I Parry Everything – CapĂtulo 2 – Volume 2
Ore wa Subete wo “Parry” Suru: Gyaku Kanchigai
no Sekai Saikyou wa Boukensha ni Naritai
I Parry Everything: What Do You Mean I’m the Strongest?
I’m Not Even an Adventurer Yet!
Light Novel Online – Volume 02:
[CapĂtulo 02: O Caminho de Volta para a Capital Real]
â Estamos quase chegando, Instrutor.
â Ă. Consigo ver apenas um pouco.
A carruagem em que Ines, o garoto demĂŽnio Rolo, o Instrutor Noor e eu estĂĄvamos, corria em direção Ă capital real. Mantivemos velocidade total desde que iniciamos nossa jornada de retorno e, embora eu soubesse que estĂĄvamos forçando demais nosso cavalo, sua persistĂȘncia nos colocou Ă vista da capital em menos da metade do tempo que levamos viajando em direção a Mithra.
A visĂŁo da cidade me deixou sem palavras â eu podia notar que algo estava errado. Ines, que estava com as rĂ©deas, parecia tensa enquanto franzia o cenho para a fumaça que subia da capital.
â Eu sabia… â eu disse. â Tem algo errado.
O vento trazia atĂ© nĂłs o cheiro de algo queimando. Uma fumaça preta subia da capital. Mesmo a essa distĂąncia, parecia terrĂvel. As colunas de fumaça nĂŁo vinham de apenas um ou dois locais; surgiam de todos os cantos da extensa ĂĄrea da cidade. Era como se todos os distritos estivessem envoltos em chamas.
Enquanto eu observava a visão sinistra se aproximando cada vez mais, prendi a respiração e sussurrei:
â Pensar que as coisas estavam tĂŁo ruins…
Eu sabia muito bem por que meu irmĂŁo me queria longe da cidade, mas os desejos dele eram irrelevantes diante desta situação. O fato de eu ter considerado aceitĂĄvel fugir sozinha… A vergonha da minha prĂłpria falta de consideração me atingiu novamente.
â Hum? O que Ă© aquilo? â o Instrutor Noor murmurou. Ele olhava para o cĂ©u com uma expressĂŁo confusa. Evidentemente, ele havia avistado algo… mas seu olhar estava direcionado tĂŁo para o alto que ele estava olhando quase diretamente para cima.
â EstĂĄ tudo bem? â perguntei.
â Olhe, lĂĄ no alto â ele respondeu. â NĂŁo consegue ver? Acho que tem algo ali.
â Acima das nuvens…?
â Ă, veja.
O Instrutor Noor apontou para um ponto bem acima das nuvens, logo acima da cidade. Por mais que eu forçasse meus olhos, não conseguia ver nada.
â Receio nĂŁo conseguirâ
A surpresa sufocou minhas palavras. Enquanto fixava meu olhar na direção que o Instrutor Noor apontava, gradualmente comecei a distinguir algo no cĂ©u nublado sobre a cidade. Um tremor sutil que eu sĂł poderia descrever como o mais leve dos distĂșrbios. Pouco a pouco, parecia estar descendo em direção ao solo.
â VocĂȘ tem razĂŁo… â eu disse. â Tem algo ali.
Estava se movendo. Eu podia ver uma massa ondulante de algum tipo que quase cobria toda a seção do céu acima da cidade.
â Isso nĂŁo pode ser um ser vivo, pode? â murmurei. â Ă grande demais…
Apesar de tudo, duvidei dos meus prĂłprios olhos. O que quer que eu estivesse vendo parecia anormalmente grande, especialmente comparado aos edifĂcios que eu via ao longe. Era grande demais para ser um ser vivo â grande demais atĂ©.
Um momento depois, todos prendemos a respiração.
â O quĂȘ?! â exclamei.
EstĂĄvamos olhando para o cĂ©u, surpresos, quando ele apareceu do nada. AlguĂ©m em algum lugar provavelmente usou [Revelar] na massa ondulante, e o que vi enquanto a pelĂcula transparente se desprendia quase me deixou sem fala.
â NĂŁo…
A visĂŁo de um dragĂŁo titĂąnico voando sobre a capital real me deixou estupefata â e era porque eu o reconhecia que meu torpor era ainda mais paralisante. O colosso parecia exatamente com o infame DragĂŁo da Calamidade, cuja semelhança era descrita e retratada nĂŁo apenas em registros de lendas, mas tambĂ©m em livros ilustrados, livros de referĂȘncia, grimĂłrios, crĂŽnicas e praticamente qualquer outro tipo de texto existente.
â NĂŁo pode ser… â eu disse. â SĂ©rio mesmo?
O Dragão da Calamidade. Sua aparição garantia a aniquilação completa e absoluta da região circundante. Mas tais pressentimentos eram irrelevantes agora; não importava se alguém conhecia as lendas ou acreditava que este era o verdadeiro Dragão da Calamidade, a cena diante dos meus olhos tornava o destino de nossa terra claro demais.
O dragĂŁo titĂąnico que pairava sobre metade da cidade movia-se calmamente pelo cĂ©u… em direção ao castelo real. Enquanto eu observava da carruagem, um pequeno “NĂŁo!” escapou de mim.
O castelo real do Reino de Clays fora originalmente construĂdo de forma semelhante a uma fortaleza e, em tempos de emergĂȘncia, servia como um centro de comando de onde meu pai â a autoridade mĂĄxima militar do Reino â podia emitir ordens para os arredores.
Se meu pai fugisse agora, era possĂvel que conseguisse sair a tempo. Sua habilidade fĂsica era mais que suficiente para escapar… mas eu sabia que ele nunca escolheria isso. Pelo andar das coisas, achei provĂĄvel que grande parte dos cidadĂŁos ainda estivesse dentro da cidade. Em uma situação em que precisassem ser evacuados, meu pai sempre ficaria para agir como seu escudo.
Afinal, ele era um dos maiores ativos militares da cidade e do Reino, bem como um dos indivĂduos mais fortes de todo o mundo. Embora tivesse se aposentado do serviço ativo, ele nĂŁo mostrava sinais de ter enfraquecido e, com ele, estavam os Seis Soberanos, cuja proeza de combate os tornava dignos de seus tĂtulos.
Eu jĂĄ sabia o que ia acontecer: meu pai, o rei, lideraria os Seis Soberanos em um confronto direto com o DragĂŁo da Calamidade, tudo para que o maior nĂșmero possĂvel de pessoas pudesse escapar da cidade.
Mas, ainda assim…
â Por favor… corra… â sussurrei.
NĂŁo importa o quĂŁo veterano e herĂłi meu pai fosse, ele nĂŁo era pĂĄreo para seu oponente. Tudo o que o esperava era a morte certa. A cidade cairia e seu rei morreria. O Reino de Clays iriaâ
â Um dragĂŁo, hein? Ă a minha primeira vez vendo um. Eles sĂŁo bem grandes.
Minha mente estava cheia de nada além de projeçÔes do pior, mas a voz do Instrutor Noor me trouxe de volta aos sentidos. Em meio ao meu turbilhão interno, reuni todo o meu esforço para falar no tom mais calmo que consegui manter.
â Meu pai estĂĄ logo ali. Se aquele dragĂŁo o alcançarâ
Minhas prĂłximas palavras ficaram presas na garganta e ali permaneceram.
â Eu deveria ir ajudĂĄ-lo? â perguntou o Instrutor Noor.
â NĂŁo, eu… receio que jĂĄ seja tarde demais.
Eu me perguntei por que sequer me dei ao trabalho de afirmar o Ăłbvio. O que poderia resultar de contar ao Instrutor Noor sobre meu pai? Ainda estĂĄvamos longe da cidade â nĂŁo havia nada que pudĂ©ssemos fazer de onde estĂĄvamos. E mesmo supondo que o alcançåssemos, ainda serĂamos impotentes para mudar qualquer coisa.
â Tenho quase certeza de que consigo chegar lĂĄ a tempo â disse o Instrutor Noor. â Se eu correr, no caso.
Olhei para ele surpresa. â Verdade? De tĂŁo longe?
â Ă.
Pelo que eu podia notar, ele estava falando inteiramente sério.
â Se vocĂȘ fizer a mesma coisa que fez quando lutamos contra aquele goblin, acho que consigo chegar lĂĄ a tempo â finalizou ele, falando como se fosse a façanha mais fĂĄcil do mundo.
Embora meus pensamentos estivessem preocupados com minha inquietação, as palavras dele chegaram atĂ© mim. Ele nĂŁo podia estar sugerindo…
â VocĂȘ se refere Ă minha [Rajada de Vento]? â perguntei. â Suponho que posso usĂĄ-la, sim, m-mas…
O feitiço não deveria ser usado dessa maneira. Naquela época, eu só o disparei nas costas do Instrutor Noor porque a situação desesperadora exigia. Além disso, ele acabara de travar batalhas intensas e consecutivas contra um Dragão da Morte Negra e o Homem-Morto Zadu, o que certamente o drenara consideravelmente. Como eu poderia pedir que ele fosse direto ao encontro do Dragão da Calamidade?
â Bem, tenho quase certeza de que sĂł vou atrapalhar se eu for… â começou o Instrutor Noor. Ele era a imagem da calma, como se a situação atual nĂŁo o incomodasse nem um pouco. Sorrindo para mim, ele ergueu a LĂąmina Negra em uma das mĂŁos enquanto continuava: â Mas ainda hĂĄ uma chance de que eu consiga fazer algo para ajudar. Aquela cidade fez muito por mim â e seu pai tambĂ©m â entĂŁo gostaria de fazer o que puder.
Naquele momento, lembrei-me de quem exatamente estava diante de mim.
â VocĂȘ estĂĄ… certo â eu disse.
Simples assim, minha hesitação desapareceu. Por que eu sequer duvidara se conseguirĂamos chegar a tempo? Claro que conseguirĂamos. Afinal, o Instrutor Noor acabara de dizer que sim. Minha decisĂŁo foi imediata â eu faria tudo em meu poder para levĂĄ-lo atĂ© lĂĄ.
[Rajada de Vento] era um feitiço ofensivo avançado de atributo vento. Normalmente, nĂŁo deveria ser disparado contra pessoas; era magia letal de alta classe que continha força suficiente para explodir uma fortaleza de pedra inteira ou, em um acerto direto, despedaçar um monstro comum em pedacinhos. Era por isso que, lĂĄ na floresta, eu estive tĂŁo hesitante em usĂĄ-la no Instrutor Noor. Mesmo apĂłs concordar com o plano dele, achei que nĂŁo tinha colocado nem metade da minha força no feitiço…
Mas eu nĂŁo me seguraria mais. NĂŁo havia necessidade. Da Ășltima vez, o Instrutor Noor saiu sem sequer um Ășnico arranhĂŁo. Um feitiço que teria ferido seriamente qualquer outra pessoa fora, para ele, nada mais que um vento de cauda Ăștil. E nĂŁo era sĂł isso â tudo sobre ele desviava da norma. Meu senso comum tacanho nĂŁo conseguia medir sua escala. EntĂŁo, para corresponder Ă s expectativas dele, preparei-me, de corpo e alma, para disparar uma [Rajada de Vento].
Não havia necessidade de qualquer hesitação ou restrição. Não quando a pessoa na minha frente era ninguém menos que o meu Instrutor Noor.
â Tudo bem â eu disse. â Ines, dĂȘ-me uma mĂŁo.
â Como desejar, minha senhora.
Seguindo as ordens que lhe dei, Ines usou seu [Escudo Divino] para criar mĂșltiplas barreiras de luz. Ela entĂŁo as moldou em um Ășnico cilindro, que posicionou de lado. Pedi para o Instrutor Noor ficar em uma extremidade, que apontava para a capital real, enquanto eu me posicionava com ambas as mĂŁos na outra.
â Aqui vou eu â eu disse. â O impacto serĂĄ incomparavelmente mais forte do que da Ășltima vez. Peço que me perdoe.
â O quĂȘ?
No instante seguinte, coloquei todo o meu foco na preparação. Eu precisaria reunir toda a minha mana e disparå-la nas costas do Instrutor Noor.
Formei mĂșltiplas instĂąncias de [Barreira MĂĄgica] nas palmas das minhas mĂŁos e â como precaução extra â dei a cada uma uma camada de [Refletir] e [Refletir Magia]. Minha [Rajada de Vento] seria amplificada e comprimida pelo [Escudo Divino] cilĂndrico de Ines, uma barreira de proteção absoluta, entĂŁo eu precisava estar pronta para o impacto.
Em seguida, para maximizar a potĂȘncia do meu feitiço, sobrepus [Aprimorar], [Cargar] e [ExplosĂŁo], e entĂŁo usei [Condensar] para comprimir a mana que eu havia reunido nas palmas. Ao mesmo tempo, para aumentar dramaticamente seu poder, ativei [Conjuração MĂșltipla] â uma habilidade que o Instrutor Oken, o Soberano dos Feitiços, me ensinara. TrĂȘs feitiços em cada mĂŁo era o limite do que eu conseguia manejar no momento. Somando as duas mĂŁos, significava que eu era capaz de uma conjuração sĂȘxtupla.
Eu estava focada na tarefa Ă frente â em disparar cada partĂcula de poder atravĂ©s do cilindro de luz de Ines e nas costas do Instrutor Noor. Este era o limite absoluto do que eu podia fazer, pelo menos no que dizia respeito ao que consegui bolar na hora.
No tempo que levei para respirar fundo uma Ășnica vez, completei todos os preparativos. Isso era o mĂĄximo que minha habilidade podia me levar. Na melhor das hipĂłteses, apenas quebraria a velocidade do som; nĂŁo seria o suficiente para alcançar o DragĂŁo da Calamidade. Mas com o Instrutor Noor na equação…
â Aqui vou eu… â eu disse. â [Rajada de Vento].
Disparei meu feitiço de conjuração sĂȘxtupla, aprimorado com tudo o que eu tinha. Quase imediatamente, senti um impacto tremendo atravĂ©s de ambas as mĂŁos enquanto elas eram violentamente sopradas para longe do cilindro de luz. Os ossos nelas haviam se estilhaçado, e o Instrutor Noor, que recebera o feitiço diretamente em suas costas…
Havia sumido sem deixar vestĂgios. Era como se ele tivesse simplesmente desaparecido no ar.
â Instrutor…?
Nem um batimento depois, uma grande cratera apareceu na estrada que levava à capital real. Depois outra, e mais outra ainda. As depressÔes massivas surgiam em sucessão råpida, como um gigante deixando pegadas em seu rastro, e a terra entre elas se partia, criando uma longa fissura que se estendia em direção à cidade como um relùmpago.
O chão estremeceu e balançou, e todas as årvores dentro do meu campo de visão sacudiram como se tivessem sido atingidas por um terremoto terrivelmente violento. Pela força pura das vibraçÔes, parecia que um vasto meteorito havia colidido com a terra.
Ao mesmo tempo, longe, na distĂąncia, vi algo saltar alto no ar. Era a silhueta de uma pessoa, empunhando uma espada em uma das mĂŁos.
â Que a sorte o favoreça, Instrutor.
A forma continuou em frente. Então, num piscar de olhos, ela desapareceu no pano de fundo projetado pelo Dragão da Calamidade no céu acima da capital real.
Tradução: Carpeado
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