Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 15 â Volume 7
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 15:
[Porque Ele Tem Uma RazĂŁo]
Alluja havia sido uma cidade massiva. Havia até teorias que diziam que ela prosperou antes do conflito entre Lumiaris e Skullhell começar.
Levaram um dia inteiro para atravessar as ruĂnas da Grande Alluja. Durante esse tempo, fizeram vĂĄrias pausas, e aqueles que conseguiam tirar um cochilo o fizeram, mas, mesmo que pudessem deixar de lado o medo dos logoks, ainda teriam medo dos nivles.
Acontece que os nivles se alimentavam principalmente de logoks, mas os humanos eram muito mais apetitosos para eles. Se vissem, ouvissem ou detectassem um humano de qualquer forma, eles realmente o perseguiriam até os confins do mundo. E não apenas isso, eles não atacavam cegamente; também eram astutos ao encontrar boas oportunidades para atacar.
O Sr. Unjo disse que eles tinham quatro metros de comprimento, mas isso variava de acordo com o espĂ©cime, indo de trĂȘs metros atĂ© quase cinco metros nos maiores. Os machos tinham cristas, enquanto as fĂȘmeas nĂŁo. Quanto maior e mais vistosa a crista, mais violento era o macho, mas esses atacavam de frente com confiança, o que os tornava mais fĂĄceis de lidar. Surpreendentemente, eram as fĂȘmeas, de aparĂȘncia mais discreta, que eram mais perigosas. As fĂȘmeas eram calculistas, e rĂĄpidas tambĂ©m. Eram oponentes assustadores.
Haruhiro e os outros derrubaram sete nivles enquanto atravessavam a cidade em ruĂnas. Quatro machos, trĂȘs fĂȘmeas. Cada luta havia sido atĂ© a morte. Foram apenas afortunados por nivles nĂŁo caçarem em grupos. Se tivessem que enfrentar mais de um ao mesmo tempo, nĂŁo teriam chance.
As peles de nivles aparentemente eram vendidas por um bom preço, mas também eram volumosas, então não parecia valer a pena carregå-las. Eles tentaram cozinhar e comer a carne, e não era exatamente ruim.
Quando chegaram ao fim das ruĂnas, havia uma ladeira descendente. A inclinação nĂŁo era particularmente Ăngreme, mas descia por um longo caminho. Era como se estivessem indo para as profundezas da terra. Descia tanto que, mesmo durante o dia, ficava tĂŁo escuro que eles nĂŁo conseguiam ver o que havia Ă frente.
Se nĂŁo tivessem o Sr. Unjo para guiĂĄ-los, jamais teriam descido. Afinal, era assustador.
â Hm, o que tem depois daqui…? â Haruhiro criou coragem para perguntar.
â Orcs â respondeu Sr. Unjo, tĂŁo indiferente quanto sempre.
â Walk? â Yume repetiu.
NĂŁo, Yume, pensou Haruhiro, nĂŁo Ă© isso. Por que vocĂȘ estĂĄ falando de andar? Bem, estamos andando, mas…
(NT: Walk = Andar)
â Espera… â Mary perguntou, â Orcs, vocĂȘ quer dizer…?
â Eles sĂŁo parecidos, pelo menos â Sr. Unjo desceu a ladeira, um passo de cada vez. â AlĂ©m disso, eles tambĂ©m sĂŁo chamados de orcs aqui em Darunggar.
â Uau! â Ranta estremeceu. â Caramba. Agora estou com arrepios. Ă tipo, sabe, no nosso mundo, os orcs sĂŁo inimigos, mas aqui, sinto quase uma afinidade com eles… Bem, nĂŁo, nem tanto, mas ainda assim…
O Sr. Unjo bufou.
â Eles sĂŁo inimigos aqui tambĂ©m.
â Esses orcs, â Shihoru disse, com uma voz tĂŁo baixa quanto o zumbido de um mosquito â poderiam ter vindo de Grimgar…?
â A entrada para a saĂda… â Kuzaku sussurrou para si mesmo.
O Sr. Unjo apenas disse: â Quem sabe? â EntĂŁo, apĂłs um longo silĂȘncio, como se estivesse se lembrando pela primeira vez em muito tempo, disse: â Aqui pode ter sido o lar deles.
A colina era rochosa, mas estava coberta de pedrinhas finas que pareciam areia. Por causa disso, precisavam ter cuidado para nĂŁo escorregar.
A ladeira aparentemente estava livre de nivles. Isso provavelmente porque os logoks de que eles se alimentavam viviam em Alluja.
Aqui e ali, havia buracos com cerca de um metro de diĂąmetro. O Sr. Unjo os evitava. Quando perguntaram por quĂȘ, ele disse: â Porque lĂĄ dentro hĂĄ gujis.
De acordo com ele, um guji era uma criatura entre um macaco e um urso, e eles lutavam atĂ© a morte para defender suas tocas. Se cutucassem a toca mesmo que um pouco, Ă s vezes mais de dez gujis sairiam, e isso viraria um grande problema. Se conseguisse pegĂĄ-los, gujis eram comestĂveis, mas eram musculosos e sua carne era incrivelmente dura, mesmo quando cozida. Se cozinhasse atĂ© amaciar, o caldo supostamente era bom. NĂŁo que eles fossem pegar um, ou cozinhĂĄ-lo.
Eventualmente, começaram a ver luzes vermelhas aqui e ali. A temperatura tambĂ©m estava subindo. Estava um pouco quente. Havia vapor subindo de todo lugar. A palavra âcrateraâ passou pela mente de Haruhiro. As luzes poderiam ser lava… talvez?
Logo passaram por uma dessas luzes. Estava borbulhando e soltando vapor. Sem brincadeira, parecia realmente ser lava. Se escorregassem e caĂssem ali, teriam algo muito pior do que queimaduras.
Eles também se depararam com um rio. A profundidade não chegava nem à altura dos joelhos, e a ågua era levemente morna, mas não muito quente.
â Uma fonte termal? â Mary perguntou.
â Banho misto! â Ranta exclamou.
â Nem pensar! â Yume deu um tapa na parte de trĂĄs da cabeça de Ranta.
â TambĂ©m Ă© potĂĄvel â disse o Sr. Unjo, apontando para o rio de ĂĄgua termal com o queixo. â O gosto Ă© estranho, mas nĂŁo causa indigestĂŁo. Vamos descansar aqui.
A party, obviamente, nĂŁo entrou no esquema de banho misto, mas cavaram um buraco nas margens do rio e os garotos e garotas se revezaram para se lavar. Felizmente, o Sr. Unjo se ofereceu para fazer a vigia.
â Eu nĂŁo sei nem o que dizer… â Kuzaku disse, afundando atĂ© os ombros na ĂĄgua. â NĂŁo te dĂĄ aquela sensação de estar feliz por estar vivo? SĂł eu? Tipo, eu poderia morrer satisfeito agora. NĂŁo que eu queira morrer, mas… Isso Ă© muito bom…
â Sei como vocĂȘ se sente… â Haruhiro pegou um pouco de ĂĄgua nas mĂŁos, lavando o rosto suavemente. â Isso Ă© Ăłtimo. SĂ©rio, isso Ă© maravilhoso…
â Como assim? â Ranta cruzou os braços. â Estou decepcionado com vocĂȘs dois! A gente poderia ter convencido elas a entrarem com a gente. Se vocĂȘs dois tivessem concordado comigo, elas teriam dito algo como: Bem, dessa vez, acho que nĂŁo temos escolha. VocĂȘs sĂŁo idiotas? Como vocĂȘs podem ser tĂŁo inĂșteis?
â …Eu estou curioso para saber em que momento vocĂȘ achou que havia alguma chance delas concordarem com isso? â Haruhiro perguntou.
â HĂŁ? Ă tudo uma questĂŁo de sentimento, cara, de vibe. Dizem que, quando vocĂȘ estĂĄ viajando, deve deixar a vergonha para trĂĄs, certo? Se todo mundo fizesse isso, elas topariam o banho misto, nĂŁo acha? Quero dizer, as garotas nĂŁo sĂŁo burras.
â Bom, Yume, Shihoru e Mary nĂŁo sĂŁo burras como vocĂȘ, entĂŁo elas nunca pensariam isso.
â Ah, cala a boca! Eu queria um banho misto! Eu quero tomar banho com garotas! Eu querrroooo!
â VocĂȘ Ă© tipo um manĂaco por banho misto, hein? â Kuzaku suspirou profundamente. â Cara, isso estĂĄ bom demais…
Talvez por ter tomado um bom banho, ou pela falta de sono, Haruhiro dormiu profundamente. Yume teve que sacudi-lo para acordar, e ele se sentiu mal por isso.
O Sr. Unjo lhes contou que, uma vez, ele havia sobrevivido usando aquele Rio de Ăguas Termais como seu ponto de abastecimento. Foi nessa Ă©poca que ele tambĂ©m comeu carne de guji.
Depois que atravessaram o Rio de Ăguas Termais e seguiram em frente, o terreno nivelou. Quando perceberam, no entanto, uma falĂ©sia Ăngreme se erguia diante deles. NĂŁo era um beco sem saĂda. Havia fendas na falĂ©sia.
As fendas serpenteavam para dentro, estreitando-se e alargando-se. NĂŁo conseguiam ver nem alguns metros Ă frente, o que os deixava incrivelmente inquietos. SerĂĄ que o Sr. Unjo havia encontrado esse caminho e passado por ali sozinho?
Se Haruhiro estivesse no lugar do Sr. Unjo… ele nĂŁo teria conseguido. Nem precisava pensar a respeito. Seria impossĂvel para ele. Ele nĂŁo tinha a habilidade, nem o apego Ă vida.
Quando fazia algo por seus companheiros, Haruhiro conseguia se esforçar bastante. Mas quando se tratava de si mesmo, ele era inĂștil. NĂŁo suportava a dor, o sofrimento, ou atĂ© mesmo a falta de esperança. Para o bem ou para o mal, era simplesmente assim que Haruhiro era como pessoa.
E seus companheiros? Kuzaku, Yume, Shihoru e Mary provavelmente eram todos bastante parecidos com Haruhiro nesse sentido. Talvez o Ășnico que conseguiria resistir por conta prĂłpria fosse Ranta.
Isso provavelmente era uma força da party, e tambĂ©m uma fraqueza. Eles se davam bem, com uma exceção, e conseguiam cooperar, mas, analisando de maneira mais crĂtica, todos eram altamente codependentes e frĂĄgeis quando a situação apertava. Se um deles morresse, era provĂĄvel que perdessem a vontade de lutar de verdade. NĂŁo era uma situação em que ele queria pensar, mas era algo que precisava considerar como lĂder. Afinal, estavam em territĂłrio inimigo.
â Uauuuu… â Ranta exclamou.
Ele soava como um idiota. Mas, bem, era uma vista incrĂvel, podia-se dizer.
No final do caminho sinuoso entre as fendas, uma vista majestosa apareceu diante deles.
Conseguiram ver centenas, talvez milhares, de fluxos de lava subindo e descendo conforme se espalhavam. Havia colinas. Havia montanhas. Havia rochas gigantes. Havia construçÔes, grandes e pequenas.
Sim.
A maioria era esculpida em rochas, mas, sem dĂșvida, eram construçÔes. Eram reforçadas e decoradas com estruturas de ferro, e havia uma construção que parecia algum tipo de santuĂĄrio ou templo tambĂ©m. Havia torres. Embora nĂŁo fossem arranha-cĂ©us, havia alguns prĂ©dios de tamanho mĂ©dio ali tambĂ©m.
Entre dois fluxos estreitos de lava, uma estradaâsim, era realmente uma estradaâse estendia de um lado ao outro. Havia grandes edifĂcios voltados para as ruas principais, e fileiras de pequenas construçÔes voltadas para as ruas menores.
O céu jå estava escuro. Era noite. Mas, graças à lava, aquela era uma cidade que nunca dormia.
Uma cidade.
Aquilo era uma cidade. Ou talvez uma metrĂłpole.
â …NĂŁo pode ser â a voz de Kuzaku falhou ao falar.
â Isso… â Haruhiro nĂŁo conseguiu encontrar as palavras.
â Isso Ă©… â Shihoru perguntou com uma voz quase imperceptĂvel. â A cidade dos orcs? Tudo isso…?
â Nossa â disse Yume. â Ă uma cidade grande, hein?
Yume estava levando tudo com muita calma. Calma demais, até.
â Aquilo Ă©…? â Mary perguntou a questĂŁo que Haruhiro queria fazer. â A entrada para a saĂda?
â Sim â respondeu o Sr. Unjo, com uma leve risada na voz, por algum motivo. â Aquilo Ă© a entrada para a saĂda. Eu passei por essa cidade, Waluandin.
â Eles sĂŁo nossos inimigos, nĂ©? â Kuzaku esfregou a parte inferior das costas. â Os orcs…
â Claramente â o Sr. Unjo declarou. â Os orcs nĂŁo deixam ninguĂ©m alĂ©m de seus prĂłprios companheiros passar. O gado Ă© uma questĂŁo Ă parte, no entanto.
â V-VocĂȘs acham que a gente devia se deixar ser criados por eles? Seria mais fĂĄcil… â Ranta olhou para os outros e, entĂŁo, pigarreou. â E-Eu tĂŽ brincando, claro. NĂŁo tem como eu estar falando sĂ©rio, seus idiotas.
â Talvez nĂŁo fosse uma mĂĄ ideia â o Sr. Unjo acariciou a barba. â Mais realista do que correr por ali, pelo menos.
â E-E-Eu sei, nĂ©? NĂ©? Wahahahahaha…
â Ele estĂĄ sendo sarcĂĄstico… â Haruhiro suspirou. â Descubra isso sozinho, cara.
â Cala a boca! Eu sabia disso! SĂł estava fingindo ser idiota, seu imbecil! â Ranta gritou.
â EntĂŁo… â Yume inflou as bochechas e apontou para a cidade de Waluandin. â E agora? A gente jĂĄ chegou atĂ© aqui, nĂ©. Seria legal tentar chegar mais perto.
â Yume-san tem coragem… â Kuzaku parecia seriamente incomodado com a sugestĂŁo dela.
â Bom, sĂł se nĂŁo for perigoso, sabe? â Yume disse. â Se for perigoso, Yume acha que seria melhor a gente ir embora tambĂ©m.
â Obviamente vai ser perigoso! â Ranta bateu os pĂ©s. â VocĂȘ deveria saber disso!
â Se for sĂł um pouquinho perigoso, talvez dĂȘ certo!
â Pode nĂŁo dar… â Shihoru parecia pronta para desmaiar a qualquer momento.
â O-Onde… â Haruhiro pressionou a garganta. Ele tinha que ser firme. Talvez estivesse em choque, mas estava preparado para isso atĂ© certo ponto. Embora, sĂł atĂ© certo ponto. â Por onde vocĂȘ passou? Unjo-san. Quero dizer, em que ĂĄrea?
â NĂŁo me lembro. Eu estava desesperado â o Sr. Unjo abaixou lentamente sua mochila, agachando-se ao lado dela. â A Ășnica coisa de que tenho certeza Ă© que dois dos meus companheiros morreram em Waluandin. Iehata e Akina. Foram mortos pelos orcs, e eu fugi. Sozinho.
Pelo que o Sr. Unjo contou brevemente, a party dele encontrou dificuldades na fronteira dos antigos reinos de Nananka e Ishmal.
O territĂłrio do antigo Reino de Nananka foi invadido pelos orcs, e o antigo Reino de Ishmal tornou-se um territĂłrio dos mortos-vivos. O Sr. Unjo e seus companheiros, quando ainda eram jovens e cheios de vigor, se aventuraram com ousadia no territĂłrio inimigo e lutaram de igual para igual com poderosos mortos-vivos. No entanto, um dia, foram pegos de surpresa e um dos seus companheiros, o ladrĂŁo Katsumi, morreu.
Enquanto corriam pelo territĂłrio inimigo, acabaram se perdendo em uma ĂĄrea enevoada. Passaram por uma caverna e saĂram em uma regiĂŁo montanhosa escura com rios de lava, onde acharam que estavam seguros. Embora, ao verem os lagartos nadando despreocupadamente naqueles rios, sentiram que algo estava errado.
Felizmente, aqueles lagartos, que decidiram chamar de salamandras, nĂŁo os atacaram, mas, entĂŁo, um dragĂŁo aterrorizante devorou as salamandras. A party do Sr. Unjo foi perseguida por aquele dragĂŁo vermelho escuro, o dragĂŁo de fogo.
Dois dos companheiros do Sr. Unjo, o paladino Ukita e o mago Matsuro, aparentemente foram devorados por aquele dragão de fogo. Enquanto eles eram devorados, o caçador Unjo, o guerreiro Iehata e a sacerdotisa Akina fugiram o mais råpido que puderam.
E entĂŁo, chegaram a Waluandin. O que os aguardava lĂĄ eram milhares, talvez dezenas de milhares, de orcs.
Haruhiro tentou organizar seus pensamentos.
Atualmente, havia duas maneiras de sair de Darunggar.
A primeira opção era seguir o caminho por onde tinham vindo. Eles voltariam para Vila do Poço e, entĂŁo, atravessariam o ninho de gremlins para chegar ao Reino do CrepĂșsculo. No entanto, a floresta ao norte estava infestada pelas mariposas chamadas yegyorns. Bem, eles ficaram bem no caminho para cĂĄ, entĂŁo provavelmente conseguiriam voltar… mas nĂŁo era algo em que Haruhiro estivesse otimista. Foi um milagre terem chegado a Vila do Poço sem encontrarem nenhum yegyorn. NĂŁo podia esperar que o milagre acontecesse duas vezes.
Se fossem contar com um milagre para chegarem ao Reino do CrepĂșsculo, seria uma jogada arriscada. Mesmo que funcionasse, havia alguma esperança para eles no Reino do CrepĂșsculo? Ele nĂŁo podia dizer que nĂŁo havia, mas teriam que caçar por essa esperança enquanto eram perseguidos pelos cultistas, pelos gigantes brancos e pelas hidras. Isso nĂŁo parecia fĂĄcil. Na verdade, parecia incrivelmente difĂcil.
A segunda opção era de alguma forma passar pela Montanha do Dragão de Fogo, que ficava do outro lado de Waluandin, e então alcançar o local enevoado. Aquela era uma årea inimiga perigosa, mas mesmo deixando isso de lado por um momento, Waluandin seria um problema. Não havia como chegar à Montanha do Dragão de Fogo sem passar por Waluandin, que estava cheia de orcs? Mesmo que houvesse uma boa maneira de fazer isso, ainda haveria o dragão de fogo lå.
…Ă, nĂŁo.
Ele nĂŁo conseguia ver nenhum potencial ali. Zero. Essas eram as chances, ou algo muito prĂłximo disso.
E entĂŁo?
Talvez fosse hora de aceitar as coisas como elas eram. Eles esqueceriam Grimgar por enquanto, e viveriam aqui. Aqui em Darunggar. Se nada especial acontecesse, talvez vivessem o resto de suas vidas nesse lugar.
O que eles precisavam fazer para conseguir isso? Precisavam compartilhar seus conhecimentos, trabalhar juntos e construir uma base eståvel para suas vidas. Passo a passo. Poderiam avançar no próprio ritmo, sem se apressar.
Seria possĂvel viver em um mundo tĂŁo diferente sem grandes problemas? Eles tinham o Sr. Unjo como prova viva de que isso era possĂvel. O Sr. Unjo estava pĂĄlido, provavelmente devido Ă falta de sol, mas parecia saudĂĄvel o suficiente. Poderiam viver uma ou duas dĂ©cadas.
Com a realidade se impondo diante de Haruhiro, finalmente começou a fazer sentido.
Ei, pode funcionar, certo? Este lugar tem seu valor. Quero dizer, Grimgar nĂŁo era nossa terra natal para começo de conversaâtenho quase certeza. Quando nos demos conta, estĂĄvamos em Grimgar. Fomos forçados a viver lĂĄ. SĂł isso.
Este mundo era escuro. Escuro demais, honestamente, e isso o deixava com uma sensação sombria. Ele tambĂ©m nĂŁo conhecia bem a lĂngua. AlĂ©m disso, basicamente nĂŁo havia humanos. Era cheio de perigos. Ele tinha muitas preocupaçÔes sobre o lugar, mas provavelmente poderiam ser superadas. Eventualmente, eles se acostumariam.
Além disso, ao contrårio do Sr. Unjo, Haruhiro ainda tinha seus companheiros. Ele não estava sozinho. Suas circunstùncias não eram tão ruins quanto as de Sr. Unjo.
Mesmo percebendo que nĂŁo era do seu feitio pensar dessa maneira, ele ousou ser otimista sobre o futuro.
Grimgar tinha sido o primeiro capĂtulo de sua histĂłria. Agora, o segundo capĂtulo havia começado em Darunggar. Provavelmente haveria um terceiro e um quarto capĂtulo por vir. Ele esperava que continuasse, pelo menos.
O próximo estågio poderia ser aqui em Darunggar, ou talvez em outro lugar. Haruhiro nunca tinha sido capaz de prever para onde as coisas iriam antes. E dessa vez não era diferente. Tudo era uma grande incógnita. As coisas nem sempre seriam boas, mas também não deveriam ser ruins o tempo todo. Se havia problemas, também deveria haver alegrias a serem encontradas. Mesmo em Darunggar, que era sombrio, não era tudo escuridão. Havia luz também.
â Bem. â O Sr. Unjo se levantou e jogou a mochila nas costas. â Acho que vocĂȘ entendeu agora. NĂŁo hĂĄ como voltar para Grimgar. Agora vocĂȘ vĂȘ as razĂ”es. Eu vou voltar para Herbesit. Façam o que quiserem.
Haruhiro fechou os olhos e assentiu. NĂŁo podia suportar a ideia de eles ficarem para trĂĄs ali. Eles voltariam tambĂ©m. NĂŁo seria certo abusar da gentileza do Sr. Unjo, mas Haruhiro queria manter um bom relacionamento com o homem. Afinal, eram todos humanos, e soldados voluntĂĄriosâou melhor, ex-soldados voluntĂĄrios. O Sr. Unjo era seu veterano nesse aspecto. Haruhiro queria poder contar com seus conselhos e orientaçÔes daqui em diante.
Por enquanto, pensou Haruhiro, vamos seguir o Sr. Unjo, fazendo o nosso melhor para nĂŁo ser um fardo e nem irritĂĄ-lo. Vamos fazer isso.
â NĂłs… â Haruhiro começou a dizer, mas seus olhos se arregalaram. â …SĂ©rio?
Ele enfiou a mĂŁo dentro da camisa e puxou aquela coisa para fora.
Numa hora dessas? sério?
Era um objeto preto, plano e parecido com uma pedra. Mas nĂŁo era uma pedra. Ele vibrava, e a extremidade inferior estava brilhando em verde.
â O receptor… â Shihoru sussurrou.
â O que Ă© isso? â O Sr. Unjo empurrou a aba de seu chapĂ©u trançado para cima, com seus olhos brilhando. â Ă um item de outro mundo?
â Haruhiro â veio a voz do receptor.
â …Soma-san. â As mĂŁos de Haruhiro, e sua voz, tremiam ainda mais que o receptor.
Seus companheiros se juntaram ao redor, desesperados para ouvir o que ele iria dizer.
â EstĂĄ ouvindo? â A voz de Soma disse. â Haruhiro. Quantas vezes eu jĂĄ te chamei? Estamos em Grimgar. Akira, Tokimune e suas equipes tambĂ©m estĂŁo bem.
â Ahh, cara… â Ranta estava quase chorando. â Claro… Claro… Eles estĂŁo bem. Estou tĂŁo aliviado. A situação Ă© difĂcil, mas estou aliviado…
â Haruhiro. Ranta. Yume. Shihoru. Mary. Kuzaku â disse a voz de Soma. â Eu sei que vocĂȘs estĂŁo aĂ em algum lugar, ouvindo isso. Eu acredito em vocĂȘs.
â …Droga. â Kuzaku segurou a cabeça. â Soma-san disse meu nome…
â Quantas vezes… â Mary abaixou a cabeça.
Quantas vezes ele jĂĄ nos chamou? Era provavelmente o que ela queria perguntar.
â Estamos ansiosos para ver todos vocĂȘs de novo â disse Soma. â NĂŁo sou sĂł eu. Todo mundo estĂĄ dizendo isso.
â Ufa… â Yume caiu sentada no chĂŁo.
â Kemuri â acrescentou a voz de Soma.
â Hm â disse a voz de Kemuri. â Como estĂŁo as coisas?
â Shima.
â Sim â disse a voz de Shima. â …Haruhiro. VocĂȘ se lembra do que eu disse? Vamos conversar sobre isso da prĂłxima vez.
â Huh? Do que se trata? â perguntou Soma.
â Oh, meu. Isso te interessa, Soma?
â Sim. Interessa. Bem, acho que tudo bem. Aqui, Lilia.
â Eu nĂŁo tenho nada a dizer para um bando de crianças imaturas â disse Lilia. â Apenas… tentem ter cuidado. Acreditem em vocĂȘs mesmos e em seus companheiros. VocĂȘs devem sempre olhar e escutar o que Ă© importante, e direcionar seus coraçÔes para a luz, nĂŁo para a escuridĂŁo. Se nunca pararem de caminhar, eventualmente encontrarĂŁo um caminho. Agora, ouçam bem. Se desistirem, eu nunca vou perdoĂĄ-los. I-Isso Ă© tudo!
â Para alguĂ©m que nĂŁo tem nada a dizer, ela estĂĄ falando bastante, hein?! â Ranta fungou. â Ohhh, Lilia-san Ă© tĂŁo fofa! Quero vĂȘ-la de novo…
â Pingo? â disse Soma.
â VĂŁo pro inferno. Uheheheh… Estou brincando. Ei, Soma… VocĂȘ pode tentar fazer Zenmai falar, mas nĂŁo vai funcionar. Seu idiota… Uheheheh…
â Ah, entendi â disse Soma. â Bem, nĂŁo somos sĂł nĂłs. Akira-san, Miho-san, Gogh-san, Kayo-san, Branken e Taro tambĂ©m estĂŁo preocupados com vocĂȘs. Depois tem Rock, Kajita, Moyugi, Kuro, Sakanami, Tsuga, Io, Katazu, Tasukete, Jam, Tonbe e Gomi. Acho que vocĂȘs ainda nĂŁo os conheceram. Eu contei a todos sobre vocĂȘs. Todos estĂŁo interessados em vocĂȘs.
â Os Rocks e o esquadrĂŁo da Io-sama! â Ranta se contorceu um pouco. â E, espera, que tipo de nomes sĂŁo Tasukete e Gomi? Isso Ă© tipo se chamar Me Ajude e Lixo! Bom, tanto faz, ouvi dizer que a Io-sama Ă© uma gata. Cara, eu quero muito vĂȘ-la…
â Ele nunca desiste… â Shihoru disse friamente. â Mas…
â Haruhiro. â Soma chamou o nome de cada um deles mais uma vez, como se estivesse esculpindo cada um. â Ranta. Yume. Shihoru. Mary. Kuzaku. Estaremos esperando. AtĂ© mais.
O receptor parou de vibrar, e a luz na extremidade inferior desapareceu.
Haruhiro ainda estava segurando o receptor, incapaz de respirar direito.
â Akira, ele disse? â O Sr. Unjo soltou uma risada baixa de repente. â E Gogh? Absurdo. Isso Ă© impossĂvel. NĂŁo pode ser…
â …VocĂȘ os conhece? â Kuzaku perguntou hesitantemente.
â Conheço de nome â o Sr. Unjo parou e soltou um suspiro. â NĂŁo sĂŁo necessariamente as mesmas pessoas. SĂŁo pessoas diferentes com os mesmos nomes. Provavelmente…
Akira e Gogh tinham a mesma idade e haviam sido soldados voluntĂĄrios por vinte anos. Haruhiro nĂŁo sabia a idade exata deles, mas imaginava que estivessem na faixa dos quarenta anos. O Sr. Unjo devia ter mais ou menos a mesma idade. NĂŁo seria estranho se ele os conhecesse.
Haruhiro respirou fundo. Sua mente ainda estava completamente entorpecida. â Acho que devem ser os mesmo Akira-san e Gogh-san.
â O Soman disse que ligou um monte de vezes â Yume disse com uma voz sonhadora e suave. â EntĂŁo por que nunca ouvimos atĂ© agora?
â Espera, Soman â Haruhiro começou a corrigi-la, mas decidiu deixar pra lĂĄ.
Acho que o apelido tĂĄ bem, pensou ele. Ou talvez nĂŁo esteja? SerĂĄ? NĂŁo sei mais de nada.
â Talvez… â Mary olhou para alĂ©m de Waluandin. â …seja porque estamos perto?
â Ă isso! â Ranta apontou para Mary. â Mary, garota, vocĂȘ Ă© esperta! Mas eu tambĂ©m jĂĄ tinha sacado isso, estava prestes a dizer!
â Garota? HĂŁ? Como Ă©? â perguntou Mary. â TĂĄ me dizendo que nunca mais quer ser curado?
â …Ah! Desculpa, eu fui meio informal. Tenho que ser mais educado, milady. PerdĂŁo. NĂŁo, sĂ©rio, sĂ©rio. NĂŁo vai acontecer de novo. EntĂŁo, me perdoa! Por favorzinhoooo!
â Esse por favorzinho foi irritante… â Shihoru murmurou.
Haruhiro concordava.
Mas deixando isso de lado por agora…
â Estamos perto, hein? â Haruhiro olhou para o receptor. â Entendo. EntĂŁo estamos perto. Estamos perto de Grimgar.
Yume apertou a mĂŁo contra o centro do peito. â Yume quer ir pra casa. Yume quer ver o Mestre tambĂ©m. Se ela nĂŁo pudesse vĂȘ-lo nunca mais, bom, Yume nĂŁo ia gostar disso.
â Ă… â Kuzaku olhou para o cĂ©u escuro. â Tenho que concordar.
Pare com isso, Haruhiro pensou. Por favor, parem. NĂŁo me contem a verdade assim.
Porque, mesmo que seja como vocĂȘs realmente se sentem, simplesmente nĂŁo Ă© possĂvel. Se me perguntassem se eu quero voltar para casa ou nĂŁo, Ă©, eu quero voltar para casa. Quero dizer, eu nem brincaria sobre querer ficar aqui para sempre. Mas qual escolha nĂłs temos? Se tentarmos voltar, estaremos arriscando nossas vidas. E, se arriscarmos, nĂŁo hĂĄ garantia de que vai valer a pena, e eu nem consigo imaginar que valeria.
Eu nĂŁo posso ser tĂŁo aventureiro assim. E nĂŁo quero que vocĂȘs sejam tambĂ©m. NĂŁo quero perder ninguĂ©m. NĂŁo quero deixar vocĂȘs morrerem. NĂłs vamos viver. Todos nĂłs. Essa Ă© a melhor opção.
âSe desistirem, eu nunca vou perdoĂĄ-losâ, Lilia havia dito. O que isso deveria significar? Que eles nĂŁo deveriam desistir, que deveriam lutar e sobreviver? Ou…
âEstaremos esperandoâ Soma havia dito tambĂ©m.
âAtĂ© maisâ ele disse.
â NĂŁo podemos correr riscos â Haruhiro disse claramente. â NĂŁo riscos desse tamanho, de jeito nenhum. Mas o que podemos fazer Ă© garantir nossa segurança, enquanto procuramos uma saĂda com calma.
â HĂŁ? â Ranta cruzou os braços e inclinou a cabeça. â O que isso significa, basicamente?
â …Mmm? â Kuzaku perguntou. â VocĂȘ Ă© burro?
â Kuzacky! VocĂȘ estĂĄ tirando sarro do seu super veterano! Vou jogar merda em vocĂȘ, seu idiota!
â Que nojo! Puxa vida! â Yume fez uma careta. â Basicamente, isso quer dizer isso. Quer dizer isso, nĂ©? EntĂŁo… Ă© isso, nĂ©? NĂ©…?
â VocĂȘ tambĂ©m nĂŁo entendeu! â Ranta gritou.
â Vamos fazer o possĂvel para nĂŁo nos colocarmos em perigo, e vamos ficar atentos â Shihoru disse enfaticamente. â Continuaremos avançando com nossa investigação, e se algum dia, alcançarmos nosso objetivo…
â …podemos voltar â Mary completou. Ela mordeu o lĂĄbio. â Para Grimgar.
â Ă isso que significa, nĂ©? â Ranta disse, estufando o peito de forma arrogante. â Eu sei disso, idiotas.
Com a mochila novamente nas costas, o Sr. Unjo se virou para ir embora. â Façam o que quiserem.
Mesmo se pudesse voltar, o Sr. Unjo não voltaria. Talvez não fosse por uma razão simples, como Eu tenho Rubicia, mas ele ainda escolheria ficar em Darunggar. Era essa a sensação que dava.
Bem, cada um com seus motivos.
Haruhiro inclinou a cabeça profundamente. â Muito obrigado por tudo, Unjo-san. De verdade!
O Sr. Unjo parou. Ele nĂŁo se virou. â …NĂŁo morram, meus jovens.
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