I Parry Everything – CapĂ­tulo 9 – Volume 2

Ore wa Subete wo “Parry” Suru: Gyaku Kanchigai
no Sekai Saikyou wa Boukensha ni Naritai
I Parry Everything: What Do You Mean I’m the Strongest?
I’m Not Even an Adventurer Yet!

Light Novel Online – Volume 02:
[CapĂ­tulo 09: O Corcel do Imperador]



O imperador observava a maré prateada que se aproximava. Embora não entendesse exatamente o que estava vendo, achava a maneira como ela se agitava pelo céu, como se estivesse viva, simplesmente cativante.

— O que Ă© aquilo?

Uma inspeção mais detalhada revelou a resposta: era um aglomerado de espadas. Espadas muito familiares. Na verdade, pareciam exatamente com as lùminas mågicas que ele fornecera ao seu exército imperial. Mas como isso seria possível? Por qual razão estariam agora girando pelo ar?

Antes que o imperador pudesse questionar seus sentidos ainda mais, percebeu que havia alguĂ©m parado atrĂĄs dele. Ele girou sobre seu cavalo e foi saudado pela visĂŁo de um homem segurando algo… preto. A figura inesperada olhava diretamente para ele, e seus olhos se encontraram.

— Quem Ă© vocĂȘ?

O imperador nĂŁo recebeu resposta. Um instante depois, o homem desapareceu como se nunca tivesse estado ali.

— Mas o que…?

De repente, a terra onde o fantasma estivera rachou, sacudindo a ĂĄrea ao redor. O cavalo do imperador relinchou de medo, e as inĂșmeras espadas prateadas no cĂ©u começaram a chover sobre o exĂ©rcito imperial abaixo.

Os soldados ergueram seus escudos mĂĄgicos quase impenetrĂĄveis em unĂ­ssono, prontos para afastar a investida — e foi entĂŁo que o imperador notou que eles nĂŁo estavam segurando suas lĂąminas mĂĄgicas. Ele puxou as rĂ©deas de seu cavalo, tentando acalmar a besta, e entĂŁo gritou para seus guardas imperiais prĂłximos:

— Qual o significado disso? O que está acontecendo?

Nenhum deles respondeu; estavam todos ocupados demais olhando para o céu, murmurando para si mesmos em um choque estupefato.

Incapaz de se conter, o imperador seguiu os olhares deles para ver o ar agora cheio de… tĂĄbuas? Pareciam familiares tambĂ©m, embora ele nĂŁo conseguisse identificar o porquĂȘ.

Novamente, o imperador questionou seus sĂșditos: — O que aquelas pranchas estĂŁo fazendo lĂĄ em cima? — E novamente, ninguĂ©m sequer tentou responder. Todos estavam ocupados demais tentando evitar as espadas que caĂ­am — e agora, os soldados estavam completamente de mĂŁos vazias.

O que diabos estava acontecendo? Enquanto o imperador buscava uma resposta, o fantasma de antes reapareceu atrĂĄs dele.

— VocĂȘ de novo?

Seus olhos se encontraram mais uma vez. O imperador observou o rosto do homem com mais intensidade desta vez, e foi então que percebeu—

— VocĂȘ nĂŁo Ă© aquele…?

Esta era a mesma pessoa que ele avistara atravĂ©s de sua ferramenta mĂĄgica de [VisĂŁo Distante] — o homem que se movera para proteger Ines, o Escudo Divino. Mas… isso nĂŁo podia estar certo. Se fosse realmente ele, entĂŁo por que estava aqui? Nem trinta segundos atrĂĄs, ele estava parado na capital, o mais longe que a ferramenta de [VisĂŁo Distante] era capaz de enxergar. Como ele viajara tĂŁo rĂĄpido?

Não, isso não era importante agora. Havia preocupaçÔes mais urgentes. Estava claro, pelo olhar incessante do homem, que ele sabia estar olhando para o governante do Império Mågico. Mas o que ele buscava? Em circunstùncias como estas, só poderia haver uma resposta:

Ele viera pela cabeça do imperador.

— Iiih!

Um guincho incomum escapou dos lĂĄbios do imperador. Ele tinha um exĂ©rcito inteiro Ă  sua disposição, mas estava completamente indefeso. Seus sĂșditos, a quem ele concedera armas tĂŁo confiĂĄveis, pareciam inĂșteis. AtĂ© sua guarda imperial, que estava sempre posicionada perto dele, fora tragada pelo caos ao redor. A situação nĂŁo poderia ser mais favorĂĄvel para um assassino.

Ao perceber seu dilema, o imperador recuou de terror — mas seus medos diminuíram rapidamente quando se lembrou de que estava totalmente trajado em sua resplandecente Armadura do Kaiser dourada. Ela era feita de oricalco e podia repelir qualquer ataque ou feitiço.

“Que o homem venha”, pensou ele.

Estava claro agora que o exĂ©rcito imperial era inĂștil, entĂŁo o imperador simplesmente precisaria lutar por si mesmo. Nem mesmo mestres da lĂąmina podiam se igualar Ă s suas habilidades com a espada, e foi com esse pensamento encorajador que ele sacou sua LĂąmina do Kaiser feita sob medida — tĂŁo radiante e dourada quanto sua armadura — da bainha em seu quadril. Ainda montado em seu cavalo, preparou-se para o combate.

Apenas que o homem nĂŁo aceitou o desafio. Ele desviou o olhar como se nĂŁo estivesse mais interessado e, mais uma vez, desapareceu no ar.

— EntĂŁo vocĂȘ nĂŁo virĂĄ atrĂĄs de mim, afinal, hein?

De repente, algo mais apareceu no cĂ©u — um grande tubo preto. Ele aterrissou bem na frente do imperador, cravando-se na terra com um estrondo estrondoso.

— Gwah!

O imperador caiu de seu vangloriado corcel e recebeu um bocado de terra por seus problemas. Ele ergueu a cabeça o mais rĂĄpido que pĂŽde, e foi entĂŁo que percebeu que o tubo de metal de mana preto diante dele parecia quase um Brionac, uma das superarmas recĂ©m-desenvolvidas do ImpĂ©rio MĂĄgico. Isso nĂŁo podia estar certo, porĂ©m… Um momento atrĂĄs, os Brionacs estavam todos apontados para a cidade daquele rei idiota. Era impossĂ­vel que um tivesse caĂ­do do cĂ©u.

EntĂŁo, outros trĂȘs tubos caĂ­ram lĂĄ de cima. Cada um perfurou o chĂŁo com um estrondo ensurdecedor.

— Como? Como isso está acontecendo?

NinguĂ©m respondeu. Normalmente, tal impudĂȘncia faria o imperador entrar em fĂșria, mas o cenĂĄrio diante dele era simplesmente caĂłtico demais.

— O que… O que Ă© isso?

Conforme o imperador começava a se repetir, o homem apareceu atrås dele pela terceira vez. Novamente, o fantasma apenas encarou antes de desaparecer sem um som.

— Quem Ă© ele?

A cabeça do imperador estava cheia de nada além de perguntas. Desesperado para encontrar ao menos algumas respostas, ele começou a organizar seus pensamentos freneticamente.

Ele trouxera consigo dez mil soldados dispostos em formação perfeita, cada um armado com um escudo impenetrĂĄvel e uma lĂąmina que os transformaria em guerreiros poderosos. NĂŁo poderiam estar mais luxuosamente equipados. E considerando que eram efetivamente um esquadrĂŁo de limpeza — um Ășltimo prego no caixĂŁo de um Rei Clays jĂĄ derrotado — sua vitĂłria deveria estar garantida. O imperador pretendia que isso fosse uma pequena excursĂŁo agradĂĄvel, mais do que qualquer outra coisa.

Nada deveria ser capaz de parar o exĂ©rcito imperial. Os soldados comuns tinham suas lĂąminas e escudos mĂĄgicos, enquanto a elite escolhida a dedo estava trajada em armaduras mĂĄgicas e equipada com canhĂ”es mĂĄgicos. Depois, havia os quatro Brionacs, capazes de subjugar atĂ© o lendĂĄrio DragĂŁo da Calamidade. Eles tinham atĂ© trĂȘs Aegises, defesas mĂĄgicas de larga escala capazes de repelir qualquer magia, nĂŁo importa—

Certo, as Aegises. Seus escudos invencíveis. Eles deveriam ter tornado seu exército invulneråvel a qualquer ataque ou emboscada que enfrentasse, então por que não estavam funcionando?

O imperador olhou ao redor e entĂŁo os avistou — entre os soldados em pĂąnico e os quatro tubos pretos fincados na terra, estavam trĂȘs cruzes violentamente deformadas. Eram elas…? NĂŁo, era impossĂ­vel. Os objetos estranhos diante dele nada se pareciam com as Aegises de que se lembrava. Aquelas eram de um branco brilhante, e seus circuitos delicadamente gravados brilhavam com luz mĂĄgica. Sua majestade solene tinha quase uma qualidade divina — nada como os amontoados miserĂĄveis de sucata que ele estava vendo agora.

— Elas não podem ter sido quebradas. É impossível.

As Aegises eram a defesa suprema, capazes de repelir qualquer coisa. Eram escudos invencĂ­veis que deveriam ter protegido o invicto exĂ©rcito imperial… entĂŁo como chegaram a este estado?

— Por que isso está acontecendo?

O imperador nĂŁo conseguia entender. EntĂŁo, mais uma vez, o homem misterioso apareceu, segurando sua sinistra espada negra.

— O que—? NĂŁo…

Os olhos do imperador saltaram quando, pela primeira vez, percebeu o que estava olhando. Nas mĂŁos do homem estava a LĂąmina Negra, a relĂ­quia inigualĂĄvel que ele buscara desde que a vira sendo usada pelo rei idiota. NĂŁo podia ser outra coisa.

EntĂŁo, a suspeita atingiu novamente. Se aquela era realmente a LĂąmina Negra… entĂŁo quem era este homem? Aquele tolo do Rei Clays sempre se recusara a se desfazer da espada, entĂŁo por que ela estava agora na posse deste estranho? E como ele a segurava tĂŁo casualmente com uma sĂł mĂŁo…?

A LĂąmina Negra era Ășnica em todos os sentidos. Era imune Ă  magia e feita de um material mais resistente que oricalco, presa de dragĂŁo e atĂ© adamantite, o metal mais duro conhecido. Mas o mais notĂĄvel de tudo era seu peso inexplicĂĄvel; nem mesmo dez soldados fortes conseguiam carregĂĄ-la.

No entanto, aqui estava este homem, empunhando-a com uma mĂŁo. Era uma conquista absurda. O “grande” Rei Clays, cuja força absurda o tornava capaz de enviar cem homens voando com um sĂł braço, precisara de ambas as mĂŁos para usar a LĂąmina Negra — e mesmo assim mal conseguira golpeĂĄ-la.

— Ridículo.

As evidĂȘncias apontavam todas para uma conclusĂŁo: este homem era ainda mais forte que o monstruoso Rei Clays. Era insensato pensar que tal pessoa pudesse existir. Mas se este fantasma realmente estava segurando a LĂąmina Negra, e sem o menor sinal de esforço… entĂŁo nada poderia detĂȘ-lo. O mundo inteiro estava Ă  sua mercĂȘ.

— Absurdo. Simplesmente absurdo — o imperador balbuciava para si mesmo, nĂŁo querendo acreditar em tal explicação excruciante, mas era tarde demais; ele nĂŁo podia negar o que estava vendo. Embora nĂŁo soubesse por que ou como tudo aquilo acontecera, uma coisa era certa: este homem era a causa. A LĂąmina Negra em sua mĂŁo sĂł poderia ter sido legada a ele pelo prĂłprio Rei Clays, o que significava que ele era a vanguarda do completo idiota. Ele era claramente um ativo importante, entĂŁo por que o imperador, que tinha subordinados mais que suficientes coletando inteligĂȘncia sobre os assuntos do Reino, sĂł estava sabendo dele agora? A pesquisa deles nĂŁo fora minuciosa o suficiente… ou o Reino sĂł recentemente reconhecera os talentos deste homem? Seria possĂ­vel que alguĂ©m tĂŁo poderoso passasse inteiramente despercebido por tanto tempo?

Em qualquer caso, o resultado era o mesmo. Um Ășnico homem privara dez mil soldados de suas lĂąminas e escudos, levando todo o exĂ©rcito imperial ao caos. Ele cravara seus Brionacs profundamente no chĂŁo e reduzira suas Aegises a miserĂĄveis pilhas de sucata.

O rosto do imperador contorceu-se em angĂșstia ao finalmente aceitar este pesadelo catastrĂłfico como a verdade. Havia uma coisa que ele ainda nĂŁo conseguia entender, porĂ©m — se este homem possuĂ­a tal força, por que ainda nĂŁo atacara? Ele tinha a oportunidade perfeita para abater o governante do ImpĂ©rio MĂĄgico.

O que restava fazer? Este homem evidentemente sabia a localização do imperador — eles haviam trocado olhares mais de uma vez agora — mas ele se recusava a agir. Em vez disso, aparecia e desaparecia, repetidamente. Era quase como se o imperador estivesse sendo ridicularizado… e no momento em que isso cruzou sua mente, os lĂĄbios do homem se curvaram em um sorriso sinistro.

— Aagh!

O imperador soltou um ganido sufocado. Ele entendeu o significado por trås daquele sorriso enigmåtico. O homem conhecia sua identidade e estava brincando com ele, encurralando-o cada vez mais e deleitando-se com seu terror. Tinha que ser isso. Aquele monstro estava humilhando e brincando com sua presa, fazendo exatamente o que o imperador queria fazer com o Rei Clays. E por que não faria? Um homem com tal força inigualåvel poderia fazer o que bem entendesse.

Novamente, os lĂĄbios do homem se contorceram em um sorriso sinistro e zombeteiro.

— Iiiih!

Desta vez, o imperador sentiu algo quente escorrendo por sua perna — então soltou um grito silencioso de choque quando o homem que o encarava maliciosamente desapareceu de novo.

Era óbvio o que precisava ser feito e, com esse pensamento, o imperador montou em seu afamado corcel. Ele estava equipado com um arreio mágico de nível máximo, construído de oricalco e encantado para aumentar a força física da montaria em várias vezes. Então, o imperador deu as costas aos seus soldados em pñnico, instou seu cavalo a ir o mais rápido que podia e fugiu do campo de batalha — sozinho.


Tradução: Carpeado
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