Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 13 â Volume 7
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 13:
[Revelação]
Antes de partir, Haruhiro e os outros seguiram o conselho, ou melhor, as instruçÔes do Sr. Unjo e fizeram preparativos meticulosos.
A cidade de Herbesit ficava a oeste da Vila do Poço, uma viagem de trĂȘs dias a pĂ©. No caminho, teriam que acampar na floresta. Embora houvesse poucos yegyorns na floresta a oeste, havia uma colĂŽnia de gaugais (ou inuzarus) naquela ĂĄrea. TambĂ©m havia diversos carnĂvoros e onĂvoros ferozes, alĂ©m dos durzoiâque aparentemente significava âanciĂŁosâ ou algo assimâuma raça humanoide de quatro braços.
Segundo o Sr. Unjo, os durzoi eram caçadores orgulhosos, que geralmente trabalhavam sozinhos, caçando grandes bestas carnĂvoras chamadas vaguls. Se alguĂ©m roubasse suas presas, eles se tornariam inimigos vingativos e perigosos, mas, enquanto seus interesses nĂŁo fossem prejudicados, permaneciam largamente inofensivos. Ainda assim, a party precisaria tomar cuidado com os vaguls e outras feras, como siddas, wepongs e gaugais. Cada uma dessas bestas usava tĂĄticas diferentes e sabiam explorar qualquer abertura.
Havia um método para evitar a maioria dessas feras, que era usar um sino como o do carvoeiro.
Eles conseguiram comprar um sino repelente de feras na ferraria. Não foi barato. Custou 20 ruma, mas aparentemente era necessårio para atravessar a floresta, então provavelmente valia o preço.
Na floresta oeste, basicamente precisariam manter o sino repelente tocando o tempo todo. O Sr. Unjo, naturalmente, tinha seu prĂłprio sino, mas disse que seria difĂcil atravessar a floresta sozinho. Ter companheiros tornaria a jornada mais fĂĄcil. Quando precisasse descansar, os outros poderiam se revezar tocando o sino.
Além disso, embora não fossem uma ameaça tão grande quanto os yegyorns, a floresta também abrigava insetos e cobras venenosas, então era melhor não deixar nenhuma parte do corpo exposta ao dormir.
Haruhiro e os outros compraram um tecido grosso na loja de roupas e bolsas para fazer tendas. Eles também fizeram novas roupas de baixo com um tecido confortåvel para a pele. Compraram alimentos preservados e velas na mercearia. Também compraram óleo feito de alguma planta.
Haruhiro e os outros vinham tratando o laboratório do såbio Oubu como uma loja de variedades, mas descobriram que a verdadeira loja de variedades da Vila do Poço era a mercearia do grande caranguejo.
Com tudo pronto, a party seguiu o Sr. Unjo e partiu da Vila do Poço.
Primeiro, seguiram a estrada com as marcas das rodas de carroça atĂ© o local do carvoeiro. O caminho nĂŁo terminava ali. Haruhiro e os outros jĂĄ tinham pensado nisso antes. Se continuassem alĂ©m daquele ponto, onde chegariam? Segundo o Sr. Unjo, a estrada eventualmente levava a uma encruzilhada com trĂȘs bifurcaçÔes.
O Sr. Unjo liderava o caminho, com seu sino repelente de feras pendurado na mochila, então, por enquanto, tudo que Haruhiro e os outros precisavam fazer era segui-lo. Enquanto tivessem o sino do Sr. Unjo, talvez nem precisassem de um sino para si mesmos. Esse pensamento passou por suas cabeças, mas isso seria depender demais de um estranho.
O carvoeiro, que era idĂȘntico ao ferreiro da Vila do Poço, estava trabalhando em seu forno de carvĂŁo. O Sr. Unjo aparentemente conhecia o carvoeiro tambĂ©m, porque os dois tiveram uma conversa agradĂĄvel antes de ele mandar Haruhiro e os outros descansarem ali.
â NĂŁo hĂĄ lugar mais seguro nessa floresta â disse o Sr. Unjo. â NĂŁo hĂĄ homem mais amigĂĄvel alĂ©m deste ponto. Depois de entenderem isso, descansem Ă vontade.
Pela forma como o Sr. Unjo falava, as pessoas de Herbesit talvez nĂŁo fossem necessariamente amigĂĄveis.
Haruhiro estava 99% tomado por uma sensação de desconforto, mas foi aquele Ășltimo 1% de esperança que o impediu de desistir. Haruhiro e os outros precisavam saber. E nĂŁo apenas ouvir sobre isso, eles precisavam saber em primeira mĂŁo. Ver para crer. Havia coisas que nĂŁo poderiam entender atĂ© verem e sentirem por si mesmos. Seria errado agir com base em informaçÔes que tinham apenas ouvido de outros. Se era uma decisĂŁo que afetaria o futuro deles, isso se tornava ainda mais importante.
Depois de tirar uma pequena soneca, o Sr. Unjo pressionou para que partissem. Tudo além da cabana do carvoeiro era um mundo novo e desconhecido para Haruhiro e os outros. Estavam tensos, mas o Sr. Unjo andava råpido, e nada aconteceu. Parecia que o sino repelente de feras estava fazendo um excelente trabalho.
Enquanto estavam na floresta, não conseguiam ver o cume distante. O céu ainda clareava um pouco, então podiam distinguir o dia da noite.
O grupo chegou Ă encruzilhada de trĂȘs bifurcaçÔes no mesmo dia. O Sr. Unjo escolheu o caminho que seguia para o sudoeste. Ele disse que, se fossem para o noroeste, chegariam a montanhas Ăngremes. Eles podiam ver o contorno das montanhas Ă distĂąncia.
A estrada com marcas de rodas de carroça não tinha sido feita pelo carvoeiro; aparentemente, era algo que existia havia muito tempo. O mesmo valia para o forno de carvão, e havia outro carvoeiro antes do atual.
De acordo com as tĂĄbuas de argila e pedra, mesmo apĂłs a partida de Lumiaris e Skullhell, a guerra continuou em Darunggar por muito tempo entre as forças da Deusa da Luz e as forças do Deus das Trevas. Em outras palavras, entre as forças da luz e da escuridĂŁo. Com Darunggar firmemente dividida em dois lados, eles foram incapazes de se reconciliar, mesmo apĂłs a partida de seus lĂderes.
Esse trågico conflito, incrivelmente, ainda se arrastava até os dias de hoje. Por exemplo, os mortos eram descendentes dos adoradores de Skullhell, e matavam e devoravam uns aos outros, orando pela destruição de tudo. As pessoas reunidas na Vila do Poço eram descendentes dos seguidores de Lumiaris, e passavam adiante histórias sobre o retorno de Lumiaris, que traria luz ao sombrio Darunggar. Por outro lado, pensavam nisso apenas como uma lenda, assim como a previsão de que o mundo terminaria na escuridão. A adoração à boneca Kinuko e a objetos de outro mundo talvez fosse uma manifestação desses sentimentos distorcidos.
Segundo o Sr. Unjo, apĂłs decifrar as tĂĄbuas, parecia que certas raças haviam construĂdo reinos e que grupos das facçÔes da luz e da escuridĂŁo haviam se reconciliado para formar espaços de convivĂȘncia compartilhada no passado. No entanto, qualquer grupo maior do que uma vila ou cidade estava fadado a colapsar sob pressĂ”es internas ou externas. Sempre que um rei, que usava sua liderança para construir um paĂs, morria ou era morto, a terra rapidamente se transformava em guerra civil, e tudo acabava em ruĂnas.
Darunggar aparentemente significava algo como âterra do desesperoâ. Esse mundo nem sempre foi conhecido por esse nome. Originalmente, era Fanangar (paraĂso), governado por Enos (um deus). Quando Enos se dividiu nos conflitantes Lumiaris e Skullhell, tornou-se Jidgar (campo de batalha). Quando o mundo foi abandonado por ambos os deuses, o cĂ©u e a terra foram envoltos em desespero.
Eles continuaram seguindo as marcas de rodas pela floresta densa. Ainda não havia sinal de bestas. Estavam gratos aos sinos repelentes por isso. Ao anoitecer, Haruhiro sentiu que alguém o observava. Quando informou o Sr. Unjo, ele disse que eram os durzoi.
â Nessas florestas, isso acontece o tempo todo â disse o Sr. Unjo. â NĂŁo tente procurĂĄ-los. VocĂȘ nunca os encontrarĂĄ. Se eles se tornarem hostis, vocĂȘ serĂĄ o alvo. Isso nĂŁo trarĂĄ nada de bom.
Haruhiro provavelmente poderia simplesmente fazer o que o Sr. Unjo disse e nĂŁo se incomodar. Mas, honestamente, ele se perguntava.
JĂĄ era tarde da noite, entĂŁo montaram as barracas e dormiram em turnos enquanto mantinham os sinos repelentes tocando. Ele nĂŁo sentia nada quando estava dentro da barraca, mas, durante seu turno como tocador de sino do lado de fora, Ă s vezes se sentia estranhamente inquieto.
Os monstros faziam barulhos de vez em quando também. Isso certamente era de propósito. Os caçadores durzoi estavam escolhendo fazer barulho para ver o que ele faria. Se Haruhiro agisse de maneira hostil, uma flecha poderia ser disparada em sua direção imediatamente. Os durzoi podiam estar mais próximos do que ele imaginava. Ele podia se virar e encontrå-los bem ali, apenas para ter sua vida ceifada no momento seguinte. Não podia negar que era uma possibilidade.
Ou talvez estivessem apenas se divertindo ao intimidar o grupo e mantĂȘ-los em alerta…
Haruhiro não conseguiu dormir direito, mas, quando amanheceu, não sentia mais a presença dos durzoi.
Foram embora, hein? ele pensou. NĂŁo, nĂŁo hĂĄ como ter certeza disso. NĂŁo posso baixar a guarda. Ou estou pensando demais, talvez?
â Se continuar se preocupando assim, vai acabar ficando careca, cara â Ranta riu com desdĂ©m.
Haruhiro ficou irritado, mas dar atenção a Ranta sĂł pioraria as coisas, entĂŁo ele apenas disse: â Ă, Ă©… â e deixou passar. Mas entĂŁo, aquele pedaço de lixo do Ranta se aproximou e sussurrou no ouvido dele: â C-A-R-E-C-A, entendeu?
Se ao menos Ranta tivesse sumido no lugar dos durzoi. Na verdade, eu gostaria de trocar Ranta por um durzoi na party.
Enquanto pensava nisso, percebeu que seu medo e inquietação em relação aos durzoi diminuĂam. Mesmo o lixo pode ser Ăștil de vez em quando.
Mais tarde naquele dia, quando o cĂ©u começou a escurecer, houve um incidente. Algo estava bloqueando o caminho Ă frente deles. Pior ainda, seja lĂĄ o que fosse, estava se movendo. NĂŁo, talvez âcontorcendoâ fosse a palavra mais adequada para descrever.
Eram criaturas longas e finas. Havia um grande nĂșmero delas. Um nĂșmero incrĂvel.
Ă primeira vista, pareciam… pareciam intestinos. Talvez tripas? Se fosse para dar uma comparação mais razoĂĄvel, eram como vermes. Intestinos tĂŁo grossos quanto o pulso dele. NĂŁo, vermes. Havia uma enorme massa deles, bloqueando a estrada da carroça.
â …O que sĂŁo aquelas coisas? â Kuzaku perguntou com a voz rouca.
Surpreendentemente, o Sr. Unjo balançou a cabeça.
â Quem sabe.
â Kya… â Shihoru soltou um pequeno grito e deu um passo para trĂĄs. Era fĂĄcil entender por que ela reagiria assim.
â V-Vai ficar tudo bem, nĂ©? â Yume olhou para Haruhiro. â …VocĂȘ acha que vai ficar tudo bem, nĂ©?
Ele queria dizer ânĂŁo me pergunteâ, mas se segurou.
â …B-Bem, nĂŁo sei.
â Parupiro! â Ranta deu um tapa nas costas de Haruhiro. â Vai! Pule por cima deles! Se fizer isso, saberemos se Ă© seguro ou nĂŁo. Vai lĂĄ! VocĂȘ Ă© o lĂder, cara! Vai nessa!
â NĂŁo seja assim. â Mary Ă s vezes era assustadora. â Por que vocĂȘ nĂŁo pula em vez disso? Se algo acontecer com o Haru, todos nĂłs estaremos em apuros.
â O quĂȘ, e vocĂȘ nĂŁo se importa se algo acontecer comigo?! Vai ser tarde demais para se arrepender quando eu me for! VocĂȘ jĂĄ pensou nisso antes de falar, hein?! VocĂȘ entende adequadamente minha grandeza, o quĂŁo especial eu sou, minhas contribuiçÔes e meu potencial futuro?!
â Uh, sim, vocĂȘ Ă© bem especial mesmo, Ranta-kun â Kuzaku disse.
â Kuzacky! Bom, bom, bom! Eu sabia que vocĂȘ entenderia! VocĂȘ nĂŁo Ă© sĂł um vara-pau afinal! VocĂȘ deve ser, tipo, um vara-pau nĂvel 2 ou algo assim! NĂŁo, talvez atĂ© nĂvel 3?!
â NĂŁo Ă© bem um elogio…
â Eu estou te elogiando aqui. VocĂȘ nem consegue perceber isso, seu idiota? Honestamente, vocĂȘ Ă© sĂł altura e nenhum cĂ©rebro? Ă por isso que vocĂȘ Ă© um vara-pau? Wahaha! Faz sentido!
â Ei. â O Sr. Unjo de repente agarrou Ranta pela gola e começou a arrastĂĄ-lo.
â …QuĂȘ?! O-Que?! O que estĂĄ acontecendo?! Ei, Unjo-san?! Quer dizer, Unjo-sama?! O que, o que?! P-Pare com isso?! Ei! Isso Ă©, wahhâ
O Sr. Unjo era forte. Ele arrastou Ranta facilmente com um braço só, então o jogou no meio da massa de vermes gigantes ou intestinos em movimento.
Ranta caiu de costas bem no meio do enxame. â wahhhhhhhhhhhhhh…
Aconteceu num instante. Ranta foi engolido pelos vermes gigantes ou intestinos em movimento, e a party perdeu de vista ele. Se o Zodiac-kun estivesse ali, que tipo de comentĂĄrio o demĂŽnio estaria fazendo? NĂŁo, agora nĂŁo era hora de pensar nisso…
Ou era? Talvez…?
â R-Ranta…? â Haruhiro chamou hesitante.
â Wahhhhhhhhhhhh?! â Ranta pulou do centro dos vermes gigantes ou intestinos em movimento. Ainda havia vermes enrolados em seu pescoço, braços, pernas e tronco, tentando puxĂĄ-lo de volta. Ranta lutava. â Eu tĂŽ morrendo! TĂŽ morrendo aqui, me salva! Eu vou morrer! S-Socorrooooooooooo!
â Se for preciso… â Kuzaku murmurou, estendendo seu longo braço para resgatar Ranta.
Era o gesto certo a se fazer. Haruhiro ficou impressionado. Mas não era perigoso? Assim como Haruhiro temia, os vermes gigantes ou intestinos atacaram Kuzaku também, além de Ranta.
â Wah! Ohh, droga! â Kuzaku gritou.
â Dark! â Shihoru invocou o elemental chamado Dark, e o fez mergulhar nos vermes gigantes ou intestinos em movimento. Isso afastou alguns, talvez atĂ© algumas dezenas deles, mas ainda era insuficiente.
Se fosse sĂł o Ranta, Haruhiro poderia tĂȘ-lo abandonado, mas como Kuzaku tambĂ©m estava envolvido, nĂŁo tinha escolha a nĂŁo ser salvĂĄ-los. No fim, todos, exceto o Sr. Unjo, tiveram que ajudar a puxar os vermes gigantes ou intestinos em movimento que haviam capturado Ranta e Kuzaku, um por um. Depois disso, eles se afastaram um pouco do local e esperaram que os vermes gigantes ou intestinos terminassem de atravessar a estrada da carroça. Quando a manhĂŁ chegou, as estranhas criaturas contorcidas jĂĄ tinham desaparecido completamente.
O que eram aquelas coisas, afinal?
Pensar sobre isso não levaria a respostas. Fazendo uma anotação mental de que coisas assim podiam acontecer, eles caminharam por mais um quarto de dia, até que a floresta terminou de repente.
A estrada da carroça continuava, descendo em uma inclinação gradual. Do outro lado, havia uma cidade se espalhando. Embora estivesse meio destruĂda, ainda havia uma muralha defensiva ao redor. Ă primeira vista, parecia ter um quilĂŽmetro de largura… nĂŁo, mais do que isso. Parecia ter um quilĂŽmetro e meio de cada lado.
Estava claro. Aquela era a iluminação da cidade. Sem dĂșvida, havia centenas, possivelmente milhares de pessoas vivendo ali. Eles podiam ver claramente vĂĄrias figuras andando pelas ruas principais. Parecia haver muitos prĂ©dios de pedra. As construçÔes tinham um, dois, trĂȘs andares, e algumas eram ainda mais altas. Havia vĂĄrias torres se erguendo em direção ao cĂ©u.
O vento soprou de repente, e as årvores da floresta farfalharam. Logo depois disso, eles ouviram o som de um sino. Era diferente dos sinos repelentes de bestas que o Sr. Unjo e a party de Haruhiro carregavam. Era um som mais pesado, maior e, de alguma forma, triste. Provavelmente havia um campanårio em algum lugar da cidade, e seu sino balançava ao vento. Talvez uma daquelas torres fosse uma torre do sino.
â Esta Ă© a cidade de Herbesit. â O Sr. Unjo, que estava na frente da party, tirou o chapĂ©u de trança. â NĂŁo escondam o rosto em Herbesit. Mas tambĂ©m nĂŁo façam contato visual com ninguĂ©m. Isso serĂĄ visto como um desafio. Se forem provocados, ignorem. As pessoas nessa cidade adoram brigar. Se nĂŁo quiserem conflito, mantenham a cabeça baixa e fiquem quietos. Se quiserem lutar atĂ© a morte, aĂ jĂĄ Ă© diferente. Façam o que quiserem.
Haruhiro e os outros estremeceram.
QuĂŁo perigoso era esse lugar…?
Acontece que era muito perigoso. Mal haviam chegado ao fim da estrada da carroça e entrado na cidade, quando uma dupla de criaturas humanoides, curvadas o mĂĄximo possĂvel, mas ainda mais altas que Kuzaku, apareceu para provocar uma briga.
Eles não conseguiam entender o que a dupla estava dizendo, mas era claro que estavam fazendo falsas acusaçÔes. Um deles pulava de um lado para o outro na frente do Sr. Unjo, fazendo sons provocantes e batendo palmas. O outro ficava colocando o rosto perto de Shihoru, emitindo sons agudos, algo como hee-haw, hee-haw.
Shihoru estava quase chorando. Haruhiro queria ajudar, mas se encarasse aquelas criaturas e dissesse: Ei, parem com isso, uma briga teria começado ali mesmo. Shihoru teria que aguentar, e os outros também teriam que suportar.
Eventualmente, quando parecia que os dois tinham ido embora, Yume soltou um grito estranho.
â Yow! â Quando Haruhiro olhou, ela estava esfregando a parte de trĂĄs da cabeça. AlguĂ©m havia jogado uma pedra nela, e tinha acertado.
â Yume?! TĂĄ tudo bem?! â Ranta olhou ao redor. â Maldição! Quem fez isso?!
â Pare! â Mary rapidamente acertou o ombro de Ranta com a ponta de seu cajado. â Ă uma provocação Ăłbvia. NĂŁo caia tĂŁo fĂĄcil.
â Mary, vocĂȘ tem certeza de que nĂŁo tĂĄ tentando me provocar? â Ranta retrucou. â Doeu bastante, sabe…
â Ah, doeu? â Mary o ignorou com indiferença. â Yume. Eu sei que deve estar doendo, mas aguente firme. Eu te curo mais tarde.
â Miau… TĂĄ bom. Essa coisinha veio voando, e entĂŁo, bum, foi sĂł um susto. SĂł tem um pouco de sangue. A Yume vai ficar bem.
â Um pouco de sangue?! â Ranta continuou olhando para baixo, estalando a lĂngua. â Esses idiotas acham que podem mexer com a gente. Eu vou arrancar pedaço por pedaço deles. SĂ©rio…
â Ele nunca aprende… â Kuzaku esboçou um leve sorriso irĂŽnico.
Shihoru riu friamente.
â Claro que nĂŁo. Ă o Ranta.
â E daĂ se sou eu, hein?! Ah, vai, Tetas de Torpedo?!
â Cara… â Haruhiro começou, mas decidiu que seria estĂșpido envolver-se com ele e fechou a boca.
As provocaçÔes dos moradores continuaram apĂłs isso tambĂ©m. Eles os seguiam e insultavam, jogavam coisas neles, bloqueavam o caminho, e isso era o mĂnimo. Havia alguns que os faziam tropeçar de repente, e outros que chegavam ao ponto de atacĂĄ-los. NĂŁo importava como ignorassem, desviassem ou evitassem, esses agressores apareciam um apĂłs o outro. Era exaustivo tanto fĂsica quanto emocionalmente.
Se o Sr. Unjo nĂŁo estivesse lĂĄ, eles teriam fugido da cidade dentro de um minuto apĂłs entrarem, ou se envolvido em uma briga.
SerĂĄ que Haruhiro e os outros estavam sendo alvo de provocaçÔes por serem forasteiros? Parecia que nĂŁo era exatamente esse o caso. Havia violĂȘncia um contra um, um contra muitos, e muitos contra muitos espalhada por toda a cidade, e eles atĂ© ouviam, ocasionalmente, gritos de morte aterrorizantes. Era difĂcil acreditar, ou pelo menos eles nĂŁo queriam acreditar, mas as pessoas nĂŁo estavam apenas se ferindo, estavam sendo mortas. O que havia de errado com essa cidade…?
A situação era tĂŁo caĂłtica que combates eclodiam nas ruas principais com frequĂȘncia considerĂĄvel, e os espectadores apostavam nos resultados.
O Sr. Unjo se afastou das ruas principais, levando Haruhiro e os outros pelos becos. Esses becos eram um pouco melhores. De cada lado da rua, que era relativamente estreita, com cerca de dois metros de largura, havia pessoas de vårias raças agachadas. Elas diziam coisas com vozes lamentåveis, estendendo as mãos. Se Haruhiro baixasse a guarda, elas puxariam sua capa. Pelo que ele podia ver, muitos estavam feridos. Provavelmente eram mendigos. Eram sombrios, deprimentes, e logo ele se cansou deles, mas era melhor do que as ruas principais, onde todos estavam åvidos por uma briga e mortes eram constantes.
Ainda assim, como poderiam viver assim? Havia aqueles claramente Ă beira da morte, ou que nem se moviam mais, e o cheiro de algo apodrecendo pairava no ar. Parecia que vĂĄrios deles nĂŁo tinham conseguido sobreviver, e jĂĄ nĂŁo estavam mais entre os vivos.
â NĂŁo toquem em nada nesta cidade que nĂŁo precisem. E nĂŁo deixem ninguĂ©m tocar em vocĂȘs. â O Sr. Unjo evitou as mĂŁos dos mendigos enquanto dizia isso. â VocĂȘs nĂŁo gostariam de pegar alguma coisa. NĂŁo posso dizer que doenças mortais sejam incomuns por aqui.
â Que nojo… â Ranta murmurou. AtĂ© mesmo Ranta, que jĂĄ era uma praga por si sĂł, parecia ter medo de adoecer.
Naturalmente, Haruhiro tambĂ©m tinha medo de doenças. Mary sabia a magia Purify, um feitiço para remover venenos, e ele funcionava em algumas doenças tambĂ©m. Algumas, sendo a palavra-chave. Resfriados comuns, por exemplo, nĂŁo podiam ser curados com magia. Se ficassem doentes, teriam que contar com os medicamentos que pudessem conseguir, e com sua prĂłpria resistĂȘncia fĂsica e mental para se recuperarem. Haruhiro sabia muito bem que seu corpo nĂŁo era especialmente robusto, e que ele tambĂ©m nĂŁo tinha uma força de vontade muito grande. Quando se tratava de doenças, a prevenção era o melhor remĂ©dio.
Enquanto se desviavam dos mendigos dos becos, eles acabaram se deparando com uma torre que nĂŁo era particularmente alta, com cerca de cinco metros. O Sr. Unjo usou o batedor de metal na porta. Pouco depois, a porta se abriu.
Uma mulher de pele quase translĂșcida, vestindo um manto marrom, saiu. Seu cabelo penteado era grisalho. SerĂĄ que ela era humana? NĂŁo, nĂŁo era. Ela parecia ser quase humana, mas seus olhos nĂŁo tinham a parte branca. Pareciam mais com bolas de vidro encaixadas nas Ăłrbitas. AlĂ©m disso, ela tinha trĂȘs fendas em cada bochecha, que abriam e fechavam levemente. Eram quase como guelras.
â Unjo â disse a mulher, antes de olhar para Haruhiro e os outros com seus olhos vĂtreos. â Akuaba?
â Moa worute. â O Sr. Unjo fez um gesto com o queixo, como se dissesse: Nos deixe entrar. A mulher permitiu que nĂŁo sĂł o Sr. Unjo, mas tambĂ©m Haruhiro e os demais, entrassem na torre.
O teto era alto. Estaria aberto até o telhado? As paredes eram quase inteiramente formadas por estantes de livros. As prateleiras carregavam tåbuas de argila e pedra, armas e armaduras, algum tipo de equipamento, itens que pareciam fora de lugar, plantas em vasos e mais. Havia lùmpadas espalhadas aqui e ali, além de escadas e bancos.
â Esta Ă© Rubicia â apresentou o Sr. Unjo.
A mulher juntou as mĂŁos na frente do peito e fez uma reverĂȘncia para eles. Talvez fosse assim que cumprimentavam as pessoas ali.
â O-OlĂĄ. â Haruhiro tentou imitar Rubicia. â Eu sou Haruhiro.
â Eu sou o Ranta. â Ranta cruzou os braços arrogantemente. â Me chamam de Ranta-sama!
â Kuzaku. â Kuzaku fez uma leve reverĂȘncia com a cabeça.
â Yume! â Yume disse em voz alta, claramente articulando, e entĂŁo sorriu. â Hehe.
â …Eu sou Shihoru. â Shihoru imitou Rubicia como Haruhiro tinha feito.
â Eu sou Mary. â Mary fez uma reverĂȘncia adequada. â Prazer em conhecĂȘ-la, Rubicia-san.
Rubicia assentiu lentamente, trocando algumas palavras com o Sr. Unjo antes de descer as escadas ao lado da parede. Aparentemente, havia um cĂŽmodo no porĂŁo.
â Aqui Ă© seguro. â O Sr. Unjo colocou sua mochila no chĂŁo. â Se quiserem descansar, descansem. Rubicia trarĂĄ ĂĄgua em breve. A ĂĄgua nĂŁo estĂĄ infectada ou contaminada. NĂŁo se preocupem.
â Certo! â Ranta sentou-se imediatamente. â PĂŽ, se vocĂȘ tem um esconderijo seguro desses, por que nĂŁo falou antes, Unjo-saaaan, caramba. AliĂĄs, qual Ă© a da Rubicia-san? Ela Ă© sua… sabe como Ă©? Nah, impossĂvel…
â Sim â respondeu o Sr. Unjo. â Rubicia Ă© minha esposa.
Haruhiro nĂŁo conseguiu evitar sussurrar: â Nossa…
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
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