I Parry Everything – CapĂtulo 17 – Volume 2
Ore wa Subete wo “Parry” Suru: Gyaku Kanchigai
no Sekai Saikyou wa Boukensha ni Naritai
I Parry Everything: What Do You Mean I’m the Strongest?
I’m Not Even an Adventurer Yet!
Light Novel Online – Volume 02:
[CapĂtulo 17: No EscritĂłrio Improvisado do Rei]
AtravĂ©s de negociaçÔes entre o Reino de Clays e o ImpĂ©rio MĂĄgico, vĂĄrios acordos foram alcançados. Primeiro, o imperador assumiria a responsabilidade pela guerra e abdicaria. Segundo, o ImpĂ©rio pagaria reparaçÔes ao Reino e financiaria toda a reconstrução da capital real, na qual os soldados imperiais capturados como prisioneiros de guerra auxiliariam. Terceiro, o ImpĂ©rio entregaria suas descobertas tecnolĂłgicas no campo da produção de ferramentas mĂĄgicas, que atĂ© entĂŁo eram classificadas como segredo nacional. E quarto, o ImpĂ©rio aceitaria um tratado de nĂŁo interferĂȘncia mĂștua.
A “abdicação” do imperador nĂŁo seria anunciada atĂ© que o governo de seu neto estivesse devidamente estabelecido. Como resultado, pelos prĂłximos meses, o ImpĂ©rio pareceria manter seu sistema atual de governo enquanto passaria internamente por expurgos extensos e transferĂȘncias de poder. Esperava-se, naturalmente, que isso despertasse oposição â mas como o imperador ainda estava vivo para confirmar suas intençÔes, o processo continuaria com relativamente pouca interferĂȘncia.
O Reino tambĂ©m estaria contribuindo; vĂĄrios dos subordinados de elite de Carew, do Corpo de LadrĂ”es, foram enviados para ajudar tanto no trabalho externo quanto nos assuntos mantidos a portas fechadas. O PrĂncipe Rein informou ao Rei Clays que eles estariam trabalhando sob as ordens de Randeus.
Sim, o rei confiara a gestĂŁo de todos esses assuntos ao seu filho. Ele nĂŁo estava particularmente preocupado com isso; o prĂncipe era muito mais adequado para a tarefa e certamente faria um excelente trabalho. Em vez disso, havia algo mais ocupando a mente do rei.
â Dar Ă quele garoto do povo demĂŽnio uma vida “normal”, livre de angĂșstias…
Esse fora o pedido de um certo homem.
Sentado em uma cadeira estofada de tecido em um escritĂłrio improvisado, o rei estava mergulhado em pensamentos. â Uma tarefa ĂĄrdua, de fato… â murmurou. â Um do povo demĂŽnio, logo ele…
Noor, o herói que salvou o Reino, pedira que a recompensa por seus serviços fosse a proteção do garoto demÎnio Rolo. Ele também desejara que ao menino fosse concedido o mesmo status que os humanos, por meio da cidadania.
â Pensar que esse seria o Ășnico pedido do salvador do nosso reino â disse o rei. â Suponho que nĂŁo tenhamos escolha a nĂŁo ser concedĂȘ-lo.
Na Santa Teocracia de Mithra e em muitas outras naçÔes, o povo demÎnio era considerado hå muito tempo uma raça inimiga que deveria ser exterminada. Tal ódio era tão extremo, na verdade, que poucos da raça ainda restavam. Esse era o legado que o garoto sobrevivera.
O povo demĂŽnio nascia com habilidades incrĂveis. A histĂłria contava que eram capazes de ler mentes e controlar monstros â Ă s vezes atĂ© outras pessoas. Essas caracterĂsticas especiais faziam com que fossem amplamente conhecidos, embora sua reputação fosse fundamentada quase inteiramente no folclore. Todos sabiam da perseguição que o povo demĂŽnio enfrentava devido Ă s suas habilidades e aos atos de terror que alguns cometeram no passado, mas relatos de indivĂduos que realmente conheceram um eram extremamente raros. AtĂ© o rei sĂł vira membros dessa raça um punhado de vezes.
O povo demĂŽnio era considerado uma ameaça por causa de seu poder de controlar monstros ferozes, que usaram em tempos de guerra para massacrar humanos em hordas. NĂŁo era de se admirar, entĂŁo, que o rei tivesse estremecido ao ver aquele garoto manipular o DragĂŁo da Calamidade. O menino â Rolo â alegara que estava apenas conversando com ele, mas, em ambos os casos, o ataque Ă capital real tornara evidente que sua raça detinha habilidades aterrorizantes. NĂŁo havia inimigo mais assustador para se ter.
Mas, embora o rei estivesse certo da ameaça que o povo demĂŽnio poderia representar, ele ainda tinha dĂșvidas sobre a “maldade” inata de sua raça.
De fato, humanos e o povo demĂŽnio guerrearam no passado, e estes Ășltimos realizaram invasĂ”es brutais nas terras dos primeiros. Mas, no que dizia respeito Ă histĂłria, isso nĂŁo era pior do que o que os humanos haviam feito uns aos outros. Havia muito mais sangue humano nas mĂŁos de outros humanos do que nas mĂŁos do povo demĂŽnio.
E, em termos de nĂșmeros, os humanos eram responsĂĄveis por muito mais mortes de demĂŽnios do que o oposto. Na verdade… havia atĂ© evidĂȘncias de que os humanos instigaram a guerra para começar. A verdade pura era que nĂŁo existia justificativa racional para ver o povo demĂŽnio como especialmente perigoso. NĂŁo havia muito motivo para temĂȘ-los mais do que a qualquer outro humano.
No entanto, falar de tais coisas publicamente â se Ă© que alguĂ©m as conhecia, para começar â tornara-se um tabu. Qualquer pessoa com o mĂnimo de entendimento sobre o assunto tambĂ©m sabia que todas as histĂłrias sobre a “ameaça iminente do povo demĂŽnio” vinham de Mithra. A confiança que outras naçÔes depositavam na Santa Teocracia era a base para os pactos internacionais sobre como a raça deveria ser tratada.
Em primeiro lugar, a voz de Mithra era tĂŁo influente por causa das tĂ©cnicas de barreira que fornecera a tantas outras naçÔes. Essas tĂ©cnicas eram capazes de criar paredes invisĂveis de poder que impediam monstros de entrar em assentamentos humanos ou impediam que as masmorras os criassem inteiramente. Em vilas e cidades de um certo tamanho, isso era algo do qual todos se beneficiavam. A Santa Teocracia detinha o monopĂłlio dessas barreiras e, atravĂ©s da Igreja de Mithra, distribuĂa-as por toda a terra para “proporcionar segurança ao povo”.
Em troca de suas tĂ©cnicas, Mithra pedia Ă s naçÔes cooperantes que cumprissem um pedido: condenar o povo demĂŽnio como uma ameaça extremamente perigosa Ă humanidade. Membros da raça deveriam ser mortos ao serem avistados ou capturados vivos para serem extraditados para a Santa Teocracia, que prometia grandes benefĂcios para aqueles que cumprissem.
Poucos se opunham a esse pedido. As alegaçÔes de Mithra provavelmente estavam repletas de desinformação, mas que importùncia isso tinha quando a Santa Teocracia oferecia métodos de proteção tão eficazes? Não havia nada a ganhar recusando.
NĂŁo estava claro por que Mithra e sua igreja eram tĂŁo obcecadas com o povo demĂŽnio. Talvez houvesse um ressentimento persistente da grande guerra que travaram contra eles, mas isso ocorrera hĂĄ centenas de anos. Tinha que haver algo mais. Tinha que haver algo sobre o povo demĂŽnio que fizesse a Santa Teocracia opor-se a eles tĂŁo abertamente.
Infelizmente para o Reino, apoiar o povo demĂŽnio era tornar-se inimigo de Mithra, uma potĂȘncia de grande influĂȘncia com raĂzes espalhadas por todo o mundo.
â Isso… nĂŁo Ă© um pedido pequeno â murmurou o rei. â Mithra Ă© um inimigo grande demais para se ter.
Dito isso, a Santa Teocracia andara fazendo alguns movimentos preocupantes ultimamente. O ataque Ă capital real envolvera CoraçÔes de DemĂŽnio, pedras de mana raras que sĂł podiam ser produzidas em Mithra, e a gestĂŁo que o paĂs fazia delas era rigorosa demais para que tantas simplesmente tivessem passado despercebidas. Tinha que se assumir que a Santa Teocracia as fornecera oficialmente ao ImpĂ©rio MĂĄgico.
Mas por qual razão? O Reino de Clays tinha uma história de boas relaçÔes com Mithra. Não fazia tanto tempo que Lynne estudara fora lå, e a Santa Teocracia não fizera nada que levantasse suspeitas na época.
A investigação do Reino sobre a questĂŁo dos CoraçÔes de DemĂŽnio logo começaria para valer, e os canais atravĂ©s dos quais eram distribuĂdos seriam rapidamente esclarecidos. Neste momento, o rei nĂŁo podia deixar de suspeitar da Santa Teocracia. Ele nĂŁo sabia o porquĂȘ, mas ela evidentemente queria destruir o Reino de Clays.
â E agora, logo agora, pedem-me para proteger um garoto do povo demĂŽnio. Um garoto que, por acaso, Ă© um dos herĂłis que salvou nosso reino. NĂŁo Ă© do nosso feitio retribuir uma dĂvida com mĂĄ vontade, mas…
Escolher protegĂȘ-lo apenas adicionaria mais combustĂvel ao incĂȘndio que jĂĄ ardia.
Muitas pessoas jĂĄ tinham visto o jovem garoto que conseguia controlar aquele dragĂŁo titĂąnico, entĂŁo era certo que a suma sacerdotisa de Mithra descobriria sobre ele. Sua Santidade Astirra sem dĂșvida usaria a informação como pretexto para uma ofensiva incessante.
Em seu coração, o rei desejava proteger o menino. Não era certo erguer barreiras e isolar todo um povo apenas por serem do povo demÎnio. Eles eram vizinhos inteligentes, e o diålogo era sempre uma opção. Além disso, Rolo era uma criança; ele não tinha nada a ver com as açÔes passadas de sua raça.
QuĂŁo maravilhoso teria sido se o rei pudesse ter dito seus verdadeiros pensamentos? Mas um homem em sua posição nunca poderia alimentar tais fantasias ingĂȘnuas. Ele chamou seu filho, Rein, que esperava na entrada de seu escritĂłrio improvisado.
â DĂȘ a esse garoto do povo demĂŽnio cidadania, um lar e os meios para garantir que sua vida, daqui em diante, seja livre de qualquer dificuldade. Deixarei os detalhes com vocĂȘ.
â Como desejar.
O prĂncipe saiu apressado, sem dĂșvida para começar a transmitir suas ordens aos seus muitos subordinados.
Agora sozinho em seu escritĂłrio, o rei afundou-se mais em sua cadeira. â Noor, hum? Que homem verdadeiramente imprevisĂvel.
Noor recusara terminantemente aceitar qualquer coisa que uma pessoa pudesse desejar â bens, propriedades, tesouros e atĂ© terras. Era como se ele nĂŁo possuĂsse nenhum dos desejos presentes em todos os outros. Seria porque ele, de certa forma, perdera o juĂzo?
â NĂŁo… Ouso dizer que ele realmente nĂŁo tem necessidade de tais coisas. E com a força dele, nĂŁo Ă© de se admirar.
Tudo o que o rei lhe oferecera, ele provavelmente poderia ter obtido por conta prĂłpria, se tivesse vontade. Todos os bens materiais estavam prontamente disponĂveis para ele e, portanto, nĂŁo tinham valor. Esse era o grau de força que ele alcançara.
â Forçar o DragĂŁo da Calamidade a render-se, totalmente sozinho…
O rei vira de perto. Usando apenas uma Ășnica espada, o homem parara um golpe devastador apĂłs o outro, cada um poderoso o suficiente para despedaçar a cidade, e enviara o dragĂŁo rolando pela terra.
Noor era um herĂłi genuĂno â o rei sabia que isso era verdade porque ele mesmo fora pessoalmente chamado de um no passado. Ele sempre admirara os herĂłis descritos em contos de fadas e constantemente se esforçara para se aproximar deles. Noor era a imagem exata desse ideal… e, alĂ©m disso, ele nĂŁo desejara nada. Era o suficiente para fazer alguĂ©m se perguntar se ele saĂra de uma histĂłria sobre um santo bom demais para ser verdade.
E quando ele finalmente fez um pedido, foi para salvar um garoto demĂŽnio.
â Pedir que reconheçamos um demĂŽnio como cidadĂŁo do Reino e o protejamos Ă© o mesmo que pedir que viremos as costas para Mithra.
Era um territĂłrio no qual nunca se deveria entrar â um tabu que muitas naçÔes conheciam e jamais ousavam tocar. No entanto, sem pensar duas vezes, aquele homem seguiu em frente. Ajudar aquele garoto demĂŽnio fora seu Ășnico desejo.
O que ele estaria pensando? Qual seria seu verdadeiro objetivo? NĂŁo… ele provavelmente nĂŁo tinha nenhuma intenção mais profunda. Aquele fora realmente seu Ășnico desejo.
â Ele pretende derrubar as prĂłprias convençÔes de nosso mundo â todas aquelas que tanto nos prendem? Ele arrastaria nosso reino inteiro em sua tarefa impossĂvel? â O rei silenciou-se. â NĂŁo… suponho que “arrastar” nĂŁo seja a palavra certa.
Neste momento, o rei queria seguir aquele herĂłi em seu caminho, para testemunhar o futuro que ele escolheria. Seu coração batia com um entusiasmo inconfundĂvel, como se ele fosse uma criança esperando pela prĂłxima parte de uma histĂłria. Mesmo que isso colocasse em perigo o povo de seu reino, mesmo que arrancasse o verniz de paz espalhado pelo mundo, ele queria ver o que Noor faria. O desejo dentro dele era quase tangĂvel.
O velho imperador tivera razão ao chamå-lo de um rei tolo. Ele era uma desonra para todos os que se considerariam governantes de uma nação.
Mas…
â Ser um aventureiro Ă© perseguir um sonho tolo atĂ© o fim. Como o rei insignificante que sou, o mĂĄximo que posso fazer Ă© apoiarâ â Ele fez uma pausa. â NĂŁo, suponho que essa desculpa seja um pouco forçada demais, nĂŁo Ă©? Precisarei pedir emprestada a sabedoria de Oken mais tarde para conjurar uma melhor. Ah, mas que coisa terrivelmente trabalhosa, ter que cumprir o pedido do nosso herĂłi!
Enquanto o rei falava, seu semblante era de pura alegria. NĂŁo demorou muito para que gargalhadas pudessem ser ouvidas saindo do escritĂłrio improvisado.
Tradução: Carpeado
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