Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 3 â Volume 9
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 03:
[ O Que Ă© a Coragem?]
â Kuzaku-kun?! â Yume gritou sem parar de correr. â Kuzaku-kun?! Kuzaku-kun?! Shihoruuu, o Kuzaku-kun nĂŁo tĂĄ mais vindo com a gente!
â NĂŁo, Yume, vocĂȘ nĂŁo pode parar! â gritou Shihoru.
â M-Mas ainda assim!
â Primeiro, precisamos evitar que o inimigo nos capture! Essa Ă© a prioridade! Tenho certeza de que o Kuzaku-kun vai ficar bem!
Serå que isso era realmente certo? Yume não tinha tanta certeza. Também não parecia que Shihoru estava despreocupada. Mas, por enquanto, como Shihoru havia dito, elas precisavam evitar ser capturadas pelo inimigo. Em vez de lutar, precisavam correr. Depois poderiam se reunir com Haruhiro e Mary.
Yume precisava fazer isso, tentando não pensar em Ranta. Se pensasse nele, não conseguiria se mover. Isso seria péssimo.
Correr. Ela precisava correr.
De repente, pareceu que tudo ficou mais escuro. A névoa estava incrivelmente espessa. E não era só isso.
â TĂĄ chovendo! â gritou Yume.
Uma chuva pesada, aliås. As gotas eram pequenas, mas logo começaram a cair em maior quantidade e com mais intensidade. Parecia que incontåveis lanças finas como fios de cabelo desciam do céu.
Amortecidos pela chuva, os sons da batalha pareciam incrivelmente distantes. A visão delas também estava extremamente limitada. Era quase como se a chuva formasse uma parede à sua frente.
Isso tornaria mais difĂcil para o inimigo encontrĂĄ-las. No entanto, se o inimigo se aproximasse, tambĂ©m seria difĂcil detectĂĄ-lo.
Mas, mais importante, e o Kuzaku?
Yume e Shihoru nĂŁo conseguiam ver Kuzaku, e Kuzaku nĂŁo sabia onde Yume e Shihoru estavam. Nesse caso, talvez permanecessem separados.
Mais Ă frente, o terreno Ă esquerda era mais elevado e denso de ĂĄrvores. Yume achou que fossem ĂĄrvores, pelo menos. NĂŁo eram humanos nem orcs.
â Shihoru! Por enquanto, vamos por ali! â chamou Yume.
â …Certo!
Quando se aproximaram, havia folhagens suficientes para que pudessem se esconder. Yume entrou nos arbustos junto com Shihoru, e ambas se agacharam.
Shihoru respirava com dificuldade. Ela era uma maga, afinal, e nĂŁo tinha muita resistĂȘncia fĂsica, mas tambĂ©m nĂŁo era do tipo que reclamava com facilidade. Fazia tempo que Shihoru vinha se tornando mais forte. LĂĄ no começo, ela vivia chorando.
â E agora? â perguntou Yume. â Shihoru, o que vocĂȘ acha que a gente devia fazer?
â Haruhiro resgatou a Mary.
â Aquele velho de Fonkon? Ele tava dizendo isso, nĂ©?
â VocĂȘ quer dizer Forgan…
â Ohh â disse Yume. â Foi mal por isso. Yume tĂĄ sempre errando coisas assim.
â TĂĄ tudo bem. VocĂȘ Ă© Ăłtima do jeito que Ă©, Yume. Eu Ă© que devo desculpas. Foi mal por estar sempre te corrigindo.
â Yume agradece quando vocĂȘ corrige. Isso significa que ela pode melhorar.
â …Acho que Ă© verdade. â Shihoru sorriu levemente. â Como aquele Takasagi voltou, acho que o Haruhiro e a Mary conseguiram escapar. Se conseguiram, devem ter ido para o ponto de encontro.
â Ă, faz sentido â concordou Yume.
â O melhor seria se eu, vocĂȘ e o Kuzaku-kun pudĂ©ssemos ir juntos ao ponto de encontro, mas…
â Mas o Kuzakkun sumiu, nĂ©…
â NĂŁo seria bom sairmos procurando por ele… â acrescentou Shihoru. â Por enquanto, vamos esperar aqui…
â Sabe, Ă© bem difĂcil â disse Yume. â SĂł ficar esperando.
â Ă… â Shihoru colocou a mĂŁo na lombar de Yume. â Mas eu tĂŽ aqui com vocĂȘ.
â Ă verdade, huh. â Yume sorriu. Sentia que deveria sorrir, mesmo que precisasse forçar. â Pensando bem, Shihoru e Yume estĂŁo quase sempre juntas.
â Acho que Ă© porque vocĂȘ sempre aguenta alguĂ©m como eu.
â NĂŁo Ă© verdade isso â protestou Yume. â VocĂȘ Ă© fofa, Shihoru, e… vocĂȘ Ă© fofa. VocĂȘ Ă© fofa, tĂĄ?
Shihoru riu baixinho.
â …VocĂȘ tĂĄ sĂł repetindo.
â Nngh, queria conseguir pensar em mais coisas pra dizer. Mesmo quando alguma palavra vem Ă cabeça, nĂŁo parece ser a certa.
â Eu entendo. Seus sentimentos estĂŁo chegando atĂ© mim, entĂŁo… acho que entendo.
â SĂ©rio? â perguntou Yume.
Por que isso aconteceu? Qual tinha sido o gatilho para isso?
Por um momento, sua mente ficou vazia. EntĂŁo algo parecia infiltrar-se naquela cabeça vazia e preenchĂȘ-la. Crescia a cada momento, atĂ© transbordar, saindo pelos seus olhos.
â …Yume? â Shihoru olhou para o rosto de Yume. â O que… aconteceu?
â O que… aconteceu, huh? â Yume fechou os olhos com força. â Yume nĂŁo sabe disso direito.
â …Ă por causa do Ranta-kun?
Agora que Shihoru disse isso, Yume percebeu que era.
Ranta.

Ela estava tentando nĂŁo pensar nele, e achava que estava conseguindo. Pensar no assunto nĂŁo resolveria nada. SĂł ia deixĂĄ-la com raiva. Ranta sempre fora assim. Sempre havia sido.
Como alguém pode ser tão desagradåvel?
Essa tinha sido sua primeira impressĂŁo dele. E o mais impressionante sobre Ranta era que ele nunca mudava.
Claro, havia momentos em que Ranta dizia algo que era bomâpara os padrĂ”es de Rantaâou se comportava de forma fofa ou atĂ© legalâde novo, para os padrĂ”es dele. Ăs vezes, ele atĂ© era confiĂĄvel. Mas isso era raro, e nunca durava mais que alguns instantes. Ele nĂŁo conseguia sustentar por muito tempo.
Ainda assim, ele era um companheiro. Mesmo sendo um que ela odiava. Ranta havia ensinado a ela, repetidas vezes, o que era odiar alguém.
Ela o detestava. Mas, apesar de todas as reclamaçÔes, eles estavam juntos nessa party desde o inĂcio. Ele era um companheiro valioso.
Sem dĂșvida, ela o odiava. Mas ele era um amigo.
NĂŁo, nĂŁo era isso. Em vez de amigo, havia uma palavra mais apropriada.
FamĂlia.
Sim. Para Yume, a party era como sua famĂlia. E Ranta tambĂ©m fazia parte dela.
â Yume… Shihoru, a Yume, ela…
â Hm-hm… â murmurou Shihoru. â O quĂȘ?
â A gente era uma famĂlia. Yume, e todo mundo… A party inteira era como uma famĂlia pra Yume.
Yume abriu os olhos. Limpou as lĂĄgrimas com uma das mĂŁos. Mas, por mais que limpasse, as lĂĄgrimas, assim como a chuva, insistiam em cair. Mesmo assim, ela continuou limpando. Afinal, nĂŁo podia manter os olhos fechados para sempre.
â No começo, tinha o Haru-kun, a Shihoru, o Moguzo, e tinha o Manato, e o Ranta, nĂ©. E tinha a Yume tambĂ©m. AĂ a gente perdeu o Manato, e a Mary entrou pra famĂlia. Depois, o Moguzo acabou daquele jeito, e o Kuzakkun entrou… Pra Yume, todo mundo era parte da famĂlia. Antes de vir pra Grimgar, provavelmente, a Yume devia ter uma mĂŁe e um pai. Se nĂŁo tivesse, a Yume nem teria nascido, nĂ©? Mas a Yume, ela nĂŁo lembra deles, sabe? Ă o mesmo pra vocĂȘ tambĂ©m, nĂ©, Shihoru? Ă o mesmo pra todos nĂłs. Por isso que somos todos famĂlia. Amor, Ăłdio, temos todo tipo de sentimento uns pelos outros, mas famĂlia Ă© famĂlia. Certo?
â …Sim, eu acho que sim â concordou Shihoru. â Uma famĂlia. Ă isso que somos.
â Mas a Yume tĂĄ pensando que, mesmo numa famĂlia, tem momentos em que as pessoas seguem caminhos diferentes. A Yume talvez nunca mais veja o pai e a mĂŁe dela. Mas, como nĂŁo lembra deles, nĂŁo sente tanta tristeza por isso. SĂł um pouquinho de solidĂŁo… Mas ainda assim. Ainda assim…
â Yume… â Shihoru abraçou Yume com força, encostando suas cabeças uma na outra. â Eu nĂŁo sei o que dizer, mas eu…
â Coisas assim… â Yume respirou fundo, deliberadamente. â NĂŁo dĂĄ pra prever quando vĂŁo acontecer… Nem o Ranta podia prever. Pensar que talvez a gente nunca mais se encontre… Ă, a Yume nĂŁo quer isso.
â Yume… â Shihoru esfregava as costas de Yume com firmeza. â Ainda nĂŁo sabemos o que aconteceu… ou como tudo terminou. NĂŁo exatamente. Certo?
â …Ă.
â EntĂŁo, quando sĂł temos uma ideia vaga dos fatos… Ă© melhor nĂŁo deixar que isso influencie muito o que pensamos ou sentimos.
â Antes de mais nada… Bom, a gente precisa encontrar o Haru-kun, nĂ©? â perguntou Yume.
â Isso mesmo. Vamos fazer uma coisa de cada vez.
â Uma coisa de cada vez, hĂŁ?! â Yume assentiu, pressionando o dedo indicador nos lĂĄbios.
AlguĂ©m estava vindo. NĂŁo, nĂŁo alguĂ©mâera… uma fera.
O lobo negro gigante. Havia um goblin montado em suas costas. Yume lembrou que seu nome era Onsa. O Goblin domador de feras.
E nĂŁo era sĂł o grande lobo negro que ele montavaâvĂĄrios outros lobos negros o seguiam.
Ao ver aqueles lobos negros, ela não pÎde deixar de pensar no Deus Negro Rigel. Para os caçadores que tinham o Deus Branco Elhit como protetor, os lobos negros eram feras sinistras que deveriam odiar. O Deus Branco Elhit e o Deus Negro Rigel eram, na verdade, irmãos, mas Rigel havia devorado sua mãe, Carmia, logo após nascer, e isso fez com que os irmãos se separassem.
Os parentes de Elhit, os lobos brancos, eram criaturas orgulhosas, formando grupos que consistiam apenas de um casal e seus filhotes. Eles sempre caçavam presas maiores que eles. Mas os parentes de Rigel, os lobos negros, formavam grandes matilhas para perseguir e matar suas presas. Eles atacavam humanos e orcs, comendo as crianças primeiro, e era por isso que eram tão odiados e temidos.
Onsa havia domado aqueles lobos negros.
Era incrĂvelâmas Yume sabia que nĂŁo era hora de se impressionar. NĂŁo eram apenas lobos negros; lobos, em geral, nĂŁo se submetiam a membros de outra espĂ©cie. Eles nunca se aproximavam verdadeiramente de outros seres.
Por isso os caçadores haviam cruzado lobos com cĂŁes, criando uma nova raça: os cĂŁes-lobos. Os cĂŁes-lobos possuĂam a lealdade de um cĂŁo, combinada Ă resistĂȘncia e ferocidade de um lobo.
Em geral, lobos eram mais fortes que cĂŁes. E, mesmo entre os lobos, os lobos negros eram anormalmente teimosos, astutos e dotados de sentidos incrivelmente apurados.
Onsa ia encontrĂĄ-las. Essa era a suposição mais segura. Mesmo que estivesse chovendo, os lobos negros nĂŁo deixariam de farejar Yume e Shihoru. NĂŁo demoraria atĂ© que um dos lobos negros as encontrasse escondidas nos arbustos. EntĂŁo, ele uivaria e avançaria. Os outros lobos negros o seguiriam. Se isso acontecesse, nĂŁo haveria esperança. Precisavam agir primeiro. Essa era a Ășnica opção.
Yume preparou seu arco e encaixou uma flecha. Shihoru talvez estivesse surpresa, mas permaneceu onde estava, sem dizer uma palavra. Ela estava confiando em Yume.
Por aqui. Mas nĂŁo muito longe, pensou Yume.
Lobos negros eram espertos, mas não da mesma forma que os humanos. Se notassem uma flecha, olhariam na direção de onde ela veio.
Yume disparou sua flecha.
Como esperava, vĂĄrios lobos negros soltaram uivos curtos e correram na direção de onde a flecha havia caĂdo. Mesmo sem que Yume dissesse algo, Shihoru jĂĄ estava se preparando. Juntas, elas pularam para fora dos arbustos e começaram a correr pela encosta.
â Hyahhh! â Onsa soltou um grito agudo.
Aquilo foi rĂĄpido. JĂĄ haviam sido notadas.
A encosta nĂŁo era tĂŁo Ăngreme, mas estava cheia de ĂĄrvores, impedindo que subissem em linha reta. Shihoru, que estava Ă frente de Yume, parecia exausta.
Olhando para trĂĄs, vĂĄrios lobos negros jĂĄ estavam a menos de dez metros de distĂąncia. Assim, seriam pegas em pouco tempo.
NĂŁo eram apenas lobos: muitos carnĂvoros nĂŁo mostravam piedade com presas em fuga. Mas, se a presa se virasse para eles e mostrasse que estava preparada para lutar, os predadores se tornavam cautelosos. Predadores eram fundamentalmente prudentes.
Se Yume estivesse sozinha, talvez nĂŁo fosse impossĂvel escapar. Mas Shihoru estava ali. DeixĂĄ-la para os lobos estava fora de questĂŁo.
Ela tinha que fazer isso.
Era difĂcil imaginar que venceria, mas, bem, ao aceitar que nĂŁo havia outra escolha, as coisas ficavam mais fĂĄceis de suportar.
â Desculpa, Shihoru! Correr nĂŁo vai adiantar! â gritou.
â …Entendido! â Shihoru se virou, gritando: â Dark!
E abriu a porta.
Yume nĂŁo era uma maga, entĂŁo nĂŁo conseguia ver aquela porta com os prĂłprios olhos. Mas ela sabia que estava lĂĄ. A porta tinha, de fato, se aberto. Fios negros surgiram de outro mundo, formando uma espiral que tomou uma forma completamente humana.
Dark, o elemental.
Ele era tĂŁo fofinho. Mas o Dark de Shihoru era mais do que apenas isso.
Yume parou e disparou uma flecha. Em seguida, outra. E mais outra. Ela disparava uma apĂłs a outra.
Rapid Fire.
NĂŁo precisava acertar os lobos negros. Podia acertar as ĂĄrvores. O importante era dispersar os disparos.
Quando perceberam que Yume e Shihoru nĂŁo eram presas tĂmidas, os lobos negros ficaram cautelosos. E quando as flechas começaram a vir uma apĂłs a outra, hesitaram ainda mais.
â Perturbe-os! â ordenou Shihoru.
Dark voou em direção aos lobos negros.
Vwoooooooooluuuuuuuuuuuu!
Que barulho era aquele? Parecia o som caracterĂstico do Shadow Beat, mas um pouco diferente.
Dark emitia um som estranho enquanto voava entre os lobos negros. Era eficaz. Os lobos negros entraram em total pĂąnico, soltando ganidos lastimosos enquanto fugiam em desordem.
â Dark-kun Ă© incrĂvel! â exclamou Yume.
â Yume, o grandĂŁo tĂĄ vindo!
â Claro! â Yume respirou fundo, deixando o ar se espalhar por todo o corpo, e entĂŁo ajustou o foco dos olhos, de perto para longe.
Ela ouviu a voz de seu mestre.
Yume, ouça. VocĂȘ vai acertar. Acerte… VocĂȘ vai acertar.
Stop Eye.
Yume podia ver. O lobo negro gigante que Onsa montava, quase como se estivesse bem na frente dela.
O olho direito do lobo negro gigante estava esmagado. Não fazia muito tempo desde que a flecha de Kuro o havia atingido. Ele devia ter outros ferimentos também, mas parecia estar muito bem.
Se tivesse que escolher um alvo; Onsa.
Yume disparou sua flecha.
Era um bom disparo.
Quando um tiro ia acertar, Yume sabia no momento em que soltava a corda do arco.
A flecha de Yume cravou no peito de Onsa. Mas ficou um pouco Ă direita. Onsa foi empurrado para trĂĄs, mas curvou o torso para a frente e se agarrou ao lobo negro gigante.
Nesse ponto, Yume jå estava disparando sua segunda flecha. Essa flecha passou de raspão na cabeça do lobo negro gigante e não acertou.
â Yume! â Shihoru apontou seu cajado para frente. â Vou tentar algo!
Tentar o quĂȘ?
A resposta ficou clara imediatamente.
â Dark, espalhe-se!
Aos olhos de Yume, parecia que Dark, que estava intimidando os lobos negros com seus sons e movimentos estranhos, de repente explodiu. Ele se espalhou, dispersando-se por todo lado. Como Shihoru tinha ordenado, Dark se espalhou.
A chuva e a nĂ©voa branca foram engolidas por uma nĂ©voa negra. AlĂ©m disso, essa nĂ©voa negra era muito mais densa que a branca. Os lobos negros, que jĂĄ estavam confusos, começaram a uivar como se tivessem enlouquecido. Eles estavam, sem dĂșvida, aterrorizados. Ă medida que a nĂ©voa negra se espalhava, o mesmo acontecia com o terror, que sĂł aumentava.
Essa era uma das fraquezas de um bando. Os membros individuais nĂŁo podiam evitar serem influenciados pelos outros.
O problema era o lobo negro gigante. O Dark expandido tinha um efeito dramåtico que ia muito além de um simples véu de fumaça. No entanto, ele não parecia causar ferimentos ou dor. Sendo assim, Yume não achava que funcionaria contra o lobo negro gigante.
Shihoru sĂł podia enviar um Dark de cada vez. Isso significava que ela nĂŁo podia fazer nada enquanto o Dark difuso estava interferindo com os lobos negros.
Yume tinha que fazer algo. E faria.
Descartando o arco, Yume puxou sua lĂąmina curva, Wan-chan. Ela nĂŁo estava com medo.
Muito tempo atrås, Manato tinha dito: Acho que Yume pode ser a mais corajosa de todos nós. Ele também disse: Fico feliz que Yume possa estar lå para ajudar, caso algo aconteça.
Ela nunca havia se considerado corajosa antes, entĂŁo ficou muito orgulhosa com aquilo. Orgulhosa de poder ajudar seus companheiros. Pelo menos, era assim que Manato via.
Mas ela não conseguiu. Não conseguiu salvar Manato ou Moguzo. Ainda podia contar nos dedos as vezes que realmente tinha ajudado um companheiro. Mas o que Manato disse naquela época, que ela era corajosa, ainda estava gravado em seu coração.
Era estranho, mas mesmo quando as coisas eram tĂŁo assustadoras que ela nĂŁo sabia o que fazer, ela conseguia pensar: NĂŁo estou com medo. Porque ela era corajosa. EntĂŁo, mesmo que fosse assustador, ela nĂŁo tinha medo.
O lobo negro gigante carregando Onsa surgiu da névoa negra.
Ele estava avançando.
Era muito assustador, mas ela nĂŁo tinha um pingo de medo.
â Pode vir! â gritou Yume.
Ela não tinha intenção de recuar. Não desviaria para a esquerda ou para a direita para evitå-lo. Quando o lobo negro gigante avançou contra ela, Yume pulou nele.
Raging Tiger.
Usando um salto mortal para lançar um ataque poderoso contra o inimigo. De todas as técnicas de facão que conhecia, essa era a favorita de Yume.
O lobo negro gigante nĂŁo se intimidou e continuou avançandoâe foi aĂ que algo engraçado aconteceu. Quando ela girou no ar, por algum motivo acabou sentada no pescoço do lobo negro gigante.
â Roh…? â disse Onsa, surpreso.
Bem ali, literalmente na frente do nariz dela, estava Onsa. Nem a própria Yume havia imaginado que isso aconteceria. Foi uma surpresa. Onsa também estava chocado.
Quando um goblin fica com essa cara de espanto, até que é meio fofinho, né? Ela pensou.
â Bom, atĂ© Ă©, mas…!
Eles eram inimigos. Yume apertou as pernas ao redor do pescoço do lobo negro gigante e tentou cravar Wan-chan em Onsa. Porém, obviamente, Onsa não ia deixar isso acontecer.
Onsa segurou o braço direito de Yume com a mão direita, enquanto puxava firme o pelo do lobo negro com a esquerda. O lobo negro gigante virou o corpo, tentando derrubar Yume. Ela apertou mais as pernas e, achando que isso não seria suficiente, agarrou o braço direito de Onsa com a mão esquerda.
â Yume! â Ela ouviu o grito de Shihoru. NĂŁo podia responder que estava bem.
Onsa gritava algo na lĂngua dos goblins. Ele tentou pegar alguma arma com a mĂŁo esquerda. Mas Yume nĂŁo ia deixar isso acontecer.
â Miauwww!
Yume agarrou Onsa com toda a força que tinha. Diferente dos orcs, a maioria dos goblins era menor do que os humanos, e esse era o caso de Onsa também. Numa competição de força, ela não perderia.
â Se Yume cair, vocĂȘ vai junto! â gritou ela.
â &%+#*%?!
Ela nĂŁo fazia ideia do que ele estava dizendo, mas Onsa parecia realmente em pĂąnico. O lobo negro gigante torcia o corpo e saltava enquanto subia correndo a encosta.
â %*#+@!
â VocĂȘ pode falar o quanto quiser, mas Yume nĂŁo vai soltar!
â *+$@%&&?!
â Yume nĂŁo tĂĄ entendendo o que vocĂȘ tĂĄ dizendo!
â %&#**!
â Ă, o mesmo pra vocĂȘ!
â ******!
â Yume Ă© uma caçadora de goblins legĂtima, sabia?
â $$#&&&&%?!
Onsa estava tentando fazer alguma coisa. O que ele planejava? O corpo de Onsa se ergueu. Nesse momento, Yume entendeu.
â Yume nĂŁo vai soltar de vocĂȘ!
Ela estava agarrada a Onsa, que, por sua vez, estava pendurado no lobo negro gigante. Onsa tentava desesperadamente jogĂĄ-la para longe, mas agora parecia ter desistido disso. Foi entĂŁo que ele soltou o lobo em movimento, levando Yume com ele.
Eles iam cair.
Ou melhor, ser arremessados.
Yume nĂŁo soltaria Onsa. Se ela o soltasse, ele provavelmente se prepararia para a aterrissagem, levantaria e imediatamente montaria no lobo gigante novamente.
Se Yume nĂŁo se separasse dele, o que Onsa faria? Ele tentaria aterrissar por cima dela. Yume queria fazer o oposto: esmagar Onsa no chĂŁo.
Quem acabaria por cima?
Mas, antes que isso acontecesse, havia uma ĂĄrvore.
Sim, uma ĂĄrvore.
Yume e Onsa colidiram no ar com uma ĂĄrvore.
Foi o lado esquerdo de sua cabeça, seu ombro esquerdo, seu quadril esquerdo, sua coxa esquerda ou algo assim. Yume bateu com força na årvore.
Por um momento, quase soltou Onsa, mas por um breve instante o rosto detestĂĄvel de Ranta passou por sua mente, e ela pensou: De jeito nenhum que Yume vai deixar isso acontecer. Ranta idiota.
Ela e Onsa rolaram juntos. Estavam descendo a encosta.
Pararam.
Nesse momento, Onsa abriu a boca bem na frente dos olhos de Yume. Ele tentava mordĂȘ-la. Tentava morder seu rosto. Isso a assustou, e ela chutou Onsa para longe sem pensar duas vezes.
Isso a deixou frustrada. NĂŁo era para ela ser corajosa?
Onsa se levantou, fugindo quase rastejando. Yume ficou de pé. Ficou tonta e cambaleou. Era por causa da colisão com a årvore? Teria machucado algum lugar sério?
â Espera aĂ! Nada de fugir! â gritou ela.
Yume tropeçava enquanto o perseguia, mas Onsa, que fugia, também estava inståvel. Ambos estavam cambaleando, então estavam em pé de igualdade.
Seu corpo doĂa inteiro.
Onde serĂĄ que Wan-chan foi parar? Yume se perguntou. Teria deixado cair?
Ela puxou uma faca. Star Piercer. Tentou arremesså-la, mas, por algum motivo, a faca caiu aos seus pés.
â NĂŁo…
NĂŁo estava dando certo.
Ela precisava continuar a persegui-lo.
Precisava pegĂĄ-lo.
Onsa tentou olhar para trås. Ele tropeçou. Ao invés de se levantar, continuou rastejando.
Yume finalmente sorriu. Onsa estava mais machucado que ela. Ela poderia alcançå-lo.
Onde é isso? Ela se perguntou de repente. Não importava. Ela tinha preocupaçÔes maiores.
Onsa rastejou encosta acima. Embora precisasse ocasionalmente apoiar uma das mĂŁos no chĂŁo, Yume estava conseguindo andar.
De repente, ela perdeu Onsa de vista. Seria por causa da nĂ©voa? A nĂ©voa realmente estava espessa. A chuva ainda caĂa tambĂ©m.
Yume ficou aflita e correu para alcançar Onsa. Oh, entendi, ela pensou. A subida havia terminado. A partir dali, o terreno era plano. Foi por isso que ela o perdeu de vista. Onde estava Onsa…?
Ali.
Ă esquerda.
Onsa estava rastejando.
Yume tentou se aproximar de Onsa, mas de repente teve uma realização.
Como ela iria matar Onsa? E de que adiantaria matĂĄ-lo? Isso mudaria alguma coisa?
Auuuwww… um dos lobos negros uivou. NĂŁo, provavelmente era o lobo negro gigante. Vinha de baixo. Estava subindo a encosta correndo.
Onsa se virou para o lobo negro gigante e assobiou. Ele estava chamando o animal. Pretendia montĂĄ-lo e fugir. Como se Yume fosse deixar isso acontecer.
Ela continuou avançando. Sua visão oscilava de forma estranha.
Estava cansada? NĂŁo deveria estar. Provavelmente esse nĂŁo era o problema.
Onsa nĂŁo se movia de onde estava. Provavelmente estava esperando o lobo negro gigante. Graças a isso, Yume conseguiu se aproximar. Ela agarrou Onsaâou melhor, caiu sobre ele.
O lobo negro gigante avançou. Tentando mordĂȘ-la. Yume se agarrou a Onsa e rolou, de alguma forma conseguindo evitar as presas do lobo.
Onsa gritou algo e estendeu a mĂŁo. Estaria dizendo algo como: Venha, salve-me! Ou algo assim?
O lobo negro gigante tentou atacĂĄ-la de novo. Yume gritou: â Wauh! â uivando para o lobo negro gigante. Isso o assustou.
Onsa tentou escapar. Ela nĂŁo o deixaria.
â …Yume jĂĄ disse pra vocĂȘ!
â $#+&%%…!
Ela nunca o deixaria escapar.
Os dois rolaram juntos.
Ela nĂŁo havia percebido.
Parecia que o lado oposto, o qual Yume e Onsa nĂŁo haviam subido, era mais Ăngreme, como um penhasco.
Agora estavam na beirada do penhasco. NĂŁo, pior, Yume e Onsa estavam pendurados nele.
â Whah… Vamos cair…
Com um latido estranho, o lobo negro gigante inclinou-se para fora da borda do penhasco. Onsa agarrou o pelo macio de sua nuca. Instintivamente, Yume fez o mesmo.
O lobo negro gigante tentou fincar as patas traseiras no chĂŁo.
Não vai dar, né? pensou Yume.
As patas do lobo negro gigante escorregaram pela beirada.
Ele iria cair. Nesse ritmo, cairia.
Se isso acontecesse, Onsa cairia também. E Yume, claro.
â Shihoruuuu…! â ela gritou.
Haru-kun.
Kuzakkun.
Mary-chan.
Que todos fiquem bem, ela pensou. Por favor.
Se vocĂȘs nĂŁo ficaremâ
E vocĂȘ? parecia ouvir alguĂ©m lhe perguntar.
…O quĂȘ?
Cala a boca, seu idiota.
Ranta.
VocĂȘ Ă© sĂł o Ranta idiota.
Depois de trair Yume e todo mundo. Talvez nunca mais nos vejamos!
Ranta era a Ășltima pessoa que ela queria ouvir dizer algo assim. Isso a irritou, e essa raiva deu-lhe força. Yume rangeu os dentes. Por enquanto, Onsa nĂŁo importava; ela apenas se agarrou ao lobo negro gigante.
O lobo negro gigante girou uma vez, depois outra, e começou a deslizar pelo penhasco, arranhando-o com as patas dianteiras e traseiras. Eles nĂŁo caĂram; estavam escorregando. Parecia um penhasco Ăngreme, mas talvez nĂŁo fosse tĂŁo Ăngreme assim. Talvez pudessem chegar ao fundo com segurança desse jeitoâou assim Yume começou a pensar, mas entĂŁo o lobo negro gigante bateu em um obstĂĄculo no penhasco e foram lançados ao ar.
Eles estavam caindo.
Girando e caindo.
SerĂĄ que Yume vai morrer…?
Ela quase havia morrido uma vez em Darunggar. Tinha sido por pouco. Haviam cortado sua garganta, e havia sangue por todo lado. Tinha tanto sangue que ela nem conseguia respirar. Ah, isso pode ser ruim, Yume pode estar acabada, ela pensou. Ă assim que acontece, nĂ©? Acontece tĂŁo fĂĄcil…
Sua consciĂȘncia desapareceuâmas entĂŁo a magia de Mary funcionou, e ela conseguiu voltar.
Naquela vez, Haru-kun, ele estava chorando. Ele abraçou Yume bem forte.
Isso a deixou feliz, mas… Yume nĂŁo sabia por quĂȘ, mas tambĂ©m ficou um pouco envergonhada.
…Oh, ela percebeu.
Foi porque todos estavam lĂĄ. Por isso, ela nĂŁo tinha ficado com medo.
Ela nĂŁo gostava de ficar sozinha. NĂŁo queria morrer sozinha assim.
Aquele lobo negro gigante também não queria morrer. Ele estava desesperado. Onsa, que estava agarrado ao grande lobo negro, assim como Yume, também estava.
O lobo negro gigante cravou novamente as patas dianteiras na encosta.
Continue tentando, lobo giganteâLobinho, vocĂȘ consegue. Se nĂŁo conseguir, todo mundo vai morrer.
A partir dali, sua memĂłria ficou vaga. Ela tinha a impressĂŁo de que rolaram verticalmente, horizontalmente e na diagonal, batendo nas coisas. Sentiu como se fosse perder a pegada, mas entĂŁo apertou ainda mais forte. Tudo parecia um borrĂŁo.
A chuva continuava a cair silenciosamente.
A névoa suspensa parecia gentil, de alguma forma.
Estava um pouco frio, entĂŁo ela enterrou o rosto na pelagem do lobo negro gigante. Era quente, e ela sentiu o pulso dele. O lobo negro gigante estava respirando. Em algum momento que ela nĂŁo lembrava, Yume tinha se aninhado na barriga do lobo negro gigante. NĂŁo dava para saber se ele tinha percebido ou nĂŁo. Yume nĂŁo sabia.
Mas, se ele percebeu, ele nĂŁo deve ter gostado disso, pensou. Afinal, somos inimigos.
Ainda assim, Yume nĂŁo se importava. Nem sequer via o lobo negro gigante como um inimigo agora.
Ele também estå vivo. Talvez possamos deixar tudo isso para lå. Era assim que ela se sentia.
Como serĂĄ que Onsa, que estava grudado nas costas do lobo negro gigante, se sentia?
Onsa se esforçou para se levantar e disse algo. Provavelmente, âGaro.â
O lobo negro gigante soltou um latido fraco. Talvez Garo fosse o nome do lobo negro gigante. NĂŁo era Lobinho, pelo visto. Bem, claro que nĂŁo.
Garo.
â …Garon. â Yume acariciou Garo. Ela ainda nĂŁo tinha forças para se levantar, mas podia mover a mĂŁo para acariciĂĄ-lo, pelo menos. â …VocĂȘ tĂĄ bem, Garon?
O corpo de Garo tremeu inteiro. Talvez ele estivesse tentando afastar a mĂŁo de Yume porque nĂŁo gostou. Ou talvez fosse a forma de Garo responder.
Onsa colocou a mão no pescoço de Garo enquanto olhava para Yume. Onsa também estava bastante debilitado. Apesar de ter se levantado, suas costas estavam curvadas, e seus ombros subiam e desciam pesadamente.
â Onsan, ei, o que vocĂȘ vai fazer…? â Yume sorriu. NĂŁo que tivesse tentado sorrir, simplesmente aconteceu. â Yume… ela nĂŁo quer mais lutar com vocĂȘ ou com o Garo. Se vocĂȘ insistir em lutar, Yume vai lutar tambĂ©m, mas sĂł porque tem que fazer isso… Mas, pra ser honesta, Yume nĂŁo quer lutar.
Onsa desviou o olhar. Yume interpretou isso como um sinal de que ele não tinha intenção de lutar.
Pelo menos por enquanto.
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