo feliz. Tofu nĂŁo Ă© exatamente um prato comum em Zebrudia, entĂŁo deu um pouco de trabalho conseguir.

Eu nĂŁo podia deixar ela perceber que eu nem tinha notado o tofu. NĂŁo podia fazer nada que pudesse apagar aquele sorriso.

Sitri Ă© o que eu mais valorizo. Isso mesmo, Ă© a Sitri. Eu pisei na bola. Tudo isso Ă© culpa minha.

— Ah, a propĂłsito, para referĂȘncia futura — ela disse, radiante por ter sido Ăștil —, cinco caixas foram suficientes?

— Cinco!? Ah, mmm, difĂ­cil dizer…?

Cinco caixas eram realmente necessĂĄrias? Ela estava planejando dar uma festa ou algo assim?

Enquanto ouvia a Sitri conversar animadamente, olhamos ao redor do dirigĂ­vel. NĂŁo vi Telm, Kechachakka, nem qualquer sinal do que poderia ter acontecido com eles. Minha previsĂŁo inicial de que eles tinham ficado no cofre parecia cada vez mais provĂĄvel. Mas, se eles estavam no cofre, eu nĂŁo tinha como saber com certeza.

Então, meus ouvidos insensíveis captaram um ruído fraco. Veio do porão de carga. Normalmente, essa seção era usada para bagagens, mas a maior parte do espaço acabou sendo usada para armazenar a comida que eu tinha trazido. Definitivamente, não era um bom esconderijo.

Sitri lentamente sacou sua RelĂ­quia, uma pistola d’ĂĄgua, e Matadinho levantou seus braços finos em posição de combate. Eu tinha os AnĂ©is de Segurança, entĂŁo tomei a dianteira. Abri a porta e espiei lĂĄ dentro. O porĂŁo de carga nĂŁo tinha mudado muito desde a Ășltima vez que o vi. Ao contrĂĄrio da bagagem nos outros cĂŽmodos, as caixas aqui estavam bem presas para evitar que caĂ­ssem. As montanhas de engradados eram sĂłlidas e nĂŁo desmoronariam facilmente.

Dei alguns passos cautelosos. Olhei ao redor, mas nĂŁo vi nada fora do comum. Talvez o barulho tivesse vindo de fora.

— Está tudo certo — eu disse para Sitri. — Parece que foi só imaginação nossa—

Sem fazer um som, a tampa de um grande engradado à minha frente deslizou para o lado. A primeira coisa que vi foi um triùngulo branco. Quando a tampa foi completamente removida, uma pequena figura se levantou. Diante de mim estava uma garota vestindo um quimono branco e uma måscara de raposa. Em suas mãos havia um grande pedaço de tofu frito. Pisquei, confuso.

Use alguns hashis. Comer com as mãos é falta de educação.

O fantasma olhou para mim e mastigou calmamente seu tofu. Sorrindo, aproximei-me da caixa, pressionei a cabeça dela para baixo e recoloquei a tampa do engradado. Respirando fundo, ergui a caixa. Engradados de madeira sĂŁo pesados, mas foi sĂł isso que senti — nenhum peso adicional de conteĂșdo. Isso porque ela estava vazia. NĂŁo havia absolutamente nada dentro daquela caixa.

Virei-me para Sitri e sorri.

— Tudo limpo. Devemos levar essas caixas para fora? Talvez cinco não tenham sido suficientes.

Talvez tenha sido sĂł uma miragem causada pelo calor. Ou talvez fosse o estresse. Isso pedia uma bebida gelada e um tempinho brincando com o Tapete. SĂł queria pegar nossos suprimentos e cair fora logo.

— U-Um cativo? — Sitri disse. — Krai, vocĂȘ nunca deixa de me surpreender. Eu jamais conseguiria realizar um feito desses.

Opa, Sitri tå viajando. E o que eu faço com isso? Por que a irmã estå aqui!?

— Embora eu estivesse esperando uma raposa capturada, queria dizer um criminoso, nĂŁo um fantasma… — Sitri disse.

Pois Ă©, mas nĂŁo fui eu que trouxe esse fantasma para fora do cofre.

Senti um barulho vindo de dentro da caixa. Parecia que a Pequena IrmĂŁ Raposa (nĂŁo sabia o nome dela, entĂŁo a chamei assim por conveniĂȘncia) estava devorando seu tofu frito. Sitri quase sempre sorria, mas atĂ© ela parecia preocupada agora.

E eu ainda nĂŁo fazia ideia do que deveria fazer com essa raposinha. Os fantasmas do Peregrine Lodge nĂŁo eram algo que se pudesse ignorar. A maioria dos fantasmas nĂŁo saĂ­a de seus cofres porque nĂŁo conseguia sobreviver do lado de fora, mas aparentemente esse tipo de senso comum nĂŁo se aplicava Ă  garota raposa.

— Talvez, se a Lucia usar o rabo, ela consiga fazer alguma coisa? — sugeri. — Tipo, se ela tivesse orelhas de raposa, esse fantasma poderia achá-la uma parente ou algo assim.

— Acho que vocĂȘ sĂł estaria pedindo para levar um soco — Sitri disse. — Hmm. Se for sĂł uma, talvez possamos derrotĂĄ-la se trabalharmos juntos.

O sol batia forte sobre nĂłs. Ondas de calor distorciam a paisagem ao redor. A caixa estava estranhamente tranquila, considerando que estĂĄvamos falando em matar o fantasma dentro dela.

É… nĂŁo tenho certeza se consigo matar algo que nĂŁo fez nada de errado.

— Estou sem ideias — eu disse.

— De fato. Eu poderia tentar jogá-la no liquidificador, mas acho que só quebraria o aparelho.

— HĂŁ? O que Ă© um liquidificador?

— Estou conduzindo experimentos para transformar fantasmas em material de mana líquida. Normalmente, eles se dissipam no ar—

— Ah, desculpa. Acho que já entendi.

Das duas irmĂŁs, a Inteligente era de longe a mais perigosa.

Do jeito que vi, a solução mais rĂĄpida era fazer o Peregrine Lodge levĂĄ-la de volta. Entramos em um beco discreto, onde coloquei a caixa no chĂŁo. Respirei fundo e lentamente abri o engradado. Rezei para que o conteĂșdo tivesse sumido, mas dentro estava um fantasma, abraçando os joelhos em silĂȘncio.

Ela não tinha orelhas ou rabo de fera. À primeira vista, parecia apenas uma pessoa mascarada, mas sua presença não tinha nada de humano.

Respirei fundo e perguntei:

— Ei, vocĂȘ consegue entrar em contato com o Peregrine Lodge?

E por que vocĂȘ estĂĄ aqui, afinal? Isso nĂŁo faz sentido nenhum. Pegue seu tofu e volte para casa!

A Pequena IrmĂŁ Raposa nĂŁo disse nada, mas depois de um momento, enfiou a mĂŁo no bolso e puxou uma pequena placa verde, do tamanho de um caderno pequeno. Era lisa e os nĂșmeros apareciam quando ela tocava na superfĂ­cie preta. Parecia estar exibindo a hora. Meus olhos se arregalaram. Eu reconhecia essa coisa. Eu sabia o que era!

— Isso Ă© um Smartphone. Uma RelĂ­quia telefĂŽnica.

— Um telefone? — Sitri disse. — Tipo aqueles que vocĂȘ usa para falar? NĂŁo parece nada com isso.

Os telefones eram dispositivos de comunicação usados em paĂ­ses tecnologicamente avançados. Ainda estavam na fase experimental e havia vĂĄrios obstĂĄculos impedindo que se tornassem comuns no impĂ©rio, mas eram como uma Pedra Sonora que podia ser usada para entrar em contato com mĂșltiplos locais. E o Smartphone era um item da Era das Armas FĂ­sicas com funçÔes similares!

— Bem, Ă© uma RelĂ­quia, afinal — lembrei Sitri. — Com esses aparelhos, cada terminal tem seu prĂłprio nĂșmero. VocĂȘ digita o nĂșmero do terminal desejado e pode falar com ele a longas distĂąncias.

— Mas vocĂȘ sĂł pode entrar em contato com pessoas que possuem a mesma RelĂ­quia, e tambĂ©m precisa saber o nĂșmero delas?

— Certo, entĂŁo Ă© menos prĂĄtico que uma Pedra Sonora. E ainda assim, essas coisas sĂŁo vendidas por um preço alto entre os entusiastas dedicados.

AlĂ©m disso, eram um tipo estranho de RelĂ­quia, com diversos defeitos. Por exemplo, nĂŁo podiam ser usadas longe das cidades (apareceria “sem serviço”) e quebravam se caĂ­ssem ou fossem submersas em ĂĄgua. Embora eu quisesse um Smartphone, nĂŁo havia motivo para comprar um, pois nenhum dos meus amigos tinha. Eu nĂŁo sabia por que a Pequena IrmĂŁ Raposa tinha um, mas talvez a origem do Peregrine Lodge estivesse na Era das Armas FĂ­sicas.

— VocĂȘ sabe bastante sobre isso, Krai — Sitri disse. Ela estava me olhando com admiração, mas eu realmente nĂŁo sabia muito sobre essas coisas. Ainda assim, aquele olhar adorador nĂŁo era nada mal, entĂŁo eu nĂŁo consegui evitar de me exibir um pouco.

— Acho que este Ă© um modelo novo — eu disse. — Essas versĂ”es mais recentes tĂȘm cĂąmeras. É pequeno, mas vem com vĂĄrias funçÔes.

— Entendo. Que tipo de funçÔes?

Eram apenas rumores, mas eu tinha ouvido que existiam vĂĄrios modelos de Smartphones que nĂŁo faziam exatamente as mesmas coisas. Mas tinham diversas funcionalidades, como um cajado mĂĄgico.

— As cĂąmeras podem disparar feixes mĂĄgicos que destroem monstros e, ah, tambĂ©m podem manter comida fria. As pessoas da Era das Armas FĂ­sicas usavam seus Smartphones para se proteger, tornando-os muito Ăștis em suas vidas diĂĄrias. Realmente sĂŁo uma RelĂ­quia versĂĄtil.

— Eles fazem de tudo? E quanto a algo como
 casamento?

— Sim, provavelmente.

A Pequena IrmĂŁ Raposa se moveu de repente, arrancando a RelĂ­quia das minhas mĂŁos. Ela tocou silenciosamente na tela e depois a entregou de volta para mim. “Chamando”, dizia na tela. Seus movimentos haviam sido tĂŁo eficientes que eram quase belos. Era impressionante.

— Uau. VocĂȘ Ă© uma especialista em Smartphones ou algo assim? Me superou aqui — eu disse para a fantasma. — Vou ter que conseguir um para mim logo.

A Pequena IrmĂŁ Raposa falou pela primeira vez.

— Caipira. Que vergonha — disse. Sua voz era neutra, mas seu pescoço estava corado e seu corpo tremia.

— Droga — eu disse. — Parece que ele não vem te buscar.

Quando contei para a Pequena IrmĂŁ Raposa o resultado da minha conversa com o IrmĂŁo Raposa, ela nĂŁo pareceu nem um pouco incomodada. Parecia que o IrmĂŁo Raposa estava muito ocupado no momento. Quando ouviu minha voz, ele disse “Urgh”. Urgh.

Ele parecia incrivelmente animado ao me contar que finalmente tinha alguns invasores de verdade. Esses “invasores” eram Telm e Kechachakka. Pelo que parecia, os dois nĂŁo estavam indo muito bem. Menos uma coisa para eu me preocupar.

— Acho que ele prefere uma abordagem indireta. Talvez fantasmas e humanos tenham sensibilidades diferentes.

Ele nem sequer me pediu para cuidar da irmĂŁ dele. Disse que o assunto do tapete era um prejuĂ­zo dele, mas nĂŁo parecia irritado com isso. Sim, eu tinha quase certeza de que fantasmas viam o mundo de forma diferente da nossa.

Enquanto eu me preocupava com tudo isso, a pequena fantasma abriu casualmente uma bolsa e tirou um pouco de tofu frito. O interior da caixa estava cheio de embalagens descartadas. Ela dançava ao som de sua própria melodia incompreensível e sobrenatural.

— Oh, tofu frito Ă© comum no impĂ©rio? — perguntei.

— Não — Sitri respondeu imediatamente.

A Pequena Irmã Raposa congelou, um pedaço de tofu meio comido caindo de suas mãos. É claro que não era comum. Sitri pareceu ter conseguido encontrar algum, mas eu não conseguia pensar em muitos países onde fosse um prato comum. Comecei a me perguntar o que aconteceria com essa fantasma quando ela ficasse sem tofu.

E por que vocĂȘ simplesmente nĂŁo vai para casa? VocĂȘ pode voar, nĂŁo pode? Se nĂŁo puder, entĂŁo, hmmm, jĂĄ sei. Lucia nĂŁo queria o novo rabo, entĂŁo talvez vocĂȘ possa voar se usĂĄ-lo. Seriam dois coelhos com uma cajadada sĂł.

Eu estava cansado e me sentia um idiota por me preocupar com isso. Quando estava prestes a fazer as malas e ir para casa, senti um puxĂŁo na minha camisa. Me virei e vi a Pequena IrmĂŁ Raposa segurando em mim. Ela nĂŁo disse nada, mas seu estado lamentĂĄvel era evidente. NĂŁo que isso me tornasse mais adequado para cuidar de uma fantasma.

Que tipo de fantasma tem fraqueza por tofu frito? Vai procurar o reino do tofu frito ou algo assim.

Ela enfiou a mão no bolso. Quando a retirou, estava segurando uma placa de prata — outro Smartphone. Ela era uma duelista de Smartphones!? Enquanto eu estava ali, impressionado, ela ergueu a segunda Relíquia para mim.

— Pegue — disse.

Senti uma vergonha tĂŁo imensa quanto as montanhas e mais profunda que o oceano.

Lembre-se, Krai Andrey, vocĂȘ Ă© um caçador. Salvar os fracos Ă© parte do seu trabalho.

Ela era uma fantasma, mas não uma ruim. Senti pena dela, agora que tinha tropeçado no mundo humano. Pensei muito em uma maneira de deixar todos felizes. Eu tinha certeza de que havia uma. Agora era o momento de despertar meus poderes adormecidos.

Coloquei o Smartphone no bolso, resistindo Ă  vontade de mexer nele.

MangĂĄ Let This Grieving Soul Retire Vol6 17 Online em PortuguĂȘs PT-BR

— Bem, seria irresponsĂĄvel te abandonar agora que vocĂȘ veio atĂ© aqui — eu disse, cerrando os punhos. — Tenho uma ideia de como garantir que todos fiquem felizes.

***

O brilho intenso do sol cozinhava a paisagem desolada do deserto de Toweyezant. Homens trabalhavam ao ar livre, usando casacos para proteger a pele do calor opressivo. Mas agora, estavam parados, seus rostos bronzeados voltados para o céu sem nuvens, os olhos semicerrados.

Este jĂĄ foi um territĂłrio de conflitos interminĂĄveis. Embora a chegada de caçadores de tesouros tenha unido o povo de Toweyezant, o fato era que a maior parte da terra continuava inabitĂĄvel, principalmente pela falta de ĂĄgua. VocĂȘ podia contar nos dedos quantas vezes chovia no ano, e as mudanças bruscas de temperatura ao anoitecer tornavam tudo ainda mais difĂ­cil.

Tempestades de areia devastavam viajantes, monstros perigosos adaptados ao clima hostil vagavam por toda parte, e atĂ© mesmo a construção de estradas era inviĂĄvel. A Ășnica riqueza de Toweyezant estava nas poucas cidades erguidas ao redor dos grandes oĂĄsis. O resto da nação desĂ©rtica mal tinha comida suficiente para sobreviver.

Os homens que trabalhavam ali faziam parte de uma organização que tentava salvar esse país.

— Merda. Este aqui tambĂ©m nĂŁo estĂĄ indo bem — um deles resmungou.

Mais um dia difĂ­cil. Esses homens estavam a cerca de dez quilĂŽmetros da capital, em uma vila construĂ­da ao longo das linhas de ley. Eles estavam empenhados em um sonho hĂĄ muito desejado no deserto: o reflorestamento. No solo avermelhado, ĂĄrvores magricelas foram plantadas em intervalos regulares. No entanto, nĂŁo pareciam nada saudĂĄveis. Suas folhas estavam marrons e murchas, e os galhos eram finos como o dedo mĂ­nimo de uma pessoa.

Os moradores tinham expressĂ”es sombrias. O clima de Toweyezant nĂŁo era nada amigĂĄvel para a vegetação. A ĂĄgua era preciosa, o solo pobre em nutrientes. As Ășnicas plantas que conseguiam sobreviver ali eram os cactos carnĂ­voros.

Mesmo Magos experientes tinham dificuldades em fazer chover nessas terras. A Ășnica esperança de trazer vegetação era atravĂ©s do uso de material de mana, capaz de fortalecer a vida. Seus efeitos iam alĂ©m de humanos e monstros. Ao plantar ĂĄrvores ao longo das linhas de ley, os canais por onde o material de mana fluĂ­a fortaleceriam as plantas, aumentando suas chances de crescimento. Era a Ășltima alternativa para Toweyezant.

As chances nunca estiveram a seu favor. A nação desĂ©rtica carecia de ĂĄgua, recursos e atĂ© mesmo tecnologia. Magos talentosos foram recrutados para ajudar, mas seus sucessos nunca passaram de temporĂĄrios. Ainda que tudo fosse em vĂŁo, ainda que aqueles diretamente envolvidos no reflorestamento jĂĄ tivessem perdido a esperança, nĂŁo havia outra opção alĂ©m de se agarrar a esse Ășltimo fio de possibilidade. O desejo por verde era forte demais no deserto.

Na capital de Toweyezant, havia certa empolgação com uma conferĂȘncia, mas isso nĂŁo tinha nada a ver com os homens ali. Eles apenas forçavam seus corpos exaustos a continuar lutando contra a terra escaldante.

Então, aquele homem chegou. Ele usava uma camisa espalhafatosa que deixava os braços à mostra. Sua pele era incrivelmente pálida—prova de que não era do deserto. Ele não carregava armas e não parecia nem um pouco preparado para atravessar um ambiente tão hostil. Comparado aos moradores, que passavam os dias absorvendo material de mana, e muito menos aos caçadores, sua presença parecia fraca e deslocada no deserto.

Esta era uma vila monótona, estabelecida para fins de reflorestamento, e não um lugar que costumava receber visitantes. Mas quando aquele homem, seguido por uma criança e uma bela mulher, foi levado ao líder da organização, ele se apresentou como um caçador de nível 8.

— Vamos preparar um pequeno santuĂĄrio e emprestar a vocĂȘs um deus — ele disse com um sorriso resignado, mas tranquilo. — Tenho certeza de que isso transformarĂĄ esta terra em uma prĂłspera.

Que absurdo. No entanto, a designação de nível 8 tinha peso, e aquele homem possuía documentos para provar sua legitimidade. Ele estava no mesmo nível do caçador mais forte de Toweyezant. O sujeito não parecia grande coisa, mas suas credenciais eram difíceis de ignorar.

— DĂȘ a ela uma porção de tofu frito por dia, e ela trabalharĂĄ para vocĂȘs — disse o caçador, que atendia pelo nome de Krai Andrey, para os moradores atĂŽnitos.

— TrĂȘs porçÔes — corrigiu a garota de mĂĄscara de raposa, puxando sua manga.

— TrĂȘs porçÔes — Krai corrigiu-se imediatamente. — Ah, e tambĂ©m gostaria que enterrassem isso. Enterrem bem fundo e apertem a terra com força, ok?

Os olhos da mulher de cabelos rosados se arregalaram.

— Ah, Krai, que desperdício — ela lamentou.

Dentro da caixa oferecida pelo campeĂŁo havia uma misteriosa cauda branca.

*** 

Com a satisfação de um trabalho bem feito, olhei para o céu. Sentindo os raios brilhantes se espalhando pelo azul infinito, eu estava perfeitamente confortåvel.

— Tudo resolvido — eu disse.

A Pequena Raposa e sua responsabilidade com o tofu frito haviam sido passadas para pessoas que realmente precisavam de seus poderes. Eu também consegui me livrar da cauda. Enterrada bem fundo na terra, tinha certeza de que eventualmente voltaria para a natureza.

E, para completar, consegui um smartphone. Eu estava pegando fogo, mais do que nunca.

— Às vezes, não consigo entender sua lógica — Sitri disse. — Poderíamos ter usado aquela cauda.

A Pequena Raposa era um dos fantasmas mais bĂĄsicos do seu cofre, mas seus poderes ainda eram divinos aos olhos de um mero humano. Eu nĂŁo sabia exatamente do que ela era capaz, mas fazer chover parecia uma possibilidade. E se nĂŁo fosse, ela ainda poderia proteger a vila de seu ambiente hostil. Para um fantasma, ela era bem esperta.

Ah, Ă© bom fazer algo legal.

— Não que tenhamos algo pelo que pedir desculpas, mas acho que deveríamos dar àquelas pessoas os suprimentos extras da aeronave — eu disse.

Eu tinha ouvido falar que cultivar årvores no deserto era um trabalho brutal, e aqueles aldeÔes estavam terrivelmente magros. A maioria dos suprimentos eram raçÔes de longa duração, mas ainda assim eram melhores do que nada. Talvez houvesse ainda algum tofu frito em uma daquelas caixas.

— Como desejar — respondeu minha querida amiga Sitri em um tom emburrado, algo raro para ela.

— Esse rabo Ă© perigoso demais para experimentação.

— E mesmo assim vocĂȘ o deu para os aldeĂ”es?

— Isso não vem ao caso.

Eu nĂŁo o dei, eu o descartei. Peguei o rabo, e toda a responsabilidade que vinha com ele, e o joguei num buraco. É isso que se faz com coisas que vocĂȘ nĂŁo sabe como lidar — vocĂȘ as enterra bem fundo no chĂŁo. Tudo que me restava fazer era inventar uma boa desculpa para isso, e estaria tudo certo.

Então, meu recém-adquirido smartphone emitiu um som. Puxei-o rapidamente e toquei na tela. Eu estava recebendo uma chamada do Raposa Ancião. Ele havia sido adicionado automaticamente aos meus contatos. O que serå que ele queria? Toquei no botão hesitante, e a tela começou a brilhar intensamente.

***

Era quase meia-noite e eu estava no meu quarto quando recebi uma ligação de Franz e levei Kris comigo. Essa era a primeira vez que isso acontecia nos Ășltimos dias, mas eu jĂĄ tinha me acostumado Ă s suas convocaçÔes. E parecia que Franz tambĂ©m jĂĄ tinha se acostumado a me ver no Perfect Vacation.

— Que bom que pîde vir, Mil Truques — ele disse e então olhou para seus homens. — Deixem-nos a sós.

Seguindo suas ordens, todos os membros da guarda imperial, exceto Franz, saĂ­ram da sala. Como de costume, as Ășnicas pessoas que permaneceram foram ele, o imperador e a tĂ­mida princesa imperial. Eu tinha algumas ideias do porquĂȘ de ter sido chamado. No entanto, Franz nĂŁo parecia nem um pouco irritado, entĂŁo presumi que ainda nĂŁo tinham descoberto sobre a Raposa IrmĂŁzinha e toda aquela confusĂŁo.

— Falta pouco para a conferĂȘncia — continuou Franz. — Primeiro, permita-me expressar meus agradecimentos por manter Sua Majestade Imperial a salvo. Chamamos vocĂȘ para discutir esse trabalho e o futuro.

O futuro, hein? Faz sentido. Pensando bem, isso explicaria por que Kris estava tĂŁo preocupada.

O rosto de Franz ficou sombrio.

— Porque vocĂȘ trouxe membros da infame Raposa Sombria de Nove Caudas para essa missĂŁo, a Estrela Negra, um dos bens mais valiosos do impĂ©rio, caiu. De acordo com a lei imperial, esses fracassos acarretam puniçÔes severas. NĂŁo importa qual tenha sido seu propĂłsito, usar Sua Majestade Imperial como isca para atrair um inimigo Ă© imperdoĂĄvel, e nos guiar atĂ© um cofre do tesouro foi algo sem precedentes.

A maioria dos nobres era imponente e nĂŁo se importava muito com pessoas comuns. A lei imperial era rĂ­gida, mas eu jĂĄ tinha ouvido muitas histĂłrias de comportamento violento de nobres que levavam plebeus Ă s lĂĄgrimas. No entanto, o que ele estava dizendo fazia bastante sentido.

— Entendo — eu disse.

Mas, se me permitem dizer, eu nĂŁo usei o imperador como isca, nem nos levei atĂ© um cofre do tesouro. Eu nĂŁo achava que acreditariam em mim, mas se eu fosse culpado de algo, seria de incompetĂȘncia.

— Espera! Senhor! Certo, o fraco humano foi longe demais, mas no fim chegamos ao nosso destino com segurança. Ele trouxe as Raposas para atraĂ­-las. Em vista disso, acho que ele merece uma sentença mais leve…

— Não. Eu simplesmente não fazia ideia de que eles eram Raposas.

— Hã!?

Me desculpe por ser ruim no meu trabalho. Mas acho que era bem razoåvel supor que a famosa Maldição Oculta não tivesse um terrorista escondido em suas fileiras. E Kechachakka era muito suspeito. Quem pensaria que alguém tão sombrio na verdade era um vilão? E algo não estava errado com Franz, jå que ele e seus homens simplesmente aceitaram minha equipe sem questionar nada?

Enquanto eu jogava a culpa de um lado para o outro na minha cabeça, o imperador me fez uma pergunta.

— Hm. Diga-me, Mil Truques, qual vocĂȘ acha que foi nosso maior fracasso?

O olhar dele era sério. Eu conseguia pensar em vårios erros graves, mas precisava tomar cuidado com o que diria aqui. Após uma breve consideração, fiquei com a impressão de que eles ficariam irritados com qualquer coisa que eu dissesse.

Sem opçÔes melhores, suspirei e respondi:

— Tivemos muitas falhas, mas a maior delas foi que tivemos muito azar.

— Hã!? O que diabos isso quer dizer!?

Bem, uh, o que mais poderia significar? NĂŁo estou errado, embora admita que isso nĂŁo significa que foi a resposta certa.

Minha tentativa desesperada de resposta fez o imperador franzir a testa. ApĂłs um breve silĂȘncio, vi-o acenar com a cabeça.

— O azar, de fato, Ă© algo que nĂŁo podemos evitar — ele disse.

— É como diz — Franz concordou.

— O quĂȘ!? — Kris gritou.

Eu estava tĂŁo surpreso quanto ela. O imperador era uma coisa, mas aceitar essa resposta nĂŁo parecia nada com algo que Franz faria.

— Sua Majestade Imperial está graciosamente disposto a perdoar seus erros — disse Franz em um tom firme. — Normalmente, isso seria impensável.

— Isso Ă© impensĂĄvel — concordei.

— Apenas fique quieto e escute.

Eu tinha um mau pressentimento sobre isso. Simplesmente não conseguia aceitar que eles seriam tão indulgentes. Mesmo que nossos problemas tivessem sido causados por descuidos, mesmo que tudo tivesse sido resolvido sem grandes complicaçÔes (o que não aconteceu), eu simplesmente não acreditava que sairiam me deixando impune. Eu não era totalmente alheio às minhas falhas aqui. Tinha que haver um preço; isso estava bom demais para ser verdade.

— A segurança da conferĂȘncia Ă© Ă  prova de falhas — continuou Franz. — Mesmo um ataque da Contra Cascata nĂŁo serĂĄ um problema. No entanto, somos convidados desta nação e nĂŁo queremos causar alvoroço. VocĂȘ me entende, Krai Andrey?

— Hmm. Ah, Ă© verdade. Acho que eles nĂŁo vĂŁo mais atrĂĄs de vocĂȘ.

Eu tinha minhas dĂșvidas, mas nĂŁo via outra alternativa. Sobre a mesa, coloquei duas RelĂ­quias enviadas para mim pelo recurso de anexos dos Smartphones. Havia uma gema negra como a noite e as pulseiras que Telm estava usando. Franz ficou imĂłvel, e Kris parecia atĂŽnito.

— Estas são as Relíquias que Telm e Kechachakka estavam usando. Sem elas, seus poderes foram reduzidos pela metade.

— O-O quĂȘ!? Onde, como, nĂŁo—quando vocĂȘ fez isso!?

Por mais confuso que Franz estivesse, nĂŁo achei que poderia contar que recebi os itens de um fantasma. NĂŁo sabia os detalhes, mas parecia que eles haviam pagado um preço depois de perder uma batalha de inteligĂȘncia.

— Isso Ă© um segredo profissional — respondi. — As pulseiras vĂŁo para a Lucia, mas estou disposto a me desfazer da gema. Parece que ela Ă© capaz de invocar dragĂ”es—

— O quĂȘ!?

Eu não tinha necessidade de algo tão perigoso. Suponho que entregaria as pulseiras também se eles as exigissem.

O ambiente ficou em silĂȘncio. O olhar chocado de Kris fez minha culpa pesar ainda mais, mas ainda assim, nĂŁo podia explicar como consegui essas RelĂ­quias.

O olhar do imperador se aguçou. Depois de um momento, ele pareceu tomar uma decisão e disse:

— Mil Truques, depois de testemunhar seus talentos, decidi que quero que vocĂȘ proteja e oriente Murina.

Aquilo não fazia o menor sentido. Parecia desconexo, sem relação com a conversa.

— O quĂȘ? — acabei dizendo.

Olhei para a princesa imperial, que se encolheu atrĂĄs do imperador. Se ela precisava de proteção, havia a guarda imperial. Na verdade, Franz estava protegendo-a da Contra-Cascata. E onde ficava toda aquela conversa sobre a conferĂȘncia ter segurança impecĂĄvel e nĂŁo querer causar alarde? Ela nĂŁo estava indo para a conferĂȘncia?

Eu não acompanhava política, mas enquanto ainda ouvia falar do imperador de vez em quando, não sabia nada sobre a princesa imperial. Ela não era conhecida por grandes feitos ou por uma beleza lendåria ou algo assim. Pode ser rude da minha parte, mas ela era realmente fåcil de esquecer. Eu nem sabia o nome dela até pouco tempo atrås.

Espera aĂ­.

Justo quando um pensamento passou pela minha cabeça, Kris falou:

— Agora que mencionou ela, preciso perguntar por que a trouxe em primeiro lugar. Ela não estaria muito mais segura no Castelo Imperial, senhor?

Exatamente. Eu nĂŁo achava que a princesa imperial estivesse envolvida em polĂ­tica nem que herdaria o trono. NĂŁo via motivo para o imperador trazĂȘ-la junto.

Ao ouvir a pergunta de Kris, a expressão de Franz mudou. Ele não parecia zangado, mas uma sombra caiu sobre seu rosto. Por um breve momento, um lampejo de hesitação atravessou a postura normalmente digna do imperador. Senti como se estivesse olhando para uma bomba prestes a explodir.

EntĂŁo, como se estivesse revelando um segredo de Estado, o imperador sussurrou:

— Mil Truques, vocĂȘ nĂŁo deve contar isso a ninguĂ©m. A verdade Ă© que Murina Ă© incrivelmente azarada.


Tradução: Carpeado Para estas e outras obras, visite Canal no Discord do Carpeado – Clicando Aqui
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