×

I Parry Everything – Capítulo 3 – Volume 2

Ore wa Subete wo “Parry” Suru: Gyaku Kanchigai
no Sekai Saikyou wa Boukensha ni Naritai
I Parry Everything: What Do You Mean I’m the Strongest?
I’m Not Even an Adventurer Yet!

Light Novel Online – Volume 02:
[Capítulo 03: Os Momentos Finais do Rei ]



Do ponto mais alto da capital, o rei observava a cidade que governava. O pináculo do castelo real fora construído para facilitar a emissão de ordens por toda a cidade durante emergências e, dali, era possível compreender claramente o estado dos arredores.

Fumaça preta e espessa até onde a vista alcançava. Casas, igrejas e mercados envoltos em chamas. O número de lares destruídos era incalculável, e os sons de um combate furioso podiam ser ouvidos por toda a cidade. E, no céu, estava o titânico dragão negro que surgira do nada.

O rei observava, gravando as imagens em sua mente.

— Então esta é a “ninharia” de que ele falou? — perguntou-se em voz alta. — Como julguei mal o seu caráter. Nunca imaginei que ele recorreria a um uso tão flagrante de força.

“Ele” era o Imperador Deridas III, o governante do Império Mágico. Enquanto o rei observava o dragão se aproximar, ruminava sobre as negociações finais — e fracassadas — que tivera com o imperador vários dias antes, bem como as palavras finais de despedida do homem.

— Quanta absurdidade tentam nos empurrar goela abaixo — murmurou o rei. — Renunciar à nossa masmorra e a todos os seus recursos? Prepotência.

Para o Reino de Clays, aceder a tal exigência seria equivalente a fechar o livro de mil anos de história.

Ao contrário das três nações que faziam fronteira com ele, o Reino de Clays era pequeno. Tinha menos de um décimo do tamanho de um de seus vizinhos, e seus recursos naturais — vias navegáveis, minas, florestas e outros — eram escassos. Apesar disso, possuía um único e crítico ativo: a Masmorra dos Perdidos, dita ser a masmorra mais antiga do mundo. Foi comercializando as relíquias antigas e ferramentas mágicas encontradas ali, enriquecendo seu tesouro, e também maximizando o uso de quase todo o seu território como terras aráveis, que o Reino conseguira se sustentar ao longo da história, apesar de seu tamanho pífio.

A Masmorra dos Perdidos era a razão pela qual a capital real era chamada de “Terra Santa dos Aventureiros”. Era também o ponto de origem da fundação do Reino. Mesmo após incontáveis gerações, ela permanecia como o núcleo da economia do Reino e a pedra angular do sustento do povo. Cada cidadão da terra se beneficiava enormemente de seus dons.

No entanto, o Império exigira tudo. Para o Reino, ceder não teria apenas impactado a vida da população — teria garantido o colapso do próprio Reino. O imperador estava plenamente ciente disso, mas fez a exigência de qualquer maneira.

Deridas III estava louco de ganância… mas o rei ainda se lembrava de uma época em que não era assim. Embora a tendência do imperador de fazer exigências ultrajantes não tivesse mudado, o homem outrora fora perfeitamente capaz de chegar a um consenso. No mínimo, a impressão que o rei tinha dele era a de um governante que equilibrava ambição com razão.

No entanto, o imperador envelhecera, e cada ano cobrava um preço maior que o anterior. Apoiado pelas sofisticadas tecnologias industriais de seu império, ele anexara as nações vizinhas que possuíam masmorras e usara zelosamente suas relíquias antigas e ferramentas mágicas para elevar as pesquisas do Império a patamares ainda maiores. E, com cada reprodução bem-sucedida de tais recursos, o poder do Império — tanto militar quanto político — tornara-se maior.

Foi então que o imperador realmente mudou. Ele parou de esconder sua ganância e ambição, e tornou-se um homem que desprezava até mesmo a ideia de manter o equilíbrio entre seu império e seus vizinhos. Talvez ele tivesse considerado tais noções desnecessárias após adquirir o poder para impor seus desejos egoístas.

Conforme o Império crescia em força e usava seu peso com frequência cada vez maior, os outros dois vizinhos do Reino começaram a seguir o exemplo. Um pacto de não agressão foi formado entre Deridas, Mithra e Sarenza, então as três nações passaram a anexar os territórios menores ao seu alcance em uma busca descarada por recursos naturais, influência política e poderio armado.

— Eles realmente anseiam tanto por poder?

O foco das três nações, bem como a fonte do poder do Império Mágico, eram as masmorras e os recursos encontrados nelas. De suas profundezas, podia-se recuperar qualquer número de relíquias abaladoras, muitas das quais sem igual em utilidade quando se tratava de invadir outro país. Se a pesquisa adequada fosse investida nelas, poderiam até ser reproduzidas, aumentando o poder militar de uma nação e tornando a guerra uma questão fútil.

Esse era o caminho sombrio que Deridas III decidira seguir — e, mesmo agora, ele não mostrava sinais de se desviar dele. Considerando sua imensa ganância, não era surpresa que agora quisesse a Masmorra dos Perdidos tão desesperadamente; ele estava convencido de que ela lhe concederia ainda mais poder.

Mas que bem viria de perpetuar tal ciclo? O poder existia para garantir a felicidade dos cidadãos de uma nação. Manter esse poder sob controle e só usá-lo quando necessário também era uma forma perfeitamente válida de governar.

No entanto, quando o rei expressara essa crença, o imperador escarnecera.

— Tais noções são o motivo pelo qual você permaneceu eternamente estagnado, preso como o governante de um reino minúsculo. Você nunca serviu para ser rei.

E a tirada do imperador não parara por ali.

— “Esmagar um reino minúsculo como o seu seria uma mera ninharia. Se você falhar em aceitar meus termos, faça-o tendo feito as pazes com seu destino” — o rei repetiu, lembrando-se da ameaça. — Hum. Um homem de palavra, esse imperador.

O rei entendera que o imperador era perigoso. Ele esperava que ele tramasse algum tipo de esquema, mas este massacre… Não apenas chegara mais cedo do que o rei jamais antecipara, mas também era mais impiedoso e de escala muito maior.

Embora o imperador tivesse deixado suas intenções perfeitamente claras, no fundo, o rei não o levara a sério. Ele estava convencido de que o homem ainda era humano — que ele apenas queria a Masmorra dos Perdidos abaixo do Reino, e que era meramente indiferente a toda a cultura e história que residiam acima dela.

Talvez o homem estivesse certo, e o rei não servisse para governar. O Rei Clays era um homem obstinado, e a política nunca lhe caíra bem. Era muito mais de sua natureza brandir sua espada sem pensar do que dar ordens aos seus vassalos. Mesmo há pouco tempo, ele estivera correndo pela cidade, combatendo o surto de monstros — ele mesmo abatera três Imperadores Goblins.

Mas isso fora o máximo que o corpo envelhecido do rei conseguira suportar. Ele deixara o resto para seus vassalos e seu filho, o Príncipe Rein, escolhendo subir ao pináculo do castelo real para que pudesse se dedicar totalmente ao papel de coordenador, observando o campo de batalha e ajustando as posições de suas tropas. No entanto…

— É aqui que meu reinado termina…

A verdade era que o Príncipe Rein estava à frente desta situação. Após a maioridade do príncipe aos quinze anos, o rei confiara a ele o comando das operações de inteligência e assuntos internos do Reino, na esperança de que os cargos o ajudassem a ganhar experiência como sucessor ao trono — e o príncipe rapidamente superara as expectativas do rei.

Vendo isso, o rei dera então ao príncipe a autoridade para comandar os Seis Corpos do Exército da Capital Real, junto com ordens para abater um dragão do trovão. O príncipe realizara a tarefa com uma habilidade esplêndida — além das expectativas mais selvagens do rei, na verdade.

O rei sabia que seu filho já o havia superado de longe. O Reino não precisava mais do Rei Clays para florescer.

Devido à excelente previdência do príncipe, a crise atual fora preparada com bastante antecedência. As ordens do Príncipe Rein para evacuar os cidadãos também foram oportunas e bem julgadas, na avaliação do rei. As baixas foram mantidas no mínimo até agora e, embora a limpeza do surto de monstros fosse uma batalha difícil, as forças do Reino estavam ganhando terreno constantemente. Talvez tivessem até a vantagem agora.

Em contraste com a situação, porém, o rei estava em um estado lamentável.

— Foi o meu fracasso que levou a tudo isso. Eu não tenho sequer o direito de implorar pelo perdão deles.

O Dragão da Calamidade pairava diante dos olhos do rei, aproximando-se firmemente. Era a pior crise que uma nação poderia enfrentar — a personificação do próprio desespero, um símbolo de ruína mencionado em lendas por todo o continente — e fora trazida até aqui pelo passo em falso do rei nas negociações com o imperador. Enquanto observava sua silhueta titânica, um pensamento repentino lhe ocorreu.

“Quem dera eles estivessem aqui comigo agora.”

Sig, o Soberano da Espada.

Dandalg, o Soberano do Escudo.

Mianne, a Soberana do Arco.

Carew, o Soberano das Sombras.

Oken, o Soberano dos Feitiços.

Sain, o Soberano da Salvação.

Os Seis Soberanos eram vassalos e bons amigos do rei, com quem ele lutara em muitas batalhas de vida ou morte. Eram camaradas em quem ele podia confiar como em nenhum outro. Se os Seis estivessem aqui com ele agora, talvez houvesse um fiapo de esperança na situação.

Mas os Seis estavam atualmente espalhados pela cidade. Para aplacar o caos o mais rápido possível, eles foram enviados para distritos separados para assumir o comando de seus respectivos campos de batalha.

As coisas não eram mais como costumavam ser. Os Seis agora ocupavam cargos importantes dentro da estrutura do Reino — um Reino que não podia se dar ao luxo de ter todos os seus melhores ativos presos em um único lugar.

O rei refletiu sobre o que já havia percebido há muito tempo — que a sequência de eventos caóticos que envolvera a cidade nas chamas da guerra provavelmente não passara de uma diversão em larga escala destinada a manter separados os Seis Soberanos, os principais ativos militares do Reino.

Embora o rei estivesse plenamente ciente disso, seguir a diversão fora a única maneira de proteger a vida de seu povo. Assim, ele não se arrependia de ter ordenado que os Seis se separassem para gerenciar o esforço de limpeza. No fim das contas, o inimigo simplesmente estivera dois passos à frente.

No entanto… o rei nunca esperara que o Império fosse tão impiedoso em sua escolha de métodos.

— Realmente, cometi um erro irremediável.

Tomado pelo arrependimento, o rei pediu desculpas ao seu povo, que graciosamente seguira seu governante tolo; ao seu filho e filha, aos quais ele não fora capaz de legar o reino que tanto amava; e ao Reino, cuja história memorável logo chegaria ao fim como resultado de seu fracasso.

O rei sacou sua espada longa da bainha no quadril e silenciosamente a segurou em prontidão. — Embora não seja expiação pelo que fiz, posso pelo menos levar um de seus olhos comigo.

Um único olho do lendário Dragão da Calamidade… O rei achava que conseguiria isso, contanto que apostasse sua vida na tentativa. Abatê-lo era uma impossibilidade, mas ele ao menos lhe daria uma cicatriz para que se lembrasse dele.

Com isso em mente, e com a morte diante de seus próprios olhos, o rei subitamente percebeu que seu próprio sangue estava fervendo. A sensação era nostálgica — um lembrete da época em que ele não passava de um mero aventureiro explorando masmorras com seus companheiros. Ele sorriu ironicamente com a percepção.

— Realmente não sirvo para ser rei.

Simplesmente ficar aqui assim, espada em punho, era muito mais adequado para um homem como ele. Porque, por mais tolo que fosse, ele ainda podia retribuir olho por olho — embora estivesse entregando muito, muito mais nessa troca. Apertando o cabo de sua arma, ele caminhou até a borda da varanda, um passo lento após o outro, preparando-se para desferir seu golpe final.

Mas o rei foi parado em seu caminho. O Dragão da Calamidade abrira sua mandíbula amplamente, dando-lhe uma visão clara da luz ofuscante em seu interior.

— Eu esperava desferir ao menos um único golpe… mas parece que você não vai nem me permitir isso.

O dragão pretendia liberar sua lendária arma de sopro, a Luz da Destruição. De acordo com as lendas, o ataque reduzira montanhas a pó, incinerara países e transformara cidades em planícies estéreis. E agora, após um único olhar, ele sabia que aquelas histórias eram mais do que apenas fábulas.

A luz na boca do dragão era tão densa em mana que o espaço parecia se distorcer ao seu redor. Assim como as lendas afirmavam, ela traria nada além de destruição absoluta. Nenhuma quantidade de barreiras mágicas forneceria qualquer consolo. No momento em que o dragão liberasse seu ataque de sopro, o rei seria reduzido a pó — e a cidade inteira junto com ele.

Diante dessa percepção, o rei abandonou todos os pensamentos de resistência.

— Sinto muito, Lynne.

Em vez disso, diante de sua própria morte, ele focou em sua filha Lynneburg.

O rei sabia que o Príncipe Rein, preocupado com a vida da irmã, enviara Lynne para a Santa Teocracia de Mithra, onde ela estudara quando criança. Mas ele também sabia que, mesmo que ela chegasse lá em segurança, muitas dificuldades ainda a esperavam. Mithra aliara-se ao Império Mágico. Era o mais seguro dos três vizinhos do Reino, mas isso não significava muita coisa.

O rei estava bem ciente do que aguardava no fim da estrada para a realeza de uma nação caída.

Mas, ao mesmo tempo, Lynne estava com Noor, o homem a quem ele dera a Lâmina Negra. Talvez, por ter alguém tão imensamente capaz ao seu lado, ela conseguisse evitar um destino tão terrível. Rein certamente pensara o mesmo; ele enviara Ines, o Escudo Divino, que servira como guarda-costas de Lynne desde que a menina era criança, na jornada com eles. Se havia uma oração final que o rei pudesse fazer — um último pensamento que ocuparia sua mente — era que sua filha sobrevivesse e seguisse para viver uma vida feliz.

O rei ficou espantado consigo mesmo. Seu reino estava à beira da ruína, e ainda assim sua maior preocupação era a segurança de sua filha. Realmente, ele não servia para governar.

— No entanto… eu deveria pelo menos passar meus momentos finais sendo fiel ao meu dever.

O rei jogou sua amada espada longa de lado e sacou a Espada do Estrondo, uma das relíquias de masmorra em sua posse, imbuindo-a com toda a sua mana enquanto se preparava para saltar na boca do dragão à sua frente. Ele apostaria tudo neste próximo golpe.

Mesmo que o rei não conseguisse levar um dos olhos do dragão, ele usaria o momento final antes que seu corpo se desintegrasse para impedi-lo de disparar seu sopro. O resto ele poderia deixar para seu filho e vassalos competentes. Eles dariam um jeito — ele tinha certeza disso.

— Venha, dragão! Vou lhe mostrar do que a humanidade é feita!

Uma luz berrante e brilhante brilhou no fundo da garganta da besta, distorcendo o espaço ao seu redor. O lendário Dragão da Calamidade estava prestes a liberar a Luz da Destruição. Mas antes que pudesse—

Pelo canto do olho, o rei viu algo disparar em seu campo de visão.

— O quê…?

Sem som e a uma velocidade inacreditável, aquilo voou direto em direção ao Dragão da Calamidade…

[Aparar]

E então a cabeça do colosso foi jogada violentamente para cima.


Tradução: Carpeado
Para estas e outras obras, visite o Site do Carpeado Traduz – Clicando Aqui


Tradução feita por fãs.
Apoie o autor comprando a obra original.


Compartilhe nas Redes Sociais

Publicar comentário

Anime X Novel 7 Anos

Trazendo Boas Leituras Até Você!

Todas as obras presentes na Anime X Novel foram traduzidas de fãs para fãs e são de uso único e exclusivo para a divulgação das obras, portanto podendo conter erros de gramática, escrita e modificação dos nomes originais de personagens e locais. Caso se interesse por alguma das obras aqui apresentadas, por favor considere comprar ou adquiri-las quando estiverem disponível em sua cidade.

Copyright © 2018 – 2026 | Anime X Novel | Powered By SpiceThemes

Capítulos em: I Parry Everything: What Do You Mean I’m the Strongest? I’m Not Even an Adventurer Yet!