I Parry Everything – CapĂ­tulo 4 – Volume 2

Ore wa Subete wo “Parry” Suru: Gyaku Kanchigai
no Sekai Saikyou wa Boukensha ni Naritai
I Parry Everything: What Do You Mean I’m the Strongest?
I’m Not Even an Adventurer Yet!

Light Novel Online – Volume 02:
[CapĂ­tulo 04: Eu Paro um DragĂŁo]



O dragão estava confuso. Por que ele estava caindo do céu? Por que o chão se aproximava firmemente vindo de cima?

Ver aqueles estorvos punitivos e insolentes lĂĄ embaixo fez o dragĂŁo querer apagĂĄ-los com sua luz orgulhosa, entĂŁo foi exatamente isso que ele fez. Ou assim pensou…

Mas nĂŁo, ele devia tĂȘ-los obliterado. Afinal, sua luz — a destruição de todas as coisas — estava bem ali diante de seus olhos, deslumbrantemente radiante.

EntĂŁo… por quĂȘ?

O dragão disparara seu ataque de sopro diretamente em um dos seres punitivos abaixo — um cisco insignificante que ousara agir com hostilidade.

Então por que sua luz agora estava disparando pelo céu?

Por que o dragĂŁo estava caindo, observando-a de baixo?

Enquanto o dragão observava o céu invertido, ele se perguntava. Mesmo quando atingiu o solo e despedaçou a terra com um estrondo trovejante, com suas costas cobertas de escamas mais duras que quartzo puro achatando os edifícios de pedra em seu caminho, ele lutava para entender.

O que acabara de acontecer?

A suspeita ocupou os pensamentos do dragĂŁo. Isso estava errado. Era quase como se algo o tivesse enviado voando pelo ar, e nĂŁo o contrĂĄrio.

Poeira e detritos se espalharam enquanto o dragão, ainda intrigado com seu enigma, voltava a ficar de pé. Então, entre a nuvem turva, ele notou uma certa figura: um dos seres punitivos, segurando algo semelhante a uma agulha negra. Era o mesmo ser que o dragão vislumbrara momentos antes de disparar sua luz.

O ser estava parado silenciosamente sobre a terra fustigada pela tempestade, observando o dragĂŁo.

“Ah”, pensou o dragĂŁo. “Aqui estĂĄ. Esta coisa Ă© a culpada. Este ĂĄcaro punitivo foi a causa do que aconteceu comigo. Ele cobriu minhas belas e orgulhosas escamas de poeira e, por isso, nĂŁo pode ter permissĂŁo para existir.”

O dragĂŁo encontrara a resposta para suas perguntas e imediatamente entrou em fĂșria. Ele nĂŁo sentia dor alguma, nem havia feridas em seu corpo… mas ele ainda se recusava a ignorar o erro da pequena criatura.

Na verdade, o dragĂŁo nĂŁo sabia o que a criatura fizera, ou como fizera. Mas, de alguma forma, usando algum truque barato ou outro, ela impedira o dragĂŁo de agir como bem entendesse. Convencido disso, o dragĂŁo fervia de fĂșria.

“Isso nĂŁo pode ser ignorado.”

O dragão soltou um rugido frenético que balançou a terra e sacudiu o céu. Não havia um motivo particular para sua raiva. Qualquer coisa que ficasse no caminho do dragão seria pisoteada até virar pó. Qualquer coisa que se opusesse a ele seria rasgada em pedaços e mastigada até que o dragão estivesse satisfeito. Essas reaçÔes estavam gravadas tão profundamente em sua alma que eram quase instintivas. Se o dragão assim desejasse, poderia esmagar cada ser punitivo na årea tão finamente que não restaria vestígio deles. Depois de viver por milhares de anos, ele sabia que essa era a verdade absoluta.

E assim, sem hesitação, o dragĂŁo balançou suas garras vangloriadas — cada uma vĂĄrias vezes maior que um dos seres punitivos — contra a criatura desagradĂĄvel diante de seus olhos. Ele nĂŁo queria nada alĂ©m de esmagar o estorvo, entĂŁo cedeu prontamente a esse impulso, mas…

[Aparar]

Novamente, o dragĂŁo nĂŁo conseguiu entender o que havia acontecido. No passado, suas garras rasgaram montanhas, reduziram as fortalezas dos seres punitivos Ă  ruĂ­na e atĂ© despedaçaram membros irritantes de sua prĂłpria espĂ©cie. O ser minĂșsculo deveria ter sido reduzido a uma mancha igualmente minĂșscula, mas as garras do dragĂŁo foram, em vez disso, repelidas, momento em que atingiram a terra com um estrondo ensurdecedor.

Tal desfecho era impossĂ­vel.

O dragĂŁo virou-se, pretendendo desferir seu prĂłximo golpe com sua cauda massiva e orgulhosa. Este grande apĂȘndice jĂĄ havia transformado atĂ© mesmo os irmĂŁos mais resilientes do dragĂŁo em polpa; uma criatura pequena e insolente nĂŁo teria a menor chance.

Assim, o dragĂŁo girou em um amplo arco e trouxe sua gloriosa cauda — revestida de escamas muito mais duras que ferro — com toda a sua força, esmagando centenas das habitaçÔes dos seres punitivos e reduzindo paredes de pedra a nuvens crescentes de poeira no processo. EntĂŁo, sentindo prazer no clamor da destruição, ele lançou sua cauda diretamente contra o pequeno estorvo.

O deleite encheu o coração do dragĂŁo, pois ele sabia que o ĂĄcaro nĂŁo seria capaz de oferecer qualquer resistĂȘncia.

[Aparar]

De repente, o dragĂŁo sentiu-se fora de lugar. Somente quando seus sentidos se recuperaram ele percebeu que estava, por algum motivo, agora deitado de costas.

O dragĂŁo estava confuso e sem pistas sobre o que acabara de acontecer. EntĂŁo, ele foi tomado pela dĂșvida. ApĂłs um ataque de sua cauda orgulhosa, a criatura deveria ter sido reduzida a nada… entĂŁo por que ela ainda estava parada ali?

Para piorar as coisas, o ser punitivo parecia calmo, como se nada tivesse acontecido. Ele estava apenas esperando no lugar, ainda segurando aquele pequeno objeto negro tĂŁo semelhante Ă s agulhas inĂșteis que os outros pequeninos tanto amavam.

O dragĂŁo ponderou sobre a situação estranha. O que estava acontecendo? Como estava acontecendo? Mas nĂŁo importava como ele considerasse as coisas, algo estava errado. O mundo que ele observava estava cheio de contradiçÔes. O fraco nĂŁo desafiava o forte, e o dragĂŁo era a personificação da força absoluta… no entanto, era quase como se aquele ser punitivo tivesse acabado de repelir sua cauda. E com o mĂ­nimo esforço!

“NĂŁo, isso nĂŁo podia ser. Tal coisa era impossĂ­vel. Algum tipo de acidente certamente era o culpado.”

Então, uma percepção atingiu o dragão: ele deveria ter usado sua luz — sua maior arma e orgulho — desde o início. Ele deveria ter liberado seu sopro.

O dragĂŁo abriu sua mandĂ­bula amplamente, focando a tremenda quantidade de mana que acumulara durante seus centenas de anos passados dormindo em sua garganta. O espaço prĂłximo se distorceu sob a pressĂŁo. A mana no fundo da garganta do dragĂŁo inchou e tornou-se abrasadoramente quente. Embora o colosso nĂŁo tivesse os mĂșsculos faciais para expressar suas emoçÔes, ele estava sorrindo internamente.

Era isso. Não haveria — não, não poderia haver mais acidentes. Simplesmente não havia chance de eles ocorrerem. Afinal, durante os milhares de anos que o dragão existira, nenhum ser vivo jamais escapara da aniquilação de sua luz. Este seria o fim deste ser punitivo. Era o destino final do tolo que se opîs ao dragão — o ápice de toda a vida.

A fĂ© do dragĂŁo em si mesmo era inabalĂĄvel. A mana surgindo no fundo de sua garganta convergiu em uma massa crĂ­tica atĂ© que…

Da bocarra do dragĂŁo irrompeu uma luz radiante — um ataque que incinerara os inimigos do dragĂŁo por milhares de anos, reduzira tantas cadeias de montanhas e atĂ© paĂ­ses a nada, e alterara a prĂłpria forma da terra. E essa força destrutiva estava focada em um Ășnico e punitivo ser.

— Groooaaarrr!

Num piscar de olhos, os arredores foram tingidos de branco enquanto um Ășnico raio de mana — carregando a promessa da destruição certa de tudo o que tocasse — disparou da boca do dragĂŁo direto para o estorvo insignificante que era seu alvo.

O dragĂŁo sabia que nĂŁo importava o que acontecesse, este seria o fim. Mas enquanto ele se banhava em sua prĂłpria convicção e deleite…

[Aparar]

A luz orgulhosa do dragão, que fora imbuída com toda a sua força, foi abruptamente desviada para cima. Ela disparou para longe no céu distante antes de aterrissar e criar uma cratera sem sentido em algum lugar mais longe do que os olhos podiam ver.

“Por quĂȘ?”

“Por que… isso estava acontecendo?”

EntĂŁo, o dragĂŁo finalmente entendeu. NĂŁo havia mais espaço para dĂșvidas. Era o ser punitivo. Ele havia interferido no ataque de sopro, deixando o apetite do dragĂŁo por destruição e devastação insaciado.

Finalmente, o dragĂŁo admitiu: este estorvo — este ser punitivo — era um inimigo. Apesar de sua espĂ©cie, era uma existĂȘncia desagradĂĄvel poderosa o suficiente para ser considerada um incĂŽmodo — e, em sua arrogĂąncia, estava agora diante do dragĂŁo como um oponente.

Sabendo disso, o dragĂŁo entrou em uma fĂșria ainda maior. Tal aborrecimento precisava ser resolvido.

O dragão não queria mais o deleite de atormentar este ser punitivo. Tudo o que importava era aniquilå-lo inteiramente. Ele rasgaria o åcaro, o mastigaria em pedaços e depois o pisotearia, repetidamente, até que não restassem nem carne nem ossos. No horizonte estava a destruição completa e absoluta, pois esse era o destino inevitåvel de todos que desafiavam o dragão. Nenhuma criatura jamais provara ser uma exceção a essa regra, e nem esta provaria.

Sim, era isso que o dragĂŁo faria. Era o que ele precisava fazer.

— GRRRROOOOAAAARRRR!!!

Enquanto o dragão bradava, seu anseio profundo por destruição e devastação despertou. Ele fez uso de todo o poder à sua disposição para desencadear uma barragem de golpes variados, tudo para esmagar seu estorvo de inimigo. Ele não se importava mais se se ferisse no processo; contanto que pudesse destruir o nanico que provara ser tão desagradåvel, nada mais importava.

Cada um dos golpes do dragão cavava sulcos no chão e sacudia violentamente a terra, fazendo com que cada uma das habitaçÔes dos seres punitivos à vista desmoronasse. Ditado por seus próprios impulsos, o dragão estava destruindo tudo o que via pela frente.

Em momentos como este, tudo o que o dragĂŁo precisava fazer era se render aos seus impulsos. Quando sua consciĂȘncia finalmente ressurgisse, tudo estaria acabado; seus arredores nĂŁo passariam de uma agradĂĄvel extensĂŁo de escombros. E depois de ter destruĂ­do tudo e melhorado seu humor, ele retornaria para sua cama, onde desfrutaria calmamente de outro sono de vĂĄrias centenas de anos.

Por mais incomum que essa troca tivesse sido, ela terminaria de forma não diferente das outras — disso, o dragão tinha certeza. E enquanto se entregava aos seus impulsos mais uma vez, ele voltou a se banhar em seu próprio deleite.

[Aparar]

Mas conforme o dragĂŁo continuava seu assalto Ă  criatura punitiva, sua raiva e deleite gradualmente se transformaram em emoçÔes menos certas. Suspeita. DĂșvida. ConfusĂŁo. Enquanto observava o nanico empunhando sua minĂșscula agulha negra, ele nĂŁo pĂŽde deixar de se sentir perplexo. Como o estorvo ainda estava vivo? O dragĂŁo nĂŁo acabara de atacar com toda a sua força? De fato, havia atacado. EntĂŁo por que seu inimigo nĂŁo morrera? Por que o estorvo ainda estava se movendo?

E… por que as grandes garras e escamas do dragĂŁo — muito mais duras que ferro e quartzo puro, e impenetrĂĄveis atĂ© mesmo para o diamante — estavam tĂŁo gravemente feridas? Elas deveriam ser impossĂ­veis de danificar, mas em seu estado atual, dir-se-ia que eram tĂŁo frĂĄgeis quanto blocos de madeira. O dragĂŁo nunca experimentara tal coisa antes.

Foi então que o dragão notou mais uma anormalidade: durante todo esse tempo, o ser punitivo não exalara sequer um vestígio de intenção assassina. Nem uma vez ele sequer fingira atacar. Era quase como se a criatura não reconhecesse o dragão como um inimigo, apesar de o inverso ser muito verdadeiro.

Em uma linha semelhante, o dragão sempre descartara os incÎmodos que apareciam diante dele, portando intenção hostil, como totalmente insignificantes. Os ataques deles não foram capazes de lhe causar dor alguma, então ele simplesmente os deixara fazer o que bem entendessem. Afinal, quando chegasse a hora certa, o dragão poderia esmagå-los conforme seu humor ditasse.

Durante esse tipo de encontro — dos quais houve muitos — o dragĂŁo nem sequer sentira qualquer animosidade em relação Ă s criaturas. Elas eram simplesmente fracas demais para serem consideradas inimigas. No entanto, durante este combate, no qual o dragĂŁo estava desferindo suas garras em um ataque apĂłs o outro, era quase como se…

Como se o dragĂŁo fosse o fraco, golpeando o forte.

O dragão estava furioso. Estava em descrença. Tal arrogùncia vinda de um dos seres punitivos jamais poderia ser permitida. Era o privilégio dos fortes.

O orgulho do dragĂŁo — seu instinto como uma existĂȘncia absoluta que nĂŁo conhecera nada alĂ©m da vitĂłria por milhares de anos — despertou de onde estava gravado nos recessos mais profundos de seu corpo. Obedecendo Ă s suas exigĂȘncias, o dragĂŁo atacou com suas presas orgulhosas, que eram mais duras que tudo e capazes de esmagar atĂ© diamante.

Em resposta, o ser punitivo segurou sua agulha negra com firmeza e esperou calmamente pelo ataque.

[Aparar]

O dragão ouviu um estalo desagradåvel quando suas presas foram atingidas e quebradas em suas bases. Então, seu pescoço foi abruptamente torcido para cima, dando-lhe outra visão do céu enquanto ele caía pateticamente em direção ao chão.

A confusĂŁo superou o dragĂŁo. O impacto de sua queda rachara a terra e, enquanto afundava nos escombros, ele ruminava sobre o que acabara de ocorrer.

A raiva do dragĂŁo jĂĄ havia passado, abrindo caminho para a dĂșvida e depois para a convicção, ao ser finalmente levado a perceber a verdade.

Este mundo era governado por aqueles com poder. O forte comandava o fraco, e o fraco tinha que obedecer sem questionar. Esta era a verdade fundamental do mundo dos dragĂ”es — a Ășnica regra instintiva de sua espĂ©cie.

E assim o dragão, sendo o que era, não teve escolha a não ser obedecer aos seus impulsos e admitir a verdade: que agora, ele era o fraco. Que, como perdedor, era forçado a se submeter.

Assim, de acordo com seus instintos, o dragĂŁo agiu de maneira condizente com um perdedor. Ele deitou o pescoço e o estĂŽmago no chĂŁo, a cabeça aninhada contra a terra, e fechou os olhos como se estivesse se deixando Ă  mercĂȘ do ser punitivo diante dele.

EntĂŁo, o dragĂŁo parou de se mover. Pela primeira vez em sua vida, ele assumira a postura de submissĂŁo.


Tradução: Carpeado
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