Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 10 â Volume 6
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 10:
[HistĂłrias Extras]
A Besta que em Breve Provocarå a Destruição
As cores crepusculares que tingiam os céus anunciavam a aproximação do fim.
â Em breve, o Lorde DemĂŽnio das trevas surgirĂĄ, e o mundo se renderĂĄ ao desespero que essas sombras trazem…
O homem que agora se fazia passar pelo nome transitório de Inui neste mundo olhou para o céu em Altana, a cidade da destruição.
â Heh… â Ele pigarreou e esboçou um sorriso.
O sino tocou, marcando o tempo da ruĂna. Desavisadas de sua destruição iminente, as massas insensatas seguiam com seus afazeres enquanto o vento da profecia soprava.
â Tenho a impressĂŁo de que sou o Ășnico a ter uma compreensĂŁo plena da realidade que permeia este mundo material… â
Com um sutil ar de solidĂŁo, Inui adentrou um beco.
â Eles nĂŁo sĂŁo fĂĄceis de encontrar, parece… meus companheiros predestinados, aos quais estou ligado pelos laços de nossa vida passada… â
De repente, ao sentir o olhar de outro sobre ele, Inui levantou os olhos. A besta negra o observava do alto do edifĂcio em frente ao beco. Olhos Ăąmbar. Pupilas redondas da cor da escuridĂŁo.
â VocĂȘ… nĂŁo pode ser… â murmurou Inui.
â Miau â respondeu a besta negra com uma voz ridĂcula.
â Sua forma usualmente falsa, vejo â disse Inui. â Achou que me enganaria?
â Miiiiiau.
â Quer lutar, nĂŁo Ă©? Heh… admiro sua coragem… â Inui acenou para a besta. â Venha. Venha a mim. Eu enfrentarei vocĂȘ.
A criatura negra inclinou a cabeça e, em um instante, desapareceu de vista. Teria ela antecipado sua derrota iminente e optado por se retirar? Não se tratava de uma tola, ao contrårio dos humanos, frequentemente impulsivos. Inui franziu a testa e, ao balançar a cabeça, estava prestes a se voltar e se afastar.
Foi entĂŁo que aconteceu. Com um pouso suave, a criatura negra reapareceu, aproximando-se dele de maneira inesperada.
â Eu jĂĄ sabia… â Inui abriu o olho nĂŁo coberto pela pala. Com calma, baixou os quadris e estendeu a mĂŁo direita em direção Ă criatura negra. â Estou plenamente ciente de suas fraquezas. VocĂȘ realmente acredita que serĂĄ capaz de me superar?
A besta negra parou, hesitando, talvez tomada pelo temor. Ă compreensĂvel que sentisse receio de Inui, sem dĂșvida. Contudo, mesmo assim, a besta negra se dispĂŽs a desafiĂĄ-lo. Inui jĂĄ havia enfrentado inĂșmeras batalhas semelhantes e tinha a capacidade de discernir essas situaçÔes. E, de fato, sua intuição se confirmou.
A besta negra avançou com cautela, aproximando o focinho da mão direita de Inui. Ao estender o dedo indicador, Inui permitiu que o animal o cheirasse. Em seguida, a besta roçou seu queixo contra o dedo de Inui, emitindo um suave ronronar. Inui sorriu ao presenciar a interação.
â VocĂȘ nunca poderia me derrotar… Heh… Heheheh… Hahhh! Ha, ha, ha, ha, ha…
No entanto, talvez ele tenha baixado a guarda. Enquanto acariciava o pescoço da besta negra, virou-se para olhar atrås de si. Seus olhos encontraram os de outro.
â …Reforços, Ă© isso?
Havia uma besta branca, vĂĄrias bestas listradas, e uma grande besta negra. Elas se aproximaram de Inui sem medo. Que audĂĄcia!
â VocĂȘs acham que podem me derrotar confiando nos nĂșmeros? â Inui perguntou. â VocĂȘs me subestimam! NĂŁo pensaram que eu preveria sua trama e me prepararia?
Inui rapidamente pegou a besta negra no colo, puxando vårios pedaços de carne seca do bolso. Havia fome nos olhos das bestas.
â Estou bem familiarizado com seus hĂĄbitos. Conhece-te a ti mesmo, conhece o teu inimigo, e nĂŁo temerĂĄs o resultado de cem batalhas!
As bestas se aglomeraram ao redor da carne seca que ele jogou para elas. A besta negra nos braços de Inui se debatia, querendo um pouco da carne seca para si.
â Calma… Eu tenho para vocĂȘ tambĂ©m.
Inui retirou mais carne seca do bolso e a ofereceu Ă besta negra que estava em seu colo. A besta parecia faminta, pois, ao esquecer que estava nos braços de Inui, nĂŁo apresentou resistĂȘncia enquanto ele a acariciava delicadamente. Ela se alimentava de forma voraz da carne seca.
Inui estreitou o olho direito.
â No fim, vocĂȘ nĂŁo foi pĂĄreo para mim… Ă sĂł isso. Meh…
â Miau.
â Miiiiau.
â Mrrrrau.
â Miau.
â Miau.
â Miau.
Vozes. Vozes. Vozes. Vozes… Vozes de todas as direçÔes.
Inui olhou ao redor. No telhado, do outro lado do beco, e tambĂ©m no lado oposto, havia bestas, bestas, bestas. Eram mais de dez… nĂŁo, eram dezenas delas. Segurando a besta negra ainda concentrada na carne seca, Inui enfiou a mĂŁo no recipiente.
â …A batalha apenas começou, pelo visto. Heh.
Mesmo
â Ta-dĂĄ! Quem chegou? Hey, sou eu, Kikkawa! Ă isso aĂ! Huh? NĂŁo gostou disso? PerdĂŁo? Uau! Bem, seja como for, vamos em frente. O quĂȘ, o quĂȘ? VocĂȘs vĂŁo embora? EstĂŁo indo embora? Tipo, sĂ©rio? Tipo, de verdade? TĂĄ, tudo bem. Entendi. AtĂ© mais. Talvez na prĂłxima, beleza? AmanhĂŁ, certo? AmanhĂŁ! Eu amo vocĂȘs! Preciso de vocĂȘs! Tchau tchau! Eu amo muito, muito mesmo!
Kikkawa sorriu ao ver as duas mulheres saindo, depois piscou para Ranta, que voltava correndo.
â Foi mal, foi mal! Fui rejeitado de novo! â chamou Kikkawa. â Estou totalmente fora do ritmo hoje. Isso jĂĄ Ă© a sĂ©tima! Vamos chegar a dez! Ă isso aĂ! Dez, dez, deeez!
â …Cara, com todas as vezes que vocĂȘ jĂĄ foi rejeitado, fico surpreso que ainda tenha tanta energia â respondeu Ranta.
â HĂŁ? Quero dizer, a prĂłxima pode dizer sim, nĂ©? Pode haver uma garota ainda mais fofa por aĂ, sĂł esperando por mim, sabe? Quando vocĂȘ pensa assim, nĂŁo te dĂĄ uma empolgação? Fogo, fogo! TĂĄ, na prĂłxima, Ranran, vocĂȘ vai ser meu apoio! Vamos fazer isso!
â Eu… prefiro nĂŁo â disse Ranta.
â Por quĂȘ, por quĂȘ, por quĂȘ? Como assim, como assim?
â …Eu sĂł estou me sentindo exausto, de algum jeito. AliĂĄs, qual Ă© a sua taxa de sucesso?
â Hmm. NĂŁo sei. Eu nĂŁo conto, entĂŁo, tipo, sei lĂĄ, cara. Ăs vezes consigo de primeira, Ă s vezes fico na seca a noite toda. Bem, Ă© assim que funciona, acho. E vocĂȘ, Ranran?
â Eu nĂŁo… Espera aĂ. Quem vocĂȘ tĂĄ chamando de Ranran?
â Ranran-ra-ran! NĂŁo soa divertido? Sinta isso! Yay! EntĂŁo, entĂŁo, entĂŁo, Ranran, como Ă© a sua taxa de sucesso? â perguntou Kikkawa.
â Eu… Bem, sabe como Ă©? Quando dĂĄ certo, dĂĄ certo, quando nĂŁo, nĂŁo dĂĄ, acho…
â Igualzinho a mim, hein! Somos pĂĄssaros da mesma pena! Yay! E aĂ? Vai pra prĂłxima?
Ranta recusou.
Seria meio estranho simplesmente ir para casa, entĂŁo os dois decidiram beber. Escolheram o bar para o qual Renji o tinha levado, na beirada do Beco Celestial. Era pequeno, mas tinha uma boa variedade de bebidas. Um lugar bacana.
â Ooh, Ranchicchi, vocĂȘ bebe em lugares assim, hein? â chamou Kikkawa. â TĂŁo maduro. VocĂȘ Ă© tĂŁo adulto. VocĂȘ Ă© legal. VocĂȘ Ă© o melhor!
â TĂĄ tirando com a minha cara, parceiro? â perguntou Ranta.
â Nada disso, cara, Ă© um bom lugar. Ei, garçom, vou querer o que vocĂȘ sugerir! Algo que tenha um bom sabor! Nada muito forte, talvez. Vou nessa!
â Pra mim, um conhaque â disse Ranta.
â Uau! Conhaque! Ranchicchi, vocĂȘ Ă© tĂŁo legal! Bem, talvez eu… nĂŁo faça o mesmo! Algo diferente pra mim, por favor! Sem motivo nenhum pra isso!
â …Kikkawa, cara, vocĂȘ tem energia demais. Eu poderia te matar, e vocĂȘ provavelmente ainda continuaria indo e indo.
â Nada disso, cara, se vocĂȘ me matasse, eu ficaria bem morto. …Ops.
â HĂŁ? O quĂȘ? â perguntou Ranta.
â Nada, foi mal. Por, tipo, falar sobre morrer e tal.
â Ahhh, isso. De boa, cara. Quero dizer, fui eu quem começou.
â Bem, Ă©, eu sei. Eu sei disso, mas mesmo assim… â Kikkawa virou a bebida que lhe trouxeram e soltou um suspiro. â Eu nĂŁo entendia muito bem, sabe. O jeito que vocĂȘs se sentem. Pois Ă©. Fico pensando que eu devia ter sido mais compreensivo. SĂł depois de passar por aquela situação em que parecia que, âEi, talvez estejamos ferrados de vezâ que eu entendi. A ideia de perder alguĂ©m, Ă© assustadora, cara. VocĂȘs tiveram que passar por isso e superar. Por isso, nĂ©? Por isso vocĂȘs nos salvaram.
â …Vai saber â disse Ranta.
â Eu pensei que podia ser isso.
â VocĂȘs tambĂ©m nos ajudaram. Diria que estamos quites.
â Acha mesmo?
â Ă assim que Ă©. Ă a vida, cara. …Vamos parar. NĂŁo Ă© divertido falar sobre isso.
â Ă.
Kikkawa sorriu, levantando seu copo de vidro.
â Essa Ă© por minha conta. Deixa comigo a conta.
â Ă bom que seja mesmo â Ranta deu uma risada nasal. â Depois eu pago no prĂłximo lugar. Ă assim que funciona, sabe?
NĂŁo dĂĄ para parar
â VocĂȘ acha que aquele velhote esquisito fugiu? â Tokimune riu e ajustou o aperto na espada. Seu escudo estava jogado em algum lugar por perto. Ele nĂŁo conseguia mais usar a mĂŁo esquerda, nem o braço inteiro.
â Quem sabe? â perguntou Tada. â NĂŁo faz diferença pra mim.
Tada carregava sua espada de duas mãos sobre o ombro. Sua respiração ofegante fazia parecer menos que ele estava deliberadamente baixando o centro de gravidade e mais que ele estava exausto e forçado a isso.
Eles estavam nas Minas Cyrene. NĂŁo lembrava mais em qual camada. NĂŁo importava se olhavam para frente, para trĂĄs, para a esquerda ou para a direita, sĂł havia kobolds, kobolds, kobolds. Talvez houvesse mais kobolds anciĂ”es bem construĂdos do que os normais. Os dois estavam completamente cercados.
Os kobolds estavam todos enfurecidos, mas não avançavam. Mesmo naquele estado excitado, ainda mantinham cautela. Alguns kobolds que haviam saltado contra os dois humanos haviam sido abatidos com apenas um golpe.
â Tada â chamou Tokimune.
â O quĂȘ?
â Eu tava pensando, cara, vocĂȘ Ă© guerreiro, por que nĂŁo usa elmo?
â Ei, amigĂŁo, vocĂȘ Ă© paladino, por que nĂŁo usa tambĂ©m? â retrucou Tada.
â Ah, Ă© muito apertado, nĂŁo gosto.
â Bem, eu sou forte, entĂŁo nĂŁo preciso de um.
â Faz sentido.
â …AlĂ©m disso, nĂŁo consigo enxergar direito sem meus Ăłculos â confessou Tada.
â Ahhh. Sim, Ăłculos e elmos nĂŁo combinam muito bem, nĂ©?
â De qualquer forma, eu nĂŁo preciso de um.
â VocĂȘ Ă© um cara teimoso, Tada. â Tokimune riu e virou a cabeça. Os kobolds ainda nĂŁo tinham atacado. â Eles estĂŁo com medo, hein. Ei, Tada. TĂĄ afim de uma competição? Ver quem mata mais?
â Nem pensar.
â HĂŁ? Por quĂȘ?
â Eu sei que venceria. NĂŁo faz sentido. Vamos fazer algo melhor.
â O quĂȘ? â perguntou Tokimune.
â Ver quem sai das Minas Cyrene primeiro.
â Gosto disso. TĂŽ dentro.
â Eu vou ganhar. â Tada deu um passo Ă frente e desferiu um golpe com sua espada de duas mĂŁos. Um uivo. Um kobold caiu.
Não querendo ficar para trås, Tokimune avançou, cravando sua espada na boca de um kobold. Logo, perdeu a oportunidade de observar como Tada estava lutando. Depois de derrubar o kobold, ele usou o corpo como escudo de carne enquanto matava outro.
â Ha ha! Ha ha! â Ele podia ouvir Tada rindo.
Ele estava se divertindo tanto que, mesmo quase sendo enterrado em uma pilha de corpos de kobolds, Tokimune sorriu. Com um sorriso, ele enfiou sua espada através de uma brecha entre os corpos.
â Gah…!
Era a voz de Tada. Tokimune se virou para olhar. Tada estava de quatro. Serå que ele tinha sido atingido? Melhor ir ajudå-lo, pensou Tokimune, mas ele não conseguia abrir caminho através dos corpos.
â VocĂȘ nĂŁo ia ganhar essa, Tada?! â ele gritou.
Tada tentou se levantar. Não conseguiu. Não foi råpido o suficiente. Um kobold ancião alcançou Tada.
Alguém agarrou aquele kobold ancião violentamente por trås, quebrando seu pescoço.
â …Velhote! â gritou Tokimune.
â Meu nome Ă© Inui! â O ladrĂŁo, Inui, que parecia o retrato de um homem de meia-idade, continuou a quebrar o pescoço de outro kobold. â Eu sou Inui, o Lorde DemĂŽnio! Contemplem minha supremacia!
â VocĂȘ nĂŁo faz sentido nenhum! â Tada se levantou com calma, entĂŁo girou sua espada de duas mĂŁos, cortando os kobolds ao redor. Tokimune empurrou os corpos de lado, tambĂ©m, chutando um kobold e enfiando sua espada nele.
â Sendo o velho que Ă©, achamos que vocĂȘ tinha dado no pĂ©! â gritou Tokimune.
â O Lorde DemĂŽnio nunca foge! Ele nunca puxa o saco! PĂŁo de Manteiga! â Inui parecia estar em um estado mental estranho. Ele circulava quebrando pescoços de kobolds, clack, clack, um atrĂĄs do outro. â AlĂ©m disso! Eu sĂł tenho vinte anos! NĂŁo sou um velho!
â SĂ©rio? â Tokimune ficou tĂŁo surpreso que ficou parado por um segundo. NĂŁo era bom. Ele estava completamente exposto. Os kobolds, no entanto, nĂŁo aproveitaram. Inui e Tada estavam em tal frenesi que eles nĂŁo tiveram tempo para isso. Naturalmente, Tokimune nĂŁo tinha intenção de deixar os dois se divertirem sozinhos.
â Inui! VocĂȘ entra nessa tambĂ©m! â ele gritou. â O primeiro a sair das Minas Cyrene vence! Entendeu?!
â Que as trevas da ruĂna se espalhem pelo alvorecer do mundo! Eu, o Lorde DemĂŽnio, serei vitorioso!
â Eu vou ganhar! â Tada gritou.
â Nem pensar! Eu Ă© que vou vencer! â Tokimune respondeu.
Enciclopédia de animais raros e bizarros
â What the hell? â Anna-san se agachou, desanimada. Ela estava completamente sozinha na Cidade Velha de Damuro. Talvez tivesse sido uma mĂĄ ideia se afastar dos companheiros para se aliviar. Mas o que mais poderia ter feito? O estĂŽmago de Anna-san estava incomodando desde aquela manhĂŁ. Em outras palavras, ela disse que ia dar uma mijada, mas havia o risco de nĂŁo acabar ali. Por isso, nĂŁo dava pra fazer aquilo por perto.
â Afinal, Anna-san Ă© uma dama, nĂ©? NĂ©…?
Pra piorar, levou bastante tempo. Mas ela não podia simplesmente parar no meio e voltar para pedir que esperassem. Isso teria sido muito constrangedor. Além do mais, embora os chamasse de companheiros, não era como se fossem próximos. A party parecia uma mistura de pessoas sobrando, que nem tinha se formado hå muito tempo.
JĂĄ fazia pouco mais de trinta dias desde que ela havia chegado a Grimgar. Anna-san jĂĄ tinha passado por vĂĄrias equipes. Ela sabia por quĂȘ. Era por causa da sua linguagem. NĂŁo se sabia o motivo, mas, embora ela conseguisse entender mais ou menos tudo o que os outros soldados voluntĂĄrios e os residentes de Altana diziam, ela nĂŁo conseguia falar a mesma lĂngua que eles muito bem.
NinguĂ©m mais era como Anna-san. Isso era chocante e deixava a situação complicada. Mesmo assim, Anna-san tentava expressar o que pensava. Se nĂŁo o fizesse, se sentiria desconfortĂĄvel. No entanto, nĂŁo importava o que ela dissesse, ninguĂ©m tentava entendĂȘ-la.
Poucos a enfrentavam abertamente, mas todos nĂŁo gostavam de tĂȘ-la por perto, e ela era tratada como um incĂŽmodo. Se ela protestasse contra o tratamento injusto, as coisas sĂł pioravam, e, no fim, a party se desfazia. PorĂ©m, depois, Anna-san Ă s vezes descobria que todos, exceto ela, estavam trabalhando juntos novamente. Ou seja, eles tinham combinado de fingir a separação da party sĂł para se livrar dela. NĂŁo precisavam ter tanto trabalhoâpodiam simplesmente ter expulsado Anna-san. Obrigada por nada!
Ela sabia o que estava acontecendo. Dessa vez foi diferente, mas era a mesma coisa. Anna-san estava atrapalhando seus companheiros. Foi por isso que, quando ela se afastou para se aliviar e demorou para voltar, eles aproveitaram a oportunidade para ir embora. Anna-san foi deixada para trĂĄs. No meio da Cidade Velha de Damuro, infestada de goblins. Basicamente, disseram a ela: go to hell. Idiotas!
Um som veio de trås dela. Anna-san se virou, surpresa. Quando viu algo que parecia um goblin à distùncia, ela entrou em pùnico e rapidamente tentou se esconder na sombra de um prédio próximo. Por um tempo, prendeu a respiração e ficou imóvel. Quando espiou timidamente, o goblin não estava mais lå. Ela ficou aliviada, mas então seu estÎmago voltou a doer.
â Ow… Wow… No… Dores de barriga…
Anna-san suava profusamente e se contorcia de dor. Enquanto fazia isso, achou que ouviu algo como uma respiração. Quando se virou para olhar, curiosa, o goblin estava bem ao lado dela, espada levantada acima da cabeça. Ele estava prestes a desferir um golpe contra Anna-san.
â …Oh, my God!
Nunca lhe ocorreu a ideia de fugir. Sua mente ficou em branco. Anna-san estava prestes a ser morta antes mesmo de ter tempo de pensar Estou morta.
Até que uma mulher cortou o goblin, ou melhor, pulverizou-o com sua espada.
â Hah!
Havia uma guerreira incrivelmente grande na party. Ela usava um elmo com chifres, cota de malha e, apesar de ser mulher, era a mais alta da equipe. Aquela guerreira apareceu subitamente por trĂĄs do goblin.
Ela acertou o goblin na cabeça com a lateral da lùmina, e não com o fio da espada, por algum motivo. Foi um golpe incrivelmente amplo. Isso só significava que era ainda mais poderoso, porque o goblin foi jogado de lado e caiu no chão. A guerreira então saltou no ar e pisou com força na cabeça do goblin. Houve um som molhado quando a cabeça afundou e o sangue espirrou para todos os lados, até no rosto de Anna-san.
â O qu-qu-quĂȘ… Como…? â Anna-san engasgou.
â TĂĄ bem? â Sem expressĂŁo no rosto, a guerreira ofereceu sua mĂŁo para Anna-san. Como Anna-san estava tremendo, a mulher a pegou pelo braço, a puxou para cima e entĂŁo a ergueu, carregando-a. â VocĂȘ nĂŁo parece bem.
â V-VocĂȘ… O quĂȘ…? â Anna-san balbuciou.
â Sua criatura fofa â disse a guerreira. â Fiquei preocupada, entĂŁo vim te procurar.
Criatura fofa? A guerreira disse algo que parecia um absurdo para Anna-san, e entĂŁo franziu um pouco a testa.
â Os outros se mandaram. Lixo inĂștil. Estou de saco cheio deles.
â Why you… â Anna-san começou.
â VocĂȘ Ă© fofa. Fiquei preocupada. â A guerreira começou a andar, ainda carregando Anna-san. â Pode me chamar de Mimorin.
â …Mimorin?
â Sim. Mimorin. E vocĂȘ Ă© Anna-san. Certo?
â …okay â Anna-san respondeu.
Mimorin sorriu levemente.
Anna-san continuou olhando para o rosto de Mimorin por um longo tempo.
A Yorozu Sonolenta
A Companhia de DepĂłsitos Yorozu operava o ano todo, sem nunca tirar um feriado, das sete da manhĂŁ Ă s sete da noite. A qualquer momento, para qualquer propĂłsito, a quarta Yorozu estaria esperando em sua janela para atender os negĂłcios.
Havia sempre um fluxo constante de clientesâou pelo menos era o que ela gostaria de dizer, mas, ocasionalmente, havia momentos em que o movimento era estranhamente fraco.
Yorozu estava sentada atrås do balcão em sua cadeira de couro pessoal. Ela vestia um traje vermelho e branco com detalhes em dourado, feito sob medida especialmente para ela, além de usar um monóculo de aro dourado. Também carregava um cachimbo dourado.
A quarta Yorozu mantinha uma postura elegante, com um ar de serenidade. Claro que sim. Afinal, ela era uma Yorozu. NĂŁo importava o que acontecesse ou quando, uma Yorozu sempre deveria ser capaz de responder com astĂșcia. Mesmo se tivesse âtempo livreâ, isso nĂŁo mudava nada. Uma Yorozu devia fazer uso apropriado desse âtempo livreâ. Sim, por exemplo, naquele momento, a atual Yorozu estava pensando em seu predecessor.
O Yorozu anterior tinha sido seu bisavÎ. Ele permaneceu no serviço até os 92 anos, reinando em sua gloriosa posição na janela da Companhia de Depósitos Yorozu. Então, apenas meio ano após ceder seu lugar para essa quarta Yorozu, ele morreu por causas triviais. Por vontade de seu bisavÎ, ela herdou a posição e se tornou a quarta Yorozu.
Houve resistĂȘncia dentro da empresa Ă ideia de uma jovem como ela se tornar Yorozu. A verdade Ă© que atĂ© seu prĂłprio pai e avĂŽ se opuseram a seu bisavĂŽ nisso. Apesar disso, seu bisavĂŽ se manteve firme. A razĂŁo era clara. Quando comparada a seu pai, seu avĂŽ, seus irmĂŁos mais velhos, ao chefe do balcĂŁo, aos vendedores e aos aprendizes, em comparação com qualquer outra pessoa, ela era a mais apta a ser Yorozu. Foi por isso que ela se tornou a Yorozu. Essas palavras de seu bisavĂŽ estavam profundamente gravadas em sua mente:
NĂŁo se torna um Yorozu. NĂŁo se pode se tornar um Yorozu. Um Yorozu nasce um Yorozu.
Ela entendia bem o que seu predecessor queria dizer. Desde que conseguia se lembrar, ela nunca havia esquecido uma Ășnica coisa. Quando percebeu que sua memĂłria era anormalmente boa, ela se preparou para se tornar a Yorozu. Somente seu bisavĂŽ sabia o quanto ela estava preparada. Seu pai, seu avĂŽ, seus irmĂŁos mais velhos… ninguĂ©m mais sabia. Isso porque seu bisavĂŽ era exatamente como ela. Um Yorozu conhece outro Yorozu. Apenas um Yorozu pode entender um Yorozu.
Parecia que, enquanto estava abraçando as memĂłrias de seu predecessor, com quem compartilhava uma proximidade Ășnica e absoluta, e por quem sentia um afeto ilimitado, a Yorozu, de todas as pessoas, havia adormecido em seu posto.
Quando abriu os olhos, viu um jovem de rosto meio sem graça e olhos sonolentos parado ali, sem fazer nada.
â O q-quĂȘ vocĂȘ estĂĄ fazendo, insolente? â perguntou a Yorozu, indignada.
â Uh… Parecia que vocĂȘ estava tirando um cochilo. VocĂȘ parecia estar curtindo, entĂŁo eu fiquei com pena de te acordar, sabe.
â E-eu nĂŁo estava fazendo tal coisa. A Yorozu nĂŁo tira cochilos.
â Ă assim, entĂŁo? â o insolente perguntou.
â D-De fato. A Yorozu Ă© uma Yorozu, entende?
â Uau… Deve ser difĂcil. Quero dizer, numa tarde como essa, a gente fica com um sono danado, nĂŁo Ă©? â Quando o insolente cobriu a boca com uma das mĂŁos enquanto bocejava, quase fez a Yorozu bocejar tambĂ©m.
A Yorozu bateu com o cachimbo dourado no balcĂŁo.
â A Yorozu nĂŁo estĂĄ com sono, e nĂŁo tem tempo livre para desperdiçar com conversa fiada. Diga logo o que deseja, insolente!
â VocĂȘ parece bem cansada, viu?
â O seu assunto!
â Certo… Espera, atĂ© quando vocĂȘ vai continuar me chamando de âinsolenteâ?
â Para sempre! Enquanto a quarta Yorozu for a Yorozu, Haruhiro, vocĂȘ sempre, seeeeempre serĂĄ o insolente!
â Ahh… â O insolente coçou a parte de trĂĄs da cabeça e suspirou. â Bom, acho que tudo bem.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
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