Grieving Soul – Capítulo 8 – Volume 1

Nageki no Bourei wa Intai shitai Let This Grieving Soul Retire Volume 01

CapĂ­tulo 8: [HistĂłria Paralela: Um Dia com Tino]


— O quĂȘ? Guarda-costas? — Tino arregalou os olhos. 

Ela estava justamente se preparando para invadir um cofre do tesouro designado por sua mentora como parte de seu treinamento.

Seu amado mestre estava parado diante dela, exibindo um sorriso culpado. Esse era Krai Andrey, um caçador de um dos mais altos níveis da capital. Com o sol alto no céu, não havia mais ninguém no salão da guilda. Isso não era incomum. A maioria dos caçadores trabalhava durante o dia.

Krai vestia-se de maneira quase casual demais para sua profissão, sem qualquer equipamento de proteção. No entanto, ao observå-lo mais de perto, Tino percebeu que seu mestre carregava uma quantidade absurda de Relíquias. Não era segredo que praticamente tudo o que ele usava, a corrente no cinto, o colar de prata e os botÔes de punho, era uma Relíquia. Diziam até que esse håbito lhe rendeu o apelido de Mil Truques.

Enquanto Tino o encarava sem expressĂŁo, Krai evitava seu olhar.

— Pois Ă©, sĂł me deu vontade de passar na loja de RelĂ­quias hoje. Eu ia chamar a Liz ou alguĂ©m, mas nĂŁo encontrei ninguĂ©m, entĂŁo… — Ele parou de falar e riu de maneira forçada.

— Eu te acompanho — disse Tino.

— Certo, eu sei que Ă© um incĂŽmodo, mas acho que vocĂȘ pode aprender uma coisa ou outra olhando algumas RelĂ­quias. Na verdade, vocĂȘ deveria pegar uma tambĂ©m. JĂĄ estĂĄ na hora. Isso vai ser tĂŁo Ăștil para vocĂȘ quanto para— Espera, sĂ©rio?

— Aham.

Krai a observou surpreso enquanto Tino rapidamente guardava seus materiais de referĂȘncia e se levantava. Preparar-se para sua missĂŁo de vida ou morte era essencial, mas um pedido de seu mestre tinha prioridade absoluta.

A Ășnica coisa que a incomodava era a palavra que ele escolheu: “guarda-costas”. Para ela, aquilo simplesmente nĂŁo fazia sentido. Tino jĂĄ havia recebido muitos elogios por sua habilidade, mas ainda era apenas uma caçadora de nĂ­vel 4.

Ela olhou para seu mestre com um olhar estrategicamente inocente.

— Mas, mestre, eu sou apenas um grĂŁo de poeira comparado a vocĂȘ. Duvido que eu possa ser de alguma utilidade.

— “GrĂŁo de poeira” deve ser sua expressĂŁo favorita, Tino. JĂĄ ouvi vocĂȘ dizer isso mais vezes do que todo mundo junto.

Tino ainda se perguntava como poderia ser Ăștil como guarda-costas sendo tĂŁo mais fraca que a pessoa a quem deveria proteger. Se Krai tivesse pedido ajuda Ă  sua mentora, como era sua intenção inicial, faria um pouco mais de sentido. Sombra Partida, uma Ladina como Tino, superava sua pupila tanto na detecção de ameaças quanto no combate. AlĂ©m disso, um guarda-costas era desnecessĂĄrio dentro da segurança da capital.

Krai manteve seu sorriso habitual.

— Ah, vai dar tudo certo. Provavelmente não seremos atacados e, sabe, pense nisso como um encontro ou algo assim.

— Um e-encontro?! — Tino encarou Krai, chocada. Ela o idolatrava hĂĄ anos. Pelo menos uma pequena parte dessa devoção era alimentada por sentimentos romĂąnticos. O problema era que sua mentora adorava Krai de todo o coração. Competir por sua atenção era impensĂĄvel. Para Tino, Krai estava muito alĂ©m de seu alcance. Ela podia contar que ele lhe daria atenção quando pedisse, mas nĂŁo ousava pedir com frequĂȘncia.

Tino não se importava que a loja de Relíquias não fosse o lugar mais romùntico da cidade, nem que seu mestre arrastasse qualquer um que encontrasse para acompanhå-lo em seus passatempos. Ela até podia relevar o fato de estar em segundo plano em relação à sua mentora.

Tino analisou sua roupa: uma jaqueta de couro que sacrificava estilo por proteção, shorts otimizados para agilidade e botas de combate pretas com solado de aço. A grande adaga e o frasco de poção presos ao seu cinto completavam seu visual de caçadora de tesouros. Ela nĂŁo estava mal vestida, mas seu traje era muito simples para um encontro. Na verdade, estava vestida para o campo de batalha e um encontro era um tipo totalmente diferente de batalha para Tino. Como a Ășnica aprendiz de Liz Smart, Tino nĂŁo podia se dar ao luxo de se envergonhar, mas tambĂ©m nĂŁo podia se permitir perder.

— Eu vou me trocar — disse Tino, com uma expressĂŁo sĂ©ria. Ela começou a se mover, mas Krai segurou seu braço.

— O quĂȘ?! NĂŁo, nĂŁo precisa— Ei, Tino…

— Perdoe-me, mestre. NĂŁo posso ir assim! Talvez eu nunca seja estilosa o suficiente para estar ao seu lado, mas isso Ă© uma questĂŁo de orgulho feminino!

— Não seja assim, Tino! Eu ficaria mal, então vamos só ir logo!

Quando Tino tentou escapar, Krai, sem piedade, lançou sua Corrente Perseguidora.

***

— VocĂȘ Ă© um homem cruel, cruel, mestre — resmungou Tino.

No fim, ela nĂŁo teve permissĂŁo para trocar de roupa. Com a Corrente Perseguidora mantendo-a Ă  mercĂȘ de Krai, nĂŁo havia mais nada que pudesse fazer.

As ruas da capital estavam movimentadas como sempre. Tino caminhava ao lado de seu mestre sorridente, mantendo um nível apropriado de cautela. Enquanto andava, ela se perguntava se, para os transeuntes, ela e Krai pareciam estar em um encontro. Provavelmente não. No måximo, poderiam achå-los parceiros de caça. Se ao menos tivesse conseguido trocar de roupa, talvez tivesse alguma chance. Uma chance melhor do que tinha naquele momento, pelo menos. Tino não fez questão de esconder seu descontentamento.

Krai deu um tapinha no braço dela.

— VocĂȘ nĂŁo precisa ficar tĂŁo emburrada, Tino. NĂŁo se preocupe. VocĂȘ jĂĄ parece muito…

— Muito…? — repetiu Tino, esperando ansiosa.

Krai abriu um grande sorriso.

— Muito forte.

— VocĂȘ deveria aprender a tratar melhor as garotas, mestre.

Forte? Eles nĂŁo estavam em um encontro?

— Estou brincando, estou brincando. Aqui, se dermos as mãos, vai parecer mais que estamos em um encontro.

Seu mestre riu alto e estendeu a mão para ela. Tino decidiu aceitar essa tentativa de redenção e perdoå-lo por todas as suas indiscriçÔes até então.

— Fico feliz que seja tão fácil de agradar, Tino. Boa garota.

Ele bagunçou o cabelo dela, fazendo-a derreter com o toque. NĂŁo importava que estivesse caindo direitinho na armadilha dele; aquilo parecia um encontro de verdade… mais ou menos.

— Mestre, me elogiar assim só vai te custar no máximo dez mil gild.

Era tudo o que ela tinha economizado até agora. Ser aprendiz exigia muitos gastos.

— Isso nĂŁo me compra nem uma Ășnica relĂ­quia — respondeu Krai, com uma expressĂŁo impassĂ­vel. — VocĂȘ Ă© inĂștil, Tino.

— VocĂȘ sabe que eu estava brincando, nĂ©, mestre? NĂ©?

A dupla saiu da movimentada rua principal, um destino popular para casais, e entrou em um beco estreito. Krai conduziu Tino por um labirinto de vielas apertadas até pararem diante de uma loja de relíquias com um exterior discreto.

As esperanças de Tino de ter um encontro normal foram destruídas quando ela leu a placa acima da porta. Não era a primeira vez que seu mestre a arrastava para uma loja de relíquias. Na verdade, já haviam visitado aquela, a Magi’s Tale, diversas vezes. Aparentemente, a loja estava ali havia mais de cem anos e era considerada um tesouro escondido da capital.

Tino franziu a testa ao olhar para o sino desenhado na placa.

— Mestre, eu sou sĂł um bilhete de entrada pra vocĂȘ?

— Aham.

— Estou tão triste que vou passar mal.

— Aham.

O mestre de Tino a ignorou completamente. Ela agarrou o braço dele, chocada, mas Krai nem pareceu notar enquanto entravam na loja.

O ar resfriado pelas relĂ­quias refrescou o rosto de Tino. Em contraste com a fachada simples, o interior da loja era bem organizado. As prateleiras estavam repletas de relĂ­quias, agrupadas conforme seus formatos.

RelĂ­quias eram mais valiosas do que a maioria das joias. Um segurança armado ergueu uma sobrancelha ao ver Krai entrar casualmente com Tino agarrada a seu braço, mas logo retomou a expressĂŁo sĂ©ria ao reconhecĂȘ-lo.

Tino sabia que seu mestre era um cliente regular da loja, tendo comprado pelo menos dez Relíquias ali e isso era só o que ela sabia. Mesmo assim, os olhos dele brilhavam de empolgação ao ver a mercadoria. Ela suspeitava que ele jå tivesse esquecido que estavam em um encontro.

— Tem pouca coisa — murmurou ele. — Acho que venho aqui com muita frequĂȘncia. Algum anel de segurança novo? Nada.

— Pensei que vocĂȘ estivesse sem dinheiro, mestre.

As Relíquias eram recursos naturais e só chegavam às prateleiras de lojas como aquela porque caçadores as vendiam. Por isso, o estoque raramente mudava.

Eu adoraria um sorvete, mestre. Se nĂŁo tem RelĂ­quias novas, por que vocĂȘ nĂŁo volta outro dia? O lanche Ă© por minha conta.

Tino nunca disse essas palavras em voz alta. Por mais que gostasse da ideia de um encontro com seu mestre, ela nĂŁo tinha muito interesse em RelĂ­quias. Seu mentor avisara que ainda era cedo demais para ela usar um, e a maioria das RelĂ­quias que encontrava, ela entregava a Krai. Por isso, era tĂŁo pobre. Mas havia outro motivo pelo qual Tino detestava estar ali.

Depois de examinar rapidamente as prateleiras, Krai suspirou e se dirigiu ao balcĂŁo vazio. Ele bateu a mĂŁo no balcĂŁo e gritou:

— Ei, Matthis! Trouxe a Tino! Tino tá aqui!

Um homem de sessenta ou setenta anos apareceu. Ele tinha a cabeça coberta de cabelos brancos e o rosto cheio de rugas. Matthis era o dono da Magi’s Tale, um mestre em sua profissĂŁo, que avaliava RelĂ­quias havia cinco dĂ©cadas. Seus olhos encontraram Krai, e o velho assumiu uma expressĂŁo teimosa. Ele estalou a lĂ­ngua.

— VocĂȘ de novo.

— É assim que vocĂȘ cumprimenta um dos seus melhores clientes? — retrucou Krai.

No início, Tino achou a atitude de Matthis um absurdo, mas depois percebeu que esse era o jeito dele. Enquanto ela observava a cena, seu mestre a segurou pelos ombros e a empurrou em direção ao balcão.

Matthis era um comerciante habilidoso, com boas conexĂ”es e uma ampla seleção de mercadorias, mas nĂŁo vendia para quem nĂŁo aprovava. Muitos caçadores da capital evitavam a Magi’s Tale por esse motivo.

A expressĂŁo irritada de Matthis vacilou por um breve instante ao notar Tino. Por algum motivo, ele gostava dela.

— Viu? — proclamou Krai, em alto e bom som. — Trouxe a Tino. Me leva para os fundos ou nunca mais vai vĂȘ-la.

— Mestre, vocĂȘ sĂł queria o meu corpo? — perguntou Tino, apenas meio brincando.

— Aham.

Era por isso que Tino odiava ir ali, ser reduzida a um ingresso para os fundos da loja.

Nos fundos da loja ficava a oficina de Matthis, entulhada de RelĂ­quias sem avaliação, mantidas longe dos olhos do pĂșblico. Da primeira vez que Tino o acompanhou, seu mestre teve livre acesso ao local. Tendo encontrado seu passe de ouro, Krai começou a levĂĄ-la com frequĂȘncia. Ela nunca foi ferida, e nĂŁo tinha nada contra o lojista de olhar mortal. Ainda assim, nĂŁo podia evitar se sentir abatida sempre que iam lĂĄ. Obviamente, ela nĂŁo era a guarda-costas de seu mestre, muito menos sua companhia romĂąntica.

Matthis parecia tão amargurado quanto sempre ao ter que permitir um estranho em seu santuário de trabalho. — Não tem nada lá atrás que possa te interessar.

— Bem, eu realmente esperava poder mostrar algumas RelĂ­quias para a Tino…

Até mesmo Tino sabia que isso era uma mentira. Vendo que Matthis ainda estava hesitante, Krai empurrou Tino mais um passo para perto do lojista.

Relutante, Tino decidiu entrar no jogo. Embora se sentisse culpada por Matthis, nĂŁo podia desobedecer a uma ordem de seu mestre. Como uma forma de protesto mĂ­nimo, manteve-se inexpressiva e disse em um tom monĂłtono:

— Por favor… Mostre-me tudo o que tem, vovĂŽ.

Matthis engasgou no ar, e Krai bagunçou o cabelo de Tino.

A oficina atrås do balcão era muito maior que a loja da frente, mas o espaço parecia mais claustrofóbico devido às pilhas desorganizadas que dominavam o ambiente.

Livros magnificamente encadernados, mas desbotados, lotavam as estantes e transbordavam em pilhas espalhadas pela oficina. Equipamentos desconhecidos estavam espalhados sobre uma mesa de metal. Tino suspeitava que fossem usados para avaliar RelĂ­quias. InĂșmeras caixas cobriam o chĂŁo, todas elas recheadas de RelĂ­quias que ela nunca tinha visto antes. Provavelmente, eram apenas sucata.

RelĂ­quias eram ecos de um passado glorioso, recriados por material de mana. Elas vinham em todos os formatos e tamanhos, e, ao contrĂĄrio do que muitos acreditavam, a maioria era completamente inĂștil. RelĂ­quias sucateadas nĂŁo tinham efeito algum, mesmo que pudessem ser carregadas com mana.

Porém, discernir se uma Relíquia era sucata ou não não era uma tarefa fåcil para um caçador. Qualquer forma famosa de Relíquia ou uma que produzisse um efeito visível era fåcil de identificar, mas analisar aquelas que não possuíam essas características exigia um conhecimento profundo sobre civilizaçÔes passadas.

O que Ă  primeira vista parecia sucata podia se revelar Ăștil com uma inspeção mais minuciosa. Como uma Ășnica RelĂ­quia poderosa podia comprar uma mansĂŁo, caçadores costumavam coletar qualquer coisa que se parecesse com uma RelĂ­quia e buscar sua avaliação. Tino nĂŁo via muita graça nisso, mas sabia que alguns caçadores viviam apenas de recuperar RelĂ­quias desconhecidas. Era uma forma de aposta, suponha.

Ela se sentou na cadeira oferecida e balançou os pés enquanto observava seu mestre e Matthis discutindo profundamente. Os olhos de Krai brilharam ao ver as Relíquias sobre a mesa. Ele nem sequer olhou para ela.

“Pensei que estivĂ©ssemos em um encontro, mestre”, Tino queria dizer. Desde o momento em que percebeu que estavam indo para uma loja de RelĂ­quias, havia reduzido suas expectativas, mas ser completamente ignorada ainda doĂ­a. Por um momento, se perguntou o que sua mentora faria em uma situação dessas, mas logo espantou o pensamento. Se esperasse demais, poderia acabar perdendo tudo.

Seu mestre parecia alheio ao seu olhar penetrante enquanto falava algo que Tino nĂŁo compreendia, identificando as RelĂ­quias apenas com o olhar. Logo, ele comentou:

— Hmm, nĂŁo me diga que vocĂȘ estĂĄ ficando enferrujado, Matthis.

— Que audácia! — Matthis rosnou. — Eu não controlo o que esses idiotas trazem!

Tino não conseguia acompanhar muito bem a conversa (ela preferia chutar do que usar uma Relíquia), mas prometeu a si mesma que estudaria a linguagem das Relíquias antes de ser convidada a acompanhå-lo novamente. Claro, essa não era a primeira vez que fazia essa promessa, mas era difícil cumpri-la com o pouco tempo que tinha entre seus treinamentos e exploraçÔes de cofres do tesouro.

Krai finalmente terminou de inspecionar as peças sobre a mesa. Aparentemente, nĂŁo havia encontrado nada de valor. Tino ficou radiante, sabendo que finalmente poderiam ir embora. Se pedisse no caminho de volta, talvez ele a levasse para algum lugar que realmente parecesse um encontro. No entanto, a luz no fim do tĂșnel foi rapidamente apagada quando seu mestre começou a remexer em uma caixa de RelĂ­quias sucateadas.

Tino nĂŁo conseguiu mais segurar a lĂ­ngua. — Uhm, mestre…

— Ah, desculpa. SĂł mais um pouquinho, ok? Droga! Nada alĂ©m de lixo. Isso aqui nĂŁo serve pra nada.

— Só mais um pouquinho?! — Tino exclamou. — Quantas horas?!

Havia uma quantidade obscena de caixas espalhadas pelo chĂŁo e ainda mais empilhadas contra as paredes. No total, deviam ser umas cem, todas cheias de sucata evidente. Quando uma RelĂ­quia nĂŁo tinha formato de nada Ăștil, era provavelmente um pedaço de lixo sem valor.

Matthis olhou para a congelada Tino. — Ei, não a deixe sozinha. O que ela deveria fazer?! É isso que eu ganho por deixar um viciado em Relíquias entrar aqui.

— Hmm… Aham.

Krai puxou algo de dentro de uma caixa e jogou para Tino, que pegou com as duas mĂŁos e observou timidamente. Era um anel cinza-aço, claramente barato e inĂștil. Tino olhou, confusa.

Matthis franziu o cenho. — Esse Anel de Disparo Ă© lixo puro— um pedaço de sucata que dispara projĂ©teis mĂĄgicos que nĂŁo causam dano algum. E ainda drena tanta mana quanto um verdadeiro. As balas nem sĂŁo brilhantes o suficiente para distrair um inimigo.

— O que quer que eu faça com isso, mestre?

Seu querido mestre respondeu sem desviar o olhar da caixa:

— Estou ocupado. Por que não treina com isso? Peça para Matthis ensinar.

— O quĂȘ?!

Matthis suspirou, pronto para levantar a voz. Mas antes que pudesse falar, Krai completou:

— Ah, sim. Se vocĂȘ dominar esse treco, eu te compro um de verdade. Se sobrar dinheiro. Beleza?

— S-Sim! Eu vou dominar isso!

Matthis olhou para Tino com pena, mas ela nĂŁo ligava. Se saĂ­sse dali com um anel que seu mestre comprou para ela em seu encontro, nada mais importava.

Tino não esperava uma surpresa dessas. Ela nunca tinha usado um Anel de Tiro antes, mas sabia que era um dos Artefatos mais fåceis de manusear. Isso significava que falhar não era uma opção. Toda sua insatisfação desapareceu quando seu espírito competitivo se acendeu. Com um olhar para seu mestre, que havia voltado à caça de Artefatos, Tino cerrou os punhos.

***

— VocĂȘ vai para o inferno um dia, Krai — disse Matthis.

— Por quĂȘ?

Que pontuação incrível! Eu não esperava encontrar algo tão bom naqueles caixotes de sucata. É disso que se trata fazer compras de Artefatos!

Depois de aguentar a já clássica implicñncia de Matthis, Tino e eu saímos da Magi’s Tale. Minha guarda-costas me seguia, parecendo tão abatida quanto um fantasma.

— Valeu pelo emprĂ©stimo, Tino. Vou te pagar logo.

— TĂĄ tudo bem, mestre. TĂĄ tudo bem. TĂĄ tudo bem… — Tino murmurou.

Uma Bolsa MĂĄgica era uma Bolsa MĂĄgica, no fim das contas. Eu tinha trazido uma quantia razoĂĄvel de dinheiro, mas nĂŁo foi suficiente. SĂł faltava um pouco, entĂŁo peguei o resto emprestado com a Tino. Felizmente, tudo deu certo.

Agora que jĂĄ tinha gasto meu dinheiro, meu plano era voltar para a sede do clĂŁ e encher minha nova aquisição de montes de chocolate… Bem, pelo menos barras de chocolate deveriam caber. Seria perfeito. Que noite maravilhosa me aguardava.

Eu estava tão animado que poderia até dançar no caminho de volta, mas os passos de Tino eram pesados. Ela devia estar cansada de tanto treinar com o Anel de Tiro. Eu jå tinha elogiado ela uma vez, mas um reforço nunca fazia mal.

— Mandou bem, Tino. Agora vocĂȘ pode usar um Anel de Tiro quando quiser.

— Sim… Mesmo que eu nĂŁo tenha um. Eu nĂŁo tenho um…

— Que drama Ă© esse? Bom, acho que um Anel de Tiro nem seria tĂŁo Ăștil para vocĂȘ. Eles nĂŁo sĂŁo tĂŁo poderosos. SĂŁo mais para caçadores que precisam de um reforço no ataque.

— Eu… Eu te odeio, mestre! — Tino gritou. E entĂŁo, saiu correndo.

Nem tive tempo de chamå-la. Antes que eu percebesse, ela jå tinha sumido. Tino era råpida. Afinal, era uma Ladina. Fiquei sozinho na rua, sem entender nada. Os transeuntes me lançavam olhares de pena agora que uma garota tinha saído chorando por minha causa.

Sem chance de alcançå-la, fiquei ali parado, sem nem poder recorrer a um Artefato. Tino normalmente era calma e centrada, entĂŁo foi um choque vĂȘ-la assim.

Rebobinei os acontecimentos do dia na minha cabeça. Achei que só a tinha levado à loja de Artefatos como minha guarda-costas, como sempre. Bom, suponho que a tenha ignorado por tempo demais. Chegamos na loja ainda de dia, e agora o sol jå estava se pondo. Talvez não tenha sido a ideia mais inteligente pegar dinheiro emprestado dela também. Acho que confiei demais porque ela sempre foi uma garota incrível. Da próxima vez, teria mais cuidado e pediria desculpas quando a visse de novo. Talvez até compensasse de alguma forma.

Com essa promessa em mente, caminhei sozinho para casa, enquanto o sol desaparecia no horizonte da cidade.

***

Mais tarde, quando Tino foi jogada na Toca do Lobo Branco, seu treino com o Anel de Tiro acabou sendo muito Ăștil, mas essa jĂĄ Ă© outra histĂłria…


Tradução: Carpeado Para estas e outras obras, visite Canal no Discord do Carpeado â€“ Clicando Aqui


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