Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 06 â Volume 7
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 06:
[O Que Ă© Viver?]
Se conseguiriam seguir em frente ou nĂŁo, nĂŁo tinham escolha a nĂŁo ser tentar.
Além do 1 wen que jå tinham, encontraram 1 ruma e 2 wen no Pùntano dos Cadåveres, e conseguiram mais 2 wen vendendo as duas espadas como sucata ao ferreiro, totalizando 1 ruma e 5 wen. Estavam um pouco abaixo das 2 rumas necessårias para duas refeiçÔes, mas, se negociassem com o grande caranguejo que gerenciava a mercearia, ele provavelmente conseguiria ajudå-los. Claro, o dono da mercearia parecia um caranguejo, mas ele (ela?) era gente boa. Provavelmente.
Haruhiro não sabia que horas eram, então só podia olhar para o cume distante e julgar, pela intensidade das chamas, se estava diminuindo ou se ainda estava tudo bem, para saber se a noite estava chegando. Fora isso, ele só podia confiar em seu estÎmago e em sua intuição. Como as pessoas da Vila do Poço acompanhavam o tempo? Talvez dissessem a ele se perguntasse, mas não era uma pergunta que conseguiria expressar apenas com gestos e um vocabulårio extremamente limitado.
Embora tivessem comido, parecia que ainda faltava um tempo antes de anoitecer. Se fosse para ficar sentados no chĂŁo em silĂȘncio, isso tambĂ©m era difĂcil Ă sua maneira. Shihoru estava incrivelmente quieta, e ele queria fazer algo a respeito disso, mas nĂŁo sabia como.
â Bingoooo! â Yume soltou um grito estranho de repente e saltou. â Ouçam, Yume, ela teve uma ideia. Que tal a gente acender uma fogueira?
Esse era o plano de Yume. A floresta estava barrando o caminho deles, e seria difĂcil entrar, mas pelo menos poderiam encontrar lenha seca lĂĄ. Iriam juntĂĄ-la e fazer uma fogueira logo fora da Vila do Poço. Isso os aqueceria. Quando a noite estivesse perto, poderiam correr para dentro da vila. Provavelmente nĂŁo seria tĂŁo perigoso perto da vila, entĂŁo poderiam dormir ao redor do fogo.
Todos concordaram de forma unĂąnime: Vamos fazer isso.
SaĂram da vila e começaram a recolher galhos caĂdos na beira da floresta. Yume identificava os que estavam realmente secos, deixando de lado os que estavam meio molhados.
Prepararam tudo a uma certa distĂąncia da ponte. Colocaram galhos grossos na parte de baixo e empilharam os mais finos por cima. Fazendo assim, os galhos grossos na base queimariam como carvĂŁo.
Yume era boa em acender fogueiras. Isso era esperado de uma caçadora. Assim que Yume acendeu uma fogueira brilhante, ela ficou de olho, jogando mais galhos no fogo e soprando para tornå-lo mais forte. Se deixassem os galhos meio molhados perto do fogo, eventualmente secariam e poderiam uså-los.
â Isso Ă© quentinho… â Ranta estava sentado com os joelhos encostados no peito, estendendo as mĂŁos para o fogo. â Ă realmente quentinho… Isso Ă© confortĂĄvel… O fogo Ă© maravilhoso… Ă uma das melhores invençÔes da histĂłria… Ah, como Ă© bom viver na civilização…
â HĂŁ, Ranta. â Kuzaku estava sentado de pernas cruzadas. â VocĂȘ tĂĄ chorando?
â NĂŁo tĂŽ. Isso nĂŁo sĂŁo lĂĄgrimas, Ă© ranho…
â Ranho sai dos olhos agora, Ă©…? â Shihoru estava sentada muito perto do fogo. â Nojento…
â Cala a boca! Quando um cara tĂĄ se divertindo, nĂŁo vem encher o saco e arruinar o momento, sua idiota!
Mary se agachou, estendeu as palmas para o fogo e fechou os olhos. Seus lĂĄbios se afrouxaram um pouco, e ela parecia confortĂĄvel.
â Se ao menos a gente conseguisse pegar uns peixes… â Yume estava sentada entre Shihoru e Mary com as pernas em formato de W, olhando para o fogo que tinha acendido. â AĂ a gente podia assar e comer.
â Pescar, nĂ©… â Haruhiro, claro, tambĂ©m estava sentado em frente ao fogo como todos os outros. â VocĂȘ acha que tem peixe no Rio Morno? Quero dizer, ele Ă© morno…
â Bom, nĂŁo seria estranho se tivesse â Ranta disse, bufando. â Tipo, pode ter peixe comedor de gente. NĂŁo acha?
â Se a gente acendesse uma fogueira na margem do rio â Mary começou a dizer â, talvez isso afastasse os inimigos, assim poderĂamos tomar um banho em paz, nĂŁo acha?
â NĂŁo, aĂ daria para ver tudo. â Kuzaku olhou para baixo, por algum motivo. â Isso Ă© ruim, nĂ©?
â Ah. â Mary abaixou a cabeça. â …Ă verdade.
â Eu nĂŁo me importo. â Ranta abriu as narinas. â Mesmo se puderem ver. Eu sou, em geral, tranquilo com nudez. Isso realmente importa? Se vocĂȘ Ă© visto ou nĂŁo, nĂŁo faz diferença. Se vocĂȘ pode tomar um banho, esteja disposto a fazer alguns sacrifĂcios. Ă uma troca. Eu nĂŁo me importo se me virem. EntĂŁo, deixem eu ver vocĂȘs tambĂ©m. Ă justo. Tudo bem. EstĂĄ resolvido. Vamos fazer isso agora.
â Por que vocĂȘ nĂŁo vai sozinho? â Shihoru disse friamente.
Mas eu realmente quero tomar um banho, pensou Haruhiro. Como Kuzaku estava dizendo, uma fogueira iluminaria as coisas, entĂŁo isso nĂŁo funcionaria, mas serĂĄ que nĂŁo tem algum jeito de tornĂĄ-lo seguro? Talvez devĂȘssemos considerar seriamente cavar um buraco para usar como banheira na margem do rio, dentro da Vila do Poço. Quero dizer, nĂŁo Ă© como se os moradores fossem se irritar de qualquer jeito. Talvez estejam dispostos a deixar passar. Talvez nem se importem. Quem sabe eu pergunte ao caranguejo gigante, ao ferreiro, ou ao guarda do poço. Embora eu sinta que teria dificuldade em explicar o que Ă© um banho…
Haruhiro nĂŁo teve forças para resistir Ă sonolĂȘncia que o envolveu. Ele se deitou e foi dormir. E se uma besta selvagem os atacasse? Ele lidaria com isso quando acontecesse. Era uma forma ruim e descuidada de pensar, mas ele estava cansado, e estava quente.
Por favor. SĂł por hoje. SĂł por hoje, nĂŁo…
â …ro-kun… ruhiro-kun… Ei… Haruhiro-kun…
Alguém o estava sacudindo para acordå-lo.
Shihoru. Era Shihoru.
â HĂŁ…? O que foi? â Haruhiro se sentou, olhando para a crista ao longe. â HĂŁ? Ainda nĂŁo acabou a noite?
â Olhe. â Shihoru apontou para a ponte.
â …Ah, nossa. â Dizer que Haruhiro estava chocado seria um eufemismo. â âQue?!
LĂĄ estava. Bem na frente da ponte.
Um cavalo? Era isso? Não parecia incrivelmente peludo, e grande demais para ser um cavalo? Aquele ser parecido com um cavalo estava puxando uma carroça. Era uma carroça? Uma carroça grande. O que estaria carregando nela? Estava coberta, então ele não conseguia dizer.
Havia uma criatura humanoide agachada ao lado da carroça. Aquela criatura, me lembra alguém, pensou Haruhiro. Tinha um corpo superior incrivelmente musculoso, mas pernas extremamente curtas.
O ferreiro. Tinha exatamente a mesma estrutura corporal do ferreiro da Vila do Poço. Talvez esse cara dono da carroça e o ferreiro fossem da mesma raça?
Esse cara usava um capuz que cobria seus olhos e tinha algo como um cachimbo na boca, de onde saĂa fumaça. Ele estava fumando tabaco, aparentemente.
Todos, exceto Haruhiro e Shihoru, ainda estavam dormindo. A fogueira tinha se apagado. A carroça tinha luzes penduradas nela, como lanternas, então estava um pouco iluminado.
â …HĂĄ quanto tempo ele estĂĄ ali? â Haruhiro perguntou a Shihoru em um sussurro.
â HĂŁ… er… â Shihoru se inclinou mais perto de Haruhiro. Ela devia estar com medo. â Eu acordei com o som da carroça se aproximando… Parecia que ela veio da floresta…
â Da floresta? Uma carroça grande como essa conseguiu passar por lĂĄ?
â LĂĄ ao longe… â Shihoru gesticulou com o queixo em direção ao noroeste. â Parece que tem uma estrada ou algo assim. A carroça veio de lĂĄ, afinal…
â Hmm… Uma estrada, hein. EntĂŁo? Quanto tempo faz isso?
â NĂŁo sei dizer… No começo, achei que estava tendo um sonho estranho…
â Ohhh… Ă, faz sentido. Entendo. VocĂȘ nĂŁo espera ver algo assim surgindo do nada.
â EntĂŁo, a carroça parou ali. Aquele… saiu dela. Depois de um tempo, eu te acordei.
â Quem vocĂȘ acha que ele Ă©?
Eventualmente, o galo da Vila do Poço gritou, Boweeeeeeeeeeeeeeeeh, e o resto dos companheiros deles acordou. Houve um alvoroço confuso sobre a carroça, mas isso fez o dono da carroça olhar em sua direção, e todos eles calaram a boca e se enrijeceram.
â Q-Q-Q-Quer brigar, camarada? â Ranta disse com uma voz incrivelmente baixa.
Talvez o cara tenha ouvido. Quando o dono da carroça se levantou, Ranta se lançou ao chão em uma dogeza.
Se precisar, vamos oferecer o Ranta como sacrifĂcio, pensou Haruhiro. Sim, vamos fazer isso.
Infelizmente, não foi necessårio. Quando o vigia da Torre de Vigilùncia C abriu o portão, o dono da carroça voltou para ela. O cavalo peludo balançou a cabeça e começou a puxar a carroça. A carroça seguiu em frente.
SerĂĄ que conseguiria atravessar aquela ponte? Conseguiu, por pouco. NĂŁo era sĂł uma questĂŁo de largura. A ponte parecia apenas forte o suficiente para aguentar, e a cada vez que as rodas da carroça giravam, as tĂĄbuas da ponte gritavam. A ponte nĂŁo iria quebrar, iria…?
Quando a carroça conseguiu atravessar a ponte com segurança, Haruhiro quase quis aplaudir. Mas não que fosse fazer isso, claro.
Haruhiro e os outros esconderam seus rostos e seguiram a carroça até a Vila do Poço. A carroça parou em frente à forja. Como eles poderiam ter esperado, o dono da carroça e o ferreiro estavam conversando como bons amigos.
â Esses dois caras, eles tĂȘm que ser irmĂŁos, nĂ©? â Ranta começou a se apavorar sozinho, explicando freneticamente para Haruhiro e os outros. â Q-Q-Quando eu disse âesses carasâ, saiu assim! E-Eu juro que nĂŁo quis ser desrespeitoso! Deixa eu te dizer, eu respeito eles! SĂ©rio!
â Como se eu ligasse… â Haruhiro suspirou. â Mas eles realmente parecem irmĂŁos, ou pelo menos parentes, nĂ©? SerĂĄ que a carga tem alguma coisa a ver com o ferreiro?
â Parece que começaram a descarregar â disse Kuzaku.
Não era só o dono da carroça; o ferreiro também estava ajudando. Eles tiraram a cobertura da carroça. O dono subiu na parte de trås e passou a carga para o ferreiro. O ferreiro carregava tudo para debaixo do teto da forja, colocando no chão.
â Ei, pessoal. â Ranta levantou o polegar e apontou com ele para a forja. â Que tal darmos uma mĂŁo? Pode ser que isso nos consiga preços melhores no futuro, sabe?
â Com um motivo descaradamente egoĂsta… â Yume parecia exasperada, mas nĂŁo era uma mĂĄ ideia, para algo vindo do Ranta.
â Certo. â Haruhiro assentiu. â Vamos ajudar. SĂł nĂłs trĂȘs, por enquanto. Se nĂŁo tomarmos cuidado, eles podem ficar bravos e nos espancar atĂ© a morte, entĂŁo Yume, Shihoru e Mary, vocĂȘs fiquem aqui.
Os temores de Haruhiro quase se realizaram. O ferreiro levantou seu martelo, tentando intimidå-los e afastå-los, mas quando Ranta fez uma dogeza e tentou desesperadamente explicar, o ferreiro pareceu entender. Embora ele os olhasse com desconfiança, deixou que ajudassem no descarregamento.
A carga era carvão vegetal. Haruhiro jå tinha ouvido em Altana que o trabalho de um ferreiro exigia coque ou carvão. Pelo que sabia, o coque precisava ser processado a partir do carvão mineral, mas o carvão vegetal podia ser usado diretamente para gerar altas temperaturas. Também podia ser utilizado para coisas como purificar ågua.
Parecia que o dono da carroça não apenas transportava o carvão, mas também o produzia. Havia alguns machados robustos na carroça que Haruhiro imaginava serem destinados ao corte de årvores, então o dono da carroça provavelmente também era lenhador. Ele era um carvoeiro.
Quando o descarregamento foi concluĂdo, o carvoeiro começou a ajudar o ferreiro. O carvoeiro realmente parecia estar gostando, mas o ferreiro reclamava de tudo o que ele fazia. Pela forma como se comportavam, serĂĄ que o ferreiro era o irmĂŁo mais velho e o carvoeiro o irmĂŁo mais novo? Talvez o irmĂŁo mais novo quisesse ser um ferreiro como o mais velho, mas nĂŁo tivesse talento, entĂŁo virou carvoeiro para ajudar o irmĂŁo. Bem, isso era apenas imaginação de Haruhiro, entĂŁo tudo nĂŁo passava de uma ideia maluca.
Talvez como uma forma de pagar pela ajuda, o ferreiro exigiu ver as armas da party de Haruhiro, e ele e seu irmĂŁo trabalharam nelas juntos. A party ficou realmente grata por isso.
Então o ferreiro puxou uma espada. Era uma bela espada larga que brilhava em azul, com desenhos complicados esculpidos na lùmina, e havia detalhes finos no punho e no pomo também. O ferreiro fez Kuzaku segurå-la.
No momento em que ele fez isso…
â Oh…! â Kuzaku exclamou, surpreso.
Era realmente leve. Ele assumiu uma postura de combate, balançou a espada uma vez, e então estremeceu de empolgação.
â Isso aqui Ă© insano. Ă absolutamente insano. NĂŁo Ă© brincadeira. Mesmo um cara como eu consegue perceber. Esta Ă© uma espada incrĂvel…
O ferreiro pegou a espada de volta de Kuzaku, mostrou uma moeda grande, depois levantou cinco dedos, seguidos de oito. Quarenta moedas grandes… Em outras palavras, o ferreiro queria dizer que a espada custaria 40 rou. Haruhiro nĂŁo conseguia imaginar quanto isso era, mas se ele colocasse nos padrĂ”es de Grimgar, seria como 40 ouros? As moedas grandes pareciam muito valiosas, entĂŁo talvez fosse mais que isso. De qualquer forma, ele sabia que era cara o suficiente para fazer seus olhos quase saltarem da cabeça. Talvez fosse o item mais caro do ferreiro, ou algo perto disso.
Mais tarde, enquanto Haruhiro e os outros comiam sua refeição modesta na mercearia, a carroça do carvoeiro começou a se mover. A carroça andava na mesma velocidade que uma pessoa caminhando. Haruhiro e os outros tentaram acompanhå-la. Eles pretendiam recuar se o carvoeiro ficasse incomodado, mas parecia que ele não se importava.
Quando a carroça cruzou a ponte, seguiu para o norte por um tempo, depois virou para o oeste. Shihoru estava certa. Havia uma estrada pela floresta. As årvores tinham sido removidas dali, e havia trilhas de carroça no chão. As rodas da carroça se encaixavam perfeitamente nessas trilhas.
A carroça seguia em um ritmo bom. A estrada serpenteava um pouco, mas era, na maior parte, reta.
Eles ouviam påssaros, ou algum outro animal. No caminho, Yume notou que a carroça emitia um barulho estranho. Havia objetos parecidos com sinos pendurados no assento do cocheiro, onde o carvoeiro estava sentado. Eles faziam um som grave e pesado. Serå que isso tinha algum significado? Como espantar feras, talvez?
Eles chegaram a uma årea aberta. Havia uma pequena cabana, parecida com um abrigo de montanha. Ao lado dela, havia um forno com telhado e um depósito de carvão. Também havia um eståbulo. Uma grande quantidade de lenha estava empilhada. Parecia que era ali que o carvão era queimado.
O carvoeiro estacionou a carroça e entrou na cabana.
Haruhiro e os outros deram uma volta pelo lugar e tentaram entrar na floresta. Nessa ĂĄrea, muitas ĂĄrvores tinham sido derrubadas, e o terreno estava mais ralo, o que tornava relativamente fĂĄcil caminhar.
Além da estrada que levava à Vila do Poço, havia outra estrada seguindo em uma direção diferente. As marcas de rodas de carroça também estavam profundamente marcadas nessa outra estrada. Para onde ela levava? Serå que havia outras vilas além de Vila do Poço?
Quando retornaram ao local de queima de carvĂŁo, o carvoeiro estava sentado em frente Ă cabana, fumando. Parecia relaxado. Ele nem olhou para Haruhiro e os outros.
O cavalo peludo tinha sido solto e estava comendo grama. Se aquela coisa os chutasse, eles morreriam instantaneamente. Mesmo se fossem atingidos pelo rabo dele, provavelmente jĂĄ causaria algum dano. Era melhor nĂŁo se aproximar dele descuidadamente.
â Parece que nosso mundo acabou de se expandir um pouco… talvez? â disse Shihoru.
â Ă â Kuzaku assentiu, concordando.
â NĂŁo que isso vĂĄ nos render dinheiro â Ranta se agachou, arrancou um pouco de grama e começou a girĂĄ-la entre os dedos. â Ah, Ă©, esqueci de invocar o Zodiac-kunâAh, tanto faz…
â A vida nĂŁo Ă© sĂł dinheiro, nĂ©? â Yume abaixou a cabeça. â …Mas Yume estĂĄ com fome.
â Querem voltar? â Mary sugeriu, hesitante.
Haruhiro ficou grato por isso. Eles tinham vindo atĂ© ali por impulso, mas era difĂcil dizer que haviam tirado algo Ăștil daquilo. Ele nĂŁo queria dizer que nĂŁo tinham ganho nada, mas a verdade estava bem prĂłxima disso. NĂŁo queria voltar para casa de mĂŁos vazias. Mas o que mais poderiam fazer?
â Vamos voltar! â Haruhiro tentou fazer uma declaração firme, mas todos o olharam de forma estranha, entĂŁo ele acrescentou um â …talvez? â tentando amenizar a situação.
Que vergonha… ele pensou.
Sim, ele era realmente patético. Sempre foi meio sem graça, mas parecia que ultimamente estava pior. Manato teria liderado melhor, de maneira mais inteligente. Tokimune teria puxado todos com sua alegria despreocupada.
E Haruhiro? Ele sĂł conseguia fazer as coisas do seu jeito. Mas qual era o seu jeito, afinal? No fim das contas, qual era? O que ele deveria fazer?
Agora que haviam sido jogados em uma situação ridĂcula como essa, seus defeitos estavam ficando ainda mais evidentes. Ele era tĂŁo cheio de falhas que, sinceramente, atĂ© Haruhiro ficava deprimido consigo mesmo, e estava completamente perdido sobre o que fazer.
Ele queria ter alguém em quem se apoiar. Desesperadamente. Não podia simplesmente abandonar sua responsabilidade. Ele sabia disso, mas, honestamente, queria desistir. Jogar tudo fora e fugir.
Haruhiro e a party estavam seguindo pela estrada de volta para a Vila do Poço. O que ele deveria estar fazendo agora? O que deveria perceber, e o que tinha que fazer a respeito? Haruhiro precisava pensar sobre isso. Precisava, mas… seus pensamentos estavam dominados por insatisfação, descontentamento, desagrado, alĂ©m de ansiedade, medo e desespero.
Talvez ele devesse ser franco com eles e dizer? E se ele dissesse algo como: Agora, as coisas estĂŁo assim, sabem, e eu sou o lĂder, Ă©, mas nĂŁo estou agindo muito como um, desculpa, e pedisse desculpas dessa forma? Se fizesse isso, talvez se sentisse melhor.
Mas sĂł Haruhiro se sentiria melhor. O que seus companheiros pensariam? Ranta com certeza iria zombar dele.
Como se ele ligasse para Ranta.
SerĂĄ que as garotas simpatizariam com ele? Um pouco de simpatia seria bom. Ele queria que o mimassem um pouco. Queria se livrar dessa tensĂŁo, dessa pressĂŁo.
A estrada era bem larga, e fĂĄcil de seguir, mas estava quase completamente escura, entĂŁo Yume estava carregando uma lanterna. Haruhiro olhou para trĂĄs e viu o rosto de Yume, depois viu Shihoru, que caminhava ao lado dela, e seus olhos foram atraĂdos por uma certa parte da anatomia dela. Ele imediatamente se virou.
Droga. Ele tinha pensado em algo realmente estranho ali. NĂŁo, nĂŁo tinha sido um pensamento. Foi um impulso. Haruhiro estava desconcertado agora. Estava enojado consigo mesmo.
Sentiu um desejo repentino, e por alguma razĂŁo, foi por Shihoru. Talvez porque os seios dela chamaram sua atenção, e isso provocou a sĂșbita elevação em sua libido? NĂŁo, a relação de causa e efeito entre os dois nĂŁo importava. O que importava era que ele tinha sentido isso. AlĂ©m disso, sua parte inferior do corpo agora estava em um estado difĂcil de descrever.
Ah, nĂŁo, ah, nĂŁo, ah, nĂŁo, ah, nĂŁo, ah, nĂŁo…
A questão era que Haruhiro, como qualquer pessoa, tinha um desejo sexual. No entanto, ele sentia que o seu não era tão forte, e preferia manter as coisas em moderação. Ele achava que, na maior parte do tempo, conseguia. Sou um jovem saudåvel, então não consigo evitar era algo em que ele não queria pensar. Não queria mesmo.
Sou um jovem saudĂĄvel, entĂŁo nĂŁo consigo evitar…
Agora, ele precisava usar essa frase que nunca quis para se consolar. NĂŁo que isso o consolasse de verdade, claro. O que hĂĄ de errado com vocĂȘ, Haruhiro? EstĂĄ ficando louco? VocĂȘ estĂĄ cansado, Haruhiro. NĂŁo me diga que estĂĄ se tornando um animal enlouquecido por sexo? Aqui? Numa hora dessas? Para com isso… Enquanto fazia o mĂĄximo para resistir Ă vontade de segurar a cabeça e gritar…
â Miau? â Yume fez um som estranho. â Talvez, sabe, tenha alguma coisa por aĂ?
â Alguma coisa? Como assim? â Ranta engoliu em seco. â O que Ă©?
â P-P-Parem. â Haruhiro levantou a mĂŁo rapidamente, mas todos jĂĄ tinham parado. â Yume, onde estĂĄ?
â Por ali, talvez? â Yume apontou para trĂĄs, Ă direita. â Ouvi um som. Uma presença, talvez?
Kuzaku soltou um suspiro profundo, sacou sua espada e preparou seu escudo. â Devo recuar?
â HĂŁ… err… â Haruhiro balançou a cabeça para clarear as ideias. â Bem… Vamos ver. Kuzaku, vocĂȘ vai na direção que Yume indicou. Ranta, vocĂȘ fica… Ă esquerda de Kuzaku. Eu fico Ă direita. Mary, proteja Shihoru. Yume, cubra a retaguarda.
Seus companheiros assumiram a formação rapidamente. Ele foi o Ășnico um pouco lento. Haruhiro nĂŁo pĂŽde evitar se sentir assim. Suas decisĂ”es, suas açÔes, tudo parecia lento.
Eu nĂŁo tĂŽ mais duro, nĂ©? Ele se irritou consigo mesmo por ter pensado nisso de repente. Sou estĂșpido? Essa nĂŁo Ă© a hora para isso, Ă©?
Por um tempo, ele prendeu a respiração e ficou imóvel. Nada aconteceu. Ele também não ouviu nada.
â Tem certeza que nĂŁo imaginou isso? â Ranta perguntou em voz baixa.
â Taaaaalvez? â Yume nĂŁo negou a possibilidade.
â Vamos continuar em alerta por enquanto. â Haruhiro olhou ao redor. NĂŁo hĂĄ nada aqui, pensou, e estava prestes a dar meia-volta. â Vamos voltar para Vila do Poço…
Ouviu-se uma série de sons kohh, e algo que parecia brilhar aqui e ali. Eles estavam se aproximando.
Eram criaturas? NĂŁo pareciam tĂŁo grandes. Mais de uma ou duas. Cinco, talvez seis? Mais?
Kohh. Kohh. Kohh.
Seria esse o som deles latindo? Uivando?
â EstĂŁo vindo! â Haruhiro gritou, dizendo o que todos jĂĄ sabiam.
Imediatamente, Kuzaku usou Bash e mandou alguma coisa voando com seu escudo.
â Macacos?! â Ranta girou sua Lightning Sword Dolphin. Ele nĂŁo acertou.
Eram mesmo parecidos com macacos. Seus corpos estavam cobertos de pelos pretos ou marrons, e tinham caudas. Saltavam no chĂŁo com as patas dianteiras e traseiras para atacar, mas nĂŁo corriam como animais quadrĂșpedes. Agarravam as ĂĄrvores com as patas dianteiras e afastavam os galhos com elas. Mas seus rostos eram menos de macaco e mais parecidos com os de cachorro. Poderiam ser chamados de inuzarus, cachorros-macacos.
(NT: Inu significa cachorro e saru significa macaco; juntando os dois, temos inuzaru.)
Haruhiro afastou um inuzaru com o porrete na mão direita, depois tentou chutar outro, mas ele desviou. Embora tenha afastado o primeiro, o golpe foi fraco. O inuzaru avançou nele de novo. Ele se abaixou e mirou com sua espada curta, mas o inimigo desviou.
â Esses bichos sĂŁo rĂĄpidos demais! Leap Out! â Ranta lançou-se para frente, desenhando um oito afiado com sua Lightning Sword Dolphin. â Seguido de Slice!
O inuzaru que foi fatiado soltou um Ășltimo kohhh… e caiu no chĂŁo.
Ranta levantou sua Lightning Sword Dolphin para o alto. â E aĂ?! Eu sou incrĂvel!
Sim, sim, sim, jå entendemos, agora para de perder tempo e continua lutando, tå bom?, era o que Haruhiro queria dizer, mas antes que pudesse, os inuzarus uivaram kohh, kohh, kohh e começaram a recuar.
â Acham que podem fugir, Ă©?! â Ranta estava prestes a correr atrĂĄs deles, mas imediatamente parou. â Bom, vamos dizer que eles ficaram devidamente apavorados comigo. Afinal, eu sou o cavaleiro das trevas supremo, Ranta-sama!
â …T-Todo mundo tĂĄ bem? â Haruhiro olhou para seus companheiros. â VocĂȘs estĂŁo, nĂ©?
â Uhum. â Kuzaku abaixou sua espada.
â Miau. â A resposta de Yume era tĂŁo incompreensĂvel quanto sempre, mas ele podia presumir que ela estava bem.
â Isso me pegou de surpresa… â Shihoru soltou um suspiro profundo.
â NĂŁo vem mais nenhum? â Mary ainda estava com seu cajado curto pronto.
Por enquanto, parecia que ninguém estava ferido.
Ranta se aproximou do cadĂĄver do inuzaru. NĂŁo, ele ainda nĂŁo estava morto. Tinha cortes por todo o corpo e tremia. Mesmo assim, estava claramente prestes a dar seu Ășltimo suspiro. Sem hesitar, Ranta pisou na nuca do inuzaru e a esmagou, matando a criatura.
Haruhiro pensou: Ei, serĂĄ que isso Ă© mesmo certo? Mas, comparado a prolongar o sofrimento da criatura, talvez fosse mais gentil acabar com ela rapidamente.
Ranta se agachou, examinando o inuzaru antes de se virar para Haruhiro.
â E aĂ, serĂĄ que dĂĄ pra comer se a gente cozinhar?
Ranta nĂŁo se autodenominava o cavaleiro das trevas supremo Ă toa, aparentemente. Era um tĂtulo que ele mesmo tinha se dado. Ainda assim, as coisas que ele pensava eram realmente assustadoras.
Naturalmente, o resto dos companheiros nĂŁo deu uma resposta favorĂĄvel. Matar criaturas vivas e comĂȘ-las. Pode parecer cruel Ă s vezes, mas nada mais era do que natural. PorĂ©m, mesmo que matassem goblins, nunca considerariam comer um. Os inuzarus eram parecidos com macacos, entĂŁo sentiam a mesma repulsa, o mesmo senso de que era um tabu. Entretanto, tambĂ©m estavam com fome e com pouca dinheiro para comprar comida.
â VocĂȘ acha que consegue desmembrar? â Haruhiro perguntou, com um certo tipo de determinação escondida no coração.
â Unngh… â Yume parecia extremamente contrariada com a ideia. â NĂŁo Ă© impossĂvel, nĂŁo. Yume, ela nĂŁo quer muito fazer isso, mas pode…
â Tirar a pele e as entranhas, nĂ©? â Ranta colocou o braço em volta dos ombros de Yume, agindo de forma excessivamente Ăntima. â Vai ser fĂĄcil, nĂ©. Yume, eu sei que vocĂȘ consegue! Vai lĂĄ!
â Tira a mĂŁo, idiota! â Yume afastou o braço de Ranta. â Yume nĂŁo quer fazer isso, afinal!
â Eu nĂŁo tĂŽ muito a fim de comer isso… â Shihoru se engasgou e se inclinou para frente.
â Ă… â Mary cobriu a boca com as mĂŁos.
â Se me mandarem comer, eu como… â disse Kuzaku, hesitante.
Kuzaku, vocĂȘ Ă© um cara gente boa.
Sim, era isso. NĂŁo era carne humana, afinal. Era sĂł de um animal parecido com um macaco, sĂł isso. Mesmo que tivesse um gosto ruim, era melhor do que morrer de fome. Se podiam comer, tinham que comer.
â Yume, eu tambĂ©m vou ajudar. â Haruhiro olhou nos olhos de Yume. â VocĂȘ acha que consegue, pelo menos, tentar por mim? Se nĂŁo der, me diz como fazer, e eu faço.
No fim, Yume nĂŁo recusou.
Haruhiro carregou o corpo do inuzaru e preparou uma fogueira ao lado da ponte da Vila do Poço. Quando o fogo estava pronto, começaram a preparar a carcaça. Uma vez que decidia fazer algo, Yume era confiåvel. Haruhiro só conseguia levantar, virar e segurar o corpo para ela. Yume fez todo o trabalho importante. Ela ofereceu parte da caça ao Deus Branco Elhit, e depois começou a cozinhar a carne que havia colocado cuidadosamente em espetos sobre o fogo.
Quando a carne ficou pronta, todos começaram a comer ao mesmo tempo.
Depois de mastigarem e engolirem, Ranta balançou a cabeça de um lado para o outro.
â Bem, tem um gosto meio normal, nĂ©. Nem tĂŁo ruim, nem tĂŁo bom. Talvez fosse melhor com um pouco de sal…
â Murrgh… â Yume fez uma careta. â Talvez nĂŁo seja tĂŁo gostoso…
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
Tradução feita por fãs.
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