Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 05 – Volume 7

Home/Light Novel / Hai to Gensou no Grimgar / Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 05 – Volume 7

Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – CapĂ­tulo 05:
[Desafios em Todas as Partes]


U nada = Quanto?

Faa noo = OlĂĄ / Zee naa = Adeus

A = 1, Muu = 2, Son = 3, Jo = 4, Do = 5

Kua = 6, Shi = 7, Zaa = 8, Zama = 9, Zamu = 10

Zan = 11, Zaji = 12

Yume e Ranta tentaram dizer vĂĄrias coisas ao ferreiro e ao grande caranguejo dono da mercearia, e estavam relativamente certos sobre todas elas.

Os nĂșmeros eram um pouco complicados. Haruhiro e os outros estavam acostumados com a matemĂĄtica em base 10, provavelmente porque, como humanos, eles tinham dez dedos. No entanto, os habitantes da Vila do Poço tinham nĂșmeros variados de dedos. Aqueles com oito dedos usavam a base 8, e os que tinham um total de doze dedos entre as duas mĂŁos usavam a base 12. Era assim que parecia funcionar. Se eles apontassem para seus dedos e perguntassem “U naa?”, o lojista levantava um nĂșmero de dedos para mostrar o preço. PorĂ©m, se eles nĂŁo soubessem quantos dedos o lojista tinha, isso poderia levar a mal-entendidos.

Havia trĂȘs tamanhos de moedas pretas. As que Haruhiro e os outros achavam que eram grandes eram, na verdade, as de tamanho mĂ©dio, e as pequenas eram apenas um pouco menores do que elas. O dono da mercearia foi gentil o suficiente para deixĂĄ-los ver uma das grandes moedas. Era visivelmente maior do que as de tamanho mĂ©dio, grossa e com linhas prateadas atravessando-a.

As grandes moedas eram chamadas de rou, as de tamanho médio eram chamadas de ruma e as pequenas de wen. Parecia que rou eram bastante valiosas, então a maioria das transaçÔes era feita com ruma e wen. E quantos wen eram necessårios para um ruma? Isso também era complicado, pois não parecia haver um valor fixo.

Com o ferreiro e o dono da mercearia, 8 wen equivaliam a 1 ruma. No entanto, na loja de roupas e bolsas, 12 wen eram iguais a 1 ruma, e na loja de mĂĄscaras, 5 wen valiam 1 ruma. Variava de loja para loja, ou melhor, de pessoa para pessoa.

Nesse caso, quando o ferreiro disse “Son zaa”, que era trĂȘs seguido de oito, levantou trĂȘs dedos e depois mais oito, isso significava trĂȘs vezes oito, o que dava 24 wen, ou 3 ruma.

Se o vendedor de roupas e bolsas dissesse “Jo zaji”, que era quatro seguido de doze, levantando quatro dedos e depois todos os doze dedos das duas mãos, isso significava quatro vezes doze, ou 48 wen, que equivalia a 4 ruma.

Era uma situação bizarra em que a diferença entre 3 ruma em um lugar e 4 ruma em outro era quase o dobro em wen. Mas isso parecia ser algo completamente normal na Vila do Poço.

As moedas que eles haviam encontrado no cadĂĄver e no leito do rio eram ambas de tamanho mĂ©dio. O grande caranguejo dono da mercearia era bastante flexĂ­vel com os preços, e se eles pagassem 1 ruma, ele deixava os seis comerem atĂ© ficarem cheios. Quanto Ă  ĂĄgua do poço, depois de pagarem 1 ruma pela primeira vez, nĂŁo lhes pediram mais nada. Provavelmente nĂŁo era uma taxa por uso, mas um pagamento Ășnico pelo direito de acesso ao poço.

Sim, isso nĂŁo Ă© nada plausĂ­vel. HĂĄ humanos que usam base 27 na Terra hoje em dia. JĂĄ houve humanos que usaram base 60 na histĂłria, e muitas outras bases tambĂ©m. É muito mais plausĂ­vel que tenham decidido uma base matemĂĄtica comum para facilitar a comunicação, e nĂŁo necessariamente baseada nos dedos.

Eles tomaram coragem e perguntaram ao ferreiro quanto custaria para afiar uma espada curta. Ele indicou um preço de 3 wen. Ranta fez de tudo para tentar negociar esse preço, mas não teve sucesso. Sem outra escolha, ignoraram os protestos veementes de Ranta e pagaram os 3 wen para o serviço ser feito.

Nesse ponto, a soma total da fortuna da party era de 1 ruma. Era o suficiente para alimentar todos. Negociaram com o dono da mercearia, pedindo o måximo de comida que não fosse ensopado de insetos, e comeram até ficarem satisfeitos.

O ferreiro terminou de afiar a espada curta nesse meio tempo. O trabalho era excelente, mas a noite havia chegado e o portĂŁo agora estava fechado. Com o portĂŁo trancado, eles nĂŁo conseguiriam sair, a menos que o arrombassem.

Eles não estavam com vontade de simplesmente encontrar um lugar aleatório para se deitar e dormir, então decidiram dar uma volta pela Vila do Poço. Por acaso, Espantalho-san ainda não tinha deixado a vila e estava deitado perto da Torre de Vigia A.

Além do ferreiro, da loja de roupas e bolsas, da loja de måscaras, da mercearia e da loja de variedades que davam para a praça central, a vila tinha outros nove edifícios. Eles podiam ver o maior deles do outro lado da praça. Era feito de pedras empilhadas e, incrivelmente, tinha janelas de vidro, mesmo que um pouco embaçadas. Havia luz saindo pelas janelas, então parecia que alguém morava ali, mas eles não estavam com vontade de fazer uma visita.

À esquerda da praça, no norte, havia quatro construçÔes. E, do lado oposto, ao sul, tambĂ©m havia quatro. Todas eram cabanas feitas de madeira ou barro, com telhados de palha ou de telhas de madeira. Se tivessem os materiais, a party provavelmente conseguiria imitar e construir uma cabana simples como uma dessas.

Eles passaram por alguns moradores. Alguns eram humanoides, outros não, mas todos escondiam seus rostos. A party tentou cumprimentá-los com um “Faa noo”, para ver o que aconteceria, mas foram ignorados.

Havia um cais montado na margem do rio dentro do fosso. No entanto, estava mal conservado, podre em alguns lugares. NĂŁo havia sinal de nenhum barco.

Talvez pudessem tomar banho com segurança se usassem o leito do rio dentro da Vila do Poço. Era uma ideia que veio Ă  mente, mas nĂŁo tinham certeza se lhes seria permitido cavar ali. Afinal, Haruhiro e os outros eram novatos e estrangeiros. NĂŁo queriam fazer nada estĂșpido e ofender os moradores. Se fossem tentar, concordaram que seria melhor depois que tivessem uma noção melhor da situação.

Decidiram acampar em um terreno vazio onde não havia construçÔes, para não incomodar os moradores. Estava frio, mas, se se enrolassem em suas capas, ainda conseguiriam dormir.

As garotas se abraçaram para compartilhar o calor. Honestamente, os rapazes estavam com inveja, mas de jeito nenhum iam se aconchegar daquele jeito. Era melhor aguentar firme. Enquanto conseguissem continuar pensando assim, dariam um jeito de suportar.

Não demorou muito para que Ranta começasse a roncar alto. As garotas estavam sussurrando entre si também. Olhando para Kuzaku, que se revirava sem parar, era óbvio que ele também não conseguia dormir. Bem, claro que não conseguia. O esquisito ali era Ranta.

Haruhiro quase começou a conversar com Kuzaku vĂĄrias vezes, mas toda vez se conteve. Eventualmente, as garotas ficaram em silĂȘncio, e Kuzaku parou de se revirar.

Eu deveria dormir, vou dormir, vamos lå, dorme. Haruhiro tentava se forçar a dormir, mas quanto mais tentava, menos sono sentia. Ele só conseguia pensar em um monte de bobagens sem sentido e ficava desanimado com a completa desesperança da situação.

Isso nĂŁo Ă© bom, pensou ele. Preciso fazer escolhas. HĂĄ coisas sobre as quais posso pensar, e coisas que nĂŁo posso. Revisar o que fizemos hoje. Anotar o que aprendi. EntĂŁo, amanhĂŁ. SĂł pensar no que faremos amanhĂŁ. AtĂ© amanhĂŁ chegar. É melhor esquecer todo o resto depois disso. Quero dizer, mesmo que eu pense sobre isso, nĂŁo faço ideia do que vai acontecer. NĂŁo, acho que sei de uma coisa. Todos nĂłs vamos morrer um dia. Isso Ă© a Ășnica certeza. Sim, com certeza vamos morrer. NĂŁo importa o que. Bem, isso nĂŁo faz tudo parecer meio sem sentido? Cedo ou tarde, vou morrer. Meus companheiros vĂŁo morrer. Eu me pergunto como serĂĄ. Vai doer? Vai ser assustador?

Manato. Moguzo. Choco. Como foi para vocĂȘs quando morreram? VocĂȘs pensaram, “NĂŁo, eu nĂŁo quero morrer”, ou algo assim, talvez? SerĂĄ que vou conseguir morrer pelo menos razoavelmente satisfeito? Se eu morresse agora, sei que teria arrependimentos. NĂŁo quero morrer agora. NĂŁo quero ver mais meus companheiros morrer. É melhor nĂŁo pensar nessas coisas. É assustador demais. O que fizemos ontem e hoje? O que vamos fazer amanhĂŁ? Se eu focar apenas nisso, eventualmente o tempo vai passar e…

— Boweeeeeeeeeeeeeeeeeeeeh!

— QuĂȘ…? — Haruhiro ficou de pĂ© e olhou ao redor.

Parece que seus companheiros também haviam acordado.

Yume esfregava os olhos. — Isso vai acabar matando alguĂ©m do coração.

— SerĂĄ que era um galo… ou algo assim? — Shihoru segurava o peito.

— Isso me assustou… — sussurrou Mary.

— Nngh…! — Ranta se espreguiçou. — Bem, que som refrescante pra acordar!

— Como? — Kuzaku resmungou.

Nem me diga, pensou Haruhiro.

Olhando ao redor, eles viram, no topo da barra onde o balde do poço estava pendurado, uma criatura marrom parecida com uma galinha—mas provavelmente não era uma galinha. Era grande demais para isso, afinal.

— Boweeeeeeeeeeeeeeeeeeeeh!

O berro ameaçador aparentemente vinha daquela criatura. Que péssima maneira de acordar.

— Meu corpo inteiro dĂłi… — Kuzaku girou os ombros e deu alguns tapas nas costas.

— Bem, vamos dar o nosso melhor de novo hoje. — Haruhiro tentou animá-los por obrigação, mas sua voz soou incrivelmente fraca.

— Ainda vamos ficar sem cafĂ© da manhĂŁ, hein! — Ranta disse, seguido por uma gargalhada.

— Tá tudo bem — Yume falou, inflando as bochechas sob a máscara. — Pensa que a gente tá fazendo dieta.

— Se vocĂȘ perder mais carne dos peitinhos minĂșsculos que tem, o que vai fazer? — provocou Ranta.

— Os peitos da Yume não mudaram tanto assim!

— EntĂŁo deixa eu apalpar! Eu verifico pra vocĂȘ!

— Um pouco direto demais, nĂŁo acha? — Kuzaku parecia incomodado. — Com essas exigĂȘncias e esses desejos…

— Tî morrendo de fome aqui! — Ranta gritou para Kuzaku. — Eu aceito peitos pequenos ou qualquer coisa que aparecer! Só quero apertar alguma coisa! Com todo o perigo que a gente passa, meu desejo sexual tá a mil! Ohhhhhhhhhhhhh! Eu quero procriar!

— VocĂȘ tĂĄ perigoso demais, cara… — Haruhiro começava a se preocupar com Ranta.

— Se ao menos ele morresse… — disse Shihoru, provavelmente pelo menos meio sĂ©ria.

— Porque Ă© de manhĂŁ…? — A resposta de Mary era um mistĂ©rio. Talvez ela ainda estivesse meio dormindo.

— Ranta — Yume se afastou, ainda sentada. — VocĂȘ tĂĄ super desagradĂĄvel.

O jeito sério como ela disse isso talvez tenha magoado até um lixo (nojento) como Ranta.

Ranta fez um gesto de colocar algo de lado no ar. — Tá bom, deixando essa piada de lado, vamos seguir em frente.

— VocĂȘ acha que pode deixar passar assim? — Shihoru nĂŁo estava disposta a deixar barato.

— Acho que posso! Faz um favor pra mim e deixa!

— Por que a gente faria um favor pra vocĂȘ? — Haruhiro suspirou. — De qualquer forma, ficar sem cafĂ© da manhĂŁ vai ser complicado. Precisamos ganhar pelo menos 3 ruma hoje pra que isso nĂŁo se repita.

— Certo, Parupiro, me dá uma explicação detalhada de como vamos ganhar o suficiente pra evitar que isso aconteça de novo. Vou te ouvir. É bom ser grato.

NĂŁo Ă© como se Haruhiro tivesse algum plano incrĂ­vel.

— Vamos procurar moedas pretas e outras coisas de valor no Pñntano dos Cadáveres. Ficar alerta com a fera de quatro olhos e outras criaturas.

Era sĂł isso.

Ranta gritou: — Que chatice! — e foi completamente contra, mas o restante da party apoiou. Eles deixaram a Vila do Poço e foram em direção ao Pñntano dos Cadáveres.

Era bom tentar ficar em alerta, mas, na pråtica, o que poderiam fazer se uma fera de quatro olhos aparecesse? Podiam haver outras ameaças desconhecidas também. Seriam capazes de lidar com elas? Havia muitos motivos para preocupação, mas essa era a maneira mais confiåvel de ganhar dinheiro no momento. Eles tinham que fazer isso.

Naquele dia, encontraram 1 ruma, 5 wen, uma espada enferrujada e a ponta de uma lança. Felizmente, a fera de quatro olhos não apareceu.

Quando voltaram para a Vila do Poço, levaram ao ferreiro a espada, a ponta de lança e os itens que tinham conseguido no dia anterior: a espada curta de Yume e a espada de Kuzaku. O ferreiro levantou quatro dedos. Isso aparentemente significava que ele pagaria 4 wen por tudo junto. Provavelmente, ele usaria como sucata, então estava avaliando cada item em 1 wen, totalizando 4 wen.

Eles hesitaram um pouco, mas o ferreiro não era o tipo de pessoa que deixava alguém negociar, e carregar armas que não usariam só acrescentaria peso desnecessårio. Decidiram vender os itens, e com os 4 wen que receberam, o dinheiro em mãos somava 1 ruma e 9 wen. Isso era mais do que o suficiente para duas refeiçÔes, jå que poderiam alimentar todos na mercearia por 8 wen ou 1 ruma. Eles poderiam comer antes de dormir e novamente ao acordar de manhã!

Sair para trabalhar de barriga cheia era uma sensação boa. A fome sempre os deixava irritados.

Vamos ganhar mais hoje do que ontem, Haruhiro pensou. Nosso objetivo Ă© 3 ruma.

A fera de quatro olhos era assustadora, mas ele não sentia sua presença em nenhum lugar próximo. Yume, Mary e Haruhiro encontraram uma moeda de tamanho médio, duas pequenas e duas espadas em råpida sucessão. Tudo estava indo bem.

— Hm? — Ranta puxou algo longo de dentro da poça de ĂĄgua. — O que Ă© isso?

— Ecaaaaa! — Yume deu um salto para trás. — Tá se mexendo!

— Ohh?! V-VocĂȘ tĂĄ certa! TĂĄ se mexendo, hein?! — Ranta tentou jogar aquilo fora, mas a coisa se enrolou ao redor do seu braço direito e nĂŁo soltava. — O-o-o-o quĂȘ?! Isso Ă© uma cobra?!

— Ah… — Kuzaku olhou para baixo. — T-Tem uma no meu pĂ© tambĂ©m…

Quando olharam, havia de fato uma coisa longa se enrolando na perna esquerda de Kuzaku.

Uma cobra? Era isso? Era perigosa? Venenosa? Como poderiam saber?

— N-NĂŁo se mexe, Kuzaku — Haruhiro gaguejou. — NĂŁo, talvez seja melhor vocĂȘ se mexer…?

— Qual dos dois?

— Wahhhhhhhhhhh! — Ranta tentava desesperadamente se livrar da coisa parecida com uma cobra, mas nĂŁo conseguia. — O que Ă© isso, o que Ă© isso, o que Ă© isso?! Que medo, que medo!

— Ah…! — Shihoru congelou. — Po-po-podem ter v-v-vĂĄrias delas… bem embaixo da gente…

— Hein…? — Mary levantou seu cajado curto como se estivesse pesado. Por que ela faria isso?

Havia uma daquelas coisas enrolada no cajado dela também.

— C-C-C-C-Calma. — Haruhiro respirou fundo. — N-NĂŁo parece que elas estĂŁo nos atacando. TambĂ©m nĂŁo parece que vĂŁo fazer isso. TĂĄ tudo bem. Eu acho. SĂł tĂŽ dizendo. P-Provavelmente.

— Kehe… — Zodiac-kun estava bem ao lado de Ranta atĂ© pouco tempo, mas agora estava longe, por algum motivo. — Acreditar sem provas… Ă© tolice… Kehehe…

— Zodiac-kun tĂĄ querendo me abandonar?! Isso Ă© um pĂ©ssimo sinal! — Ranta tentava puxar a coisa parecida com uma cobra usando a mĂŁo esquerda. Mas nĂŁo parecia que ia conseguir se livrar dela. — Nnnngh! M-M-Me ajudem! AlguĂ©m me ajuda! Salvem-me, seus idiotas!

— Nãããããão! — Mary balançava o cajado curto de forma descontrolada. Mesmo com tudo isso, a coisa ainda continuava agarrada com força.

— Uwahhhhhhhhhhhh. — Kuzaku tropeçava.

O quĂȘ, o quĂȘ, o quĂȘ? NĂŁo era sĂł a perna esquerda dele? Havia uma coisa parecida com uma cobra na sua perna direita tambĂ©m? NĂŁo, havia duas, trĂȘs mais delas, subindo pelas pernas de Kuzaku e tentando agarrĂĄ-lo?

— O-Ohm, rel, ect, del, brem, darsh… — Shihoru lançou Armor Shadow para envolver-se em um elemental das sombras. Pode ter sido a decisĂŁo mais calma e racional. No entanto, para ser honesto, Haruhiro nĂŁo estava totalmente confortĂĄvel com ela fazendo isso.

— H-Haru-kun?! — Yume olhou apressada para Haruhiro.

NĂŁo, nĂŁo me pergunte, era algo que ele nĂŁo podia dizer. Afinal, Haruhiro era o lĂ­der.

Certo. Eu sou o lĂ­der. Mas, lĂ­der ou nĂŁo, hĂĄ coisas que eu nĂŁo posso fazer, e coisas que eu nĂŁo sei, sabe? Ainda assim, se eu nĂŁo fizer alguma coisa, Ă© Ăłbvio que as coisas vĂŁo piorar, nĂŁo Ă©?

— V-Vamos sair da ĂĄgua! — Haruhiro gritou. — Essa Ă© a primeira coisa! F-Ficar aqui seria meio complicado de lidar com isso!

Yume e Shihoru saíram correndo. Ranta e Mary fizeram o mesmo, um balançando o braço e a outra seu cajado enquanto corriam. Haruhiro puxou Kuzaku pelo braço enquanto corria também.

No caminho, Ranta soltou um grito, parecia que havia sido mordido em algum lugar.

— T-Tá bem, Ranta?! — Haruhiro gritou.

— Seu idiota! Não tem como eu estar bem! droga! Isso dói!

Ele estĂĄ gritando e ainda estĂĄ se movendo, entĂŁo parece que estĂĄ bem, pensou Haruhiro.

Por sorte, assim que saíram do Pùntano dos Cadåveres, as coisas parecidas com cobras se soltaram naturalmente. Eles só puderam sentir alívio por um momento, no entanto, porque Ranta desabou e começou a ter convulsÔes.

— Guhguhguhguhguhguhguhguhguh, urghhhhhhhh, gurbbbbbbbb…

— Ranta?! — Yume tirou o elmo de Ranta. — Ai?!

Mesmo à primeira vista, estava claro que a situação era ruim. Ranta estava espumando pela boca. Veneno. As coisas parecidas com cobras deviam ser venenosas.

Mary imediatamente lançou Purify (Purificar) para eliminar o veneno, mas Ranta ainda continuava caído, sem forças.

— Urgh… Eu nĂŁo acredito… Eu quase morri ali. Droga…

— Ehehe… Por que vocĂȘ… nĂŁo foi logo abraçado pelo Skullhell… Ehe… Ehehe… — Zodiac-kun zombou.

— Poxa, Zodiac-kun, se vocĂȘ ficar provocando ele numa hora dessas, bam! Vai levar um tapĂŁo! — Yume estava sendo surpreendentemente gentil com Ranta.

Na verdade, Haruhiro não sabia quando ou como, mas Yume estava deixando Ranta descansar a cabeça no colo dela. Isso era tão incrivelmente incomum que ele duvidou dos próprios olhos.

— Espera… O veneno jĂĄ saiu mesmo? Sinto que vou morrer… Desculpa, Yume… Me deixa descansar assim sĂł mais um pouco… — Ranta gemeu.

— Hã? Bem, tudo bem, Yume não se importa.

— Por mais uma hora…

— Isso nĂŁo Ă© um pouco demais?

— TĂĄ bom, sĂł trinta minutos entĂŁo…

— Miau…

— Geh heh… VocĂȘ caiu… O Ranta te enganou… Geh heh heh…

— Hã? Enganou?

— N-NĂŁo enganei! — Ranta gritou. — Do que vocĂȘ tĂĄ falando, Zodiac-kun? E-Eu tĂŽ me sentindo muito, muito mal de verdade! T-Tipo, com enjoo, dor de cabeça, e dor de estĂŽmago, tĂĄ? NĂŁo tĂŽ inventando isso!

— Isso tĂĄ parecendo super falso! E vocĂȘ tĂĄ agindo bem animado tambĂ©m! — Yume reclamou.

É claro que Ranta foi despejado Ă  força do colo de Yume. Isso nĂŁo importava tanto, mas, ainda assim, agora eles estavam numa situação complicada. O mĂ©todo garantido para conseguir moedas pretas no PĂąntano dos CadĂĄveres agora trazia nĂŁo sĂł a ameaça da fera de quatro olhos, mas uma nova ameaça: aquelas coisas parecidas com cobras, as cobras venenosas do pĂąntano. JĂĄ nĂŁo podia mais ser considerado um mĂ©todo confiĂĄvel.

— E entĂŁo? O que vocĂȘ vai fazer agora, Parupiro? — Ranta perguntou com um tom rabugento.

Haruhiro quase perdeu a paciĂȘncia.

O que vocĂȘ quer dizer com “O que eu vou fazer?” VocĂȘ tĂĄ jogando isso pra cima de mim? Pelo menos pergunte “O que nĂłs vamos fazer?” Temos que começar conversando sobre isso primeiro, obviamente!

Enquanto Haruhiro reclamava de Ranta mentalmente, isso ajudava a acalmĂĄ-lo. Mesmo que ele descontasse sua raiva naquele (imundo) (inĂștil) (idiota) pedaço de lixo, e deixasse claro que Ranta estava errado, o cara era lixo, entĂŁo nĂŁo era como se ele fosse mudar de opiniĂŁo. Se Haruhiro perdesse a paciĂȘncia, sĂł ia se cansar Ă  toa. Seria um desperdĂ­cio de raiva.

— Talvez a gente possa tentar entrar na floresta… — Haruhiro começou.

Quando propĂŽs a ideia, o restante da party aceitou com uma facilidade surpreendente.

TĂĄ, mas isso estĂĄ certo? Ele se perguntou. SerĂĄ que todo mundo nĂŁo estĂĄ pensando direito nisso? NĂŁo pĂŽde evitar essa sensação, mas talvez fosse sĂł porque eles nĂŁo tinham energia para isso. A verdade era que Haruhiro sentia o mesmo Ă s vezes. Era uma tendĂȘncia ruim. Dito isso, eles nĂŁo podiam simplesmente ficar parados. Se nĂŁo fizessem alguma coisa, qualquer coisa, nĂŁo poderiam continuar vivendo.

Por ora, decidiram ir para a floresta, perto da ponte da Vila do Poço. Foi mais difĂ­cil do que esperavam. As ĂĄrvores brancas e retorcidas cresciam de forma tĂŁo densa que encontrar uma brecha grande o suficiente para uma Ășnica pessoa passar jĂĄ era complicado. SerĂĄ que teriam que derrubĂĄ-las no caminho?

Kuzaku disse algo esperançoso: — Se tá assim, provavelmente não tem nenhuma fera grande, ou algo do tipo.

Shihoru apontou algo desagradĂĄvel: — Mas pode ter cobras ou algo parecido…

— Shihoru… — Haruhiro começou a dizer, depois balançou a cabeça.

— Hã? O que foi?

— N-NĂŁo, nada. VocĂȘ tĂĄ certa… Pode ter cobras, nĂ©… Cobras venenosas…

— E-E se a gente voltasse? — Ranta estava assustado.

Bem feito, pensou Haruhiro. Mas ele mesmo nĂŁo estava mais interessado em lidar com cobras. NĂŁo queria ser mordido como Ranta havia sido.

— Tomem cuidado, — Mary os alertou. — Só posso lançar Purify a mesma quantidade de vezes que Heal.

Yume disse: — Ei, ei — apontando para o oeste. — L-Logo ali, sabe, tá longe, mas tem algo brilhando ali, será?

— Brilhando… — Haruhiro apertou os olhos e olhou naquela direção. — Sim, vocĂȘ tem razĂŁo.

O que era, ele não sabia dizer com certeza, mas definitivamente havia algo como uma luz além das årvores. Ou pelo menos parecia isso.

— Acha que conseguimos chegar lá? — perguntou Kuzaku em um sussurro. — Chegar antes da noite chegar?

— DifĂ­cil dizer quĂŁo longe tĂĄ, nĂ©… — Ranta estava sendo incrivelmente tĂ­mido.

A propósito, Zodiac-kun nem tinha entrado na floresta com eles. Parecia que o demÎnio poderia ficar preso em galhos e coisas assim, então talvez tivesse recusado por esse motivo. Sem Zodiac-kun, Ranta era só um pedaço de lixo, valendo menos que nada.

Shihoru sugeriu hesitante: — Deveríamos voltar?

Haruhiro olhou para Kuzaku, Yume e Mary. Nenhum deles disse nada, nem fez nada que pudesse expressar uma opiniĂŁo.

— É… — Ranta foi o Ășnico a concordar com Shihoru.

Isso nĂŁo era bom. Essa atmosfera nĂŁo era nada boa. Ele queria mudĂĄ-la, mas como? Haruhiro nĂŁo fazia ideia.

Ele queria um tempo para pensar… talvez? Mas se ele pensasse, conseguiria uma resposta? Ele queria tempo… NĂŁo, na verdade, ele sĂł queria escapar daquela situação, certo? Talvez nĂŁo fosse sĂł Haruhiro; talvez todos estivessem se sentindo assim.

É, isso nĂŁo tĂĄ bom, pensou Haruhiro. NĂŁo vai dar certo desse jeito. NĂŁo vai. NĂŁo tem como, isso nĂŁo tĂĄ bom… mas ainda assim.

— Que tal a gente voltar, por enquanto? — Haruhiro propîs.

Ele acabou dizendo. Mesmo sabendo que, como líder, ele precisava colocå-los de volta nos trilhos. Era um momento em que precisava repreender seus companheiros, ou encorajå-los, e ele sabia disso mais do que o suficiente, mas não conseguia. Ele estava completamente sem forças.

SerĂĄ que vamos conseguir continuar assim, daqui pra frente…?


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


Tradução feita por fãs.
Apoie o autor comprando a obra original.


Compartilhe nas Redes Sociais

Publicar comentĂĄrio

Anime X Novel 7 Anos

Trazendo Boas Leituras AtĂ© VocĂȘ!

Todas as obras presentes na Anime X Novel foram traduzidas de fĂŁs para fĂŁs e sĂŁo de uso Ășnico e exclusivo para a divulgação das obras, portanto podendo conter erros de gramĂĄtica, escrita e modificação dos nomes originais de personagens e locais. Caso se interesse por alguma das obras aqui apresentadas, por favor considere comprar ou adquiri-las quando estiverem disponĂ­vel em sua cidade.

Copyright © 2018 – 2025 | Anime X Novel | Powered By SpiceThemes

CapĂ­tulos em: Hai to Gensou no Grimgar