Grieving Soul – CapĂtulo 1 – Volume 1
Nageki no Bourei wa Intai shitai
Let This Grieving Soul Retire Volume 01
CapĂtulo 1:
[Lidando com o Trabalho Escravo]
â Eu nĂŁo posso mais fazer isso. NĂŁo sou bom o suficiente.
LĂĄ estava eu, implorando aos meus companheiros Grieving Souls, meus amigos de infĂąncia.
Um ano se passou desde que começamos a caçar, tempo insignificante no grande esquema das coisas, mas esse ano tinha sido cheio de provaçÔes e tribulaçÔes para mim.
Os cofres do tesouro, transbordando de material de mana, estavam cheios atĂ© a borda de fantasmas nascidos do material. Perigos como esses espreitavam em cada esquina, junto com monstros cruĂ©is Ă procura de poder e inĂșmeras armadilhas prontas para ceifar sua vida. Nem mesmo os companheiros caçadores de tesouros de lĂĄ eram confiĂĄveis. Eu jĂĄ tinha ouvido tudo antes, tendo lido montes de contos sobre os grandes caçadores do passado, entĂŁo pensei que sabia tudo o que havia para saber.
Essa minha resolução meia-boca foi quebrada com facilidade assim que me tornei um caçador. Perdi a conta de quantas vezes quase vomitei. Essa vida de aventuras de vida ou morte dia após dia me desgastou até os ossos.
â Eu nĂŁo posso mais acompanhar vocĂȘs. NĂŁo tem como vocĂȘ nĂŁo saber disso agora, mas sou eu quem estĂĄ nos impedindo de fazer esse trabalho.
Cada membro de um grupo de caça ao tesouro tinha um papel importante a desempenhar.
Tipos ofensivos, por exemplo, Espadachins e Magos, eram encarregados de despachar monstros que chegavam; aqueles em papéis de apoio, como Ladinos e Alquimistas, desarmavam armadilhas e procuravam inimigos; e curandeiros, na maioria das vezes Paladinos e Clérigos, tratavam ferimentos e defendiam o grupo de danos. Como alguém sem nenhum desses conjuntos de habilidades, eu não era nada além de um fardo.
Eu tinha tentado. Na busca por algo que realmente pudesse fazer, tinha batido nas portas de muitos mentores. Mas, no final das contas, quando alguĂ©m sem talento faz o mesmo esforço que alguĂ©m com ele, este Ășltimo sempre assumirĂĄ a liderança. E todos os meus amigos, Luke e o resto deles, certamente trabalharam duro.
Eles se esforçaram. Enquanto houvesse apenas vinte e quatro horas no dia, eu nunca os alcançaria.
Um grupo convencional consistia em cinco ou seis membros. Se eles simplesmente me substituĂssem, pegando outro caçador ou dois que correspondessem Ă s suas habilidades no meu lugar, eles fariam um progresso muito melhor.
Luke Sykol assentiu mal-humorado.
â JĂĄ entendi, Krai. Somos fracos.
â PerdĂŁo?
â Desculpe, Krai, â Liz Smart acrescentou de seu assento ao meu lado. â VocĂȘ nĂŁo teria que se preocupar conosco se fĂŽssemos mais fortes.
â NĂŁo Ă© disto que estou falando.
Eles eram fortes. Muito fortes, atĂ©. O suficiente para continuar batendo cofre apĂłs cofre de nĂveis cada vez mais altos enquanto arrastava esse peso morto chamado Krai Andrey. Assumir cofres com apenas cinco deles teria sido muito mais fĂĄcil para eles.
Luke olhou para longe, minha sĂșplica desesperada caindo em ouvidos surdos.
â O que a gente tĂĄ fazendo? Heh. Se desacelerarmos agora, nos tornarmos os melhores serĂĄ apenas um sonho. Obrigado pelo alerta, Krai. Vou treinar sob este âSanto da Espadaâ ou quem quer que seja e aprimorar minhas habilidades do zero.
Como se estivesse apenas dando um passeio à tarde, Luke saiu para buscar orientação do Santo da Espada, renomado em toda a capital. Os outros também apresentaram ideias sobre como melhorar suas próprias habilidades.
Foi então que percebi, esses caras não tinham esperança. Cada um deles achava que ficar mais forte era a chave para resolver qualquer problema. De alguma forma, eles simplesmente não conseguiam entender o fato de que, por mais que treinassem, eu ainda seria presa fåcil.
E assim, me esforcei para encontrar uma saĂda para essas aventuras e criei o truque perfeito: estabeleceria um clĂŁ. Se eu continuasse seguindo esse grupo em direção ao perigo, encontraria meu fim em pouco tempo, ou pelo menos teria um grande pedaço tirado de mim. Em vez disso, eu começaria um clĂŁ, atraindo outros grupos promissores para procurar um novo Griever ou dois, qualquer um que pudesse acompanhar essas aberraçÔes. Foi assim que acabei fundando os Primeiros Passos, esquivando-me de uma ou duas balas de caça ao tesouro com o pretexto de administrar o clĂŁ.
Fazia trĂȘs anos desde entĂŁo.
Vamos falar do material de mana.
Eu nĂŁo era especialista no assunto, mas estava ciente de que a substĂąncia percorria todas as fibras do nosso mundo. Imagine uma nuvem invisĂvel de nĂ©voa que permeava tudo. Ocasionalmente, concentraçÔes densas podem se formar devido Ă influĂȘncia de linhas ley e outros fatores. Quando isso acontece, manifesta dimensĂ”es alternativas confinadas com base em informaçÔes extraĂdas da histĂłria do mundo. Aqueles eram cofres de tesouros: a razĂŁo pela qual a caça ao tesouro era uma carreira desde os tempos antigos.
Os cofres do tesouro eram de todos os formatos e tamanhos, manifestados de qualquer história imaginåvel, desde civilizaçÔes perdidas até fenÎmenos naturais raros. As formas das próprias, embora seguindo certos padrÔes, se materializaram em uma variedade quase infinita, tomando a forma de torres, castelos, florestas, desertos, masmorras subterrùneas ou até mesmo formas mais peculiares, como navios, cachoeiras ou céus.
A razĂŁo pela qual os caçadores de tesouros mergulham nesses cofres era pelos tesouros dentro deles: itens Ășnicos chamados RelĂquias que se materializaram junto com eles. Eles poderiam assumir a forma de qualquer coisa, pode ser um cantil que nunca seca, um anel que protege seu portador de um Ășnico golpe fatal ou um casaco que permitia que seu portador voasse, citando alguns exemplos. Muitos desses itens nĂŁo poderiam ser recriados com a tecnologia moderna, talvez uma expressĂŁo da imaginação da humanidade ou um produto hĂĄ muito perdido da memĂłria das civilizaçÔes humanas. Dependendo do poder, apenas um desses tesouros genuĂnos poderia obter um preço tĂŁo alto que permitiria que um caçador vivesse o resto de suas vidas no luxo.
Claro, havia riscos envolvidos. Havia monstros, seres poderosos que viviam em concentraçÔes de material de mana, bem como fantasmas, apariçÔes que surgiram da mesma maneira que os prĂłprios cofres. Depois, havia as inĂșmeras armadilhas e os desafios do prĂłprio terreno. Mesmo brigas entre caçadores agitados poderiam levar Ă morte instantĂąnea.
Apesar de enfrentar esses perigos com risco de vida, os caçadores continuavam a ansiar pelas promessas de cofres de tesouros. Fama, fortuna e o poder de um caçador obtidos absorvendo o material de mana de alta densidade eram muito tentadores para eles desistirem.
E nĂŁo havia melhor local para um caçador se estabelecer do que a capital imperial de Zebrudia. A cidade era anfitriĂŁ de transportes pĂșblicos convenientes e comodidades avançadas, bem como segurança incomparĂĄvel fornecida pela força do impĂ©rio. Para completar, inĂșmeras linhas ley subterrĂąneas, os caminhos do material de mana, geraram cofres de tesouros de dificuldade variĂĄvel nas proximidades, tornando Zebrudia uma terra sagrada para caçadores de tesouros.
A vasta gama de relĂquias e partes de monstros trazidas de volta por caçadores atraiu mercadores de todo o mundo, seus comĂ©rcios atraindo ainda mais caçadores para a cidade. Quanto mais caçadores famosos se reuniam aqui, mais segura a cidade ficava. Esse ciclo de prosperidade permitiu ao ImpĂ©rio Zebrudiano uma força incomparĂĄvel entre as naçÔes mais poderosas do mundo.
Assim que nĂłs, um grupo de crianças de uma cidade natal remota, prometemos nos tornar caçadores de tesouros, pegamos carruagem apĂłs carruagem para fazer a difĂcil jornada atĂ© a capital distante. TĂnhamos certeza de que seu ambiente nos testaria e nos forneceria um atalho para a glĂłria. Na verdade, meus amigos ficaram um pouco refinados demais com a experiĂȘncia, mas mesmo assim, ainda mantive nossa decisĂŁo. O ImpĂ©rio Zebrudiano prosperou por causa dos caçadores de tesouros, resultando em suas leis favorecendo-os tanto em amenidades quanto em impostos.
A sede do clĂŁ Primeiros Passos estava em uma localização privilegiada, com vista para uma das principais ruas da capital. A sede do clĂŁ era tambĂ©m conhecida como “casas do clĂŁ”, mas a casa de clĂŁ dos Passos era uma estrutura monstruosa de cinco andares, financiada pelos exorbitantes honorĂĄrios dos membros.
Naquele exato momento, eu estava cochilando dentro do escritĂłrio do mestre do clĂŁ no Ășltimo andar da referida estrutura, aproveitando a luz do sol que entrava pelas janelas largas, quando Eva, a vice-mestra do clĂŁ, entrou pela porta.
Administrar um clã estava longe de ser fåcil. Exigia um conjunto de habilidades totalmente diferente daquele exigido para a caça ao tesouro. Muitos clãs eram administrados apenas pelo mestre do clã, mas os Passos contrataram funcionårios para aliviar a carga. A vice-mestra do clã, Eva Renfied, era uma dessas funcionårias, junto com nove outras funcionårias não caçadoras sob seu comando.
Eva entrou com seus membros esbeltos e monstruosos, seus olhos de ametista brilhando atrĂĄs dos Ăłculos vermelhos, seu cabelo castanho bem escondido. SĂł de ver, vocĂȘ poderia dizer que ela poderia fazer o trabalho. Na verdade, o clĂŁ teria desmoronado sem ela. Ela era um dos muitos pilares importantes que recrutei para os Passos, cuja atribuição ao seu posto se devia em grande parte ao fato de que eu nĂŁo morreria se ela desse um golpe em mim.
Eva me viu recuperar a consciĂȘncia e soltar um suspiro profundo. â Estamos na primeira pĂĄgina, Krai.
â Ah… SĂ©rio?
Visivelmente descontente, Eva pegou o jornal debaixo do braço e o colocou sobre a mesa. Era a Ășltima edição do DiĂĄrio de Zebrudia, o jornal mais vendido do impĂ©rio. A primeira pĂĄgina apresentava uma foto do bar que alugamos para nossa campanha de recrutamento no dia anterior, exceto que sua placa havia caĂdo no chĂŁo, um buraco havia sido aberto em uma parede e vĂĄrias seçÔes estavam em chamas.
AtravĂ©s da abertura recĂ©m-martelada na parede, vocĂȘ podia ver uma confusĂŁo de caçadores brigando.
â Recrutamento do Ark Brave acaba em briga â ou assim dizia a manchete. Sem dĂșvida eles entenderam o lado errado da questĂŁo, mas eu estava muito ocupado tentando nĂŁo vomitar para apontar isso.
Eu fingi um grande bocejo enquanto folheava o artigo para a Ășnica coisa que eu tinha que ter certeza.
â Alguma vĂtima civil? â perguntei.
â Felizmente, nĂŁo.
EntĂŁo estamos livres. Nenhum dano, nada de errado.
Um caçador de primeira linha poderia matar um cidadão com o movimento de um dedo. Ainda bem que avisei o dono para sair de antemão. Apenas os caçadores foram pegos na confusão.
O lema do nosso clĂŁ era “NĂŁo prejudicar os civis”. EdifĂcios destruĂdos poderiam ser reconstruĂdos, mas nem mesmo os melhores ClĂ©rigos do impĂ©rio poderiam ressuscitar os mortos.
Continuei examinando o artigo, observando com alĂvio que nĂŁo havia menção a Grieving Souls. TĂnhamos um certo relacionamento com o DiĂĄrio de Zebrudia graças a todas as acrobacias loucas que meus companheiros Grievers haviam feito no passado. Felizmente, eles muitas vezes nos deixam escapar.
Mas essas aberraçÔes, membros do clĂŁ ou aspirantes, com certeza nĂŁo sabiam como dar socos. Mesmo eu nĂŁo esperava que eles mergulhassem de cabeça em uma briga tĂŁo bombĂĄstica por causa de uma relĂquia de baixo escalĂŁo. Porque eles tiveram que ir ao ponto de destruir o prĂ©dio?
Eva, sem saber dos detalhes, olhou para mim atravĂ©s dos Ăłculos. â Disseram-me que vocĂȘ tacou lenha na fogueira.
â Bem, nĂŁo era minha intenção. JĂĄ estava um inferno lĂĄ, sĂł para constar.
AtĂ© onde eu sabia, o evento de recrutamento deu lugar ao caos, mas isso Ă© loucura para vocĂȘ. Eu nĂŁo sabia o resultado do evento porque saĂ de lĂĄ assim que as mesas começaram a voar.
Droga, Gilbert foi eliminado logo de cara pela Tino. Como esperado de alguĂ©m com mĂșsculos no lugar do cĂ©rebro.
Todos os caçadores eram extremamente volåteis. Um pouco de calor foi o suficiente para eles explodirem.
Cara, eu realmente preciso dar um fora e parar de me envolver com tudo issoâŠâ Como Ark estĂĄ lidando com isso? â questionei.
â Acabei de vĂȘ-lo na sala, rindo da primeira pĂĄgina. NĂŁo acho que ele esteja com o coração partido.
Nunca antes encontrei uma pessoa mais tolerante que ele. O cara sequer se importava com este tipo de exposição negativa. Na minha opiniĂŁo, um herĂłi de verdade precisava de qualidade que Ăam alĂ©m de simples força bruta, e Ark possuĂa tudo isso. NĂŁo foi apenas uma ou duas vezes que este cara tinha salvado a minha pele e, graças a ele, conseguirĂamos atravessar mais um momento difĂcil.
Joguei jornal de lado e coloquei meus pĂ©s para cima da mesa, deixando a corrente de prata que deixei em cima tilintar. Tudo pronto, comecei a polir meus anĂ©is enquanto Eva segurava suas tĂȘmporas em frustração.
â E quanto Ă compensação pelo bar?
â Conta com o Ark pra isso. NĂŁo se esqueça de contabilizar qualquer receita perdida. Esse era o acordo quando alugamos o lugar.
â A Associação tambĂ©m tem uma ou duas coisas a dizer. Lide pessoalmente com isso, no entanto.
A essa altura, eu estava acostumado com as repreensĂ”es da Associação. Eu costumava vomitar a cada palavra que eles mandavam, mas com membros como esses as reclamaçÔes duravam o ano todo. Para o bem da minha saĂșde digestiva, eu nĂŁo podia me dar ao luxo de vomitar toda vez que tĂnhamos uma.
Mantendo a bravata fria, continuei com meus anéis enquanto Eva mantinha o olhar em mim.
â Eles querem que vocĂȘ vĂĄ atĂ© lĂĄ e se explique e, entre aspas, âlevante essa bunda preguiçosaâ â acrescentou ela.
â Oh, que alegria, â eu disse, sentindo facas no meu estĂŽmago. Ser chamado me faz realmente querer vomitar.
A capital era uma cidade de caçadores de tesouros. Portanto, a maior organização que gerenciava caçadores, a Associação de Exploradores, detinha grande poder aqui. Como a maioria dos clãs, os Primeiros Passos eram membros da Associação, então não havia como escapar de uma convocação.
Eva suspirou com minha honestidade insensĂvel. â VocĂȘ jĂĄ deveria estar acostumado com isso. Quantas vezes jĂĄ foram?
â Isso Ă© uma coisa que eu nunca vou me acostumar. O gerente da filial, Gark, me assusta muito. Ele matou pessoas, sem dĂșvida. Eu simplesmente sei disso.
â Isso de novo nĂŁo…
A Associação tinha filiais em todas as grandes cidades, mas Gark, chefe da filial da capital, era um ex-caçador. O ex-louco havia mudado de carreira depois de se aposentar da caça, mas sua força não diminuiu nem um pouco em seus anos longe do campo.
Gark parecia aterrorizante, e ele não tinha problema em se colocar entre matilhas de caçadores que lutavam com os punhos. Para piorar as coisas, o homem nos apoiou desde que nos mudamos para a capital. Minhas mãos estavam atadas.
â Cara, isso Ă© uma merda. Se eu ignorĂĄ-lo, ele vai vir atĂ© aqui.
A Ășnica vez que ignorei acidentalmente a convocação de Gark se tornou uma enorme dor de cabeça. Desde entĂŁo, Gark permaneceu no topo da minha lista de ânĂŁo brinqueâ. AlĂ©m disso, sua assistente de gerente de filial era um anjo de verdade que mantinha a ira do cara sob controle, entĂŁo encontrĂĄ-lo lĂĄ tornaria minha vida muito mais fĂĄcil.
Eu adoraria enviar alguém em meu lugar, mas Eva, que lidava com praticamente todos os aspectos do clã, não era caçadora. Eu não poderia mandå-la para lå conscientemente.
â Talvez eu mande Ark ir.
â VocĂȘ nĂŁo acha que confia muito nele?
Não é como se eu pudesse mandar mais alguém. A força de forma alguma é igual à virtude com esses cabeças quentes. Sentei-me por um tempo, desesperadamente torcendo meu cérebro por qualquer outra solução, mas sem sucesso.
â Tudo bem. Eu vou se for preciso, mas sĂł porque nĂŁo hĂĄ outra escolha. Eu nĂŁo quero ir lĂĄ fora, especialmente nĂŁo sem um guarda. Para piorar, jĂĄ tem um tempo que a minha RelĂquia para disfarces se quebrou
Se os outros Grievers estivessem aqui, um deles teria ido junto para minha proteção, mas eles estavam atualmente assumindo outro cofre de tesouro de alto nĂvel, entĂŁo nĂŁo havia como dizer quando eles voltariam.
â Vai dar tudo certo. Esta Ă© a capital, sabe?
â Falou a pessoa que nunca foi atacada no meio da rua. Claro, isso porque a gente jĂĄ tinha esmagado qualquer maluco capaz de fazer algo assim.
Coloquei meu favorito entre meus anĂ©is recĂ©m-lustrados no dedo indicador e coloquei o resto em uma bolsa. A partir daĂ, juntei minha corrente, prendendo-a ao cinto e me levantei. Melhor acabar com isso.
Talvez fosse hora de tirar o pĂł da minha rotina de rastejar.
A filial de Zebrudia da Associação de Exploradores ficava aninhada entre uma grande loja e um bar, a cerca de quinze minutos a pĂ© da sede do nosso clĂŁ. A filial era muito pequena em comparação com os edifĂcios vizinhos, mas nĂŁo era menos animado do que qualquer um deles. Uma bandeira modesta representando um baĂș de tesouro (o sĂmbolo da Associação) contra um fundo vermelho tremulava acima.
Olhei para a esquerda e para a direita antes de entrar no prédio. Eu tive que vomitar, e entrar naquela sauna do show de horrores não me fez favor nenhum.
Havia uma diferença distinta entre caçadores de tesouros e pessoas comuns. NĂŁo tinha nada a ver com idade, sexo ou equipamento, mas de alguma forma, vocĂȘ poderia simplesmente dizer olhando para eles. Se eu tivesse que explicar, diria que sĂŁo uma espĂ©cie totalmente diferente.
Embora a capital fosse amplamente considerada como a terra sagrada da caça ao tesouro, a população de caçadores da cidade nĂŁo era tĂŁo grande. Encontrar um caçador na rua era uma ocorrĂȘncia muito rara. Considerando isso, uma colmeia como essa, que estava se unindo a aberraçÔes, era, no meu livro, um dos pontos mais perigosos da cidade.
O saguĂŁo aberto estava cheio do clamor de gritos, risos e bĂȘbados cantando. Era como uma zona de guerra. Seu cheiro caracterĂstico permeava minhas narinas: sangue, bebida e suor, o que alguns podem chamar de fedor de aventura.
Um homem enorme, duas cabeças mais alto que eu me lançou um olhar feio ao passar por mim, sem dizer uma palavra. Era difĂcil acreditar que Ă©ramos da mesma espĂ©cie.
A Associação de Exploradores existia para apoiar os caçadores. Eles estavam por aĂ hĂĄ tanto tempo quanto a prĂłpria ocupação de caça ao tesouro, lidando com tudo o que um caçador poderia exigir: a compra e venda de relĂquias e partes de monstros, o fornecimento de itens e informaçÔes necessĂĄrias, e atĂ© mesmo a indicação de potenciais membros do grupo. Eles tambĂ©m eram os Ășnicos que classificavam caçadores, grupos e clĂŁs, atribuindo-lhes nĂveis.
Os nĂŁo caçadores nĂŁo eram impedidos de entrar nos cofres do tesouro, por si sĂł; era apenas uma coisa realmente estĂșpida de se fazer. O começo muito menos mortal para se tornar um caçador era se juntar Ă Associação.
A associação nĂŁo era gratuita, Ă© claro. Cada caçador tinha que pagar um imposto derivado de sua renda anual, alĂ©m de cumprir outras obrigaçÔes. De vez em quando, eles atĂ© jogavam missĂ”es em vocĂȘ que eram nada menos que punição.
Qualquer clĂŁ tĂŁo grande quanto os Passos poderia cuidar de si mesmo, e muitos deles estavam fazendo exatamente isso. Eu, no entanto, preferia ficar do lado bom da Associação e, como nossas dĂvidas eram administrĂĄveis, aceitei meu papel de cĂŁo da Associação. E diabos, sua linda recepcionista com certeza adoçou o acordo. Eu poderia aprender uma ou duas coisas com a maneira como eles executavam sua agĂȘncia.
Abri caminho atravĂ©s da horda de caçadores, com as costas retas e a cabeça erguida enquanto suportava o almĂscar de sangue e adrenalina. Atravessar esses caçadores com cicatrizes de batalha em seus rostos e ataduras cobrindo feridas recentes me assustou muito, mas eu sabia por experiĂȘncia prĂłpria que manter minha cabeça baixa sĂł me tornaria mais um alvo.
Este era um lugar onde os fracos eram comidos vivos. NĂŁo importava que estivĂ©ssemos no meio de uma cidade civilizada. Os caçadores sĂł falavam uma lĂngua: a violĂȘncia.
Nesse momento, avistei um caçador esparramado sobre um jornal. NĂŁo, era uma cĂłpia do DiĂĄrio de Zebrudia, mas a primeira pĂĄgina exibia o mesmo bar meio destruĂdo.
NĂŁo foi culpa minha! Estou falando sĂ©rio. Esses abutres nĂŁo tĂȘm mais nada para relatar?!
â Com certeza Ă© solitĂĄrio no topo, hein? â Murmurei, um sorriso sarcĂĄstico mascarando meu desejo de vomitar, enquanto me alinhava na recepção.
Apesar de minhas oraçÔes frenéticas para que minha vez nunca chegasse, logo fui recebido pela garota atrås do balcão.
â Obrigada por visitar a Associação de Exploradores! â disse a recepcionista de cabelos escuros, dando-me um sorriso divino.
Pelo que ouvi, ela não era uma caçadora, o que era uma configuração de back-end que eu poderia apoiar.
Bati minha mão contra o balcão, reunindo o måximo de arrogùncia falsa que pude para melhor manter minha fachada de caçador fodão.
âEu preciso falar com o gerente da filial Garkâ eu disse em voz baixa. â Ele estĂĄ me esperando.
â Pode passar.
NĂŁo afetada pelo meu desempenho agressivo, a recepcionista manteve um sorriso perfeito.
â Ah, sim. Isso Ă© sobre o bar completamente demolido, nĂŁo? Uma bronca, logo chegando. Ah, e apenas como um lembrete, Sr. Andrey, vocĂȘ nĂŁo precisa esperar na fila quando for convocado.
Ela quis dizer meio demolido, sem dĂșvida.
â Eu sinto muito, muito, muito, muito, muito, muito mesmo!

A sinceridade era a chave para um pedido de desculpas eficaz. Minha atitude hipĂłcrita em pĂșblico era apenas para exibição. Eu nĂŁo tive nenhum problema em jogar meu orgulho pela janela quando conheci Gark, ele me viu em situaçÔes muito mais lamentĂĄveis do que isso.
Até mesmo o veterano gerente de filial ficou surpreso com minha prostração imediata. Seus olhos se arregalaram enquanto ele olhava para mim.
Gark Welter poderia parecer uma aberração, mas no fundo, ele era um humano.
Ele estava acima de dois metros de altura, cicatrizes e tatuagens cruzando seu rosto, sua cabeça careca saliente com veias. Ele se manteve em tĂŁo boa forma que vocĂȘ nĂŁo acreditaria que ele estava aposentado. Entre isso e a arma que ele mantinha por perto, ele parecia um assassino em sĂ©rie. Mesmo assim, Gark era um humano, um humano de alta importĂąncia, na verdade.
Kaina, a bela e habilidosa assistente de gerente de filial, estava sorrindo ao lado de Gark, claramente a bela e a fera. Mesmo assim, eu tinha certeza de que uma besta literal seria mais bem-humorada do que ele. Foi bom vĂȘ-lo novamente.
â Ei, hm, Krai?
â Nada disso foi de propĂłsito. NĂŁo quis fazer mal algum. Eu me certifiquei de que nenhum civil se machucaria, e atĂ© falei com o proprietĂĄrio de antemĂŁo e obtive sua permissĂŁo para destruir o lugar!
Fiquei sem fĂŽlego antes que Gark tivesse a chance de se recuperar de sua surpresa.
Precisamente porque eu nĂŁo tinha talento, entendia os caçadores por dentro e por fora, como se fosse da perspectiva de um nĂŁo-caçador. Eu pensei muito com antecedĂȘncia sobre as consequĂȘncias de minhas açÔes e fiz um grande esforço para evitar qualquer problema sĂ©rio. Desde que me tornei um caçador, as habilidades que mais aprimorei foram me desculpar, bajular e falar para me livrar da culpa, nĂŁo era o melhor conjunto de habilidades, eu admito
Gesticulei teatralmente para enfatizar minha trågica situação.
â VocĂȘ sabe que estou tendo muita dificuldade em lidar com eles. Eles nĂŁo param, nĂŁo importa o que eu faça, entĂŁo que escolha eu tinha a nĂŁo ser deixĂĄ-los brigar?! VĂĄ em frente; diga-me como eu deveria impedir que isso acontecesse. VocĂȘ nĂŁo acha que eu queria?! Claro que queria! Se vocĂȘ pode resolver esse mistĂ©rio, fique Ă vontade!
Impedi-los de lutar não era uma opção. Realmente não era. Foi por isso que eu os deixaria desestressar onde nenhum civil se machucaria.
Ignorar as desculpas poderia ter me servido melhor na maioria das situaçÔes, mas eu estava em busca de simpatia. Afinal, não havia como Gark estar realmente bravo com isso. Por um lado, nenhum civil se machucou. Além disso, nenhum civil se machucou. E o mais importante, nenhum civil se machucou.
A Associação reprimiu duramente a mĂĄ conduta dos caçadores, mas nĂŁo puniram todas as infraçÔes leves, isso seria impossĂvel. Se eles distribuĂssem multas por cada briga de bar, a sede da Associação jĂĄ seria um castelo.
Levantei-me de repente, ainda me desculpando enquanto me aproximava de Gark.
Ele deu um passo para trĂĄs, aparentemente intimidado.
â Ei, agora vocĂȘ nĂŁo vai sair dessa apenas com conversa fiada.
â Tudo o que eles fizeram foi derrubar um prĂ©dio! â Lamentei, implorando por meu desejo de vomitar. â E daĂ se aparecermos na primeira pĂĄgina?! NĂŁo houve vĂtimas. Sem queixas! Qual Ă© o problema de derrubar um prĂ©dio ou dois?! Isso Ă© muito melhor do que deixar pessoas morrerem! Olha, vamos pagar pelos danos. Eu sou amigo do dono, e ele Ă© um cara super calmo! EstĂĄ tudo bem. Ele vai rir disso. â Droga, eu quero um sorvete.
O bar meio enlouquecido em questĂŁo servia um sorvete incrĂvel, apesar de ser um bar. Na verdade, era uma das trĂȘs principais sorveterias da capital, de acordo comigo.
Finalmente, Kaina falou, seu sorriso se alargando. â Calma, calma. NĂŁo se desespere, Krai.NĂŁo hĂĄ razĂŁo para Gark ser duro com vocĂȘ. NinguĂ©m prestou queixa.
O discurso “calma, calma” de Kaina geralmente reprimia a raiva de Gark. Eles tinham uma boa dinĂąmica: Gark perdia a paciĂȘncia com as pessoas, enquanto Kaina procurava suavizar.
No entanto, Gark suspirou. â Eu nem… Tanto faz. Sente-se. â Tudo estava perdoado. Pelo menos todo esse pedido de desculpas tinha seus mĂ©ritos.
Eu obedientemente me sentei no sofĂĄ de pelĂșcia, minha necessidade de vomitar diminuiu um pouco. Assim que me permiti relaxar por um momento, Gark bateu a mĂŁo na mesa. Tremi de choque.
Mostrando os dentes, o gerente da filial olhou para mim com raiva.
â VocĂȘ acha que eu gosto de te chamar aqui, Krai?
â EntĂŁo por que vocĂȘ fez isso? â Pensei.
Gark continuou como um professor reprovador.
â NinguĂ©m prestou queixa, mas mesmo sem nenhuma queixa oficial, essa sua façanha causou bastante comoção para chegar aos jornais. O Primeiros Passos Ă© um dos principais clĂŁs. Um clĂŁ tĂŁo proeminente como esse deveria estar pensando no exemplo que estĂĄ dando para outros caçadores. NĂŁo posso deixar algo assim passar.
Olhei para Gark, estupefato. Ele jĂĄ deveria ter abanado o dedo e me mandado embora.
A julgar pelos padrĂ”es da Associação, este caso deveria ter sido ĂĄgua passada, com vento fĂĄcil. NinguĂ©m (caçadores, nĂŁo obstante) se machucou. A destruição de propriedade era punĂvel pela lei imperial, mas este caso seria resolvido pelos termos do nosso acordo.
Se ninguĂ©m prestasse queixa, nĂŁo havia razĂŁo para a aplicação da lei se envolver. Claro, os jornais pegaram a histĂłria, mas os caçadores estavam sempre tomando decisĂ”es ruins. Um bar quase caindo no chĂŁo estava no lado mais calmo das consequĂȘncias, e nĂŁo havia como Gark, um varredor de cagadas profissional, ver de outra forma.
De qualquer forma, as coisas teriam sido muito piores se qualquer um dos outros Grievers estivesse lĂĄ. O mĂĄximo que qualquer leitor dessas manchetes teria a dizer seria “de novo isso”. NĂłs, um modelo para os caçadores? Ha, que piada.
Virei-me para Kaina para ver seu sorriso tenso. EntĂŁo Ă© isso. Bem, eu sempre poderia deixar tudo isso para o Ark.
â NĂŁo acredito. Punição? â questionei.
Gark parecia ter mordido um limĂŁo.
O principal objetivo da Associação era ajudar os caçadores a vencer os cofres do tesouro, mas eles tambĂ©m mergulharam na confusĂŁo lateral de encaminhar missĂ”es de terceiros para seus membros. Como a maioria dos caçadores era super-humanamente forte, mercadores e atĂ© governos muitas vezes os procuravam para trabalhar: guardando caravanas, caçando monstros, adquirindo relĂquias especĂficas e afins.
As tarefas solicitadas eram de todos os formatos e formas, e na maioria das vezes eram assumidas por caçadores novatos que procuravam algum dinheiro extra ou por caçadores que procuravam fazer conexĂ”es fora da comunidade de caçadores. No entanto, muitas das missĂ”es lutavam para encontrar aceitantes, seja por suas mĂseras recompensas, longa duração, dificuldade esmagadora ou natureza francamente bizarra.
A maioria dos caçadores, inclusive eu, nĂŁo tinha simpatia por aqueles que enviavam essas missĂ”es de baixa qualidade. Eles simplesmente nĂŁo eram nosso problema. Isso foi atĂ© que a Associação, compelida por algum enigma burocrĂĄtico, começou a atribuĂ-los a trapaceiros e canalhas. Com a mĂĄxima reverĂȘncia, nĂłs, caçadores, chamamos essas missĂ”es de âpuniçãoâ e as evitamos como uma praga.
As pĂĄlpebras de Gark se contraĂram ameaçadoramente.
â NĂŁo fale assim no meu escritĂłrio.
â VocĂȘ Ă© um ex-caçador, Gark. VocĂȘ sabe melhor do que ninguĂ©m que isso Ă© um saco. Afinal, sou responsĂĄvel pela vida dos membros do meu clĂŁ.
Os clãs tinham muitas formas diferentes, mas a nossa era uma democracia. Até mesmo meu papel como mestre do clã foi decidido por maioria de votos, então eu não era exatamente todo-poderoso.
Agora que a mesa havia virado, nĂŁo perdi tempo, recostei-me e cruzei as pernas. Encontrei o olhar mortal de Gark com um suspiro; o aluno havia se tornado o mestre.
âRelaxe, nĂŁo estou dizendo que nĂŁo vamos fazer isso. NĂłs nos conhecemos hĂĄ anos, Gark, e vocĂȘ jĂĄ me tirou de uma enrascada mais de uma vez. Faremos o pedido, mas apenas um. Quero dizer, a gente nem aprontou tanto desta vez
â VocĂȘ fica melhor em instigar toda vez que te vejo, Krai, â observou Kaina.
Eu me ajoelhei quando tive que me ajoelhar, e me mantive firme quando tive que manter. Essa era minha maneira de permanecer vivo. A covardia era a verdadeira assassina aqui. Claro, eu nunca teria feito uma façanha como essa se não confiasse de todo o coração em Gark para não limpar o chão comigo.
Gark rangeu os dentes com minha atitude presunçosa. â Traga-o aqui. â ele rosnou. Kaina pegou uma pasta encadernada em couro e a colocou na minha frente.
As missÔes encaminhadas dessa maneira pela Associação eram praticamente obrigatórias, mas ouvi rumores de caçadores que simplesmente se recusavam a pegar qualquer um deles. Muitos caçadores dançavam com sua própria melodia e odiavam ser amarrados. Isso era especialmente verdadeiro para caçadores experientes que poderiam assumir as missÔes mais problemåticas.
A pasta com certeza era pesada, indicando um grande acĂșmulo de tarefas. Embora eu sentisse pena de Gark por ter acumulado uma pilha tĂŁo pesada de porcaria, nosso clĂŁ nĂŁo funcionava com caridade. Seria um e pronto.
Gark me fitou com um olhar assassino. â Escolha uma.
â Sim senhor.
Comecei a folhear os arquivos. Pelo menos havia muito por onde escolher. Eu estava procurando o trabalho mais fĂĄcil para passĂĄ-la ao Ark.
Só de pensar na maioria desses trabalhos estava me dando dor de cabeça. Ark poderia ter lidado com qualquer um deles, sendo um dos melhores caçadores da capital, mas seu forte realmente residia em enfrentar cofres de tesouro.
Com isso em mente, escolhi apenas missĂ”es nessa ĂĄrea. EntĂŁo comecei a escanear o nĂvel dos cofres envolvidos. NĂvel 5, NĂvel 6, NĂvel 5, outro 5, NĂvel 4, NĂvel 6, 4, 3, 7, 6 â Espere, um NĂvel 3?!
Voltei para aquele arquivo em particular e verifiquei o resto da pĂĄgina. Sim, isso nĂŁo deve ser um problema. Caramba, eu tirei a sorte grande ao conseguir uma missĂŁo de cofre do tesouro de nĂvel 3 em uma pilha de tarefas rejeitadas.
NĂŁo sĂł Ark Rodin era um dos Ășnicos caçadores de capital com um tĂtulo oficial, a Tempestade ArgĂȘntea, ele foi classificado em um impressionante NĂvel 7. O nĂșmero indicava que a Associação considerava a Ark capaz de assumir qualquer cofre atĂ© esse nĂvel. Enquanto cada cofre embalava seu prĂłprio conjunto de desafios, um cofre de NĂvel 3 seria um passeio no parque para o cara, mesmo que ele entrasse sozinho. O trabalho nĂŁo pagava quase nada e levaria algum tempo para ser concluĂdo, mas nĂŁo seria exatamente um desafio.
Com escolhas tĂŁo escassas, nĂŁo fazia sentido pensar demais. Peguei o arquivo e balancei-o na cara de Gark.
â Vamos levar este. Um pouco de coleta de carcaças nunca machucou ninguĂ©m.
â Cuidado com a boca, Krai! Isso Ă© uma busca e salvamento.
Ele estava brincando, certo? NĂŁo havia como aqueles caras ainda estarem vivos.
A tempestade havia passado. Assim que Krai saiu da sala, a gerente assistente da filial, Kaina, deu um suspiro de alĂvio. Com a pasta de missĂŁo urgente debaixo do braço, ela deu a Gark um sorriso tenso.
âO garoto estĂĄ tĂŁo animado como sempre, pelo que vejo. VocĂȘ tem certeza disso?
Gark grunhiu, levando a mão à cabeça.
âEstĂĄ tudo bem.Deixar ele pegar um pouco de corda Ă© exatamente aquilo que eu quero.â
O desprezo em sua expressĂŁo anterior jĂĄ havia saĂdo sem deixar vestĂgios.
Caçadores eram um grupo estranho para começar, mas Krai Andrey era mais estranho ainda.
Krai havia se tornado um caçador cinco anos atrås, quando a filial da capital aceitou seu pedido. Pode-se até dizer que Gark supervisionou toda a carreira do Krai como caçador.
Krai se mudou para a capital com cinco bons amigos de sua cidade natal, que se tornaram caçadores junto com ele. Gangues de adolescentes de olhos arregalados apaixonados em contos clåssicos de aventura não eram tão incomuns de encontrar. Dito isso, poucos deles sobreviveram mais do que alguns anos como caçadores de tesouros.
Apesar das exigĂȘncias da profissĂŁo, Krai mal havia mudado desde o dia em que se inscreveu; seu rosto fraco, atitude irreverente e atĂ© mesmo suas manobras astutas eram praticamente as mesmas. Ele estava marchando inalterado no caminho da glĂłria, o que tornava o garoto um caso bastante anormal para um caçador.
Os Primeiros Passos eram as estrelas em ascensĂŁo da capital. Havia muitos clĂŁs maiores e mais antigos na cidade, mas eles jĂĄ estavam totalmente estabelecidos. Os Passos, por outro lado, ainda estavam em sua infĂąncia. O que faltava ao clĂŁ em experiĂȘncia, compensava em taxa de crescimento. A presença deles na primeira pĂĄgina era um testemunho de sua popularidade.
Em contraste com o crescimento estrondoso dos Primeiros Passos, Krai era a imagem perfeita de humildade, uma qualidade pela qual Gark era grato. Para um clĂŁ com tantas conexĂ”es e tanta força quanto os Passos, havia pouco a ganhar com a permanĂȘncia sob contrato com a Associação. A essa altura, muitos clĂŁs, grupos e caçadores individuais estabelecidos haviam se retirado do guarda-chuva da Associação, o que era uma fonte regular de dores de cabeça para Gark. Caçadores habilidosos valiam seu peso em ouro para o lugar, mas ele nĂŁo podia exatamente impedi-los de sair. Apesar do tom irreverente e da maneira descarada de Krai, ele estava fazendo sua parte para cuidar deles.
â Ele estava murmurando coisas sobre querer algo fĂĄcil. E entĂŁo ele pegou o pior do conjunto.
Bem, nĂŁo Ă© tĂŁo inesperado do Krai. Kaina se permitiu um leve sorriso enquanto pensava em como Krai havia alcançado aquela missĂŁo especĂfica de uma pasta de pelo menos duas dĂșzias.
O nĂvel do cofre nele pode ter sido o mais baixo entre eles, mas isso nĂŁo significava necessariamente que esse cofre seria o mais fĂĄcil. Identificar o perigo era uma das habilidades mais vitais para qualquer lĂder possuir, e o formulĂĄrio que Krai leu estava repleto de avisos.
Nem Gark nem Kaina pensaram por um segundo que Krai, o lĂder das Grieving Souls e o mestre de um clĂŁ tĂŁo grande e proeminente, julgaria mal a gravidade de uma missĂŁo. Na verdade, quando Krai foi confrontado com situaçÔes semelhantes no passado, ele muitas vezes optou pelos integrantes mais fortes.
Talvez essa fosse sua maneira de retribuir um pouco.
â Quem sabe o que virĂĄ disso. O Krai estĂĄ nisso agora, seja lĂĄ o que for. Sua atitude Ă© uma coisa, mas ele tem um bom olho para essas coisas.
â Com certeza devemos uma a ele, nĂŁo Ă©?
Quando voltei para a casa do clĂŁ, com a tarefa em mĂŁos, recebi uma notĂcia inesperada.
â O quĂȘ? Ark nĂŁo estĂĄ aqui? Por que nĂŁo?
Eva respondeu sem tirar os olhos dos papéis.
â Um nobre o convocou para discutir aquele trabalho no Jardim de Prisma que ele limpou outro dia. Sem dĂșvida, ele nĂŁo voltarĂĄ por algum tempo.
â Oh, entendi. Esse timing horrĂvel.
O Ark Brave era um dos grupos mais famosos da capital, e seu lĂder, Ark tĂŁo amigĂĄvel e tĂŁo bonito, irradiava tolerĂąncia imprĂłpria de um caçador; sem mencionar que ele era incrivelmente foda. Era natural que ele fosse convocado por um dos nobres do impĂ©rio, que estava sempre procurando conquistar os mais frescos e os melhores. Eu deveria ter previsto isso depois que ele limpou o chĂŁo com aquele cofre de alto nĂvel outro dia. Considerando tudo, tive sorte de tĂȘ-lo atĂ© aquela manhĂŁ.
Ainda assim, o momento foi pĂ©ssimo. Eu praticamente escolhi nossa tarefa aleatoriamente, pensando que Ark poderia ser o Ășnico a levar a culpa. O cara era um funcionĂĄrio excelente apesar de seus muitos compromissos.
âSheesh. O que eu deveria fazer com isso?
â Por que vocĂȘ mesmo nĂŁo faz isso?
Ela estå dizendo que estou melhor morto? Pelo olhar em seus olhos, ela estava falando sério sobre isso também.
Algumas pessoas, na maioria das vezes, nĂŁo caçadoras, tinham o pĂ©ssimo hĂĄbito de subestimar os cofres do tesouro, mas esses caras viviam debaixo de uma rocha. Confie em mim; jĂĄ vi muitos cofres de alto nĂvel de perto. Todos os cofres do tesouro estavam cheios de perigo, e cofres de alto nĂvel em particular eram perigosos por si mesmos. Mesmo que nenhum fantasma ou monstro aparecesse, nĂŁo havia garantia de que vocĂȘ retornaria.
A tarefa que eu trouxe de volta envolvia um cofre de NĂvel 3, entĂŁo nĂŁo era um trabalho tĂŁo perigoso. Dito isso, um nĂŁo caçador nĂŁo teria chance em nada superior ao NĂvel 1. AlĂ©m disso, eu estava prestes a me aposentar da linha de frente.
â Eu nĂŁo entro em um cofre hĂĄ um tempo, entĂŁo provavelmente estou muito fraco agora.
â Se me permite, acredito que vocĂȘ passa muito tempo sem fazer nada.
Os caçadores eram fortes, um outro nĂvel de força, e essa força bizarra deles era em parte devido ao acĂșmulo de material de mana. Como os cofres do tesouro estavam cheios de material de mana, os caçadores que passavam a maior parte do tempo invadindo estavam constantemente expostos ao material. Como resultado, os caçadores obtiveram poderes alĂ©m das capacidades humanas normais.
Ao absorver material de mana, os caçadores ganharam todos os tipos de aumentos em suas habilidades. O principal entre eles era sua força fĂsica, mas ouvi falar de alguns caçadores que desenvolveram talentos especiais como resultado. Considerando isso, quanto mais tempo um caçador passava em cofres de tesouros e quanto maior o nĂvel desses cofres, mais forte o caçador se tornava.
No entanto, o material de mana não fica ao redor do corpo para sempre. O tempo necessårio para se esgotar variava de pessoa para pessoa, mas para caçadores como eu, que ficavam em åreas desprovidas de material de mana, o poder acumulado dentro do corpo rapidamente secava, revertendo-os ao status civil comum. Era por isso que alguns caçadores, aqueles que continuamente mergulhavam em cofres de tesouros, eram mais forte do que a maioria dos militares.
Eu sempre fui fraco e sem talento, mas me afastar da linha de frente sĂł me deixou mais fraco. Um cofre de tesouro de NĂvel 3 nĂŁo era muito desafiador para o membro mĂ©dio do nosso clĂŁ, mas era uma façanha impossĂvel para mim, que estava a meio passo do civilismo.
E enquanto estamos nisso, eu simplesmente não senti vontade de fazer isso. Se o acordo fosse que eu mesmo teria que enfrentar o desafio, eu teria recusado. Eu era o membro mais fraco dos Passos de longe, e levei esse papel muito a sério.
Ainda assim, onde hå vontade, hå um caminho. Virei o calcanhar, cantarolando. Com ou sem Ark, eu tinha toda a lista dos Passos à minha disposição. Afinal, eu era o mestre do clã.
â Ah, bom. Tem que haver alguĂ©m na sala procurando um trabalho para fazer.
Eva franziu a testa para mim. â VocĂȘ realmente nĂŁo deveria delegar missĂ”es urgentes.
Isso foi moralmente correto da parte dela dizer isso, mas todos nĂłs temos que usar nossos pontos fortes.
No segundo andar da casa do clã Primeiros Passos estava o salão: um espaço aberto banhado pela luz do sol proveniente das grandes claraboias instaladas no teto. Havia tantas mesas grandes na sala quanto havia grupos no clã, além de um bar perto da parede. O lounge era um ponto de encontro bastante conveniente, mas era mais frequentemente o ponto de encontro escolhido para os membros com tempo livre em suas mãos, que podiam aproveitar as bebidas gratuitas e refeiçÔes simples oferecidas no bar.
A porcentagem que cobrava dos membros do clã pagavam pela referida comida e bebida. E jå que o dinheiro era de todo mundo, eu não podia me arriscar em embolsar qualquer coisa dali,, então deixei Eva cuidar de encontrar maneiras de queimar qualquer excesso de fundos. Agora era um dos principais pontos de venda do nosso clã. à engraçado como as coisas acabam.
Dei uma olhada ao redor do nosso magnĂfico salĂŁo, depois franzi a testa, desapontado.
â Hm… NĂŁo tem ninguĂ©m aqui. Quais sĂŁo as chances?
â Bom dia, Mestre. O senhor estĂĄ com o rosto descoberto novamente. O que aconteceu com sua mĂĄscara?
â Quebrou.
Era o meio do dia, e Tino era a Ășnica lĂĄ. Onde estavam os capangas? A pobre Tino estava sentada sozinha lendo um livro.
Mesmo dizendo que ela foi a responsåvel por quase destruir aquele bar, não havia um traço de remorso em sua expressão quando ela se aproximou de mim.
â Eu gosto muito mais do seu rosto real do que daquela mĂĄscara estranha.
â Eu teria ficado destruĂdo sem possibilidade de reparo se vocĂȘ tivesse dito que prefere a mĂĄscara ao meu rosto.
AtĂ© muito recentemente, eu sempre mantive minha identidade escondida com uma RelĂquia especial: o [Rosto ReversĂvel], uma mĂĄscara de carne que me permitia mudar meu rosto e voz Ă vontade.
Alguns caçadores queriam ter seus rostos lembrados, mas eu era o oposto. Aquela RelĂquia me permitiu manter minha sanidade. E agora tudo havia desaparecido, quebrado, e eu nĂŁo tinha sobressalente.
As relĂquias nĂŁo foram fabricadas, mas surgiram. RelĂquias raras nĂŁo eram apenas difĂceis de encontrar, mas espetacularmente caras. O que Ă© pior, relĂquias que escondiam a identidade do usuĂĄrio de todos sem um certo nĂvel de percepção nĂŁo podiam ser legalmente compradas ou vendidas. A Ășnica maneira de obter uma dessas coisas era tropeçando em uma em um cofre de tesouro.
Minha Ășnica opção era ficar dentro de casa o mĂĄximo possĂvel. Urgh, quero vomitar.
Tino estava inquieta olhando em volta como um filhote leal.
â Mestre, onde estĂĄ Lizzy? â perguntou ela.
â Espere, ela nĂŁo te contou? Liz e os outros estĂŁo explorando um cofre de tesouro. Aquele castelo de NĂvel 8. Eles estavam bem determinados a ir fundo e trazer algo de volta desta vez. Duvido que eles voltem tĂŁo cedo.
Se qualquer um deles tivesse ficado para trås, eles poderiam ter cuidado dessa tarefa sem precisar pÎr minhas mãos. O momento com certeza foi péssimo. Todas as tarefas tinham prazos, o que significava que não podia esperar que eles voltassem.
Tino piscou vĂĄrias vezes, me dando um olhar estranho antes que seu sorriso voltasse.
â A propĂłsito, mestre, olhe o que eu tenho. â disse ela, apresentando a palma da mĂŁo esquerda para mim.
Quase engasguei quando Tino acenou com o familiar anel RelĂquia. Ugh, eu nĂŁo esperava isso. Tino Shade estava realmente melhorando em uma velocidade vertiginosa, mas ela ainda tinha um longo caminho a percorrer antes de se igualar Ă s aberraçÔes mais poderosas do mundo. Eu a peguei destruindo o pequeno Gilbert com aquele chute idiota, mas ela nĂŁo era habilidosa o suficiente para se defender de todos os inimigos esquisitos.
Pelo menos, foi o que pensei, mas o anel em sua mão falava por si. Nossa mascote fofa havia se tornado uma aberração de pleno direito. Isso a menos que as outras aberraçÔes do clã não pudessem tirar isso dela.
â Eu nĂŁo me importo nem um pouco com o grupo daquele menino de rostinho bonito e sorriso falso, mas eu nĂŁo poderia deixar seu anel cair nas mĂŁos daquele pequeno gambĂĄ. Posso sentir sua vontade fluindo atravĂ©s dele, mestre.
â VocĂȘ sabe que Ă© apenas um Anel de Tiro, certo?
“Anel de Tiro” era um termo genĂ©rico para relĂquias de anel que disparavam tiros de mana.
As relĂquias eram de todos os formatos e formas e tinham todos os tipos de habilidades, mas as relĂquias do tipo anel estavam entre as mais comuns de todas. AnĂ©is de Tiro eram a forma mais comum de relĂquias de anel e, portanto, eram os menos valiosos entre eles. Aquela espada grande que Gilbert estava balançando provavelmente era muito mais valiosa.
Ainda assim, como Tino havia pegado o anel primeiro, nĂŁo precisei adicionar nenhum estranho em potencial ao grupo de Ark. Eu tive sorte lĂĄ.
Tino parecia tão feliz com o anel que eu estava começando a me sentir meio culpado.
â HĂĄ muito a aprender com o que nĂŁo podemos ver. â disse ela, olhando para ele atentamente. â Aquele menino bonito falso disse que foi um evento divertido.
â Ark. O nome dele Ă© Ark.
â Mestre, posso realmente ficar com isso?
â Eu disse isso, nĂŁo disse? Ă todo seu. Desculpe por nĂŁo ser algo melhor.
â Oba!
Poucos caçadores usavam AnĂ©is de Tiro. TambĂ©m nĂŁo era Ăștil para Tino, mas isso nĂŁo parecia incomodĂĄ-la. Droga, ela estava dançando e girando encantadoramente com um sorriso alegre.
Uau, ela era realmente tĂŁo fĂĄcil de agradar? Eu poderia ter derramado uma lĂĄgrima por ela.
Afinal, ela era a Ășnica que restava. Ela faria isso. Ela era de NĂvel 4, entĂŁo nĂŁo deveria ter problemas com um cofre de NĂvel 3.
â VocĂȘ tem algum plano para hoje, Tino?
â O quĂȘ? â Tino congelou em seu caminho, seus olhos se arregalando de perplexidade. Como ela trabalhava sozinha na maior parte do tempo, ela tinha um horĂĄrio relativamente flexĂvel, mas isso nĂŁo significava que ela pudesse tirar uma folga quando quisesse.
O trabalho de um caçador abrangia mais do que apenas caçar. Eles tinham que acompanhar seu treinamento se quisessem ter o melhor desempenho, e pesquisas anteriores eram essenciais para se manterem seguros em cada cofre. O clã poderia apoiå-la até certo ponto, mas a falta de preparação custa a vida dos caçadores. A caça solo exigia uma preparação ainda mais meticulosa.
No entanto, Tino logo sorriu, o que era muito raro para ela.
â NĂŁo! NĂŁo tenho nenhum plano para hoje, amanhĂŁ ou para o resto da minha vida! Ă por isso que estou esperando por vocĂȘ, Mestre!
Se Liz tivesse ouvido, Tino teria sido jogada no regime de treinamento mais cansativo que sua mentora poderia pensar. Tino realmente tinha tanto tempo livre? Como ela aparentemente nĂŁo tinha nada melhor para fazer, me senti menos mal em atribuir a tarefa a ela.
â Perfeito. A Associação nos deu uma missĂŁo. Vou deixar isso com vocĂȘ.
â O quĂȘ? â Tino fez parecer que eu a tinha esbofeteado no rosto.
â Mestre, nunca na minha vida me senti mais traĂda. Meu coração inocente estĂĄ em frangalhos. Nunca pensei que pudesse ser tĂŁo cruel. O senhor me enganou!
â Eu nĂŁo.
â O senhor me enganou, apenas para me empurrar de um penhasco.
â NĂŁo te levei a lugar nenhum nem te empurrei para longe de nada.
Tino jå havia perdido todo o entusiasmo antes mesmo de ela começar. Toda a esperança havia sido extinta de seus olhos. Ela deitou a bochecha sobre a mesa, olhando para mim com letargia recém-descoberta.
â Para ser honesta, eu estava pronta para irmos tomar sorvete juntos, ou algo assim.
Tino tinha uma profunda fraqueza por todas as coisas doces, uma fraqueza que eu tinha certeza que seria explorada algum dia.
â Sua mentora me disse para nĂŁo lhe dar nada açucarado.
â Ă uma manobra! Lizzy nĂŁo quer que vocĂȘ tenha encontros comigo quando ela nĂŁo estiver por perto!
Encontros? Como mentora, como aprendiz, eu suponho. Talvez tenha sido minha culpa levĂĄ-la a todos os lugares por um tempo, em vez de um guarda-costas adequado.
Eu a conhecia desde que ela estava apenas começando, entĂŁo ela era quase tĂŁo fĂĄcil de usar quanto Ark e meus amigos de longa data. Sua fofura tambĂ©m era uma vantagem. Pedir a gente musculosa e de aparĂȘncia durona para fazer o trabalho sujo exigia um preço mental infernal.
Enfiei a tarefa no rosto abatido de Tino.
â Aqui, Tino, Tino, Tino. Tenho um trabalho para vocĂȘ. Quem quer trabalhar? Quem?
â Eu sou apenas uma companheira de clĂŁ com benefĂcios para vocĂȘ?
â Acho que alguĂ©m contaminou a mente da nossa pequena Tino. Quem ensinou isso a ela?
â Foi o senhor, mestre.
Com o espĂrito ainda vazio, Tino começou a ler apenas com os olhos. Ela olhou para o papel por alguns momentos antes de murmurar: “Esta Ă© a pior missĂŁo de todos os tempos.”
â Com certeza.
â NĂŁo hĂĄ uma Ășnica fresta de esperança. Quem iria querer fazer parte disso?
Ătima pergunta.
â Isso Ă© uma punição, nĂŁo Ă©?
â Aham.
Foi assim que eu me encontrei. Maldito Gark, tratando nosso clĂŁ como uma Lixeira. Se nĂŁo houvesse um rosto familiar com o qual eu pudesse conversar, eu teria recusado esse trabalho sujo, mesmo que isso significasse ter uma conversa estranha com Gark. Os fracos sempre eram deixados para pegar trabalhos de merda como este. Algumas coisas nunca mudaram.
A Tino enojada se contorceu em seu assento antes de inventar uma desculpa. â Eu ainda sou apenas NĂvel 4, mestre. Uma NinguĂ©m. Eu adoraria te ajudar, eu realmente adoraria, mas terei que me resignar respeitosamente. NĂŁo posso resgatar cinco pessoas sozinha.
Além disso, acabei de me lembrar de algo que tenho que fazer.
Tino saltou. Pisquei e ela estava correndo pela porta, deixando a missĂŁo do nĂvel do lixo para trĂĄs sem parar para pegĂĄ-la. Como esperado de um Ladino em ascensĂŁo.
Que ato de fuga realmente espetacular. Isso explicou como Tino acabou com o anel RelĂquia; ela o pegou e correu. Fugir das sessĂ”es de treinamento extenuantes de Liz estava fazendo maravilhas para Tino. Pensando bem, ela e eu tĂnhamos muito em comum.
Soltei a corrente de dois metros de comprimento do meu cinto e a coloquei sobre a mesa. A corrente era uma relĂquia: uma de uma vasta coleção que acumulei ao longo da minha carreira como caçador. A fina corrente de prata deslizou como uma serpente ao redor da mesa, seus elos batendo enquanto se movia.
A corrente era uma besta leal, um cão sem presas que não exigia comida nem descanso, para sempre fiel ao seu mestre. Era chamada de Corrente do Cão de Caça.
No passado antigo, antes da histĂłria registrada, havia uma tribo de pessoas que empunhavam correntes: correntes tratadas de uma maneira especial que se moviam sem serem tocadas. Cada corrente possuĂa um poder extraordinĂĄrio que fazia o sustento da tribo Hoje, tudo o que restava daquela civilização eram as lendas que contavam suas histĂłrias, e atribuĂ a popularidade das RelĂquias em cadeia a essas lendas.
A corrente se ergueu da mesa, formando o contorno de um pequeno canino. Quando sacudi o queixo, a corrente caiu e deslizou para fora do salĂŁo.
â SĂł para constar, mestre, eu poderia ter fugido. â Sim. Completamente.
â Sua corrente Ă© persistente, incansĂĄvel e irritante, mas eu poderia facilmente quebrĂĄ-la. Tino disse tudo isso com uma cara sĂ©ria, apesar de estar preso por uma corrente que poderia ter deixado o homem mais poderoso imĂłvel. â Eu nĂŁo vou, porque eu nĂŁo quero que vocĂȘ me odeie por quebrar sua corrente favorita. VocĂȘ nĂŁo acha que poderia ser um pouco misericordioso no meu julgamento, agora?
Tino estava implorando com o mesmo tom manipulador frequentemente empregado por sua mentora. Ela estava aprendendo todas as liçÔes erradas.
Embora minha Corrente de Caça fosse de cor prateada, não era feita de prata.
Qualquer coisa feita de material de mana era extremamente durĂĄvel. Dito isso, muitas aberraçÔes por onde passei poderiam facilmente destruĂ-lo. A confiança de Tino mostrou o quanto ela estava se esforçando – e quanto tempo ela passou em cofres.
â NĂŁo se esforce demais, Tino. Segurança em primeiro lugar.
â A culpa Ă© sua, mestre.
â Sua mentora Ă© quem estĂĄ incentivando isso. Eu sĂł te dou as coisas fĂĄceis. â Neste ponto, a Corrente do CĂŁo de Caça relaxou e caiu no chĂŁo.
As relĂquias eram Ășteis e tudo, mas tinham suas limitaçÔes. A corrente deve ter ficado sem mana (sua fonte de energia) enquanto perseguia Tino. Sua habilidade em ser capaz de evitar coisas de alta velocidade em perseguição era realmente impressionante.
Esfregando-se onde a corrente a havia apertado, Tino soltou um suspiro.
â Entendo. Eu entendo que vocĂȘ nos dĂĄ missĂ”es que nos levam Ă beira da morte e de volta para maximizar nosso crescimento, mas tem que haver um limite para seus mĂ©todos de treinamento draconianos.â
â PerdĂŁo?
Que parte disso era draconiana? A missĂŁo estava em um cofre de tesouro de NĂvel 3.
NĂvel 3. Isso nĂŁo era exatamente difĂcil para Tino. Eu nĂŁo daria nosso mascote para os lobos. Ela sĂł precisava pegar alguns corpos.
Os cofres do tesouro estavam cheios de perigo. Os caçadores assumem esses riscos quando pisam em qualquer cofre. As missÔes de resgate para caçadores fracassados eram poucas e distantes entre si. Em raras ocasiÔes, porém, missÔes surgiam solicitando ajuda para caçadores perdidos, missÔes que eram mais amargamente conhecidas por aqueles que estavam presos a eles como trabalhos de coleta de carcaças.
Quando caçadores profissionais desapareciam, na maioria das vezes eles jå estavam mortos. Se eles estavam vivos, eles foram resgatados; se eles estavam mortos, nós os riscamos da lista e seguimos nosso caminho. Mas enquanto houvesse a menor chance de que os caçadores perdidos ainda estivessem vivos, alguma pobre alma tinha que ir verificar.
Por mais crĂticas que eu tenha dado a ela, Tino era uma caçadora de nĂvel 4. Talvez houvesse uma razĂŁo para ela estar relutante em ir. Sentindo-me bastante perplexo, dei outra olhada no pedido.
O cofre de NĂvel 3 em questĂŁo era o Covil do Lobo Branco, nĂŁo dos mais fĂĄceis nem mais difĂceis cofres perto da capital. Quando se tratava de RelĂquias, sua taxa de queda era pĂ©ssima, o que nĂŁo tornava o cofre lucrativo nem popular.
TrĂȘs dias atrĂĄs, cinco caçadores haviam desaparecido. Isso nĂŁo foi hĂĄ muito tempo. Se tivesse sido hĂĄ uma semana, eu nĂŁo teria esperança de sobrevivĂȘncia deles, mas, do jeito que estava, eu estava chamando de cinquenta e cinquenta.
A missĂŁo duraria no mĂĄximo uma semana, com uma recompensa de trezentos mil gilds. Esse valor, que poderia alimentar a famĂlia mĂ©dia por um mĂȘs, era mais como alguns trocados para um caçador. Em outras palavras, isso era basicamente trabalho voluntĂĄrio.
Reli a solicitação linha por linha, mas nĂŁo consegui identificar o problema. Mesmo assim, olhei para cima e dei um aceno de cabeça. “Eu entendo o que vocĂȘ estĂĄ dizendo, Tino, vocĂȘ nĂŁo quer ir sozinha, certo?â
Deixa comigo. Eu realmente queria. Desnivelado ou nĂŁo, assumir qualquer cofre de tesouro era uma tarefa perigosa. Tudo pode acontecer. Eu fui mĂope em pensar que Tino nĂŁo se importaria de assumir outra missĂŁo sozinha. Na verdade, eu concordei com isso assumindo que eles estavam todos mortos, mas se eles estivessem vivos, ela nĂŁo teria chance. Ela nĂŁo podia carregar cinco caçadores feridos.
â O quĂȘ? Acho que vocĂȘ estĂĄ certo. â Tino olhou ao redor do salĂŁo vazio antes de se virar para olhar para mim com expectativa. Afinal, todos estavam ocupados hoje.
Foi quando tive uma ideia brilhante.
O Covil do Lobo Branco… Algo nesse nome parecia familiar. Como Tino era de NĂvel 4, mais alguns caçadores de NĂvel 3 ou superior deveriam fazĂȘ-la se sentir mais segura. Foi brilhante, se Ă© que posso dizer.
Tino timidamente soou novamente. â Se vocĂȘ viesse comigo, mestreâŠ
â JĂĄ sei! Havia um caçador na unidade de recrutamento na noite passada que queria enfrentar o Covil do Lobo Branco. VocĂȘ deveria levĂĄ-la com vocĂȘ. Acho que o nome dela era Rhuda.
â O quĂȘ?
â Quanto ao resto do grupo, o Grande Greg e Gilbert fariam um deleite.
Para completar, seria uma boa experiĂȘncia de primeira viagem para Tino. Estava tudo se encaixando.
Com isso resolvido, dei um tapinha nas costas, observado de perto pelos olhos doloridos de Tino.
Tradução: Carpeado
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