Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 08 – Volume 7

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – CapĂ­tulo 08:
[O Senpai Deles na Vida]


— Meu nome Ă© Unjo — disse o homem, usando a mesma lĂ­ngua que Haruhiro e os outros falavam.

Para a surpresa deles, esse homem, o Sr. Unjo, explicou que “a noite jĂĄ havia chegado trĂȘs mil vezes” desde que ele se perdeu nesse mundo.

Seriam os dias aqui do mesmo comprimento que no outro mundo, ou seriam diferentes? Isso era incerto, mas, se partirem da hipĂłtese de que eram iguais, atĂ© mesmo dois mil dias seriam cinco anos e meio, e se fossem trĂȘs mil, o Sr. Unjo jĂĄ estaria neste mundo hĂĄ mais de oito anos. Ele sobreviveu todo esse tempo.

— É difĂ­cil acreditar — disse Unjo com uma voz rouca que parecia ter um tom irĂŽnico, como se estivesse rindo. — Que estou vendo… humanos. Faz muito tempo. Tanto tĂŁo tĂŁo desde que esses olhos viram um humano vivo. Nunca pensei que veria. Mas agora, estou vendo.

Haruhiro entendeu as palavras de Unjo. No entanto, seu sotaque era estranho, e a ordem das palavras Ă s vezes soava bizarra. Talvez ele nĂŁo falasse o idioma humano hĂĄ muito tempo.

Assim que descobriram que o Sr. Unjo era um humano, como eles, Ranta o bombardeou com perguntas sem parar.

— Senpai, senpai, senpai, por favor, nos ensine! VocĂȘ tambĂ©m era de Altana, senpai?! VocĂȘ era um soldado voluntĂĄrio?! Tipo, como vocĂȘ veio parar neste mundo?! SĂ©rio, o que Ă© esse mundo?!

— Altana… — Sr. Unjo sussurrou para si mesmo e entĂŁo ficou em silĂȘncio por um longo tempo.

Enquanto Ranta continuava: — Sim, sim, Alnerta, isso mesmo, Analta! NĂŁo, Atarna! NĂŁo, Altana! Cara, eu quero voltar para Altana! Para mim, Altana Ă© o lar do meu coração, mas e vocĂȘ, senpai?! Tipo, se vocĂȘ pudesse voltar, voltaria?! Existe uma maneira de voltar?! Se houvesse, vocĂȘ jĂĄ teria usado, nĂ©?! NĂŁo, mas, sabe, se vocĂȘ tiver uma dica ou algo assim, poderia talvez nos contar, tĂĄ?! O que acha?!

Ranta continuava a tagarelar sem parar.

SĂ©rio, para com isso, seu idiota, pensou Haruhiro, e tentou interrompĂȘ-lo, mas, como sempre, Ranta respondeu de forma agressiva.

— Huhh?! NĂŁo tĂŽ falando com vocĂȘ, cara! TĂŽ perguntando pro nosso senpai aqui! Cala a boca e vai dormir, imbecil! Seus olhos tĂŁo com sono, entĂŁo dorme pra sempre, seu idiota! E espero que vocĂȘ fique careca e exploda tambĂ©m!

— Hm. — Haruhiro ignorou o pedaço de lixo e curvou a cabeça, pedindo desculpas ao Sr. Unjo. — Desculpe. Nosso pedaço inĂștil de lixo deve estar incomodando o senhor.

— VocĂȘ Ă© o lixo! Haruhirorororo! Espero que vocĂȘ vĂĄ girando pro inferno! — gritou Ranta.

— Ele Ă© falante. — De repente, o Sr. Unjo estendeu a mĂŁo e agarrou a cabeça de Ranta.

— Wah?! — Ranta ficou completamente paralisado.

O inĂștil do Ranta estava usando o elmo para esconder o rosto, mas o Sr. Unjo segurou sua cabeça, elmo e tudo. Ele nĂŁo era tĂŁo alto quanto Kuzaku, mas suas mĂŁos eram muito maiores.

— Altana… — Sr. Unjo sussurrou a palavra mais uma vez, pressionando com tanta força que parecia estar tentando esmagar a cabeça de Ranta. — Eu havia esquecido de Altana. Sim. Porque nunca poderei voltar.

— Ai, ai, aiiiii… P-P-Por favor, me perdoe, senpai…

— Deix…! — Yume deu um passo Ă  frente, engolindo em seco. — Deixa ele ir! Ranta nĂŁo quis ofender… TĂĄ, talvez ele tenha querido, mas, ainda assim, ele Ă© camarada de Yume e de todos…

— Camarada… — O Sr. Unjo limpou a garganta de maneira dolorosa, entĂŁo soltou Ranta. — Camaradas, huh. Eu nĂŁo tenho nenhum. Nem um sĂł.

— Whaaaa! — Ranta deu um giro e se afastou rapidamente do Sr. Unjo. — Eu-eu-eu-eu-eu tĂŽ, eu-eu tĂŽ salvo… nĂ©?! Eu-eu nĂŁo tĂŽ morto, nĂ©?!

— Infelizmente — disse Mary, sem emoção.

— VocĂȘ veio atĂ© aqui — Shihoru perguntou com a voz trĂȘmula, segurando firmemente seu cajado — s-s-sozinho…?

O Sr. Unjo não respondeu, puxando seu lenço para cobrir a metade inferior do rosto.

— NĂŁo posso voltar. Nem vocĂȘs. Este Ă© um tĂșmulo. O meu. E o de vocĂȘs.

— SĂ©rio? — Kuzaku exalou levemente.

Haruhiro sentiu vontade de abaixar a cabeça, mas se forçou a continuar olhando para cima. Se olhasse para baixo agora, nunca se recuperaria. Ele foi tomado por essa sensação. Precisava dizer algo. Menos para o Sr. Unjo e mais para a party como um todo.

— Mas, Unjo-san, o senhor ainda está vivo, não está?

O Sr. Unjo se virou para Haruhiro, levantando um pouco o chapéu trançado. Haruhiro viu os olhos de Unjo.

Ele Ă© humano, Haruhiro pensou mais uma vez. Esse era um ser humano genuĂ­no. Provavelmente bem mais velho, literalmente o veterano deles, mas ainda assim, um humano, como eles. Ele viveu sozinho nesse mundo, sobrevivendo por conta prĂłpria. O quĂŁo difĂ­cil isso deve ter sido?

Deve ter sido muito difĂ­cil. Deve ter sido solitĂĄrio. Mas, ainda assim, o Sr. Unjo estava vivo.

O Sr. Unjo talvez nĂŁo sentisse o mesmo, mas ele era a prova viva de algo.

Esse lugar nĂŁo era um tĂșmulo.

Poderia se tornar um algum dia, mas todo mundo tem que morrer um dia. No momento em que uma pessoa morre, aquele lugar se torna o local de sua morte. Mas esse momento ainda nĂŁo havia chegado. Tudo dependia de Haruhiro e dos outros, mas, se fizessem as coisas do jeito certo, poderiam sobreviver ali.

— É uma honra conhecĂȘ-lo — disse Haruhiro. — Se nĂŁo se importar, eu gostaria de vĂȘ-lo novamente e aprender vĂĄrias coisas com vocĂȘ.

— Ensinamentos. De mim. — Os ombros do Sr. Unjo tremularam para cima e para baixo apenas uma vez. — Para todos vocĂȘs.

— Não sabemos de nada, afinal — Haruhiro respondeu.

— A jusante. — O Sr. Unjo apontou na direção para onde o Rio Morno fluía. — Eles estão lá. Os mortos. É uma cidade. Uma ruína. Eles não estão mortos. Mas são mortos.

— …O que hĂĄ lĂĄ? — perguntou Haruhiro.

— A cidade dos mortos. RuĂ­nas. VocĂȘs sĂŁo soldados voluntĂĄrios — Sr. Unjo virou as costas para Haruhiro e os outros. — É um lugar adequado. Para vocĂȘs…

Haruhiro quis correr atrĂĄs do Sr. Unjo e perguntar mais duas ou trĂȘs coisas. No entanto, ele nĂŁo conseguiu. As costas do Sr. Unjo claramente os rejeitavam.

Deixem-me em paz. Era isso que parecia estar dizendo, e Haruhiro sentia que era o que deveriam fazer.

Esse encontro provavelmente teve tanto impacto no Sr. Unjo quanto teve neles. NĂŁo, considerando quanto tempo ele viveu sozinho, ele deve ter ficado ainda mais chocado. Se fosse o caso, ele devia estar incrivelmente confuso.

O Sr. Unjo entrou no edifĂ­cio feito de pedras empilhadas. Havia luz vazando da janela, como sempre, entĂŁo os residentes deviam estar dentro. Talvez o Sr. Unjo fosse conhecido deles.

— A cidade! Dos mortos! — Ranta, de repente, ficou animado, soltando uma risada boba e maliciosa. — NinguĂ©m esperava por isso! NĂŁo! É exatamente como eu previ! Nosso caminho foi revelado! Yahoooo! Eu sou demais!

— Como isso faz sentido?! — Yume deu uma cotovelada em Ranta. — Isso nĂŁo tem nada a ver com vocĂȘ, Ranta! Foi tudo obra do Kampyo-san!

— VocĂȘ quis dizer Unjo-san — Haruhiro a corrigiu, suspirando. — A cidade dos mortos…

— …Parece assustador — Shihoru abaixou a cabeça, abraçando a si mesma, junto com seu cajado.

— Os mortos, hein… — Kuzaku estava olhando para o prĂ©dio de pedra.

— “Eles não estão mortos”, ele disse — Mary inclinou a cabeça de lado, confusa. — O que ele quis dizer? Como ele os chama de mortos, eu esperaria cadáveres que ainda se movem por algum motivo, ou algum tipo de fantasma.

Quando Ranta estava a favor de ir, isso fez Haruhiro querer recusar imediatamente, mas… o Sr. Unjo os chamou de soldados voluntĂĄrios. O passado do Sr. Unjo permanecia um mistĂ©rio, mas talvez ele realmente tenha sido um soldado voluntĂĄrio em algum momento. Talvez o Sr. Unjo estivesse cuidando de Haruhiro e dos outros como seus juniores. Ele disse que era um bom lugar para eles.

Um lugar adequado para soldados voluntĂĄrios.

A Cidade dos Mortos.

Isso fez Haruhiro pensar: Não sei sobre isso. Mas, por algum motivo, seu coração estava acelerado. Não porque achasse que seria divertido. Ele não era como Ranta. Só que, de alguma forma, ele estava um pouco empolgado. Não podia negar isso.

Mesmo tendo vindo para este mundo sem sentido, sem uma maneira de voltar para casa, e sem saber o que serĂĄ de nĂłs no dia seguinte, ainda somos soldados voluntĂĄrios? Pensou Haruhiro. SerĂĄ que isso jĂĄ se tornou nossa segunda natureza? NĂŁo, eu nĂŁo gosto disso. dĂĄ um tempo. Mas, mesmo assim, enquanto Haruhiro pensava nisso, ele tomou a decisĂŁo imediatamente.

— Vamos dar uma olhada.

Haruhiro não estava sozinho. Ranta queria ir, é claro, mas Yume, Shihoru, Mary e Kuzaku também. Parecia que, no final, o modo de vida de soldado voluntårio tinha penetrado em seus ossos.

Alguns deles eram mais proativos, outros mais passivos. Cada um tinha suas prĂłprias atitudes e tendĂȘncias, mas todos chegaram basicamente Ă  mesma conclusĂŁo. Na verdade, nenhum deles levantou objeçÔes.

Escavar na lama nunca tinha sido o melhor trabalho para eles como soldados voluntĂĄrios. A cidade dos mortos. Por que nĂŁo dar uma olhada?

Haruhiro e os outros tomaram o café da manhã e, então, partiram da Vila do Poço. O lugar ficava rio abaixo, ao longo do Rio Morno, mas decidiram seguir o rio sem descer até o leito. Havia uma besta feroz vivendo lå embaixo, que provavelmente se aproximaria deles silenciosamente e os atacaria. Eles não sabiam o que mais poderia estar lå, ou de onde poderia vir.

No começo, a luz que queimava no cume distante era muito fraca, oferecendo pouca segurança. Quando o fogo que não era o sol subiu, deixou de estar completamente escuro, mas não se tornou tão claro a ponto de parecer dia. A escuridão apenas recuou ligeiramente, mas, em algum momento, eles se acostumaram com isso. Seu senso da profundidade da escuridão parecia estar ficando mais aguçado. Não era claro, mas também não parecia tão escuro para eles. A escuridão do meio-dia era um pouco mais fåcil para Haruhiro do que antes.

Ele sentia que sua audição também havia melhorado. Tinha uma percepção clara de mudanças no ar e nos cheiros. Mesmo sem olhar, conseguia determinar a posição de seus companheiros, seus passos e tinha uma noção vaga de quão exaustos estavam.

Eventualmente, uma névoa começou a flutuar do Rio Morno, cobrindo toda a årea.

— Kehe… Kehehe… Kehehehehehehe… Kehe… — Zodiac-kun, que nĂŁo havia dito nada desde que Ranta havia convocado o demĂŽnio de volta Ă  Vila do Poço, de repente explodiu em risadas.

— O q-que foi isso, do nada? Zodiac-kun? — Ranta claramente ficou assustado.

— Ehe… Nada… Ehehe… Nada de verdade… Ehehehe…

— Agora vocĂȘ me deixou realmente preocupado!

— Kehe… NĂŁo se preocupe… Ranta… NĂŁo Ă© nada… Kehehe… VocĂȘ nĂŁo tem com o que se preocupar…

— NĂŁo, Ă© por isso, entendeu? Eu me preocupo porque vocĂȘ diz as coisas de um jeito que me faz ficar preocupado. É meio assustador, entĂŁo vocĂȘ pode parar com isso? Certo? Ei, Zodiac-kun? HĂŁ? Por que vocĂȘ ficou quieto? Responde. Vamos lĂĄ? Zodiac-kun…?

— Fica quieto um pouco tambĂ©m, Ranta — disse Haruhiro, tentando perceber qualquer presença na escuridĂŁo envolta pela nĂ©voa Ă  frente deles. — Zodiac-kun estĂĄ tentando nos dizer algo. Pega a dica.

— Sim, e eu estava tentando descobrir o que era, não estava? — reclamou Ranta.

— Kehehe… Como se eu fosse contar para vocĂȘ… Kehehehe…

— Ouve aqui, Zodiac-kun! — Ranta gritou. — Esqueceu quem estĂĄ no comando aqui?! Eu, o cavaleiro das trevas, sou o mestre, e vocĂȘ Ă© meu demĂŽnio servo, entendeu?!

— NĂŁo mesmo… — disse Shihoru.

— VocĂȘ tĂĄ invertendo as coisas — acrescentou Mary.

Yume interveio de maneira sincera: — Talvez se vocĂȘ fosse um quinhentĂ©simo tĂŁo fofo quanto o Zodiac-kun.

— Um Ranta-kun fofinho, hein… — Kuzaku murmurou para si mesmo, soltando um pequeno suspiro em seguida.

— Eiiiiiiiiii! — Ranta berrou. — NĂŁo saiam falando o que quiserem sobre mim, pessoal! Se nĂŁo pararem com isso, eu vou dar uma surra de verdade em vocĂȘs! Eu tĂŽ falando sĂ©rio de verdade! Vou mostrar pra vocĂȘs como Ă© assustador quando eu fico seriamente sĂ©rio, e entĂŁo—

Quando Haruhiro parou e levantou uma mĂŁo, Ranta imediatamente fechou a boca.

Todos pararam e prenderam a respiração.

E agora, o que fazer? Haruhiro não tinha certeza. Por causa da névoa, ele não sabia exatamente o que era, mas havia algo à frente. Ele sentia que podia ser um prédio.

Deveriam todos ir verificar juntos? Ou Haruhiro deveria ir sozinho? Como ladrão, era mais fåcil agir sozinho de muitas maneiras. Mais fåcil, sim, mas também mais assustador.

— …Retorno em breve. — disse Haruhiro, com medo, fazendo-o falar de maneira mais polida do que o normal.

— Tenha cuidado — Mary disse. — Não faça nada imprudente.

Obrigado, ele pensou. De alguma forma, isso me då forças para tentar. Além disso, desculpe, Kuzaku.

Bem, nĂŁo Ă© algo pelo qual preciso me desculpar, tenho certeza. Mary sĂł estĂĄ preocupada comigo como companheiro. Isso Ă© natural.

Mesmo que seja assim, me dĂĄ um certo encorajamento. Qual seria o mal nisso? Certo…?

Haruhiro se afastou de seus companheiros, usando Sneaking para avançar em direção àquilo que parecia ser um prédio.

HĂĄ algo alĂ©m de mim se movendo? NĂŁo—eu acho. Pelo menos nĂŁo agora.

A direção da névoa, do ar e do vento havia mudado. Havia algum obståculo bloqueando o vento e fazendo-o mudar de direção.

Haruhiro se aproximou. Finalmente, ficou visível. Um prédio.

Era uma construção feita de pedras empilhadas. Mas estava desmoronando. Talvez tivesse sido uma caixa em algum momento, mas agora restava apenas cerca de dois terços dela.

Ele não via um telhado. Serå que havia desabado? Era uma construção em ruínas.

E esse nĂŁo era o Ășnico prĂ©dio em ruĂ­nas ali. Havia outro. NĂŁo, mais do que isso. Aqui, ali, por toda parte. Havia muitos.

O Sr. Unjo havia mencionado ruĂ­nas. Esse era o lugar, nĂ©? A cidade dos mortos. Esse era o destino deles, certo? O que significava que…

…eles estavam aqui, ele tinha que presumir. No lugar com as entidades que ainda eram desconhecidas para eles, os mortos que nĂŁo estavam mortos.

Haruhiro pressionou a palma da mão contra a parede externa da primeira construção em ruínas. Ele tentou empurrar. Não cedeu. Depois de testar, ele encostou as costas na parede. Respirou fundo.

Primeiro, vou tentar fazer uma volta ao redor dessa construção. Se parecer que posso entrar… devo tentar? EstĂĄ tudo bem? De qualquer forma, vou dar uma volta ao redor dela.

Ele olhou ao redor, escutou atentamente, e quando fez meia-volta ao redor da construção, vasculhando por qualquer sinal dos mortos, encontrou uma abertura.

Uma entrada? Havia uma porta aqui? NĂŁo mais.

Ele espiou com a cabeça apenas pela metade. Estava escuro demais para ver, mas havia algum tipo de entulho espalhado por todo lugar. Não havia onde pisar. Parecia perigoso entrar.

Agora, quanto aos mortos, eles nĂŁo estĂŁo aqui… acho. NĂŁo estĂŁo, certo?

Próximo. Haruhiro foi até o próximo prédio em ruínas. Ele era um pouco maior que o anterior e ainda tinha metade do telhado. Não havia porta na abertura que parecia ter sido uma.

Ele teve uma sensação ruim. Não, não era apenas uma sensação. Havia sons. Ele podia ouvi-los.

Que sons eram esses?

Esmague. Mordida. Hahh. Nnngh. Sorvo. Crocante. Engole. Ofega.

Ele tinha uma ideia do que esses sons poderiam ser. NĂŁo ficaria feliz se estivesse certo, mas ainda assim precisava verificar.

Olå, Sr. Morto, ele cumprimentou mentalmente a criatura, tentando soar o mais alegre possível enquanto olhava através da abertura.

LĂĄ estava. Ele havia encontrado um. NĂŁo muito longe. Era uma criatura humanoide com uma cauda, agachada e comendo algo.

Era um dos mortos? Parecia surpreendentemente normal. Agora, o que exatamente o Sr. Morto Com Cauda estava fazendo?

Haruhiro estava curioso. Mas talvez fosse melhor recuar por enquanto? Ele tentou deixar sua cautela natural agir, mas, por algum motivo, o Sr. Morto Com Cauda se virou em sua direção, soltando um gemido…

Ele havia sido descoberto?

Numa situação como essa, gritar e correr seria um pĂ©ssimo plano. Primeiro, ele devia observar como o outro reagia. Haruhiro se preparou mental e fisicamente para reagir rapidamente caso fosse atacado. Ei, nĂŁo era uma certeza que fosse inimigo, sabe? Talvez atĂ© fosse amigĂĄvel, afinal? É, nĂŁo parecia muito provĂĄvel, nĂ©?

O morto com cauda pegou algo parecido com uma arma e se levantou. Parecido com uma arma? Não, era uma arma. Com uma lùmina curva e grossa na mão, o morto com cauda começou a caminhar.

Ele estå vindo. Nessa direção. Com passos lentos. O morto com cauda usava algo parecido com uma cota de malha, com uma ombreira apenas no ombro direito, além de manoplas e grevas. Ele usava um elmo, mas seu rosto não estava escondido.

Os olhos… o que eram aqueles olhos? Brancos. Eles nĂŁo pareciam brilhar, mas seus dois olhos eram muito brancos. Sua boca grande estava Ășmida com algum tipo de lĂ­quido viscoso e pegajoso.

Haruhiro olhou para a coisa que estava caĂ­da onde o morto com cauda estava agachado antes. Ele nĂŁo se surpreendeu. NĂŁo o abalou tanto. Ele estava certo, sĂł isso.

Aquilo parecia ser outra criatura. Provavelmente humanoide em forma, mas Haruhiro apostaria oito ou nove em dez chances de que jå não estava mais viva. Ele não olhou por muito tempo, e não teria sido capaz de ver muito na escuridão, mas também não queria ver, então talvez estivesse tudo bem para ele.

Oh, meu caro Sr. Morto Com Cauda, vocĂȘ estava comendo? Eu te interrompi? Pensou Haruhiro. Se ele pudesse se safar com um pedido de desculpas, ele nĂŁo se importaria de tentar, mas o morto com cauda jĂĄ estava aumentando o ritmo. Esse nĂŁo era o momento para desculpas.

Haruhiro rapidamente puxou a cabeça para fora, correndo para se esconder na sombra do prĂ©dio vizinho. Mesmo que estivesse fugindo, precisava fazer isso em silĂȘncio, o mais silencioso possĂ­vel.

— Shaah! — O morto com cauda gritou.

“Para onde ele foi?!” Era isso que ele queria dizer?

Haruhiro podia ouvir os passos do morto com cauda. Ele se movia no ritmo daqueles passos.

Talvez eu devesse atraí-lo de volta? Levå-lo até os outros? Vale a tentativa?

Afinal, esta era a cidade dos mortos. Se aquela coisa era um dos mortos, não estava necessariamente sozinha. Poderiam haver outros. Mas, por enquanto, ele só sentia a presença daquela criatura. Não havia mais nada além dela.

Haruhiro jå havia sido descoberto e, como soldado voluntårio, ele e sua party não estavam ali para turismo ou diversão. Eles tinham um objetivo, sim: caçar. Haviam vindo para caçar os mortos, como bons soldados voluntårios deveriam.

O morto com cauda.

Poderia ser um bom teste para suas habilidades.

Haruhiro parou. O morto com cauda estava se aproximando. Ele apareceu na esquina.

Quando aqueles olhos brancos avistaram Haruhiro, a criatura abriu a boca. — Kaah!

Ela correu em sua direção.

Ótimo, pensou Haruhiro. Venha.

Ele correu. Quanto a encontrar o lugar onde todos estavam esperando—estava tudo bem. Ele se lembrava da direção e da distñncia aproximada. Não iria errar. Virou na direção correta e disparou. O inimigo era rápido, mas se Haruhiro corresse em sua velocidade máxima, nunca seria alcançado.

— Haru-kun?! — Ele ouviu a voz de Yume.

— Tem um inimigo! — gritou Haruhiro. — Tî trazendo ele comigo!

Depois acrescentou: — Só um!

— Deixa com a gente! — Kuzaku respondeu.

LĂĄ estava ele. Haruhiro podia vĂȘ-lo. Kuzaku estava avançando com o escudo em posição.

— TĂŽ contando com vocĂȘ! — Haruhiro correu em direção a Kuzaku.

Imediatamente após passarem um pelo outro, Kuzaku usou Block contra a espada curva do morto com cauda e em seguida desferiu um golpe com Thrust. O morto com cauda avançou, indiferente. Kuzaku também não recuou. Eles colidiram.

— Leap Out! — Ranta rapidamente saltou para onde o morto com cauda estava e balançou sua espada longa em um movimento de oito. — Seguido por Slice!

O efeito da Lightning Sword Dolphin havia acabado e eles a venderam ao ferreiro, entĂŁo Ranta estava usando sua antiga arma, a Betrayer Mk. II. O morto com cauda se esquivou como se estivesse se jogando no chĂŁo, mas a espada de Ranta ainda o atingiu em algum lugar.

Ele nĂŁo conseguiu cortar. A criatura estava vestindo cota de malha.

Quando o morto com cauda rolou e depois se levantou, Kuzaku avançou sobre ele. — Aí vai! — Ele golpeou com sua espada longa. Kuzaku havia pego essa espada no Pñntano dos Cadáveres e a mandou reparar no ferreiro.

O morto com cauda levou um golpe forte no elmo e grunhiu — Nguoh! — mas não vacilou. Sem perder o ritmo, levantou sua espada curva bem alto e contra-atacou.

Agora era Kuzaku que estava sendo forçado a recuar. — Ahh, droga! Eu sou tão fraco!

— Não entra em pñnico! — Haruhiro gritou para Kuzaku, olhando para as costas do morto com cauda.

Yume e Mary estavam de prontidão, defendendo Shihoru. Era apenas um inimigo, então aquela formação fazia sentido. Afinal, poderiam vir reforços.

Se isso acontecesse, Haruhiro queria que Yume e Shihoru respondessem imediatamente. A proteção de Shihoru era a prioridade måxima de Mary, afinal. Todos sabiam o que deviam fazer.

— Ehe… — Zodiac-kun flutuava por ali. — Ranta… VocĂȘ nĂŁo Ă© tĂŁo bom quanto se gaba… Ehehe… Acaba logo com isso… Ehehehehe…

— Eu nĂŁo preciso que vocĂȘ me diga isso! — Ranta atacou com golpes violentos o morto com cauda. Era Hatred, seguido de uma sequĂȘncia de dois golpes. Depois, ele fez cortes diagonais de cima para a esquerda e de cima para a direita.

No momento em que a Betrayer Mk. II travou com a espada curva do morto com cauda, Ranta usou Reject. O cavaleiro das trevas era mais valioso quando nĂŁo enfrentava seus inimigos diretamente. Enquanto um guerreiro travaria lĂąminas com o inimigo, um cavaleiro das trevas nĂŁo faria isso. Ele os afastaria num instante, ou desviaria o golpe.

Desta vez, Ranta habilmente empurrou o inimigo para trĂĄs. Ao mesmo tempo, se arrastou para trĂĄs. Apesar de estar recuando, fez isso com uma velocidade incrĂ­vel.

— Exhaust!

O morto com cauda cambaleou um pouco, mas conseguiu se firmar. Ranta impulsionou-se no chĂŁo.

Desta vez, ele avançava. Novamente, em uma velocidade impressionante.

— Toma essa! Leap Out!

Ranta investiu diretamente contra o morto com cauda. Com aquele timing, ele nĂŁo teria como desviar.

A Betrayer Mk. II atingiu em cheio o plexo solar do morto com cauda. Ela atravessou—ou talvez nĂŁo. Ranta estava numa posição para derrubĂĄ-lo. Mas, ao invĂ©s disso, ele imediatamente pulou para trĂĄs.

— Droga!

— Hashaah! — O morto com cauda ficou de pĂ©, balançando sua espada curva ao redor. Ele parecia mais enĂ©rgico do que antes.

Kuzaku desviou a espada curva com um clangor alto e entĂŁo o atacou com um grito. O morto com cauda foi derrubado, mas logo se levantou novamente.

— Shih! Hyahhh!

— Que coisa Ă© essa?! — gritou Yume.

Honestamente, o que era isso?

— Como Ă© que isso Ă© um morto?! — Ranta estalou a lĂ­ngua. — Parece bem vivo pra mim!

Os ataques deles nĂŁo estavam funcionando—talvez? O morto com cauda tinha uma mancha preta no estĂŽmago. A Betrayer Mk. II de Ranta havia perfurado a cota de malha, ferindo o morto. Ele tambĂ©m tinha levado um golpe na cabeça da espada longa de Kuzaku, e fora derrubado por ele. Mas ainda estava de pĂ©.

Serå que não sentia dor? Ou não se importava? Estava em um estado de excitação? Ou simplesmente era insensível? De qualquer forma, era melhor presumir que aquela coisa não tinha nenhuma sensação de dor.

Primeiro, precisavam quebrar sua postura. Depois, deveriam espancå-lo até ele parar de se mover.

Hå muito tempo, Haruhiro e os outros faziam viagens regulares à Cidade Velha de Damuro, caçando goblins que pareciam mais fracos do que eles. Aquela estratégia de atacar o inimigo em conjunto e pulverizå-lo lhes rendeu o apelido de Matadores de Goblins. Eles só precisavam fazer o mesmo aqui.

Convenientemente, Haruhiro estava atrĂĄs dele. O morto estava tĂŁo distraĂ­do com Kuzaku e Ranta que provavelmente havia esquecido da existĂȘncia de Haruhiro.

Aquilo nĂŁo era coincidĂȘncia. Haruhiro vinha se movendo furtivamente para garantir que ele o esquecesse.

Backstab? Spider? NĂŁo. Haruhiro escolheu outro movimento. Ele correu, mantendo os passos o mais silenciosos possĂ­vel. O morto ainda nĂŁo o havia notado. NĂŁo se virou.

EntĂŁo, como se estivesse pensando: Ótimo, Haruhiro pisou firme. Ele pulou e deu uma voadora com os dois pĂ©s nas costas do morto.

— Fungoh! — O morto com cauda foi projetado para a frente.

— Agora! — gritou Haruhiro, mas Ranta jĂĄ estava se movendo naquele momento. Kuzaku tambĂ©m nĂŁo estava muito atrĂĄs. Haruhiro entrou na ação tambĂ©m.

NĂŁo deixem que ele se levante. Tire a arma dele. Impeça qualquer resistĂȘncia. NĂŁo tente cortar, apunhalar ou fazer algo complicado. Esqueçam que estamos com espadas e espanque-o.

Dos trĂȘs, Ranta era o mais acostumado a isso. Ele usou a ponta da espada para arrancar o elmo da criatura.

Acabe com ele. Sua cabeça. Faça um grande estrago. Não se mova. Pare de resistir. Vai continuar? Vai fazer isso de novo? Então, não temos outra opção. Vamos até o final.

Kuzaku pressionou seu escudo sobre ele. — Ahhhhh!

— Rarrrrrrrrrrrrrrgh! — Ranta enfiou a Betrayer Mk. II no pescoço da criatura. Depois de torcer e cortar com força bruta, a criatura finalmente parou de se mover.

Respirando fundo, Haruhiro recuou, olhando ao redor. Ele avistou Yume, Shihoru e Mary. Mary fez o sinal do hexagrama, fechou os olhos por um momento e depois acenou com a cabeça. Isso aparentemente significava que tudo estava bem.

— VitĂłriaaaa! — Ranta levantou a Betrayer Mk. II bem alto, soltando um grito de vitĂłria. EntĂŁo, num instante, pulou sobre o cadĂĄver do morto com cauda. — Tesouro, tesouro! Meu, meu, meuuuu! Se vocĂȘ nĂŁo tiver nada, vou fazer vocĂȘ pagar por isso, seu morto inĂștil! Vou te matar de verdade!

— …Qual Ă©, cara. — Haruhiro queria dizer algo, mas percebeu que nĂŁo tinha muito direito de fazĂȘ-lo.

Mesmo assim, a técnica de Ranta para arrancar a cota de malha da criatura foi impressionante. Haruhiro poderia até chamå-la de brilhante, mas não queria elogiå-lo.

— Hm? — Ranta pegou algo entre os dedos. — Ei, ei, ei, ei, eiiiiii?!

Kuzaku levantou a viseira, soltando um suspiro. — O que foi? Encontrou algo bom?

— TadĂĄ! — Ranta exibiu orgulhosamente. — NĂŁo Ă© apenas algo!

Sinceramente, o coração de Haruhiro deu um salto.

Isso podia ser amor, ele pensou. NĂŁo, nada disso.

Havia mais de uma coisa que Ranta segurava na mĂŁo. Eram vĂĄrias. Pretas, redondas…

— Uau… — Yume ficou de boca aberta.

— …HĂŁ? — Shihoru ainda estava meio duvidando do que via.

— O que Ă© isso? — Mary inclinou a cabeça para o lado.

— SĂŁo moedas pretas, suas bobas! E mais…! — Nesse momento, o sorriso de Ranta era o maior de sua vida. — Quatro! Contem aĂ­! Quatro delas! Obrigado!

Haruhiro quase sorriu, mas se conteve. Antes de relaxar e comemorar, havia coisas a fazer primeiro. Se ele não se forçasse a pensar assim, perderia toda a tensão.

Ainda assim, quatro moedas pretas, hein? Ele pensou. Olhando bem, eram moedas de tamanho médio. Isso dava 4 ruma.

Haruhiro teve que se controlar para não começar a contar suas vitórias antes da hora.

Devagar. Vå com calma e cuidado, ele disse a si mesmo. Use métodos que ofereçam certeza.

Ele nĂŁo queria comemorar Ă  toa. NĂŁo queria criar esperanças para depois vĂȘ-las frustradas. Ele teria que aceitar esse seu lado mais cauteloso e continuar em frente.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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Anime X Novel 7 Anos

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