I Parry Everything – CapĂ­tulo 6 – Volume 2

Ore wa Subete wo “Parry” Suru: Gyaku Kanchigai
no Sekai Saikyou wa Boukensha ni Naritai
I Parry Everything: What Do You Mean I’m the Strongest?
I’m Not Even an Adventurer Yet!

Light Novel Online – Volume 06:
[CapĂ­tulo 06: Uma Conversa com o DragĂŁo]


— Achei que ia morrer…

Era a mais pura verdade. A força imensa do feitiço da Lynne me fez apagar por um momento e, quando dei por mim, eu jå estava voando pelo ar. O chão estava ficando cada vez mais perto e, imediatamente, entendi minha situação.

“Preciso acertar o pouso ou jĂĄ era.”

FrenĂ©tico, peguei impulso no chĂŁo e disparei em uma corrida saltitante. Eu tinha evitado por pouco um destino terrĂ­vel, mas nĂŁo tive tempo para me sentir aliviado; as muralhas da cidade estavam quase ao alcance de um cuspe. Eu pulei — com muito, mas muito desespero — e consegui sobrevoĂĄ-las no Ășltimo segundo possĂ­vel. Eu estava seguro.

Ou assim pensei. Agora, eu estava indo direto contra a cabeça do dragão. Ele estava tão longe hå um segundo, mas agora estava bem na minha frente.

Em transe, balancei minha espada negra. As escamas do dragão eram duras; colidir com elas provavelmente me deixaria em pior estado do que se eu tivesse batido nas muralhas da cidade. Felizmente, meu golpe conseguiu anular meu ímpeto bem no momento em que me choquei contra a cabeça do dragão, derrubando-o do céu e enviando nós dois despencando em direção ao solo.

Foi aí que as coisas ficaram realmente feias. Quando recuperei os sentidos, percebi que estava parado em meio a uma tempestade de destroços, cara a cara com o dragão que, involuntariamente, servira de almofada para mim.

— Isso… nĂŁo pode ser bom.

A besta soltou um rugido que abalou a terra e olhou diretamente para mim. Tudo aconteceu tão råpido que eu ainda não tinha processado a situação, mas mesmo em meio à minha confusão, uma coisa era clara: eu tinha irritado o dragão.

E era definitivamente um dragĂŁo.

Monstros como esse eram figuras centrais na maioria das lendas e contos de fadas, entĂŁo atĂ© um cara como eu sabia sobre eles. Mas essa era a primeira vez que eu via um de verdade. Era enorme e parecia muito mais feroz do que eu jamais imaginara. Mesmo depois de tĂȘ-lo visto de longe, eu ainda estava completamente chocado com seu tamanho — seu corpo titĂąnico parecia estar sustentando o prĂłprio cĂ©u.

O dragĂŁo ergueu as garras como se fosse me esmagar — mas enquanto eu observava a criatura massiva se mover na minha frente, fui atingido por uma sensação estranha. A diferença de tamanho entre nossas espĂ©cies era muito mais desesperadora do que eu poderia esperar; um sopro de ar de suas narinas seria o suficiente para me mandar voando, e ser pisoteado acabaria com minha vida sem dĂșvida. A perspectiva de confrontar um monstro tĂŁo aterrorizante deveria ter me matado de medo.

Estranhamente, porém, enquanto eu encarava o dragão, não senti tanto pavor assim. Na verdade, suas garras pareciam incrivelmente lentas enquanto desciam em minha direção.

Talvez ter sido arremessado para dentro da cidade em uma velocidade inacreditĂĄvel, escapando da morte por um fio repetidas vezes, tivesse anestesiado algo dentro de mim. Eu simplesmente nĂŁo conseguia me sentir particularmente assustado.

O dragĂŁo era certamente gigante… mas isso sĂł tornava mais fĂĄcil prever o que ele faria a seguir. AlĂ©m disso, se nada mais funcionasse, eu tinha quase certeza de que conseguiria repelir o ataque dele. Ainda um pouco tonto, firmei minha espada e bati decisivamente nas garras que desciam sobre mim.

[Aparar]

Senti o peso de um impacto massivo e ouvi um estrondo trovejante. As garras do dragĂŁo falharam em me esmagar, colidindo ao meu lado e cavando sulcos profundos na terra.

Aquilo tinha sido mais fĂĄcil do que eu esperava. O golpe do dragĂŁo fora tĂŁo pesado quanto parecia, Ă© claro — os ataques daquela vaca furiosa ou do goblin nĂŁo eram nada em comparação — mas eu tinha me preparado para que fosse algo bem mais pesado.

Em termos de força de impacto, o feitiço da Lynne que me mandou voando para cĂĄ fora muito, mas muito mais intenso. Quero dizer… aquilo me fez desmaiar e me convenceu de que eu ia morrer. Eu aguentei, no entanto, e vivi para contar a histĂłria. Quando eu considerava as coisas por esse Ăąngulo, as garras do dragĂŁo nĂŁo pareciam nem um pouco assustadoras.

EntĂŁo, enquanto aplicava uma [Cura Leve] em mim mesmo, foquei apenas em continuar vivo e em resistir freneticamente aos ataques do dragĂŁo conforme eles vinham. Eu desviava e parava os golpes do meu oponente, tentando me mover o mĂ­nimo possĂ­vel, mas ocasionalmente saltando para fora do caminho de pedregulhos e outros destroços. Quando peguei o jeito, nĂŁo foi particularmente difĂ­cil; como se viu, o dragĂŁo na verdade nĂŁo tinha tantas formas de me atacar. Dito isso… era bem assustador sempre que ele me golpeava com sua cauda enorme, varrendo os edifĂ­cios ao redor no processo.

Ocasionalmente, o dragĂŁo tambĂ©m tentava me atingir com uma luz intensa vinda de sua boca, mas — para minha surpresa — minha espada conseguia parar aquilo tambĂ©m. AliĂĄs, nĂŁo importava com o que a lĂąmina entrasse em contato, ela nunca parecia sofrer nenhum arranhĂŁo novo. Era um mistĂ©rio sobre o qual eu vinha me perguntando hĂĄ algum tempo.

Finalmente, consegui um pouco de espaço para respirar — e foi então que o dragão fez algo verdadeiramente inesperado.

— Grrr…

Ele parou de atacar e, em vez disso, agachou-se na minha frente. Fiquei aliviado por estar seguro, mas ao mesmo tempo…

— O que vocĂȘ estĂĄ fazendo…?

O dragão permaneceu estirado no chão, imóvel. Seus olhos estavam parcialmente abertos, então ele provavelmente não estava dormindo. Também não parecia que ele tivesse desabado de exaustão. Independentemente do motivo, porém, eu não conseguia mais sentir nenhuma hostilidade vinda do colosso; ele estava apenas ali deitado, me observando.

Enquanto eu tentava decidir o que fazer, percebi uma coisa — a visĂŁo da cabeça e do pescoço do dragĂŁo me lembrou de uma histĂłria de quando eu era criança. Era um Ă©pico de aventura no qual o protagonista, um herĂłi, decapitava um dragĂŁo maligno e ganhava o tĂ­tulo de “Matador de DragĂ”es”. As escamas, garras, presas e ossos do dragĂŁo eram entĂŁo usados para fazer armas finas, armaduras e remĂ©dios, abençoando a regiĂŁo local com riqueza e boa fortuna.

Meu pai me contara muitas histĂłrias de herĂłis assim quando eu era pequeno, e me lembrei de querer crescer para ser exatamente como os Matadores de DragĂ”es. Seguindo essa linha de pensamento…

— Decapitar um dragĂŁo, hein…?

Esta era provavelmente a oportunidade Ășnica na vida para fazer exatamente isso. SerĂĄ que abater esse dragĂŁo titĂąnico me tornaria igual aos herĂłis que eu sempre admirei? Enquanto esse pensamento selvagem girava em minha mente, olhei novamente para o agora dĂłcil dragĂŁo e balancei a cabeça reflexivamente.

— Eu… nĂŁo posso te matar.

O dragão era inegavelmente maligno. Ele tinha acabado de destruir mais casas do que eu poderia esperar contar e, embora eu não soubesse com certeza, havia uma boa chance de que ele tivesse matado muita gente também.

Mesmo assim, do jeito que as coisas estavam, eu nĂŁo conseguia sentir nenhuma hostilidade vinda dele. Seus rugidos anteriores, que abalaram a terra, haviam se transformado em rosnados suaves, e ele parecia estar em um estado de espĂ­rito muito mais calmo. Na verdade, ele estava atĂ© esticando a cabeça em minha direção, como se dissesse: “Faça o que quiser comigo”. O olhar em seus olhos era sincero, como se estivesse fazendo um apelo genuĂ­no para mim.

De certa forma, seus rosnados baixos me lembravam os ganidos afetuosos dos pequenos animais que se apegavam a mim lĂĄ em minha casa na montanha…

No momento em que esse pensamento cruzou minha mente, soube que nĂŁo poderia tirar a vida do pobre dragĂŁo. Eu nĂŁo tinha problemas em matar animais que estava caçando, que estivessem destruindo minhas plantaçÔes ou tentando me comer, mas nĂŁo conseguia me forçar a ferir algo que estava agindo de forma amigĂĄvel. Agora que o dragĂŁo nĂŁo estava mais em fĂșria, eu simplesmente nĂŁo conseguia abatĂȘ-lo.

De qualquer forma, minha espada não era adequada para decapitar nada, para começo de conversa. Ela não teria a menor chance contra um pescoço tão grosso quanto o do dragão.

Abandonando todos os pensamentos de matar o dragĂŁo deitado Ă  minha frente, relaxei o aperto na espada.

— Eu realmente não sirvo para ser um herói de livro de histórias, hein?

Deixando tudo isso de lado… por que o dragĂŁo mudara seu comportamento de forma tĂŁo dramĂĄtica? Ele passara de um estado de fĂșria cega para um comportamento manso e obediente. Por mais que eu pensasse a respeito, nĂŁo conseguia sequer começar a imaginar o motivo.

— Instrutor! VocĂȘ estĂĄ bem?!

Virei-me, tendo ouvido uma voz familiar atrås de mim, e todas as peças imediatamente se encaixaram.

— Oh… entendi. EntĂŁo foi isso que aconteceu.

Na minha frente estavam Lynne, Ines e o garoto do povo… dem… do povo-alguma-coisa, Rolo, que tinha a incrĂ­vel habilidade de controlar monstros.

— Instrutor! VocĂȘ nĂŁo estĂĄ ferido, estĂĄ?!

— Não, estou ótimo.

— VocĂȘ estĂĄ… o quĂȘ?

Claro, o impacto do feitiço da Lynne tinha fraturado quase todos os ossos do meu corpo, mas eu me recuperei com uma [Cura Leve] enquanto resistia ao assalto do dragão. Em outras palavras, eu realmente estava bem. Lynne estava me dando um olhar estranho, mas ignorei isso por enquanto — eu precisava agradecer ao Rolo.

— Rolo. VocĂȘ me salvou — eu disse. — Eu quase morri.

Agora foi a vez de Rolo me olhar estranho. — Er… o quĂȘ? — ele perguntou. — O que vocĂȘ quer dizer?

— VocĂȘ nĂŁo acalmou o dragĂŁo?

— Eu?! N-Não, definitivamente não!

— O quĂȘ…?

Rolo estava balançando a cabeça vigorosamente de um lado para o outro, parecendo chocado. Ele estava dizendo a verdade? Mas… de que outra forma o dragĂŁo poderia ter acabado assim?

— SĂ©rio? — perguntei, sentindo a necessidade de ter certeza. — NĂŁo foi vocĂȘ?

Rolo balançou a cabeça tĂŁo freneticamente que seu corpo todo se moveu junto. JĂĄ que ele estava negando seu envolvimento com tanto desespero, ele devia estar dizendo a…

NĂŁo, espere. Isso simplesmente nĂŁo podia estar certo. Tinha que ter sido o Rolo. Eu nĂŁo conseguia ver mais ninguĂ©m por perto, e ele era o Ășnico de nĂłs que conseguia controlar monstros. Ele tinha medo de que as pessoas achassem sua habilidade assustadora — embora eu nĂŁo soubesse o porquĂȘ — entĂŁo talvez estivesse preocupado que começåssemos a temĂȘ-lo se soubĂ©ssemos que ele podia controlar um dragĂŁo tĂŁo titĂąnico.

Ainda assim, eu gostaria que ele fosse um pouco mais honesto consigo mesmo — especialmente quando o dele não era o tipo de poder que poderia ficar escondido para sempre. Ele claramente não ia admitir, no entanto, então supus que não havia nada a ser feito.

— Bem, tanto faz — eu disse. — Se vocĂȘ diz, Rolo.

— Uhum… Com certeza nĂŁo fui eu.

— Certo, posso aceitar isso. Enfim… tem uma coisa que eu queria te pedir.

— Para mim?

Rolo podia estar inseguro sobre seu poder, mas tĂ­nhamos um uso perfeito para ele:

— Se possĂ­vel… vocĂȘ pode mandar o dragĂŁo de volta para casa?

— Para a casa dele…? — ele repetiu.

Se o dragĂŁo ficasse aqui, era garantido que alguĂ©m apareceria para matĂĄ-lo. Talvez esse fosse o melhor desfecho para a sociedade humana — afinal, era um monstro infame por devastar tudo ao seu redor — mas ainda assim… eu nĂŁo conseguia evitar de me sentir mal por ele. Eu estava sendo irracional, mas, se possĂ­vel, queria deixĂĄ-lo ir embora silenciosamente.

Lynne olhou para mim inquieta. — Mas, Instrutor, este dragĂŁo Ă©…

— Eu sei que matĂĄ-lo aqui e agora provavelmente seria o melhor, mas… eu preferiria nĂŁo recorrer a isso, se pudermos evitar. Eu reconheço que estou sendo egoĂ­sta. Mesmo assim, realmente nĂŁo temos escolha?

ApĂłs parar para pensar, Lynne respondeu: — Tudo bem. Se Ă© o que deseja, Instrutor.

— Acha que consegue, Rolo? — perguntei.

— NĂŁo sei… É difĂ­cil fazer um monstro tĂŁo forte obedecer. Mas… eu devo conseguir perguntar, pelo menos.

Rolo começou a se aproximar do dragão deitado no chão. Embora ele ainda estivesse fingindo falta de confiança, parecia disposto a atender meu pedido — embora eu achasse que ele não precisava fazer cena, pessoalmente.

— Por favor, faça isso — eu disse.

— Uhum. Vou tentar.

Enquanto eu refletia mais um pouco, porĂ©m, percebi que a atitude do Rolo era, na verdade, bem admirĂĄvel. Apesar de ser tĂŁo incrivelmente dotado, ele nĂŁo ostentava sua habilidade sem sentido. Era impressionante que ele fosse tĂŁo humilde — embora um pouco mais de orgulho nĂŁo fizesse mal para um garoto da idade dele.

Eu tinha certeza de que Rolo nunca faria mau uso de seu poder ou tentaria se impor, e embora eu achasse que ele era um pouco tĂ­mido demais, eu estava gostando muito dele.

— Certo… lĂĄ vou eu!

Rolo parou na frente do dragĂŁo e iniciou algum tipo de conversa silenciosa com ele. EntĂŁo, o colosso soltou um rosnado baixo.

— Hein…? — Rolo exclamou. Ele se virou para olhar para mim.

— O que foi? — perguntei.

— Ele… ele diz que farĂĄ o que quer que seu mestre peça.

— Isso Ă©… Uau.

Mesmo esperando que isso acontecesse, eu ainda fiquei um pouco surpreso. Rolo era um garoto aterrorizante, e com certeza teria coisas incríveis em seu futuro. Se ele conseguisse apenas fazer algo em relação a essa personalidade meio sombria, eu tinha certeza de que ele seria popular quando crescesse.

— Nesse caso, vocĂȘ poderia pedir para ele voltar pacificamente para casa? — eu disse. — E… eu sei que este Ă© um pedido bem grande, mas vocĂȘ tambĂ©m poderia pedir para ele nĂŁo ferir mais ninguĂ©m de agora em diante?

— C-Claro… Eu posso fazer isso…

Rolo virou-se novamente para o dragĂŁo e fechou os olhos. Pelo andar das coisas, ele estava conseguindo se comunicar. ApĂłs um breve momento, o dragĂŁo soltou um rosnado profundo e ergueu seu corpo titĂąnico do chĂŁo.

— Funcionou? — perguntei.

— Sim… Ele disse que obedecerĂĄ a todos os seus pedidos.

— U-Uau…

— É… Uau…

O dragĂŁo abriu suas asas massivas e, com um bater vigoroso, saltou no ar, criando uma tempestade de vento em seu rastro.

— IncrĂ­vel…

— Pensar que tal coisa Ă© possĂ­vel…

Lynne e Ines observavam o dragĂŁo partindo em estado de choque. Enquanto isso, Rolo e eu trocamos olhares.

— Ele foi embora mesmo…

— É-É…

NĂłs quatro permanecemos em silĂȘncio por um tempo enquanto assistĂ­amos ao dragĂŁo negro recuar em direção ao leste, aliviados por a grande crise ter terminado. Mas enquanto eu aproveitava a calma, uma luz intensa, de um vermelho-pĂșrpura, subitamente cruzou meu campo de visĂŁo, tingindo o cĂ©u de um carmesim profundo.

— O quĂȘ?

Então, um raio de luz escarlate envolveu o dragão, queimando-o da cabeça à cauda. O colosso despencou de cabeça em direção ao solo, onde atingiu a terra com um estrondo ensurdecedor.


Tradução: Carpeado
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