Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 2 â Volume 9
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 02:
[Eu Quero Proteger VocĂȘ]
Para ser honesto, Kuzaku não entendeu o que estava acontecendo de imediato. Tudo tinha sido intenso, violento e extremo. Só depois que Rock e Arnold, o morto-vivo, começaram sua briga insana, Kuzaku percebeu.
Haruhiro tinha sumido. Ou melhor…
No lugar onde Haruhiro estava antes, agora estava aquele cara chamado Sakanami, com o olhar insano, o ladrĂŁo dos Typhoon Rocks.
AlĂ©m disso, ele estava posicionado exatamente como Haruhiro. O jeito como seus ombros estavam ligeiramente curvados, sua cabeça inclinada um pouco para frente e os joelhos levemente dobrados eram idĂȘnticos. Kuzaku nĂŁo se lembrava de Sakanami alguma vez ter ficado daquela forma, entĂŁo ele provavelmente estava imitando Haruhiro. Era uma cĂłpia perfeita. Talvez por isso Kuzaku nĂŁo tenha notado quando Haruhiro desapareceu.
Kuzaku sentiu que nĂŁo seria sĂĄbio fazer alarde sobre isso, entĂŁo perguntou a Shihoru em um sussurro: â Onde estĂĄ o Haruhiro?
Sem tirar os olhos da batalha entre Rock e Arnold, Shihoru respondeu calmamente: â Foi buscar a Mary.
Faz sentido, pensou Kuzaku, satisfeito.
Haruhiro foi salvar Mary, sozinho.
Serå que ele teria problemas indo sozinho? Na verdade, era até mais fåcil para ele se mover quando estava sozinho. Mesmo que Kuzaku fosse junto, ele só atrapalharia. Haruhiro daria conta. Era nisso que Kuzaku queria acreditar. Haruhiro tinha um forte senso de responsabilidade. Ele conseguia resolver as coisas quando era necessårio. Claro, isso fazia perguntar-se um dia não seria necessårio resolver alguma coisa.
Kuzaku tinha um mau hĂĄbito de perder o focoânĂŁo, de relaxar a mente Ă s vezes. Ele nĂŁo tinha notado isso atĂ© estar na party de Haruhiro por um tempo. Observando Haruhiro, percebeu como estava levando as coisas de forma desleixada.
Mesmo com seus olhos sonolentos, Haruhiro estava sempre alerta. Na verdade, quanto mais focado ele ficava, mais sonolentos seus olhos pareciam. Haruhiro não perdia o foco em momentos cruciais. Estava sempre com os olhos sonolentos, mas atento, usando a cabeça e agindo em prol de seus companheiros.
Kuzaku sempre desejava ser assim também, e tentava, mas logo se pegava relaxando de repente. Mesmo no meio de uma batalha intensa, às vezes ele sentia que não conseguia se concentrar totalmente.
Talvez seja porque eu dependo demais dos outros, pensou Kuzaku.
No fim, ele tendia a deixar as coisas para os outros. Em algum lugar no fundo, ele sempre confiava em outra pessoa. Tentava adotar a mentalidade de que tinha que lidar com as coisas por conta prĂłpria, mas simplesmente nĂŁo conseguia.
Sou um caso perdido, pensou Kuzaku. Isso o frustrava tambĂ©m. Tinha esse corpo grande, mas para que estava usando? Se ele nĂŁo conseguia carregar o fardo, era inĂștil.
Aposto que Moguzo nĂŁo era assim.
Kuzaku só tinha visto o cara lutar uma vez. Na batalha da Fortaleza de Observação Deadhead. Ele era grande. Kuzaku provavelmente era mais alto, mas Moguzo era sólido, robusto. Parecia tão confiåvel.
A imagem do Rage Blow de Moguzo cortando um orc ainda estava gravada nos olhos de Kuzaku. Ele nĂŁo sabia descrever aquilo de outra forma que nĂŁo fosse incrĂvel.
No Reino do CrepĂșsculo, Akira-san tinha mostrado seu Punishment para eles. Sua habilidade era como uma cristalização do mais alto nĂvel de tĂ©cnica, e era difĂcil imaginar como era possĂvel atingir esse nĂvel. Kuzaku sĂł conseguiu assistir, impressionado.
Por outro lado, o Rage Blow de Moguzo nĂŁo era assim. NĂŁo que Kuzaku pensasse: AtĂ© eu poderia fazer isso, mas, se fosse possĂvel, ele queria aprender a usar sua prĂłpria espada daquele jeito.
A posição dos quadris de Kuzaku era alta demais. Era instĂĄvel. Ele percebeu isso e tentava corrigir. Mesmo assim, quando se checava ocasionalmente, seus quadris ainda estavam altos na maior parte do tempo. Ele nĂŁo era do tipo flexĂvel, e seus braços e pernas eram longos, dificultando movimentos mais precisos, entĂŁo, comparado a Haruhiro e… sim, aquele traidor idiota, Ranta, alĂ©m de Yume, que era tanto uma caçadora quanto uma garota, ele era lento.
Ele sabia que tinha muitos pontos a melhorar. Queria eliminå-los um a um. Tinha pontos fortes, como seu tamanho, e aproveitå-los de forma eficaz também era importante.
Shihoru o aconselhou a nĂŁo deixar as coisas pesarem tanto, mas o que mais ele deveria fazer? Kuzaku era o tanque.
Haruhiro lhe dissera: Mas agora, Kuzaku, vocĂȘ Ă© o tanque da nossa party, e acho que vocĂȘ Ă© o Ășnico que pode ser.
Ele se lembrava exatamente. Nunca esqueceria essas palavras. Sempre que se recordava delas, seu coração tremia.
Tenho que fazer isso, pensava. Eu vou fazer.
Eu juro que vou me tornar um grande tanque.
Era bom que ele tivesse tido o coração partido. Agora, sem distraçÔes, podia se concentrar totalmente em um Ășnico objetivo.
Mas ainda estou preocupado com a Mary… -san.
Bem, Ă© claro que estava. Estava fora de si de preocupação, para ser honesto. Tipo, o que estavam fazendo com ela? Esse tipo de preocupação surgia, Ă© claro. Mesmo sabendo que era inĂștil pensar nisso, nĂŁo ajudava em nada.
Se pudesse ter tomado o lugar dela, ele o faria. Afinal, ela era uma garota. Era mais difĂcil para ela.
E era por isso que ele nĂŁo podia perdoar aquele idiota, o Ranta.
â …HĂŁ? â Kuzaku piscou e olhou novamente. â Ei? Espera aĂ. Que estranho. O quĂȘ…?
Havia uma pequena colina Ă frente deles, e no topo dela havia um goblin montado em um lobo gigante e um orc menor, aparentemente chamado Jumbo. Na base da colina, havia um grupo de orcs, mortos-vivos e outras raças alinhadasâmas nĂŁo havia sinal daquele cara.
â O Ranta nĂŁo tĂĄ meio sumido? â sussurrou Kuzaku.
â Parece que ele se mandou pra algum lugar. Agora hĂĄ pouco â disse Yume, em voz baixa. â Ah, aquele humano foi e desapareceu quando o Ranta tambĂ©m sumiu. Eles levaram alguns outros com eles.
â Caramba. Eu perdi isso totalmente… â suspirou Kuzaku. â Maldito Ranta. Onde ele foi?
â Ele descobriu. â Shihoru mordeu o lĂĄbio. â Talvez. Sobre o Haruhiro-kun, quero dizer…
â Isso… Ă© meio ruim, nĂ©? â perguntou Kuzaku, apreensivo.
Yume gemeu.
â Ă ruim, mas… â Shihoru balançou a cabeça levemente. â NĂŁo tem nada que possamos fazer. Mesmo que fĂŽssemos agora… nĂŁo acho que conseguirĂamos alcançar o Haruhiro-kun. E poderĂamos nos perder tambĂ©m… Por enquanto, temos que confiar no Haruhiro-kun.
â SĂ©rio…? â Kuzaku ficou sem palavras.
Confiar em Haruhiro. Para Kuzaku, isso era fĂĄcil. Ele tinha certeza de que Haruhiro daria um jeito, e se nĂŁo conseguisse, entĂŁo nĂŁo havia muito o que fazer. Mas confiar nele e deixar tudo nas suas mĂŁos significava, basicamente, fazer com que Haruhiro carregasse todo o peso.
Mais uma vez, como sempre, tudo recaĂa sobre Haruhiro.
Isso fez Kuzaku sentir vontade de rir. De si mesmo, em tom de zombaria.
Eu sou tĂŁo impotente.
â NĂŁo Ă© um problema â disse Moyugi, o autoproclamado cavaleiro das trevas mais forte em atividade, pressionando a ponte dos Ăłculos com o dedo mĂ©dio da mĂŁo direita. â Eu jĂĄ me preparei para isso.
â Preparou? â Kuzaku engoliu em seco, mas sua boca estava seca. â Como?
Com um ar convencido, Moyugi nĂŁo respondeu.
Kuzaku não sabia se o cara era esperto, estrategista ou algo assim, mas ele era presunçoso, arrogante, agia como se estivesse zombando dos outros, e era um homem geralmente deteståvel.
O sacerdote de cabelo raspado, Tsuga, estava sorrindo. Ele lhe lembrava algo. Aquilo, sabe. Um Jizo. Isso. Ele era como um Jizo.
Mas o que era mesmo um Jizo? Ele nĂŁo sabia o que era, mas conseguia imaginar sua forma. Aquela pequena estĂĄtua careca de pedra. Tsuga parecia um Jizo.
Kajita, o que usava Ăłculos escuros, que estava deitado de braços e pernas abertas desde que havia sido jogado com um grande estrondo, de repente gritou âOop!â e se levantou com um salto.
O que diabos significa âoopâ? Kuzaku se perguntou.
Sakanami ainda estava imitando Haruhiro.
Pode parar jĂĄ, pensou Kuzaku. Parece que jĂĄ sacaram o nosso truque.
Rock ria alto enquanto agarrava Arnold, ou enquanto era empurrado e agarrava de volta, socando e sendo socado, chutando e sendo chutado, cabeceando e sendo cabeceado, repetidas vezes. SerĂĄ que ele estava sob efeito de drogas? Kuzaku se perguntava. Eram todos um bando de malucos.
Bem, nĂŁo eram sĂł os Typhoon Rocks. Se fosse o grupo de Akira-san, o grupo de Soma ou os Tokkis, todos eram bem estranhos.
Eu nĂŁo consigo acompanhar essas pessoas, era a opiniĂŁo sincera de Kuzaku.
Nesse aspecto, a party de Haruhiro era diferente. Muito diferente. Eram normais, por assim dizer. ConfortĂĄveis. Ele tinha certeza de que conseguiria se dar bem com eles.
Isso não significava que tudo sairia perfeito, mas ele aprenderia a gostar de seus companheiros e a respeitå-los. Mesmo que Ranta fosse a grande exceção, sempre havia exceçÔes, então ele podia tolerar isso. Ele tinha que tolerar.
Tinha sido um grande choque quando Mary o rejeitou, mas nenhum dos dois era criança. Mary era adulta, entĂŁo ela deixou isso de lado, por mais estranho que fosse dizer isso. Eles continuaram como companheiros, como se nada tivesse acontecido, respeitando um ao outro e seguindo em frente. Mesmo quando achou que era impossĂvel, eles escaparam de Darunggar e conseguiram voltar para Grimgar. Altana parecia distante, mas ele tinha certeza de que conseguiriam chegar lĂĄ de alguma forma.
Ou assim ele pensava.
O que estå acontecendo aqui? Kuzaku pensou. Por que as coisas continuam dando errado? Isso é só a vida? Mesmo que seja, serå que estamos passando por provaçÔes demais?
Eu nĂŁo consigo aceitar isso.
Se essa era a realidade, ele teria que aceitå-la como era. Até Kuzaku entendia isso. Ele só queria reclamar.
Ele se encontrou em Grimgar de repente, nĂŁo teve escolha a nĂŁo ser se tornar um soldado voluntĂĄrio, viu todos os seus companheiros morreremâtodos, exceto ele. Ainda assim, conseguiu tentar se manter positivo e dar o seu melhor. Foi incrivelmente persistente, e graças a isso, foi aceito na party de Haruhiro. Kuzaku sentia que tinha feito o melhor que podia ali.
E, depois de tudo isso, Ă© isso que eu recebo?
Um pouco cruel, nĂŁo?
Eu nĂŁo sei… Acho que mereço um pouco mais.
Isso é ingenuidade minha? Meu coração estå prestes a se quebrar.
Ele não podia deixar que isso acontecesse. Haruhiro ainda estava firme, tentando fazer alguma coisa. Kuzaku estava apenas assistindo. Como poderia deixar seu coração se quebrar?
Recupere-se. Seja forte.
Mas suas pernas estavam fracas, e ele queria apenas sentar-se.
E Shihoru e Yume? Elas claramente nĂŁo estavam muito bem, mas nĂŁo pareciam ter desistido completamente, tampouco. Como ele deveria se manter firme em um momento como aquele? Queria que alguĂ©m lhe dissesse como. Queria perguntar a Shihoru ou a Yume. NĂŁo, nĂŁo era isso… Ele queria que elas o apoiassem.
â …Droga â Kuzaku murmurou essas palavras e abaixou a cabeça. NĂŁo era assim que deveria ser. Ele nĂŁo devia esperar que elas o apoiassem; ele Ă© que devia apoiĂĄ-las. Esse era o tipo de cara que ele queria ser. No ideal, ele queria ser como uma perna para HaruhiroânĂŁo, nĂŁo era bem isso.
Ă, Isso podia ser mal interpretado.
Era mais como… bem, Shihoru provavelmente apoiava Haruhiro mental e espiritualmente. Kuzaku nĂŁo era inteligente ou equilibrado como ela, entĂŁo ele faria isso com seu corpo. Sim, como tanque, ele apoiaria Haruhiro como um muro, ou uma coluna, fisicamente. Isso era o certo. Ele tinha uma imagem disso em mente, entĂŁo agora sĂł precisava tornĂĄ-la realidade.
Se Haruhiro voltasse em segurança… era isso. Mary tambĂ©m, claro.
Aquele desgraçado do Ranta os havia traĂdo. Eles haviam perdido um companheiro, e de um jeito que ninguĂ©m esperava. Se perdessem mais alguĂ©m, o estrago seria enorme.
Ele queria chorar. Porque, por mais que quisesse fazer algo, Kuzaku nĂŁo podia fazer nada. Ele sĂł conseguia ficar ali, sem agir. Kuzaku rangeu os dentes.
â Vamos acabar com isso de uma vez â Rock gritou do campo de batalha Ă frente deles.
Rock montou em Arnold, desferindo socos em seu rosto, gritando â Dah! Dah! Dah! Dah! â Cada golpe era pesado.
Arnold era um double-arm com quatro braços, mas Rock havia cortado fora um dos braços esquerdos dele, e o braço esquerdo restante e um dos braços direitos estavam gravemente feridos. Mesmo assim, Arnold agia como se isso não importasse, usando os outros dois braços para se defender. Mas o ataque feroz de Rock estava rompendo até mesmo essa defesa. Serå que a luta jå estava decidida?
â Dah! Dah! Dah! Dah! Dah! Dah! Dah! Dah! Dah!
O punho de Rock acertava Arnold direto no rosto. Houve gemidos dos membros da Forgan que assistiam. Se ele continuasse recebendo tantos golpes, nĂŁo aguentaria. Dizem que, se a cabeça de um morto-vivo fosse destruĂda, isso seria suficiente para eliminĂĄ-lo.
Ele conseguiria. Assim mesmo. Arnold jĂĄ nĂŁo conseguia se defender. Rock tinha vencido. Sem dĂșvida.
Sem perceber, Kuzaku gritou: â Acaba com ele!
EntĂŁo aconteceu.
â KYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY.
Arnold soltou um grito aterrorizante e pulou bem alto, levando Rock junto.
Como ele fez isso? Arnold estava de costas, com Rock em seu estÎmago, montando nele. Nessa posição, como ele poderia saltar direto para cima?
Pensando racionalmente, era impossĂvel. No entanto, os mortos-vivos nĂŁo eram normais. Seria isso?
Arnold, com Rock em seu estĂŽmago, conseguiu saltar o que parecia ser trĂȘs metros no ar.
Rock arfou de surpresa e tentou se afastar, mas Arnold nĂŁo permitiu e usou seus trĂȘs braços restantes para agarrar Rock. NĂŁo, nĂŁo apenas para agarrĂĄ-lo. Arnold mudou de posição no meio do ar. Ele girou.
Arnold ficou por cima, e Rock por baixo.
AlĂ©m disso, Arnold usou seus trĂȘs braços e as duas pernas para apontar a cabeça de Rock direto para o chĂŁo.
Ferrou? Kuzaku pensou freneticamente. Ele vai cair de cabeça?
â Whaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
â SYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY.
â Rock! â Arara, que atĂ© entĂŁo assistia Ă luta em um estado meio atordoado, gritou o nome de seu campeĂŁo.
O mau pressentimento de Kuzaku se mostrou correto. Rock se chocou contra o chão de cabeça.
SerĂĄ que ele vai ficar bem depois disso? NĂŁo sei.
Arnold pulou de Rock e entĂŁo o chutou.
Chute. Chute. Chute. Chute. Chute. Chute. Chute. Ele chutava e chutava e chutava mais Rock. Rock nem tentava se defender. Estava sendo chutado o mĂĄximo possĂvel.
Os membros da Forgan começaram a aplaudir.
Os companheiros de Rock não se moviam. Nem Moyugi, nem Tsuga, nem Kajita, e nem Gettsu, o mirumi de listras de tigre que Rock mantinha como animal de estimação.
Shihoru desviou o olhar, incapaz de continuar assistindo. Yume nĂŁo desviou, mas suas bochechas estavam infladas com uma quantidade ridĂcula de ar.
Kuzaku murmurou: â Awww…
NĂŁo, âawwwâ nĂŁo era a coisa certa a se dizer naquele momento, definitivamente nĂŁo era, mas foi a Ășnica coisa que conseguiu sair de sua boca.
Eles iam perder? Ou era mais como se jĂĄ tivessem perdido? Tipo, quase certamente? Se Rock perdesse, o que aconteceria ali? Quem sabia?
Kuzaku nĂŁo sabia. Sua mente estava completamente em branco. Talvez isso fosse o que significava ser fraco. No final, nĂŁo importava o que acontecesse, pessoas fortes provavelmente nunca pensavam que iam perder, ou que tudo estava perdido. Se nĂŁo fosse assim, seria impossĂvel virar o jogo. E, provavelmente, seus companheiros deviam acreditar nele.
Arnold foi dar outro chute em Rock. Rock se enrolou naquela perna. Ele se movia quase como uma cobra. Mesmo parecendo que jĂĄ poderia estar morto.
NĂŁo era isso? Ele estava fingindo o tempo todo? Durante todos os chutes de Arnold, Rock esperava uma chance de contra-atacar?
Se ele estava, isso exigia uma resistĂȘncia absurda. QuĂŁo resistente ele era? Ele tinha coragem demais. Certamente havia algo de errado com ele.
Rock tentou puxar Arnold para o chĂŁo. Arnold usava a perna esquerda para tentar chutar Rock para longe, mas nĂŁo estava indo tĂŁo bem.
Rock gritou: â Yaaaah! Toma essa! â SerĂĄ que ele estava atacando as articulaçÔes? Tipo o joelho, ou o tornozelo? Parecia que ele tentava quebrĂĄ-las.
Arnold, sem a menor intenção de deixar isso acontecer, gritou: â KAAAAAAAAAAAAAAAAAA! â Ele torceu o corpo, usou os trĂȘs braços, tentou todo tipo de coisa. Mas Rock nĂŁo soltava sua perna direita. Ele nĂŁo soltava.
Os dois caĂram.
CaĂram e rolaram.
â KU…!
De repente, Arnold parou de resistir.
Um pouco antes, Kuzaku achou ter ouvido um estalo alto. Seria a perna dele? A perna direita. Rock finalmente teria acabado com a perna direita de Arnold? Devia ter sido isso.
Rock soltou a perna de Arnold por conta prĂłpria, rolou para trĂĄs para ganhar alguma distĂąncia, depois assumiu uma postura baixa.
Arnold tambĂ©m se levantou, mas mantinha a perna direita levantada. NĂŁo havia dĂșvida. Arnold nĂŁo conseguia mais usar a perna direita. Ele ainda conseguiria lutar mesmo com uma perna machucada?
Kuzaku certamente não conseguiria. Primeiro, não conseguiria se mover direito. Nem fincar os pés no chão. Não conseguiria fazer muita coisa.
Rock também não estava ileso. Seu rosto estava todo inchado e até sangrava. Com a quantidade de chutes que levara, não seria surpresa se tivesse alguns ossos quebrados, mas parecia que seus braços e pernas estavam bem por enquanto. Mesmo que não tivesse ossos quebrados, certamente estava cheio de hematomas.
Ainda assim, a maneira como ele se movia dava a impressĂŁo de que nĂŁo sentia nada.
Rock se aproximou de Arnold, soltando um soco. Era um jab de esquerda. Com uma combinação råpida, jab, jab, jab, ele acertou o rosto de Arnold.
Arnold pode ter tentado desviar, mas nĂŁo conseguiu. Aquele combo de trĂȘs jabs foi seguido por um direto de direita, um gancho de esquerda e mais um direto de direita, depois um uppercut de esquerda e um golpe no corpo, um direto de direita no queixo, seguido por outro uppercut de direita no mesmo lugar, um gancho de esquerda na lateral do rosto, e imediatamente um direto de direita para finalizar.
â Olha isso. NĂŁo tem como ele nĂŁo fazer algo… â Kuzaku nĂŁo sabia bem o que estava dizendo, mas podia perceber que os ataques de Rock nĂŁo eram aleatĂłrios. Tinha que ser uma arte marcial ou algo assim. Rock sabia como lutar com os punhos. Ele nĂŁo era um amador. â Boxe…
Sim. Isso. Boxe.
Ele sabia o que era. Foi só por um instante, mas uma imagem surgiu na mente de Kuzaku. Dois homens de calçÔes curtos, usando luvas grossas nas mãos, se golpeando.
Aquilo. Aquilo era boxe. Ele tinha visto uma luta de boxe; mas onde, e quando…?
Ele nĂŁo sabia. NĂŁo conseguia se lembrar. A imagem que havia aparecido tĂŁo claramente em sua mente desaparecera por completo.
Boxe. A palavra permanecia. Rock era um boxeador. Um lutador.
Kuzaku sentiu uma urgĂȘncia repentina. Boxe. Boxeador. Essas palavras, o conceito, ele precisava gravĂĄ-los em sua mente agora, ou os esqueceria. Sentia que jĂĄ havia esquecido muitas coisas assim. Perdido-as.
Rock partiu para o ataque. Era unilateral. Ele bombardeava Arnold com socos cuidadosamente direcionados.
Isso nĂŁo era uma luta. Seus movimentos de pĂ©s estavam em outro nĂvel. A diferença era imensa.
Olhando mais de perto, Arnold ainda se movia. Ou pelo menos tentava. Mas Rock sempre dava a volta, ficando à sua frente. Quando Arnold tentava correr, Rock ia naquela direção. Em seguida, o atingia com um soco.
Mesmo quando Arnold tropeçava, parecendo que ia cair, Rock o segurava com outro soco. Arnold nem sequer conseguia desabar.
Kuzaku meio que entendeu o porquĂȘ. Era porque Rock era um boxeador. Rock estava em seu auge quando estava de pĂ©, socando. Lutar no chĂŁo, ou seja, usar tĂ©cnicas de imobilização, assumir uma posição montada e entĂŁo atacar o oponente, nĂŁo era o forte de Rock.
Seus punhos. Rock pretendia resolver isso com seus punhos. Ele confiava neles.
â Rockyyyyyy! â Kuzaku se assustou quando Sakanami começou a torcer o corpo e a gritar. â Quatro! Rocky dois! TrĂȘs! Quatro!
Do que ele estava falando? SerĂĄ que ele tinha algum parafuso a menos? Certamente nĂŁo parecia sĂŁo. No entanto, como se os gritos estranhos de Sakanami tivessem ativado algo, Rock ficou visivelmente mais rĂĄpido.
â Uau… â Kuzaku deixou escapar um murmĂșrio de admiração. Abrindo bem os olhos ou piscando, nĂŁo conseguia enxergĂĄ-lo direito. RĂĄpido. Ele era rĂĄpido demais. Os socos de Rock eram rĂĄpidos demais para que seus olhos acompanhassem.
O que quer que estivesse tentando fazer, Arnold nĂŁo conseguia bloquear, desviar, esquivar, abaixar, ou evitar. Cada um dos socos de Rock acertava Arnold. Todos eram acertos limpos. Neste ponto, Arnold nĂŁo era mais que uma marionete morta-viva, ali apenas para apanhar. NĂŁo, nem uma marionete; era um saco de pancadas morto-vivo.
Os membros da Forgan estavam em silĂȘncio. Eles tambĂ©m sentiam a derrota iminente de Arnold. Na verdade, eles nĂŁo apenas sentiam, jĂĄ deviam ter praticamente aceitado.
A luta estava decidida. Rock sĂł nĂŁo estava tentando encerrĂĄ-la. Se ele parasse de atacar, Arnold desabaria. Por que Rock nĂŁo fazia isso?
Seja qual fosse o motivo, Rock continuava a sequĂȘncia de golpes. Arnold ainda nĂŁo estava grogue. SerĂĄ que era nisso que Rock estava pensando? Acontece que era exatamente isso. Rock lançou seu enĂ©simo direto de direita. NĂŁo parecia que ele tinha feito para finalizar, e seus movimentos ao preparar o soco ficaram mais amplos, resultando em um golpe chamado de âtelegraphed punchâ. Era um soco normal, rĂĄpido demais, e para Kuzaku parecia um direto perfeito.
EntĂŁo, Arnold o parou com a boca.
Ele abriu a boca tĂŁo grande que parecia ter deslocado a mandĂbula e que rasgaria as bochechas, e o punho de Rock entrou direto. Foi assim que pareceu.
Naturalmente, Rock tentou puxar o punho imediatamente, mas Arnold aproveitou a chance para morder e segurå-lo. Seus dentes superiores e inferiores cravaram-se no braço de Rock, mordendo com força.
Com um suspiro alarmado, Rock acertou Arnold no estĂŽmago e nas tĂȘmporas com o punho esquerdo. Eram socos afiados, e poderosos, sem dĂșvida, mas nĂŁo como os de Rock. Rock estava abalado.
Arnold, por outro lado, parecia estar calmo.
Arnold agia como se os socos de Rock não significassem nada para ele. Ele segurou a cabeça de Rock com as mãos esquerda e direita.
Kuzaku soltou um âAh!â involuntĂĄrio.
Seus polegares. Os polegares de Arnold estavam nos olhos de Rock. Ele estava empurrando ambos os olhos ao mesmo tempo com os polegares. Se ele apenas machucasse um pouco os olhos, tudo bem, mas se fosse mais que isso, a carreira de Rock como boxeador estaria…
NĂŁo, esse nĂŁo era o problema aqui!
â Chega! â alguĂ©m gritou.
Quando aquela voz alta ressoou pelo local, parecia que toda a névoa do Vale dos Mil havia desaparecido. Não que isso fosse acontecer. Mas era como se pudesse dissipar a névoa. Não era apenas alta; era uma voz incrivelmente clara também.
â Jumbo â alguĂ©m disse. Provavelmente um dos membros da Forgan. Isso levou a uma sequĂȘncia de pessoas chamando aquele nome.
â Jumbo.
â Jumbo!
â Jumbo.
â Jumbo!
â Jumbo.
â Jumbo!
â Jumbo.
â Jumbo!
Jumbo.
Aquele orc estava em pĂ© no topo da colina, observando em silĂȘncio o confronto entre Rock e Arnold atĂ© agora.
Foi ele? Ele disse isso? Chega. Ele os parou?
De qualquer forma, que orc era aquele.
Para Kuzaku, ao pensar em orcs, a imagem mais forte que tinha era dos que enfrentou na Fortaleza de Observação Deadhead. Em seguida, vinham os que viviam em Waluandin, em Darunggar.
Em ambos os casos, eram maiores que os humanos, tinham inteligĂȘncia semelhante e eram um pouco rudes, como se sempre resmungassem. Ele sempre assumiu que os orcs, como raça, eram todos assim. Mas aquele orc nĂŁo se encaixava em nada nessa imagem. Ele era uma espĂ©cie Ă parte.
Para começar, o que era aquele kimono que ele usava, aberto na frente? Era de um azul profundo, com um padrão de flores prateadas. Kuzaku nunca tinha visto uma peça de roupa tão bonita em Grimgar ou Darunggar. Serå que o orc tinha feito aquilo? Se sim, era um trabalho incrivelmente detalhado.
Seus cabelos negros esvoaçantes pareciam que ele apenas os deixava crescer, mas não davam a menor impressão de sujeira. Provavelmente, ao menos, os penteava.
E entĂŁo havia seu rosto. O nariz era baixo e largo, como se estivesse achatado. Bem caracterĂstico de um orc. Ele tinha dentes parecidos com presas aparecendo nos cantos dos lĂĄbios. Isso tambĂ©m era tĂpico dos orcs. Era claramente um orc, mas nĂŁo parecia ser como os outros.
Quando Kuzaku viu o rosto de um orc pela primeira vez, honestamente, achou que eram feios. NĂŁo havia como dizer que eram legais. Tipo, as fĂȘmeas orcs, provavelmente eram horrĂveis? NĂŁo muito melhores que goblins nesse aspecto.
Sim. Eles eram como goblins grandes e resistentes. Basicamente, essa era a imagem que Kuzaku tinha dos orcs.
Jumbo era diferente. Talvez ele tivesse um pouco da aparĂȘncia de orc, mas, na verdade, pertencia a uma raça diferente. Como uma espĂ©cie de super-orc. Aqueles olhos laranja, nĂŁo eram normais. Superior. Era isso. Superior. Ele era uma forma de ser mais elevada.
Dito isso, mesmo que nĂŁo ao mesmo nĂvel, todos os orcs da Forgan tinham essa mesma aura que Jumbo transmitia. Talvez tentassem imitar a roupa e o comportamento de Jumbo. Ou, quem sabe, assim como havia tanta variedade entre os humanos, orcs tambĂ©m vinham em muitos tipos, e havia orcs como aquele por aĂ.
Aquele que parecia ser o representante deles, Jumbo, desceu a colina. Ele nĂŁo pulou. Nem correu. Descia num ritmo surpreendentemente tranquilo, apenas andando.
â Sua batalha… â Jumbo colocou uma mĂŁo nos ombros de Arnold e Rock. â …serĂĄ decidida por mim.
â HĂŁ…? â Rock disse, parecendo atĂŽnito.
â Ih…?
Rock e Arnold aparentemente tentaram olhar para Jumbo. Mas Rock estava com os polegares de Arnold nos olhos, e Arnold tinha o braço direito de Rock na boca, dificultando o movimento das cabeças. Mesmo se não fosse por isso, ambos estavam machucados e exaustos. Eram uma visão e tanto, mas Jumbo parecia não se importar. Estava tão calmo e sereno que parecia deslocado na situação.
â Se isso continuar, vocĂȘs dois vĂŁo morrer. Arnold, meu companheiro, e vocĂȘ, o soldado voluntĂĄrio humanoâRock, certo? Acho que seria uma pena se qualquer um de vocĂȘs morresse aqui. Por isso, declaro sua luta um empate.
â NĂŁo, cara… VocĂȘ nĂŁo pode simplesmente decidir isso â retrucou Rock.
â Oh… Fah…
â Ei, Arnold, vocĂȘ tambĂ©m nĂŁo pode aceitar isso, nĂ©?
â Uh…
â Ah. NĂŁo dĂĄ pra falar assim, nĂ©? Vou tirar meu punho agora. Tudo bem, certo?
â Nu…
â Estou tirando. E meus olhos estĂŁo doendo, entĂŁo tire os polegares tambĂ©m.
Parece que Arnold afrouxou a mandĂbula. Rock puxou seu braço direito da boca de Arnold.
â Eu disse que dĂłi! JĂĄ tira as mĂŁos de mim, Arnold!
â Mu… â Arnold soltou cautelosamente a cabeça de Rock.
â Droga! â Rock saltou para trĂĄs, esfregando os olhos de olhos fechados. â NĂŁo consigo ver nada. Se eu ficar cego, isso nĂŁo vai ter graça. O que vocĂȘ vai fazer se eu nunca mais conseguir ver o rosto da Arara?
Tsuga murmurou: â Pode dar qualquer resultado… â Como se aquilo nĂŁo tivesse nada a ver com ele. Bem, talvez tecnicamente nĂŁo fosse problema dele, mas nĂŁo eram companheiros?
â Um empate, Ă©? â Moyugi deu um passo Ă frente. â NĂŁo me importa como queira chamar, mas gostaria que as coisas fossem um pouco mais claras. VocĂȘ Ă© o Jumbo, certo? Como, precisamente, pretende resolver isso?
Houve um murmĂșrio incĂŽmodo entre os membros da Forgan. Era fĂĄcil entender por quĂȘ. A atitude de Moyugi era extremamente insolente. AtĂ© Kuzaku, que teoricamente era seu aliado, se sentiu ofendido, entĂŁo os membros da Forgan deviam estar absolutamente indignados.
SerĂĄ que o Jumbo vai surtar? Kuzaku se perguntou.
Mas nĂŁo parecia que ele fosse.
â Para ser exato… â Jumbo se virou para Moyugi, como uma folha flutuando ao vento. â Se vocĂȘs se retirarem agora, eu nĂŁo colocarei as mĂŁos em vocĂȘs. VocĂȘs podem nos atacar outro dia. Podem escolher nos esquecer. A partir daqui, vocĂȘs sĂŁo livres para fazer o que quiserem.
â Entendo. â Moyugi assentiu, com um ar arrogante. â E se nĂŁo concordarmos?
â …NĂŁo, espera aĂ, Moyugi. â Rock olhou ao redor. Ele parecia incapaz de ver, mas estava procurando alguĂ©m? â Arnold! VocĂȘ estĂĄ bem com isso?! Essa era a nossa luta! Eu nĂŁo sei se esse cara Ă© o seu comandante ou algo assim, mas vocĂȘ vai simplesmente deixĂĄ-lo nos atrapalhar?!
â Kuu… â Arnold olhou para Jumbo.
â Ele nĂŁo entende â sussurrou Tsuga, sorrindo. â Nossa lĂngua.
Kuzaku sentiu um leve espasmo no rosto. Esse Jizo, parece ser um cara de bom senso, mas talvez ele tenha uma personalidade meio cruel?
â EstĂĄ empatado â disse Jumbo para Arnold. â Retirada, ambos.
Provavelmente estava dizendo isso em outra lĂngua que o morto-vivo Arnold entenderia.
Arnold se sentou.
â E… gari.
Eu concordo. Era o que parecia que Arnold estava dizendo.
â Mas que droga! â Rock chutou o chĂŁo, parecendo bem insatisfeito, mas… isso nĂŁo era um mau desenvolvimento. Na verdade, poderia ser uma oportunidade melhor do que esperavam.
Kuzaku olhou rapidamente para Shihoru e Yume. Elas entenderam sem necessidade de palavras. Estavam com o mesmo pensamento que ele.
Rock e sua party planejaram esse ataque por vingança, porque Arnold havia matado Tatsuru, o namorado de Arara, mas, por mais frio que fosse dizer isso, Kuzaku e os outros dois não tinham nenhum apego a essa questão. O motivo pelo qual decidiram ajudar Rock era talvez dez a vinte por cento por obrigação, mas os restantes oitenta a noventa por cento eram para salvar sua companheira, Mary.
O que teria acontecido com Haruhiro? Mary estaria a salva? Isso ainda não estava claro, mas Kuzaku e as outras duas naturalmente precisavam considerar sua própria segurança. Se Rock e os outros desistissem da vingança e se retirassem, fosse por agora ou para sempre, Kuzaku e as outras duas poderiam escapar dali. E então, iriam ao ponto de encontro e esperariam por Haruhiro.
Se Haruhiro voltasse com Mary, seria demais chamar isso de melhor desfecho possĂvel? Se Haruhiro nĂŁo aparecesseâbem, Kuzaku nĂŁo queria considerar essa possibilidade, mas se chegasse a esse ponto, pensariam em algo quando acontecesse.
â E entĂŁo? â Moyugi pressionou o dedo mĂ©dio de sua mĂŁo esquerda contra a ponte dos Ăłculos. Sua mĂŁo direita estava no punho da espada. â Se escolhermos nĂŁo recuar, o que pretende fazer?
â Eu â disse Jumbo, com um tom que poderia facilmente ser usado para anunciar uma soneca Ă tarde â, vou aniquilar vocĂȘs, pessoalmente.
â …O quĂȘ? â disse Moyugi.
Parecia que nem mesmo Moyugi tinha previsto isso. Naturalmente, Kuzaku também não.
Espera aĂ, Kuzaku pensou lentamente. O que ele acabou de dizer?
HĂŁ? Como assim? Pessoalmente? O Jumbo pessoalmente? VocĂȘs, tipo… A party do Rock, provavelmente Arara e Katsuharu tambĂ©m, e entĂŁo provavelmente eu, Shihoru e Yume.
Aniquilar?
NĂŁo apenas exterminar?
Bem, os dois sĂŁo meio parecidos, eu acho. EntĂŁo, basicamente…
Ele vai matar todos nĂłs?
Kuzaku tentou entender tudo em sua cabeça.
DĂĄ o fora, ou eu mato vocĂȘs. Era isso que Jumbo parecia estar dizendo.
â O vento que sopra na escuridĂŁo sussurra para mim… â Sakanami roĂa as unhas intensamente. Seu corpo inteiro tremia, e ele estava usando as duas mĂŁos. â A histĂłria sombria me convida alĂ©m do abismo… A razĂŁo da solidĂŁo, a falsa estação inicia o prelĂșdio da destruição que questiona o sentido da nossa existĂȘncia…
O que havia com esse cara?
â Grande discurso. â O Jizo… digo, Tsuga… parecia irritado.
Arara estava com uma expressĂŁo de indignação. â Quanto mais ele tem que nos menosprezar para se dar por satisfeito?!
â Droga, estou irritado â murmurou Kajita.
E então, Kajita, o grandalhão de óculos escuros, ergueu sua espada, que parecia uma fatia fina de um cogumelo gigante, e avançou.
Ei, ei, vocĂȘ tĂĄ indo sozinho?! Pelo menos discutam isso antes! Que imprudĂȘncia! VocĂȘ tĂĄ agindo por impulso! Isso nĂŁo Ă© bom. Tenho quase certeza de que isso nĂŁo Ă© nada bom. Caramba, Kajita estĂĄ levando isso a sĂ©rio. Ele surtou completamente.
Kajita avançou contra Jumbo com uma intensidade incrĂvel, sem desviar o olhar.
â Uehhhhhh, hahhhhhhhhhh!
Por que Rock e os outros nĂŁo o impediram? Eles nĂŁo podiam?
Bem, Kuzaku nĂŁo conhecia Kajita tĂŁo bem, mas ele era membro dos Typhoon Rocks, tinha uma aparĂȘncia intimidadora e, embora fosse um homem de poucas palavras, tudo o que dizia era estranho. NĂŁo tĂŁo estranho quanto Sakanami, claro. De qualquer forma, ele nĂŁo parecia o tipo que obedeceria facilmente se alguĂ©m lhe dissesse para fazer algo. No entanto, parĂĄ-lo Ă força parecia ainda mais difĂcil, talvez quase impossĂvel. Kuzaku, pelo menos, nĂŁo tinha desejo de tentar. Sentia que seria facilmente esmagado. SerĂĄ que ele era do tipo que nem os prĂłprios companheiros conseguiam parar quando ficava daquele jeito? Talvez?
De qualquer forma, as negociaçÔes foram por ågua abaixo agora.
Isso Ă© o pior.
Kajita.
Vai se ferrar.
O que vocĂȘ estĂĄ pensando, Kajita?
EntĂŁo Kuzaku explodiu â Kajita, seuâO quĂȘ…?!
Kuzaku viu. Kajita desceu sua enorme espada cogumelo de uma distùncia que normalmente faria qualquer um pensar: Sério, dali? Nunca vai alcançar.
Normalmente, estaria certo, e realmente não alcançaria, mas, para Kajita, essa era a distùncia de ataque. Kajita não era apenas um brutamontes superpoderoso. De longa distùncia ele usava sua espada, e em distùncias curtas e médias, usava seus chutes, alternando habilmente entre os dois. E, para Kajita, longa distùncia era bem longa.
Esticando-se e usando o comprimento de sua espada cogumelo enorme, com seus braços longos e aquele corpo grande, ele talvez fosse capaz de cortar um inimigo a quase trĂȘs metros de distĂąncia ao meio.
No momento em que Kajita colocou Jumbo em sua årea de alcance, Kajita balançou sua enorme espada contra ele.
Jumbo parecia ter previsto isso, mas nĂŁo se moveu para trĂĄs, nem para a esquerda ou direita para desviar. Em vez disso, desapareceu. Para Kuzaku, parecia que Jumbo havia sumido por um instante.
No momento em que ele pensou: Ele nĂŁo estĂĄ lĂĄ. Ele sumiu, Jumbo reapareceu acima deles. Ele havia pulado.
Parecia que Jumbo tinha saltado para evitar a espada de Kajita. Mas o que era aquele movimento?
Parecia contraditĂłrio, mas Jumbo estava parado no ar.
Naturalmente, Jumbo sĂł parou no ar por um instante. Mesmo assim, nĂŁo era a postura de quem tinha saltado para chegar lĂĄ. Jumbo estava relaxado. Era assim que ele parecia para Kuzaku.
No entanto, ele havia evitado apenas o primeiro golpe. Kajita ainda tinha seus chutes como arma.
Usando o impulso de seu golpe com a espada, Kajita desferiu um chute circular reverso com a perna esquerda. Estando no ar, Jumbo tinha que descer. Era nisso que Kajita estava apostando.
NĂŁo havia como desviar.
Jumbo não tentou desviar também.
Quando o chute de Kajita chegou, ele o usou como um ponto de apoio para saltar novamente. Mais do que isso, parecia que ele estava caminhando no ar.
Jumbo pousou atrĂĄs de Kajita.
A maneira como Kajita imediatamente gritou â Keyah! â e executou um chute circular reverso com a perna direita mostrava que ele nĂŁo era um cara comum. E nĂŁo foi um Ășnico ataque. Ele fez um chute circular reverso com a esquerda e um chute frontal com a direita. EntĂŁo, flexionou o joelho direito e fez uma sequĂȘncia de trĂȘs chutes; alto, mĂ©dio e baixo. Depois de dois chutes com a perna esquerda, ele fez parecer que ia chutar com a direita, mas, em vez disso, lançou mais uma combinação de dois chutes com a esquerda.
NĂŁo seria exagero chamar a combinação de chutes que Kajita exibiu de magnĂfica. Ele havia soltado completamente sua espada cogumelo. Com o tamanho de seu corpo, era impressionante que ele pudesse se mover daquela forma. Olhando para ele, Kajita nĂŁo parecia nem um pouco que poderia ser tĂŁo rĂĄpido.
Mas Jumbo nĂŁo tinha nem um arranhĂŁo.
Jumbo havia evitado todos os chutes de Kajita e, então, finalmente partiu para o contra-ataque. Isso estava claro. Kuzaku também viu o que Jumbo fez com Kajita.
Jumbo usou a mĂŁo direita para desferir um soco no peito de Kajitaâou melhor, um empurrĂŁo.
Foi só isso. Só isso, mas Kajita foi virado com as pernas para cima, caindo de cabeça, batendo com o pescoço no chão.
â NĂŁo vejo nenhuma forma de vencer â Kuzaku ouviu Moyugi murmurar. Ele quase certamente nĂŁo estava falando apenas que o cavaleiro das trevas mais forte em atividade nĂŁo conseguia derrotar Jumbo. Mesmo que todos os Rocks, incluindo Moyugi, se juntassem contra Jumbo sozinho, eles nĂŁo teriam chance.
Se Moyugi havia chegado a essa conclusĂŁo, ele provavelmente estava certo. Coincidentemente, pode-se dizer, Kuzaku havia acabado de pensar a mesma coisa, e nĂŁo discordava em nada.
â Do jeito que vocĂȘs estĂŁo agora â disse Jumbo em um tom tĂŁo calmo quanto antes â, vocĂȘs nĂŁo conseguem nem me fazer ajoelhar. No entanto, ainda tĂȘm muito pela frente. O potencial de crescimento de vocĂȘs Ă© maior que o meu. Isso porque, enquanto poucos neste vasto mundo sĂŁo superiores a mim, vocĂȘs ainda tĂȘm inimigos a enfrentar. Se conseguirem superĂĄ-los, ficarĂŁo mais fortes ainda.
Ele disse coisas incrĂveis como se nĂŁo fosse nada. Jumbo havia declarado que, embora ele talvez nĂŁo fosse a pessoa mais forte do mundo, dificilmente haveria alguĂ©m por aĂ que pudesse vencĂȘ-lo.
De qualquer forma, ele devia estar exagerando. Embora Kuzaku pensasse assim, ao mesmo tempo, se Jumbo nĂŁo estava no nĂvel mĂĄximo, que tipo de criatura ele teria de imaginar acima dele?
Aquela coisa, talvez? O dragĂŁo de fogo em Darunggar? Jumbo provavelmente nĂŁo conseguiria vencer aquilo. Afinal, aquilo cuspia fogo. Era grande demais. Pelo menos, ele nĂŁo poderia enfrentĂĄ-lo sozinho.
Mesmo ele nĂŁo seria capaz… eu acho.
â VĂŁo. â Jumbo fez um leve gesto com o queixo. â Agora. Se nĂŁo forem, nĂŁo haverĂĄ amanhĂŁ para nenhum de vocĂȘs. NĂŁo desperdiçarei mais palavras. Vivam, ou morram. A escolha Ă© de vocĂȘs.
â Da nossa parte â respondeu Rock imediatamente â, estamos recuando. Arara, me desculpe por nĂŁo ter realizado seu desejo. NĂŁo vou pedir que ignore isso. Eu falhei em cumprir o que prometi fazer. Sou realmente o pior.
Arara abaixou os ombros e curvou a cabeça.
â …Eu nĂŁo diria isso.
Porque o Kajita decidiu partir para a violĂȘncia, eu nĂŁo sabia como as coisas iam acabar por um momento ali, mas parece que vai ficar tudo bem. Kuzaku soltou um suspiro.
Esse suspiro se sobrepĂŽs ao de Shihoru, entĂŁo eles se entreolharam e sorriram de forma meio constrangida.
Yume piscou repetidamente e depois balançou a cabeça. Mesmo nessa situação, era uma expressĂŁo e um gesto que faziam vocĂȘ querer sorrir. Yume era meio que uma mascote, por assim dizer. Ela tinha algo que nĂŁo era uma fofura tĂpica de menina, mas era fofa de qualquer forma.
â Estamos indo embora. â Rock começou a andar… Espera, por que ele estĂĄ indo na direção de Jumbo?
Jumbo gentilmente parou Rock e o virou na direção oposta.
â Tomem cuidado no caminho.
â …Ah, sim. Foi mal. â Rock coçou a cabeça.
Ah, Ă©. Porque Arnold tinha enfiado os polegares nos olhos dele, Rock nĂŁo podia enxergar agora.
â …Estamos indo embora. Ă por aqui? Esse caminho estĂĄ certo, nĂ©…?
â Rock. â Arara correu atĂ© ele e pegou sua mĂŁo. â Deixe-me fazer isso por vocĂȘ, pelo menos. Tudo isso foi minha culpa desde o inĂcio.
â Hmm. Eu realmente nĂŁo acho que seja verdade. Por outro lado, estou feliz por poder segurar sua mĂŁo.
â Por aqui. â Katsuharu fez sinal para Arara. Jizo pegou casualmente a espada de Rock. Aquele cara nĂŁo deixava nada passar.
Moyugi estava tentando levantar Kajita.
â …VocĂȘ Ă© pesado. No final, acho que nĂŁo consigo te levantar. Levante-se sozinho, por favor.
â De fato. â Kajita se levantou agilmente.
Ele ainda estĂĄ em boa forma…
Sakanami torcia o corpo inteiro, fazendo uma dança bizarra.
Assustador…
Pensando bem, Kuro estava sumido. HĂĄ quanto tempo ele tinha desaparecido?
Quem liga…
Kuzaku relaxou os joelhos, elevando e abaixando os ombros. Sinceramente, eu realmente não faço ideia do que pensar sobre essas pessoas. Não quero nada com elas.
Ele esperava que fosse a Ășltima vez. SĂł queria reunir todos os seus companheiros rapidamente e sair do Vale dos Mil. Embora, por âtodos os seus companheirosâ, ele se referisse a cinco pessoas, nĂŁo seis.
Melhor nĂŁo pensar nisso. Pensar nisso nĂŁo vai adiantar. Tente esquecer.
â Vamos â disse Shihoru.
Kuzaku e Yume assentiram, entĂŁo viraram as costas para Jumbo. Ă frente deles estavam o enorme orc Godo Agaja e os membros da Forgan. No entanto, eles tinham se afastado para abrir caminho. Kuzaku e os outros estariam indo para o ponto de encontro assim que passassem por ali.
Com base em onde estavam, Kuzaku, Shihoru e Yume teriam que ser os primeiros a atravessar a multidĂŁo dos membros da Forgan. Isso o deixava um pouco tenso, mas tambĂ©m sentia urgĂȘncia em acabar logo com isso.
Kuzaku foi na frente, com Shihoru e Yume lado a lado logo atrĂĄs.
O vento era fraco, e a névoa nem densa nem rala.
Quando passou por Godo Agaja, Kuzaku olhou para cima, sem querer.
Ele Ă© enorme. Enorme demais.
Godo Agaja lançou-lhe um olhar, como se dissesse: O quĂȘ?
Kuzaku rapidamente olhou para frente novamente e apressou-se em seu caminho.
Ah, merda.
Seu håbito ruim tinha atacado de novo. Não era uma situação em que ele pudesse baixar a guarda, mas teve que pensar em coisas que não precisava.
Concentre-se, concentre-se. Eu preciso focar.
Sinto falta de Altana.
SĂŁo seiscentos, setecentos quilĂŽmetros atĂ© lĂĄ. Ă longe… Muito longe.
SerĂĄ que realmente conseguiremos voltar…?
Vamos lĂĄ. Agora nĂŁo Ă© hora de pensar nisso.
â Espera…!
De repente, uma voz masculina ecoou pela ĂĄrea, e Kuzaku parou no lugar.
NĂŁo, talvez eu devesse correr, e nĂŁo parar. Foi o que ele sentiu, mas nĂŁo teve coragem de sair correndo.
â Comandante! Jumbo! NĂŁo os deixem escapar!
â Kuzaku-kun! â Shihoru chamou seu nome.
Quando ele se virou, viu o homem de um braço só no topo da colina. Takasagi. Serå que ele tinha ido a algum lugar e voltado? E o Ranta?
Jumbo se virou para Takasagi.
â O que foi, Takasagi?
â Um deles levou a mulher e fugiu! Eles derrotaram o Ranta!
â O quĂȘ? â Kuzaku ficou boquiaberto. â O Haruhiro… matou o Ranta… -kun?
Shihoru engoliu em seco.
â NĂŁo… â Yume ficou sem palavras.
â NĂŁo vou deixar que digam que foi tudo obra do jovem e que vocĂȘs nĂŁo tĂȘm nada a ver com isso â disse Takasagi, desembainhando sua katana com a mĂŁo esquerda e apontando-a na direção deles. â Mesmo que o Jumbo esteja disposto a ignorar isso, eu nĂŁo estou. NĂŁo suporto ser feito de bobo.
â Se eles recuarem, nĂŁo levantarei a mĂŁo contra eles â disse Jumbo. â Fiz essa promessa. Pretendo cumpri-la.
â Bem, entĂŁo faça isso, comandante. Eu farei o que bem entender. Meu trabalho na Forgan Ă© fazer o que precisa ser feito, afinal.
â Esse Ă© vocĂȘ. Faça o que quiser, Takasagi.
â NĂŁo preciso que vocĂȘ me diga isso, Jumbo. Gudua! â Takasagi ergueu a katana, gritando em algum idioma desconhecido. Orcish? â Ashuruha, udanzai! Ilda!
â Osh!
â Osh!
â Kiu!
â Kiuem!
â Osh!
â Osh!
NĂŁo, nĂŁo, isso nĂŁo estava nada bom. Era ruim, muito ruim, incrivelmente ruim.
Kuzaku tentou dizer algo, mas as palavras nĂŁo saĂram.
Vamos embora. Precisamos ir. Temos que ir. Correr Ă© a Ășnica opção. Ele balançou o braço para comunicar o que queria dizer enquanto disparava.
Yume começou a correr, levando Shihoru consigo. Eles estavam no meio do caminho, descendo cautelosamente pelo trajeto que Godo Agaja e seus homens haviam aberto para eles. Se tivessem chegado ao outro lado, a situação não seria tão ruim. Eles estavam quase lå. Graças a isso, os orcs e mortos-vivos vinham de ambos os lados. Era um ataque em pinça.
Isso Ă© desesperador. NĂŁo hĂĄ como escapar. Quero dizer, o que Ă© isso? Jumbo. Vai se ferrar, Jumbo. VocĂȘ disse que, se recuĂĄssemos, vocĂȘ e seu pessoal nĂŁo nos atacariam. E agora? Espera, serĂĄ que estou enganado? Ele disse sĂł eu, e nĂŁo nĂłs? Qual era mesmo? NĂŁo sei. Sinto que ouvi nĂłs, mas nĂŁo consigo me lembrar. Que droga.
â Rah…! â Kuzaku usou Bash para afastar um orc que vinha pela esquerda e entĂŁo o chutou. Ele precisava mandar Yume e Shihoru na frente. Mas, se ele diminuĂsse o ritmo, os inimigos iriam cercĂĄ-lo ainda mais. Tinha que continuar correndo ou as coisas ficariam piores.
AtrĂĄs dele, ele ouvia gritos e o som de carne, metal e outras coisas se chocando. NĂŁo tinha como olhar para trĂĄs, mas provavelmente eram os Typhoon Rocks.
Acabem com eles de verdade, ele pediu silenciosamente. Se nĂŁo o fizessem, ele estaria em apuros.
Um morto-vivo vinha pelo lado direito, entĂŁo Kuzaku usou sua lĂąmina negra para mantĂȘ-lo Ă distĂąncia, ao mesmo tempo em que usava seu escudo para executar um Block na espada de um orc que vinha pela esquerda.
NĂŁo falta muito, ele pensou. Em mais alguns metros, vamos romper. Estamos quase lĂĄâmas serĂĄ que vai ser difĂcil demais? SerĂĄ que Yume e Shihoru vĂŁo ficar bem? NĂŁo ouço gritos, entĂŁo acho que estĂŁo. Mas, sinceramente, nĂŁo sei. NĂŁo tenho controle da situação. NĂŁo hĂĄ como ter.
Orcs surgiram na sua frente.
NĂŁo apenas um, mas dois.
Ah. Isso… isso vai acabar comigo.
Se fosse apenas um, ele poderia ter uma chance. Talvez fosse possĂvel abrir um caminho se ignorasse a prĂłpria segurança, mas com dois, atĂ© mesmo isso seria difĂcil. Afinal, os orcs da Forgan eram habilidosos.
NĂŁo, nĂŁo desanime. NĂŁo tenho escolha a nĂŁo ser tentar. Mesmo que eu tente reunir coragem, nĂŁo consigo. Eu sou um desastre!
â NĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁoooooo.
EntĂŁo, uma voz assustadora ecoou, e um dos orcs caiu para trĂĄs. Naturalmente, ele nĂŁo tinha caĂdo por conta prĂłpria devido a alguma condição prĂ©-existente. O orc foi derrubado. Pela demĂŽnio Moira, que parecia uma mulher de cabelos longos, mas era claramente uma criatura nĂŁo-humana, carregando uma arma assustadora com lĂąminas parecidas com uma tesoura.
â NĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁoooooo. NĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁoooooo. NĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁoooooo.
Moira envolveu suas pernas ao redor do torso do orc, segurou seu pescoço com um braço e o esfaqueou sem piedade com sua lùmina em formato de tesoura. Isso pareceu assustar o outro orc.
Ă, eu sei, pensou Kuzaku. Isso Ă© sinistro. Moira-san nĂŁo brinca. Ă uma sorte Moira-san ser tĂŁo assustadora. Isso realmente nos salvou. Valeu, Moira-san.
â Zahh! â Kuzaku desceu sua lĂąmina negra diagonalmente contra o outro orc.
A verdade Ă© que continuar se defendendo com seu escudo enquanto o usava nĂŁo era a Ășnica diferença em Punishment. Ao contrĂĄrio do Rage Blow do guerreiro, como ele mantinha parte da sua atenção na defesa e nĂŁo golpeava com toda a força possĂvel, era mais fĂĄcil encadear o ataque seguinte.
Seu primeiro golpe com Punishment apenas deixou uma marca no ombro do orc, mas o Bash que veio logo em seguida acertou o rosto dele. Kuzaku desferiu um Thrust na base do pescoço do orc, seguido de outro Bash, fechando ainda mais a distùncia. Quando apoiou o pé no joelho do orc e o empurrou, conseguiu desequilibrå-lo completamente.
Kuzaku usou toda a sua força para dar uma cotovelada no orc e derrubå-lo. Então, em vez de avançar, ele tomou a decisão deliberada de parar onde estava.
â Yume-san, Shihoru-san! Sigam em frente!
â Miiiau!
â Certo! â chamou Shihoru.
Em momentos como esse, Shihoru-san sempre diz âCertoâ. Sempre gostei disso, de certa forma.
Yume e Shihoru passaram correndo por Kuzaku. Kuzaku usou Block contra a espada do orc que os perseguia, depois o empurrou com um golpe de Thrust, e finalmente usou Bash para repelir a espada curva de outro morto-vivo que se aproximava.
Serå que estou com a cintura muito alta? Sim, estou. Abaixe. Não force demais. Faça balanços amplos com a espada, mas use o escudo com mais firmeza.
Assim.
Essa é a sensação.
Não importa quantos inimigos viessem, não importa quantos o atacassem, ele não tinha medo. Podia ver claramente e bloquear. Atacava apenas para fins defensivos. E, para convencer os inimigos de que não apenas se defenderia, mas que também poderia atacar. Porém, no fim, tudo era defesa.
Defender elas.
Defender elas.
Defender elas.
Defender.
Eu vou defender elas.
Eu consigo defender.
Moira saltava ao redor, sem acabar com os inimigos um a um, mas usando seus movimentos bizarros e assustadores e sua lĂąmina em forma de tesoura para desestabilizĂĄ-los.
E os Rocks? Kuzaku tinha conseguido ver Kajita brandindo sua imensa espada em forma de cogumelo e lutando contra Godo Agaja. NĂŁo tinha certeza sobre o restante, mas conhecendo eles, nĂŁo cairiam facilmente. Mesmo que caĂssem, ele nĂŁo se importava.
O importante eram seus companheiros. Shihoru. Yume. Haruhiro. Mary.
Ranta.
SerĂĄ que Haruhiro o matou?
â Gaaaagh…! â Kuzaku usou seu escudo para repelir dois orcs de uma vez, entĂŁo se virou e correu para o outro lado.
Agora posso ir, ou melhor, preciso ir, pensou ele.
Não conseguia ver Yume e Shihoru. A névoa havia se tornado ainda mais espessa em algum momento. Eles poderiam acabar se separando, mas provavelmente as duas ficariam bem. Isso era o mais importante.
Kuzaku correu em velocidade mĂĄxima.
â Ahh…!
De repente, ele parou de enxergar qualquer coisa.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
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