Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 01 â Volume 8
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 01:
[Perdido na neblina]
O caminho era escuro e tortuoso. Ăs vezes, ele se estreitava tanto que parecia que haviam chegado a um beco sem saĂda, e a luz da lanterna iluminava apenas um metro Ă frente. O toque nas paredes de pedra, que ele ocasionalmente tocava, era ĂĄspero e duro, assim como a sensação do chĂŁo sob seus pĂ©s.
Quanto mais avançavam, mais a chama da esperança parecia se apagar, e parecia que até o menor suspiro poderia extingui-la. Mesmo que seguissem em frente com cautela, passo a passo, haveria algum retorno no final?
Essa tinha sido a escolha certa? Ou era um grande erro?
Quando entraram ali, fazia calor, mas agora estava frio hĂĄ algum tempo. O ar era seco, mas, por alguma razĂŁo, ainda cheirava a um pĂąntano.
â Ei, Parupiro… â Ranta começou.
â O que foi, Rantaronosuke?
â Escuta, amigo, nĂŁo ouse adicionar essas bobagens ao meu nome glorioso. Eu vou te matar.
â Se parar de mexer com meu nome, eu penso no caso.
â Eu tenho direitos, Parupirorin, e Ă© bom vocĂȘ nĂŁo pisar neles â disse Ranta, ferozmente. â Espera, pera aĂ, isso realmente estĂĄ certo…?
â EstĂĄ â Haruhiro respondeu imediatamente, entĂŁo mordeu o lĂĄbio inferior.
Ele poderia afirmar isso com certeza? Estava confiante? NĂŁo. NĂŁo havia como ele saber. Ele nĂŁo sabia se aquilo estava certo ou nĂŁo. Como poderia?
Essa passagem conectava Darunggar a Grimgar. Ele tinha alguma evidĂȘncia disso? Sim. A declaração do Sr. Unjo. O Sr. Unjo havia se perdido em um lugar nebuloso na fronteira entre os antigos reinos de Nananka e Ishmal, e depois alcançou Darunggar ao passar por uma caverna que encontrou lĂĄ. Ele era um ex-soldado voluntĂĄrio, com muito mais experiĂȘncia do que Haruhiro e sua party. Era difĂcil imaginar que alguĂ©m assim mentiria para eles. Ele era confiĂĄvel.
Ainda assim, mesmo que ele nĂŁo estivesse mentindo, poderia estar se lembrando errado. E, mesmo que o Sr. Unjo tivesse dito a verdade, que prova eles tinham de que aquela passagem era a caverna em questĂŁo?
Aquilo era mesmo uma passagem? Se nĂŁo fosse… Como poderiam decidir que nĂŁo era?
Se o caminho Ă frente estivesse bloqueado, Haruhiro teria que admitir que aquilo era um erro.
à isso, pensou ele. Não temos escolha a não ser ir até onde isso nos levar.
Mas serĂĄ que isso era verdade?
E se fossem atĂ© o final, e desse em um beco sem saĂda? Talvez fosse melhor desistir em algum momento e voltar enquanto ainda pudessem. Mas onde? Em que ponto? Em que momento?
Isso começou a incomodĂĄ-lo, entĂŁo Haruhiro olhou para cima. Ele ergueu a lanterna. NĂŁo havia teto visĂvel. Era quase como se estivessem em uma fenda profunda e escura.
Ă diferente, pensou ele.
Aquele lugar nĂŁo era como o caminho no Buraco das Maravilhas de Grimgar, que conectava ao Reino do CrepĂșsculo, nem como o que haviam passado a caminho de Darunggar.
Para começar, não havia gremlins. Lala havia falado sobre eles.
Os gremlins tinham a capacidade de atravessar de um mundo para outro, ou o poder de encontrar os lugares onde os mundos se conectavam e escapar por eles.
NĂŁo havia gremlins naquele caminho.
Isso nĂŁo significava que aquele era o lugar errado?
Podia ser.
Ou talvez nĂŁo.
Ele nĂŁo sabia.
Quanto tempo havia passado desde que entraram ali? Sua noção de tempo não estava apenas embaçada; ela praticamente havia desaparecido. Os dias que passaram em Darunggar pareciam uma memória distante, e quando se tratava de Grimgar, ele tinha que se perguntar se realmente haviam estado lå.
SerĂĄ que Grimgar sequer existia? NĂŁo estaria apenas imaginando que existia? NĂŁo havia como voltar para um lugar que ele nem tinha certeza se era real.
Avançar, voltar, era tudo a mesma coisa. Nunca sairiam dali. NĂŁo tinham escolha a nĂŁo ser vagar atĂ© que suas Ășltimas forças se esgotassem.
Como isso estava bem? NĂŁo estava. Haruhiro havia mentido. Ele os enganou. Seus companheiros. E a si mesmo.
Sentia o arrependimento, o Ăłdio por si mesmo, o peso da responsabilidade, a sensação de impotĂȘncia e o desespero, um apĂłs o outro, todos pesando sobre ele ao mesmo tempo. Eles o sufocavam. Faziam-no tropeçar. Como poderia seguir em frente carregando aquele fardo? NĂŁo estava prestes a parar?
Mesmo que todos estivessem lĂĄ, ele se sentia sozinho. A luz iluminava o caminho Ă sua frente, mas ele nĂŁo via nada. Era como se estivesse em plena escuridĂŁo, abandonado e deixado para trĂĄs.
Isso nĂŁo jĂĄ Ă© o suficiente? pensou em desespero. Hora de parar. NĂŁo Ă© justo. Por que sĂł eu estou passando por isso?
Ranta, ele reclama quando quer, entĂŁo Ă© fĂĄcil pra ele. Se vocĂȘ nĂŁo gosta, faça vocĂȘ mesmo, cara. Assuma a responsabilidade. Carregue esse fardo pesado. NĂŁo Ă© como se eu quisesse. Se eu nĂŁo precisasse, nĂŁo faria. NĂŁo estou brincando. JĂĄ tive o bastante. NĂŁo importa quem, eu sĂł quero que alguĂ©m assuma.
â TĂĄ tudo bem pra vocĂȘ? â uma voz disse.
Haruhiro ouviu a voz, entĂŁo se virou. Seus olhos encontraram os de Mary.
â O que houve? â ela perguntou.
â Agora hĂĄ pouco… â ele começou a perguntar, mas parou.
Ninguém havia dito nada. Tudo estava em sua cabeça. Ele tinha ouvido uma voz onde não havia nenhuma. Claro. Não havia como ter ouvido aquela voz.
Afinal… era a voz de Manato.
Manato se foi. Ele nĂŁo estava em lugar algum agora, exceto nas memĂłrias de Haruhiro e dos outros.
Mas e se Manato o perguntasse?
TĂĄ tudo bem pra vocĂȘ?
Se Manato o confrontasse com essa pergunta, como Haruhiro responderia? Se Manato pudesse perguntar, talvez Haruhiro quisesse pedir ajuda a ele.
Por favor. Eu estou implorando, volte.
Manato provavelmente lhe daria um sorriso levemente incomodado, entĂŁo diria: âMesmo que eu quisesse assumir para vocĂȘ, eu nĂŁo posso. VocĂȘ sabe disso, Haruhiro.â
Uma voz fantasmagĂłrica falou novamente.
â Eu nĂŁo sou muito de falar, mas…
Isso era estranho.
Muito estranho.
Ele podia até ouvir a voz de Moguzo.
â Se vocĂȘ realmente nĂŁo quer… se estĂĄ sendo difĂcil para vocĂȘ… acho que pode desistir, â disse Moguzo. â Se conversar com eles, todos vĂŁo entender. Mas…
â Haruhiro, tĂĄ tudo bem pra vocĂȘ? â Manato perguntou novamente.
â Se vocĂȘ estĂĄ cansado… â Ao ouvir a voz de Shihoru, Haruhiro pensou que talvez ainda estivesse sĂŁo. Seus pĂ©s ainda se moviam.
â NĂŁo, nĂŁo estou cansado. â Haruhiro balançou a cabeça levemente, mas entĂŁo pensou, E os outros?
Parecia que ele ainda estava raciocinando.
TĂĄ tudo bem pra mim? se perguntou. Eu nĂŁo sei. Talvez nĂŁo. O que os outros pensam?
Bem, mesmo que eu de repente dissesse: âEu cansei de ser o lĂder. AlguĂ©m mais faça isso,â eles nĂŁo saberiam o que fazer. Seria como, âVai lĂĄ, sĂł faz.â
Bem, eu ainda vou continuar. Eu sei que ninguém mais quer. Então, por enquanto, eu vou fazer isso. Não importa o que aconteça, não venham chorando pra mim, tå bom?
Se as coisas dessem muito errado, o restante tambĂ©m teria culpa por fazer um cara como ele ser o lĂder por tanto tempo. NĂŁo seria sĂł culpa do lĂder. Haruhiro nĂŁo estava sozinho. Mesmo que ele cometesse erros como lĂder, ainda seria culpa de todos.
â Ă assim que vocĂȘ se sente de verdade? â perguntou Moguzo.
Ă isso mesmo, Moguzo, pensou Haruhiro. Tenho certeza de que nĂŁo sou melhor do que isso.
Haruhiro nĂŁo tinha determinação. Mesmo com o tempo que havia passado desde que Manato partira, ele tinha tido mais do que tempo suficiente para se acostumar a ser o lĂder, mas nem sequer estava ciente de quĂŁo despreparado era. Ele ia com o fluxo, pressionado pela necessidade, e de alguma forma conseguiu lidar com todas as tarefas que surgiram atĂ© entĂŁo. Era sĂł isso.
Manato era diferente. Ele sĂł pĂŽde estar com eles por um curto perĂodo, mas parecia que, se eles seguissem Manato, poderiam chegar a algum lugar. Parecia que Manato os levaria a um lugar melhor. Parecia que Manato os guiaria.
â NĂłs nos tornamos uma boa party, â Manato havia dito uma vez.
Pensando nisso agora, Manato tinha enxergado algo na época. Algum tipo de caminho que deveriam seguir. Manato tinha uma visão para o futuro. Ele estava à frente, olhando mais longe do que qualquer outra pessoa, com os olhos voltados para cima.
Haruhiro nĂŁo via nada. Ele nem sequer tentava olhar. NĂŁo conseguia pensar no que estava por vir. Como seriam as coisas amanhĂŁ… nĂŁo, ainda hoje? O que ia acontecer?
Essa era uma pergunta que Haruhiro não sabia responder. Não, não só Haruhiro; ninguém sabia.
Ele não queria se permitir ter esperanças.
Ele não queria ter esperança.
Ele nĂŁo queria se decepcionar.
Ele nĂŁo queria se machucar.
Seus objetivos eram sempre baixos. Ele apenas desejava as coisas que achava que podia conseguir. Se nĂŁo desse certo, paciĂȘncia. Ele poderia simplesmente abandonar a responsabilidade no Ășltimo momento. Que outra escolha ele tinha? Ele nĂŁo era feito para isso.
â EstĂĄ tudo bem para vocĂȘ? â Manato perguntou mais uma vez.
NĂŁo.
NĂŁo. NĂŁo era isso.
Manato nĂŁo estava dizendo nada para ele. NĂŁo podia.
Manato nĂŁo ia mostrar para ele para onde ir. Moguzo nĂŁo se levantaria na frente e brandiria sua espada por eles. Aqueles dois nĂŁo iriam encorajar Haruhiro. Eles nĂŁo poderiam lhe dar coragem. Porque nenhum dos dois estava ali.
Porque eles estavam mortos.
Haruhiro parou, e o resto da party fez o mesmo. Ele respirou fundo. O cheiro aqui era um pouco diferente, embora fosse difĂcil explicar como. O ar estava Ășmido.
â HĂĄ obstĂĄculos por aĂ que sĂŁo intransponĂveis â Haruhiro disse em voz alta. â Essa Ă© a vida. Tenho certeza de que hĂĄ coisas sobre as quais vocĂȘ simplesmente nĂŁo pode fazer nada. NĂŁo posso simplesmente dizer que tenho certeza de que vai dar certo de algum jeito.
Obviamente, Haruhiro nĂŁo poderia ser como Manato. Mesmo assim, ele queria ver coisas novas com todos. Queria puxar todos como Manato havia feito. NĂŁo porque nĂŁo tivesse escolha, mas porque era o que ele queria fazer. Haruhiro encontraria seu prĂłprio jeito de fazer isso acontecer. Para isso, ele teria que enfrentar as coisas uma de cada vez.
Primeiro, não importava o que acontecesse, ele não poderia fugir. Ele não abandonaria seu papel, sua posição. Isso era algo que ele agora resolvia nunca fazer.
â Mas ainda assim, â Haruhiro disse â podemos superar essa. Quero dizer, jĂĄ passamos por muita coisa diferente. Isso nem Ă© difĂcil comparado a algumas das coisas pelas quais jĂĄ passamos. Se estivermos juntos, nĂŁo estou nem um pouco preocupado.
â Olha sĂł, grandes palavras. Como se vocĂȘ fosse alguĂ©m importante â Ranta deu uma risada debochada. â Bom, quando as coisas ficarem difĂceis, vocĂȘ tem a mim. Eu posso resolver qualquer coisa, cara.
â Se tem algo com o que estamos preocupados… â Shihoru murmurou.
â O que foi isso?! VocĂȘ e esses peitĂ”es!
â Sua luxĂșria estĂĄ aparecendo demais â Haruhiro suspirou.
â Quieto, Pyarupyororon! Escuta, cara! Deixa eu te dizer, eu estou Ă beira de explodir, entendeu?!
â Informação demais, Ranta-kun… â Kuzaku murmurou.
â Cala boca! Beleza, Kuzacky, Parupiro, e vocĂȘs dois?! Se qualquer homem saudĂĄvel vivesse com mulheres como nĂłs vivemos, seria natural que ele estivesse tĂŁo Ă beira de explodir que quase nĂŁo aguentasse! Se nĂŁo fosse assim, teria algo de errado com ele como homem, vocĂȘs sabem disso, nĂ©?!
â Ă assim mesmo? â Mary olhou para Haruhiro e Kuzaku, lançando uma pergunta realmente difĂcil de responder.
â Bom… â Haruhiro trocou olhares com Kuzaku.
Kuzaku balançou a cabeça, mas não estava claro o que o gesto significava.
Haruhiro olhou para baixo e inclinou a cabeça para o lado. â …NĂŁo muito, nĂŁo para mim. Isso Ă© diferente para cada um, quero dizer, isso Ă© verdade para qualquer coisa, mas cada um lida de uma maneira diferente, pode-se dizer…
â Hrm… â Yume cruzou os braços e inflou uma das bochechas. â Ei, ei, ele tava dizendo que estava Ă beira de explodir, mas o que exatamente tĂĄ acumulando de qualquer jeito?
â Er, isso…
â Ah, e se ele tem algo acumulando, e tĂĄ prestes a estourar, sabe, Yume tava pensando que talvez ele devesse sĂł liberar isso.
â Yume… â Shihoru puxou a manga de Yume com um olhar quase de pena no rosto.
O jeito que Yume disse âHĂŁ?â como se nĂŁo estivesse sĂł fingindo ser ingĂȘnua era extremamente preocupante.
Mary tinha os olhos baixos, como se estivesse pensando em algo, talvez. Ela estava sem saber o que fazer?
Kuzaku estava olhando para cima por algum motivo. Aparentemente, queria fingir que isso nĂŁo tinha nada a ver com ele. Que injusto.
â Heheheheh… â Ranta riu de maneira esquisita. â …Heheheh. Gwahahahaha! Ă isso mesmo, Yume. VocĂȘ entendeu. Se eu estou Ă beira de explodir, eu deveria simplesmente liberar! Essa Ă© a Ășnica resposta verdadeira!
â A-hĂŁ â Yume disse. â Foi por isso que Yume falou isso.
â Mas! Se eu for liberar, o problema Ă© que eu nĂŁo posso simplesmente tirar e resolver â declarou Ranta.
â Hein? NĂŁo pode?
â Ă. Meio que nĂŁo. EntĂŁo, vou precisar que vocĂȘ me aguente um pouco. Afinal, foi vocĂȘ quem sugeriu. Me deixa brincar com uns peitos. Me deixa brincar com os seus peitos. Enquanto eu brinco com os seus peitos, eu vouâ
â Dark â chamou Shihoru.
O elemental apareceu como se tivesse saĂdo de uma porta para algum mundo invisĂvel. Ele parecia fios negros enrolados na forma de um humano. O elemental Dark se acomodou no ombro de Shihoru.
â E-Ei â Ranta deu um passo para trĂĄs. â E-Espera. TĂĄ? Calma aĂ, Shihoru.
â NĂŁo diga meu nome, seu nojento… Dark.
â Whoa, Whoa, whoa, eu-eu entendi, quero dizer, vocĂȘ estĂĄ entendendo errado, i-i-i-i-i-isso foi uma piada, tĂĄ? Uma piadinha! VocĂȘ devia entender isso pelo menos!
â Eu nĂŁo entendo, e nem quero.
â Desculpa…! â Ranta se prostrou no chĂŁo com tanta força que bateu a cabeça. â Eu realmente sinto muito! Desculpa mesmo! Eu estava totalmente errado! NĂŁo vai acontecer de novo, eu juro! Acredite em mim! Por favor, estou implorando!
Ranta devia agradecer que a dogeza exagerada, mas barata, que ele estava fazendo, foi o suficiente para Shihoru deixar passar. Além disso, ele precisava refletir profundamente sobre seu comportamento.
NĂŁo vai acontecer? Ă. Provavelmente nĂŁo.
De qualquer forma, eles provavelmente nĂŁo tinham muito mais a percorrer.
O ar estava Ășmido. TambĂ©m estava fluindo, embora de forma sutil, e na direção para onde estavam indo. Haruhiro nĂŁo queria ser muito otimista, mas tambĂ©m nĂŁo havia necessidade de ser muito pessimista. De qualquer maneira, logo teriam a resposta.
Vamos continuar, pensou ele. Vamos descobrir se continuarmos em frente.
â NĂ©voa â sussurrou Mary.
â Ă â concordou Ranta, e depois houve um longo silĂȘncio. â Eiiii?! Por que ninguĂ©m estĂĄ dizendo nada?! Era pra vocĂȘs falarem algo como âĂ mesmoâ ou âVocĂȘ tem razĂŁoâ! Era Ăłbvio que vocĂȘs deveriam dizer algo assim! VocĂȘs estĂŁo me ignorando?! Meus sentimentos tambĂ©m podem ser feridos, sabia?! Bem, nĂŁo, nem tanto.
â âNem tantoâ, nĂ© â Haruhiro suspirou. Ele estava um pouco com inveja da resistĂȘncia de Ranta.
Névoa.
Era verdade, havia uma nĂ©voa fina, ou uma bruma, ou algum tipo de neblina pairando no ar do caminho. O nome disso dependia da visibilidade, certo? Talvez fosse chamada de neblina sĂł na primavera. De qualquer forma, incontĂĄveis gotĂculas de ĂĄgua flutuavam no ar, deixando tudo esbranquiçado. Quanto mais avançavam, mais espessa ficava, embora de forma gradual.
O Sr. Unjo, o super senpai soldado voluntĂĄrio, uma vez se perdeu em um lugar nebuloso na fronteira dos antigos reinos de Ishmal e Nananka. Quando passou por uma caverna que encontrou lĂĄ, disse que chegou Ă montanha de Darunggar, onde vivia o dragĂŁo de fogo.
A inclinação de repente ficou um pouco mais Ăngreme. No topo da ladeira havia um cĂrculo branco brilhante.
Ă como a lua, pensou Haruhiro.
Não havia sol ou lua em Darunggar, e a lua de Grimgar era vermelha. Esta era uma lua esbranquiçada.
Onde ele tinha visto uma dessas? NĂŁo sabia, mas definitivamente se lembrava. A lua branca pendurada no cĂ©u totalmente negro. Isso tinha que ser… o mundo original deles, talvez?
â Aquela ali nĂŁo Ă© a saĂda? â disse Ranta, em um tom inesperadamente contido, atĂ© cauteloso.
â Vamos com calma â Haruhiro estava ciente de que seus olhos pareciam incrivelmente sonolentos. NĂŁo estava cansado, claro. Na verdade, todos os seus sentidos pareciam aguçados.
Eu quero chegar logo lĂĄ, pensou Haruhiro. Mas nĂŁo posso me apressar. NĂŁo posso agir de forma impulsiva. Acalme-se, e siga em frente com tranquilidade.
Ele olhou para seus companheiros. Todos estavam tensos. Excitados, tambĂ©m. SerĂĄ que eles estavam ficando rĂgidos demais? Bem, ele nĂŁo poderia culpĂĄ-los por isso. NĂŁo desta vez. Afinal… talvez pudessem voltar para casa. Talvez jĂĄ estivessem em casa.
Ele apagou a lanterna. NĂŁo precisavam mais da luz dela.
Branco. A névoa era tão densa. Mesmo assim, estava claro. Claro o suficiente para que seus olhos doessem.
Ele respirou fundo o vento frio e Ășmido. Era marcadamente diferente do ar de Darunggar. O gosto, o cheiro, tudo. Cada cĂ©lula de seu corpo parecia revitalizada. Mesmo que normalmente nĂŁo fosse o seu estilo, ele queria fazer uma pequena dancinha de felicidade. Mas nĂŁo o faria. Agora nĂŁo era o momento de comemorar.
A saĂda estava logo ali. Apenas mais trĂȘs metros. Por causa da inclinação, seu passo atual era de cerca de quarenta centĂmetros. Em sete ou oito passos, ele chegaria Ă saĂda.
Ele respirou fundo no sexto passo e entĂŁo parou.
Sete passos.
No oitavo, ele finalmente estava do lado de fora.
Tudo era branco. Mal conseguia enxergar qualquer coisa. Isso o lembrou mais uma vez de que era cedo demais para começar a comemorar. Eles não tinham ideia de onde estavam ou de como era o terreno.
â A Yume e todo mundo conseguiu voltar, nĂ©… â disse Yume atrĂĄs dele. Pelo som de sua voz embargada, nĂŁo era sĂł o ar que estava um pouco Ășmido por ali.
Shihoru soltou um suspiro profundo.
Mary colocou um braço em volta dos ombros de Yume e Shihoru.
O jeito como Kuzaku deu um soco no prĂłprio peito com um âĂ!â e entĂŁo voltou a se concentrar na tarefa foi encorajador.
Ranta olhava ao redor, para todos os lados.
O céu estava nublado ou era apenas a névoa? Não dava para saber onde o sol estava, mas, com o tanto de luz ali, provavelmente ainda estava alto no céu.
â Aqui deve ser perto da fronteira dos antigos reinos de Nananka e Ishmal… acho â disse Haruhiro.
Suas pernas pareciam prestes a ceder. Haruhiro estalou a lĂngua. Ele queria poder superar essa fraqueza. Precisava.
â NĂŁo sei a localização exata â acrescentou. â Mas uma coisa eu sei: precisamos ir para o sul. O sul Ă©… Er, Yume?
â Miau? Ah. Bem, se o sol estivesse visĂvel, a Yume te diria. A Sra. Lua ou as estrelas serviriam tambĂ©m. DĂĄ atĂ© pra descobrir mais ou menos olhando pelos anĂ©is de um toco de ĂĄrvore, sabe.
â NĂŁo dĂĄ pra ver o sol aqui… â Kuzaku olhou para o cĂ©u, depois ao redor. â Mas tem tocos, ou pelo menos ĂĄrvores.
Assim como Kuzaku havia notado, havia inĂșmeras ĂĄrvores crescendo por perto. Algumas eram retas, outras tortas, mas nenhuma era especialmente grossa ou alta. No chĂŁo, havia plantas que pareciam samambaias. Ao caminhar por ali, o solo era tĂŁo macio que poderia ser chamado de lamacento.
â Ă difĂcil andar… â reclamou Shihoru.
â Pfeh â Ranta cuspiu. â NĂŁo sei o quĂŁo pesados seus peitos sĂŁo, mas para de reclamar. NĂŁo Ă© nada demais.
Mary imediatamente balançou seu bastĂŁo sem expressĂŁo. â Acho que nĂŁo fizemos vocĂȘ se prostrar o suficiente da Ășltima vez, nĂŁo Ă©?
â Aaaaaah! C-Como eu jĂĄ disse, foi sĂł uma piada, tĂĄ bom, uma piada! Credo! VocĂȘs nunca devem esquecer o senso de humor! Ă o lubrificante das relaçÔes! Igual eu!
Haruhiro poderia ter dado uma resposta inteligente, mas isso não teria fim, e dar atenção a Ranta só iria piorar a situação.
Ignorando Ranta e se movimentando um pouco perto da entrada do caminho, havia muitas elevaçÔes e quedas sĂșbitas no terreno. Haruhiro nĂŁo via tocos. Parecia que ninguĂ©m estava fazendo desmatamento por ali, humano ou nĂŁo. Deveriam tentar derrubar uma ĂĄrvore eles mesmos? Se usassem uma das lĂąminas que tinham Ă mĂŁo, nĂŁo seria impossĂvel, mas a RIPer de Ranta e a lĂąmina negra de Kuzaku eram armas, inadequadas para cortar ĂĄrvores. A Wan-chan de Yume era como um facĂŁo, entĂŁo provavelmente conseguiria cortar galhos. Derrubar uma ĂĄrvore inteira, no entanto, poderia ser difĂcil.
â O quĂȘ, ela nĂŁo pode derrubar uma ĂĄrvore rapidinho com magia? Ela nĂŁo serve pra nada alĂ©m dos peitos… â Ranta disse em voz baixa.
Shihoru parecia não ter ouvido, mas ele claramente não havia aprendido a lição.
SerĂĄ que iriam realmente se dar ao trabalho de derrubar uma ĂĄrvore? O que fariam? Era uma decisĂŁo menor, mas Haruhiro se via surpreendentemente indeciso sobre isso.
Enquanto ainda hesitava, Yume disse:
â Hmm, vamos ver â e depois ofereceu um conselho. â DĂĄ pra mais ou menos descobrir a direção pelos anĂ©is das ĂĄrvores, mas meu mestre disse que a precisĂŁo Ă© baixa. Quando a Yume perguntou se ele queria dizer que deveria cortar bem rente, ele respondeu: NĂŁo, nĂŁo Ă© isso, quer dizer que nĂŁo Ă© muito preciso.
Era difĂcil ser um lĂder decisivo. Mesmo assim, ele ainda precisava almejar se tornar um.
â Primeiro… â Haruhiro decidiu falar. Se ficasse quieto, todos ficariam nervosos. Vou apenas dizer algo, pensou. Ele resolveria seus pensamentos enquanto falava. â …nosso maior objetivo Ă© voltar para Altana. Mas Ă© bem longe. Deve ser uns seiscentos, talvez setecentos quilĂŽmetros…
Mesmo tendo dito ele mesmo, era desconcertante ouvir. Eram supostos trezentos quilĂŽmetros sĂł para cruzar as PlanĂcies dos Ventos RĂĄpidos ao norte de Altana e alcançar a Floresta das Sombras, onde se dizia que os elfos viviam. Ao norte da Floresta das Sombras ficava o antigo reino de Arabakia, e os antigos reinos de Nananka e Ishmal estavam ainda mais alĂ©m.
Ou seja, estavam a cinco, seis ou até setecentos quilÎmetros de Altana. Talvez mais.
Como eles se moveriam por ali? NĂŁo conheciam as estradas. AlĂ©m disso, estavam em territĂłrio inimigo. Parecia praticamente impossĂvel.
NĂŁo, nĂŁo, nĂŁo. Pare com isso, Haruhiro disse a si mesmo. NĂŁo pode desistir.
â Se assumirmos setecentos quilĂŽmetros, serĂŁo trinta e cinco dias se andarmos vinte quilĂŽmetros por dia â disse Haruhiro a eles. â Acho que vinte quilĂŽmetros por dia Ă© bastante realista, mas vamos precisar de pelo menos esse tempo. Precisaremos de ĂĄgua e comida. Ă ruim que a nĂ©voa dificulte tanto a visibilidade, mas tambĂ©m ajuda, acho. Mesmo que haja inimigos por aĂ, serĂĄ difĂcil sermos vistos. Se formos avistados, podemos usar isso a nosso favor enquanto fugimos. Quanto Ă direção… Bem, a nĂ©voa vai dissipar eventualmente. Se estivesse assim o ano inteiro, nĂŁo haveria tantas ĂĄrvores aqui. Se nos movermos de forma descuidada e depois descobrirmos que era a direção errada, nĂŁo vai adiantar nada. Por enquanto, vamos ficar perto da saĂda e esperar a nĂ©voa diminuir. Quando soubermos a direção, partimos todos juntos. Eu vou explorar um pouco, tomando cuidado para nĂŁo me perder. Ă mais seguro eu ir sozinho, entĂŁo, mesmo que estejam inquietos, tentem descansar.
â Hum, ei. â Yume levantou a mĂŁo. â Tudo bem se a Yume for junto?
â NĂŁo faça isso â disse Ranta num sussurro. â Pode ser perigoso.
â Por que a Yume precisa de vocĂȘ se preocupando com ela? Deveria cuidar do seu prĂłprio bucho â retrucou Yume.
â N-NĂŁo estou preocupado! Q-Quem se preocuparia com vocĂȘ, sua idiota?! A-A-AliĂĄs, Ă© umbigo, nĂŁo bucho, tĂĄ?
â Ahh. Yume errou. Era umbigo, nĂ©.
â B-B-Bem, seja mais cuidadosa!
â Por que vocĂȘ tĂĄ tĂŁo nervoso…? â Shihoru estremeceu. â Isso Ă© assustador.
â Eu sei â Mary lançou um olhar frio para Ranta, concordando. â NĂŁo me dĂĄ nada alĂ©m de uma sensação ruim.
â Me deem alguns direitos humanos! â gritou Ranta. â Eu vou chorar, droga! Wahh, wahh, wahh, as mulheres estĂŁo me maltratando! Deixem eu apertar seus peitos! SĂł o suficiente pra ver como Ă© a sensação!
O quão desesperado ele estava para apertå-los? Tinha que haver limites para o quão frustrado sexualmente alguém podia ficar. Ele ia ficar bem? Era um pouco assustador, mas, bem, provavelmente ficaria. Ranta não tinha coragem de tentar conseguir o que queria à força.
Haruhiro refletiu sobre o pedido de Yume. Yume era uma caçadora. Seu conhecimento e habilidades seriam Ășteis. Ela tinha bons olhos e ouvidos tambĂ©m. AlĂ©m disso, era ĂĄgil, entĂŁo nĂŁo seria um fardo.
â Certo. Yume, vocĂȘ vem tambĂ©m â decidiu Haruhiro. â O resto espera aqui.
â Miau! â Yume exclamou.
Os dois partiram para explorar. Só para garantir, Haruhiro marcou as årvores com sua faca enquanto avançavam. Assim, mesmo que não soubessem a direção exata, poderiam seguir as marcas de volta até seus companheiros.
Ainda assim, o terreno ali era ridĂculo, ou simplesmente horrĂvel. Subia e descia de repente, e quase nĂŁo havia ĂĄreas planas. Mesmo que a nĂ©voa se dissipasse, provavelmente nĂŁo conseguiriam ver muito longe. De fato, mesmo quando a nĂ©voa diminuĂa um pouco, a visĂŁo logo era bloqueada pelas ĂĄrvores ou por alguma elevação no chĂŁo Ă frente.
â Deve ser mais ou menos entre meio-dia e o final da tarde, talvez â sugeriu Yume. â SĂł Ă© o que parece, sabe?
â Acho que Ă© por aĂ â Haruhiro concordou. â Mas Ă© sĂł um palpite vago tambĂ©m.
Com base nos sentidos de Haruhiro, eles haviam percorrido cerca de quinhentos metros em linha reta a partir da saĂda do buraco. NĂŁo encontraram nada. A sensação de que aquilo nĂŁo seria fĂĄcil sĂł se intensificava.
Mesmo assim, Yume estava animada e alegre, então, apesar da seriedade da situação, não parecia tão grave quanto deveria.
â VocĂȘ sempre me salva â disse Haruhiro para ela.
â Funya? O que Ă© isso, de repente?
â Bem, quero dizer, sem vocĂȘ aqui, nossa equipe seria bem mais sombria.
â Hmm â disse Yume. â Mesmo sem a Yume, sabe, o Ranta ainda seria barulhento, nĂŁo acha?
â Mas o motivo pelo qual nĂŁo preciso brigar tanto com ele Ă© porque vocĂȘ estĂĄ aqui.
â Aquele Ranta… â Yume de repente parou, inclinando a cabeça para o lado. â Por que vocĂȘ acha que ele quer tanto apertar peitos? Todos os meninos querem apertar os peitos das meninas?
â Bem… â Olhando para a party como um todo, isso talvez nĂŁo fosse totalmente falso, mas generalizar seria errado. Ou talvez nĂŁo fosse. Mas ele tinha certeza de que seria.
â Depende da pessoa â Haruhiro respondeu por fim.
â E vocĂȘ, Haru-kun?
â HĂŁ? Eu? NĂŁo, eu…
O que é isso? Ele pensou, subitamente tenso. O que eu faço? à mais seguro negar? Mas isso seria honesto? Se eu negar, estaria mentindo para a Yume? Não quero mentir para uma companheira de equipe valiosa. Mas que mal pode haver em uma mentirinha? Mesmo assim, como um homem com poucas qualidades redentoras, eu pelo menos quero ser sincero com meus companheiros.
â …S-S-Se fosse de alguĂ©m que eu gosto, talvez â hesitou Haruhiro.
â Ohhh. Entendi. EntĂŁo Ă© assim que funciona. Yume adora apertar os peitos da Shihoru e da Mary, afinal. A Yume, ela gosta da Shihoru e da Mary… Hm?
â HĂŁ…? â Haruhiro perguntou, confuso.
â Nesse caso, serĂĄ que o Ranta quer apertar os peitos da Yume porque gosta dela? Se ele odiasse a Yume, provavelmente nĂŁo iria querer apertar os peitos dela.
Yume, pensou Haruhiro, estremecendo. Droga, ela Ă© assustadora. Ela simplesmente abriu a Caixa de Pandora como se nĂŁo fosse nada.
A verdade era que Haruhiro nĂŁo podia negar essa possibilidade, e jĂĄ havia pensado nisso antes. Tipo, ele achava que havia algo meio estranho na atitude de Ranta em relação a Yume. Mas nĂŁo era o suficiente para ter certeza, e era questionĂĄvel se o prĂłprio Ranta percebia isso. Com tudo tĂŁo incerto, Haruhiro havia pensado que talvez fosse melhor nĂŁo tocar no assuntoâseria um incĂŽmodo, afinalâentĂŁo ele fez o possĂvel para fingir que nĂŁo percebia.
Mas, então, Haruhiro provavelmente era o tipo de pessoa que era um pouco densa em relação a essas coisas, então talvez estivesse apenas entendendo tudo errado.
â …Acho que ele nĂŁo te odeia, nĂŁo â Haruhiro disse por fim. â Obviamente. Ele nĂŁo te odeia. Tipo, para alguĂ©m te odiar, Yume, teria que haver algo de errado com essa pessoa… Bem, hĂĄ algo de errado com ele…
â Por que teria que haver algo de errado com uma pessoa se ela odiasse a Yume? â ela perguntou.
â Ah, quero dizer, bem, nĂŁo sei. Ă que tem tĂŁo pouco motivo para te odiar.
â CĂȘ acha? EntĂŁo, Haru-kun gosta da Yume?
â Claro. Eu gosto de vocĂȘ â ele disse, e logo pensou: Oh, isso foi certo? Ela vai entender errado? E começou a se sentir inseguro sobre o que havia dito.
Mas quando viu Yume sorrindo e dizendo, âAh, entendiâ, ficou envergonhado de como seus pensamentos eram impuros.
Sim. Sim! Era isso. Era isso que estava certo.
Gostar de uma pessoa era uma questĂŁo de gostar ou nĂŁo dela, nĂŁo de intençÔes romĂąnticas, e precisava ser visto de forma separada de qualquer coisa sexual. Nesse sentido, Haruhiro certamente gostava de Yume. Ele podia dizer isso com orgulho. Claro que gostava dela. Claro que sim. Ela era a Yume, afinal. Isso era Ăłbvio. Ele tinha que gostar dela. Mas, ainda assim…
â Yume sente o mesmo â disse ela, com um sorriso bobo, e o coração de Haruhiro acelerou um pouco. â Yume gosta de vocĂȘ tambĂ©m, Haru-kun.
â …O-Obrigado. â Haruhiro coçou a cabeça. â Uh, Ă© estranho eu dizer isso…?
â NĂŁo sei. Mas se vocĂȘ estĂĄ se sentindo grato, Yume acha que estĂĄ tudo bem dizer isso. Quando vocĂȘ diz, faz a pessoa que escutou se sentir bem tambĂ©m. Claro, isso vale pra Yume tambĂ©m. Ela estĂĄ se sentindo super feliz agora.
â Eu… acho que sim â ele hesitou. â Se vocĂȘ nĂŁo disser o que sente, as pessoas talvez nunca saibam, afinal. Ă…
â EntĂŁo, se o Ranta gosta da Yume, ele devia sĂł dizer, nĂ©? Ele tĂĄ sempre implicando com ela, ou chamando ela de Peitos Pequenos.
â Ele tem uma dificuldade enorme em ser honesto sobre o que sente â disse Haruhiro.
Ou melhor, o tipo de gostar que Yume estava falando e o jeito que Ranta gostava dela eram diferentes. Mesmo que Ranta confessasse seus sentimentos de forma honesta, Yume poderia entender de uma maneira diferente da que ele pretendia, e isso poderia virar uma grande confusão. Havia muito espaço para preocupação ali.
No fim, Haruhiro não podia evitar pensar que talvez o melhor fosse manter as coisas como estavam. Talvez houvesse espaço para melhorar sua atitude de sempre esperar e observar.
Ele teria que pensar nisso. Mas nĂŁo agora.
Parecia que tinham preocupaçÔes maiores.
Haruhiro levou o dedo aos lĂĄbios e se pressionou contra uma ĂĄrvore prĂłxima. Yume o seguiu logo atrĂĄs.
Havia um barulho. O que era?
Yume apontou mais Ă frente, Ă esquerda. Haruhiro olhou naquela direção. Ele tentou apertar os olhos, mas nĂŁo conseguia ver nada atravĂ©s da neblina. Mas se ele focasse naquela direção, conseguia ouvir o som com mais clareza do que antes. Barulho? Vozes? Luta? Seriam feras selvagens? Ou…?
Era hora de tomar uma decisĂŁo. Naturalmente, ele queria evitar o perigo. Deveriam recuar rapidamente? NĂŁo estava claro se havia perigo, entĂŁo talvez fosse melhor verificar isso primeiro? Ele pessoalmente queria fugir, mas isso era sĂł porque Haruhiro era um covarde.
Ele ainda conseguia ouvir os sons. Estavam gradualmente se aproximando? Espera, aquilo era… uma voz.
Sim. Era uma voz. NĂŁo gritando ou berrando. Falando com palavras. Era o que parecia.
â Humanos… â disse Yume, em um sussurro.
Ele concordou. Era difĂcil de acreditar, dado o local onde estavam, mas provavelmente era a voz de um homem humano. Naturalmente, Haruhiro ficou surpreso. Ele estava desorientado? NĂŁo, nĂŁo era tĂŁo ruim. Seu coração estava batendo um pouco mais rĂĄpido, mas ele acreditava que ainda estava calmo.
Haruhiro fez sinal para Yume segui-lo e começou a caminhar. Então, menos de trinta segundos depois, ele sentiu uma presença que parecia perfurå-lo pelas costas.
Havia algo atrĂĄs dele.
Yume não parecia ter percebido. Se ele virasse para olhar, seria atacado. Era essa a sensação que tinha. Mas ele não podia simplesmente ficar parado. A outra parte certamente viria até eles eventualmente. Ele precisava agir primeiro.
â Yume, abaixa! â gritou Haruhiro, dando meia-volta. Yume jĂĄ estava se abaixando. Haruhiro trocou sua faca para a mĂŁo esquerda, sacou o estilete com a direita e pulou sobre Yume.
â Espera, espera, espera! â Haruhiro gritou.
Uma pessoa. Era um humano, usando o que parecia ser um casaco forrado com pele e um gorro de tricĂŽ. Havia um arco na mĂŁo direita, uma flecha na esquerda. Ambas as mĂŁos estavam levantadas.
Esse homem barbudo havia se aproximado a uma distùncia de trinta metros atrås de Haruhiro e Yume. Inacreditåvel. Ou melhor, Haruhiro não queria acreditar. Pensar que ele não havia notado até o homem chegar tão perto.
Haruhiro ainda mantinha a faca e o estilete prontos, só por precaução. Mas ele estava mais surpreso do que qualquer coisa. Estava abalado, e seus pensamentos eram um caos. Ele não poderia lutar desse jeito.
â VocĂȘ disse âesperaâ? â Um sorriso apareceu nos traços marcantes do homem, e ele jogou o arco, e depois a flecha, para o lado. â Pronto. NĂŁo vou fazer nada com vocĂȘs. TĂĄ tudo bem. Eu nunca quis matar vocĂȘs, afinal. Mas vocĂȘs sĂŁo suspeitos, sabem disso, nĂ©? Humanos como vocĂȘs, num lugar como esse. NĂŁo parecem ser do vilarejo tambĂ©m. Mas eu tambĂ©m nĂŁo sou, sabe?
â …Hmm â Yume ainda estava no chĂŁo, cobrindo a cabeça com as mĂŁos enquanto olhava para cima. â VocĂȘ meio que parece um caçador, nĂ©?
â Oh? VocĂȘ tambĂ©m Ă© uma caçadora, mocinha? Bem, eu sou ex-caçador. Agora sou um guerreiro, â disse o homem. â EntĂŁo, isso faria de vocĂȘs soldados voluntĂĄrios.
â VocĂȘ tambĂ©m? â Haruhiro queria soltar um longo suspiro, mas se conteve e tentou manter a respiração curta e leve.
NĂŁo se deixe relaxar descuidadamente, ele se advertiu. NĂŁo baixe a guarda.
â VocĂȘ tambĂ©m Ă© um soldado voluntĂĄrio? â ele perguntou.
â JĂĄ faz mais de dez anos â respondeu o homem. â Por causa disso, fiquei velho.
â Bem, isso te faz nosso veterano… eu acho.
â A Ășnica coisa que posso te ensinar Ă© como beber atĂ© cair. â O homem barbudo deu de ombros, mostrando um sorriso que parecia incrivelmente despreocupado. â Sou o Kuro.
â Kuro… Espera… â murmurou Haruhiro.
Espera aĂ, ele pensou. Espera, espera, espera. Eu sinto que conheço esse nome. JĂĄ ouvi isso em algum lugar. SerĂĄ que Ă© sĂł coincidĂȘncia? Pura coincidĂȘncia? Mas talvez ele seja realmente aquela pessoa. Dado o lugar onde estamos, nĂŁo deve haver muitos soldados voluntĂĄrios que chegam tĂŁo longe.
â …VocĂȘ nĂŁo seria o Kuro-san dos Day Breakers, seria?
â Hm? â Kuro apontou para si mesmo, com os olhos arregalados. â Espera, sou famoso?
â NĂŁo, hum… Eu, ou melhor, nĂłs na verdade, somos tecnicamente meio que… membros dos Day Breakers.
â Pelo jeito que vocĂȘ estĂĄ vestido, vocĂȘ Ă© um ladrĂŁo â disse o homem. â …Haruhiro?
â Sim. âHuh? Como vocĂȘ sabe? Oh, Ă© isso? VocĂȘ ouviu do Soma queâ
Kuro explodiu em risadas.
â VocĂȘs estavam vivos! Bwahahaha!
â O-O que vocĂȘ tĂĄ rindo?! Isso Ă© algo pra rir?!
â Que rude. â Yume ainda estava no chĂŁo. â Ă um dia feliz, nĂŁo Ă©? NĂ©?
â Oh, dia feliz! â Kuro apontou para Yume e começou a rir alto. â VocĂȘ estĂĄ certa, Ă© um dia feliz, bwahahaha! Bem, estou feliz que vocĂȘs estejam vivos, Ă©, muito feliz! Esse Ă© um dia feliz! Eu jĂĄ tinha assumido que vocĂȘs tinham morrido, afinal! Gwahahahaha!
Haruhiro ficou pasmo. Kuro estava segurando a barriga, e havia até lågrimas em seus olhos. Ele estava rindo demais. Qual é o problema desse cara? Ele era estranho. Ou melhor, estava irritando Haruhiro.
â Ufa, desculpa, desculpa. â Kuro enxugou as lĂĄgrimas com o polegar e pegou seu arco e flecha. â Mas Ă© certamente uma coincidĂȘncia. Normalmente, a gente se encontraria assim? Bem, estou apenas feliz que vocĂȘs nĂŁo sĂŁo inimigos. Me poupa o trabalho de matar vocĂȘs. Estou ocupado o suficiente agora. EntĂŁo, dito isso, nĂŁo tenho tempo pra cuidar de vocĂȘs, mas se cuidem.
Guardando a flecha na aljava, Kuro acenou para eles com o arco na mão e começou a se afastar. Seus passos pareciam lentos e relaxados, mas eram misteriosamente råpidos. Silenciosos também. Ele mal fazia barulho. à primeira vista, parecia completamente vulneråvel por trås, mas se eles o atacassem, ele desviaria facilmente. Mais do que isso, provavelmente receberiam um contra-ataque doloroso. Esse cara era bom.
â Espera… HĂŁ? â Haruhiro exclamou. â Uh? Espera, vocĂȘ tĂĄ indo embora…? NĂŁo, espera, p-por favor, onde vocĂȘ vai?! E-Ei! Estamos perdidos! NĂŁo sabemos o caminho de volta!
â Huhhh? â Kuro se virou e começou a rir novamente. â Bwaha! Perdidos?! VocĂȘs estĂŁo perdidos, uau, sĂ©rio, vocĂȘs estĂŁo brincando, nĂ©? Se vocĂȘs nĂŁo conseguem voltar pra casa, isso Ă© hilĂĄrio! VocĂȘs sĂŁo Ăłtimos!
â …NĂŁo tem nada de engraçado nisso â murmurou Haruhiro.
â Hee. â Yume começou a rir tambĂ©m. Ela ainda estava no chĂŁo, por sinal. â De alguma forma, sabe, atĂ© a Yume tĂĄ começando a achar engraçado. Hee, hehehehehe…
â TĂĄ bom, entendi. â Kuro fungou enquanto fazia sinal para que eles o seguissem. â VocĂȘs, venham comigo por um tempo. Eu vou fazer algo sobre o caminho de volta pra vocĂȘs. Como eu disse antes, sou um homem ocupado. Tenho algumas coisas pra resolver. VocĂȘs nĂŁo precisam ajudar; sĂł assistam. Certo?
Eles nĂŁo podiam recusar. Kuro era claramente um esquisitĂŁo, mas fazia parte dos Day Breakers. Provavelmente. Ele deveria ser.
Isso era um golpe de sorte inesperado. O que era que ele precisava resolver? NĂŁo seria perigoso, seria? Havia coisas que deixavam Haruhiro incerto, mas se nĂŁo aproveitassem essa oportunidade, talvez nunca conseguissem voltar.
â N-NĂłs vamos ajudar! â Haruhiro segurou a mĂŁo de Yume e a puxou para ficar de pĂ©. â Bem, sĂł se parecer que podemos, claro!
â NĂŁo precisam se esforçar. â Kuro sorriu e começou a andar.
Ele era bastante rĂĄpido, e acompanhar seu ritmo era difĂcil. NĂŁo era apenas uma questĂŁo de correr. O terreno estava realmente ruim, e se dessem um passo em falso, poderiam tropeçar ou escorregar. Se nĂŁo fossem cuidadosos, atĂ© poderiam torcer um tornozelo. SĂł por serem Haruhiro um ladrĂŁo e Yume uma caçadora Ă© que estavam conseguindo nĂŁo ficar para trĂĄs. Esse era o melhor que conseguiam fazer. NĂŁo podiam nem se dar ao luxo de observar a ĂĄrea ao redor.
Ele conseguia ouvir os sons.
AlĂ©m da nĂ©voa, algo… ou alguĂ©m… estava lĂĄ. Havia um ponto onde o solo de repente se elevava, e quando eles deram a volta, viram vĂĄrias figuras humanoides. Era difĂcil vĂȘ-las atravĂ©s da nĂ©voa, mas talvez nem todas fossem humanas.
NĂŁo, âtalvezâ nĂŁo. Definitivamente nĂŁo eram.
â Parem. â Kuro levantou a mĂŁo, impedindo Haruhiro e Yume de avançarem. â Ora, ora. Moyugi-kun estĂĄ trabalhando duro. Bem, ele estĂĄ com a Moira, afinal.
â Moira… â Haruhiro disse devagar.
Era um nome que ele nĂŁo reconhecia. Mas ele reconhecia âMoyugiâ. Ele era um membro dos Day Breakers, como Kuro. Era integrante de uma party famosa, os Rocks, ou Typhoon Rocks, liderados por Rock.
Qual deles seria Moyugi? As figuras em movimento… havia seis delas? Um deles tinha que serâ
â Oh… â Haruhiro sussurrou.
Agora havia uma figura a menos.
Aquela figura esbranquiçada. Aquela era provavelmente humana. A figura recuou, estendendo uma arma, e isso fez com que outra figura caĂsse. Ele havia derrotado um deles.
â Acho que eu tambĂ©m vou me mexer. â Kuro encaixou uma flecha em seu arco. Ou foi isso que Haruhiro pensou, mas ele jĂĄ havia disparado.
Aquele disparo nĂŁo foi meio rĂĄpido demais? SerĂĄ que ele mirou corretamente?
De qualquer forma, parecia que ele havia acertado. Mais uma das figuras caiu.
â VocĂȘ se importaria em cuidar dos seus prĂłprios assuntos?! â alguĂ©m gritou. Provavelmente era a voz de Moyugi. Talvez ele estivesse dizendo isso para Kuro.
Kuro disse: â TĂĄ, tĂĄ â e abaixou o arco. Pode nĂŁo ser da conta de Haruhiro pensar nisso, mas serĂĄ que era realmente certo ele fazer isso?
A Yume, que estava agachada ao lado de Haruhiro, soltou um suspiro de admiração.
Com licença…? Por que vocĂȘ estĂĄ agachada e relaxando? Eu sei que hĂĄ uma atmosfera, ou um fluxo geral dos eventos aqui, como se nĂŁo precisĂĄssemos fazer nada, mas…
â Eu planejei tudo isso direitinho! â declarou a pessoa que parecia ser Moyugi.
A figura esbranquiçada se movia suavemente. As trĂȘs figuras restantes tentaram cercĂĄ-lo pelos trĂȘs lados.
Moyugi fugiu. Ou melhor, correu em direção a eles. Ele estava correndo para cå.
Mas Haruhiro estava imaginando? Aquele cara, ele estava virado de costas…?
Moyugi parecia estar correndo de costas.
Ele vai ser pego desse jeito, nĂŁo vai? NĂŁo hĂĄ como ele escapar. Nenhuma. DeverĂamos ajudĂĄ-lo? Mas ele ficou bravo com Kuro por ter interferido. Ele disse que tinha tudo planejado, ou algo assim.
â Funah! â Yume soltou um grito estranho, e Haruhiro engoliu em seco.
De repente, Moyugi tropeçou. No entanto, em vez de cair de costas, parecia que ele havia sentado de propĂłsito…?
Naturalmente, percebendo que aquela era a oportunidade, as trĂȘs figuras correram em direção a Moyugi.
Aquele Ă© um orc, percebeu Haruhiro.
A figura humanoide que balançava uma espada curva de um Ășnico gume sobre Moyugi tinha que ser um orc, pela estrutura de seu corpo. Os outros dois pareciam humanos, mas nĂŁo estava claro o que eram.
De repente, algo apareceu acima da cabeça do orc. Ou foi isso que pareceu, mas era impossĂvel, entĂŁo devia estar escondido em algum lugar. Ele montou no pescoço do orc, envolveu as pernas ao redor e torceu, enquanto enfiava uma lĂąmina em forma de tesoura no topo da cabeça dele, soltando um grito perturbador que irritava os nervos de todos que o ouviam. â NĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁo!
Tendo visto a coisa horrĂvel que havia acontecido com o orc, os outros dois ficaram chocados. Bem, claro que ficaram. Os dois recuaram e gritaram algo, depois pararam.
Moyugi se levantou. Ele não tinha tropeçado, afinal. Ele tinha se sentado de propósito. Se não tivesse, não poderia ter se levantado como se nada tivesse acontecido.
Como um gesto final, Moyugi enfiou sua arma fina no rosto de um dos inimigos e depois a puxou de volta. NĂŁo parecia ser um movimento particularmente ĂĄgil, e Haruhiro nĂŁo pĂŽde deixar de pensar, O quĂȘ, ele vai cair sĂł com isso?
Ele também pensou, Råpido, råpido.
Ainda havia outro inimigo, afinal.
NĂŁo fique sĂł relaxando, vocĂȘ precisa atacar logo ouâViu.
Viu, viu, viu!
Eu te avisei. Bem, eu nĂŁo avisei, mas eu pensei nisso. Eu sabia que vocĂȘ precisava se apressar.
Talvez por estar enfurecido pela morte de seus companheiros, o inimigo restante avançou em Moyugi com incrĂvel vigor.
No entanto, Haruhiro sĂł notou isso agora, Moyugi estava usando Ăłculos. Ele os empurrou com a mĂŁo esquerda e cumprimentou o inimigo que se aproximava comânada. Ele recuou.
Ele nĂŁo pulou para trĂĄs exatamente, foi mais como se estivesse se afastando, serpenteando de um lado para o outro enquanto fazia isso.
O inimigo estava logo atrĂĄs de Moyugi.
Ah, nĂŁo, Haruhiro pensou. Isso nĂŁo Ă© bom. Ele vai alcançå-lo logo. SĂł mais um passo eâ
Nesse momento, por algum motivo, o inimigo perdeu o equilĂbrio. Algo o fez tropeçar? Foi o que pareceu. Era a chance perfeita para Moyugi. Claro que ele nĂŁo a desperdiçou. Parecia atĂ© que ele jĂĄ havia previsto aquilo, e sua arma fina perfurou o inimigo. Quando ele a retirou, o inimigo caiu no chĂŁo.
A coisa que havia quebrado o pescoço do orc com as pernas agora mexia dentro do crùnio do orc com algo parecido com uma tesoura. Pelo visto, havia terminado seu trabalho. A coisa deixou o cadåver do orc e foi ficar ao lado de Moyugi. Parecia quase uma mulher de cabelos longos, mas provavelmente não era humana. Os ombros eram largos demais, as costas arqueadas e a cintura muito fina. Era algo diferente.
â Parece que acabou. â Kuro se aproximou de Moyugi.
Haruhiro trocou olhares com Yume e seguiu atrås de Kuro. Yume também pulou atrås deles.
Moyugi estava com ainda menos equipamentos do que Kuro. Ele vestia uma camisa branca, praticamente uma blusa, e calças comuns. Seus sapatos não tinham nada de especial. Sua mochila não era particularmente grande. Havia uma bainha pendurada em seu quadril. Em suas mãos, ele segurava uma espada fina e reta. Honestamente, seu traje não tinha nada de notåvel. Isso era bizarro e um pouco assustador.
Mais ainda, Moyugi estendeu a mĂŁo para Haruhiro imediatamente e se apresentou assim: â SaudaçÔes. Eu sou o atual cavaleiro das trevas mais forte, Moyugi. NĂŁo sei quem vocĂȘs sĂŁo, mas Ă© um prazer conhecĂȘ-los.
â Pra-pra-prazer… â Haruhiro aceitou a mĂŁo estendida sem querer. â …em conhecĂȘ-lo. Eu sou Haruhiro. Dos Day Breakers…
â De fato. â Quando Moyugi soltou a mĂŁo de Haruhiro, ele empurrou os Ăłculos pelo meio com o dedo mĂ©dio da mĂŁo direita, e os cantos de sua boca se ergueram. â Eu suspeitava que vocĂȘ fosse quem eu pensava. NĂŁo importa o quanto nosso Kuro seja um tolo incorrigĂvel, ele nĂŁo arrastaria qualquer um que encontrasse por aĂ. Pelo que parece, vocĂȘ Ă© um jovem ladrĂŁo. A jovem mulher Ă© uma caçadora. Devem ser Haruhiro-kun e Yume-kun, certo? JĂĄ ouvi falar de vocĂȘs por Soma. Pensar que vocĂȘs realmente voltaram vivos do Reino do CrepĂșsculo. Estou surpreso. SĂŁo sĂł vocĂȘs dois? E o Ranta-kun, Shihoru-kun, Mary-kun e Kuzaku-kun? Eles morreram?
â Claro que nĂŁo! â Yume fez uma cara de raiva, mas, sendo Yume, nĂŁo era tĂŁo intimidadora assim.
Mesmo assim, ela avançou contra Moyugi com uma atitude razoavelmente ameaçadora, com as sobrancelhas franzidas e as bochechas infladas. Ela ficou na ponta dos pĂ©s e tentou chegar o mais perto possĂvel do rosto de Moyugi. Yume devia estar achando que estava sendo intimidadora.
â Entendo. â Sem mudar sua expressĂŁo, ele agarrou o queixo de Yume. â Isso Ă© maravilhoso. Agora, vocĂȘ se importaria se eu chupasse seu rosto?
â …Meu rosto? â Yume piscou. â Chupar? Hmmm…?
â O-o-o que Ă© que vocĂȘ estĂĄ fazendo?! â Haruhiro puxou Moyugi para longe de Yume apressadamente. â Que histĂłria Ă© essa, do nada?! DĂĄ pra parar com isso?! NĂŁo faz sentido nenhum!
â NĂŁo faz sentido? VocĂȘ diz coisas estranhas. â Moyugi inclinou a cabeça para o lado. â Se vocĂȘ vĂȘ uma mulher, a primeira coisa que deve fazer Ă© pegĂĄ-la, nĂŁo Ă©? Sou o cavaleiro das trevas mais forte em atividade, sabia?
â Bem, Ă©… â Kuro acariciou a barba. â NĂŁo sei sobre ser o cavaleiro das trevas mais forte, mas se vocĂȘ acha que pode conseguir, tem que ir em frente. Eu nĂŁo gosto de crianças, no entanto.
â Sou heterossexual, entĂŁo me limito com base no gĂȘnero, mas quando se trata de mulheres, eu topo praticamente qualquer uma. â declarou Moyugi. â NĂŁo importa o quĂŁo bizarra ou pouco atraente, cada uma tem seu prĂłprio sabor Ășnico, sabe?
O que havia de errado com essas pessoas? Talvez, sĂł talvez, eles tivessem esbarrado em dois malucos? NĂŁo, nĂŁo era talvezâaqueles caras eram definitivamente insanos. O melhor seria nĂŁo se envolver com eles.
Se fosse possĂvel, Haruhiro nĂŁo queria estar em lugar nenhum perto deles, mas, mesmo deixando de lado a conexĂŁo com os Day Breakers, se ele nĂŁo conseguisse que aqueles dois lhes dissessem o caminho, a viagem de volta para Altana seria muito mais longa. Pior ainda, talvez nem fosse possĂvel voltar sem depender deles. Quando Haruhiro colocou Yume atrĂĄs de si para protegĂȘ-la, seus olhos estavam quase girando.
O que ele faria? O que poderia fazer? O que deveria fazer?
â Pode esperar por enquanto. â Moyugi embainhou sua espada fina. â Estamos um pouco ocupados no momento. Vamos, Kuro, Moira.
â NĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁo… â A figura que parecia uma mulher de cabelos longos lhe deu uma resposta insatisfeita. Pelo visto, aquela era Moira. Moyugi era um cavaleiro das trevas, entĂŁo talvez ela fosse seu demĂŽnio.
Moyugi saiu andando em um ritmo acelerado com Moira logo atrĂĄs.
â VocĂȘs venham tambĂ©m. â Kuro fez um gesto com o queixo e entĂŁo seguiu Moyugi e Moira.
â …Nossos companheiros ainda nĂŁo estĂŁo com a gente â disse Haruhiro, mas Kuro se virou com uma expressĂŁo irritada.
â Eles podem esperar atĂ© depois. Estamos com um pouco de pressa. Vou deixar vocĂȘs para trĂĄs.
Eles realmente nĂŁo podem esperar, e vocĂȘs nĂŁo parecem estar com tanta pressa assim, nĂ©? Haruhiro queria retrucar, mas sabia que isso nĂŁo o levaria a lugar nenhum, entĂŁo seguiu Kuro. Moyugi e Moira jĂĄ estavam do outro lado da nĂ©voa.
â Ei, Haru-kun. â Yume puxou sua capa. â Yume tĂĄ pensando que talvez fosse melhor voltar. SerĂĄ que vocĂȘ sabe o caminho, talvez…?
â Vamos seguir essas pessoas â respondeu Haruhiro imediatamente e puxou Yume pela mĂŁo enquanto seguia Kuro.
Quando Yume disse isso, ele percebeu que havia cometido um erro fatal, mas, em vez de se perder na nĂ©voa, era melhor cooperar com seus veteranos altamente capazes nos Day Breakers, que sem dĂșvida conheciam bem a ĂĄrea. Por essa razĂŁo, eles nĂŁo podiam se separar de Kuro e Moyugi.
Até o momento em que notou Kuro se aproximando deles, Haruhiro havia marcado as årvores enquanto avançavam. Desde então, não havia deixado mais nenhuma marca.
â Desculpa, Yume â disse Haruhiro. â Eu me esqueci completamente de deixar marcas.
â Bem, se vocĂȘ vai dizer isso â Yume apertou a mĂŁo de Haruhiro com força â, Yume tambĂ©m nĂŁo fez isso. Ă um hĂĄbito ruim seu, esse de querer assumir toda a culpa.
â …Entendo. Vou tentar tomar cuidado com isso. Mas, embora isso seja culpa de nĂłs dois, ainda estou errado.
Porque eu sou o lĂder.
SerĂĄ que ele nĂŁo conseguia dizer isso em voz alta por vergonha? Ou era porque ainda nĂŁo conseguia carregar totalmente esse fardo?
De qualquer forma, nĂŁo havia necessidade de eles estarem de mĂŁos dadas, certo? E parecia ainda menos necessĂĄrio continuarem assim agora. No entanto, Yume estava segurando sua mĂŁo com tanta força que era difĂcil soltĂĄ-la. Se ele pudesse oferecer a ela algum apoio, sentia que nĂŁo deveria largar.
Honestamente, aquilo tambĂ©m trazia conforto para Haruhiro, e encontrar o momento certo para soltar a mĂŁo dela era complicado…
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
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