I Parry Everything – CapĂ­tulo 11 – Volume 2

Ore wa Subete wo “Parry” Suru: Gyaku Kanchigai
no Sekai Saikyou wa Boukensha ni Naritai
I Parry Everything: What Do You Mean I’m the Strongest?
I’m Not Even an Adventurer Yet!

Light Novel Online – Volume 02:
[Capítulo 11: Dragão em Perseguição]


— Instrutor Noor? VocĂȘ estĂĄ bem? Depois que a batalha chegou ao fim, exatamente quando eu estava prestes a desabar de exaustĂŁo, Lynne, Ines e Rolo chegaram. Lynne me avaliou com um olhar e conjurou algum tipo de magia de cura, o que me fez sentir muito melhor.

Não sabia qual feitiço ela tinha usado, mas eu já era capaz de me mexer novamente. Ela realmente era uma garota incrível — parecia que conseguia fazer de tudo.

— É, estou me sentindo bem melhor graças a vocĂȘ — eu disse. EntĂŁo me levantei e peguei minha espada. — Obrigado, Lynne.

— Tem certeza? — ela perguntou. — Por que não descansa mais um pouco?

— Não, tudo bem. Consigo me mexer perfeitamente.

Eu estava com bastante fome, na verdade. Queria comer algo logo… mas nĂŁo parecia o momento ou o lugar para isso. Provavelmente seria pedir demais. Enquanto isso, os soldados ao nosso redor ainda estavam ocupados correndo de um lado para o outro. O grupo de mantos brancos e os vestidos de armadura traziam os prisioneiros imperiais para fora da prisĂŁo de pedra em grupos, curando suas feridas e fazendo perguntas.

— E então, Sig? — veio uma voz próxima. — Alguma informação promissora?

Virei-me para ver meu instrutor mago conversando com meu instrutor de esgrima.

— Sim. Sain fez o oficial comandante deles falar. NĂŁo hĂĄ forças esperando em emboscada; sĂŁo todos eles. Carew estĂĄ vasculhando a cidade novamente por precaução, mas relatou que nĂŁo parece haver mais ameaças lĂĄ tambĂ©m. Ele provavelmente estĂĄ certo.

— Então suponho que este seja o encerramento da batalha de hoje, ho ho! — Meu instrutor mago enrolou sua longa barba com o dedo indicador enquanto falava.

— No entanto, não houve sinal do imperador. Parece que ele fugiu.

— O imperador? Do que se trata isso? Espera, vocĂȘ nĂŁo quer dizer o imperador imperador? Aquele velho astuto realmente veio atĂ© aqui?

— Sim. Temos os depoimentos de mĂșltiplos soldados para provar. NĂŁo hĂĄ falha em nossa informação. Ele estava aqui, usando uma armadura dourada.

— Agora, isso Ă© estranho. VocĂȘ nĂŁo acha que a idiotice dele finalmente o superou, nĂŁo Ă©? Aposto que ele estava todo inchado por causa dos equipamentos do seu exĂ©rcito. Para alguĂ©m que faz seus sĂșditos o chamarem por tĂ­tulos como “Sua Sabedoria Imperial”, ele poderia aprender uma coisa ou duas sobre prudĂȘncia, ho ho!

— Armadura dourada? — perguntei. As palavras simplesmente escaparam. — VocĂȘ quer dizer aquele velhote?

Os dois olharam para mim, e entĂŁo meu instrutor mago disse:

— VocĂȘ o viu?

— Se vocĂȘ quer dizer o velho esquisito usando uma armadura dourada, entĂŁo sim, eu o encontrei mais cedo. O cavalo dele estava todo enfeitado e brilhante tambĂ©m. Era difĂ­cil nĂŁo notĂĄ-lo.

Meu instrutor mago começou a mexer no bigode de que tanto se orgulhava, parecendo pensativo.

— Cavalo brilhante, vocĂȘ diz? Talvez… estivesse equipado com uma armadura de oricalco. Hmm. Tirando o pĂ©ssimo gosto estĂ©tico, isso certamente daria a ele uma gama maior de capacidades. Dado que era o cavalo de um comandante, provavelmente estava encantado com [Fortalecimento Muscular], [Quebra-Vento]… e talvez [ReversĂŁo de Flechas] tambĂ©m. Deve ser excepcionalmente rĂĄpido, o que significa que ele provavelmente jĂĄ chegou bem longe agora. Hmm, o que devemos fazer?

Ele voltou a alisar sua farta barba branca.

— Se ele chegar à fronteira, estará fora do nosso alcance — disse meu instrutor de esgrima. — Ele simplesmente reunirá suas forças e invadirá novamente.

— De fato. Assim que ele estiver de volta ao ImpĂ©rio, haverĂĄ qualquer nĂșmero de postos de controle militares entre nĂłs — sem mencionar aquela ponte que cruza o cĂąnion. E nĂŁo podemos simplesmente entrar lĂĄ como se fĂŽssemos cidadĂŁos imperiais.

— Devemos aceitar a fuga dele, então?

— NĂŁo, nĂŁo. Esta Ă© nossa chance Ășnica na vida de encurralar aquele velho caduco maldito. Precisamos aproveitĂĄ-la. Embora possa jĂĄ ser tarde demais. Provavelmente precisarĂ­amos criar asas e voar se quisĂ©ssemos pegĂĄ-lo antes que chegue Ă  fronteira. Hmm.

Voar, hein?

— Se nĂŁo tiverem sugestĂ”es, nĂŁo vejo razĂŁo para remoer mais isso. DeverĂ­amos desistir dele e preparar nossa estratĂ©gia para o prĂłximo ataque.

— NĂŁo precisa de tanta pressa. Sempre hĂĄ a chance de que fritar nossos cĂ©rebros conjure uma boa ideia.

— E entĂŁo? VocĂȘ tem algo em mente?

— Posso ter, se vocĂȘ apenas me deixar pensar…

— Não temos tempo para desperdiçar com buscas tão tranquilas.

Antes que meus instrutores pudessem dizer mais qualquer coisa, interrompi a conversa.

— Eu talvez saiba um jeito. — Uma ideia surgiu subitamente na minha cabeça.

— O quĂȘ? — perguntou meu instrutor de esgrima.

— Sabe mesmo? — meu instrutor mago acrescentou. — Gostaria de elaborar?

— Bem — eu disse — se vocĂȘs estĂŁo procurando voar, acho que posso ajudar.

O velho instrutor virou-se para olhar diretamente para mim e observou meu rosto.

— Ho ho! Aqui está um homem com algo interessante a dizer. Diga-nos, como voaremos? Sou perfeitamente capaz de conseguir isso com [Flutuar], mas não posso dizer que gosto das minhas chances de perseguir o homem sozinho.

— Na verdade, tenho quase certeza de que isso funcionará para várias pessoas ao mesmo tempo.

— VĂĄrias pessoas, vocĂȘ diz? Poderia tal conveniĂȘncia realmente existir? QuĂŁo rĂĄpido se pode viajar com esse seu mĂ©todo? NĂŁo faz sentido usĂĄ-lo se nĂŁo pudermos superar nosso alvo.

— VocĂȘ nĂŁo deve precisar se preocupar com isso tambĂ©m. Voa bem rĂĄpido, eu acho. Supondo que ainda esteja vivo.

— “Isso”? O que Ă© esse “isso”?

Bem, para começar, “isso” nĂŁo era humano. E nĂŁo havia como saber se realmente ouviria o que tĂ­nhamos a dizer.

— Tenho quase certeza de que funcionarĂĄ — respondi. — Quero dizer, vocĂȘs terĂŁo ele. — Gesticulei para Rolo, que estava parado basicamente ao meu lado.

— Hein…? — disse Rolo. — O quĂȘ…? Er… eu?

— Ho ho? Uma criança do povo demĂŽnio, se meus olhos nĂŁo me falharam. Entendo, entendo. Agora, vocĂȘ se importaria de me iluminar sobre esse seu plano engenhoso?


◇

Meu instrutor de esgrima retirou-se, aparentemente tendo outro trabalho a fazer. O resto de nĂłs seguiu para onde aquela luz carmesim havia derrubado o dragĂŁo. Encontramos a besta ainda caĂ­da no chĂŁo, toda chamuscada.

Ela nĂŁo dava nem um sinal de movimento, entĂŁo quase pensei que estivesse morta — mas quando encostei meu ouvido nela, ainda conseguia ouvir seu coração batendo. Tinha uma vontade de viver bem impressionante. Se fĂŽssemos rĂĄpidos em tratĂĄ-la, havia uma chance de salvĂĄ-la ainda. Para esse fim, pedi ao meu instrutor mago que buscasse meu instrutor clĂ©rigo.

— Eu jĂĄ curei todos os tipos de pessoas e animais em meu tempo — disse meu instrutor clĂ©rigo — mas um dragĂŁo deste tamanho Ă© a primeira vez atĂ© para mim. — Ele sorriu, colocou as mĂŁos nas escamas negras como carvĂŁo e começou a recitar algum tipo de oração silenciosa.

Bem diante de nossos olhos, as escamas do dragão começaram a se renovar, e suas garras e presas quebradas começaram a crescer novamente. Em pouco tempo, o dragão não estava apenas de volta das portas da morte, mas também parecia completamente revigorado. O talento do meu instrutor clérigo era realmente inacreditåvel.

Lynne me dissera que a magia de cura consumia muita estamina do conjurador — e vendo o quanto curar a mim sempre parecia cansĂĄ-la, eu nĂŁo duvidava dela. AtĂ© usar minha [Cura Leve] me deixava faminto. Tratar uma criatura deste tamanho nĂŁo deve ter sido uma façanha fĂĄcil.

— Instrutor Sain — disse Lynne — acho que eu deveria ajudá-lo, afinal.

— Oh, isso aqui nĂŁo Ă© nada — meu instrutor clĂ©rigo respondeu. — Sou macaco velho nisso. Estou mais preocupado com vocĂȘ, Lynne. VocĂȘ se forçou um pouco demais, nĂŁo acha? Eu a proĂ­bo de fazer mais qualquer coisa. VĂĄ descansar.

— Sim, Instrutor…

Ela fizera aquilo por minha causa? Eu estava convencido de que ela podia fazer qualquer coisa, mas talvez eu estivesse dependendo demais dela. Ouvir a conversa deles me fez lamentar um pouco minha confiança anterior.

— Mas deixando isso de lado… — Meu instrutor clĂ©rigo virou a cabeça para olhar para mim, as mĂŁos ainda no dragĂŁo, e sorriu. — VocĂȘ realmente cresceu, Noor. Quase nĂŁo o reconheci.

— O quĂȘ? — perguntou meu instrutor mago. — Esse Ă© o Noor? — Ele claramente nĂŁo tinha se lembrado de mim tĂŁo bem assim.

— Realmente faz um tempo, hein? — eu disse. — VocĂȘs dois nĂŁo mudaram nada.

Meu instrutor clĂ©rigo riu. — Eu soube que era vocĂȘ na mesma hora. Seu porte fĂ­sico estĂĄ inteiramente diferente, mas seus traços e a aura ao seu redor sĂŁo precisamente os mesmos de antigamente. Fiquei bastante surpreso quando ouvi que alguĂ©m queria que eu trouxesse o DragĂŁo da Calamidade de volta do limiar da morte — duplamente surpreso quando descobri que vocĂȘ era esse alguĂ©m. SĂł para vocĂȘ saber, nĂŁo tenho escrĂșpulos em lhe emprestar meu poder, embora eu vĂĄ recusar qualquer coisa vinda do Oken.

O sorriso gentil no rosto do meu instrutor clérigo era exatamente como eu me lembrava.

— Ho ho! — meu instrutor mago riu. — EntĂŁo Ă© vocĂȘ mesmo, Noor! Achei que parecia familiar. Teve um estirĂŁo de crescimento, hein? Deus me abençoe, mas eu quase o deixei passar batido! O tempo certamente voa, nĂŁo acha? JĂĄ se passou realmente mais de uma dĂ©cada? — Eu comecei a me perguntar se ele se lembrava de mim de alguma forma, entĂŁo isso foi realmente uma surpresa agradĂĄvel.

— Cerca de quinze anos, pelas minhas contas — eu disse. — Eu nunca pensei que veria vocĂȘs de novo tambĂ©m, Instrutor. Achei que o senhor jĂĄ teria batido as botas a essa altura.

— Ho ho? Que coisa terrĂ­vel de se dizer assim tĂŁo casualmente! Fique sabendo que eu tenho pelo menos mais uns cem anos em mim. Planejo ainda estar por aqui muito depois de vocĂȘ ter ido e sido enterrado! Ho ho ho!

Eu ri junto com ele. — Suas piadas não mudaram nem um pouco, pelo visto. Fico feliz que o senhor ainda esteja tão bem.

— Hmm? Não creio ter feito uma piada. Sou sempre a imagem da seriedade! Ho ho!

O velho sorriu alegremente enquanto massageava a barba. Sua expressão era exatamente como eu me lembrava também. Realmente me trouxe recordaçÔes.

— EntĂŁo, este Ă© o famigerado DragĂŁo da Calamidade, hein? — disse meu instrutor mago. — Ele tem uma intensidade pavorosa. Pensar que eu teria a oportunidade de ver uma lenda de perto… HĂĄ algo a ser dito sobre viver uma vida longa!

— De fato — acrescentou meu instrutor clĂ©rigo. — NĂŁo posso dizer que algum dia esperasse tocĂĄ-lo com minhas prĂłprias mĂŁos.

— Dito isso, Noor… VocĂȘ tem certeza absoluta de que isso funcionarĂĄ? Receio nĂŁo gostar das minhas chances de parar o dragĂŁo se ele entrar em outro frenesi.

Meu instrutor mago olhava para o dragĂŁo de forma sombria. Eu entendia o porquĂȘ — se ele ficasse selvagem de novo, eu nĂŁo tinha certeza se conseguiria parĂĄ-lo tambĂ©m. Felizmente, todos aqui eram tĂŁo mais fortes do que eu que nem havia comparação. E acima de tudo…

— Ficaremos bem — eu disse. — O Rolo está conosco.

— Rolo, hein? — Meu instrutor mago seguiu meus olhos para olhar para ele. — EntĂŁo esse Ă© o seu nome.

O garoto recuou diante de nossos olhares repentinos.

— Ho ho. EntĂŁo me diga, Rolo — quĂŁo confiante vocĂȘ estĂĄ neste plano?

— Eu… eu nĂŁo estou… nem um pouco confiante…

— Ho? Ho ho?! N-Nem um pouco, vocĂȘ diz…? — Meu instrutor mago virou-se para mim, com o rosto subitamente abatido e deprimido. Ele nĂŁo precisava me olhar daquele jeito. Eu conseguia entender de onde ele vinha, porĂ©m; Rolo nĂŁo estava exatamente transbordando confiança.

— Está tudo bem, Instrutor — eu disse. — Apesar de como ele parece, o Rolo—

Antes que eu pudesse terminar minha explicação, um tremor sĂșbito sacudiu o chĂŁo. Parecia um terremoto, mas era na verdade o resultado do rosnado do dragĂŁo.

— Parece que o dragĂŁo vai acordar logo — disse meu instrutor clĂ©rigo.

— Já? — perguntei. — Uau.

— Ho, ho ho ho… VocĂȘ tem certeza de que ficaremos bem, sim?!

— Sim — respondi. — Rolo?

Todo o sangue havia sumido do rosto do meu pobre e velho instrutor, mas uma explicação sobre a habilidade do Rolo poderia esperar por outro momento. Uma demonstração provavelmente seria muito mais eficaz de qualquer maneira.

— T-Tudo bem…

Rolo fechou os olhos, e o dragão imediatamente ergueu seu pescoço massivo. A besta parecera titùnica o suficiente apenas deitada no chão, mas agora seu tamanho tremendo era ainda mais aparente. Ele se levantou lentamente sobre as quatro patas, esticou a cabeça em direção aos céus e então soltou um rugido poderoso e intensamente furioso. A terra tremeu ainda mais violentamente do que antes, e o choque foi tão forte que se tornou uma luta apenas para me manter de pé. Simplesmente estar nas proximidades deste colosso fazia cada pelo do meu corpo se arrepiar.

— Ele Ă© realmente gigante… — murmurei.

O dragĂŁo girou a cabeça para examinar os minĂșsculos seres aos seus pĂ©s. Seus grandes olhos focaram em nĂłs, brilhando como cristais gigantes, e imediatamente comecei a tremer de terror. Talvez meus instintos fossem os culpados — aqueles que me diziam para ter medo de bestas tĂŁo grandes.

Apesar dos meus medos, uma pessoa entre nĂłs parecia completamente imperturbĂĄvel.

— Graças aos cĂ©us — proferiu Rolo. — Ele diz que vai nos ouvir.

— SĂ©rio? — respondi. — Uau.

Rolo acabara de dizer algo absolutamente incrível — e como se fosse a coisa mais natural do mundo. Aparentemente, isso foi o suficiente para comover meu ansioso e velho instrutor.

— Ho ho… Agora, isso Ă© uma maravilha. Isso… Isso… Uau. Quero dizer… Simplesmente uau.

Eu estava começando a me preocupar que ele pudesse entrar em choque. Bem, supus que não precisava ficar tão preocupado; eu soube desde o começo que era assim que as coisas se desenrolariam. Ainda assim, não importava quantas vezes eu visse o poder do Rolo, nunca deixava de me tirar o fÎlego. O dragão colossal estava sentado obedientemente na frente do pequeno garoto. Ele se inclinou para frente e soltou um rosnado baixo cujo significado até eu conseguia adivinhar.

— Ele está com raiva, não está? — perguntei.

Talvez fosse porque passei tanto tempo vivendo em uma montanha, mas havia momentos em que eu meio que conseguia dizer o que os animais estavam sentindo. O dragão soara muito como as criaturas com as quais eu estava acostumado sempre que estavam silenciosamente com raiva — como quando algo que prezavam era ferido e queriam se vingar de quem quer que fosse o responsável.

— Uhum… — disse Rolo. — E, er, ele tambĂ©m diz obrigado. Por curĂĄ-lo.

— É mesmo?

Agora que Rolo mencionou, eu conseguia recordar algo como compaixĂŁo naquele rosnado anterior que abalou a terra. Eu estivera convencido de que este dragĂŁo era mau, mas talvez nĂŁo fosse o caso de forma alguma.

— VocĂȘ consegue realmente entender tudo isso, Rolo? — meu instrutor mago perguntou. — Uau. Uau! VocĂȘ se importaria de interpretar para mim no futuro? Ah, o progresso que eu poderia fazer com minha pesquisa!

— VocĂȘ estĂĄ se precipitando, Oken — disse meu instrutor clĂ©rigo. — Primeiro, precisamos dizer: “De nada”.

O rosto do meu instrutor mago iluminou-se com uma curiosidade infantil enquanto ele estudava o dragão, enquanto meu instrutor clérigo acenava para o colosso com um sorriso mais composto e gentil. Eram como opostos completos.

O dragĂŁo soltou outro rosnado baixo.

— VocĂȘ sabe o que ele acabou de dizer, Rolo? — perguntei.

— Uhum. Ele disse… que quer vingança. Ele quer que essa seja sua prĂłxima ordem.

— M-Meu Deus! — meu instrutor mago gritou. — “Ordem”? VocĂȘ realmente domou o DragĂŁo da Calamidade a tal ponto?! U-Uau! Simplesmente… verdadeiramente… uau!

Era impressĂŁo minha ou “uau” tinha se tornado uma de suas palavras mais usadas de repente? Bem, nĂŁo era como se eu nĂŁo entendesse. Eu estava tĂŁo impressionado quanto.

— É — eu disse. — O Rolo Ă© incrĂ­vel.

— Er, nĂŁo Ă© o que vocĂȘs pensam — o garoto respondeu. — Na verdade foi o Noor quem—

— GRRRROOOOAAAARRRR!!!

Rolo nĂŁo conseguira terminar antes que o brado do dragĂŁo o abafasse.

— Ele… diz que nĂŁo quer esperar nem mais um pouco — explicou ele.

— Acho que faz sentido — eu disse.

— Ho ho… Acredito que entendo agora. Seu plano engenhoso Ă© voarmos nas costas do dragĂŁo, correto?

— Isso mesmo. Imaginei que há espaço mais que suficiente.

— EsplĂȘndido… Ho ho… Que ideia gloriosa! Eu amei! Deixe-me ir com vocĂȘs!

— VocĂȘ sabe que nĂŁo pode, Oken — meu instrutor clĂ©rigo interveio. — Precisamos de vocĂȘ aqui para gerenciar a prisĂŁo de pedra.

— Eu… eu sei… eu sĂł queria tentar dizer isso…

Enquanto meu velho instrutor olhava melancolicamente para o dragĂŁo, Rolo, Ines e Lynne preparavam-se para subir em suas costas.

— VocĂȘ vai, Rolo? — perguntei. — VocĂȘ tambĂ©m, Lynne?

— AlguĂ©m precisa proteger o Rolo — respondeu Lynne. — Tenho confiança de que Ines e eu podemos mantĂȘ-lo seguro.

— Pensando bem… vocĂȘ tem razĂŁo.

Eu nĂŁo tinha pensado tĂŁo adiante, na verdade. Rolo era o Ășnico que conseguia falar com o dragĂŁo, entĂŁo ele tinha que ir, mas ele tambĂ©m era apenas uma criança; alguĂ©m precisaria mantĂȘ-lo seguro. Perguntei-me se havia algo que eu pudesse fazer para ajudar.

— Eu teria ido de qualquer jeito, no entanto — disse Lynne. — VocĂȘ tambĂ©m, nĂŁo Ă©, Instrutor?

— Eu? Er… eu…

Espera um minuto. Eu viera aqui para ajudar meus instrutores a voar — em nenhum momento subir eu mesmo no dragĂŁo tinha passado pela minha cabeça. Quero dizer, claro, eu poderia montar na besta; tudo isso fora ideia minha para começar, entĂŁo fazia sentido eu me juntar a eles. Havia apenas, er, um probleminha: eu tinha medo de altura. Eu nĂŁo era totalmente incapaz com elas, mas… ainda era bem ruim. Apenas ficar em um penhasco alto era o suficiente para me fazer travar e querer me encolher como uma bola. NĂŁo era tĂŁo ruim quando eu nĂŁo olhava para baixo, mas eu preferiria evitar uma situação dessas por completo.

Por outro lado, eu tinha arrastado o Rolo para isso. Eu sabia que nĂŁo me sentiria bem deixando-os partir sem mim, entĂŁo me conformei com meu destino e dei minha resposta Ă  Lynne.

— Tudo bem. Eu… vou.

— Eu tambĂ©m irei — disse meu instrutor clĂ©rigo. — Gostaria de ficar de olho no meu paciente atĂ© o fim. AlĂ©m disso, “resolver as coisas na conversa” por acaso Ă© uma especialidade nossa. NĂŁo Ă© mesmo, Carew?

— NĂŁo me junte com vocĂȘ. Eu nĂŁo sinto prazer em assustar meus parceiros de conversa.

Do nada, um homem mascarado vestido da cabeça aos pĂ©s de preto apareceu atrĂĄs de nĂłs — ou ele estivera lĂĄ o tempo todo? Eu nĂŁo o notara, se fosse o caso. Seu rosto estava quase todo coberto por sua mĂĄscara, mas eu ainda o reconheci. Ele era o instrutor ladrĂŁo que uma vez me treinara.

— HĂĄ quanto tempo, Noor — disse ele. — Leve-me junto tambĂ©m. VocĂȘ precisarĂĄ de um [Ocultamento] para uma montaria deste tamanho. Por acaso tenho uma das ferramentas mĂĄgicas de [Aprimoramento de Ocultamento] do inimigo, entĂŁo pode deixar isso comigo.

— Bom ter vocĂȘ conosco — respondi.

— É um prazer tĂȘ-lo conosco, Instrutor Carew — acrescentou Lynne.

— Ho ho! Ines, Carew e atĂ© a senhorita Lynneburg? NĂŁo hĂĄ necessidade de quantidade quando se tem qualidade, Ă© o que eu digo! Agora, rĂĄpido, o tempo urge. É melhor vocĂȘs ir—

— Esperem um momento, por favor — veio outra voz familiar atrĂĄs de nĂłs. — Levem-me com vocĂȘs tambĂ©m. VocĂȘs precisarĂŁo de um negociador.

— Irmão? — disse Lynne. E parado logo atrás dele estava outra pessoa que eu reconheci. — Pai! O senhor está bem!

— Estou. Sinto muito por tĂȘ-los preocupado. Fico feliz que vocĂȘ esteja bem tambĂ©m, Lynne.

Durante esse reencontro entre pai e filha, o irmão de Lynne foi direto até Ines.

— VocĂȘ estava a caminho de Mithra — disse ele. — VocĂȘ voltou.

— Voltei, meu senhor. Aceitarei qualquer punição que julgar apropriada por este descumprimento de ordens.

— NĂŁo… a culpa foi minha por emitir um comando tĂŁo tolo em primeiro lugar. VocĂȘ fez bem em retornar. E vocĂȘ tambĂ©m, Senhor Noor. Temos uma grande dĂ­vida com vocĂȘ.

Eu dei de ombros. — NĂŁo parecia o momento certo para tirar umas fĂ©rias, sabe?

Ele parou por um momento e entĂŁo disse: — De fato. Como tenho certeza de que vocĂȘ pode notar pelo estado das coisas.

— Ainda assim, nĂŁo acabou, certo? Se vamos, Ă© melhor nos apressarmos.

— VocĂȘ tem razĂŁo. — O irmĂŁo de Lynne entĂŁo se voltou para o pai deles. — Vejo vocĂȘ em breve.

— Estou contando com vocĂȘ, Rein — disse o homem. — VocĂȘ tem autoridade total para agir como achar melhor assim que estiver lĂĄ. VocĂȘ conhece nosso reino melhor do que eu agora. SĂł me conte sobre isso mais tarde.

— Sim, pai.

Todos começaram a subir nas costas do dragão. Eu estava prestes a (com muito cuidado) começar a fazer o mesmo quando o pai de Lynne me chamou.

— Senhor Noor.

— Sim?

— Sinto muito por ser tĂŁo dependente de vocĂȘ. Mas, por favor, mantenha meus filhos em segurança.

— Sim… NĂŁo se preocupe. Eu os trarei de volta inteiros.

— Confio que trará — disse ele, olhando-me diretamente nos olhos. Seu rosto cheio de cicatrizes e rugas então se abriu em um sorriso gentil.

Assim que eu estava no topo do dragão, Rolo disse ao colosso em voz baixa: — Pode ir agora. — E exatamente no momento certo, ele bateu suas asas enormes, fustigando os arredores com uma feroz tempestade de vento.

Em meio à poeira e aos destroços sendo soprados pelo ar, o corpo titùnico do dragão deu um solavanco para cima, e decolamos em direção ao céu.


◇

— Eles se foram.

— De fato.

ApĂłs a partida do dragĂŁo titĂąnico, uma pessoa emergiu das sombras projetadas por uma imponente parede de rocha. Esperando por perto estava uma figura colossal vestida em uma armadura prateada. Os dois homens — Sig, o Soberano da Espada, e Dandalg, o Soberano do Escudo — ficaram um ao lado do outro em silĂȘncio enquanto observavam o dragĂŁo partir.

Depois de um tempo, o gigante de armadura falou: — VocĂȘ tem certeza disso, Sig? Poderia ter dito algo a ele. Para o Noor.

— EstĂĄ tudo bem. O garoto estĂĄ vivo e bem. Isso Ă© o suficiente.

— Mas vocĂȘ o procurou, nĂŁo procurou? VocĂȘ se culpou pelo desaparecimento dele por todos esses anos.

— Eu poderia dizer o mesmo de vocĂȘ.

— Bem, sim. Suponho que todos nĂłs seis nos sentimos responsĂĄveis naquela Ă©poca. Mas vocĂȘ nos deu um susto de verdade quando disse que ia largar todo o seu trabalho para procurĂĄ-lo. E agora ele finalmente voltou.

— Está tudo bem. Esse assunto está encerrado.

— Encerrado?

— NĂłs seis nĂŁo Ă©ramos necessĂĄrios para a histĂłria dele em primeiro lugar. O fato de sequer termos considerado acolher e criar um menino de tal talento puro foi uma arrogĂąncia desmedida. Quem poderia adivinhar que ele se tornaria o homem que Ă© hoje?

Os dois homens observaram os arredores, maravilhados com o mar de espadas e escudos espalhados, e com as ruĂ­nas dos armamentos mĂĄgicos que outrora foram os principais ativos militares do inimigo. Parecia impossĂ­vel pensar que uma Ășnica pessoa investira contra um exĂ©rcito de dez mil e desarmara cada um deles.

Dandalg deu de ombros, sua estrutura larga acompanhando o movimento, e entĂŁo disse alegremente: — VocĂȘ tem razĂŁo sobre isso; nĂłs seis nĂŁo somos nada comparados ao Noor. O Velho Oken estava certo tambĂ©m — o garoto cresceu sem precisar da nossa ajuda. Ainda assim, pensar que ele ficaria tĂŁo forte… Ele Ă© como um herĂłi de um conto de fadas. QuĂŁo engraçado Ă© isso?

— Dandalg — Sig disse suavemente — apĂłs o tĂ©rmino do esforço de reconstrução, empreste-me um pouco do seu tempo. Planejo reiniciar meu treinamento do zero. Caso contrĂĄrio… eu nunca o alcançarei. — Seu rosto estava mortalmente sĂ©rio enquanto tocava a espada em sua cintura.

— Ei, agora, vocĂȘ nĂŁo estĂĄ pensando em se tornar um desafiante na sua idade, estĂĄ? Eu nĂŁo me importo de ir junto, mas estamos ficando velhos. NĂŁo te mataria sossegar um pouco.

— O caminho da espada nunca termina. AlĂ©m disso, como posso permitir que minha lĂąmina enferruje agora, quando me acabaram de mostrar o quanto ainda hĂĄ para percorrer? A menos que eu me resolva a colocar minha prĂłpria vida em risco, ele permanecerĂĄ para sempre Ă  minha frente.

Dandalg coçou a cabeça e suspirou; seu velho amigo era tĂŁo inflexĂ­vel como sempre. — É, eu sabia que vocĂȘ diria isso. — Ele parou e acrescentou: — Ele foi realmente tĂŁo impressionante? Eu nĂŁo consegui ver em primeira mĂŁo.

— Foi. Foi impressionante o suficiente para me fazer perguntar como eu algum dia pensei que era bom o suficiente para ensinar os outros. Envergonha-me profundamente o quanto eu estive relaxado. — Sig começou a batucar a bainha de sua espada com a ponta do dedo. Dandalg conhecia o Soberano da Espada por quase toda a sua vida, então reconheceu imediatamente esse sinal de que seu amigo estava de excelente humor.

— E, no entanto, vocĂȘ parece bem satisfeito.

Os cantos dos lábios de Sig se curvaram para cima. Era uma visão rara — o homem quase nunca sorria. — É claro que estou — retrucou ele. — Quem não estaria depois de testemunhar tal exibição?

— Verdade — respondeu Dandalg. Vendo seu amigo tĂŁo radiante, ele nĂŁo pĂŽde evitar sorrir tambĂ©m. — Depois de um show desses… quem nĂŁo estaria?

Os dois homens ficaram ali, lado a lado, observando enquanto o Dragão da Calamidade desaparecia no céu distante.


Tradução: Carpeado
Para estas e outras obras, visite o Site do Carpeado Traduz â€“ Clicando Aqui


Tradução feita por fãs.
Apoie o autor comprando a obra original.


Compartilhe nas Redes Sociais

1 comentĂĄrio

comments user
seo agenturen

Really insightful post — Your article is very clearly written, i enjoyed reading it, can i ask you a question? you can also checkout this newbies in seo

Publicar comentĂĄrio

Anime X Novel 7 Anos

Trazendo Boas Leituras AtĂ© VocĂȘ!

Todas as obras presentes na Anime X Novel foram traduzidas de fĂŁs para fĂŁs e sĂŁo de uso Ășnico e exclusivo para a divulgação das obras, portanto podendo conter erros de gramĂĄtica, escrita e modificação dos nomes originais de personagens e locais. Caso se interesse por alguma das obras aqui apresentadas, por favor considere comprar ou adquiri-las quando estiverem disponĂ­vel em sua cidade.

Copyright © 2018 – 2026 | Anime X Novel | Powered By SpiceThemes

Capítulos em: I Parry Everything: What Do You Mean I’m the Strongest? I’m Not Even an Adventurer Yet!