Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 09 – Volume 6

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – CapĂ­tulo 09:
[Se Houver uma Luz AĂ­]


— MamĂŁe, por favor, descanse um pouco! — Taro disparava uma flecha apĂłs a outra, acertando os cultistas em seus Ășnicos olhos. — Pode deixar tudo comigo!

— Cara, os inimigos nĂŁo param de vir! — Os dentes brancos de Tokimune brilhavam, mas ele parecia ainda mais cansado que Kayo. — Mas Ă© divertido!

— NĂŁo se esforce demais! — Tada era o oposto. Quanto mais inimigos ele esmagava com seu martelo de guerra, mais afiadas pareciam ser suas movimentaçÔes. — Eu vou matar todos eles! Hahahaha! Vou esmagar atĂ© o Ășltimo deles!

Haruhiro não dizia uma palavra jå havia algum tempo. Ele achava que nem deveria falar nada. Era como se tivesse bebido chumbo ou algo assim, pois sentia um peso enorme no estÎmago, e isso doía. Seu corpo, bem, também parecia pesado.

Por quĂȘ? Por que Akira-san e os outros concordaram com a opiniĂŁo de Haruhiro? NĂŁo havia razĂŁo para isso. Ele queria que nĂŁo tivessem concordado. Se, naquela hora, Gogh tivesse dito: O que vocĂȘ estĂĄ dizendo? e se recusado, Haruhiro poderia ter imediatamente se desculpado por sua petulĂąncia e recuado com um pedido de desculpas.

Isso teria sido melhor… Talvez? Talvez nĂŁo? Ele realmente nĂŁo sabia, mas de qualquer forma, isso estava sendo emocionalmente difĂ­cil para ele. Apenas estar ali jĂĄ era complicado. Ele sentia que nĂŁo pertencia Ă quele lugar. Mas ele era o responsĂĄvel por isso.

Ahhhhhhhhhhhhhh, quero apenas avançar, pensou. Se pudesse avançar contra o inimigo e ser morto, talvez se sentisse melhor. Claro, ele não faria isso, mas desejava, do fundo do coração, que pudesse ser menos sensível. Ele se perguntava por que estava ali a cada poucos segundos.

Se alguém morresse por causa disso, ele não teria escolha a não ser cometer seppuku. Não, no momento em que alguém se machucasse, ele poderia, reflexivamente, enfiar sua própria adaga no estÎmago.

— O que foi, garoto? — Gogh de repente o segurou pela nuca. — VocĂȘ estĂĄ olhando ansioso hĂĄ um tempo. NĂŁo estĂĄ se sentindo bem?

Ele queria responder “não”, mas não tinha certeza se sua voz saiu ou não.

— Argh! — Ranta bateu no prĂłprio elmo, frustrado. — NĂŁo fica tĂŁo desanimado, Parupiro! VocĂȘ tĂĄ me desconcentrando tambĂ©m!

— D-Desculpa por ter me desanimado!

— É bom mesmo pedir desculpa, tá bom?! — gritou Ranta. — Somos membros de verdade dos Day Breakers, entendeu?! N-N-N-Não precisa agir tão hesitante com eles, seu idiota!

— VocĂȘ mesmo parece bem hesitante, amigo… — Haruhiro disse.

— Isso porque eu sou super humilde, ao contrĂĄrio de vocĂȘ, com sua falsa educação hipĂłcrita!

— Membros, nĂ©… — murmurou Yume.

— N-NĂłs somos, tĂĄ?! — Ranta olhou para Miho e Shima. — NĂ©…?!

Miho e Shima apenas riram, sem responder. Bem, aquilo provavelmente foi intencional. Ele estava sendo provocado, mas Ranta respondeu com uma risada pervertida. Ele era um idiota, e um idiota meio assustador.

Membros, hein? Haruhiro pensou. Sim, nĂłs somos, mas…

Nós não estamos à altura disso, Haruhiro acabou concluindo. Do jeito que somos agora, estamos verdes demais, não temos força suficiente, e é pretensioso nos chamarmos de camaradas de Soma ou Akira-san. Mesmo olhando para o futuro, provavelmente nunca seremos capazes de estar lado a lado com eles. Talvez esse sentimento de inferioridade nunca vå embora.

Mesmo que tivesse que blefar e forçar a barra, seria melhor se apresentar como um membro? Não importa aonde fosse, ele sempre seria ele mesmo, então não tinha escolha a não ser continuar com seu próprio estilo?

Seu estÎmago doía. Não era como se estivesse esticado; era como se estivesse se apertando com força. Ele sentia como se fosse vomitar.

A maneira como Soma e Akira-san lutavam era vĂ­vida, selvagem e feroz. Era tĂŁo incrĂ­vel que sĂł podia ser descrita como artĂ­stica, e doĂ­a de assistir. Ele nĂŁo queria ver, mas nĂŁo tinha escolha a nĂŁo ser olhar. Queria gritar: Por favor, me dĂĄ um tempo.

Um tempo? De quĂȘ? Haruhiro nĂŁo sabia. NĂŁo, ele sabia. Basicamente, ele queria fugir. Queria escapar daquela situação. NĂŁo queria estar ali. Nem mais um segundo. Embora nĂŁo houvesse nenhuma ameaça direta Ă  sua segurança.

Haruhiro nĂŁo era quem estava em perigo; eram Soma, Akira-san e os outros. E isso estava pesando muito em sua mente.

— Quando vocĂȘ estĂĄ observando de trĂĄs, Ă© frustrante, nĂŁo Ă©? — Gogh soltou uma risada rouca. — Eu era frĂĄgil como mago, e isso nĂŁo mudou desde que me tornei sacerdote.

Haruhiro ficou surpreso.

Se ele pensasse bem, talvez Mary e Shihoru tivessem se sentido assim o tempo todo. Aqueles que estavam na retaguarda, sendo protegidos pelos companheiros, passavam por um tipo diferente de estresse em comparação com aqueles que estavam expostos ao perigo de morte na linha de frente. Haruhiro nunca havia tido essa perspectiva antes. Até ser colocado na mesma posição, era difícil enxergar isso. Talvez fosse assim que as coisas funcionavam.

Isso sĂł mostra que qualquer experiĂȘncia pode ser Ăștil. Ela amplia seu campo de visĂŁo. Isso Ă© algo positivo. Certo. Preciso tentar pensar de forma positiva aqui. Sim. Seria bom se eu conseguisse pensar assim.

— …NĂŁo consigo — murmurou ele.

Por ora, apenas aguentar firme era o melhor que ele podia fazer. Enquanto ele suportava, o tempo passava. A colina inicial estava ficando mais prĂłxima. Esse era o Ășnico encorajamento que tinha: esse sofrimento terminaria. Essa era sua Ășnica esperança. Ele queria que todo o resto esperasse atĂ© que isso acabasse. Poderia se arrepender, se desculpar e pedir perdĂŁo depois.

Certamente ele nĂŁo havia esquecido que a Ășltima, e talvez a maior, barreira para a fuga estava esperando por eles na colina inicial. Apenas estava tentando nĂŁo pensar muito nisso.

Haruhiro olhou para a colina inicial pela primeira vez em um bom tempo, então ergueu os olhos em direção ao céu.

Não, não era para o céu que ele estava olhando.

— O deus gigante!

Sua altura total era estimada em trezentos metros. Ele não apenas tocava os céus, parecia estar cobrindo-os completamente.

QuĂŁo longe estavam da colina inicial? Um quilĂŽmetro, mais ou menos? Mais perto do que ele pensava. Antes que percebesse, eles haviam se aproximado bastante.

O deus gigante estava bem na frente dela. NĂŁo estava apenas parado ali. Ele estava se movendo. Ele estava se movendo, sabia? Caminhando, ou mais pisoteando no mesmo lugar. Os tremores eram incrĂ­veis. Era como se estivesse tentando esmagar formigas.

Para o deus gigante, os humanos provavelmente pareciam formigas.

Os soldados voluntĂĄrios que haviam fugido primeiro estavam correndo desesperados para nĂŁo serem pisoteados. Talvez alguns deles tivessem conseguido evitar os pisĂ”es do deus gigante e escapado do Reino do CrepĂșsculo. Ou talvez nĂŁo. Era impossĂ­vel dizer, mas sem pegar o caminho mais longo ou passar entre as pernas ou ao redor dos pĂ©s dele, alcançar o objetivo seria impossĂ­vel. Eles teriam que fazer isso.

Para os grupos de Soma e Akira, os Tokkis e para a party de Haruhiro, que, tecnicamente, também faziam parte da retaguarda, eles tinham que realizar aquilo enquanto se defendiam dos inimigos ou após se afastarem rapidamente deles.

Havia alguma esperança de sucesso? Ou nĂŁo? NĂŁo parecia…

— Akira-san! — Soma gritou enquanto derrubava vĂĄrios inimigos com um Ășnico golpe. — Quando eu der o sinal, vĂĄ!

— Entendido! Vou aceitar essa oferta generosa!

— Tokimune, Haruhiro! VocĂȘs tambĂ©m! — Soma gritou.

— Entendido! — Tokimune respondeu.

Tada estalou a lĂ­ngua e esmagou a cabeça de um cultista com seu martelo de guerra. — VocĂȘ quer o prato principal e agora a sobremesa sĂł pra vocĂȘ?! Porco ganancioso!

— VocĂȘ jĂĄ teve o suficiente, yeah?!Tada maldito! Anna-san estĂĄ muito cansada!

— Bem, se Ă© assim que Anna-san se sente, acho que eu tenho que ceder! Vou recuar dessa vez por vocĂȘ!

Haruhiro nĂŁo respondeu nem de um jeito nem de outro. NĂŁo, claro que ele queria escapar no momento em que pudesse, mas serĂĄ que isso estava certo? Gogh havia dito a ele para ficar com eles atĂ© o fim. Ele tinha pensado que talvez fosse sua obrigação. Mas, ainda assim, ele nĂŁo deveria obedecer a Soma? …Qual tinha prioridade?

Enquanto ele se perguntava, o momento de escolher se aproximava. Ou melhor, ele chegou.

— Agora, vĂŁo! — Soma abaixou os quadris e assumiu uma postura com o lado plano de sua katana tocando o ombro. Havia uma energia anormal crescendo em todo o seu corpo. Parecia que a luz alaranjada de sua armadura havia ficado mais forte tambĂ©m.

— Hahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Havia vĂĄrios cultistas, tentĂĄculos de hidra e partes do corpo dos gigantes brancos que nĂŁo foram apenas cortados, mas sim pulverizados, e seus pedaços, fragmentos, entranhas e fluidos corporais foram espalhados por uma vasta ĂĄrea. Foi Soma. NĂŁo havia dĂșvida de que foi Soma quem fez isso. Ele deve ter investido e balançado sua katana. Com certeza. Mas isso foi tudo o que foi preciso para fazer tudo aquilo? NĂŁo foi. NĂŁo podia ter sido.

Mas a realidade era que um Ășnico golpe de Soma havia destruĂ­do um grande nĂșmero de inimigos, que agora estavam todos mortos no pior dos casos ou incapazes de continuar lutando no melhor. Com um golpe, Soma abriu um grande buraco na força dos inimigos que os perseguiam.

Lilia e Kemuri não perderam tempo e entraram naquela brecha, ampliando-a. Não, não foi apenas Lilia e Kemuri. Shima. Até mesmo Shima avançou com eles, balançando uma arma que parecia um chicote de metal. Serå que aquela garota sensual iria lutar com aquela roupa sedutora?

E havia mais um. O homem mascarado, com braços desnecessariamente longos e vestindo uma armadura bizarra, avançou além de Shima e entrou no meio do inimigo.

Zenmai, o golem. Ele não tinha armas. Ou melhor, seus dois braços eram revestidos de metal e podiam ser usados tanto como espadas quanto como martelos.

— Uhuhuhuh… VocĂȘs nĂŁo vĂŁo fugir, seus lixos?

A voz assustadora veio do lado dele. Haruhiro se virou, assustado, e lå estava ele, com uma estatura infantil e um rosto de garoto, mas com olhos que lembravam um pùntano sem fundo. Era o necromante, exalando uma presença parecida com uma névoa maligna.

— VocĂȘ estĂĄ no caminho… Sai logo daqui… — disse Pingo.

— S-S-Sim, senhor! D-Desculpa! — Haruhiro gaguejou.

Certo. É isso mesmo. Se o Soma disser para correr, temos que correr. Estamos atrasados. Já nos distanciamos bastante. Soma foi simplesmente incrível.

— V-V-V-V-Vamos, pessoal!

Ah, droga. Estou entrando em pùnico. Não consigo ver direito os rostos dos meus companheiros também. Não ouvi a resposta deles. Mas temos que correr. Todos estão vindo? Sinto que sim. Ranta, Yume, Shihoru, Mary e Kuzaku. E os Tokkis? E a party do Akira-san? Consigo ver suas costas lå na frente. Eles estão bem longe, hein? Realmente ficamos para trås. O que estou fazendo?

Mimorin se virou e gritou algo.

O deus gigante estava perto.Ele continuava olhando para cima. O deusgigantelevantou o pé direito. Precisamos correr råpido e fugir o mais que pudermos. Não importa a direção. Não quero ser esmagado.

Era tudo o que ele conseguia pensar enquanto disparava. Houve um estrondo, um tremor incrível no chão, e ele quase tropeçou. Com isso, soube que aparentemente não tinha sido pisoteado. Se tivesse sido, não haveria mais tropeços, nem mais nada.

Agora ele entendia por que os soldados voluntĂĄrios corriam para lĂĄ e para cĂĄ. Eles tinham que ir em direção ao buraco na colina inicial. Na cabeça, sabiam disso, mas nĂŁo conseguiam fazĂȘ-lo.

O deus gigante era assustador. Eles tinham que fugir dele. Isso era a Ășnica coisa que ocupava seus coraçÔes. Seus corpos estavam priorizando isso, quer eles quisessem ou nĂŁo.

Além disso, a visibilidade era ruim. Toda vez que o deus gigante pisava no chão, uma nuvem de poeira subia. Estava chovendo sujeira e areia. Nos casos mais extremos, eles não conseguiam ver mais do que alguns metros à frente.

Para onde ele deveria ir? Onde estava a colina inicial? Haruhiro rapidamente perdeu de vista a party de Akira-san e os Tokkis. Isso significava que ele nĂŁo tinha mais seus guias. Ele quase parou. Mas nĂŁo podia simplesmente parar. Se parasse, certamente seria pisoteado. Se fosse pisoteado, seria esmagado antes de ter tempo de pensar: Vou morrer.

— Quem…?! — alguĂ©m gritou.

Sim, vocĂȘ disse tudo. Quem foi? Haruhiro nĂŁo pĂŽde evitar pensar nisso enquanto sentia como se fosse vomitar sangue. Quem achou que era uma boa ideia tentar derrotar o deus gigante?

Bem, claro. Foi o Tokimune. NĂŁo Ă© como se dizer isso agora fosse ajudar. Realmente nĂŁo tem como sair dessa. De jeito nenhum.

— EstĂĄ todo mundo aqui, nĂ©?! — ele gritou enquanto sentia gosto de terra na boca.

— Sim! — Ele ouviu a voz de Ranta.

— Aqui! — Yume logo respondeu.

Kuzaku disse: — Sim!

Mary disse: — Estou bem!

Mas ele nĂŁo ouviu Shihoru.

Não, de jeito nenhum, sério, não faz isso comigo, por favor.

— Shihoru? Shihoru?!

— …Aqui! — ela respondeu.

Ah, que bom. Ela estå aqui. Ainda bem. Meus olhos estão ardendo. Essa poeira é horrível. Estå difícil de respirar também. Corra.

Ele ainda não tinha outra escolha senão correr. Ele estava correndo praticamente às cegas, mas não havia nada mais que pudessem fazer. Ele nem tinha uma boa noção de onde o deus gigante estava agora. Ele podia ouvir um som de zushing, zushing, então não deviam estar tão longe, e ele tinha quase certeza de que ainda estava perto.

Pela inclinação e os pilares brancos ao redor, parecia que talvez estivessem subindo a colina? Se estavam, era sorte. NĂŁo tinham chegado atĂ© ali porque ele estava mirando nisso. Foi coincidĂȘncia. Com um pouco de sorte, talvez pudessem escapar do Reino do CrepĂșsculo.

— Tem um buraco! — Yume disse.

Ela estava certa. A chuva de terra e areia havia diminuído o suficiente para que eles pudessem ver um buraco à frente. Havia soldados voluntårios correndo para dentro dele também.

Era o buraco. O buraco. A saĂ­da.

De repente, uma onda de coragem surgiu dentro dele e ele pensou: Estamos salvos. Agora vamos conseguir. NĂŁo precisamos morrer. Podemos viver.

Haruhiro tentou acelerar. Ele vinha correndo o mais rĂĄpido que achava possĂ­vel esse tempo todo. SerĂĄ que podia correr ainda mais rĂĄpido do que isso? Parecia que sim. Seria a adrenalina? Os seres humanos sĂŁo incrĂ­veis.

— Ah, droga! — Ranta gritou.

De repente, alguém puxou a parte de trås de sua capa, então ele não conseguiu liberar aquela velocidade que ia além de seus limites. Ranta. Foi culpa de Ranta. Por causa de Ranta, Haruhiro tropeçou e caiu. Não. Não foi culpa de Ranta. Foi graças a ele.

Ranta pode ter acabado de salvar a vida de Haruhiro.

Se ele tivesse continuado correndo daquele jeito, algo ruim teria acontecido. Haruhiro não tinha percebido nada. Sua atenção devia estar totalmente tomada pela explosão de pensamentos e emoçÔes quando acreditou que poderiam sair, que poderiam escapar, que poderiam viver. Ele não estava prestando atenção em nada.

Era o deus gigante. O pé direito do deus gigante, ou talvez o esquerdo, desceu sobre a colina, bem onde aquele buraco estava.

— Nãããããããããããão! — Shihoru soltou um grito.

— Vai— — Mary nem conseguiu terminar a palavra.

— Uau… — Kuzaku caiu sentado.

— NĂŁo tem mais jeito de voltar pra casa agora, nĂ©… — Com espanto, Yume disse algo que acertou na mosca. Provavelmente porque ela era uma arqueira.

…NĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, nĂŁo.

— P-P-Precisamos correr! — Ranta estava prestes a sair correndo para algum lugar, mas seus ombros caíram. — Espera, p-para onde a gente vai?

— Pra algum lugar! — Haruhiro respondeu imediatamente.

Algum lugar? Onde? NĂŁo sei. Estamos em apuros. Mas eu preciso me apegar a algo, ou talvez nĂŁo adiante, mas preciso fazer alguma coisa. Tudo parece sem sentido, sĂł hĂĄ desespero e eu quero chorar.

Logo a chuva de terra e areia começou de verdade novamente. Ele não conseguia ver nada. Por enquanto, ia apenas descer a colina o mais råpido possível.

O terreno estava ruim. Muito ruim. Além de ruim. Seu pé prendeu. Ele tropeçou, ou melhor, caiu. Mas ele se esforçou para continuar.

Se algum de seus companheiros estivesse ao seu alcance, ele os agarrava e os empurrava ou puxava junto. Por sua vez, eles o puxavam também e ajudavam empurrando-o por trås. Quando um dos pés do deus gigante aterrissava perto, eles gritavam os nomes dos seus companheiros e verificavam se todos estavam bem.

A primeira prioridade era sair do alcance dessa chuva de terra. Isso se tornou seu objetivo. Ele nĂŁo conseguia pensar no que viria depois, e nĂŁo precisava.

O deus gigante não parecia ter intenção de deixar a colina inicial, então, embora corresse risco de vida, Haruhiro e a party eventualmente alcançaram seu objetivo. Mas, uma vez que o fizeram, um novo problema difícil se apresentou.

Inimigos.

Eles encontraram cultistas e foram forçados a decidir se lutariam ou fugiriam.

Se houvesse apenas um ou dois inimigos, eles se juntariam e os matariam rapidamente. Mas cultistas e gigantes brancos de todo o Reino do CrepĂșsculo estavam se movendo em direção ao deus gigante. Em outras palavras, parecia que eles estavam se reunindo na colina inicial.

Por outro lado, Haruhiro e a party estavam tentando se afastar da colina. Isso significava que inevitavelmente iriam esbarrar em inimigos, e se parassem para lutar, os inimigos viriam um apĂłs o outro atĂ© que fossem superados em nĂșmero.

Haruhiro decidiu fugir. Correu na direção onde não havia inimigos.

Logo começou a se arrepender, pensando que poderia ter cometido um erro. O nĂșmero de cultistas os perseguindo estava crescendo gradualmente, e logo haveria mais de dez. Se pensasse com calma, essa era uma situação que inevitavelmente terminaria com eles sendo derrotados e aniquilados.

É minha culpa, pensou Haruhiro. Porque Haruhiro fez a escolha errada, todos iriam morrer. Nesse lugar horrível.

Onde ficava esse lugar, afinal? Ele podia ver o deus gigante continuando seu ataque perto da colina inicial, entĂŁo podia ter uma noção aproximada de sua localização. Apenas uma noção aproximada, porĂ©m. NĂŁo havia muitas caracterĂ­sticas geogrĂĄficas ou construçÔes no Reino do CrepĂșsculo que pudessem ser usadas como pontos de referĂȘncia, entĂŁo era difĂ­cil identificar onde estavam. Por mais difĂ­cil que fosse, isso nĂŁo o impedia de adivinhar.

Ranta estava bem no final da party, atrĂĄs de Shihoru, que estava completamente sem fĂŽlego. Isso era deliberado, sem dĂșvida. Ele estava protegendo Shihoru. No fim das contas, o cara tinha algo de bom nele.

Haruhiro estava Ă  frente, com Yume, Kuzaku e Mary atrĂĄs dele, nessa ordem. Essa nĂŁo era uma ordem de marcha que ele tinha decidido. Foi algo que eles simplesmente acabaram formando.

Os cultistas não eram tão råpidos. Eles também mostravam uma certa hesitação em continuar perseguindo Haruhiro e a party. Se a party tivesse mais energia, talvez conseguisse se livrar deles. Graças a isso, eles tinham sido poupados. Pelo menos por enquanto.

Mas era apenas uma questĂŁo de tempo. Shihoru, por exemplo, estava chegando ao seu limite. Se algum deles, nĂŁo apenas Shihoru, parasse, teriam que lutar. Se lutassem, ele calculava que havia de oito a nove chances em dez de perderem.

A verdade Ă© que ele tinha um plano. No entanto, ele nĂŁo podia dizer que era muito viĂĄvel. As chances eram bem baixas, tinha que admitir.

Quando olhou para trĂĄs, o nĂșmero de perseguidores havia aumentado novamente. Eram quinze? Talvez dezesseis?

Se ao menos Kuzaku tivesse seu escudo. Não, não faria diferença. Ele queria chamar seus companheiros. Fazer algo para encorajå-los.

O que poderia dizer? Quando, no máximo, isso só lhes traria uma paz de espírito temporária? Se Haruhiro, Kuzaku e Ranta trabalhassem juntos, poderiam segurar o inimigo por alguns minutos? Enquanto isso, Yume, Shihoru e Mary fugiriam—Elas fugiriam, e depois o que? Deveriam tentar a sorte em uma batalha de tudo ou nada enquanto ele ainda era capaz de pensar direito assim?

Era dezesseis contra seis. Eles nĂŁo eram apenas Pansukes—havia um ou dois Tori-sans tambĂ©m. Eles nĂŁo podiam vencer, podiam? De jeito nenhum, certo? Talvez tivessem, tipo, uma chance de um por cento? Poderia apostar nessa chance de um por cento? Iriam morrer aqui?

Morte instantĂąnea ao ser pisado pelo deus gigante teria sido melhor.

— Ei! — uma voz de mulher chamou. Não era Yume, Shihoru ou Mary.

De onde vinha? Haruhiro olhou ao redor.

Havia uma depressĂŁo mais Ă  frente, Ă  esquerda. Algo pulou para fora dela. Era uma pessoa. Duas pessoas. Um homem e uma mulher. A mulher era alta. Ambos vestiam trajes incrivelmente chamativos. O da mulher, em particular, era insano.

NĂŁo havia tanta pele Ă  mostra, no geral, mas as partes que estavam expostas faziam vocĂȘ pensar: Espera, vocĂȘ estĂĄ mostrando isso? SerĂĄ que ela estava exibindo de propĂłsito?

AlĂ©m disso, havia a sua silhueta. Seus seios, seu quadril, suas coxas… todos tinham a quantidade perfeita de carne. Ela tambĂ©m tinha uma cintura fina e braços e pernas longos. Cabelos ondulados e deslumbrantes. Sua aparĂȘncia era o ĂĄpice da extravagĂąncia. Olhos penetrantes com pupilas grandes. LĂĄbios vermelho-escarlate.

Ela era uma dominatrix. Essa era a Ășnica palavra que vinha Ă  mente para descrevĂȘ-la.

— Vamos salvar vocĂȘs, entĂŁo nos deem uma mĂŁo! — gritou a dominatrix.

O homem passou voando por Haruhiro. Ele tinha cabelo branco e a metade inferior do rosto coberta por uma mĂĄscara. Vestia roupas justas pretas, ou talvez uma armadura, nĂŁo dava para dizer, e corria de quatro como um cachorro.

Por que o homem usava uma coleira? Era como se ele fosse mesmo um cachorro.

Um homem e uma mulher desconhecidos… nĂŁo era isso que eles eram. Haruhiro nunca havia falado com eles antes, mas jĂĄ os tinha visto. Eles eram uma dupla inesquecĂ­vel e eram bastante conhecidos nesse meio.

Lala e Nono.

A dominatrix era Lala, e o homem de cabelos brancos com coleira e mĂĄscara era Nono.

Por que eles estavam ali? NĂŁo havia como saber.

Nono passou por Ranta em um piscar de olhos e atacou os cultistas. O jeito que ele atacava era igual a um cachorro. Nono se esgueirou por debaixo das lanças dos cultistas e mordeu a garganta de um Pansuke—ou pelo menos foi o que pareceu. Mas a boca de Nono estava coberta pela máscara. Ele não podia morder assim, e ele não era um cachorro, era um humano. Ele não mordeu o Pansuke. Ele havia sacado uma faca do quadril logo antes de saltar e cravou-a no rosto do cultista.

Dizem que não hå recompensa sem risco. Bem, Nono se propÎs a provar isso. Não era preciso dizer que entrar bem no meio do grupo inimigo era perigoso, mas era difícil para o inimigo lidar com ele também.

Especialmente porque as armas dos Pansukes eram lanças longas. Se Nono se aproximasse, eles tinham dificuldade em revidar. Além disso, Nono era ågil como um gato, em vez de um cachorro. Ele se aproximava e fazia contato instantaneamente, então desferia um golpe mortal com a faca na mão direita.

Alternativamente, ele os socava com o punho esquerdo. Ele envolvia o braço ao redor dos pescoços e os quebrava. Ele usava um Pansuke que tinha imobilizado como escudo contra a Lightning Sword Dolphin do Tori-san. Então, empurrava o Pansuke em direção ao Tori-san e matava outro Pansuke instantaneamente.

— Não fiquem aí parados, olhando! — Lala gritou.

Enquanto eles estavam focados em Nono, inimigos haviam começado a atacar Lala também. A dominatrix não era uma lutadora corpo a corpo como Nono. Ela usava um arco. Era bem curto. Ela encaixava uma flecha curta no arco curto e disparava.

Colocava uma flecha e disparava.

Colocava uma flecha e disparava.

Yume conseguia usar Rapid Fire, mas nada como isso. Era råpido. Råpido demais. Além disso, à queima-roupa. Lala estava disparando à curta distùncia. Atirando como uma louca.

— Oh?! Ohh?! Ohhhh?! — Ranta ergueu sua Lightning Sword Dolphin e avançou contra o inimigo.

— Uh…? — Kuzaku olhou para Haruhiro.

— F-Façam! Vamos! — Haruhiro acenou com a cabeça e foi atrás de Ranta.

Estava um pouco desorganizado, mas eles nĂŁo podiam deixar essa chance escapar. Os inimigos estavam claramente em pĂąnico. Se nĂŁo atacassem agora, quando iriam?

Avancem. Temos que avançar, e claro que estamos exaustos, mas vamos espremer toda a força que temos e avançar com tudo.

Dos dezesseis, Nono provavelmente pegou quatro ou cinco, e Lala atirou em outros tantos. Os restantes foram finalizados por Haruhiro e os outros no puro embalo. Antes que o Ășltimo deles caĂ­sse, Nono jĂĄ havia começado a recolher as flechas de Lala para ela.

Com os inimigos derrotados, Lala aceitou suas flechas de volta de Nono e imediatamente ordenou a todos: — Corram!

NĂŁo parecia que eles tinham escolha. Se desobedecessem, algo horrĂ­vel provavelmente aconteceria com eles. Eles nĂŁo escapariam com apenas uma surra.

— P-Por quĂȘ?! — Haruhiro perguntou enquanto corria atrĂĄs de Lala e Nono.

— Por quĂȘ o quĂȘ? — Lala respondeu sem olhar para trĂĄs.

— NĂŁo, Ă© sĂł que o Akira-san disse que parecia que vocĂȘs dois tinham fugido…

— VocĂȘ faz parecer tĂŁo ruim — disse Lala. — Nossos dragĂ”es-cavalo foram esmagados, entĂŁo nĂŁo tivemos escolha a nĂŁo ser nos esconder.

Lala e Nono haviam montado dragĂ”es-cavalo de Grimgar atĂ© o Reino do CrepĂșsculo. Agora estavam a pĂ©. Provavelmente era verdade que seus dragĂ”es-cavalo ficaram impossibilitados de se mover e eles os abandonaram, ou foram mortos pelos inimigos.

— E-Ei… Hum… Pra onde estamos indo agora?! — perguntou Haruhiro.

— Eu tenho uma ideia — disse Lala. — Se nĂŁo conseguirem acompanhar, vamos deixar vocĂȘs para trĂĄs. Nono, carregue a maga.

Nono assentiu em silĂȘncio, correu atĂ© Shihoru, a colocou nas costas rapidamente e alcançou Lala num piscar de olhos. Ela falava de forma dura, mas talvez fosse uma pessoa surpreendentemente boa? Mas tambĂ©m podia estar planejando sacrificĂĄ-los se chegasse o momento. Mesmo que fosse esse o caso, os dois os haviam salvado, entĂŁo nĂŁo podiam reclamar.

Isso era verdade. Eles haviam sido salvos. Por enquanto, pelo menos.

Eu tenho uma ideia, Lala havia dito. Se isso fosse verdade, eles tinham alguma esperança, pelo menos.

Haruhiro olhou para seus companheiros. Cada um deles, sem exceção, estava coberto de suor e muco, sujos de terra e poeira, um verdadeiro caos de exaustão. Que ainda estivessem vivos e nem estivessem tão feridos assim era difícil de acreditar. Ele estava tão aliviado que suas forças quase se esvaíram.

…NĂŁo. NĂŁo baixe a guarda. Ainda nĂŁo. Estamos sĂł começando. Temos que viver. Continuar vivos. Todos juntos. O que posso fazer para que isso aconteça? O que devo fazer? Seguir Lala e Nono. NĂŁo tenho outro plano, entĂŁo Ă© tudo o que posso fazer agora. Apenas mantenha a cautela, nĂŁo faça nada imprudente e conserve o mĂĄximo de energia possĂ­vel. Estamos correndo agora, mas estamos apenas dobrou o ritmo de uma caminhada. Nono estĂĄ carregando Shihoru, entĂŁo conseguimos acompanhar.

De vez em quando, Lala parava e se agachava, sinalizando para que os outros também se abaixassem. Nono, claro, obedecia imediatamente, e Haruhiro e os outros seguiam seu exemplo.

Lala devia ter uma visão muito boa ou um incrível senso de perigo. Mesmo quando os inimigos estavam bem longe, ela era a primeira a detectå-los e tentava evitå-los. Para que os inimigos não os encontrassem, eles evitavam terrenos elevados, optando por se mover por åreas mais baixas. Assim que Shihoru conseguiu andar sozinha novamente, eles começaram a emboscar grupos de cultistas e a eliminå-los sempre que tinham a vantagem numérica.

Não havia conversas desnecessárias. Quando saíram das áreas baixas e deram de cara com um grupo de cultistas e gigantes brancos, Ranta abriu a boca e gritou: — Uou! — pela primeira vez em um bom tempo.

Lala escolheu fugir sem lutar. Justo; embora houvesse menos de dez cultistas, o gigante branco era uma ameaça, mesmo sendo da classe de quatro metros.

Lala e Nono começaram a acelerar o passo. Serå que planejavam usar a party de Haruhiro como isca enquanto fugiam? Ele nem conseguia se irritar com isso. Para os dois, Haruhiro e os outros deviam ser apenas uma espécie de seguro caso as coisas dessem errado. Ele achava isso desde o começo.

Mas nĂŁo era como se Haruhiro nĂŁo estivesse pensando em nada.

— Lala-san, eu tenho uma ideia! — ele gritou.

Por um momento, Lala olhou para trĂĄs. NĂŁo houve resposta.

Se vão embora, vão, ele pensou. Eu não me importo. Ele estava grato a Lala e Nono. Graças aos dois, haviam conseguido tempo para recuperar o fÎlego. Mesmo se os dois os abandonassem agora, eles dariam um jeito. Pelo menos, lutariam até o fim. Ele havia se recuperado o suficiente para pensar assim.

— Por aqui! Vamos! — Haruhiro gritou. — Todos, me sigam! Continuem tentando!

Quando Haruhiro mudou de direção, Lala olhou para trås novamente. Parecia que ela estava tendo dificuldade em decidir o que fazer.

Faça o que quiser, ele pensou. Ele vinha prestando muita atenção ao local onde estavam durante o caminho. Se Haruhiro não estivesse enganado, esse deveria ser o lugar certo.

— Malditos sejam esses dois! — Ranta cuspiu.

Lala e Nono haviam sumido de vista. Eles realmente tinham fugido, né? Não era como se isso não o desapontasse.

— Não se preocupe com isso! — Haruhiro gritou. — Está tudo bem! Deixem comigo!

— Isso nĂŁo soa nada como vocĂȘ, Parupiro! VocĂȘ nĂŁo diz coisas assim!

Ah, cala boca. Eu sei disso. Ele me irrita. Mas, bem, Ă© o Ranta. Nada de novo aĂ­. Como sempre, nĂŁo se preocupe com o que jĂĄ passou. Foque no agora. Coloque tudo nesse momento. Eu vou viver.

Corra pelos caminhos fåceis, onde o terreno não é muito irregular, e não erre as direçÔes. Todos estão acompanhando. Shihoru parece estar tendo dificuldade, no entanto. Continue. Sério, continue. Estamos quase lå. Tivemos sorte. Não estå longe agora.

— Entendi! — Do lado esquerdo, em um ponto elevado que parecia um aterro, Lala e Nono apareceram de repente. — EntĂŁo, Ă© isso que vocĂȘ estĂĄ planejando! Se funcionar, eu vou te elogiar!

Eles nĂŁo tinham fugido, afinal? Haruhiro sorriu para Lala.

Eles corriam por suas vidas, com os cultistas e o gigante branco os perseguindo. Havia muitas subidas e descidas ali, e eles nĂŁo podiam ver muito Ă  frente.

— O quĂȘ?! — Yume gritou. Parecia que ela tinha entendido.

O terreno nivelou e o campo de visĂŁo se abriu.

Haruhiro abriu os braços e foi para a esquerda.

— Espalhem-se! Não pisem neles!

Havia redes cobertas de grama, mas, se olhasse com atenção, nĂŁo demorava muito para perceber o que eram. NĂŁo eram perfeitas, mas, se vocĂȘ nĂŁo soubesse nada sobre elas, poderiam ser surpreendentemente difĂ­ceis de notar.

Não demorou muito até ele ouvir um som de queda atrås dele. Quando se virou, um cultista tinha caído direto em uma armadilha de buraco. Havia um afundamento na rede, e a grama voava pelo ar.

Haruhiro, Kuzaku e Mary estavam correndo pelo lado esquerdo do buraco, enquanto Ranta, Yume e Shihoru estavam do lado direito. Mais um cultista correu sobre a armadilha e caiu. Os outros cultistas ficaram parados, incapazes de se mover. O gigante branco pode ter tentado parar, mas jĂĄ era tarde demais, porque ele tombou para a frente e caiu.

Eles nĂŁo haviam sido de muita ajuda na tentativa de derrotar a hidra ou o deus gigante, mas Haruhiro estava feliz por terem cavado as armadilhas. Claro, isso era fĂĄcil de dizer em retrospecto. Eles tinham dado sorte. E era sĂł isso.

A sorte ou o azar poderiam ser a diferença entre a vida e a morte. Por uma pequena, mas decisiva margem, Haruhiro e sua party ainda estavam desse lado. O lado dos vivos.

Os cultistas que não haviam caído nas armadilhas estavam tendo dificuldade em decidir se deveriam continuar perseguindo Haruhiro e a party, ou o que fazer. Enquanto isso, Haruhiro e os outros corriam o mais råpido que podiam, sem hesitação, tentando aumentar a distùncia entre eles e os inimigos.

Quando os cultistas desapareceram de vista, Lala e Nono estavam na frente de Haruhiro. Eles eram inacreditåveis. Mas Lala havia dito que tinha uma ideia. Os dois estavam planejando uså-los, então Haruhiro tinha toda a intenção de uså-los também.

— VocĂȘ nĂŁo ia me elogiar?! — ele disse.

— Tente pedir de novo daqui a cem anos! — Lala gritou.

Então era assim que ia ser, né. Ela estava agindo exatamente como a dominatrix que parecia ser, aquela Lala. Sério, ela era inacreditåvel.

Independentemente disso, as outras armadilhas de buraco estavam longe, entĂŁo eles nĂŁo poderiam reutilizar o mesmo truque. Haruhiro acabou ficando com o estĂŽmago embrulhado novamente. Embora parecesse que eles estavam vendo menos inimigos aos poucos, nĂŁo podiam baixar a guarda. Quando Ranta começou a falar bobagens estĂșpidas, ele ficou barulhento e irritante, o que sĂł aumentou o estresse.

Quando Lala ocasionalmente fazia uma pausa, ela mandava Nono ficar de quatro e o usava como uma cadeira. Isso, por si sĂł, jĂĄ era esquisito, mas o pior era que ela fazia questĂŁo de cruzar e descruzar as pernas, posando de um jeito que destacava seu busto. Era tentador olhar. NĂŁo que ele realmente quisesse ver, mas, sabe como Ă©, nĂŁo dava para evitar.

Mas que tipo de relação Lala e Nono tinham…?

Haruhiro nĂŁo tinha coragem de perguntar, e havia outras coisas que ele preferia saber primeiro. Como, por exemplo, para onde estavam indo.

Ele tentou perguntar, mas Lala nĂŁo quis dizer. Parecia que ele teria que ficar quieto e apenas segui-la.

Preparando-se para o pior, Haruhiro fez exatamente isso. Lala e Nono agora nĂŁo faziam nenhuma tentativa de fugir. Eles simplesmente caminhavam. Caminhavam, e caminhavam, e caramba, como caminharam.

Haruhiro e sua party não tinham um relógio. Lala às vezes tirava um de bolso durante as pausas. Quando ele perguntou as horas, ela respondeu: — E de que te adiantaria saber isso?

EntĂŁo, embora ele nĂŁo soubesse o horĂĄrio exato, achava que provavelmente jĂĄ estavam caminhando hĂĄ mais de um dia inteiro.

Eles estavam em um lugar que parecia semelhante ao vale onde a base dos soldados voluntĂĄrios havia sido montada. No entanto, nĂŁo havia nenhuma fonte no fundo deste vale. Nem plantas. Era um vale pequeno e seco, pelo que parecia.

— NĂłs andamos bastante pelo Reino do CrepĂșsculo — disse Lala em um tom cantarolado, descendo a encosta. — Encontramos uma grande variedade de coisas diferentes. Vendemos a maior parte dessas informaçÔes, mas nĂŁo contamos a ninguĂ©m sobre este lugar. As descobertas verdadeiramente fascinantes guardamos para nĂłs. SĂł nĂłs sabemos sobre elas. NĂŁo Ă© maravilhoso?

Todos os pelos do corpo de Haruhiro se arrepiaram. Lala e Nono poderiam, de repente, mostrar suas garras e tentar matar Haruhiro e a party. Era essa a sensação que ele tinha. Seria um receio sem fundamento?

Lala e Nono desceram ao vale sem preocupação aparente. No entanto, não custava nada ficar alerta.

Quando Haruhiro diminuiu o ritmo, seus companheiros perceberam e o acompanharam. Mas, quando chegaram ao fundo do vale e viram o que havia ali, tudo isso foi varrido para longe.

Debaixo de uma saliĂȘncia que parecia o beiral de um telhado, havia uma abertura escancarada. Por conta disso, eles provavelmente nĂŁo a teriam notado se nĂŁo tivessem descido atĂ© o fundo do vale.

É um buraco.

Tenho certeza de que nĂŁo Ă© uma caverna qualquer. Mas por que tive essa impressĂŁo?

Haruhiro rapidamente percebeu a resposta. Era por causa da colina inicial.

Tinha uma atmosfera ou aparĂȘncia semelhante Ă  da colina inicial—nĂŁo, ao que a colina inicial tinha sido. Ela jĂĄ nĂŁo existia mais. Mas isso era igual esse buraco, a saĂ­da.

Lala e Nono entraram no buraco sem parar.

Haruhiro e Ranta se entreolharam. Ranta parecia perplexo.

Haruhiro tinha uma expressĂŁo sonolenta nos olhos, sem dĂșvida.

— …VocĂȘ sabe o que eu estou pensando? — Ranta perguntou.

— Não, não sei — Haruhiro respondeu imediatamente. — Não faço ideia do que se passa na sua cabeça. Tenho quase certeza de que seria uma má ideia se eu soubesse.

— O que isso quer dizer?!

— Exatamente o que ele disse… — Shihoru respirou fundo. — VocĂȘs acham que isso leva de volta para casa?

— Funya?! — Os olhos de Yume se arregalaram e ela soltou um grito estranho. — Curryru?! Onde fica isso?!

— NĂŁo existe nenhum lugar chamado assim, sua idiota! — Ranta gritou. — Curryru, sĂ©rio! O que diabos Ă© Curryru?!

— Se vocĂȘ fala Curryru, tem que ser curry roux, nĂ©? — disse Yume. — Hein? O que Ă© curry, mesmo…?

— É picante… — Mary inclinou a cabeça de lado, pensativa. — …Eu acho? Eu lembro que era… comida?

— Ah, Ă©. — Kuzaku murmurou. — Tinha algo assim, nĂŁo tinha? Era meio marrom… Marrom…?

— …Era. — Haruhiro assentiu. Ele estava salivando. As palavras que Shima havia sussurrado voltaram Ă  sua mente.

“Estamos procurando uma forma de voltar ao nosso mundo original.”

O mundo original deles.

Ele olhou para o buraco, depois para o céu multicolorido.

Precisamos voltar.

Haruhiro olhou ao redor para seus companheiros. Seus rostos estavam todos sujos. Era quase cĂŽmico.

— Vamos — ele disse.

Ninguém foi contra.

Eles entraram no buraco em fila Ășnica, com Haruhiro, Kuzaku, Mary, Yume, Shihoru e Ranta nessa ordem. O interior era completamente escuro, mas havia luz mais Ă  frente.

Lala e Nono os aguardavam. A fonte de luz era a lanterna que Nono carregava. Lala apenas sorriu levemente, continuando a caminhar em silĂȘncio. O caminho era sinuoso. NĂŁo era Ă­ngreme, mas havia uma inclinação descendente. Eles podiam sentir uma brisa. O ar estava fluindo em direção ao vale de onde tinham vindo.

É igual, pensou Haruhiro. Não apenas semelhante, mas exatamente igual.

Eventualmente, o caminho se nivelou. NĂŁo estavam mais descendo; o solo era plano.

— Descobrimos os gremlins hĂĄ anos — disse Lala de repente, com sua voz cantarolada. — Mantivemos eles em segredo, mas vocĂȘs tambĂ©m os encontraram, entĂŁo pensamos, bem, tudo bem. A propĂłsito, aquele nĂŁo foi o primeiro lugar onde encontramos os gremlins.

— HĂŁ…? — Haruhiro parou de andar sem querer. — NĂŁo foi… lĂĄ?

— Sim — ela disse. — Eles sĂŁo criaturas muito fracas. Se reproduzem rapidamente, mas nĂŁo sĂŁo agressivos e nĂŁo tĂȘm poder para lutar contra predadores. PorĂ©m, eles tĂȘm um poder estranho, ou uma caracterĂ­stica, e sĂŁo sobreviventes teimosos. Essa Ă© a nossa hipĂłtese.

Lala e Nono nĂŁo pararam de andar. Haruhiro apressou-se em segui-los.

O caminho continuava. Havia uma luz fraca Ă  frente. Ele conseguia ouvir um ruĂ­do.

— Eles tĂȘm o poder de cruzar de um mundo para outro — disse Lala. — Ou o poder de encontrar as fissuras entre eles. Ou talvez apenas a tendĂȘncia de encontrĂĄ-las e fugir para elas.

LĂĄ estavam. Nas paredes de pedra, havia inĂșmeros buracos grandes e pequenos, de onde emanava uma luz azulada. Eles estariam nesses buracos ou pendurados na beirada deles, falando incessantemente.

O ninho. Essas eram suas casas, lar dos ri-komo—ou melhor, dos Gremlins.

— Mas Ă© isso — Lala se virou, estufando o peito com orgulho. — Foi atĂ© aqui que exploramos.

— HĂŁ? — Haruhiro estava tĂŁo impressionado com a Lala aparentemente orgulhosa que deu um passo para trĂĄs. — E-EntĂŁo, vocĂȘ sabe que tipo de mundo isso leva, talvez…?

— Nenhuma ideia — Lala respondeu com um largo sorriso. — É um total mistĂ©rio.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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