Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 6 – Volume 9

 

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – CapĂ­tulo 06:
[Se VocĂȘ Pode Persegui-Lo, NĂŁo Se Trata De Um Sonho]


Eu nĂŁo vou perder, pensava Ranta furiosamente. NĂŁo para aquele maldito fracote.

Ele nĂŁo deveria ter perdido.

Aquela foi a primeira vez que os dois lutaram de verdade. Ele sabia que eventualmente chegariam a esse ponto. Havia algo que ele definitivamente não poderia revelar; nem sequer considerou essa possibilidade. Contudo, se chegasse a esse extremo, tinha certeza de que venceria. Ranta estava confiante em relação a isso.

Afinal, ele Ă© sĂł um ladrĂŁo. Lutar nĂŁo Ă© a especialidade dele. Eu sou um cavaleiro das trevas.

“Tudo nasce da escuridão, e à escuridão retornará. Todos os que vivem serão igualmente abraçados pela morte.” Esse era o credo dos cavaleiros das trevas.

Conflito era o dever dos seguidores do Deus das Trevas Skullhell, assim como trazer a morte aos derrotados. Cada tĂ©cnica mĂĄgica ou de combate dos cavaleiros das trevas existia para cumprir esse propĂłsito. Os senhores tinham impregnado nos cavaleiros tĂ©cnicas Ășnicas que trariam a morte aos inimigos, independentemente dos meios que precisassem empregar.

Somente um servo de Skullhell poderia entender, mas ao abandonar a moralidade e as emoçÔes, e ao afiar o espírito, um cavaleiro das trevas atingia um estado de pureza måxima. Nesse ponto, uma batalha não era mais uma batalha, mas algo tão natural quanto respirar. Lutar como se respirasse, vencer e trazer a morte. Esse era o ideal de um cavaleiro das trevas.

NĂŁo havia como um cavaleiro das trevas como Ranta perder para um mero ladrĂŁo.

A verdade é que Ranta estava brincando com o ladrão. Quando fechava os olhos agora, ele podia reviver aquela sensação. Quanto mais o estilete e a faca do ladrão chocavam-se contra a RIPer de Ranta, mais empolgado ele ficava.

O ladrĂŁo conhecia Ranta, entĂŁo nĂŁo seria fĂĄcil finalizĂĄ-lo com um Ășnico golpe. Ranta sabia disso tambĂ©m. No entanto, por acreditar que sabia disso, Haruhiro acabou sendo pego de surpresa.

É tão diferente assim?, ele parecia se perguntar. Cada vez que percebia o choque de Haruhiro, Ranta queria dizer: Aprendeu a lição?

Ele mal conseguia se conter.

Saiba qual Ă© o seu lugar, Haruhiro. No final, vocĂȘ nĂŁo Ă© pĂĄreo para mim. VocĂȘ nĂŁo pode me vencer. Apenas aceite e se renda.

Exhaust.

Leap Out.

Missing.

As habilidades de movimento dos cavaleiro das trevas não envolviam apenas deslocamento, mas também encolher, esticar, dobrar e torcer todo o corpo. Para Ranta, que era pequeno para um combatente ou um cavaleiro das trevas, e cujas habilidades atléticas não eram significativamente superiores às de outras pessoas, as habilidades de movimento eram seu foco principal. Basicamente, se ele não pudesse se mover, não poderia lutar. Se ele parasse para trocar golpes, estava certo de que perderia.

Ele precisava se mover. Continuar se movendo. Quanto mais se movia, mais a vitĂłria parecia ao alcance.

Por isso, em combate real, ele estava sempre usando suas habilidades de movimento, como se fosse um idiota que sĂł sabia fazer isso. Mesmo depois de usĂĄ-las repetidamente, ele continuava a usĂĄ-las. Se nĂŁo fizesse isso, Ranta, o cavaleiro das trevas, nĂŁo teria futuro. Desde que aprendera Exhaust na guilda, Ranta pensava assim. NĂŁo importava o que dissessem para ele, ele lutava exagerando no uso de habilidades de movimento.

Ele fazia isso para vencer.

Esse era o Ășnico caminho para se tornar mais forte.

VocĂȘ entende isso, Haruhiro? Pensava furiosamente. Eu nĂŁo sou como vocĂȘ. Eu nĂŁo sou um lĂ­der, afinal de contas. Seu trabalho Ă© manter a party unida. Mesmo lutando, vocĂȘ precisa observar todos e controlar a situação. Eu sou diferente. A Ășnica coisa que tenho que fazer, mais do que qualquer outra, Ă© matar o inimigo. Eu preciso ficar mais forte.

Sou pequeno, mas preciso ser resistente. VocĂȘ tem ideia de como isso Ă© difĂ­cil, Haruhiro?

Eu vou ficar mais forte e mais forte. “Sou forte”, eu digo para mim mesmo. Sabe o que acontece quando faço isso? Eu ouço. Ouço aquelas risadas debochadas.

“Ei, sĂ©rio agora, vocĂȘ tĂĄ falando sĂ©rio? VocĂȘ realmente, realmente, realmente pensa isso? Olha ao redor. Todos esses caras sĂŁo maiores que vocĂȘ, e eles balançam essas armas enormes como se fossem nada. Mesmo entre os que se alistaram na mesma Ă©poca que vocĂȘ, tem o Renji e o Ron. Eles estĂŁo em outro nĂ­vel. Quantos centĂ­metros o Moguzo tinha a mais que vocĂȘ? NĂŁo tem como diminuir essa diferença, entende? Se o Renji te acertasse com tudo o que ele tem, Ranta, cara, vocĂȘ morreria com um sĂł golpe, nĂŁo Ă©?”

Quanto mais eu penso nisso a sério, mais sou forçado a encarar que a diferença é enorme. Enorme demais.

“NĂŁo deixar isso me abater”? Isso Ă© impossĂ­vel, e vocĂȘ sabe disso, nĂŁo sabe? É normal que isso me abata. É o suficiente para fazer qualquer um desesperar.

Quero dizer, isso aqui nĂŁo Ă© brincadeira, sabe? Estamos falando de vida ou morte, entendeu?

“Se eu morrer, sĂł serei abraçado por Skullhell”? TĂĄ, pode atĂ© ser. Mas vocĂȘ acha que vou aceitar isso? Assim tĂŁo fĂĄcil?

Eu nĂŁo quero morrer.

Se eu morrer, pode ser o fim.

Eu sei disso.

Eu vi isso.

Os que morreram viraram cinzas, e agora nunca mais os veremos.

Eu nĂŁo posso morrer ainda.

Quero dizer, eu ainda nĂŁo estou acabado.

“É atĂ© aqui que eu consigo, esse Ă© o meu limite, nĂŁo consigo ir alĂ©m” ainda nĂŁo cheguei nesse ponto.

Entende isso, Haruhiro?

Eu ainda nĂŁo estou acabado. NĂŁo vou terminar aqui. NĂŁo eu. É isso que eu digo para mim mesmo para continuar, e sigo em frente. Eu nĂŁo sou um perdedor patĂ©tico e indeciso como vocĂȘ. Ser bonzinho com os nossos companheiros? Isso Ă© dependĂȘncia, e vocĂȘ sabe disso. É se apoiar nos outros. Se eu fizer isso, vou ficar fraco.

Haruhiro. Eu preciso ser mais forte que vocĂȘ. Fiz tudo o que podia para ser assim, e ainda estou fazendo. É por isso que sou mais forte que vocĂȘ.

Essa é uma boa oportunidade, então vou te ensinar uma lição!

Esse tinha sido o plano dele.

Haruhiro estava decidido a ir salvar Mary. Dadas as circunstĂąncias, Ranta sabia que ele provavelmente faria isso sozinho.

Ranta tinha duas opçÔes: impedi-lo ou não.

NĂŁo, nĂŁo havia escolha. Ele tinha que impedi-lo. O velho Takasagi com certeza notaria Haruhiro se movendo. E Takasagi suspeitava de Ranta.

Ranta não se juntou de verdade à Forgan. Ele com certeza vai tentar facilitar as coisas para os seus companheiros. Era isso que Takasagi pensava. Então ele estaria observando Ranta e prestando atenção em Haruhiro e nos outros também.

Takasagi nĂŁo perdia nada. Se Haruhiro fizesse um movimento, Takasagi certamente perceberia.

Ranta tinha que parĂĄ-lo. Ele precisava fazer isso sozinho.

Naturalmente, ele sabia que Takasagi também viria. Afinal, o velho não confiava nele. E, na verdade, foi exatamente o que aconteceu.

Dado o ponto a que as coisas tinham chegado, Ranta sabia que não podia deixar Haruhiro ir. Ele conhecia bem as habilidades de Takasagi. Aquele velho era incrivelmente habilidoso. Ele só tinha um braço, e apenas um olho, mas nada disso importava. Mesmo que Ranta, Haruhiro e Kuzaku se unissem contra ele, não teriam nem uma chance mínima de vencer. Mesmo que Yume, Mary e Shihoru se juntassem, seria arriscado. Takasagi mataria Haruhiro sem esforço.

Fomos companheiros uma vez, Ranta disse. Vou fazer a gentileza de matĂĄ-lo eu mesmo.

Falando assim, Ranta sabia que Takasagi provavelmente nĂŁo recusaria. Por quĂȘ? Porque, julgando pela personalidade de Takasagi, ele iria querer testar Ranta.

De certa forma, isso talvez fosse a fraqueza de Takasagi. Ele era bom demais. Era perceptivo demais e conseguia identificar claramente as diferenças de nĂ­vel de habilidade. Takasagi sabia que Ranta era inferior. Um garoto. NĂŁo valia a pena lutar contra. Por isso, Takasagi achava que poderia lidar com Ranta a qualquer momento. Ele nĂŁo estava subestimando Ranta. Era uma avaliação precisa da realidade. EntĂŁo essa era a Ășnica brecha que Ranta tinha: que Takasagi permitiria que ele agisse, mesmo enquanto o suspeitava.

Se Ranta fosse leal à Forgan, ótimo. Se não—se Ranta tentasse trair a Forgan—ele seria eliminado ali mesmo.

No final, Ranta acabou em uma luta um contra um com Haruhiro.

Depois disso, ele sĂł precisava vencer. Derrotar Haruhiro. FazĂȘ-lo se render.

Eles nĂŁo vĂŁo te matar, Haruhiro, ele pensou. HĂĄ um caminho. Uma maneira de fazer tudo isso funcionar.

Eu mostro do que sou capaz. EntĂŁo, quando vocĂȘ estiver bem derrotado, faço uma proposta. Tudo o que vocĂȘ precisa fazer Ă© dizer: “TĂĄ bom.” É simples.

Entrar para a Forgan resolveria tudo. NĂŁo, nĂŁo sĂł eu. Todos nĂłs. Vamos nos tornar membros da Forgan. Por enquanto, nĂŁo precisamos pensar se serĂĄ algo permanente ou nĂŁo. Apenas entrem. Vivam com os orcs, os mortos-vivos, os elfos e as outras raças daqui. SĂł uma vez, tentem conversar com o Jumbo. VocĂȘs vĂŁo se borrar. O cara Ă© enorme. Ah, acho que ele Ă© um orc, nĂŁo um cara. Bom, vocĂȘs vĂŁo esquecer disso rapidinho.

Vai expandir seus horizontes. NĂłs nĂŁo sabemos nada sobre Grimgar. Isso vai ficar tĂŁo claro que vai doer. VocĂȘs vĂŁo perceber como o mundo dos humanos Ă© pequeno, muito pequeno. Nos tornamos soldados voluntĂĄrios por necessidade, e temos vivido assim, mas serĂĄ que isso Ă© certo? Foi uma escolha nossa? Ou fomos forçados a tomar essa decisĂŁo? Talvez estejamos sendo apenas usados, sabe?

Haruhiro, sei que vocĂȘ nĂŁo vai acreditar nisso, mas eu tambĂ©m estou quebrando a cabeça. Pensei em muitas coisas em pouco tempo. Quero contar para vocĂȘ e para os outros o que eu pensei. Quero que vocĂȘs me escutem. O que vocĂȘs acham?

SĂł porque eles sĂŁo orcs, isso faz deles nossos inimigos? Claro, os mortos-vivos sĂŁo assustadores, mas eles tambĂ©m sabem beber e festejar, sabia? Sentam-se lado a lado com os camaradas, contando histĂłrias. Para mim, se eu colocasse minha mente nisso, acho que poderia viver bem aqui. Quero discutir isso direito e ouvir o que vocĂȘs pensam.

Especialmente vocĂȘ, Haruhiro.

Quero saber o que vocĂȘ pensa.

Quero dizer, vocĂȘ pensa nas coisas por muito tempo. NĂŁo Ă© de decidir pelas primeiras impressĂ”es. NĂŁo diria que somos totalmente opostos, mas somos bem diferentes.

Eu te odeio, e aposto que o sentimento Ă© mĂștuo. Francamente, nĂłs simplesmente nĂŁo nos damos bem. Mesmo depois de todo esse tempo trabalhando juntos, vocĂȘ e eu nĂŁo somos amigos. NĂŁo posso ser seu amigo. Se vocĂȘ nĂŁo estivesse fazendo um trabalho decente como lĂ­der, jĂĄ teria te largado hĂĄ muito tempo. É sĂł isso que vocĂȘ vale para mim, no fim das contas.

Tenho certeza de que vocĂȘ vĂȘ as coisas de forma diferente de mim e pensa em coisas que eu nunca pensaria. VocĂȘ pensa diferente. De formas que me irritam. Diz coisas que me deixam puto.

E Ă© exatamente por isso que eu queria te mostrar este mundo. Este Ă© outro mundo que existe. Mesmo sem irmos para outro mundo como o Reino do CrepĂșsculo ou Darunggar, hĂĄ mundos por aĂ­ que nĂŁo conhecemos. Depois de tanto tempo que passamos em Darunggar, nĂŁo acha que poderĂ­amos aceitar outro lado de Grimgar? NĂŁo acha que deverĂ­amos?

Haruhiro, o que vocĂȘ acha…?

— …Tch — Ranta murmurou. Aquele merda.

Ranta pressionava o ombro direito com a mĂŁo esquerda.

Ele sabia que Haruhiro ia tentar alguma coisa. Se nĂŁo fizesse algo drĂĄstico, Haruhiro nĂŁo teria chance de vencer. Normalmente cauteloso ao ponto de ser covarde, Ă s vezes ele podia ser ousado.

O que ele vai tentar? Ranta se perguntava.

Suas técnicas mais especiais, Backstab e Spider, estavam completamente neutralizadas. Impedir que Haruhiro usasse essas habilidades era fåcil para Ranta, com sua mobilidade superior: bastava não deixå-lo chegar às suas costas. Ele também sabia que, se ficasse atento ao combo de Swat, Arrest, Shatter, Slap e Hitter, poderia se defender. Fora isso, distraçÔes ou manobras de fingimento não funcionariam em Ranta, que jå conhecia todos os truques de Haruhiro.

Ele vai tentar nos derrubar juntos. Ranta considerava essa possibilidade alta. Mesmo que Haruhiro não tentasse algo que matasse os dois, ele poderia sacrificar um braço para acertar um golpe letal em Ranta. Era exatamente o tipo de coisa que aquele cara pensaria em fazer.

Assault.

Ranta sabia dessa habilidade. Haruhiro nĂŁo a usava com frequĂȘncia. Era muito exaustiva e exigia estar preparado para morrer junto com o oponente, entĂŁo sĂł era vĂĄlida em circunstĂąncias limitadas. Mas Ranta sabia que ele poderia apostar tudo nisso.

Ele havia previsto isso.

Mas o Assault de Haruhiro foi além do que Ranta esperava. Ele não havia calculado aquilo.

Aquela explosĂŁo momentĂąnea de velocidade. Mais especificamente, o inĂ­cio dela. Foi isso que decidiu tudo.

NĂŁo.

Ele decidiu.

Haruhiro tinha decidido que essa era a Ășnica maneira de derrotar Ranta. Ele se resolveu a fazer isso e apostou naquele Ășnico momento.

Provavelmente foi tudo o que Haruhiro tinha. Se Ranta tivesse aguentado, teria vencido. NĂŁo haveria uma segunda tentativa.

Se Haruhiro tentasse de novo, Ranta conseguiria reagir.

Era verdade que Ranta havia perdido. Mas, se perguntassem quem era mais forte, ainda era Ranta. Haruhiro provavelmente reconheceria isso também.

Ranta era mais forte que Haruhiro, mas tinha perdido. Haruhiro tinha roubado a vitĂłria dele usando um mĂ©todo que era tĂŁo… caracterĂ­stico dele.

— …Eu jĂĄ nĂŁo sabia? — Ranta murmurou. — Que ele faria algo assim? Como Ă© que ele conseguiu me pegar? SerĂĄ que eu o subestimei?

Um xamã élfico havia curado o ombro que Haruhiro tinha perfurado com seu estilete. O ferimento estava fechado agora. Não podia mais doer, mas ainda havia uma pulsação surda e incÎmoda.

— Ei… — chamou uma voz, suave como uma brisa Ășmida.

Os olhos de Ranta se abriram de repente. Arnold estava sentado do outro lado da fogueira.

Arnold, que estava seminu, era um tipo de morto-vivo chamado double arm e deveria ter quatro braços, mas um dos braços esquerdos estava faltando. Todo o seu corpo estava envolto em um couro enegrecido, então Ranta não conseguia ver o quão graves eram os ferimentos, mas Arnold certamente estava bem machucado.

Pelo que Ranta tinha ouvido, contanto que os mortos-vivos nĂŁo deixassem os ferimentos abertos, eles acabariam se curando. Dito isso, nĂŁo era algo imediato. Levava tempo. TambĂ©m podiam supostamente prender outro braço ou algo do tipo. PorĂ©m, esse braço precisava ser mantido no lugar atĂ© que “aderisse”. E—Ranta nĂŁo entendia muito bem como isso funcionava—havia um elemento de compatibilidade entre o morto-vivo e o corpo da criatura usada, entĂŁo Ă s vezes nĂŁo dava certo. Em casos ruins, o braço ou perna ficava pendurado inutilmente atĂ© apodrecer e cair.

Os mortos-vivos nĂŁo tinham vida. Era por isso que nĂŁo morriam. Seus corpos nĂŁo eram exatamente deles; eram feitos a partir de outros seres vivos. Os mortos-vivos eram marcadamente diferentes dos seres vivos. Na verdade, nem podiam ser considerados seres vivos.

Me pergunto como Ă© viver como um morto-vivo… Bem, nĂŁo que eles estejam realmente vivos para começar.

Mas era difĂ­cil vĂȘ-los de outra forma que nĂŁo como vivos.

Provavelmente estava sendo enganado por suas próprias concepçÔes fixas. Se algo se movia como um ser vivo, isso significava que estava vivo. Tem que estar vivo, era o que ele tinha decidido em sua mente. No entanto, tinha um morto-vivo bem na sua frente, e ele não se encaixava nessa lógica.

— …Yo. — Ranta inclinou a cabeça um pouco. Que tipo de expressĂŁo ele deveria fazer?

Arnold havia enfrentado Rock, o lĂ­der dos Typhoon Rocks, uma equipe dentro dos Day Breakers, em um duelo um contra um, e a luta tinha terminado empatada porque Jumbo a interrompeu. Ranta sĂł tinha visto parte da luta, mas foi um combate intenso, uma troca de golpes brutal, e qualquer um dos dois poderia ter saĂ­do vitorioso.

Estava claro que o duelo não seria decidido até que um deles, ou talvez ambos, morressem ou fossem destruídos. Jumbo não havia gostado dessa possibilidade.

Ranta nĂŁo entendia muito bem. NĂŁo Ă© assim que lutas deveriam ser?

O que Arnold achava disso? Estava satisfeito?

— Ei. — Enquanto Ranta ainda ponderava o que fazer, decidiu sorrir no final. — Arnold-san.

Arnold disse: — Heh… — O rosto dele se distorceu levemente. Podia ter sido uma risada. EntĂŁo, ele jogou o recipiente que segurava na mĂŁo direita para Ranta.

Ranta o pegou. Não era feito de porcelana, madeira ou metal. O recipiente era de um material parecido com couro, mas parecia duro demais para ser isso. Tinha uma boca estreita e uma rolha. Ele sabia o que havia dentro. Álcool. Embora, infelizmente, não tivesse um copo à mão.

Quanto tempo havia passado desde o pĂŽr do sol? Takasagi aparentemente tinha levado cerca de metade da Forgan para perseguir os Rocks, Haruhiro e os outros. A outra metade, que ficou com Jumbo, estava descansando na ĂĄrea, ou se divertindo ao redor das fogueiras.

Ranta havia montado sozinho a fogueira diante de si. O xamã élfico que o havia tratado e outros membros chegaram a chamå-lo, mas Ranta nem sequer respondeu direito. Não entendia o que estavam dizendo, e não estava com humor para tentar gesticular de forma exagerada para se fazer entender. Honestamente, sua atitude no momento era: Por favor, me deixem em paz.

— Aw… — Segurando o recipiente com a mĂŁo direita, Ranta balançou a mĂŁo esquerda, indicando para Arnold que nĂŁo tinha um copo.

— Dwin — disse Arnold, gesticulando com o queixo. Algo como: Apenas beba isso de uma vez.

— NĂŁo vou recusar, entĂŁo. — Ranta destampou o recipiente e bebeu diretamente dele. Quando inclinou para trĂĄs, o licor seco, com a acidez na medida certa, desceu por sua garganta. — …É. Isso Ă© bom. Gostei.

Arnold estendeu um dedo e disse: — Bassa aqui…

Quando Ranta colocou a rolha de volta e jogou o recipiente para ele, Arnold também tomou um gole e soltou uma risada.

Seus olhos continuam totalmente mortos, no entanto.

NĂŁo havia vida nos olhos de Arnold. Ainda era bizarro ver um morto-vivo bebendo, comendo e rindo. Mas jĂĄ nĂŁo era surpreendente. Mais que isso, quando Arnold era atencioso desse jeito, Ranta se sentia estranhamente tranquilo.

O que Ă© isso? Ele se perguntava. Haruhiro, serĂĄ que vocĂȘs se sentiriam assim tambĂ©m? Ou Ă© sĂł comigo?

Ele queria descobrir isso. Saber.

Se Haruhiro e os outros sentissem o mesmo que Ranta, talvez isso significasse que havia algo ali que a sociedade humana em Altana nĂŁo tinha.

Mas e se nĂŁo sentissem?

E se apenas Ranta experimentasse essa estranha sensação de calma?

Isso significaria que eu sou diferente, Ă© claro. Que o lugar onde vocĂȘs estĂŁo nĂŁo Ă© pra mim. Porque, ao passar tanto tempo em um lugar onde eu nĂŁo pertencia, eu sempre me sentia irritado, incapaz de me acomodar. É isso que significaria?

Ranta começou a pensar que nĂŁo poderia ser amigo de seus companheiros. Provavelmente, ele estava certo. Isso exigia entendimento mĂștuo. Mas eles nĂŁo precisavam ser “amiguinhos”. NĂŁo, era o oposto. Era melhor que nĂŁo fossem. Em vez de serem pegajosos, deveriam manter uma distĂąncia apropriada. Assim, poderiam discutir sobre o que pensavam. Odiar um ao outro estava tudo bem.

Ranta abaixou a cabeça. Mas sempre foi assim desde o começo…?

— Ranta-kun. — Moguzo tinha dito.

Ele estava com uma expressĂŁo tĂŁo incrĂ­vel naquele momento. Foi hĂĄ muito tempo, mas eu me lembro tĂŁo bem.

— Algum dia, vamos fazer isso. Abrir um restaurante.

Moguzo…

Sem dĂșvida alguma, ele estava falando sĂ©rio. Com certeza. Mesmo que o mundo inteiro se invertesse, Moguzo nĂŁo era do tipo que dizia algo que nĂŁo sentia.

Ele nĂŁo era apenas um companheiro. Ele era um parceiro.

Serå que Ranta tinha medo? De perder alguém de novo? Era por isso que ele não queria se aproximar dos outros?

Pensando bem, quando Moguzo estava vivo, apesar das brigas, os trĂȘs garotos passavam muito tempo juntos. Desde que Moguzo morreu, a nĂŁo ser que Ranta tivesse algum assunto com os outros, quando queria beber, ele saĂ­a sozinho.

NĂŁo era algo consciente. Provavelmente, ele estava se distanciando de seus companheiros de forma inconsciente. NĂŁo havia causado problemas especĂ­ficos.

NĂŁo Ă© como se eu precisasse de amigos, sabe?

Isso era verdade?

Seria bom ter pessoas com quem ele pudesse se abrir. Ele nĂŁo queria isso?

Ainda com a cabeça baixa, Ranta estendeu a mão direita à sua frente. Ele ouviu Arnold se levantando.

Arnold se aproximou e colocou o recipiente de ĂĄlcool na mĂŁo de Ranta. Ele o ergueu e engoliu o conteĂșdo.

Ardia.

— Heh… — Arnold riu, mas nĂŁo para zombar de Ranta. Ele nĂŁo era do tipo que faria isso.

Haruhiro, por que vocĂȘ nĂŁo se rendeu de uma vez para mim?

Eu tive que fazer aquilo. Sim, eu estava falando sĂ©rio. Me esforcei tanto que poderia ter te matado. Com certeza. Se eu nĂŁo fizesse isso, Takasagi poderia ter acabado comigo. AlĂ©m disso, vocĂȘ tambĂ©m nĂŁo Ă© mais o mesmo. Se eu nĂŁo der tudo de mim, nĂŁo consigo te vencer.

Mas, cara, vocĂȘ sabe que nĂŁo hĂĄ chance de eu te matar, nĂ©?

Pode ser que nĂŁo sejamos amigos, mas somos companheiros, certo? VocĂȘ entende isso, nĂŁo entende? VocĂȘ deveria ser o Haruhiro, mas nĂŁo conseguiu entender o que eu estava pensando? Passamos tanto tempo juntos, por que vocĂȘ nĂŁo percebeu…? EntĂŁo, pra piorar…

VocĂȘ tentou me matar, nĂŁo foi?

Se Mary nĂŁo tivesse te parado, cara, vocĂȘ teria me matado, nĂŁo Ă©?

Isso significa que—sim, vocĂȘ nĂŁo confia em mim.

NĂŁo Ă© que eu esteja desapontado. SĂł Ă© algo tipo, “Ah, Ă© claro.” NĂŁo Ă© nada. Era sĂł isso que Ă©ramos, no final.

Eu só me sinto um pouco patético, só isso. Por ter tentado confiar em alguém que nem confia em mim. Fui um idiota. Um completo idiota.

— Ei… — murmurou Ranta.

Ele sĂł tinha bebido duas vezes do recipiente, mas jĂĄ conseguia sentir o efeito do ĂĄlcool. Arnold jĂĄ havia voltado para o outro lado da fogueira e se sentado.

Ranta sorriu para ele.

— Arnold.

Mesmo sendo chamado sem qualquer formalidade, Arnold nĂŁo parecia nem um pouco ofendido. Ele olhou para Ranta com aqueles olhos mortos, como se dissesse: O que foi?

Ranta nĂŁo entendia totalmente o que estava tentando fazer, ou o que queria.

— Ó escuridĂŁo… — Ele começou a entoar, entĂŁo, Ah, certo, percebeu. Talvez ele estivesse tentando se revelar. Talvez estivesse planejando se abrir, ter uma conversa de coração para coração. Talvez fosse algo que ele queria.

— E aí. — Takasagi interrompeu.

Se o cara nĂŁo tivesse aparecido de repente, Ranta provavelmente teria invocado o Zodiac-kun. Por que ele nĂŁo tinha usado o Demon Call nenhuma vez desde que se juntou Ă  Forgan?

Porque não sentiu vontade. Porque não teve oportunidade. Se fosse só isso, bastava, mas provavelmente havia também um elemento de medo envolvido.

A natureza do demĂŽnio de um cavaleiro das trevas era difĂ­cil de explicar de forma simples. NĂŁo era o que vocĂȘ chamaria de familiar, mas tambĂ©m nĂŁo fazia parte do cavaleiro das trevas. Os demĂŽnios eram indiscutivelmente conscientes. Eles tinham vontade prĂłpria. NĂŁo apareciam a menos que fossem chamados pelo cavaleiro das trevas, e estavam fortemente vinculados ao seu invocador, mas tambĂ©m eram independentes de certa forma. O cavaleiro das trevas nĂŁo podia controlar o demĂŽnio. NĂŁo podia manipulĂĄ-lo Ă  vontade, mas havia uma conexĂŁo entre eles.

O demÎnio crescia, ou mudava, à medida que o cavaleiro das trevas acumulava vícios, e seu desenvolvimento dependia inteiramente do cavaleiro das trevas. Além disso, esse crescimento e mudança eram irreversíveis. Não havia como voltar atrås. Um cavaleiro das trevas não podia recriar seu demÎnio, nem descartå-lo. Os preceitos afirmavam que a devoção de um cavaleiro das trevas ao Deus das Trevas Skullhell era eterna. O demÎnio permaneceria com o cavaleiro das trevas até que ele fosse abraçado por Skullhell. O demÎnio era seu parceiro na jornada rumo à morte inevitåvel.

Ranta sabia disso por experiĂȘncia. Um cavaleiro das trevas nĂŁo podia enganar seu demĂŽnio. Mesmo que pudesse mentir para si mesmo, seu demĂŽnio nunca seria enganado.

O demÎnio de Ranta, o Zodiac-kun, era muito diferente dele. Diziam que a maioria dos demÎnios não se parecia com seus cavaleiros das trevas. Era comum, aparentemente, cavaleiros homens terem demÎnios femininos. Também havia casos em que brutamontes musculosos tinham demÎnios pequenos e fofos, como filhotes.

Apesar disso, o demĂŽnio refletia, de fato, o cavaleiro das trevas.

Se ele invocasse o Zodiac-kun, como o demĂŽnio agiria? Ranta nĂŁo fazia ideia, e isso o assustava.

O incontrolåvel Zodiac-kun poderia atingi-lo onde doía. Ranta poderia deixar escapar o que realmente sentia enquanto estava com Zodiac-kun. Zodiac-kun talvez revelasse as emoçÔes verdadeiras de Ranta, aquelas que ele mesmo desconhecia.

AlĂ©m disso, havia o motivo de nĂŁo querer revelar que era um cavaleiro das trevas. Ele escondia o colar de Skullhell, e a armadura que usava nĂŁo tinha marcas chamativas, entĂŁo isso nĂŁo era evidente em sua aparĂȘncia. PorĂ©m, era possĂ­vel que Takasagi tivesse percebido pelo estilo de luta de Ranta. Ele nunca sabia o que poderia acontecer, ou quando, entĂŁo preferia nĂŁo revelar suas cartas. Mais do que isso, nĂŁo queria expor o que havia em seu coração.

Com um suspiro, Takasagi sentou-se ao lado de Ranta, inclinando a cabeça para a esquerda e depois para a direita. Suas articulaçÔes estalaram.

Quando Ranta entregou o álcool de Arnold como se não fosse nada demais, Takasagi disse: — Oh, valeu. — E deu um gole.

— EntĂŁo, vocĂȘ voltou — disse Ranta.

— Agora há pouco. Acabei de chegar. — Takasagi franziu o rosto e estalou a língua. — Sem sorte, infelizmente. Pior ainda, Onsa não vai voltar. Quero acreditar que não conseguiram derrubá-lo, no entanto.

— Isso Ă©… — Ranta esfregou o nariz.

As palavras nĂŁo vinham. O que eu estou pensando?

Sem sorte. Isso significava que os outros nĂŁo tinham sido mortos ou capturados. Supondo que Takasagi nĂŁo estivesse mentindo.

Ele não podia ter certeza disso. Takasagi provavelmente era capaz de ser tão ardiloso quanto fosse necessårio e não hesitaria em recorrer a mentiras ou qualquer outra coisa. Além disso, ele não confiava em Ranta. Takasagi poderia estar soltando pistas sobre o destino de Haruhiro e os outros para ver como Ranta reagiria. Isso era totalmente possível. Nesse caso, era melhor não demonstrar muito interesse.

Talvez devesse demonstrar preocupação com Onsa, que não tinha voltado? Isso pareceria forçado demais.

Ranta fungou sem dizer nada e deu de ombros.

— Os Rocks, nĂŁo Ă©? — Takasagi jogou o recipiente de ĂĄlcool para Arnold e tirou um cachimbo do bolso. — Eles sĂŁo muito bons. Ranta, seus companheiros ainda tĂȘm muito a melhorar, mas podem ser surpreendentemente persistentes.

— Ex-companheiros, vocĂȘ quer dizer.

— VocĂȘ nĂŁo sente nem um pouco de compaixĂŁo por eles?

— Pelos caras que tentaram me matar? — Ranta retrucou.

— Está magoado com isso?

— Eu nĂŁo estou… — Ranta estreitou os olhos e encarou Takasagi.

— Aquele ladrão. — Takasagi começou a encher o cachimbo com tabaco moído. — Ele podia ter te matado, mas escolheu não fazer isso. Foi o que pareceu para mim.

— …NĂŁo sei sobre isso.

— E vocĂȘ ainda tem a audĂĄcia de ressentir ele? — Takasagi pegou um galho em chamas da fogueira e acendeu o cachimbo. — Para ele, vocĂȘ Ă© o traidor. NĂŁo tem direito de guardar rancor, tem?

— Não diga besteiras. Eu não guardo rancor. — Ranta quase levantou a voz, mas conseguiu se controlar. — Nem pensar.

Takasagi soprou a fumaça.

— É uma pena que seu plano não tenha dado certo, Ranta.

O coração de Ranta gelou. Takasagi tinha descoberto? Se sim, até que ponto? Ou estava apenas fingindo saber algo? Takasagi estava tentando desestabilizå-lo? Rasgar sua måscara?

Mesmo que ele não estivesse usando um disfarce, não poderia simplesmente arrancå-lo. Achava que estava disfarçado, mas talvez estivesse nu o tempo todo. E se estivesse usando outro disfarce por baixo do disfarce?

Sinceramente, Ranta queria saber a resposta para isso.

Como eu realmente me sinto…?

— As coisas nunca saem como planejado. Essa Ă© a vida. — Ranta forçou uma risada nasal. — E Ă© isso que torna tudo divertido.

— VocĂȘ age como se tivesse muita experiĂȘncia.

— Então, sua vida correu como planejado?

— A minha? — Takasagi deu uma tragada em seu cachimbo, depois outra, e, com um sopro, soltou a fumaça e esvaziou o fornilho. — Bem…

Quando e como esse homem de meia-idade perdeu o olho esquerdo e o braço direito? Ele disse que jå foi um soldado voluntårio. Por que ele estå na Forgan agora? Serå que algum dia Ranta ouviria a história de Takasagi, diretamente de seus låbios?

— Velho — chamou Ranta.

— Huh?

— Eu quero ficar mais forte.

Achava que seria motivo de riso por dizer isso. Mas Takasagi apenas resmungou e disse: — E? — sinalizando para que continuasse.

— Entende? Bem, nĂŁo que eu precise que entenda. Eu quero ficar forte. VocĂȘ jĂĄ sabe disso, mas, droga, eu sou fraco. Mesmo assim, sou melhor do que era antes, sabe? Mas ainda tenho um longo caminho a percorrer. NĂŁo sei como explicar, mas viver sendo fraco, vocĂȘ nĂŁo entenderia, mas… É difĂ­cil. VocĂȘ tem que desistir de tantas coisas. É patĂ©tico.

— Escute, Ranta — disse Takasagi.

— O quĂȘ?

— Pode ser difĂ­cil para vocĂȘ imaginar porque ainda Ă© jovem, mas atĂ© um velho como eu jĂĄ foi jovem um dia. Naquela Ă©poca, quando eu ainda tinha os dois olhos e os dois braços, faltava habilidade com a espada.

— …Tenho certeza disso, mas nĂŁo consigo imaginar.

— Pelo que sei, sĂł um punhado de gĂȘnios consegue se tornar forte sem buscar força por si mesmos. Nosso chefe, por exemplo. Eu nĂŁo sou assim. Mesmo que houvesse dez de vocĂȘ, nĂŁo poderiam me vencer do jeito que sou agora. Mas o eu de dez anos atrĂĄs, vocĂȘs poderiam.

— VocĂȘ ficou mais forte.

— Como vocĂȘ disse, Ranta. É difĂ­cil ser fraco. Isso limita o seu caminho.

— …É sufocante.

— Mas a força nĂŁo vem em um Ășnico tipo.

— Existem vĂĄrios tipos de força. — Ranta assentiu. — AtĂ© eu entendo isso. Meio vagamente. Mas o que eu quero Ă© ser capaz de lutar com seriedade e nĂŁo perder. Esse tipo de força fĂĄcil de entender.

— Sempre hĂĄ alguĂ©m acima de vocĂȘ — disse Takasagi.

— Eu sei disso… Sei tanto que dĂłi. Mas se eu nĂŁo tiver espaço suficiente para me levantar sem bater a cabeça, isso Ă© difĂ­cil.

— Falta muito em vocĂȘ.

— Não tenho a altura necessária, afinal.

— Mesmo assim, quem Ă© forte continua sendo forte.

— Está dizendo que me falta talento, certo? Basicamente.

— Isso mesmo.

— …VocĂȘ Ă© direto.

— NĂŁo minto quando nĂŁo Ă© necessĂĄrio.

— JĂĄ sei disso. — Ranta ergueu o pescoço, que estava prestes a ceder. — Todo mundo tem um limite. Mas eles nĂŁo sĂŁo iguais para todos. É diferente para cada um. Existem caras que começam em um e chegam a dez, e caras que ficam presos no cinco. TambĂ©m existem aqueles que começam no dez e chegam a cem. Para o cara preso no cinco, nĂŁo importa o quanto tente, ele nĂŁo chega nem no dez. O mĂĄximo que vai conseguir Ă© um seis, talvez um sete. É isso que ele Ă© capaz de fazer.

— Escute, Ranta. — Takasagi começou a recarregar seu cachimbo. — Chegando Ă  minha idade, hĂĄ algo que penso sempre que vejo jovens. É: NĂŁo faça coisas inĂșteis. Geralmente, vocĂȘ nĂŁo consegue se enxergar. Mesmo num espelho, a imagem estĂĄ distorcida. Isso nĂŁo tem solução. Se vocĂȘ viver desejando isso e aquilo, eventualmente aprende qual Ă© o seu lugar. AtĂ© lĂĄ, tudo o que pode fazer Ă© lutar. Se vocĂȘ cair enquanto luta, bem, isso tem seu interesse tambĂ©m. VocĂȘ tem que aceitar as coisas como sĂŁo.

— Eu nĂŁo vou cair — retrucou Ranta. — E nĂŁo tenho intenção de aprender qual Ă© o meu lugar, tambĂ©m.

— Vejo caras como vocĂȘ de vez em quando. — Takasagi acendeu o cachimbo. — Idiotas, basicamente.

— Tudo bem pra mim.

— VocĂȘ quer ficar forte, Ranta?

— Quero, sim.

— Rahntah… — Arnold de repente chamou seu nome, surpreendendo-o. Quando Ranta olhou, Arnold estava sorrindo com aquele sorriso que parecia um corte.

Quando Ranta sorriu de volta, Arnold soltou um “Heheh…” e tomou um gole de sua bebida.

— Há muitos idiotas por aí. — Takasagi girou o pescoço enquanto soprava a fumaça. — Eles estão em todo lugar.

— Tudo bem! — Ranta ficou de pĂ©. Dobrou os joelhos e se alongou. Moveu os ombros para cima e para baixo. Girou os braços em cĂ­rculos. Seu ombro direito nĂŁo doĂ­a nem um pouco. Estava em Ăłtima forma.

A névoa no Vale dos Mil estava fina naquela noite. Quase inexistente, poderia-se dizer.

Ao olhar para o céu noturno, ele viu a lua vermelha.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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