Grieving Soul – Capítulo 7 – Volume 5

Nageki no Bourei wa Intai shitai
Let This Grieving Soul Retire Volume 05

CapĂ­tulo 7:
[História Paralela: O Pesadelo de Tino nas Águas Termais]


— NĂŁo, Lizzy, vocĂȘ nĂŁo pode entrar!

— Ah Ă©? E quem Ă© vocĂȘ pra me impedir?

Lizzy vestia um yukata rosa e encarava Tino com um olhar intimidador. Ainda assim, Tino cerrou os punhos e se manteve firme. AtrĂĄs dela, estava a porta que levava ao banho ao ar livre. O desastre com o dragĂŁo havia destruĂ­do o banho principal, mas, como essa era uma pousada de luxo, cada quarto possuĂ­a seu prĂłprio banho ao ar livre privado.

Tino jå havia experimentado o banho em seu quarto. Era agradåvel e espaçoso o suficiente para acomodar vårias pessoas com folga. Não era tão grande quanto o banho principal, mas não deixava a desejar em nada, e pelo menos não havia mais chances de outro dragão aparecer. Isso era o suficiente para fazer Tino se sentir luxuosa.

Se Lizzy quisesse tomar banho nas åguas termais, tudo bem. O que Tino não entendia era por que ela insistia tanto nesse em específico. Tino conseguia ouvir um leve assobio vindo de algum lugar atrås dela. Com os braços bem abertos, ela bloqueou o caminho de Lizzy.

— O Mestre está no banho agora! Por favor, use o do seu quarto! — gritou.

Por que Lizzy queria vir até aqui, quando tinha um banho próprio? Tino não conseguia entender. Não, ela entendia. Lizzy gostava muito de Krai e não era do tipo que resistia a seus impulsos. Mas isso não significava que Tino ia ceder.

Ela estava ali por um motivo. JĂĄ havia tirado o yukata que Krai elogiara e voltado ao seu traje habitual. Diante da porta, respirou fundo.

— Lizzy, preciso informá-la que o Mestre me pediu para ficar de guarda!

Os olhos de Lizzy brilhavam com determinação.

— Hmm? Então fique de guarda. Agora saia da minha frente.

— Eu disse a ele que vocĂȘ nĂŁo faria algo tĂŁo sem vergonha!

Para Tino, invadir o banho de alguĂ©m do sexo oposto era inconcebĂ­vel. Mesmo na emergĂȘncia do dragĂŁo, quando nĂŁo teve escolha, ela ficou tĂŁo envergonhada que achou que ia morrer.

Mas nĂŁo era difĂ­cil imaginar Lizzy fazendo algo assim; ela estava sempre grudada em Krai. Ainda assim, Tino havia acreditado em sua mentora. Ela confiou. NĂŁo esperava ser traĂ­da logo no primeiro dia no cargo.

Lizzy suspirou, colocou as mĂŁos na cintura e sorriu. Seu yukata destacava sua silhueta esguia, e a Apex Roots parecia estar em prontidĂŁo. Yukatas nĂŁo eram roupas prĂĄticas para se mover. Afinal, nĂŁo foram feitos para combate. Provavelmente, Lizzy sĂł preferia ficar com as pernas livres, mesmo em uma emergĂȘncia.

— Sem vergonha? Vai me dizer que vocĂȘ nĂŁo consegue lidar com um homem pelado? E se for atacada por um cara como veio ao mundo? Vai ficar com medo de lutar?

— NĂŁo tente mudar de assunto! O Mestre me pediu para protegĂȘ-lo!

Se um homem tentasse atacå-la, Tino lutaria. Ela até poderia emboscå-lo no banho, se necessårio. Mas o homem em questão não era um inimigo.

Lizzy pareceu inconformada. Na verdade, olhava para Tino como se ela tivesse perdido o juĂ­zo.

— Hmm. Bom, tanto faz. Agora, vou perguntar de novo. Vai sair do caminho? Eu vou lavar as costas do Krai Baby.

— Não! Lizzy, por favor, entenda minha posição.

— Krai Baby e eu fazemos parte do mesmo grupo, sabia? Estamos juntos desde pequenos e jĂĄ tomamos banho juntos antes. Relaxa, eu aviso a ele que vocĂȘ cumpriu seu dever.

Tino ficou em silĂȘncio e assumiu sua postura.

— Não se preocupe — continuou Lizzy. — Ele só vai dizer algo tipo “Bom, não há como te impedir, Liz”.

Tino avançou com o pĂ© direito, baixou o corpo e controlou sua respiração. Ela sabia que seus olhos suplicavam por misericĂłrdia, mas mesmo assim, encarou sua mentora. Mesmo limitada pelo yukata, Lizzy era forte demais para que Tino conseguisse detĂȘ-la. Ela era superior em velocidade, resistĂȘncia e praticamente tudo mais.

Lizzy inclinou a cabeça.

— Hmm. Tino, vocĂȘ ficou mais forte? — perguntou, enquanto arregaçava as mangas e estalava os dedos. — Nunca pensei que veria o dia em que vocĂȘ me enfrentaria.

— I-Isso Ă© graças ao seu treinamento.

Para Tino, as ordens de Krai eram sua prioridade nĂșmero um. E tambĂ©m nĂșmero dois. E trĂȘs e quatro.

Ela analisou o ambiente. Como esperado, não havia nada que pudesse usar como arma, e ela não queria bagunçar o quarto de Krai. Teria que lutar apenas com seu próprio corpo.

Tino lembrou-se do tempo em que usou a måscara. Suas emoçÔes estavam intensificadas, mas seu corpo ainda lembrava como se movera naquela época. Se usasse toda a sua força, talvez conseguisse conter Lizzy. Olhando nos olhos de sua mentora, Tino percebeu que ela estava falando sério.

Lizzy franziu as sobrancelhas, mas entĂŁo suspirou e disse algo inesperado.

— VocĂȘ Ă© uma idiota? Se quer obedecer Ă s ordens dele ao pĂ© da letra, ainda pode me deixar lavar as costas dele.

— Hã?

— VocĂȘ pode continuar de guarda dentro do banho, nĂŁo pode? Precisa pensar melhor nessas coisas. Ah, jĂĄ sei. T, vem comigo. Matamos dois coelhos com uma cajadada sĂł. Eu te ajudo a criar resistĂȘncia a ver homens nus e te mostro como se lava as costas de alguĂ©m.

Ir com ela? Aonde? Lavar as costas de alguém? De quem?

Demorou um momento para Tino entender o que Lizzy estava sugerindo, mas assim que entendeu, sua mente ficou em branco. Seu coração disparou e ela ficou inquieta. Apertou os låbios, consciente de que seu rosto provavelmente estava ardendo de vergonha.

As costas do Mestre? NĂŁo. Nem em um milhĂŁo de anos.

Mesmo se ele ordenasse, ela provavelmente nĂŁo conseguiria. Morreria de vergonha.

Hesitou por um mero instante. E isso foi o suficiente para Lizzy encurtar a distĂąncia.

Ela agarrou o pulso de Tino e entrou casualmente pela porta, levando sua aprendiz junto.

— Krai, querido, aposto que está solitário aí dentro! Vou lavar suas costas!

— Não, Lizzy! Mestre, fuja!

O vapor tocou a bochecha de Tino. Com a mĂŁo livre, Lizzy desfez a faixa do seu roupĂŁo. Tudo o que Tino pĂŽde fazer foi fechar os olhos e envolver os braços em torno de Lizzy, tentando contĂȘ-la.

***

— P-Por que vocĂȘ estĂĄ aqui, Siddy?! Este Ă© o quarto do Mestre!

Siddy olhou para Tino com curiosidade. Elas estavam, sem dĂșvida, diante da porta que levava ao banho ao ar livre de Krai.

— Isso que eu queria te perguntar. O que vocĂȘ estĂĄ fazendo, T?

Siddy vestia um yukata azul frio que lhe caĂ­a muito bem e segurava um pano branco na mĂŁo direita. Seus olhos nĂŁo tinham as chamas dos de Lizzy, mas mostravam vislumbres de sua inteligĂȘncia. Ela pensou por um momento antes de levar um dedo aos lĂĄbios.

— VocĂȘ, por acaso, estava tentando espiar? — perguntou com um tom tranquilo.

— N-Não! O Mestre me mandou ficar de guarda aqui!

— Ah, que alívio. Se estivesse fazendo algo errado, eu teria que te punir.

Um calafrio percorreu a espinha de Tino. O tom de Siddy era brincalhão, mas seus olhos estavam completamente sérios. Tino nunca nem tinha cogitado espiar, mas quem sabe o que teria acontecido com ela se tivesse tentado?

Ela foi lembrada mais uma vez de como Siddy podia ser intimidadora, embora de uma forma diferente de Lizzy. Lizzy era violenta, mas nunca desconfiava de Tino. Siddy, por outro lado, era calma, porĂ©m observava atentamente qualquer um — amigo ou inimigo — que tentasse se aproximar de Krai.

— Bom, te desejo boa sorte.

Com um sorriso encantador, Siddy começou a passar por Tino. O movimento foi tão natural que a reação de Tino demorou. Ainda assim, ela conseguiu segurar o braço de Siddy. Se fosse Lizzy, provavelmente não teria conseguido a tempo.

— E-Espera! O que vocĂȘ estĂĄ fazendo? O Mestre estĂĄ no banho agora!

— Claro que está. E eu vou lá lavar as costas de—

— Hã?!

Ela estava fazendo o mesmo que Lizzy e sem um pingo de arrependimento. Apertando sua pegada e girando o corpo, Tino conseguiu puxar Siddy para longe da porta. Ela nĂŁo podia baixar a guarda nem por um segundo. Depois do que aconteceu com Lizzy, parecia perfeitamente natural para ela que Krai lhe tivesse confiado a tarefa de vigiar a entrada.

— NĂŁo, vocĂȘ nĂŁo pode! Siddy, isso Ă© indecente! O Mestre me mandou nĂŁo deixar ninguĂ©m passar por essa porta!

Felizmente, Siddy nĂŁo era do tipo que lutava na linha de frente; Tino era a mais forte das duas. Enquanto nĂŁo se distraĂ­sse novamente, ficaria tudo bem.

Siddy piscou e inclinou a cabeça.

— Indecente? T, acho que vocĂȘ entendeu tudo errado.

— O quĂȘ?

Entendi errado?

Quando Tino começou a relaxar, Siddy riu, suas bochechas corando levemente.

— T, vocĂȘ achou que eu ia ajudar ele
 nua? Menina travessa, travessa.

O rosto de Tino pegou fogo até as orelhas. De fato, era exatamente isso que ela tinha imaginado. Siddy era uma pessoa gentil, mas tinha a mesma falta de respeito pelo espaço pessoal que sua irmã. Ela poderia fazer qualquer coisa se Krai pedisse.

— HĂŁ? VocĂȘ nĂŁo ia?

— Não ia. Não tenho essa sua mente pervertida, T. Olha, eu trouxe um maiî.

Sorrindo, Siddy estendeu o pano branco que segurava. O que Tino havia assumido ser uma toalha era, na verdade, um traje de banho. O tecido solto e fino vagamente a lembrava de um yukata.

— Viu? Posso vestir isso e lavar as costas dele sem mostrar nada.

— A-Ah, entendi…

Siddy riu.

— Não sou como Lizzy, não mostro pele tão fácil assim.

— Me desculpa. Tirei conclusĂ”es erradas…

Tino nunca tinha pensado nessa opção. Só Siddy para ter uma ideia tão esperta. Para ela, fontes termais sempre foram lugares onde se banhava nu, e isso tinha nublado seu julgamento.

Enquanto Tino abaixava a cabeça, Siddy passou por ela. A porta se fechou silenciosamente atrås dela. Tino respirou fundo, tentando organizar os pensamentos.

— Hm?

Imediatamente, ela sentiu que estava esquecendo algo. Piscou algumas vezes. Depois mais uma. Virou-se para a porta e ficou olhando por um momento. Então, começou a socå-la freneticamente.

— Siddy?! NĂŁo importa! NĂŁo importa que vocĂȘ esteja de maiĂŽ! VocĂȘ nĂŁo pode entrar aĂ­, Siddy!

Uma roupa tão fina, e branca ainda por cima, ficaria transparente ao molhar. Aliås, talvez nem precisasse molhar. Certamente, Siddy estava ciente disso. Isso era um crime premeditado. Ela disse que não mostrava pele com facilidade, mas era uma afirmação duvidosa quando jå estava indo lavar as costas de Krai.

— Meeeestre! Fuja!

Tino hesitou, mas rapidamente superou suas dĂșvidas. Tudo isso era culpa dela, e ela precisava estar Ă  altura das expectativas de Krai. Ela tinha que proteger seu mestre da Sitri!

Fechou os olhos, respirou fundo e arrebentou a porta.

***

As ordens de seu mestre eram absolutas, mas Tino sentia sua determinação começar a se romper. Primeiro Lizzy, depois Siddy. Até que ponto aquela porta para o banho ao ar livre era disputada? Além disso, normalmente não era o homem que tentava espiar? Não que Krai fosse esse tipo de pessoa.

Os olhos de Tino se arregalaram.

Uma nova e completamente inesperada pessoa havia aparecido.

Ela estava de yukata, em vez de seu usual manto negro. O contraste entre sua pele de porcelana e seus cabelos negros lustrosos era de tirar o fÎlego. Sua impressão frågil e etérea era bem diferente da de Lizzy e até mesmo de Siddy.

— L-Lucy? VocĂȘ tambĂ©m?! — Tino gritou.

— Do que vocĂȘ estĂĄ falando? — Lucy perguntou.

— Esquece. Mas, hum, este Ă© o quarto do Mestre. E ele estĂĄ no banho agora…

Tino conhecia todos na Grieving Souls, e isso naturalmente incluía Lucy, mas sua aura etérea a tornava um pouco difícil de abordar.

Depois de um momento de confusĂŁo, Lucy se sentou ao lado de Tino, dobrando as pernas sob si. Seus cabelos negros fluĂ­am sobre o manto branco.

Ela pigarreou e disse:

— Eu sei. É por isso que vim atĂ© aqui. Ficar de guarda nessas situaçÔes geralmente Ă© meu trabalho. EntĂŁo, por que vocĂȘ estĂĄ aqui, T?

— O Mestre pediu para eu ficar de vigia.

— Lá vai ele de novo, te fazendo trabalhar como um cão.

— N-NĂŁo Ă© nada disso! Eu estou fazendo isso porque quero!

Lucy franziu a testa, mas não disse nada. Apenas estalou os dedos. Duas almofadas voaram de algum lugar e pousaram ao lado de Tino e Lucy. Em seguida, veio um bule de chå, que encheu automaticamente as duas xícaras que chegaram flutuando com ele. Da primeira vez que viu isso, Tino ficou surpresa com a magia de Lucy, mas agora jå estava acostumada com seus feitiços irregulares.

— M-Muito obrigada.

— NĂŁo foi nada. Agora que estou aqui, vocĂȘ pode ir se divertir — disse Lucy, abrindo um livro em seu colo, se preparando para uma longa vigia. Mas Tino era uma Ladina leal; ela nĂŁo podia simplesmente deixar Lucy sozinha.

— NĂŁo, isso Ă© algo que o Mestre me ordenou fazer — disse Tino, cerrando o punho.

— É mesmo? Bem, então podemos ficar de guarda juntas.

— Parece perfeito!

A resposta animada de Tino pegou Lucy desprevenida por um momento, mas logo um riso escapou de seus lĂĄbios.

***

Tino sentiu algo reconfortante no calor suave contra suas costas e no pente deslizando por seus cabelos. Ela havia desfeito as fitas e estava deixando Lucy escovĂĄ-los. A maneira delicada como ela manuseava o pente a deixava Ă  vontade.

— Mesmo com material de mana, caçadores ainda precisam cuidar do cabelo — disse Lucy com a voz suave.

— Eu sei. Quero deixar meu cabelo crescer como o seu, mas tem sido difícil — respondeu Tino.

O cabelo longo e brilhante de Lucy era algo que qualquer garota invejaria. Mas cabelos compridos podiam ser um empecilho para a maioria dos caçadores.

— Para Magos, o cabelo serve como um catalisador conveniente de mana. Mas para uma Ladina, a menos que vocĂȘ tenha confiança nos seus movimentos, como a Liz tem, talvez seja melhor desistir do cabelo longo.

— Entendi.

— E, embora vocĂȘ possa recuperar seus membros, nem mesmo Ansem pode ajudar se sua cabeça for cortada.

— Mmm. E atrapalha no combate corpo a corpo. Mas quando eu ficar mais forte, com certeza vou deixar crescer como o seu.

— E dĂĄ um trabalho enorme para cuidar… — disse Lucy em uma voz baixa. Ela pegou uma mecha de seu prĂłprio cabelo e a passou na bochecha de Tino. Ambas tinham cabelos negros, mas o de Lucy parecia ter um peso diferente. — Cabelos combinando. Isso pode ser divertido.

— VocĂȘ acha mesmo?! — disse Tino, os olhos brilhando.

Lucy riu e amarrou as fitas de Tino. Que alma gentil. Tino sabia que, uma vez que as fitas estivessem no lugar, ela deveria parar de se encostar em Lucy, mas simplesmente nĂŁo conseguia se afastar.

— Um está vindo — murmurou Lucy. — Eles nunca aprendem.

Seus olhos estavam afiados, quase irreconhecĂ­veis comparados aos olhos gentis que olhavam para Tino antes. Antes que Tino pudesse dizer qualquer coisa, a porta se abriu de repente, e uma das irmĂŁs Smart — a energĂ©tica — entrou.

Lizzy não esperava encontrar alguém além de Tino. Antes que Tino pudesse se recuperar da confusão, Lizzy avançou e, como mågica, começou a correr pelo teto, seu manto esvoaçando loucamente.

— Krai, meu amor! Eu vou lavar suas costas!

— Lizzy?! O Mestre está ocupado agora—

Lizzy ignorou Tino completamente.

Antes que Tino pudesse sequer se levantar, Lizzy foi puxada do teto e caiu no chão. Seu yukata começou a mudar de cor. Estava ficando cinza.

— Vire pedra — disse Lucy com uma voz fria.

— Mas que diabos vocĂȘ estĂĄ fazendo?! — gritou Lizzy.

Tino nunca tinha visto aquele feitiço antes. Aquilo a aterrorizava.

Agora completamente transformada em pedra, Lizzy estava caĂ­da no chĂŁo, encarando Lucy com raiva.

— Isso Ă© o que eu gostaria de perguntar a vocĂȘ — disse Lucy. — Eu simplesmente nĂŁo entendo como vocĂȘ consegue ser tĂŁo teimosa.

— Isso nĂŁo Ă© da sua conta! Agora saia da minha frente!

— Solidificar.

Lizzy tentou quebrar a vestimenta petrificada. Mas, para o choque de Tino, aqueles punhos que conseguiam quebrar até alguns metais não tinham efeito nenhum contra a pedra.

— Ah! TĂĄ bom, eu entendi! Lucy, vocĂȘ pode vir junto! VocĂȘ tambĂ©m, Tino! — gritou Lizzy.

As sobrancelhas de Lucy se contraĂ­ram.

— Desapareça.

***

— O que posso fazer por vocĂȘ, Luke? — perguntou Lucy.

A tensĂŁo era palpĂĄvel.

— Ah, Ă© o seguinte, Lucia. É sobre essa fonte termal. NĂŁo tem cachoeira — respondeu o Espadachim ruivo, completamente sĂ©rio.

O que fazer em uma situação tão estranha?

— NĂŁo posso treinar assim, entĂŁo pensei em perguntar ao Krai sobre mĂ©todos alternativos de treinamento. Ele estĂĄ aĂ­? — perguntou Luke. Nem seus olhos carmesim, nem seu tom de voz indicavam que estava brincando.

Em alguns aspectos, Luke era o visitante mais difĂ­cil de lidar para Tino. Ela havia sido encarregada de garantir que ninguĂ©m entrasse no banho ao ar livre. No entanto, Luke e Krai eram do mesmo sexo. Alguns poderiam argumentar que, por isso, nĂŁo teria problema ele entrar. Afinal, o banho principal era dividido por gĂȘnero, e Luke provavelmente nĂŁo ficaria muito tempo depois de falar com Krai.

Sem saber o que fazer, ela olhou para Lucy, que parecia muito mais decidida.

— Muito bem — disse ela com um pequeno suspiro. — Vou fazer uma cachoeira para vocĂȘ, entĂŁo nos deixe em paz.

— Faça quente.

— Sim, como quiser.

***

Uma avalanche de dragÔes azul-celeste irrompeu pela porta.

— Raaawr!

— O quĂȘ?!

A manada de dragÔes empolgados avançava direto para Tino.

— Lucy, por que tem uma manada de dragĂ”es aqui?! Por quĂȘ?! — ela gritou, completamente perdida sobre o que fazer.

Lucy permaneceu impassĂ­vel e simplesmente recitou um encantamento.

— Desapareçam, todos vocĂȘs.

***

Com passos retumbantes, um gigante cinzento entrou pela entrada destruída. Era o Matadinho, e a outra irmã Smart estava em suas costas. Através dos buracos de um saco de papel, dois olhos espiavam Lucy lå de cima.

— Hehe, imagino que vocĂȘ deve estar cansada depois de lançar tantos feitiços, Lucy.

— Siddy?! Aqueles dragĂ”es foram obra sua?! — gritou Tino.

Siddy abriu um sorriso presunçoso. Tino jå havia encontrado muitos vilÔes ao longo da vida, mas ainda assim um arrepio percorreu sua espinha.

Matadinho olhava ao redor com os olhos injetados de sangue. Era uma criatura mågica poderosa, mais do que Tino poderia lidar sozinha. Agora que a situação tinha chegado a esse ponto, tudo que ela podia fazer era confiar em Lucy.

— Fora daqui — disse Lucy.

— Hehe, seus feitiços nĂŁo terĂŁo efeito. Tomei uma sĂ©rie de precauçÔes contra vocĂȘ. NĂŁo pense que pode se livrar de mim tĂŁo facilmente.

Siddy ergueu um frasco vazio. Tino nĂŁo sabia exatamente o que havia dentro, mas parecia seguro assumir que era algo para aumentar a resistĂȘncia Ă  magia. Ainda assim, o comportamento de Siddy parecia estranhamente infantil em comparação com sua postura habitual.

Lucy franziu a testa enquanto Matadinho começava a se aproximar lentamente.

— Não se preocupe, não vou matá-lo, só lavar as costas dele. Ah, Lucy, fique à vontade para me chamar de Senhora Sitri.

Lucy se levantou e encarou Siddy. Mana emanava de seu corpo. Sua expressĂŁo fez Tino dar alguns passos para trĂĄs.

— Muito bem. Se vocĂȘ realmente quer fazer isso, entĂŁo… Vou acabar com vocĂȘ, como sempre faço, Senhora Sitri.

***

— Ryuu-ryuu.

O visitante de hoje tinha uma voz doce e uma aparĂȘncia bem charmosa. TambĂ©m era um Troglodita.

— Mestre, importa se eles são humanos ou não? — Tino se perguntou em voz alta.

— Ryu-u?

Um padrão em formato de tiara adornava o topo da cabeça dela. Em outras palavras, se Siddy estivesse certa, essa Troglodita era a princesa. Ela piscou algumas vezes, um gesto surpreendentemente humano. Pelo visto, essas criaturas possuíam intelecto comparåvel ao dos humanos.

— O mestre nĂŁo Ă© um Troglodita! XĂŽ! XĂŽ!

— Ryuu-u-ryu-u!

Parecia que palavras não seriam suficientes, então Tino fez um gesto de espantar. A princesa assentiu e começou a caminhar em direção à porta—só para Tino pular em cima dela.

— VocĂȘ nĂŁo pode entrar! Me disseram para nĂŁo deixar ninguĂ©m passar!

— Ryuu!!!

Com os braços envoltos na princesa, Tino se surpreendeu ao perceber que a pele cinzenta dela era, na verdade, macia como a de um humano. A Troglodita mexia os cabelos na tentativa de empurrar Tino, mas ela não soltava.

Jå não importava mais para Tino se era humana ou não. Aquilo era um teste para superar, e ela não deixaria ninguém passar.

— Ryu-u-ryu-u!

A porta se abriu e mais cinco Trogloditas entraram correndo. Eles deviam ter sentido que sua princesa estava em perigo. NĂŁo era tĂŁo grande quanto o enxame que Krai comandava, mas era mais do que Tino poderia enfrentar sozinha.

— Não! Nãooo! Mestre, corra!

Os Trogloditas derrubaram Tino e a princesa contra a porta. Sem um grande estrondo, ela lentamente caiu no chĂŁo.

***

NĂŁo estava funcionando. Tino sozinha nĂŁo era suficiente para garantir que seu mestre pudesse tomar um banho em paz. Determinada, ela pegou sua Ășltima opção— a RelĂ­quia que havia recebido de seu mestre.

Evolve Greed despertaria seus poderes latentes. Super Tino, como seu mestre a chamava nesse estado, deveria ser capaz de repelir qualquer intruso. Ela nunca imaginou que precisaria usĂĄ-lo fora de uma batalha.

NĂŁo, isso era uma batalha. Isso era guerra.

— Finalmente chegou minha hora? Como esperei por isso — disse a máscara.

Tino sempre carregava a måscara consigo, mas nunca com a intenção de uså-la. Não havia mérito em um poder obtido sem esforço. Mas agora não era hora de ser exigente.

— NĂŁo hĂĄ como negar a força que desperto em vocĂȘ. Sem dĂșvida, vocĂȘ poderĂĄ proteger seu amado.

— Amado?!

— NĂŁo se esqueça, sou apenas uma ferramenta. Seu verdadeiro adversĂĄrio reside dentro de vocĂȘ.

Do que essa mĂĄscara estava falando? NĂŁo importava, Tino jĂĄ tinha tomado sua decisĂŁo. Ela protegeria seu mestre, mesmo que precisasse usar essa mĂĄscara. Caso contrĂĄrio, nem teria tirado ela dali.

Mais uma vez, Tino se entregou Ă  mĂĄscara e se tornou Super Tino.

O poder fluía por seu corpo. SensaçÔes de embriaguez e euforia a dominavam. Seu sangue queimava, sua respiração era fogo. Suas roupas pareciam mais apertadas. A måscara não apenas despertava seus poderes latentes. Ela crescia, seu peito aumentava, seu corpo se tornava mais curvilíneo.

Era uma sensação de onipotĂȘncia. Era força. Lizzy, Siddy, nem mesmo a princesa poderiam enfrentĂĄ-la. Tino apertou o prĂłprio peito. JĂĄ era um pouco maior que Lizzy, mas agora a diferença era inegĂĄvel. Um arrepio de prazer percorreu sua nuca.

Ela olhou para a porta que vinha protegendo até então. Ela podia vencer. Nesse estado, poderia seduzir Krai. Lizzy tinha pouco peito. Siddy era maliciosa. Mas ela tinha sido leal, tinha um corpo bonito e ainda era jovem. Ela não podia perder.

Não, não, não. Eu não posso pensar assim. É uma ilusão da máscara.

Tino não seria enganada. Ela era forte. Mesmo que parecesse uma boa ideia agora, sabia que se arrependeria depois. O caminho mais seguro para a vitória era construir confiança aos poucos. Ela respirou fundo e se elogiou por não se deixar levar por impulsos temporårios.

Então, percebeu que suas mãos estavam se movendo sozinhas, tirando suas roupas. Ela soltou as alças dos ombros e lentamente puxou sua blusa tipo camisola para cima. Seu corpo queimava com sensaçÔes de liberdade e culpa.

Por mais que tentasse, suas mĂŁos nĂŁo paravam.

Ela parou de mentir para si mesma. Sabia que estava fazendo isso por vontade prĂłpria.

— EstĂĄ tudo bem, sussurrou outra Tino—Tino Maligna. Ela tinha observado Krai o tempo todo. Ele era gentil o bastante para atĂ© continuar amigo de Lizzy. Ele a perdoaria, sĂł dessa vez. EntĂŁo, algo lhe ocorreu. Ela poderia lavar as costas dele. Tinha que agradecer por tudo o que ele havia feito por ela. SĂł essa vez e nunca mais. Ela iria criar memĂłrias, e essa era a Ășnica chance que teria.

Ela ardia em agonia. Sua voz era desesperada, assim como tinha sido em todos os outros incidentes até agora.

— Mestre, corra. E-eu estou entrando — disse em voz baixa e entrou silenciosamente pela porta.

***

Diante da porta do banho ao ar livre, Tino estava de braços abertos, bloqueando qualquer intruso. Mas os intrusos não lhe deram a menor atenção e simplesmente passaram por cima dela. Tino gritou de frustração.

— Croac. Croac.

***

Então, Tino acordou. Que sonho terrível aquele tinha sido. Ela havia sonhado em proteger a segurança de seu mestre, mas era fraca demais para cumprir seu dever. Perdeu para Lizzy, para Siddy, até para si mesma. Mas então o sonho chegou ao fim.

Agora que estava acordada, desta vez, protegeria seu mestre. Com uma determinação renovada, se levantou. Estava no quarto de Krai, o mesmo que tinha visto tantas vezes em seu sonho.

Diante dela, Lizzy e Siddy estavam brigando. Almofadas voavam, pernas chutavam. PoçÔes eram usadas. Matadinho estava presente. Era um caos.

Tino finalmente se lembrou. Ela havia desmaiado. E ela não tinha sido encarregada de proteger Krai. Pensando bem, não fazia o menor sentido ele confiar a ela essa responsabilidade. Ele não era do tipo que perderia a cabeça só porque Lizzy ou Siddy invadiram seu banho. Naturalmente, Tino também não o abalaria.

Com um novo senso de clareza, bateu na porta e entrou, certificando-se de que as irmãs em guerra não percebessem sua presença.

— Mestre, aquelas duas estĂŁo fora de controle. Por favor, faça alguma coisa sobre…

— Rawr?

Na forma de um dragão azul-celeste, seu mestre inclinou a cabeça e olhou para ela com olhos arregalados.


Tradução: Carpeado Para estas e outras obras, visite Canal no Discord do Carpeado â€“ Clicando Aqui


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