I Parry Everything – Capítulo 12 – Volume 2
Ore wa Subete wo “Parry” Suru: Gyaku Kanchigai
no Sekai Saikyou wa Boukensha ni Naritai
I Parry Everything: What Do You Mean I’m the Strongest?
I’m Not Even an Adventurer Yet!
Light Novel Online – Volume 02:
[Capítulo 12: Escudos de Luz]
Nas costas do Dragão da Calamidade, voamos na direção em que o imperador quase certamente havia fugido e logo cruzamos a fronteira.
Meu instrutor Carew, o Soberano das Sombras, usou um [Ocultamento] reforçado por uma ferramenta mágica de [Aprimoramento de Ocultamento] para esconder nossa montaria gigantesca de vista. Já havíamos passado por três cidades e postos de controle militares, mas ninguém no chão sequer piscou. Parecia seguro dizer que nossa incursão no domínio do Império Mágico estava avançando sem problemas… mas ainda havia um problema.
— Este é o único caminho pelo qual ele poderia ter escapado — disse meu irmão. — Encontraram algo?
— Não — respondeu o Instrutor Carew. — Meu [Detectar] não está acusando ninguém que corresponda à descrição dele. Senhorita Lynneburg?
— Sem sorte — respondi. — Tenho procurado há um tempo, mas também não consigo encontrá-lo.
O Instrutor Carew e eu estávamos fazendo uso total de nossas habilidades [Detectar], [Olhos de Falcão], [Visão Distante] e [Clarividência] para vasculhar os arredores. Mas, apesar de nossos melhores esforços e da distância que percorremos, ainda não havíamos encontrado sequer um rastro do imperador.
— Se você e o Soberano das Sombras não o encontraram, então ele deve estar bem à nossa frente — disse meu irmão. — No pior dos casos, ele pode já ter alcançado a capital imperial.
Logo nos aproximamos de um cânion massivo, o que nos permitiu ver a Ponte de Ferro que se estendia sobre ele. Além dela, erguiam-se várias fortalezas intimidadoras e, muito além delas, ficava o reduto do imperador, a capital imperial. Se nosso alvo já estivesse do outro lado da ponte — a linha fronteiriça que outrora separava o Reino e o Império — persegui-lo se tornaria muito mais complicado. Todos estávamos cientes disso.
O Instrutor Carew falou primeiro:
— Pode ser frustrante considerando o quanto viemos, mas deveríamos considerar voltar. Além deste ponto fica o coração do Império. Podemos esperar enfrentar inúmeras fortalezas e instalações militares de uma magnitude além do que já vimos. Não podemos atacar de forma imprudente. Então, como procederemos?
— Você tem razão — disse meu irmão. — Nós…
Enquanto continuavam a deliberar, virei-me para o Instrutor Noor para saber sua opinião.
— O que você acha, Instrutor Noor? Instrutor…?
Ele nem sequer reagiu. Desde que montamos no dragão, ele estava voltado para os céus, com os olhos apertados no que só poderia ser uma demonstração de profunda concentração. Eu me perguntava no que ele estaria pensando.
Enquanto eu encarava as costas do Instrutor Noor, notei um brilho repentino pelo canto do olho. Ativando minha [Visão Distante], avistei um cavalo em uma armadura dourada galopando a uma velocidade absurda.
— Olhem, logo ali. — Apontei. — Está se movendo muito rápido.
— É ele — disse o Instrutor Carew. — Finalmente localizamos o imperador. Mas estamos nos aproximando da rede de defesa da capital imperial. Precisamos decidir agora se vamos persegui-lo ou voltar.
O imperador instou seu cavalo a seguir em frente e logo foi engolido por um enorme portão de metal-mana, a entrada de uma muralha ainda maior de metal-mana e pedra. Suas ameias estavam repletas de armamentos mágicos — os mesmos canhões pretos que vimos anteriormente no campo de batalha. Além de tudo isso, eu podia ver uma linha de várias fortalezas. Toda a extensão estava repleta de armas imponentes de metal-mana. Diante de nós estava uma barreira totalmente impenetrável que se manteve firme nos últimos cinquenta anos, resultado de gerações de imperadores cautelosos com seus vizinhos. Se continuássemos nossa perseguição, nosso pequeno grupo estaria mergulhando direto nas mandíbulas da morte.
— Se desejamos continuar, precisaremos passar por aquilo — eu disse.
— De fato — respondeu o Instrutor Carew. Ele parecia compartilhar minhas preocupações. — Não direi que é impossível, mas certamente não será uma viagem tranquila. Devemos conseguir chegar lá, mas o efeito do meu [Ocultamento] será mais fraco em nosso retorno. Não esperem que saiamos ilesos.
— Eu te entendo, Carew — proferiu meu irmão, com uma expressão amarga. — Mas do jeito que as coisas estão, deixá-lo escapar não é uma opção.
Era verdade; se permitíssemos que o imperador escapasse agora, era uma conclusão óbvia que ele aumentaria seu exército e voltaria para se vingar. Os soldados com quem ele invadiu eram quase todos recrutas entre os empobrecidos, agricultores ou refugiados de nações vizinhas. O Império era plenamente capaz de transformar leigos em guerreiros poderosos em um instante, equipando-os com suas armas e armaduras superiores.
A fonte da força do Império Mágico era sua produção contínua de ferramentas mágicas formidáveis. Ele podia produzir em massa quantos armamentos de ponta desejasse, desde que tivesse os recursos — e seus esforços concentrados em expandir suas fronteiras significavam que os tinha em abundância.
Na verdade, isso era ainda mais aterrorizante do que parecia. Para o Império, o termo “recursos” significava mais do que apenas bens materiais; as pessoas também estavam incluídas, e havia uma abundância delas para serem usadas. O imperador reuniria os empobrecidos e os refugiados de guerras que ele mesmo criou e os enviaria como soldados, prometendo-lhes fama e fortuna. Criar outro exército seria fácil para ele.
A guerra já havia começado. De agora em diante, qualquer tempo que perdêssemos era tempo que o Império poderia gastar ficando mais forte. Ele sofreu uma derrota esmagadora hoje, mas sua próxima invasão seria apenas mais temível. Portanto, não podíamos nos dar ao luxo de hesitar. Se o fizéssemos…
— Lorde Rein, Lady Lynneburg. — Ines deu um passo à frente de nós sem aviso prévio. — Dadas as circunstâncias, posso ter sua permissão para aniquilar o inimigo?
— Aniquilar…? — repeti.
Só então me lembrei de algo crucial: havia uma razão pela qual Ines recebera um título que estava acima até dos Soberanos — por que sua habilidade era considerada lendária. Ela era o Escudo Divino, mas se destacava em mais do que apenas defesa. Na verdade, a razão pela qual ela geralmente escolhia ignorar seu outro título, “a Espada Divina“, era porque sua lâmina frequentemente provava ser poderosa demais para ter qualquer uso comum.
Ines esteve ao meu lado como minha subordinada por tanto tempo que eu perdi completamente o que estava bem na frente do meu nariz. O Instrutor Noor não era a única figura lendária conosco; havia mais um ponto fora da curva aqui que desafiava o senso comum.
— Assim como o Instrutor Carew disse, se vamos prosseguir por aqui, precisaremos garantir uma rota de volta — observou Ines, então olhou para as fortalezas à frente. — Talvez fosse sensato aniquilar essas defesas enquanto temos a chance.
Ela disse aquilo como se fosse a coisa mais natural do mundo, mas ela tinha razão; se este seria o nosso caminho de volta para casa, precisaríamos eliminar as ameaças nele. Parte de mim se perguntava se tal coisa era sequer possível… mas para Ines, absolutamente era.
— Você tem razão — disse meu irmão. — Faça isso, Ines. Não se contenha.
— Como desejar, meu senhor.
Em circunstâncias normais, Ines nunca faria tal proposta; ela sempre tentava evitar ferir os outros quando podia evitar. Foi por isso que me surpreendeu tanto. Mas, depois de pensar um pouco, percebi que fazia todo o sentido. O Império não havia apenas despertado a raiva do dragão — também despertara a minha, a do meu irmão… e a de Ines também. O lar em que ela nasceu e cresceu, a cidade que jurou defender com sua vida, fora tão impiedosamente destruída. Embora não tivesse dito abertamente, Ines estivera guardando sua fúria durante todo esse tempo.
— Rolo — disse Ines — preciso pedir que você fale com o dragão. Por favor, peça para ele voar o mais baixo possível. E diga a ele que precisarei momentaneamente ficar de pé sobre sua cabeça, pelo que peço perdão. Não pretendo ofender.
— T-Tudo bem… — respondeu Rolo. — Eu vou dizer tudo isso…
— Obrigada. — Ines seguiu calmamente pelas costas do dragão, atravessou o pescoço com facilidade e parou sobre a cabeça dele.
De repente, o dragão entrou em um voo picado, e a imponente fortaleza de metal-mana surgiu bem diante de nossos olhos. Todos nos agarramos à nossa montaria, tentando desesperadamente não cair, mas Ines permaneceu de pé. Ela moveu seu braço esguio em um movimento amplo e, naquele único gesto, criou um escudo de luz massivo o suficiente para cobrir todo o Dragão da Calamidade. A barreira cresceu ainda mais… então ela a golpeou horizontalmente.
— [Escudo Divino].

O escudo cortou o ar e partiu a indomável fortaleza de metal-mana ao meio. Ao mesmo tempo, os canhões pretos posicionados em suas ameias explodiram em pedaços.
Ines brandiu seu vasto escudo de luz uma segunda vez, depois uma terceira, destruindo ainda mais a estrutura imensa à nossa frente a cada novo ataque. Ela continuou a decepar tudo em nosso caminho enquanto o dragão praticamente raspava o solo.
Num piscar de olhos, já havíamos passado pela primeira linha de defesa do Império. O dragão acelerou e nos aproximamos da segunda fortaleza. Sua bateria de canhões estava apontada diretamente para nós, mas…
— [Escudo Divino].
Houve outro clarão de luz, e a segunda fortaleza sofreu o mesmo destino da primeira. Destroços despencavam ao nosso redor enquanto avançávamos sem parar.
Uma após a outra, as estruturas intimidadoras em nosso caminho eram reduzidas a fragmentos de metal-mana que desmoronavam ruidosamente no chão. Assistimos à mesma cena se repetir diante de nós várias vezes.
— Incrível…
Este era o poder de Ines, a mulher que todos os Seis Soberanos se recusavam a antagonizar — a maior espada e o maior escudo de todo o Reino de Clays.
— Isso deve tornar nossa jornada de retorno segura o suficiente — disse ela.
— De fato — veio a resposta lenta e comedida de meu irmão. — Bom trabalho.
A respiração de Ines estava normal, como se não tivesse feito esforço algum. Só de observá-la, meu coração batia furiosamente no peito, mas o Instrutor Carew e meu irmão pareciam igualmente calmos; estavam focados em proteger Rolo dos destroços que caíam, como se aquela exibição inspiradora não tivesse sido nem mesmo uma distração.
Eram todos tão incríveis — e o Instrutor Noor não era exceção. Seus olhos ainda estavam fechados e ele continuava voltado para os céus. Era como se soubesse desde o início que isso aconteceria.
— Consigo ver o cavalo do imperador agora — disse meu irmão. — Está indo ainda mais rápido do que eu esperava. Há algum jeito de o dragão acelerar?
— Uhum — respondeu Rolo. — Tem… mas esta é aparentemente a velocidade máxima que ele consegue ir sem nos derrubar.
— Entendo.
O imperador instava seu cavalo a ir ainda mais rápido; nosso [Ocultamento] já havia se desfeito há muito tempo, então era muito provável que ele nos tivesse visto. Nem mesmo nosso dragão conseguia mais acompanhá-lo. O corcel, aprimorado por sua armadura de oricalco, deslizava tão velozmente que eu quase esperava que ele levantasse voo.
Nesse ritmo, o imperador alcançaria a capital imperial.
— Lynne — disse meu irmão. — Prepare-se. Nossas próximas ações determinarão o curso desta guerra. Vamos perseguir o imperador até a capital.
Ele estava me pedindo para blindar minha determinação. Eu conseguia entender o porquê — estávamos indo para o reduto do inimigo, a capital imperial, e não havia como saber o que nos esperaria lá. Mas mesmo sabendo disso, não havia um único traço de inquietação em meu coração. Por que haveria? Eu os tinha comigo.
Ines, o Escudo Divino — a maior defensora do Reino.
Meu irmão Rein. Ele era apenas seis anos mais velho que eu, mas nosso pai, o rei, há muito lhe confiara a gestão dos assuntos internos de nosso reino. Ele também era o próximo na linha de sucessão ao trono — e, com isso, detinha o direito de comandar os Seis Corpos do Exército da Capital Real.
O Instrutor Carew, o Soberano das Sombras — chefe das unidades de inteligência da capital real e mestre dos ladrões, capaz de mascarar sua presença de absolutamente qualquer pessoa.
O Instrutor Sain, o Soberano da Salvação, que conseguira curar o lendário Dragão da Calamidade em quase tempo nenhum.
E, claro, Rolo, o jovem garoto demônio que domara o mesmo dragão das lendas.
Mas o mais significativo de todos era o Instrutor Noor. Ele enfrentara o Dragão da Calamidade em combate singular, desafiara sua Luz da Destruição e deixara dez mil soldados impotentes. Nem mesmo a exibição aterrorizante de poder de Ines conseguira abalá-lo; mesmo agora, ele olhava para o céu com os braços cruzados. Eu tinha certeza de que ele podia ouvir cada palavra nossa, mas não proferira uma única palavra em resposta.
Então percebi. Ele não estava simplesmente perdido em pensamentos; estava ouvindo silenciosamente nossa determinação. Um homem com uma força inigualável como a dele não teria problemas em marchar para dentro do Império e depois sair de lá ileso. Seu armamento de ponta fora como meros brinquedos para ele. Para ele, a questão de se deveríamos continuar em frente ou voltar não importava nem um pouco.
Às vezes… eu me perguntava. Seria possível que o Instrutor Noor ainda não tivesse nos mostrado nem mesmo um vislumbre de sua verdadeira força? Em todo o meu tempo com ele, nem uma única vez o vi atacar. Talvez, aos olhos dele, tudo até agora tivesse parecido tão inconsequente quanto espantar gotas de orvalho. Como eu poderia segui-lo se permitisse que algo assim me assustasse?
— Muito bem — eu disse. — Vamos mostrar a eles para quem escolheram mostrar as presas.
O Instrutor Noor ainda contemplava os céus, mas vi-o assentir uma vez, exatamente no momento em que o dragão deu uma batida de asas poderosa. Ele realmente era insondável, desde sua força em combate até a profundidade de seus pensamentos. E ele estava do nosso lado. Só isso já me convencia de que não poderíamos perder.
De fato, não havia uma única coisa com que eu precisasse me preocupar. Porque, agora mesmo, eu estava cercada pelas pessoas mais fortes que eu jamais poderia imaginar.
Tradução: Carpeado
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