Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 03 – Volume 8

 

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – CapĂ­tulo 03:
[A Luta Silenciosa Entre As FacçÔes]


— …Agora hĂĄ pouco, vocĂȘ ouviu alguma coisa? — Kuzaku estava na saĂ­da, em um ponto em que nĂŁo dava para dizer se estava dentro ou fora, escutando com atenção. — Foi imaginação minha? NĂŁo… tenho quase certeza que ouvi algo.

— SĂ©rio…? — Shihoru se aproximou e se agachou ao lado de Kuzaku, virando o ouvido direito em direção ao lado de fora. — …Ah. VocĂȘ estĂĄ certo. É… o uivo de cĂŁes…?

— Se for alguma coisa, parece mais com lobos pra mim. — Kuzaku se inclinou para trĂĄs, mantendo a maior distĂąncia possĂ­vel de Shihoru. — Bem, Ă© uma floresta, entĂŁo acho que nĂŁo Ă© tĂŁo estranho ter lobos, mas…

Não era porque era Shihoru; ele simplesmente não queria se aproximar muito de nenhuma garota agora. Embora ele não fosse como o Ranta, Kuzaku sabia que não era tão desinteressado quanto Haruhiro. Seria ruim se ele começasse a pensar de forma estranha, e as garotas eram um pouco despreocupadas e desatentas, então ele precisava ser o cuidadoso.

— Isso me incomoda — disse Kuzaku. — VocĂȘ acha que eles estĂŁo bem? NĂŁo, eu acho que estĂŁo, mas…

— Esperar Ă© difĂ­cil — Shihoru concordou.

— É mesmo. Mas Ă© o que temos que fazer. Cada um tem seu papel a cumprir.

— É — Shihoru disse lentamente. — Eu preciso me exercitar mais…

— HĂŁ? VocĂȘ, Shihoru? Tipo, vocĂȘ vai ficar toda musculosa?

— N-NĂŁo vou chegar a tanto. Tenho dificuldade em ganhar mĂșsculos. SĂł consigo ganhar peso onde nĂŁo preciso.

— NĂŁo, eu nĂŁo acho que vocĂȘ nĂŁo precisa—quer dizer, nĂŁo que eu queira dizer isso de um jeito estranho ou algo assim. NĂŁo sei. É melhor estar com um peso saudĂĄvel. Tipo, eu nĂŁo acho que vocĂȘ precisa ser magra demais. Uh? Eu estou me complicando aqui? Er… Desculpa? Fui meio rude agora. Espero que nĂŁo tenha te ofendido, ofendi?

— EstĂĄ tudo bem. NĂŁo precisa pisar em ovos. Pode nĂŁo parecer, mas eu sou casca-grossa — Shihoru disse, abaixando a cabeça com um sorriso irĂŽnico. — …Vem com o fato de ser gorda.

Uma piada autodepreciativa? Ele deveria rir? Ou dizer que ela estava errada e elogiĂĄ-la? Ele nĂŁo tinha certeza de qual seria a melhor resposta. Honestamente, Kuzaku tinha dificuldade em lidar com esse lado de Shihoru.

— Mas Ă© bem longe, sabe — disse Kuzaku. — Para Altana. Ainda assim, aqui Ă© Grimgar, nĂŁo Darunggar, entĂŁo jĂĄ Ă© um avanço pelo menos.

— Hum…

— Sim?

— Foi meio chato… nĂ©? Agora hĂĄ pouco — disse Shihoru. — Desculpa. Era pra ser uma piada, mas… eu nunca consigo inventar nada engraçado…

Whaaaa. Ela estĂĄ trazendo isso de volta, agora? SĂ©rio? Normalmente, vocĂȘ deixaria isso passar.

Esse foi definitivamente um pensamento de Kuzaku, mas se ela estava trazendo Ă  tona, ele precisava estar Ă  altura. Ela nĂŁo era uma estranha; afinal, era sua camarada.

— É, foi meio difĂ­cil de rir. Nossos corpos sĂŁo um assunto sensĂ­vel para alguns. Mesmo que a situação seja engraçada, eu me questiono se Ă© certo rir disso. AlĂ©m disso, vocĂȘ nĂŁo Ă© gorda. Na verdade, acho que todos nĂłs emagrecemos bastante naquele outro mundo. Foi muito difĂ­cil lĂĄ…

— V-VocĂȘ pode estar certo… — Shihoru olhou para Kuzaku com os olhos arregalados. — Obrigada por ser sincero comigo. Fiquei real… digo, muito grata por isso.

— Ah, vocĂȘ ficou? Que bom. — Kuzaku ficou aliviado. — Foi preciso um pouco de coragem pra dizer isso. Fiquei preocupado em te ofender. Mas eu nĂŁo deveria ser tĂŁo reservado, como se vocĂȘ fosse uma estranha.

— Somos camaradas, nĂ©? — Shihoru perguntou.

— Somos, sim.

— Mas… vocĂȘ ainda Ă© muito educado Ă s vezes, nĂ©?

— Isso Ă©, bem, mais um hĂĄbito, acho? VocĂȘs todos sĂŁo meus veteranos, entĂŁo acho que isso faz parte.

— Não que sejamos veteranos muito confiáveis.

— Isso nĂŁo Ă© verdade — disse Kuzaku. — Eu estou sempre contando com vocĂȘs. Me faz sentir como se eu tivesse tido um irmĂŁo mais velho ou uma irmĂŁ mais velha. NĂŁo lembro, mas… Esse lado da minha personalidade, nĂŁo Ă© uma coisa boa. Afinal, eu sou o tanque da party. Realmente, preciso chegar ao ponto em que vocĂȘs possam contar comigo.

— Bem, pelo menos eu posso dizer que conto com vocĂȘ, Kuzaku-kun… Acho. Quer dizer, vocĂȘ estĂĄ me protegendo.

— Eu gostaria de poder te proteger melhor — disse Kuzaku. — Sabe, eu sou alto e tenho braços bem longos tambĂ©m. Acho que, se eu me manejar da maneira certa, deveria conseguir atrair todos os inimigos pra mim. Eu preciso fazer isso, ou—

— NĂŁo! — Shihoru de repente agarrou o braço de Kuzaku como se estivesse se agarrando a ele. — …VocĂȘ nĂŁo pode. Kuzaku-kun, nĂŁo se sobrecarregue. NĂŁo Ă© bom tentar assumir tudo sozinho desse jeito.

— É isso que estou fazendo? NĂŁo acho que estou… —

— VocĂȘ com certeza estĂĄ… acho que sim — disse Shihoru. — VocĂȘ foi sincero comigo, entĂŁo vou ser sincera com vocĂȘ tambĂ©m. Moguzo-kun sempre se esforçava demais, achando que tinha que fazer isso e aquilo… e foi assim que ele acabou nĂłs deixando. Acho que vocĂȘ estĂĄ fazendo um pouco disso tambĂ©m. Ele se esforçava demais por nĂłs, que ainda Ă©ramos imaturos. NĂłs o forçamos a se desgastar. NĂŁo quero que vocĂȘ repita isso, Kuzaku-kun. Eu nĂŁo vou deixar. NĂŁo podemos permitir que alguĂ©m se sacrifique por todos nĂłs. Uma pessoa nĂŁo pode se desgastar por todos, todos nĂłs precisamos trabalhar para compensar as falhas dos outros. É isso que eu acho.

— …Ohhhh — disse Kuzaku. — Isso faz sentido. NĂŁo quero parecer apressado. Sinto que estou atrasado em relação a vocĂȘs. Estou tentando alcançar todos. — Kuzaku começou a dizer, e entĂŁo se deu conta do que estava falando. — …Ha ha. VocĂȘ estĂĄ certa, eu posso estar apressando as coisas. Mas Ă© difĂ­cil, nĂŁo Ă©? NĂŁo consigo evitar me adiantar um pouco, sabe? Quer dizer, o Haruhiro, ele Ă© incrĂ­vel. Ele Ă© bem desapegado, mas de um jeito bom. Ele Ă© calmo.

— Haruhiro-kun… Acho que, na cabeça dele, muita coisa estĂĄ acontecendo — disse Shihoru. — Ele sĂł nĂŁo fala sobre isso. Porque ele Ă© o lĂ­der… Acho que ele nĂŁo pode falar sobre isso. Se o lĂ­der estivesse preocupado e indeciso, todos ficariam inseguros. Tenho certeza de que Ă© isso que ele pensa.

— VocĂȘ acha que ele estĂĄ se forçando demais? — perguntou Kuzaku.

— …Eu acho que nĂŁo Ă© fĂĄcil para ele. Mas nĂŁo hĂĄ muito o que possamos fazer… Haruhiro foi forçado a se tornar o lĂ­der porque nĂłs somos pouco confiĂĄveis. NĂŁo Ă© que tenhamos jogado a responsabilidade sobre ele… mas ele nĂŁo Ă© o tipo que normalmente se voluntariaria para esse tipo de posição…

— Bem… Ă© — disse Kuzaku. — Haruhiro odeia ser o centro das atençÔes. Ele nĂŁo Ă© exatamente o tipo de lĂ­der, eu acho. Mas eu gosto do estilo dele. É mais fĂĄcil de lidar do que alguĂ©m que diz: “Cala a boca e me segue.”

— Eu tambĂ©m gosto do estilo dele. — Shihoru sorriu um pouco.

Ela Ă© fofa, Kuzaku pensou, e imediatamente se sentiu culpado por isso.

— SĂł que… — Shihoru olhou para baixo. — Acho que estamos causando muitos problemas para ele. NĂŁo importa como vocĂȘ olhe, Ă© um trabalho que o machuca… Eu gostaria de pelo menos fazer algo para ajudar, mas nĂŁo sei como…

— Fazer algo para ajudar, hein — disse Kuzaku. — Eu nĂŁo sou bem o tipo para isso… mas, quero dizer, o Haruhiro tambĂ©m nĂŁo Ă©, e ele estĂĄ se esforçando ao mĂĄximo. Por todos nĂłs.

— Se ao menos houvesse algo pequeno que pudĂ©ssemos fazer para aliviar um pouco o fardo dele… — disse Shihoru.

Kuzaku cruzou os braços e olhou para cima, fechando os olhos. Parecia algo em que ele realmente deveria pensar. Ou melhor, ele queria refletir seriamente sobre isso. Mesmo que não tivesse uma ideia brilhante de imediato, se mantivesse isso em mente, poderia acabar surgindo com algo eventualmente.

— Ainda assim, Ă© bom se preocupar com essas coisas. Especialmente enquanto se Ă© jovem. Ter tempo de sobra para agonizar sobre essas coisas Ă© um dos privilĂ©gios da juventude.

— Ah, vocĂȘ acha? Faz sentido…

— …HĂŁ? — Shihoru engoliu em seco.

— O quĂȘ? — Os olhos de Kuzaku se arregalaram.

— Hm?

Tem alguĂ©m aqui…? Kuzaku pensou.

Era obviamente alguém além de Kuzaku e Shihoru. Além disso, não era Haruhiro, nem Yume, nem Ranta, nem Mary.

Aquele homem estava agachado logo do lado de fora da saída onde Kuzaku e Shihoru estavam, abraçando sua espada embainhada. Ele usava óculos, ou melhor, um tipo de óculos de proteção, então era difícil dizer como era seu rosto. Seu cabelo estava repartido no meio, e o rosto coberto de barba por fazer. Ele não parecia muito jovem.

Kuzaku achava que ele provavelmente era humano, mas usava um casaco um pouco comprido amarrado na cintura, junto com algo como calças de montaria, então ele parecia bem diferente das pessoas que viviam em Altana.

— Oh, me desculpem — disse o homem de Ăłculos de proteção, levantando uma das mĂŁos e sorrindo. — NĂŁo queria escutar a conversa, mas vocĂȘs nĂŁo perceberam minha presença. Achei que seria errado ficar quieto, entĂŁo decidi me inserir sutilmente na conversa de vocĂȘs.

— NĂŁo… — Kuzaku apressadamente colocou Shihoru atrĂĄs de si, posicionando a mĂŁo no cabo da sua espada negra. — Isso nĂŁo foi nada sutil, sabe? E claro, eu nem sei quem vocĂȘ Ă©.

— De fato, vocĂȘ tem razĂŁo — o homem de Ăłculos de proteção coçou a cabeça e franziu o cenho. — EntĂŁo permita-me dizer o seguinte: se eu tivesse intenção de machucar vocĂȘs, jĂĄ teria feito. NĂŁo quero zombar de vocĂȘ, mas vocĂȘ estava completamente desprotegido. Mesmo com minhas habilidades medĂ­ocres, eu poderia ter acabado com vocĂȘ facilmente.

Kuzaku teve que admitir que ele estava certo. Ele estava tão absorto na conversa que não prestou atenção suficiente. E, além disso, ele estava ali para proteger Shihoru. Que patético.

Ainda assim, se fosse para lutarem de frente, era questionåvel se ele poderia vencer aquele homem. Kuzaku ainda não havia sacado sua espada. Ele não conseguia. Deixando a razão de lado, ele sentia isso. Se ele sacasse sua arma, estaria em sérios apuros.

— Somos soldados voluntĂĄrios de Altana — disse Kuzaku. — Isso significa algo para vocĂȘ? Como explicação?

— Certamente — respondeu o homem. — VocĂȘs sĂŁo soldados voluntĂĄrios do ExĂ©rcito da Fronteira de Arabakia, certo? Eu os conheço. Tenho conhecidos que tambĂ©m sĂŁo soldados voluntĂĄrios.

— Eu sou Kuzaku — disse Kuzaku. Shihoru, em voz baixa, completou: — Eu sou Shihoru…

— Sou Katsuharu — o homem levantou os Ăłculos de proteção atĂ© a testa, semicerrando os olhos. — Se eu disser que sou da vila, vocĂȘs entenderiam o que quero dizer? NĂłs simplesmente chamamos de “a vila”, mas os forasteiros se referem a ela como a Vila Oculta.

— …A Vila Oculta — sussurrou Shihoru, parecendo ter uma ideia do que ele estava falando.

Kuzaku sentiu como se jĂĄ tivesse ouvido falar disso antes, ou talvez nĂŁo, ele nĂŁo tinha certeza, mas podia perceber que era um lugar onde humanos como Katsuharu viviam, pelo menos.

O que significava isso?

— Huh? O que isso quer dizer? — Kuzaku inclinou a cabeça para o lado. — NĂŁo entendi muito bem…

— Significa que nĂŁo somos inimigos — disse Shihoru. — O Reino de Arabakia, ao qual Altana pertence, e a Vila Oculta nĂŁo sĂŁo hostis entre si — explicou Shihoru em um sussurro. — Embora tambĂ©m nĂŁo sejamos exatamente amigĂĄveis… Como o nome sugere, nĂŁo sabemos exatamente onde fica a Vila Oculta…

— EntĂŁo Ă© por isso que ela Ă© oculta? — perguntou Kuzaku. — Hum… EntĂŁo, Katsuharu-san Ă© de lĂĄ e… o que isso significa? Huh…

— VocĂȘs dois sĂŁo tĂŁo tranquilos. Isso Ă© bom — Katsuharu sentou-se no chĂŁo e coçou o nariz. Ele havia dito que Kuzaku e Shihoru eram despreocupados, mas ele mesmo transmitia uma atmosfera bastante relaxada. No entanto, ainda parecia que ele poderia sacar sua espada a qualquer momento. Ele era um homem misterioso. — Dito isso, acho um pouco estranho encontrar dois soldados voluntĂĄrios em um lugar como este. Poderia ser que vocĂȘs dois acabaram de voltar do mundo alĂ©m daquele buraco?

— …VocĂȘ sabe sobre Darunggar? — Shihoru perguntou hesitante.

— O nome Darunggar nĂŁo me Ă© familiar — disse Katsuharu. — No entanto, alguns na vila sabem que aquele buraco leva a outro mundo. Este lugar, Vale dos Mil, Ă© como nosso quintal, sabem?

— Vale dos Mil… — Kuzaku olhou para a nĂ©voa que cobria a ĂĄrea. De repente, teve uma realização. — Espere, se este Ă© o seu quintal, vocĂȘ conhece os caminhos daqui? Certo? O caminho para Altana tambĂ©m?

— Certamente. Já fiz várias viagens para Altana, afinal.

— EntĂŁo vocĂȘ poderia nos mostrar o caminho! — exclamou Kuzaku. — Ah, nĂŁo, sei que nĂŁo deveria pedir um favor assim do nada. VocĂȘ nĂŁo tem nenhuma obrigação de nos ajudar.

— Como vocĂȘ disse, nĂŁo tenho obrigação nenhuma — Katsuharu respondeu. — Pelo menos por enquanto. Acabamos de nos conhecer, afinal. No entanto, sinto que nosso encontro aqui tem um certo destino, e, uma vez que nos conhecermos melhor, talvez eu me sinta inclinado a ajudar.

— O que quer dizer com isso…? — Kuzaku perguntou.

— Talvez eu tenha sido muito indireto — Katsuharu bateu a mĂŁo na prĂłpria cabeça. — A verdade Ă© que estou procurando por alguĂ©m. VocĂȘs poderiam me ajudar? Quando eu terminar meu negĂłcio, eu os levarei para a vila. Devem estar exaustos da viagem, nĂŁo? Por que nĂŁo descansam na vila?

— …Acho que ele Ă© meio suspeito — sussurrou Shihoru no ouvido de Kuzaku. — Ele nĂŁo estĂĄ sendo generoso demais, considerando que nĂŁo nos deve nada? AlĂ©m disso, se ele nos mostrar o caminho, vamos descobrir onde a vila fica…

— Estou ouvindo vocĂȘs — Katsuharu puxou o lĂłbulo da orelha e sorriu com ironia. — Tenho uma boa audição, sabem? Bom, acho que essa cautela de vocĂȘs Ă© justificada. No entanto, estĂŁo entendendo uma coisa errado.

SerĂĄ que podiam confiar nele? Kuzaku nĂŁo conseguia decidir.

— …O que estamos entendendo errado? — ele perguntou cauteloso.

— SĂŁo os forasteiros que chamam de Vila Oculta, nĂŁo nĂłs. Eu jĂĄ disse isso, nĂŁo? Relocamos a vila todo ano, Ă s vezes mais de uma vez no mesmo ano. A maioria das vilas, bem, nĂŁo aceita muito bem estranhos, digamos assim, mas nĂŁo Ă© como se os portĂ”es estivessem fechados para forasteiros. Na verdade, vocĂȘs jĂĄ devem ter ouvido falar do soldado voluntĂĄrio chamado Soma, certo? Ele foi reconhecido como samurai pelas quatro casas samurais.

— Sim… — disse Kuzaku. — Tecnicamente, somos camaradas do Soma-san…? Quer dizer, estamos no mesmo clĂŁ.

— Oh, Ă© mesmo? EntĂŁo devem ser bem habilidosos.

Kuzaku e Shihoru trocaram olhares, sem saber o que responder.

Enquanto Kuzaku ainda estava confuso sobre o que fazer, Shihoru falou. — Quem dera isso fosse verdade. Ainda temos um longo caminho pela frente.

— Como Ă© humilde da sua parte dizer isso — Katsuharu sorriu.

De alguma forma, ele havia percebido completamente o nível de habilidade deles e os estava provocando com base nisso. Mas não parecia maldoso, e eles realmente eram inexperientes, então Kuzaku não conseguia se irritar com ele por isso. Kuzaku consultou Shihoru em um sussurro, sabendo muito bem que Katsuharu ouviria, e então decidiu contar a situação a ele.

— Katsuharu-san, temos mais pessoas com a gente — disse Kuzaku. — São quatro ao todo. Dois saíram para fazer reconhecimento mais cedo, e os outros dois foram procurá-los quando eles não voltaram. Então, ficamos aqui esperando.

— Nesse caso… — a expressĂŁo de Katsuharu escureceu um pouco. — Pode ser que seus amigos jĂĄ estejam envolvidos em algo.

— O que isso quer dizer? — Kuzaku perguntou.

— Por onde começo? Para simplificar, hĂĄ problemas acontecendo. Minha adorĂĄvel sobrinha foi envolvida nisso, entĂŁo nĂŁo posso ignorar. Ela Ă© quem estou procurando. Ahhh, que grande incĂŽmodo — Katsuharu abaixou os Ăłculos de proteção, ajustou-os e entĂŁo se levantou. — VocĂȘs dois venham comigo. Vou explicar mais no caminho. Ou preferem ficar e esperar por seus companheiros? De qualquer forma, eu estarei indo.

— …Talvez devĂȘssemos ir com ele — disse Shihoru.

Se ela achava isso—bem, na verdade, Kuzaku não conseguia tomar uma decisão, então não podia discordar.

Katsuharu seguiu na frente, claro, com Shihoru e Kuzaku logo atrås enquanto avançavam pela névoa. Estranhamente, era fåcil caminhar. Katsuharu parecia escolher os lugares com o melhor piso. Ele havia dito que aquele lugar era como seu quintal, e ficou claro que ele não estava apenas falando por falar.

— Uh, Katsuharu-san — disse Kuzaku. — Agora que pensei nisso, ouvi algo que parecia uivos de lobos.

— Certamente sĂŁo as feras de Forgan — Katsuharu nĂŁo olhava ao redor. Apenas caminhava numa Ășnica direção.

— Isso Ă© um problema? — perguntou Kuzaku.

— Tem um sujeito chamado Jumbo, sabe? Forgan Ă© a facção que ele lidera.

— Hã? O que uma facção de orcs tem a ver com essas feras? — Kuzaku perguntou.

— Abaixe a voz — Katsuharu se agachou e colocou a mão no cabo de sua espada.

Shihoru abaixou a cabeça e prendeu a respiração. Parecia que Kuzaku também deveria se preparar e ficar parado.

Nos prĂłximos dois ou trĂȘs minutos, ele ficou ali, sem se mexer. Ficava cada vez mais difĂ­cil. Mas, no caso de Kuzaku, se ele se movesse descuidadamente, seu equipamento com certeza faria barulho. AtĂ© que alguĂ©m dissesse que estava tudo bem, ele teria que aguentar.

SerĂĄ que jĂĄ podemos ir? Ele se perguntou.

Em vez de pensar nessas coisas, ele deveria estar vasculhando a ĂĄrea e pensando no que faria se algo acontecesse, assim como no que deveria fazer.

Estou levando isso muito na brincadeira. Preciso refletir sobre isso. Se continuar assim, nunca vou alcançar Haruhiro e os outros. Mas nĂŁo consigo ver nada atravĂ©s da nĂ©voa, nĂŁo ouço nada, e se os inimigos atacarem, tudo o que poderei fazer serĂĄ proteger Shihoru, entĂŁo… jĂĄ podemos ir?

— Houve um nyaa — Katsuharu disse em voz baixa.

— …Um nyaa? — Shihoru perguntou.

— Sim. VocĂȘs nunca ouviram falar deles? SĂŁo animais. Um nyaa selvagem raramente se mostra para as pessoas. Os espiĂ”es onmitsu da vila os criam, mas aquele nĂŁo era um deles. Provavelmente era um dos nyaas treinados de Forgan.

Quanto mais ele ouvia, mais engraçada a palavra soava. Nyaa. Era muito fofa. Como se fosse um nyaa de estimação. Não, não era hora de rir. Provavelmente era algo sério. Kuzaku pigarreou.

— Mas nĂŁo vejo nada que pareça com isso, e tambĂ©m nĂŁo sinto nada — ele disse.

— Foi fraco, mas ouvi um leve miado antes — Katsuharu explicou. — Foi um nyaa. Já se foi agora. Não parece ter nos notado. Vamos seguir em frente rapidamente.

Se Katsuharu diz isso, entĂŁo deve ser assim, pensou Kuzaku. É realmente relaxante apenas fazer o que alguĂ©m te diz. Obviamente, tambĂ©m Ă© mais fĂĄcil. Ter que pensar por si mesmo, isso Ă© difĂ­cil. Haruhiro Ă© incrĂ­vel, sĂ©rio.

Honestamente, quando percebeu que estava fazendo tudo o que Katsuharu mandava, ficou um pouco exasperado consigo mesmo por se acostumar tão råpido com aquela situação.

— Parece que sou um cachorro — Kuzaku murmurou.

— Verdade — Shihoru, que estava Ă  frente dele, riu. — VocĂȘ tem um ar de cachorro, Kuzaku-kun.

— Oh, vocĂȘ ouviu isso? Huh. Eu realmente pareço um cachorro? Hmmm. Bem, acho que nĂŁo sou do tipo felino. VocĂȘ prefere cachorros ou gatos, Shihoru-san?

— …Acho que prefiro cachorros.

— Oh? SĂ©rio?

— HĂŁ…? Ah, n-nĂŁo tem nada a ver com vocĂȘ parecer um cachorro…

— Nah, nĂŁo vou entender errado, pode ficar tranquila — Kuzaku disse. — Aposto que vocĂȘ nem me vĂȘ como um homem. Quero dizer, tenho certeza de que todas as garotas da nossa party pensam assim…

— …Eu nĂŁo diria isso — Shihoru respondeu.

— NĂŁo, tenho certeza disso. Tipo, considerando como as coisas foram… NĂŁo, nĂŁo deveria falar assim.

— Como as coisas foram…? Agora fiquei curiosa.

— Sim, acho que vocĂȘ ficaria — Kuzaku disse. — Se eu contar, vocĂȘ pode manter em segredo? VocĂȘ guardaria, nĂ©? …Bom, vocĂȘ sabe como Ă©. Confessei meus sentimentos para a Mary e levei um fora.

— Eu imaginava — disse Shihoru.

— Urgh. VocĂȘ tinha notado…?

— Só vagamente.

— Bem, isso Ă© constrangedor. Mas a verdade Ă© que nĂŁo tem o que fazer. No final, decidimos continuar apenas amigos.

— Isso Ă© difĂ­cil, nĂ©. — Shihoru assentiu. — Saber o quĂŁo perto vocĂȘ pode chegar das pessoas. Mary Ă© do tipo sĂ©ria, muito organizada, afinal.

— JĂĄ superei isso. Estou tentando deixar para trĂĄs. Mas estou preocupado com Mary. Quero dizer, quem estĂĄ com ela Ă© o Ranta-kun…

— Quando ouço vocĂȘs dois conversando — Katsuharu disse, rindo e fingindo se coçar todo —, me sinto todo arrepiado.

— D-Desculpa… — Shihoru encolheu a cabeça no corpo.

— NĂŁo Ă© nada para se desculpar — Katsuharu disse. — Eu era assim tambĂ©m, antigamente. Faz tempo, mas isso traz as memĂłrias de volta. Deixando isso de lado…

Katsuharu parou. Ele se agachou e tocou o chĂŁo.

— Parece que algo aconteceu aqui. Essas pegadas sĂŁo provavelmente humanas. De duas, talvez trĂȘs pessoas. Eu diria que sĂŁo duas. Essas duas pessoas provavelmente foram cercadas por uma matilha de lobos, e depois… nĂŁo hĂĄ sinais de luta. Os dois seguiram sozinhos depois disso. Foram em direção ao sudoeste. Espero que consigamos seguir o caminho…


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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