Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 13 â Volume 8
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 13:
[NĂŁo Decida Fazer Algo; Comprometa-Se a FazĂȘ-Lo]
Quando o amanhecer chegou, a vila estava envolta em uma nĂ©voa matinal. A espessura dessa nĂ©voa definitivamente nĂŁo era normal. Estava tĂŁo densa que vocĂȘ nĂŁo conseguia ver sua prĂłpria mĂŁo estendida.
Haruhiro pensou que talvez, com o amanhecer, ele teria uma visão de toda a vila. Sem chance. Ele não conseguia nem distinguir o abrigo de Katsuharu, que estava bem ao lado dele, e só percebeu a presença de Rock quando o cara deu-lhe um chute nas costas.
â Vamos, Haruhiro. Acompanhe.
â …HĂŁ? Pra onde?
â VocĂȘs querem salvar sua companheira que foi levada por Forgan, certo? NĂłs queremos derrotar Arnold. NĂŁo posso dizer que nossos interesses estĂŁo perfeitamente alinhados, mas seria impossĂvel vocĂȘs resgatarem ela sozinhos. Precisamos de toda a ajuda que pudermos obter. EntĂŁo, cooperem conosco. Se fizerem isso, vamos ajudĂĄ-los tambĂ©m.
Haruhiro não tinha objeçÔes. Era exatamente o que ele queria ouvir, mas Arara ainda não tinha voltado, e ele não ouvira nada sobre eles terem decidido o que fazer com ela, então o que eles iam fazer?
Disseram que, por enquanto, apenas Haruhiro precisava ir, entĂŁo ele seguiu com Rock, que carregava Gettsu no ombro, Moyugi, o cavaleiro das trevas mais forte em atividade, Tsuga, o sacerdote de cabelo raspado, e Katsuharu, formando um grupo de cinco pessoas e um animal, abrindo caminho por uma nĂ©voa tĂŁo densa que nĂŁo conseguiam enxergar mais do que alguns centĂmetros Ă frente.
Havia muitas variaçÔes de elevação dentro da vila. O chĂŁo estava bem marcado, como uma trilha de caça, mas mal podiam ver os edifĂcios atravĂ©s da nĂ©voa, e nĂŁo havia sinal de nenhuma pessoa.
No entanto, Haruhiro logo começou a sentir algum tipo de presença. Provavelmente eram os nyaas. Aqueles seres parecidos com gatos e macacos os observavam de além da névoa. E não eram apenas um ou dois; havia muitos mais.
A razĂŁo para isso logo se tornou clara. Os instintos de Haruhiro estavam corretos. O edifĂcio era duas vezes mais alto que o abrigo de Katsuharu, com mais de trĂȘs vezes a largura e a profundidade.
Havia peles presas nas paredes e no telhado. E tambĂ©m nyaas. Nyaas nas janelas, do lado de fora e no telhado. Nyaas por toda parte. Um nĂșmero inacreditĂĄvel deles. Todos os nyaas os observavam atentamente. Era bastante assustador.
â E-Essa Ă©… a casa dos nyaas… ou algo assim? â gaguejou Haruhiro.
â Esta Ă© a morada de alguĂ©m chamado Setora, da Casa de Shuro â respondeu Katsuharu. â VocĂȘs esperem aqui. Se entrarem sem permissĂŁo, nĂŁo hĂĄ como prever o que pode acontecer. Vou explicar o motivo da nossa visita.
â Vamos ter que ver como as coisas vĂŁo acontecer, nĂ©? â Rock estava sorrindo.
Moyugi pressionou o dedo médio da mão direita contra a ponte dos óculos, sem dizer uma palavra. Na verdade, ele mal havia falado a manhã toda. Parecia estar de mau humor, e não estava escondendo isso.
â Ele sempre fica assim quando acorda â Tsuga sussurrou no ouvido de Haruhiro. â Por todas as coisas presunçosas que diz, ele Ă© bem infantil, nĂ©?
â Tsuga â disse Moyugi com uma voz ameaçadora. â Estou ouvindo vocĂȘ perfeitamente.
â Imagino que sim â respondeu Tsuga, como se nĂŁo fosse nada. â Falei pra vocĂȘ ouvir. Se nĂŁo, estaria falando pelas suas costas.
Moyugi estalou a lĂngua, e Rock deu uma risada alta.
Katsuharu se aproximou da casa de Shuro Setora, que, na verdade, nĂŁo era a casa dos nyaas. Imediatamente, todos os olhos dos nyaas se voltaram para Katsuharu.
Se Haruhiro fosse o centro das atençÔes daquele jeito, ele provavelmente pararia de se mover, sem querer. Mas Katsuharu continuou como se não se importasse. No entanto, ele não chegou até a porta. Antes que pudesse, a porta se abriu por dentro, e alguém saiu.
Ă… um humano?, Haruhiro percebeu. Esse Ă© Shuro Setora?
Nenhuma parte da pele do homem estava exposta, inclusive o rosto. O rosto dele estava completamente coberto com um tecido, ou couro, em tons escarlate e Ăndigo, ou algum outro material.
Ele tinha mais ou menos a mesma altura que Haruhiro, talvez. Mas parecia grande. Na verdade, ele era grande. Quanto ao que era grande nele, eram seus braços. Seus braços não eram apenas longos; eram grossos.
Além disso, os braços dele estavam envolvidos em algo que parecia armadura de metal.
Afinal, o que era Shuro Setora?
â Oh â disse Katsuharu, dando um passo para trĂĄs. â Enba, hein.
Aparentemente, aquele nĂŁo era Shuro Setora. Enba permaneceu em silĂȘncio, virando a cabeça duas vezes para a direita, depois trĂȘs para a esquerda.
Isso Ă© meio assustador, sabia? Pensou Haruhiro.
â Enba. â Katsuharu deu mais meio passo para trĂĄs. â A verdade Ă© que eu tenho algo importante para discutir com Setora.
â Algo para discutir comigo, vocĂȘ diz? â perguntou outra pessoa, enfiando a cabeça para fora de uma janela no segundo andar.
Essa pessoa tambĂ©m tinha a pele coberta com tecido escarlate e Ăndigo e outros materiais. Mas, em sua vestimenta, havia uma grande abertura para os olhos, de onde dois olhos os observavam.
â O que Ă©, andarilho? â perguntou Setora. Julgando pela voz, ela era uma mulher. â Nada Ăștil, tenho certeza.
â Que maneira de me cumprimentar, Setora â retrucou Katsuharu. â Depois de todo o tempo que passei brincando com vocĂȘ quando era apenas uma garotinha.
â Isso sĂł significa que vocĂȘ era um inĂștil com tempo demais nas mĂŁos naquela Ă©poca. Nenhuma pessoa respeitĂĄvel perde seu tempo brincando com pirralhos.
â De fato. NĂŁo tenho o que dizer quanto a isso.
â Setora â chamou Rock. O quĂȘ, ele jĂĄ estava dispensando as formalidades? â Tenho um favor a te pedir.
â Recuso. â Setora puxou a cabeça para dentro novamente.
â VocĂȘ Ă© sempre tĂŁo rude, Rock â disse Moyugi com desdĂ©m, suspirando, enquanto passava os dedos pelos cabelos e olhava para a janela. â E vocĂȘ, bela jovem aĂ em cima. Poderia nos agraciar mais uma vez com um vislumbre da sua formosa aparĂȘncia? Mesmo que sĂł por um momento. Permita-me oferecer um poema exaltando sua grandeza.
Nossa, que papo estranho, pensou Haruhiro. Era até meio assustador. Mas, para a surpresa de todas as surpresas, depois de um momento, Setora colocou a cabeça para fora da janela novamente.
â O que hĂĄ com esse forasteiro? â perguntou ela. â O cĂ©rebro dele estĂĄ cheio de vermes?
â Viu? Consegui chamar a atenção dela â murmurou Moyugi, entĂŁo virou-se para Setora com um sorriso. â Shuro Setora, eu sou Moyugi, o mais forte dos cavaleiros das trevas em atividade, aqui sĂł para vĂȘ-la.
â Que sujeito bizarro â murmurou ela.
â Prefere os comuns? â perguntou Moyugi. â NĂŁo parece.
â Enba, elimine-o.
Antes que Haruhiro tivesse tempo de reagir, Enba avançou contra Moyugi. Se aqueles braços o acertassem, com certeza ele morreria na hora. No entanto, Moyugi parecia ter previsto isso, desviando do braço direito de Enba com um movimento suave.
Quando Enba seguiu com um golpe de seu braço esquerdo, Rock entrou em ação. Ele passou pelo braço esquerdo de Enba, chegando perto, e justo quando Haruhiro se perguntava o que ele faria… inacreditavelmente, Rock envolveu o torso de Enba com os braços. EntĂŁo, ele se firmou e levantou Enba.
â Ooraaah…! â gritou Rock.
Ele o arremessou. Enba talvez não fosse tão massivo, mas ainda era bem mais alto que o pequeno Rock. E, pela espessura de seu corpo, deveria pesar mais que o dobro de Rock. Ainda assim, Rock conseguiu jogå-lo com facilidade. Que força bruta impressionante ele tinha.
Enba se preparou para a queda e logo se levantou novamente.
Quando Enba avançou para atacar Rock de novo, Setora gritou: â Pare! Enba, do jeito que estĂĄ, ele vai acabar quebrando vocĂȘ. Me perdoe por nĂŁo ter capacidade de fortalecĂȘ-lo mais.
â NĂŁo se preocupe, eu nĂŁo ia quebrĂĄ-lo mesmo â disse Rock, lançando-lhe um sorriso, enquanto Gettsu subia em seu ombro. â Esse Ă© um daqueles golems, nĂ©? Igual ao Zenmai do Pingo.
â …Pingo â respondeu Setora. â SĂŁo conhecidos de Soma, Ă©?
â Estamos no clĂŁ dele. Sabe o que Ă© um clĂŁ?
â NĂŁo, mas posso imaginar. Enba, me pegue.
Assim que Setora disse isso, Enba correu até abaixo da janela. Setora fez um salto ågil para fora da janela, pousando no ombro esquerdo de Enba.
â Vou me dignar a ouvir o que tĂȘm a dizer. Mas primeiro, quero saber uma coisa. Isso tem a ver com Arara?
Setora e Arara, que eram amigas de infùncia, apresentavam idades bastante similares. Setora era a terceira filha de uma das seis casas, a Casa de Shuro, conhecida por sua tradição em necromancia. Por sua vez, Arara era a filha mais velha da Casa de Nigi, a mais prestigiada das quatro casas samurais.
Apesar disso, enquanto Arara era a herdeira de sua casa, Setora tinha duas irmãs mais velhas e não era. Além disso, apesar de ter nascido em uma casa que praticava necromancia, ela se dedicou às habilidades dos onmitsu. Como era evidente pelo que se via por ali, o foco eram os nyaas. Ela havia se apaixonado completamente pelos nyaas, que eram criados principalmente pelos espiÔes onmitsu da vila.
Embora ainda fizesse golems de carne como necromante, a maior parte de sua paixĂŁo era criar e reproduzir nyaas, o que fazia com que Setora fosse vista como um incĂŽmodo e uma vergonha para a respeitĂĄvel Casa de Shuro.
Haruhiro poderia pensar algo como: Bem, qual é o problema?, mas eles provavelmente tinham suas próprias tradiçÔes, seu senso comum, seus padrÔes e uma série de outras coisas a considerar.
Uma era a herdeira da Casa de Nigi; a outra, uma vergonha para a Casa de Shuro. Isso fazia de Arara e Setora um par contrastante, em outros tempos. No entanto, isso nĂŁo significava necessariamente que as duas se distanciaram.
â Que tola Arara foi, apaixonando-se por um fraco como Tatsuru â comentou Setora. â Ainda assim, sempre tive a sensação de que ela iria se desviar em algum momento. Se fosse o tipo de mulher que poderia ficar quieta e herdar a Casa de Nigi, ela jamais teria se interessado por mim.
â Eu tambĂ©m estava errado â disse Katsuharu, encolhendo os ombros. â Deveria ter continuado como um andarilho e nĂŁo me envolvido com Arara. Talvez tenha sido uma mĂĄ influĂȘncia para ela.
â Pode dizer isso de novo, andarilho â disse Setora com desprezo. â VocĂȘ Ă© a raiz de todos os males.
â Isso foi bem cruel. Estou tentando refletir sobre minhas açÔes, sabia?
â JĂĄ Ă© tarde demais. Se ela resolver enfrentar pessoalmente Forgan e isso acabar trazendo problemas para a vila, nĂŁo vĂŁo se contentar em apenas trancĂĄ-la em uma caverna. Ă bem possĂvel que cortem seu cabelo e a expulsem.
â Cortar o cabelo… â Os olhos de Rock se arregalaram. â Espera, quĂŁo curto estamos falando aqui?! Eles nĂŁo vĂŁo raspar a cabeça dela, vĂŁo?!
â Eu diria assim, mais ou menos â respondeu Katsuharu, apontando para os ombros. â Quando as mulheres da vila completam seis anos, elas deixam o cabelo crescer. Isso significa que uma mulher de cabelo curto nĂŁo Ă© mais membro da vila.
â …Tipo um corte chanel, nĂ©? â Rock assentiu. â Isso cairia bem nela. Bem, qualquer coisa fica boa em Arara.
Deixando isso de lado, o que estavam fazendo, visitando Setora, a necromante que lidava com nyaas, em uma situação em que isso poderia acontecer com Arara? Haruhiro jå havia praticamente entendido. Era exatamente o que ele tinha imaginado.
â Mas eu nĂŁo esperava que envolvesse cortar o cabelo â comentou Rock. â Ser deserdada e expulsa era algo que jĂĄ esperĂĄvamos. De qualquer forma, ainda queremos vingar Tatsuru. Preciso da sua ajuda para isso, Setora. Forgan tem um goblin mestre das bestas chamado Onsa, e ele estĂĄ criando vĂĄrios nyaas, sabe? Temos que combater nyaas com nyaas. NĂŁo posso pedir ajuda a mais ninguĂ©m para isso.
Era verdade, essas criaturas nyaa eram um problema. Ainda nĂŁo estava claro o quĂŁo eficazes eram em combate, mas pareciam extremamente ĂĄgeis, podiam se esconder e se mover silenciosamente. Sem dĂșvida, tinham sido treinadas para alertar seu treinador caso detectassem inimigos. Isso significava que poderiam ser posicionadas em uma rede de vigilĂąncia. Se o oponente operava uma rede de segurança com nyaas, nĂŁo restava outra opção a nĂŁo ser tentar romper com força.
Isso significava que, mesmo que encontrassem onde Forgan estava, localizar a posição exata de Arnold ainda seria difĂcil. O mesmo valia para encontrar onde Mary estava sendo mantida presa. Obviamente, seria praticamente impossĂvel resgatar Mary em silĂȘncio.
â Quantos nyaas Forgan tem? â A expressĂŁo de Setora era totalmente indecifrĂĄvel, e seu tom brusco mal mudou.
â Talvez uns dez, talvez vinte… â Rock levantou as duas mĂŁos, inclinando a cabeça. â NĂŁo faço ideia.
â Tenho um total de cento e vinte e quatro nyaas. Desses, oitenta e dois sĂŁo utilizĂĄveis.
â Eu diria que o inimigo tem, no mĂĄximo, uns trinta â estimou Katsuharu, coçando o queixo. â Mas Ă© sĂł minha intuição, entĂŁo pode nĂŁo ser confiĂĄvel.
â De fato, nĂŁo posso confiar nisso â Setora bufou. â Ainda assim, duvido que tenham o dobro disso. Se for sĂł isso, meus nyaas podem mantĂȘ-los sob controle.
â VocĂȘ faria isso por nĂłs?! â disse Rock, visivelmente animado.
â Eu recuso.
â SĂ©rio? Parecia que estava inclinada a aceitar atĂ© agora.
â Foi coisa da sua cabeça. Para começo de conversa, eu teria algum mĂ©rito em fazer isso? Posso fazer a mesma pergunta a vocĂȘs. Deixando o andarilho de lado, o que vocĂȘs, forasteiros, ganham ajudando Arara em sua vingança inĂștil?
â Eu me apaixonei por ela, tem isso â disse Rock.
â …Como Ă©?
â Eu me apaixonei pela Arara. Se a mulher por quem eu me apaixonei estĂĄ arriscando a vida para conseguir algo, eu tenho que estar disposto a correr um ou dois riscos por ela.
â VocĂȘ acha que, fazendo tudo isso, a mulher em questĂŁo vai se apaixonar por vocĂȘ? EstĂĄ perdendo seu tempo.
â Hein? Por que isso faria a Arara se apaixonar por mim? Mal se passou tempo desde que o Tatsuru morreu. Isso nunca aconteceria.
â Isso estĂĄ ficando cada vez mais sem sentido â bufou Setora. â EntĂŁo, por que estĂĄ fazendo isso?
â Eu jĂĄ disse, Ă© porque me apaixonei por ela. Vou realizar o desejo da mulher que amo. O que acontece depois nĂŁo importa.
â Entendo â retrucou Setora, impaciente. â VocĂȘ Ă© um completo idiota. NĂŁo, todos vocĂȘs devem ser idiotas.
â Eu agradeceria se nĂŁo me colocasse no mesmo saco que ele â disse Moyugi, apontando para Rock. â Esse homem pode ser um tolo, mas de forma alguma eu sou um.
â Isso mesmo. â Rock se esticou um pouco e depois passou o braço em volta do ombro de Moyugi. â Eu posso ser um tolo, mas meus companheiros estĂŁo se divertindo acompanhando. Certo, Moyugi?
â …VocĂȘ poderia me soltar? Odeio ser tocado por outros homens.
â De certo modo, podemos ser ainda piores que o Rock â sorriu Tsuga, de uma maneira tĂŁo tranquila que era atĂ© assustadora.
â De qualquer forma… â Setora suspirou um pouco. â Mesmo que vocĂȘs tenham um motivo, eu nĂŁo tenho nenhum. Se Arara for expulsa da vila, poderĂĄ viver livremente. A vingança Ă© inĂștil. Digam para aquela tola que ela deveria esquecer Tatsuru eâ
â U-Um acordo! â Haruhiro exclamou de repente.
Ele nĂŁo conseguiu evitar abrir a boca.
Haruhiro olhou para Rock, Moyugi, Tsuga e Katsuharu. Nenhum deles parecia disposto a interrompĂȘ-lo. Bem, parecia que estava preso. Teria que terminar o que começou a dizer.
â …Podemos fazer um acordo? â Haruhiro perguntou. â Podemos oferecer algo em troca da sua ajuda. Assim, haveria algo de valor para vocĂȘ.
â Acredita que pode me oferecer o que eu quero? â Setora perguntou, desafiadora.
â Isso… NĂŁo tenho certeza. Dependeria do que Ă©…
â Se eu tivesse que escolher uma palavra para isso, seria material.
â Material… Para o quĂȘ?
â Golens â Setora começou, dando um leve tapinha na cabeça de Enba. â SĂŁo feitos costurando partes de cadĂĄveres. Quanto mais frescos, melhor, dizem. Mas, a verdade Ă© que aparentemente nem precisam vir dos mortos. Nunca tentei isso eu mesma, mas ouvi dizer que hĂĄ mĂ©todos para usar partes de seres vivos.
â …EntĂŁo, basicamente, vocĂȘ estĂĄ dizendo: âMe dĂȘ uma parte do seu corpoâ? â Haruhiro perguntou.
â Um braço. â Setora avaliou o corpo de Haruhiro com olhos frios, como se estivesse examinando uma mercadoria. â NĂŁo. Como Ă© sĂł um experimento, posso te deixar ir sĂł com um dos olhos. Sim, acho que um olho servirĂĄ muito bem. SerĂĄ algo com que eu possa brincar.
â SĂł para vocĂȘ saber â Tsuga explicou calmamente â, se ela levar seu braço ou seu olho, magia de luz nĂŁo poderĂĄ trazer de volta. Nem mesmo um xamĂŁ conseguiria isso.
â Isso Ă© senso comum, nĂŁo Ă©? â Moyugi ajeitou os Ăłculos pressionando a ponte com o dedo mĂ©dio da mĂŁo direita, soltando um leve suspiro. â Parece que nĂŁo temos escolha. Vamos desistir dos nyaas. Nosso objetivo opcional serĂĄ mais difĂcil, mas o principal ainda Ă© viĂĄvel.
â Ă mesmo? â Rock franziu o rosto. â Que pena, hein.
O objetivo opcional. Seria aquilo o que ele imaginava? O objetivo de Haruhiro e sua party: resgatar a Mary.
Bem, Moyugi poderia estar certo. Se conseguissem confundir os nyaas, Haruhiro poderia usar seu Stealth para se infiltrar no território inimigo, resgatar Mary e fugir. Se iam mesmo fazer algo sobre a rede de segurança de nyaas do inimigo, definitivamente precisariam de Setora e seus nyaas.
Haruhiro puxou a faca com guarda-mão. Tentou levå-la até seu próprio olho, mas não tinha confiança de que conseguiria fazer isso direito. Setora estava sentada no ombro de Enba.
â Ah, desculpa. â Haruhiro se aproximou de Enba, oferecendo a adaga com o cabo virado para frente. â VocĂȘ poderia usar isso para fazer? Se eu tentar fazer sozinho e errar, seria um desperdĂcio. Vou me manter o mais imĂłvel possĂvel. Se puder pegar o olho esquerdo, eu agradeceria. Porque sou destro. Se puder fazer bem rĂĄpido, fico grato.
Os olhos de Setora se estreitaram ligeiramente.
â EstĂĄ dizendo que vai aceitar o acordo?
â Sim â disse Haruhiro. â Ah, certo. E, Tsuga-san, quando ela terminar, por favor, cure o ferimento.
â Posso fazer isso. â Tsuga ainda estava sorrindo. O cara claramente havia atingido a iluminação.
â …VocĂȘ estĂĄ bem com isso? â Katsuharu parecia um pouco atordoado.
â NĂŁo estou bem com isso, mas Ă© sĂł um olho, nĂŁo os dois, entĂŁo tudo bem, tanto faz â Haruhiro disse. â A vida de um companheiro estĂĄ em jogo. Quero aumentar nossas chances, mesmo que seja sĂł um pouco. Se eu nĂŁo fizer tudo o que posso e acabar me arrependendo depois, eu nĂŁo iria gostar, entende?
Rock e Moyugi se entreolharam. Devem estar pensando: esse cara Ă© um idiota.
Ele era um idiota? DifĂcil dizer. De qualquer forma, ele havia dito tudo o que tinha para dizer. Havia algo que ele podia fazer para alcançar o objetivo deles. EntĂŁo, ele ia fazer. Haruhiro nĂŁo estava exatamente calmo agora. NĂŁo estava pensando muito sobre isso. Sentia que ficaria com medo se pensasse, entĂŁo estava deliberadamente evitando.
â Guarde essa coisa. â Setora pulou agilmente do ombro de Enba, sacando a lĂąmina fina de sua cintura. â Estou mais acostumada com minha prĂłpria lĂąmina. Tem certeza absoluta disso?
â Vai em frente. â Haruhiro guardou sua faca na bainha e pigarreou. â …EntĂŁo, devo me inclinar? Para ficar na altura certa. Ou devo me agachar?
â Sente-se.
â Certo. Okay entĂŁo…
Haruhiro sentou-se com os joelhos à sua frente. Não estava muito tenso. Nem com medo. Mas isso durou só até Setora se abaixar e abrir seu olho esquerdo com a mão.
Ohhhhhh, merda. Sério? Ela vai fazer isso de verdade? Vai doer? Aposto que vai.
A lĂąmina se aproximou.
Vai logo. Acaba com isso de uma vez.
Haruhiro prendeu a respiração. Logo depois, ela inseriu a lùmina entre seu globo ocular e a órbita do olho. O que sentiu não foi tanto dor, mas uma sensação intensa de que havia algo estranho onde não deveria estar. A dor certamente viria em seguida. Ele estremeceu sem querer. Isso deve ter feito a lùmina cortar alguma coisa. Ouviu um som pequeno, como de algo perfurando, e então veio a dor.
RĂĄpido, rĂĄpido, faz logo, faz logo, ele gritava internamente. Hein? Por quĂȘ?
Setora puxou sua lĂąmina de volta.
â …Pode esperar.
â HĂŁ…? â Haruhiro piscou. Havia uma dor em seu olho esquerdo. As lĂĄgrimas começaram a escorrer.
â VocĂȘ tem coisas a fazer, nĂŁo tem? Posso pegar o material de vocĂȘ quando terminar. â Setora virou-lhe as costas. â Vou cuidar dos nyaas de Forgan. Fique tranquilo. Meus nyaas jamais perderiam.
â Ahh… â Haruhiro fechou bem o olho esquerdo, pressionando-o por cima da pĂĄlpebra. Droga, isso doĂa. â …Obrigado.
â Vou receber meu pagamento. NĂŁo hĂĄ necessidade de agradecimentos. â Com isso, Setora entrou no prĂ©dio junto com Enba.
Tsuga deu um tapinha no ombro de Haruhiro.
â Quer que eu cure isso?
â Por favor…
â Ora, tudo aconteceu exatamente como eu esperava â Moyugi murmurou, triunfante, mas Haruhiro achou que aquilo absolutamente tinha que ser uma mentira.
â Bem, de qualquer forma, deu tudo certo, nĂ©? â Rock piscou para Haruhiro.
Talvez Haruhiro devesse piscar de volta, mas seu olho esquerdo ainda nĂŁo tinha sido curado, entĂŁo nĂŁo tinha certeza se conseguiria, nem queria tentar.
Katsuharu levantou os óculos para o topo da cabeça, cruzando os braços.
â Agora sĂł falta a Arara.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
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