I Parry Everything – Capítulo 16 – Volume 2
Ore wa Subete wo “Parry” Suru: Gyaku Kanchigai
no Sekai Saikyou wa Boukensha ni Naritai
I Parry Everything: What Do You Mean I’m the Strongest?
I’m Not Even an Adventurer Yet!
Light Novel Online – Volume 02:
[Capítulo 16: Retorno à Capital Real, Parte 2]
Eu nem queria me lembrar da viagem de volta, mas pelo menos havíamos retornado à capital real antes de escurecer. O pai da Lynne estava nos esperando exatamente no mesmo lugar onde se despedira de nós — tive a sensação de que ele estivera parado ali o tempo todo.
— Estamos de volta, pai — disse o irmão da Lynne. — A guerra acabou. As negociações correram sem problemas.
— De fato, parece que sim. Bom trabalho, Rein. Você pode me dar os detalhes mais tarde.
— Com certeza.
— Primeiro, devemos agradecer ao homem a quem devemos tanto.
— Sim. Eu testemunhei o Senhor Noor ir além do impossível com meus próprios olhos. Devemos recompensá-lo à altura.
— Er… me recompensar? — perguntei.
— Certamente — respondeu o pai da Lynne. — Você fez muito por nós, e parece justo garantir que seja devidamente compensado. Terras, propriedades, riqueza — você pode pedir o que seu coração desejar. Contanto que tenhamos o poder de providenciar…
— Não, eu estou bem.
— Perdão?
Lembrei-me imediatamente da última vez que ele tentou me forçar essas coisas. Riquezas não me interessavam — eu não teria onde guardá-las — e nem propriedades ou terras.
— Agradeço a intenção — eu disse —, mas não há nada de que eu precise. Mesmo que eu já não tivesse um teto para dormir, não me importaria de acampar ao ar livre, e posso caçar comida sempre que quiser.
— Verdade? Tem certeza disso?
— Sim, estou de boa.
Achei que minha resposta fazia todo o sentido — se você aceita algo de que não precisa, a coisa só vai ficar lá juntando poeira, certo? Então por que todos ao meu redor tinham expressões tão preocupadas no rosto?
— N-Não… Não, isso não vai servir — disse o pai da Lynne. — Desta vez, você deve aceitar uma compensação adequada. Caso contrário, isso abrirá um mau exemplo.
— O senhor diz isso, mas…
Eu genuinamente não queria nada. A espada negra que ele me dera da última vez era mais do que suficiente — mas, no momento em que eu ia dizer isso, avistei Rolo ao meu lado.
— Espere, desculpe — eu tenho um pedido — eu disse. — Se tudo bem.
— Oh? Oh! — exclamou o pai da Lynne, seu rosto cheio de cicatrizes se franzindo em um largo sorriso. — Claro, claro! Por favor, o que você desejar! Depois de tudo o que fez por nós, não podemos deixar você partir sem recompensa!
“Algumas pessoas realmente gostam de ser generosas, hein?”
— Na verdade, é sobre este garoto aqui — eu disse, colocando a mão no ombro do Rolo.
O menino olhou para mim com os olhos arregalados. — Hein? O quê? Eu?
— Quem…? — O pai da Lynne hesitou por um momento e então disse: — Um garoto do povo demônio?
— É — respondi. — Ele não tem família. Pelo visto, ele pertencia a um grupo de mercadores que visitou o Império, mas parece que o deixaram para trás. Não temos ideia de para onde foram.
Naquela hora em que a Lynne estava me curando, o irmão dela andou reunindo informações. Ele descobriu que o grupo com quem o Rolo vivia tinha deixado o Império subitamente, e tudo o que sabiam sobre o destino deles era que ficava em algum lugar em Sarenza.
Rolo voltara conosco por causa de toda a situação do dragão, mas agora ele não tinha ninguém para quem retornar nem para onde ir.
— O que você quer para ele? — o pai da Lynne me perguntou.
— Quero que ele possa viver uma vida normal aqui, igual a qualquer outra pessoa. O senhor pode fazer isso?
Se havia algo que eu queria, era isso. Eu cogitara acolher o Rolo eu mesmo, já que fora por minha causa que ele precisou vir conosco, mas minha renda estava longe de ser estável. Ele ficaria muito melhor sob os cuidados de uma família rica.
— O senhor disse que me daria propriedades ou terras, certo? — continuei. — Nesse caso, poderia dar um lar para ele? Comida e roupas também, se puder.
O pai da Lynne cruzou os braços e assentiu. — Entendo o que quer dizer. Se vamos dar a ele terras e propriedades, ele primeiro precisa ser um cidadão do nosso reino. É essa a natureza do seu pedido?
— É assim que funciona? Com certeza. Se o senhor precisa fazer tudo isso, então, por favor, faça. Ele salvou nossas vidas um monte de vezes. Ele fez o dragão nos ouvir, e a guerra não teria acabado tão rápido sem a ajuda dele. Então, se o senhor vai recompensar alguém, recompense a ele. É tudo o que eu quero.
— Só isso…? Entendo…
O pai da Lynne fez uma careta amarga e olhou para o céu. Ele estava achando meu pedido difícil de aceitar? Talvez estivesse chateado por eu não estar aceitando nada para mim. Eu não entendia muito bem o porquê, mas ele e a Lynne não aceitavam um “não” como resposta quando se tratava de expressar gratidão. Havia uma chance de ser algo cultural deles, mas isso não mudava o fato de que eu não queria nada.
É, eu definitivamente precisava deixar isso claro.
— Eu realmente não quero mais nada — reiterei. — Vou recusar qualquer outra recompensa que me oferecerem. Estou falando sério.
Eu tinha certeza de que isso encerraria o assunto. Não havia mais margem para eles discutirem… certo?
— Muito bem — disse o pai da Lynne. — Se esse é o seu desejo, então é isso que faremos. Mas… você tem certeza absoluta? Nossa família tem uma quantidade respeitável de riqueza em todas as formas, e não seria problema nenhum você aceitar um pouco.
“Exatamente como eu temia, ele estava tentando acrescentar coisas.”
— Se o senhor tem o suficiente para me oferecer, então deveria encontrar um uso melhor para isso — observei. — Muita gente perdeu suas casas, certo? O senhor deveria estar ajudando essas pessoas. Qual é o sentido das riquezas se o senhor não pode usá-las em um momento como este?
— Você está… certo. Ha ha ha! Você está absolutamente certo!
O pai da Lynne com certeza era bem animado. Eu estava convencido de que tinha estragado o humor dele, mas aqui estava ele, rindo ruidosamente.
Suspirei, aliviado por ter sobrevivido à ofensiva da entrega de presentes, mas a sensação não durou muito. De repente, ocorreu-me que realmente não era hora de ficar parado conversando.
— Com licença — eu disse —, acabei de me lembrar que tenho um lugar onde preciso estar. Lynne, vamos nos despedir aqui.
— Instrutor? — ela perguntou. — Onde você vai?
— Vejo vocês depois! Cuidem do Rolo!
E com isso, saí em disparada, deixando todos para trás.
◇
Meu destino era a Guilda dos Aventureiros, que logo descobri estar caindo aos pedaços. Metade do telhado tinha sumido, assim como grandes pedaços das paredes. Entrei e avistei o funcionário da guilda atrás do balcão agora todo quebrado, trabalhando duro com uma aparência exausta.
— Hum? Ora, veja só quem é! — exclamou ele ao me notar. — Você não estava a caminho de Mithra? Acho que faz sentido você estar de volta, no entanto, considerando o estado deste lugar.
— É, não era hora de estar aproveitando umas férias tranquilas. Demos meia-volta bem rápido.
— Faz sentido. Nenhum mal causado, suponho; mesmo que sua comissão acabe sendo cancelada, o contrato que consegui para você deve significar que você ainda receberá uma quantia considerável. Deixando isso de lado, você parece que levou uns tombos na terra. E suas roupas… Isso são marcas de queimadura?
— É uma longa história. Eu tive um treino bem intenso.
— Não posso dizer que estou surpreso, com tudo o que aconteceu. Todo mundo está tão arrebentado quanto você. Eu mesmo me meti em uns problemas feios, na verdade. Achei que ia morrer mais de algumas vezes.
— Nem me fale. Depois de tudo o que passei, estou completamente exausto.
Troquei um olhar com o funcionário da guilda, e nós dois rimos.

— Bem, apesar de tudo, o que importa é que estamos ambos a salvo — disse o funcionário da guilda. — Enfim, embora eu não me sinta bem em colocar isso sobre você enquanto está tão exausto, o mestre de obras da Guilda dos Construtores tem revirado o lugar atrás de você. Diz que está com falta de mão de obra. Limpar escombros, montar alojamentos temporários… eles vão trabalhar até o osso daqui para frente.
— É, eu imaginei. Por isso eu vim. Então, onde precisam de mim? Vou para lá agora mesmo.
— Aqui está um mapa. Leve com você.
— Valeu.
Aceitei o mapa, saí da Guilda — que parecia que podia desabar a qualquer momento — e segui direto para o canteiro de obras onde estavam limpando os escombros.
— Que dia… — suspirei inconscientemente.
Pensando bem, foi uma coisa atrás da outra desde hoje cedo. Nossa viagem tranquila de carruagem virou uma batalha com um sapo venenoso. Um homem estranho e enfaixado nos atacou logo depois, e então a história do Rolo nos impeliu a voltar para a capital. De lá, fui mandado voando pelo feitiço de força total da Lynne, escapei por pouco de colidir com um dragão, tive que me virar para não morrer para ele, e então parei tantas espadas e escudos que quase caí morto.
Como se tudo isso não bastasse, logo me vi cruzando o céu nas costas do mesmo dragão que tentou me matar. A experiência aterrorizante me fez desmaiar — e quando acordei, estava no Império, impedindo um grupo de soldados violentos de atacar um velho.
Com tudo isso dito, eu certamente não facilitei as coisas para mim mesmo. Eu entendo meus próprios limites, mas os ignorei de forma imprudente e me lancei de cabeça em tudo. O resultado foram situações bem perigosas, das quais só sobrevivi graças à ajuda das pessoas ao meu redor. Lynne, Rolo, Ines, Al… Gil…? Alguma-coisa-bert, e meus instrutores — todos eles me tiraram de enrascadas bem feias. Se qualquer um deles não estivesse lá, eu não estaria vivo agora. Devo minha vida a eles.
Aconteceu tanta coisa, e eu estou morrendo de fome. Para ser sincero, estou tão exausto que queria cair no sono ali mesmo. Mas ainda assim…
— Não dá tempo para isso agora.
A cidade inteira estava uma bagunça. Primeiro de tudo, todos os escombros precisavam ser limpos. E havia a chance de pessoas estarem presas embaixo deles. Elas precisariam de ajuda. Esse pensamento expulsou qualquer ideia de descanso da minha mente.
Além disso, mesmo depois de limparmos todos os escombros, não seria o fim. Tantas casas destruídas precisavam ser reconstruídas, e o chão estava todo rasgado pelo frenesi do dragão. Nivelar tudo de novo seria exaustivo — e depois disso, precisaríamos começar a lançar os alicerces para os novos edifícios. Havia uma montanha de trabalho a ser feito.
Felizmente, a cura da Lynne significava que eu não estava me sentindo tão mal fisicamente. Estava faminto, mas isso não seria problema depois que eu descolasse algo para comer.
Trabalho braçal à moda antiga — esse era o melhor tipo de trabalho para um cara como eu. Sorte que eu tinha minha espada, porque ela ia ver muita ação. Brandi-la o dia todo me fez perceber que, embora estivesse surrada e batida, cega demais para cortar e tão acabada que eu duvidava que pudesse ser chamada de espada, ela era resistente como qualquer outra coisa. Nada conseguia arranhá-la, não importava a dureza, e sua massa tremenda apenas adicionava mais peso aos meus golpes. Além do mais, mesmo depois de sofrer tantos impactos intensos, ela não entortou ou empenou nem um pouco. Então, claro, ela não conseguia fatiar nada — mas conseguia golpear perfeitamente bem.
Eu nunca seria capaz de fazer nada chique ou chamativo com a espada, como matar monstros ou abater dragões, mas ela era perfeita para todo o trabalho de cravar estacas e assentar alicerces que eu estava prestes a fazer. Eu também estava ficando cada vez mais acostumado a usá-lo.
Limpei o pó da espada negra e a joguei sobre o ombro.
— Tudo bem. É aqui que meu verdadeiro trabalho começa. Após tirar um momento para recuperar o fôlego, corri direto para o local de trabalho. Muitas pessoas já estavam lá, limpando uma grande quantidade de destroços.
Tradução: Carpeado
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