Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 08 â Volume 6
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 08:
[Transcender a Limite]
Eu sei, pensou Haruhiro. Deveria fazer um discurso mais impactante, algo cheio de energia.
Claro que Haruhiro adoraria fazer isso, mas nada lhe vinha à cabeça, então não havia muito o que ele pudesse fazer a respeito. Além disso, dessa vez, não parecia necessårio.
â O, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o…!
â O que vocĂȘ tĂĄ fazendo?! â Haruhiro agarrou Ranta, que estava simplesmente parado, pelo braço e começou a correr. Enquanto corria, gritou: â Sai do caminho! NĂŁo fica bem na frente dos cachorros, sai da frente!
Mesmo sem o incentivo de Haruhiro, Kuzaku, Yume, Shihoru e Mary jå estavam fugindo. E não eram apenas eles. Os soldados voluntårios se espalharam para a esquerda, direita e para trås, dispersando-se em todas as direçÔes.
Ducky havia dito para não darem as costas, mas isso não era uma opção. Havia gigantes brancos com mais de quatro metros de altura correndo direto para eles. Se fossem atingidos de frente por um desses, seriam atropelados com certeza. Ou seriam pisoteados ou arremessados. Se tentassem enfrentå-los de frente, como Ranta estava prestes a fazer, seria ainda pior. Enquanto tentassem se preparar, os gigantes brancos se aproximariam, e enquanto ainda estivessem pensando: Droga, droga, o que eu faço? em pùnico, seriam esmagados até a morte.
Mas, mesmo que corressem…
â Ha-Ha-Haruhiroooo! â Ranta gritou. â TĂĄ vi-vindo um na nossa direção!
â JĂĄ sei disso!
Um dos gigantes brancos estava perseguindo Haruhiro e Ranta. Haruhiro soltou o braço de Ranta e correu ainda mais råpido. Mas logo à frente havia outro gigante branco. Onde estavam os outros? Ele não tinha tempo para olhar.
Um gigante branco atrĂĄs de mim. Outro na frente. Vou para a direita? Ou para a esquerda?
NĂŁo, nĂŁo dĂĄ. NĂŁo posso ir nem para a direita, nem para a esquerda. Mas isso Ă© sĂł minha intuiçãoânĂŁo, nĂŁo duvide dela.
â Avança e passa por ele! â gritou.
â O quĂȘ?! SĂ©rio?! â Ranta gritou.
â SĂ©rio! â Haruhiro correu em direção ao gigante branco Ă sua frente.
As mĂŁos virĂŁo primeiro. As duas mĂŁos. Tentando me agarrar. Elas nĂŁo sĂŁo tĂŁo rĂĄpidasâNĂŁo devem ser, certo? Vai para o lado direito. Desvia da mĂŁo esquerda do gigante branco. Vai. Tenho que ir. Vai. Eu consigo. Esquiva!
â Yuh…!
Virando o corpo de lado, ele conseguiu evitar por pouco a mĂŁo esquerda do gigante branco. Mas que diabos foi esse âYuhâ? Haruhiro nem sabia o que isso significava.
â Ranta?! â gritou.
â TĂŽ aqui!
De alguma forma, Ranta havia passado pela mĂŁo direita do gigante branco e parecia ter conseguido ficar atrĂĄs dele. NĂŁo era algo planejado, mas eles ouviram os dois gigantes brancos se chocarem atrĂĄs deles.
â HĂĄ! Bem feito! â Ranta rugiu.
Haruhiro não conseguia compartilhar do entusiasmo de Ranta. Pelo contrårio, ele queria descontar sua frustração nele.
â Ah, merda! Aqueles tambĂ©m?! â gritou Haruhiro.
Claro, os que ele tinha visto no começo nĂŁo eram todos. Ainda havia mais gigantes brancos vindo. E nĂŁo eram sĂł gigantes. Algo mais estava misturado com elesâou melhor, seria mais preciso dizer que os gigantes brancos estavam misturados com outra coisa. Afinal, claramente havia mais deles.
Não, se ele não dissesse que havia muito mais deles, seria uma mentira descarada. Esses não eram os cultistas de um olho só, com ponchos brancos, avançando em massa?
Haruhiro queria se reagrupar com seus companheiros. Mas, primeiro, queria verificar se eles estavam bem. Ele verificou, e…
Como?! Ele queria gritar.
â NĂŁo se separa, Ranta!
â Ei, heyyyyyyyy?! â Ranta gritou de volta. â Isso Ă© ridĂculo, sabia?!
Ele nem estava ouvindo. A atenção de Ranta estava totalmente focada nos cultistas. Bem, talvez fosse difĂcil culpĂĄ-lo por isso. Afinal, os cultistas comuns estavam avançando com suas lanças apontadas.
O que a gente faz? Pensou Haruhiro, desesperado.
NĂŁo havia tempo para pensar. O tempo estava muito, muito limitado. Se parassem, seria o fim. Eles tinham que seguir em frente. Mas para onde? Para onde iriam?
Ele ouviu vozes. Vozes de pessoas. Sons. Presenças. RespiraçÔes. A sua própria respiração.
Ă sua frente, havia cerca de dez cultistas comuns, Pansukes, ou algo em torno disso. TambĂ©m havia dois cultistas de elite, Tori-sans, empunhando Lightning Sword Dolphins e escudos, talvez trĂȘs? Havia mais cultistas alĂ©m desses, mas esses eram os que Haruhiro precisava se preocupar imediatamente. E tambĂ©m havia um gigante branco, da classe de quatro metros.
AtrĂĄs deles estavam os outros gigantes brancos. Os dois que haviam colidido antes estavam se levantando. Havia alguns gigantes que tinham paradoâou sido forçados a parar? Estavam em combate? Havia soldados voluntĂĄrios lutando contra os gigantes brancos?
Sim. Havia. Bem ali.
â Vamos, Ranta! â Haruhiro gritou.
â Wahhh?!
Mesmo correndo, Haruhiro nĂŁo parava de olhar ao redor. Ranta estava acompanhando.
Esses sĂŁo os Berserkers, nĂ©, pensou. IncrĂvel. Mesmo nessa situação, jĂĄ derrubaram um dos gigantes brancos. NĂŁo, nĂŁo sĂł um. Dois, hein.
Ducky e os Berserkers estavam trabalhando no terceiro gigante branco. Eles estavam usando ferramentas. Cordas. Com pesos nas pontas, provavelmente.
Eles jogavam as cordas, enrolando-as ao redor do pescoço do gigante. EntĂŁo, puxavam em grupo, derrubando-o. Descrever era fĂĄcil, mas seria difĂcil jogar as cordas e fazer com que fossem para o lugar certo. Era preciso muita força para derrubar um gigante. E o timing precisava estar em perfeita sincronia.
Apesar do nome do clĂŁ, que faria vocĂȘ esperar que os Berserkers avançassem sem medo de contra-ataques, eles lutavam com habilidade e tĂ©cnica.
Ao lado dos Berserkers, com suas trĂȘs equipes, dezessete pessoas, praticamente se movendo como um Ășnico grupo, ele avistou Yume. Ou ela estava assistindo os Berserkers em admiração, ou estava olhando para o nada, porque estava simplesmente parada.
Mesmo correndo em direção a Yume, Haruhiro continuava observando. Não eram apenas os Berserkers que estavam contra-atacando. Havia soldados voluntårios cercando um gigante branco de oito metros um pouco mais à frente. Um deles, corajoso e imprudente, escalava o gigante, subindo em seus ombros e acertando seu rosto.
Max. Era o Max âOne-on-Oneâ.
Max era baixo, mas carregava uma espada grossa em cada mĂŁo e golpeava, ou melhor, esmagava o gigante branco com elas. Ele desferia uma chuva de golpes no gigante.
O Iron Knuckle estava massacrando o gigante de oito metros.
Ele viu as capas brancas de Orion também. Eles haviam se espalhado em equipes individuais. Não parecia que estavam atacando ativamente. Mas também não estavam fugindo em pùnico.
Os Tokkis.
Tokimune estava bem na frente de um gigante branco, com Tada atacando de lado. Kikkawa e Mimorin também estavam lå. Inui. E Anna-san.
Essa é a Mary ao lado da Anna-san, né, pensou Haruhiro. Kuzaku estå lå também.
Lide com Yume primeiro.
â Aquela garota! â Ranta gritou. Parecia que Ranta tambĂ©m tinha avistado Yume. â Ei, Yume! NĂŁo fica aĂ parada!
Yume se virou na direção deles. â …O quĂȘ?
â Vem aqui! â Haruhiro a chamou.
Ela fez um grande aceno de cabeça e começou a correr em direção a eles. Os cultistas chegariam logo, e essa årea provavelmente cairia em caos total.
â Mary! Kuzaku! â Haruhiro gritou.
Ele se virou enquanto corria em direção aos Tokkis. Os cultistas jå haviam chegado. Kuzaku e Mary notaram Haruhiro e os outros.
â Onde tĂĄ a Shihoru?! â gritou.
â Me desculpa! â Mary fez uma careta e balançou a cabeça.
â NĂŁo temos tempo! â Ranta berrou.
â Ela Ă© nossa prioridade! â Haruhiro gritou de volta.
Enquanto pensava nisso, ele olhou em volta. Ele analisou a situação enquanto tomava sua decisão. Enquanto observava, Haruhiro formulou sua estratégia båsica.
Bom, seremos parasitas, por assim dizer. Me sinto mal por isso, mas vamos agir como parasitas nos lutadores mais fortes enquanto procuramos pela Shihoru. Estranhamente, estou calmo, né? Talvez eu simplesmente não tenha espaço para entrar em pùnico.
â A Shihoru tĂĄ desaparecida! â gritou. â Anna-san, cuidado!
Depois de gritar, Haruhiro mudou de direção e seguiu na direção do Iron Knuckle. Seus companheiros estavam atrås dele. Ranta, Yume e Mary, com Kuzaku fechando a retaguarda.
Shihoru, pensou ele. Onde vocĂȘ estĂĄ? Shihoru. Onde vocĂȘ estĂĄ?
Por um momento, ele temeu o pior, mas rapidamente afastou essa ideia. Os cultistas haviam se juntado Ă batalha entre os soldados voluntĂĄrios e os gigantes brancos, o que tornaria ainda mais difĂcil encontrar qualquer coisa.
Mesmo assim, vou procurar. Vou procurar. Procurar por ela. Procurar por Shihoru.
â Ah, seu…! Eu tambĂ©m vou! â Ranta avançou para atacar um Pansuke prĂłximo.
â Isso nĂŁo vai dar certo! â Haruhiro parou Ranta, mas ele mesmo nĂŁo parou de se mover.
â Eu consigo lidar com esse sozinho! â Max gritou enquanto se agarrava ao rosto do gigante da classe de oito metros, cravando sua espada no olho dele. â Massacrem os cultistas, meus irmĂŁos!
Ele consegue lidar com isso sozinho? Do que ele estå falando? Mas os caras do Iron Knuckle estão fazendo o que ele diz. Sério?
Todos os membros do Iron Knuckle, exceto Max, se afastaram do gigante branco de oito metros e começaram a atacar os cultistas.
Havia um homem que se destacava. Ele estava levemente equipado, sem capacete, e tinha um pequeno cavanhaque. Era o braço direito de Max, Aidan. Ele empunhava uma lança, algo incomum para um soldado voluntĂĄrio. Ele derrubava um cultista com a haste da lança e depois o empalava no Ășnico olho com a ponta. AlĂ©m disso, ele usava uma variedade de chutes para derrubar os cultistas. Ele parecia mais um artista marcial do que um guerreiro. A falta de armadura podia ser um sinal de sua confiança. E essa confiança nĂŁo parecia fora de lugar. AtĂ© um Tori-san, com sua espada e escudo prontos, caiu com um chute-surpresa e uma estocada da lança de Aidan. Ele era incrĂvel.
Os outros irmĂŁos estavam esmagando os cultistas. Iron Knuckle jĂĄ havia destruĂdo duas bases de cultistas. Eles conheciam seus inimigos. Parecia que achavam que simples cultistas nĂŁo poderiam derrotĂĄ-los. Eles nĂŁo pareciam que iriam perder.
Haruhiro agiu como um total parasita. Ele se juntou ao Iron Knuckle, olhando ao redor, mas tomando cuidado para nĂŁo atrapalhĂĄ-los. Ele procurava por Shihoru.
â Shihoruuuu! â Yume lamentou.
Os cultistas e os gigantes brancos continuavam chegando. Estavam se reunindo de todo o Reino do CrepĂșsculo?
NĂŁo seria um erro ficar aqui e lutar? Por enquanto, estavam conseguindo se manter, mas eventualmente os soldados voluntĂĄrios ficariam cansados. Quando isso acontecesse, seria xeque-mate. O fim.
Mas o deus gigante estava na colina inicial. Eles poderiam passar por ele e fugir de volta para o ninhoânĂŁo, para as PlanĂcies dos Gremlins?
Shihoru. Antes de mais nada, ele tinha que pensar em Shihoru.
Shihoru.
â NĂŁo tem como ela nĂŁo estar aqui! â Mary gritou.
Ela estava certa. Shihoru estava aqui. Ela tinha que estar. Em algum lugar. Ele sĂł nĂŁo conseguia vĂȘ-la.
Ele nĂŁo conseguia vĂȘ-la.
Ela estĂĄ em algum lugar que eu nĂŁo consigo vĂȘ-la…?
â O vale! â Haruhiro gritou.
Ele podia estar errado, mas era uma possibilidade.
O assentamento dos soldados voluntĂĄrios no Reino do CrepĂșsculo havia sido construĂdo ao redor de um vale com uma fonte no fundo. NĂŁo era um vale profundo, mas tambĂ©m nĂŁo era raso. Pelo menos, ele nĂŁo conseguia ver o fundo daqui. De jeito nenhum. Se ela tivesse se separado dos companheiros, fugido e tentado se esconder em algum lugar, nĂŁo seria esse o lugar que ela escolheria?
O fundo do vale era um beco sem saĂda. NĂŁo era garantido que fosse seguro. Se o inimigo a encontrasse, ela estaria em perigo imediato. Mas se ela fosse pressionada a tomar uma decisĂŁo, ela nĂŁo pensaria tanto nisso.
Enquanto corria em direção ao vale, Haruhiro continuava observando. Olhando para todos os lados, ele tentava ter a melhor noção possĂvel da situação dos seus aliados. Parecia sua obrigação naquele momento. Era assustador olhar e descobrir o que estava acontecendo. A ignorĂąncia era mais fĂĄcil para a mente, mas tambĂ©m era assustador Ă sua prĂłpria maneira.
Ele morreria de olhos fechados ou abertos? De qualquer forma, seria assustador. No entanto, se seus olhos estivessem abertos, ele poderia encontrar uma maneira de evitar sua morte iminente. Se seus olhos estivessem fechados, ele nem conseguiria resistir em vĂŁo.
Na retaguarda da party, Kuzaku foi atacado por um cultista. Era um Pansuke. Apenas um.
Haruhiro imediatamente fez meia-volta. â Kuzaku, pare aĂ!
â Khhh!
Kuzaku parou a lança do Pansuke com seu escudo, depois usou Thrust (Estocada). Com a espada longa de Kuzaku cravada em seu peito, mas sem perfurå-lo por causa do poncho, o Pansuke vacilou. Nesse ponto, Haruhiro jå havia passado correndo ao seu lado.
Com uma parada repentina, ele se colocou atrĂĄs do Pansuke. Ele o agarrou, enfiando sua adaga no Ășnico olho do Pansuke com um golpe reverso. Ele a arrancou e correu em direção ao vale.
â Seu idiota! â Ranta gritou.
Ranta, cala a boca.
â Deixa isso comigo!
â Na prĂłxima! â Haruhiro respondeu.
Se vocĂȘ resolvesse as coisas rĂĄpido e bem, eu gostaria que o fizesse. Bem, tanto faz. Estamos aqui. Esse Ă© o vale.
â LĂĄ estĂĄ ela! â ele gritou. â Shihoru!
Shihoru estava encolhida perto da borda da fonte. Ela levantou o rosto e olhou na direção de Haruhiro.
â D-Desculpa! Eu… Eu nĂŁo consegui encontrar nenhum de vocĂȘs, e fiquei com medo!
â Bem, quem pode te culpar! â Ranta gargalhou. â Vou deixar passar dessa vez, entĂŁo me deixa apertar esses peitĂ”es seus!
â Ughh… â Kuzaku estava incrĂ©dulo.
â VocĂȘ Ă© o pior. NĂŁo podia ser mais baixo do que isso â disse Mary, e Haruhiro teve que concordar.
â Sua idiota! â Ranta riu alto. â Eu sempre posso ser mais baixo! Ă ser o mais desprezĂvel que me faz o pior! Idiotas!
Esse Ă© o problema dele.
â Shihoru! â Yume desceu a encosta correndo, como se estivesse rolando.
Haruhiro estava prestes a segui-la, mas entĂŁo se virou e olhou. Ainda bem que o fez. â Yume! Traga a Shihoru para cĂĄ!
â Miautendido!
Isso era pra ser um âentendidoâ? Seja como for, estou contando com vocĂȘ. Temos nossos prĂłprios problemas para resolver. Inimigos. Cultistas chegando. Cinco Pansukes. Um Tori-san. Isso Ă© bastante. Mas se eles nos alcançarem enquanto estivermos no vale, estaremos em desvantagem porque eles terĂŁo a vantagem do terreno elevado. Vamos enfrentĂĄ-los aqui.
Até que Yume e Shihoru chegassem até eles, restavam quatro: Haruhiro, Ranta, Kuzaku e Mary.
â Kuzaku, faça o que puder! â ordenou Haruhiro.
â Entendido! Vou atraĂ-los para mim!
â Ranta, use ataques rĂĄpidos!
â NĂŁo precisava nem dizer!
â Mary, nĂŁo se esforce demais!
â Estou bem!
â Rahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! â Com um rugido nada caracterĂstico, Kuzaku avançou contra os cultistas. Os Pansukes estenderam suas lanças, tentando barrar o avanço.
Kuzaku usou seu escudo para bloquearânĂŁo, para desviar as lanças. NĂŁo era o Block que ele usava. Era o Bash. AlĂ©m disso, ele fazia grandes balanços com sua espada longa e escudo.
â Ngahhhh! Rahhhhhhhh! Yahhhhhhhh!
A espada longa e o escudo de Kuzaku apenas desviavam as lanças dos Pansukes ou causavam golpes superficiais em seus ponchos. Ele não estava causando dano. Mas os Pansukes não conseguiam avançar. Kuzaku estava segurando cinco Pansukes sozinho. Obviamente, ele não poderia continuar assim. Além disso, havia aquele cara. Empurrando os Pansukes para o lado, o Tori-san avançou. Tori-san empurrou a espada longa de Kuzaku para trås com seu Escudo Espelhado e, em seguida, cortou imediatamente com sua Lightning Sword Dolphins.
â Leap Out! â gritou uma voz.
Era Ranta. Ele saltou de lado a uma velocidade incrĂvel, acertando um chute no Escudo Espelhado de Tori-san. Mesmo enquanto Tori-san se desequilibrava, ele virou sua Lightning Sword Dolphins em direção a Ranta. Ranta estava tentando atacĂĄ-lo, mas seria ruim se ele fosse atingido por aquela arma. Mesmo um arranhĂŁo o deixaria atordoado. Ranta recuou com a Betrayer Mk. II. Sua forma oscilou de maneira misteriosa.
â Missing!
O golpe de Tori-san parecia ter sido enfraquecido. Ele ficou fascinado pelos movimentos misteriosos de Ranta. Ranta evitou facilmente a Lightning Sword Dolphins e se distanciou.
â HĂĄ! Droga, sou incrĂvel! â Ranta riu.
â Nem tanto! â Haruhiro respondeu.
Haruhiro saiu pelo lado direito do grupo de inimigos, mirando nas lanças dos Pansukes com sua adaga e porrete. Mary também assumiu uma posição diagonal atrås de Kuzaku, usando seu cajado curto para interferir nas lanças.
â Dahhhh! Tahhhhhh! Nwahhhhhh! â Kuzaku balançava seu escudo e espada longa com movimentos imprudente enquanto avançava. Os Pansukes começaram a recuar, mas Tori-san avançou e atingiu a espada longa de Kuzaku com sua Lightning Sword Dolphins.
â Ngh! â O corpo inteiro de Kuzaku estremeceu. O Tori-san avançou para um golpe de seguimento. Kuzaku podia ter a melhor armadura da party, e talvez estivesse usando um elmo tambĂ©m, mas nem mesmo ele sairia ileso se recebesse um golpe forte de uma Lightning Sword Dolphins. Aqui, no Reino do CrepĂșsculo, onde a magia de luz nĂŁo funcionava, ferimentos graves podiam ser fatais.
â Hah! â Mary gritou.
Se Mary nĂŁo tivesse golpeado a Lightning Sword Dolphins com Knock Off (Interromper), as coisas poderiam ter ficado bem ruins.
Mary gritou, â Augh! â e caiu de costas, tremendo, mas o Tori-san quase deixou cair sua Lightning Sword Dolphins tambĂ©m. No final, ele nĂŁo chegou a soltar, mas Kuzaku conseguiu usar aquele tempo para se recuperar.
â Por pouco! â Kuzaku desviou as lanças dos Pansukes com sua espada longa e escudo. â Ainda tenho um longo caminho pela frente!
â VocĂȘ estĂĄ indo muito bem! â encorajou Haruhiro.
Haruhiro tentou contornar os Pansukes por trĂĄs. Venham atĂ© mim. Ătimo. Funcionou. Haruhiro conseguiu afastar alguns dos Pansukes de Kuzaku. â Ranta, mostre sua coragem!
â NĂŁo me faça parecer… â Ranta avançou de novo, fechando a distĂąncia com um dos Pansukes. â …tĂŁo fĂĄcil, droga! Reject!
O Pansuke avançou com sua lança. Ranta a afastou com a Betrayer Mk. II e recuou. O Pansuke caiu na armadilha e tentou perseguir Ranta.
â Avoid! â Ranta gritou.
Quando seu oponente tentou avançar, Ranta fez uma estocada em um ponto vital enquanto recuava. A habilidade de Ranta acertou em cheio. Betrayer Mk. II perfurou o Ășnico olho do Pansuke, que desabou no chĂŁo.
â Faço isso com a maior facilidade! â Ranta gritou. â Afinal, sou eu!
â LĂĄ vai vocĂȘ, ficando convencido! â Haruhiro retrucou.
Haruhiro desviou as lanças de dois Pansukes com Swat, uma, duas, trĂȘs vezes. Ranta havia derrotado um dos Pansukes e jĂĄ estava indo atrĂĄs de outro, entĂŁo Kuzaku sĂł precisava lidar com um Pansuke e o Tori-san. Mas o Tori-san era o problema.
â Nuh! â Kuzaku usou Bash para afastar a lança do Pansuke e tentou fechar a distĂąncia entre eles rapidamente, mas o Tori-san balançou sua Lightning Sword Dolphin, forçando Kuzaku a pular para trĂĄs.
â Eu cuido de um deles! â Mary gritou.
Recuperada do efeito paralisante da Lightning Sword Dolphin, Mary tentou fazer o Pansuke se virar para ela. No entanto, mesmo em um combate um contra um, o Tori-san seria difĂcil. Sua Lightning Sword Dolphin era perigosa demais. Tudo o que Kuzaku podia fazer era manter a distĂąncia e ficar correndo.
â Droga! Isso Ă© patĂ©tico! â Kuzaku gritou.
â NĂŁo tenha pressa! â Haruhiro gritou enquanto continuava a usar Swat nas lanças que vinham em sua direção. Ele disse isso para Kuzaku, mas estava, em parte, falando para si mesmo.
Certo. NĂŁo posso me apressar. Olhe bem. Veja com atenção. HĂĄ reforços inimigos? NĂŁo agora. Mas nĂŁo seria estranho se eles aparecessem a qualquer momento. E quando isso acontecer, eu nĂŁo posso começar a entrar em pĂąnico, pensando: âAh, droga, estamos ferrados!â
Kuzaku estava totalmente focado em evitar a Lightning Sword Dolphin. Mary estava jogando na defensiva e Ranta não conseguia desferir o golpe decisivo. Serå que ele estava esperando a oportunidade perfeita para fazer isso de uma vez? Haruhiro continuava apenas desviando as lanças. Eles estavam se segurando, mas se isso continuasse por muito tempo, poderiam acabar desmoronando. No entanto, isso não duraria muito mais.
Uma flecha voou. Essa ia acertar. O Tori-san levaria bem no rosto. Infelizmente, o Tori-san pulou para o lado para evitar.
Haruhiro olhou para trĂĄs. Yume. Ela havia subido o vale. JĂĄ estava com a segunda flecha engatilhada. Atirou. E, praticamente ao mesmo tempo…
â Ohm, rel, ect, nemun, darsh!
Logo atrĂĄs de Yume, Shihoru estava recitando e desenhando sigilos elementais com seu cajado.
A segunda flecha de Yume também errou. O Tori-san a esquivou. No entanto, ao sair do caminho da flecha, um elemental sombrio se prendeu ao chão onde ele estava prestes a pisar.
Shadow Bond.
O pé do Tori-san foi pego pelo elemental sombrio, e ele não conseguiu se mover. O Tori-san estava visivelmente agitado. Foi nesse momento que Kuzaku avançou para finalizar.
â Rahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Punishment (Punição). Era fundamentalmente a mesma habilidade de Moguzo, a tĂ©cnica Rage Blow (Golpe de FĂșria) dos guerreiros, tambĂ©m conhecida como Thanks Slash (Corte de Agradecimento). Kuzaku desferiu um golpe diagonal com toda sua força. No entanto, na versĂŁo do paladino, ele se protegeria com o escudo enquanto atacava. Pelo menos, normalmente.
Kuzaku atacou com tanta força que parecia que ele ia arremessar o escudo longe, mas ele não o fez, e acertou sua espada longa na Lightning Sword Dolphin do Tori-san com toda sua força. Claro, quando ele tocou na arma, foi atordoado.
â Agh!
O corpo de Kuzaku estremeceu, e ele acabou caindo sentado. Ele sabia que isso aconteceria. Mesmo assim, ele correu o risco.
O plano de Kuzaku era derrubar a arma das mĂŁos do Tori-san. Funcionou.
O Tori-san se abaixou e tentou alcançar sua arma caĂda. Ela estava a apenas alguns centĂmetros de distĂąncia. Graças ao Shadow Bond (Ligação Sombria), ele nĂŁo conseguia se mover.
Mesmo assim, o Tori-san se esticou mais para tentar pegar a Lightning Sword Dolphin. Poderia ter conseguido, se ninguém tivesse interferido. Se Mary não tivesse atingido o punho da espada com seu cajado, arremessando-a para longe.
â VocĂȘ Ă© a melhor! â Kuzaku se levantou, entĂŁo ergueu sua espada longa acima da cabeça. O Tori-san tentou cobrir a cabeça com seu Escudo Espelho. No entanto, Kuzaku nĂŁo desferiu o golpe. Era uma Feint (Finta).
â Rahhhh!
Kuzaku chutou o Escudo Espelho para longe e entĂŁo esmagou sua espada longa na cabeça desprotegida do Tori-san. NĂŁo apenas uma vez. Duas, trĂȘs, quatro vezes ele bateu com força no topo da cabeça. Mesmo que nĂŁo pudesse cortar por causa do poncho, aquele era um golpe mais forte do que o Tori-san poderia suportar. Mesmo depois que ele desabou e ficou deitado no chĂŁo, Kuzaku o atacou mais duas, trĂȘs vezes, para garantir que estivesse realmente morto.
â Exhaust! Exhaust! Exhaaaauuuust! Gwahahahahahahahaaa! â Enquanto isso, Ranta se movia rapidamente com seus movimentos esquisitos para pegar a Lightning Sword Dolphin. Com a Betrayer Mk. II na mĂŁo esquerda e a Lightning Sword Dolphin na mĂŁo direita, ele empunhava duas armas ao mesmo tempo.
Espera aĂ… considerando a falta de força do Ranta, aquela Lightning Sword Dolphin Ă© bem longa e pesada. Isso vai dar certo…?
â Toma essa! â Como Haruhiro havia esperado, por mais que Ranta tentasse balançar as duas armas, ele nĂŁo acertava nada. Os Pansukes facilmente se esquivavam. Ele era um completo idiota.
â Escolhe uma das duas! â gritou Haruhiro.
Haruhiro ainda estava ocupado usando Swat para desviar as lanças dos dois Pansukes. Queria dizer a Ranta que não tinha tempo para essas brincadeiras.
Quero dizer, eu preciso ficar atento ao redor enquanto faço isso. Ă difĂcil. Estou me virando por um triz. Acaba logo com os seus e vem me ajudar, cara. Mas tudo bem, realmente.
â Yah! â AlguĂ©m veio, pelo menos.
Era Yume. Ela avançou ferozmente. Com uma cambalhota, desferiu um golpe poderoso com seu facĂŁo. Um dos dois Pansukes que atacavam Haruhiro foi atingido no ombro e, embora nĂŁo tenha caĂdo, sua cabeça recuou com a dor.
Raging Tiger (Tigre Enfurecido). Era uma habilidade de combate com facĂŁo.
â Tau! Tau! Tauuuu! â Com esses gritos de batalha estranhos, Yume combinou as tĂ©cnicas Brush Clearer (Limpador de Mato), Diagonal Cross (Cruz Diagonal) e Brush Clearer novamente, encurralando o Pansuke.
Ela Ă© corajosa como sempre. Esse tipo de coragem Ă© o que se espera de um tanque. NĂŁo, com sua armadura leve, ela Ă© ainda mais corajosa que um tanque. DĂĄ medo assistir. Preciso apoiĂĄ-la.
Na próxima vez que desviou uma lança com o Swat, Haruhiro simultaneamente chutou o joelho do Pansuke. O impacto do Shatter (Quebrar) impediu o inimigo de se mover por um momento, o que Haruhiro aproveitou para se aproximar e acertar o queixo dele com seu porrete.
A habilidade Hitter (Batedor) originalmente servia para acertar o queixo do inimigo com a palma da mĂŁo apĂłs usar o Swat, mas Haruhiro havia aprendido a aplicĂĄ-la de outra forma. Ele estava na defensiva todo esse tempo, entĂŁo provavelmente o Pansuke nĂŁo conseguiu se adaptar ao ataque surpresa. Naturalmente, isso fazia parte dos cĂĄlculos de Haruhiro, por isso ele foi completamente para o contra-ataque.
Depois de acertar um Swat, Shatter e Hitter com precisĂŁo, nĂŁo foi difĂcil derrubar o oponente. E foi exatamente isso que Haruhiro fez. Ele montou sobre o Pansuke caĂdo, cravando sua adaga no Ășnico olho do cultista. Quando torceu e cavou a lĂąmina, o Pansuke logo parou de se mover.
â Haruhiro-kun! â gritou Shihoru para alertĂĄ-lo.
Quando ele olhou, mais quatro Pansukes e um Tori-san estavam vindo em sua direção. Haruhiro soltou um suspiro profundo, então arrancou sua adaga e se levantou.
Atualmente, Ranta e Yume estavam cada um lidando com um Pansuke. Kuzaku e Mary estavam atacando outro em conjunto. Havia um total de cinco reforços inimigos, e um deles era um Tori-san. Os Ășnicos livres para agir eram Haruhiro e Shihoru. Shihoru nĂŁo podia lutar de perto, e Haruhiro sĂł conseguiria, no mĂĄximo, se defender de dois Pansukes com Swat.
â Ohm, rel, ect, el, krom, darsh!
Mas Shihoru tinha um trunfo. Um elemental negro, como uma nĂ©voa, foi em direção aos cultistas que se aproximavam. Shadow Mist (NĂ©voa sombria). Era a versĂŁo aprimorada de Sleepy Shadow (Sombra sonolenta), que causava uma sonolĂȘncia intensa no alvo.
Normalmente, seja Sleepy Shadow ou Shadow Mist, o feitiço não funcionava se fosse lançado diretamente contra um inimigo que estivesse se aproximando. Era um feitiço que só funcionava se pegasse o oponente desprevenido. No entanto, Shihoru havia descoberto que a magia Darsh era especialmente eficaz contra os cultistas.
Quando o elemental das sombras os envolveu, os cultistas começaram a cair como moscas. Ela conseguiu colocar todos os Pansukes para dormir, mas o Tori-san apenas vacilou um pouco. Ele tinha resistido, huh.
O Tori-san chutou o Pansuke que tinha desmoronado aos seus pés. Parecia que ele estava tentando acordå-lo.
â Ohm, rel, ect, el, vel, darsh! â Shihoru imediatamente lançou Shadow Echo (Eco das Sombras). Vuuuon, vuuuon, vuuuon. Com aquele som caracterĂstico, trĂȘs elementais das sombras, que pareciam bolas de alga negra, voaram em direção ao Tori-san. No entanto, mesmo que acertassem, provavelmente ele nĂŁo cairia.
â Kuzaku! â Haruhiro gritou enquanto corria.
â Okay! â Kuzaku deixou o Pansuke para Mary e foi atrĂĄs de Haruhiro. Dois dos trĂȘs elementais das sombras atingiram o Tori-san e pareciam causar algum dano, mas estava longe de ser fatal. AlĂ©m disso, o Pansuke que o Tori-san havia chutado se levantou.
Se mais inimigos aparecerem agora, estamos completamente ferrados, pensou Haruhiro. Bem, ele nĂŁo tinha tempo para se preocupar com isso. Foco. Tenho que focar. Focar, focar, focar.
Haruhiro repetiu isso para si mesmo enquanto avançava em direção ao Pansuke e ao Tori-san. O motivo pelo qual ele não estava tão assustado era porque não planejava lutar. Enfrentå-los diretamente estava além de suas capacidades.
Primeiro, o Pansuke avançou com a lança. Haruhiro pulou para o lado esquerdo, e dessa vez foi o Tori-san quem seguiu com outro ataque.
Estou fora de alcance, entĂŁo estou seguro, pensou. Mesmo que o Tori-san desferisse um golpe com sua Lightning Sword Dolphin, ela nĂŁo o atingiria. Provavelmente.
â Vem, vem, vem! â Haruhiro gritou, mais para encorajar a si mesmo do que para provocar o inimigo, enquanto esquivava da Lightning Sword Dolphin do Tori-san e da lança do Pansuke.
Logo Kuzaku chegou e usou Bash na lança do Pansuke. Quando o fez, Haruhiro previu que o Tori-san avançaria em Kuzaku. Ou melhor, esperava que isso acontecesse, mas não foi assim. Enquanto Kuzaku atacava o Pansuke com Thrust, o Tori-san começou a chutar os outros Pansukes.
Droga, pensou Haruhiro.
Nesse ritmo, os trĂȘs restantes iriam acordar. Mas, se ele fosse impedi-los, teria que atacar o Tori-san. Se tentasse enfrentĂĄ-lo diretamente, sua vida estaria em risco. Era o momento de arriscar assim?
No momento em que hesitou para pensar nisso, perdeu a chance de fazer essa escolha. Jå era tarde demais. Os Pansukes estavam despertos e começando a se levantar. Como jå havia uma mistura caótica de aliados e inimigos por perto, eles não podiam contar com a magia de Shihoru.
â Zeahhhhhhh! â Kuzaku empurrou o Pansuke com força, mas nĂŁo conseguiu desferir o golpe final. Isso porque o Tori-san interveio. Kuzaku nĂŁo teve escolha a nĂŁo ser fugir da Lightning Sword Dolphin.
Onde estĂĄ o Ranta? A Yume? A Mary? Haruhiro tentou olhar. NĂŁo consigo olhar.
Os Pansukes que o Tori-san tinha acordado começaram a avançar em sua direção. O coração de Haruhiro acelerou, e sua respiração ficou ofegante. A pressão era intensa. Ele sentia que estava prestes a entrar em pùnico. No entanto, se ele ainda percebia isso, talvez não fosse tão ruim. Seu campo de visão estava tão estreito.
As lanças. Elas estĂŁo vindo. Swat. Swat. Swat. NĂŁo, nĂŁo consigo. Sinto que vou errar. NĂŁo posso me dar ao luxo de me ferir. Ahhâ Uwah…
Haruhiro se jogou no chĂŁo instintivamente e rolou.
â O que vocĂȘ tĂĄ fazendo?! â Ranta chegou voando. Ele varreu duas lanças ao mesmo tempo com sua Lightning Sword Dolphin. Naturalmente, os dois Pansukes que as seguravam caĂram, se contorcendo. Ranta tinha guardado a Betrayer Mk. II e agora estava empunhando a Lightning Sword Dolphin com as duas mĂŁos.
â Eu te disse pra fazer isso desde o começo! â Haruhiro gritou.
Haruhiro usou Swat na lança de outro Pansuke, depois seguiu com Shatter e Slap. Sua adaga e o porrete eram armas de alcance curto, entĂŁo era bem difĂcil acertar as mĂŁos do oponente com elas.
Slap nĂŁo era uma habilidade que ele usava com frequĂȘncia, mas dessa vez funcionou bem. Os Pansukes seguravam suas lanças com as duas mĂŁos. Quando Haruhiro acertou a mĂŁo direita de um dos Pansukes com seu porrete, ele soltou a lança. Sem perder tempo, Haruhiro usou o pomo de sua adaga para acertar o queixo do inimigo com Hitter. As pernas do Pansuke cederam, e ele caiu. Haruhiro rapidamente deu a volta, agarrou-o e usou Spider. Sua adaga afundou no Ășnico olho do Pansuke.
â Cale-se! Parupirori inĂștil! â Ranta gritou, preparando-se para finalizar os Pansukes que havia atordoado, levantando exageradamente a Lightning Sword Dolphin acima da cabeça. Foi quando suas mĂŁos pararam. â Espera, tem um gigante branco vindoooooo?!
â Ranta! âHaruhiro gritou.
â O quĂȘ?! â Ranta usou Exhaust para recuar com um impulso de velocidade. Os Pansukes que ele havia atordoado avançaram com suas lanças.
Kuzaku estava correndo e evitando o Tori-san e um Pansuke. Mary e Yume estavam lidando com um Pansuke cada, e nĂŁo conseguiam se mover.
Shihoru havia notado o gigante branco que se aproximava e parecia pensar no que poderia fazer com sua magia. No entanto, era pouco provĂĄvel que pudesse fazer algo. Um gigante branco da classe de seis metros era praticamente impossĂvel de ser parado pela magia de Shihoru.
Os Pansukes que haviam falhado em perfurar Ranta agora mudaram seu alvo para Haruhiro. Enquanto usava Swat contra suas lanças, Haruhiro estava horrorizado com sua própria tentativa de escapar da realidade focando apenas no Swat. Mas não conseguia pensar em nada que pudesse fazer, e não sentia que seria capaz de pensar em algo.
Era uma loucura lutar. Eles nĂŁo tinham chance de ganhar.
EntĂŁo, o que fazer? Fugir? Podiam ser mortos no momento em que virassem as costas para o inimigo. Alguns deles, pelo menos. Estavam cercados por todos os lados.
Era por isso que ele estava usando Swat, Swat e Swat.
EstĂĄ certo?
NĂŁo havia como estar. Ele precisava tomar uma decisĂŁo.
Se se mantivessem e continuassem a batalha, estavam garantidos a morrer. Se fugissem, alguns poderiam sobreviver.
Claro, Haruhiro ficaria atĂ© o final, lutando para garantir que o maior nĂșmero possĂvel de seus companheiros escapasse. Afinal, ele era o lĂder. Tinha que fazer isso, pelo menos. Sim, provavelmente morreria. NĂŁo que quisesse. NĂŁo poderia fazer a coisa admirĂĄvel e dizer que estava preparado para isso, mas faria o que sabia que deveria fazer.
NĂŁo importava o que acontecesse com ele. Se a vida de Haruhiro pudesse garantir a fuga de todos os seus camaradas, ele estava bem com isso. Mas nĂŁo era assim que funcionaria. Mais de uma pessoa seria sacrificada. Estava especialmente ruim para Shihoru.
AlĂ©m disso, mesmo que conseguissem abrir um caminho para sair dali, depois dissoâNĂŁo, ele precisava focar no presente. O que era o melhor a fazer no momento? Se começasse a pensar no que viria a seguir, nĂŁo conseguiria decidir nada. Mesmo que fosse apenas um deles que escapasse, ele queria que essa pessoa sobrevivesse.
O gigante branco estava a cerca de dez metros de distĂąncia. Haruhiro nĂŁo tinha tempo a perder.
Enquanto desviava uma lança, Haruhiro gritou. â Fuâ â
Ou começou a gritar, mas rapidamente fechou a boca.
Sem chance. Isso Ă© simplesmente legal demais. Haruhiro usou Swat em mais um Pansuke, entĂŁo gritou algo diferente. Desta vez, um nome. â Tada-san!
â Tornado Slam! (Golpe Tornado) â Tada entrou com uma velocidade incrĂvel, girando horizontalmente e atingindo o tornozelo esquerdo do gigante branco com seu martelo de guerra. O impacto fez o gigante branco parar e olhar para Tada.
â Go, go… â disse o gigante.
â Ei, pequena porcaria. â Tada apoiou o martelo de guerra no ombro e entĂŁo levantou o dedo mĂ©dio da mĂŁo direita. â Vou enfrentar vocĂȘ. Venha.
â Ohm, rel, ect, nemun, Darsh! â Shihoru gritou.
Shadow Bond. Shihoru fixou um elemental das sombras no chĂŁo, impedindo Tori-san de pressionar Kuzaku junto com um Pansuke que o seguia.
â Haaaaa! â Kuzaku imediatamente atraiu o Pansuke para longe do Tori-san e foi atacĂĄ-lo. Usou Block contra a lança do Pansuke. EntĂŁo, avançando apĂłs um Thrust, usou Bash para atingir o Pansuke no rosto com seu escudo. Depois, o empurrou, cravando sua espada longa no olho do Pansuke.
â Ranta, pegue o Tori-san! â Haruhiro chamou.
Quando Haruhiro chamou, a resposta de Ranta foi: â Morra!
Quem vocĂȘ estĂĄ dizendo para morrer?!
Mesmo assim, Ranta começou a cruzar espadas com o Tori-san. Quando era Lightning Sword Dolphin contra Lightning Sword Dolphin, nenhum dos dois seria atordoado. O Tori-san também tinha seu Escudo Espelhado, então Ranta não conseguiria ultrapassar facilmente suas defesas, mas até um total idiota como Ranta (esse pedaço de lixo) poderia ser usado para ganhar tempo. Sem que Haruhiro precisasse dizer o que fazer, Kuzaku foi apoiar Yume e Mary.
Haruhiro usava Swat, Swat e Swat novamente para se defender das lanças dos dois Pansukes à sua frente.
O gigante branco de seis metros perseguia Tada, socando e tentando pisoteĂĄ-lo com estrondos ensurdecedores, mas, atĂ© entĂŁo, sem sucesso. Tada, ainda com o martelo de guerra apoiado no ombro, desviava dos ataques com o mĂnimo de esforço possĂvel. NĂŁo era exatamente ĂĄgil, mas agia com uma coragem incomum. Parecia que Tada se achava invencĂvel, movendo-se com confiança absoluta. Mesmo que o gigante conseguisse matĂĄ-lo, nĂŁo parecia que isso seria o suficiente para derrotĂĄ-lo de verdade.
Logo em seguida, Tokimune apareceu, com seus dentes brancos brilhando.
â Ainda estĂĄ vivo, hein? â gritou Tokimune.
Kikkawa também estava lå. Inui, Mimorin e Anna-san estavam junto com eles. Tada e Tokimune se posicionaram de lados opostos do gigante branco, provocando-o alternadamente e o guiando habilmente.
â Yahoo, Ranchicchi! Cheguei para minha entrada triunfal! â declarou Kikkawa, desferindo um golpe contra o Tori-san.
â Seu idiota! Quem vocĂȘ estĂĄ chamando de Ranchicchi?! â Ranta avançou imediatamente para o ataque. â Eu nĂŁo deixo que as pessoas me obriguem a ficar em dĂvida com elas!
â VocĂȘ simplesmente nĂŁo consegue mostrar gratidĂŁo, Ranchicchi! Todo tsun, tsun, tsu, dere, Ă© tĂŁo adorĂĄvel!
â Cala boca! Vou te matar, Kikkawa!
â Cala a boca e mata todos eles! â disse Inui, por algum motivo com um brilho no olho nĂŁo coberto pelo tapa-olho. Ele riu para si mesmo, vagando pelo campo de batalha sem rumo.
O que vocĂȘ estĂĄ fazendo, cara? Haruhiro ficou tĂŁo perplexo que quase perdeu o timing do seu Swat.
â Ah!
â Hahh! â gritou Mimorin.
Se Mimorin não tivesse desferido um golpe com toda a sua força na cabeça de um Pansuke, ele certamente teria sido ferido, ou pior. Após o golpe com o cajado, a espada de Mimorin acertou o topo da cabeça do Pansuke com força.
Aproveitando sua constituição incomum, as tĂ©cnicas de espada de Mimorin eram incrivelmente poderosas, mesmo que ela usasse mais do que apenas uma espada. NĂŁo havia tĂ©cnica cuidadosa envolvidaâbasicamente eram golpes amplos e brutais, deixando vĂĄrias aberturas. No entanto, quando acertava, seus ataques tinham força suficiente para derrotar os inimigos com um Ășnico golpe.
AliĂĄs, elementais, que normalmente nĂŁo eram visĂveis ao olho humano, detestavam a maioria dos metais, entĂŁo os magos precisavam evitar ferro e cobre. Contudo, se utilizassem um processo especial chamado revestimento elemental, aparentemente nĂŁo havia problema. A espada de Mimorin possuĂa um revestimento elemental, e isso supostamente era bem caro. Apesar disso, ela nĂŁo dava muita importĂąncia ao cuidado com a espada.
Mimorin chutou o Pansuke em que ela havia acabado de acertar o combo de dois golpes no chĂŁo com um âHmph!â e depois atacou o outro Pansuke com seu cajado e sua espada.
â VocĂȘ nĂŁo pode machucar o Haruhiro! âgritou Mimorin. â De jeito nenhum!
SerĂĄ que Mimorin estĂĄ… com raiva? Pensou Haruhiro. Parece que sim.
Embora estivesse com a mesma expressão de sempre, seu rosto estava vermelho. O Pansuke tentou atacå-la com sua lança, mas Mimorin o ignorou e o golpeou com seu cajado e espada, sem piedade. Era aterrorizante a força com que ela o espancava.
Eventualmente, o Pansuke não conseguiu mais se manter em pé, caindo no chão onde estava, mas Mimorin continuou a bater nele, sem parar, até que ele estivesse completamente esmagado. Ele estava à beira da morte, se jå não tivesse morrido.
Mimorin se virou para Haruhiro.
â Eu estava preocupada.
â…Isso Ă©, uh… bem… De…s…culpa…?
â EstĂĄ tudo bem. â Mimorin balançou a cabeça. â Fico feliz de ver vocĂȘ de novo, sĂŁo e salvo.
â…Eu tambĂ©m.
â Sim. Isso Ă© Ăłtimo.
Haruhiro começou a entrar em pùnico.
â Uh, uhhhh, espera, ainda tem inimigos!
â Tem.
â Precisamos matĂĄ-los.
â Eu vou matĂĄ-los.
â V-Vamos fazer isso â disse Haruhiro.
â Eu vou fazer isso.
â M-Mas… â Haruhiro olhou ao redor.
Kuzaku, Mary e Yume estavam lutando juntos contra dois Pansukes. Ranta e Kikkawa estavam dominando o Tori-san. No ritmo em que as coisas estavam indo, eles resolveriam a situação ali em breve.
Inui ainda vagava sem rumo.
SĂ©rio, o que vocĂȘ estĂĄ fazendo, cara?
Ignorando aquele desvio sem sentido por um momento, o problema, obviamente, era o gigante branco.
â Venha! â Tokimune bateu sua espada no escudo.
â Go, go… â O gigante branco se abaixou e balançou seu braço direito.
â Haha! â Tokimune se esquivou do braço que avançava, evitando-o maravilhosamente.
â Aqui! â Tada chamou o gigante branco.
O gigante branco olhou para Tada, e o encontrou. Ao invés de usar as mãos, ele tentou chutar Tada. Foi por pouco. Tada rolou para a esquerda, escapando por pouco do pé direito do gigante branco.
A primeira coisa que Tada havia feito foi acertar o martelo de guerra na canela direita do gigante branco. Embora houvesse uma clara marca de impacto, os movimentos do gigante nĂŁo mostravam sinais de estar realmente ferido.
â Matem ele! Matem de uma vez, yeah?! âgritou Anna-san. Anna-san podia gritar e encorajĂĄ-los atĂ© ficar rouca, mas seria um pouco difĂcil cumprir isso.
Shihoru segurava seu cajado, olhando em volta inquieta. Parecia que não havia nada que ela pudesse fazer, nenhum feitiço que pudesse lançar.
Se fosse um gigante branco da classe de quatro metros, talvez ela pudesse fazer algo, mas contra um gigante de seis metros, seria muito difĂcil. Se houvesse mais obstĂĄculos ou algo em que ela pudesse subir, talvez ela pudesse pensar em algo melhor… quem sabe? De qualquer forma, na situação atual, ela nĂŁo conseguia encontrar uma maneira de atacar.
â Haru?! â Mary gritou seu nome. Haruhiro estava sendo questionado sobre o que fazer.
NĂŁo me pergunte. Ele ficou frustrado. Calma, calma, calma. Olhe, e pense. Isso mesmo. Olhe.
Seu corpo de repente flutuou.
NĂŁo. NĂŁo era que Haruhiro estivesse realmente flutuando. Isso era Ăłbvio. Nunca poderia acontecer. Era uma coisa mental, por assim dizer. A mente de Haruhiro saiu do corpoâuma experiĂȘncia extracorpĂłrea, talvez? Ele nunca havia experimentado uma antes, entĂŁo nĂŁo podia dizer com certeza que era isso o que se sentiria, mas estava vendo coisas que nĂŁo deveria ser capaz de ver enquanto estava em pĂ© no chĂŁo.
Durou apenas um instante.
Talvez fosse uma alucinação. Ou melhor, tinha que ser, certo? Mas… eu consegui ver. Ou, pelo menos, senti que consegui.
Naquele instante, Haruhiro estava olhando de cima para o gigante branco da classe de seis metros. Os vĂĄrios cultistas, os outros gigantes e os outros soldados voluntĂĄrios tambĂ©mâele conseguiu ver toda a ĂĄrea.
Era uma maneira estranha de enxergar as coisas. Não era como se estivesse vendo claramente com os olhos, mas também não era vago ou embaçado. Era como um desenho, ou um diagrama detalhado. O que quer que fosse, ele teve um lampejo de inspiração graças a isso.
Era o tipo de ideia que o fazia pensar: Por que isso nĂŁo me ocorreu antes? NĂŁo que ele pudesse evitar.
â Bem, sabe, eu sou sĂł um cara comum, afinal de contas â murmurou Haruhiro.
â VocĂȘ Ă© especial, Haruhiro â disse Mimorin com uma expressĂŁo abatida. â Para mim.
â …Obrigado.
Eu fui e agradeci sem pensar. NĂŁo acho que seja bom fazer isso. Preciso dar um corte mais firme nela. Vou ser mais cuidadoso da prĂłxima vez. Por enquanto, vou me concentrar em fazer o que precisa ser feito. Ă isso.
â Vamos derrubĂĄ-lo no vale â disse Haruhiro, ao que Mimorin assentiu, mas depois inclinou a cabeça de lado, confusa.
â Como?
â Sim. Esse Ă© o problema…
â VocĂȘ consegue se tentar â ela o encorajou. Mimorin estava agindo como sempre, e isso era estranhamente calmante.
Quando Haruhiro e Mimorin se moveram, Kuzaku, Mary e Yume os acompanharam. Ranta e Kikkawa pareciam precisar de mais tempo para derrubar o Tori-san. Anna-san havia se movido para perto de Shihoru em algum momento. Além disso, Inui também estava ali.
Haruhiro encontrou o olhar de Tokimune. â Para o vale! â tentou comunicar com essas poucas palavras e um gesto.
Tokimune lhe deu um sorriso largo e cheio de dentes, entĂŁo ele devia ter entendidoâcerto? Provavelmente estava tudo bem.
â Venha, venha, venha! â Tokimune estava batendo no escudo e tentando atrair o gigante branco para ele, como vinha fazendo o tempo todo, mas agora claramente direcionava o curso para o vale do assentamento.
Tada era um esquisitĂŁo, mas de forma alguma lento, entĂŁo ele certamente entenderia o plano.
â Mimorin, proteja a Anna-san! â Haruhiro disse a ela e acelerou. Ele precisava avançar e encontrar um bom lugar. Ele tinha uma ideia.
Naquele vale com a nascente, havia algumas encostas que eram suaves e fĂĄceis de subir ou descer, mas tambĂ©m havia outras Ăngremes que poderiam ser chamadas de penhascos. Primeiro, precisavam conduzir o gigante atĂ© a borda do penhasco. SerĂĄ que ele conseguiria…? Bem, segundo Mimorin, ele conseguiria se tentasse. Ele ia fazer isso.
Ele analisou por conta própria a localização do penhasco que tinha em mente. Ali tinha cerca de dez metros de profundidade, talvez. Isso não era tão raso; seria suficiente.
O gigante branco estava se aproximando, conduzido por Tokimune e Tada. Ranta e Kikkawa pareciam ter derrotado o Tori-san também.
Havia mais sete ou oito cultistas e um gigante branco de quatro metros vindo na direção deles. Ele preferia que não viessem, mas não ficou surpreso. Era sempre muito evidente onde os Tokkis estavam.
Isso fez Haruhiro perceber mais uma vez que sua party, sozinha, nĂŁo era suficiente. E nĂŁo apenas por uma pequena margem. Estavam longe de ser o bastante.
Ele jå estava ciente disso, é claro. Mas serå que não estava começando a se enganar? Se algo acontecesse, não havia garantia de que os Tokkis estariam lå para ajudå-los. Na verdade, até um momento atrås, eles estavam à beira da derrota. Os Tokkis só apareceram por acaso. Foi por isso que sobreviveram. Foi um pouco de sorte. Ou, colocando de outra forma, se não tivessem tido um pouco de sorte, teriam havido baixas.
A diferença entre a vida e a morte era fina como papel. Um erro, ou até mesmo um pouco de må sorte, e poderiam tropeçar e atravessar essa barreira fina entre uma e outra.
Foi assim que Manato e Moguzo os deixaram. Eles se foram para longe, para um lugar onde Haruhiro e a party nĂŁo poderiam alcançå-los. NĂŁo seria estranho que qualquer um dos outros os seguisse para lĂĄ. Muitas vezes antes, eles jĂĄ haviam se encontrado nesse ponto de decisĂŁo. Era apenas porque, de alguma forma, os caminhos que Haruhiro escolhera os levaram Ă âvidaâ que ele e o resto da party ainda estavam aqui. Desta vez, havia sido o mesmo.
Se escolhessem o caminho errado e fossem para a âmorteâ, nĂŁo haveria volta.
Era um pensamento vertiginoso. Ele nĂŁo queria mais fazer isso. Queria viver em paz. Provavelmente, nĂŁo seria impossĂvel se ele tentasse. Poderiam encontrar algum tipo de trabalho em Altana, ganhar dinheiro dessa forma. Haruhiro havia mudado desde que se alistara como soldado voluntĂĄrio. Se tentasse agora, com certeza nĂŁo seria impossĂvel para ele.
Eu vou pensar seriamente nisso.
Depois, claro.
Se eu sair dessa inteiro.
â Haruhiro! â Tokimune correu atĂ© ele. â Saia daĂ! Deixe isso comigo!
â Okay! â Haruhiro correu para a direita. Enquanto cortava o caminho por entre as tendas que os mercadores haviam abandonado, ele manteve os olhos em Tokimune, que estava prestes a alcançar a borda do penhasco.
â Go, go, go! â O gigante branco perseguia Tokimune.
Tokimune parou abruptamente, virando-se para enfrentar o gigante branco. O penhasco estava logo atrĂĄs dele naquele ponto. â Eiii! Me pega se puder!
â Go… â O gigante branco, no entanto, parou.
Ah… ele percebeu?
â Seu idiota, Ă© Ăłbvio demais! â Ranta zombou de Haruhiro.
Ele poderia atĂ© aceitar isso de qualquer outra pessoa, mas quando aquele pedaço de lixo dizia, doĂa. Ou melhor, Haruhiro ficou em choque.
Mas ainda nĂŁo acabou.
â Plano B! â alguĂ©m gritou.
Sim. Ele também estava ali. O sacerdote que um dia fora guerreiro, que ainda era quase um guerreiro. O homem com o grande martelo de guerra. Ele, que não conhecia o medo, o Sr. Devastador dos Tokkis.
Tada.
Tada investiu contra o gigante branco por trĂĄs e deu uma cambalhota. â Somersault Boooooooooomb!
Seu martelo de guerra explodiu no tendĂŁo de Aquiles do gigante brancoâou onde ele estaria, se gigantes brancos tivessem tendĂŁo de Aquilesâe fez pedaços da sua carne, ou seja lĂĄ do que ele fosse feito, voarem por todos os lados.
Plano B.
Espera, o que Ă© isso? Haruhiro pensou, atordoado.
Se tivesse que adivinhar, atrair o gigante atĂ© a beira do penhasco era o Plano A, e arrastĂĄ-lo ou empurrĂĄ-lo para fora era o Plano B. Haruhiro, honestamente, sĂł havia pensado no Plano A. No entanto, com a força de Tada…
â Go, go! â O gigante branco tentou se virar enquanto cambaleava. Foi quando aconteceu.
â Delm, hel, en, balk, zel, arve! â Mimorin gritou.
â Jess, yeen, sark, kart, fram, dart! â Shihoru acrescentou.
Houve um clarĂŁo de luz e uma explosĂŁo de fumaça no peito do gigante branco, enquanto vĂĄrios raios atingiam seu rosto e ombros. Blast e Thunderstorm. Elas haviam combinado seus feitiços ou era coincidĂȘncia? Mimorin e Shihoru lançaram seus ataques mĂĄgicos simultaneamente. Mesmo o grande gigante branco da classe seis metros teve que se curvar para trĂĄs com isso.
Ah, claro, Haruhiro percebeu. Faz sentido. Se o poder de um feitiço não é suficiente, elas podem simplesmente combinå-los. Essa é uma forma de fazer, huh.
â Vuuush! â Yume usou Rapid Fire, disparando vĂĄrias flechas em rĂĄpida sucessĂŁo, mirando no Ășnico olho do gigante branco. Em uma ocorrĂȘncia notavelmente rara, Inui seguiu o exemplo e disparou sua prĂłpria flecha.
â Aieeeeeeee! â Anna-san gritou e pulou no ar. â Vai se foder!
â Tokimune-san! â Haruhiro começou.
Sem que Haruhiro precisasse dizer mais nada, Tokimune se afastou da beira do penhasco.
â Delm, hel, en, balk, zel, arve!
â Jess, yeen, sark, kart, fram, dart!
Mais um disparo. NĂŁo, dois disparos. Blast de Mimorin e Thunderstorm de Shihoru deram o Ășltimo empurrĂŁo, forçando o gigante branco a se curvar ainda mais para trĂĄs. Nesse ponto, ele nĂŁo conseguiu mais se segurar. NĂŁo conseguiu manter-se de pĂ©.
O gigante branco parecia estar ciente do penhasco, mas precisava mover sua perna esquerda naquela direção para se apoiar. No entanto, não havia chão ali. Afinal, era um penhasco.
Caindo. O gigante branco estava caindo.

â Boa! â Kuzaku ergueu o braço com entusiasmo.
Mary colocou a mĂŁo sobre o peito, olhou para o cĂ©u e soltou um suspiro de alĂvio.
â Ă isso aĂ! â Yume sorria de orelha a orelha.
â Viu, eu falei! â Ranta gritou, tĂŁo empolgado que jĂĄ estava falando besteira.
â Feliz Ano Novo! Uau! â Kikkawa disse algo que fazia ainda menos sentido.
Por que de repente Ă© Ano Novo?
Haruhiro não queria acabar com a animação deles, mas aquilo não era o fim. Ele respirou fundo.
â PrĂłxima rodada! Seis Pansukes, dois Tori-sans, e um gigante da classe quatro metros! EstĂŁo vindo!
â Hahahahaha! â Tada riu, empurrando os Ăłculos com o dedo indicador esquerdo. â Ă Ăłtimo nĂŁo faltar inimigos pra esmagar.
â Podemos enfrentĂĄ-los com alegria e bom humor, hein! â Tokimune parecia estar realmente se divertindo. â Vamos nessa, pessoal! Anna-san, estamos contando com vocĂȘ pra nos animar!
â Podem deixar comigo, tĂĄ?! â Anna-san estufou o peito com orgulho e estendeu o punho para frente. â Enquanto o sol estiver no cĂ©u e Anna-san estiver no chĂŁo, a vitĂłria serĂĄ de vocĂȘs! Todo mundo, fight for Anna-san!
EntĂŁo agora tudo Ă© por causa da Anna-san? Haruhiro nĂŁo tinha certeza se concordava com isso, mas os outros estavam vibrando, e parecia que a moral deles estava melhorando, entĂŁo ele decidiu deixar passar.
â Ranta, pegue um dos Tori-sans! â ele gritou. â Kuzaku, lide com o mĂĄximo de Pansukes que conseguir!
â Eu vou, entĂŁo Ă© bom me respeitar, Parupiro! â Ranta berrou.
â TĂĄ! âKuzaku respondeu.
â Mary, Yume, Shihoru, fiquem juntas por enquanto!
â Entendido!
â Miau!
â…Okay!
â Tada! â Tokimune saiu correndo. â Vamos pegar o gigante branco!
â Eu posso fazer isso sozinho â Tada se gabou.
â Me inclui nessa tambĂ©m! *Sinal de paz, *sinal de paz! Yay, yay, yay! â Kikkawa gritou.
Tada e Kikkawa seguiram Tokimune. Parecia que Mimorin ficaria protegendo Anna-san. Enquanto isso, Inui vagava sem rumo perto de Shihoru.
Sério, qual é a desse cara?
Kuzaku podia lidar com trĂȘs dos Pansukes, enquanto Haruhiro, Mary, Yume e Shihoru cuidariam rapidamente do restante. Um dos Tori-sans iria para Ranta, mas e o outro?
Haruhiro provavelmente podia contar com Tokimune, Tada e Kikkawa para cuidar do gigante branco. Ele deu uma olhada em direção ao vale. Eles nĂŁo tinham exatamente derrotado o gigante de seis metros, entĂŁo era certo que ele subiria de volta ali eventualmente. Precisavam acabar com os reforços antes disso e dar o fora dali o mais rĂĄpido possĂvel.
RĂĄpido. Mas sem pressa.
Tada avançou contra o gigante branco.
Ă impressionante ele fazer isso sem medo.
Kuzaku corajosamente, usou Bash nas lanças dos Pansukes, desviando-as com sua espada longa. O paladino da party nĂŁo era um louco como Tada. Por causa disso, Haruhiro pensou: Caramba, Kuzaku Ă© incrĂvel. Ele Ă© demais, sĂ©rio. Talvez ele tivesse Mary a agradecer por isso. Ă, ele provavelmente nĂŁo queria parecer patĂ©tico na frente da pessoa que ama.
De qualquer forma, Haruhiro não deixaria o esforço de Kuzaku ser em vão.
Ele podia ver a linha.
Aquela linha tĂȘnue e brilhante.
NĂŁo era reta. Ela se curvava e torcia vĂĄrias vezes. Era uma proposta oferecida pela sua consciĂȘncia situacional, que surgia de suas observaçÔes, combinada com suas previsĂ”es baseadas na experiĂȘncia.
Ei, se eu fizer isso agora, nĂŁo vai dar certo? dizia. Se ele atrasasse um dĂ©cimo de segundo, nĂŁo serviria mais. No caso de Haruhiro, felizmente, seja por hĂĄbito ou outra força, ele nunca hesitava quando via a linhaâou melhor, quando ele a via, jĂĄ estava em movimento.
Com passos suaves, ele passou por um dos Pansukes, enterrando sua adaga no Ășnico olho do cultista enquanto fazia isso.
Ao puxĂĄ-la, ele realizou um Shatter no Pansuke ao lado, e em seguida, usou seu porrete em sua mĂŁo esquerda para aplicar um Hitter no queixo de outro Pansuke.
Para finalizar, ele acertou mais um Shatter em outro Pansuke. Depois, recuou.
â Ohhhhhhhh! â Kuzaku dispersou os Pansukes com sua espada longa e escudo. Um Pansuke estava morto, e trĂȘs haviam sido pegos de surpresa por Haruhiro, o que os desorganizou, impossibilitando que eles parassem Kuzaku.
Devemos nos jogar neles agora? NĂŁo, Haruhiro pensou.
â Ah! âKuzaku recuou rapidamente. Quando alguĂ©m balançava a Lightning Sword Dolphin na direção dele, tudo o que ele podia fazer era evitar.
Era um Tori-san. Dois deles, na verdade. O que Ranta estava fazendo?
â Exhaust!
Lå estava ele. Até que enfim.
Ranta saltou e atacou um dos Tori-sans pelo lado. Houve um grande impacto quando a Lightning Sword Dolphin se chocou com a do Tori-san. Ranta venceu o embate e desequilibrou o oponente. Mas havia dois Tori-sans. O outro fez uma investida contra Ranta.
â Exhaust! â Ranta disparou para trĂĄs a uma velocidade incrĂvel.
Se os Tori-sans o perseguissem, estariam caindo diretamente na armadilha de Ranta. Infelizmente, eles nĂŁo caĂram. Os dois Tori-sans concentraram seus ataques em Kuzaku.
â Droga! NĂŁo consigo lidar com dois deles! âKuzaku foi forçado a correr de um lado para o outro.
Os Pansukes aproveitavam essa abertura para tentar se reagrupar.
â Rantaaaa! â Haruhiro gritou, sem conseguir se conter.
â Estou sĂł começando, tĂĄ bom? â Ranta contorceu o corpo todo e assumiu uma pose estranha, com a Lightning Sword Dolphin de lado. â Ăh, EscuridĂŁo! Ăh, Senhor dos VĂcios! Dread Wave!
Talvez sua pose ridĂcula tenha chamado a atenção, porque nĂŁo foi sĂł Haruhiroâos Pansukes e os Tori-sans tambĂ©m ficaram olhando para ele.
Bem, como se algo fosse acontecer, né.
Era Ăłbvio. NĂŁo era sĂł o Deus da Luz, Lumiaris, que nĂŁo tinha poder no Reino do CrepĂșsculo. O Deus das trevas, Skullhell, tambĂ©m nĂŁo tinha.
â Huh? â Haruhiro observou surpreso e desanimado. â O quĂȘ? Como assim?
â Hmph… â Ranta olhou para o chĂŁo. âEsqueci completamente que nĂŁo posso usar magia aqui.
â Seu estĂșpido, Rantaaaa! â Yume gritou.
Ranta era mesmo um completo imbecil, e um lixo, além de irremediåvel, mas o inimigo havia parado de se mover. Mesmo que fosse um efeito inesperado da idiotice dele, como soldados voluntårios, eles deveriam aproveitar ao måximo.
â Ohm, rel, ect, el, nemun, darsh!
Shadow Bond. Shihoru prendeu um elemental das sombras no chĂŁo onde os dois Tori-sans estavam. Eles nĂŁo se moveriam daquele lugar por um tempo.
â Vamos pegar os Pansukes! â Haruhiro ordenou imediatamente, e Kuzaku avançou contra eles.
â Zeeah! Rahhh! Oryahhhhh! â ele gritou.
Haruhiro circulou por trås dos Pansukes. Yume sacou o facão e veio na direção deles, desferindo golpes. Mary não saiu de perto de Shihoru.
De repente, apesar de Haruhiro nĂŁo ter visto a linha, ele teve a sensação de que poderia derrubar um deles. Tenho que matĂĄ-los quando posso, ele pensou. Okay, agora Ă© a hora… Mas, quando ele foi para um Backstab, alguĂ©m inesperadamente roubou sua chance.
â Heh! â Era Inui. Aquele devasso Inui aterrissou com um chute nas costas do Pansuke, derrubando-o, e entĂŁo pisou com força no maxilar do cultista.
Crack. Houve um som desagradåvel, e o pescoço do inimigo se curvou em uma direção que não deveria.
â Eu sou Inui! Aquele que traz a destruição dos cĂ©us!
Certo, foi impressionante e tudo, mas veio do nada. VocĂȘ me assustou.
Inui se virou para Shihoru, com um brilho misterioso no Ășnico olho que nĂŁo estava coberto pelo tapa-olho.
â Ăh, minha noiva predestinada, trilhe o caminho da carnificina comigo!
â De jeito nenhum. â Foi uma resposta imediata, e em um tom bastante firme para Shihoru. Bem, Ă© claro que seria.
â Heh… â Inui se virou e foi embora. â Por enquanto, me despeço…
Espera, como assim? VocĂȘ estĂĄ indo? Para onde, inferno?
NĂŁo estava claro, mas Inui correu para longe.
Bem… Talvez devĂȘssemos apenas deixĂĄ-lo fazer o que quiser? Quero dizer, ele nĂŁo precisa voltar se nĂŁo quiser. Temos problemas suficientes para cuidar de nĂłs mesmos.
Tokimune, Tada e Kikkawa circulavam o gigante branco enquanto o atacavam. Parecia que Tokimune e Kikkawa estavam distraindo e servindo de isca, enquanto Tada era o responsĂĄvel pelos golpes pesados. O gigante branco jĂĄ tinha danos em ambas as pernas. Pelo ritmo das coisas, parecia que os trĂȘs conseguiriam derrubĂĄ-lo, mas nĂŁo seria rĂĄpido.
Ainda havia tempo antes que os Tori-sans se libertassem de Shadow Bond ou que o efeito acabasse. Nesse tempo, se conseguĂssemos eliminar os quatro Pansukes…
Mas, enquanto Haruhiro pensava nisso…
â Delm, hel, en, balk, zel, arve!
…Os Tori-sans foram lançados ao chĂŁo. Era o feitiço Blast.
Eles foram jogados contra o solo, rolando um poucoâmas estavam se levantando. NĂŁo parecia que estavam completamente ilesos, mas tambĂ©m nĂŁo pareciam ter sofrido ferimentos graves.
Miiiimoriiiin, Haruhiro lamentou em silĂȘncio. Droga, esses ponchos sĂŁo realmente resistentes.
â Ah, tĂĄ bom… â Haruhiro murmurou para si mesmo, tentando mudar seu estado mental. NĂŁo havia como mudar o que jĂĄ tinha acontecido. Kuzaku, Haruhiro, Ranta, Yume, Mary, Shihoru e Mimorin teriam que lidar com os dois Tori-sans e os quatro Pansukes.
Temos até a Anna-san nos apoiando, então temos a vantagem numérica, sabe. Podemos fazer isso. Devemos conseguir. Tenho certeza. Provavelmente.
Kuzaku mantinha trĂȘs dos Pansukes sob controle, enquanto Yume lidava com o outro. Ranta parecia estar mirando em um dos Tori-sans. Se ele nĂŁo o fizesse, estariam encrencados.
Enquanto mantinha os Tori-sans sob vigilĂąncia, primeiro teriam que reduzir rapidamente o nĂșmero de Pansukes, e entĂŁoâ
Haruhiro deu uma olhada em direção ao vale, só para garantir.
Ele olhou de novo para confirmar o que estava vendo.
â…JĂĄ?
Isso Ă© terrĂvel.
NĂŁo era aquele gigante branco da classe de seis metros tentando subir do vale?
Foi um choque, mas Haruhiro não perdeu a cabeça. Ele não podia afirmar que isso estava dentro de suas expectativas. Estava focado em outras coisas, afinal. Mas eles só tinham que lidar com isso.
Os soldados voluntĂĄrios estavam recuando.
Eles estĂŁo fugindo?
Para onde vĂŁo correr?
E por quĂȘ?
â Aquilo, hein… â ele percebeu. Desta vez, ele nĂŁo conseguiu evitar perder a calma.
Do sul.
Algo estava vindo.
Era grande, branco e se contorcia.
Bom, claro. Claro que eles fugiriam. Eu também quero correr. Não hå escolha a não ser fugir dessa coisa.
A altura não era tão enorme, embora parecesse maior do que o gigante de seis metros. O problema era o comprimento. Era de vinte metros de comprimento, talvez vinte e cinco. Talvez até chegasse a trinta metros. Quem sabe até mais.
A hidra.
Era uma criatura gigantesca e inquietante, que parecia com nove cobras de dois a trĂȘs metros de diĂąmetro todas emboladas juntas. Se ela os atacasse, o que fariam?
Haruhiro, claro, fugiria até os confins do mundo. Essa seria a reação normal.
Parecia que Iron Knuckle, os Berserkers e Orion concordavam com Haruhiro. Eles também eram humanos. Ainda bem. Isso era bom? Não? Não era particularmente bom.
Haruhiro nĂŁo perdeu tempo para pensar no que fazer.
â Tokimune, Ă© a hidra! Temos que correr!
â Whoa…! â Tokimune tomou sua decisĂŁo rapidamente. â Okay, todo mundo corra! Protejam a Anna-san!
â Justo quando estĂĄvamos quase terminando aqui. Droga. â Apesar de reclamar enquanto fazia isso, Tada colocou o martelo de guerra no ombro e começou a correr.
â Corram, corram, corraaaam! Corram! âKikkawa estava animado atĂ© em um momento como aquele.
Apesar de Anna-san ser a lĂder de torcida do grupo, ela estava rangendo os dentes de frustração de forma audĂvel.
â Ă hora de uma retirada estratĂ©gica, yeah, droga! NĂŁo temos escolha, entendeu?!
â Vamos. â Mimorin agarrou Anna-san pela nuca e a arrastou.
â Miau…! â Yume se virou e fugiu.
â Justo quando eu ia mostrar o quanto sou incrĂvel! â Ranta tambĂ©m saiu correndo.
Mary hesitou.
â Eu vou ficar bem, entĂŁo vĂĄ! â Kuzaku nĂŁo recuou. Ou melhor, ele nĂŁo podia. Se tentasse, os Pansukes o cercariam e o espancariam atĂ© a morte.
â Haruhiro-kun…?! â Shihoru olhou para Haruhiro.
â Vai, Shihoru! VocĂȘ tambĂ©m, Mary! â Haruhiro correu o mais rĂĄpido que pĂŽde, tentando forçar-se a ver, ver!âAquela linha. Era em momentos como esse que ele realmente queria ver.
Mas, claro, nada era tĂŁo conveniente assim.
Haruhiro nĂŁo era um herĂłi. Era apenas um lĂder. Ă por isso que nĂŁo tinha escolha a nĂŁo ser fazer o que deveria e o que podia como lĂder.
â Kuzaku, detona eles! â gritou.
â Entendido! Rahhhhhhhhhhhhhhhhhhh! â Kuzaku usou sua espada longa para afastar vĂĄrias lanças e entĂŁo usou Bash no Pansuke Ă sua frente. â Dahhhhh! Gahseahhh! Rahh! Nwahhhhhhhh!
Sem parar, Kuzaku balançava sua espada enquanto se protegia com o escudo, avançando. Mesmo quando as lanças dos Pansukes acertavam sua armadura, ele as ignorava e continuava avançando.
Kuzaku estava usando uma armadura de placas robusta. Dito isso, quando ele recebia um golpe forte, ainda tinha que doer. Pelo menos ficaria com hematomas.
Aguenta firme. Aguenta firme, por favor, Kuzaku.
â AĂ! â Haruhiro agarrou um dos Pansukes, nĂŁo por trĂĄs, mas de lado, e o estrangulou com o braço esquerdo enquanto cravava sua adaga no Ășnico olho do cultista.
Isso foi forçado agora, nĂŁo foi? Se eu tivesse errado o tempo, teria ficado em perigo. Que medo…!
Ele sentia uma massa gelada de medo se agarrar ao estÎmago. Mas e da� Que diferença fazia?
Haruhiro se aproximou de outro Pansuke, desferindo um combo com Shatter e Hitter. Mais um Pansuke tentou acertå-lo com sua lança, mas ele saltou para evitar. Mesmo gritando internamente Ah, droga, ah, droga, me då um tempo, ele rebateu a lança duas vezes com Swat.
Enquanto gritava em pensamento: Sério, me då um descanso, argh!, ele avançou e usou Arrest (Detenção) para segurar o braço do Pansuke, seguido de uma rasteira para derrubå-lo.
â Assuh! â Kuzaku soltou um grito misterioso para se animar e usou Bash para derrubar um Pansuke.
Agora, vamos correr, pensou Haruhiro.
Ele não precisava dizer nada para que essa mensagem fosse entendida. Haruhiro e Kuzaku começaram a correr ao mesmo tempo.
â Ha ha! â Kuzaku ria enquanto corria. â Isso Ă© incrĂvel! Ha ha ha! Simplesmente incrĂvel!
NĂŁo, doido, agora nĂŁo Ă© hora de rir. Bem, nĂŁo Ă© que eu nĂŁo entenda como ele se sente. Kuzaku tambĂ©m deve ter ficado com bastante medo. Agora que estĂĄ livre disso, ele estĂĄ sentindo um certo ĂȘxtase. Mas serĂĄ sĂł isso? Ele estĂĄ aproveitando essa situação horrĂvel a ponto de nĂŁo conseguir se conter. SerĂĄ que isso faz parte? A adrenalina disso tudo Ă© viciante. Eu quero viver em paz. Ă como eu realmente me sinto, mas a questĂŁo Ă© se posso. Como seria uma vida sem coisas assim? Surpreendentemente, menos entediante do que eu poderia imaginar…?
Os Pansukes, os Tori-sans e o gigante branco de quatro metros os perseguiam. Atrås deles havia soldados voluntårios, cultistas, gigantes brancos e até mesmo a hidra.
Para onde estavam indo era o vale, onde o gigante branco de seis metros estava prestes a sair.
Isso Ă© terrĂvel. Me sinto pĂ©ssimo. Queria que isso fosse apenas um sonho. AlguĂ©m pode me substituir? Eu quero uma ajuda aqui, sabe? NĂŁo estou brincando. Se alguĂ©m nos salvar e garantir a segurança dos meus camaradas e a minha, eu farei qualquer coisa. SĂ©rio. NĂŁo importa o que for.
Eu nĂŁo quero passar por isso. Ă estressante demais, entende? Cara, estou de saco cheio disso. NĂŁo tem nada de divertido nisso, certo?
Eu acho que podemos morrer também. Dessa vez, talvez seja o nosso fim. O que acontece quando morremos? Vamos para o céu? Ou para o inferno, talvez? Deixamos de existir? Voltamos ao nada?
Eu nĂŁo quero morrer. Tenho medo de morrer. NĂŁo quero. NĂŁo, nĂŁo, nĂŁo quero isso.
Ă. Eu sabia. NĂŁo preciso disso. Esse tipo de situação. NĂŁo me importo com um pouco de emoção de vez em quando, mas nĂŁo preciso desse negĂłcio extremo de vida ou morte. Haruhiro sentia isso com bastante clareza. Eu quero viver em paz!
Tokimune e os outros que tinham ido à frente pareciam estar fazendo um desvio ao redor do vale para alcançar a colina inicial.
SerĂĄ que vĂŁo conseguir evitar o gigante de seis metros por esse caminho? Pensou Haruhiro. Ou nĂŁo? NĂŁo sei, talvez possa ir para qualquer lado.
Não parecia que seus perseguidores iriam alcançå-los por enquanto.
Mesmo que a rota fosse um pouco questionĂĄvel, eles tinham que segui-la.
O gigante de seis metros jå estava fora do vale até a cintura. Ele se apoiava com o braço esquerdo e balançava com o direito.
â Go, go, go, go, go! â gritava o gigante.
Ele estava tentando esmagar Tokimune e Tada com sua mĂŁo direita.
â Cuidado! â Haruhiro gritou.
Eles não precisavam que ele dissesse isso. Tokimune, Tada e até mesmo Kikkawa se jogaram no chão para escapar da mão direita do gigante branco.
O gigante branco se apoiou com os dois braços e ergueu o corpo. Enquanto fazia isso, Mimorin e Anna-san, Ranta, Yume, Shihoru e Mary passaram na frente dele.
Inui estava desaparecido. Mas quem se importava com aquele depravado?
Haruhiro e Kuzaku ficaram parados, incapazes de se mover.
â Whoaaaaaa? â Haruhiro gritou.
â O q-qu-qu-qu-quĂȘ…? â Kuzaku gaguejou.
O gigante branco de seis metros de altura levantava-se bem diante de seus olhos. Para ser mais preciso, ele acabara de sair do vale, então ainda estava de joelhos, mas ainda assim, era imenso. Enorme. Se eles parassem ali, os inimigos que estavam atrås os alcançariam. Seria como dizer: Sim, por favor, tentem nos acertar, tanto para o gigante branco quanto para os outros inimigos.
Haruhiro deu um tapa nas costas de Kuzaku. Era uma questĂŁo de vida ou morte.
â V-Vai! Corre! Temos que ir!
â Guhsuh!
O que diabos âguhsuhâ quer dizer?
Isso nĂŁo ficou claro, mas Kuzaku saiu correndo. Sua forma de correr era um tanto desajeitada, no entanto. NĂŁo que a de Haruhiro fosse muito melhor.
Como poderĂamos correr direito agora?
â Go, go…!
O gigante branco tentou socar Kuzaku e Haruhiro com a mĂŁo esquerda, ainda de joelhos, ou talvez estivesse tentando agarrĂĄ-los e esmagĂĄ-los.
â Bwuh…! â Kuzaku se jogou no chĂŁo de cabeça, evitando a mĂŁo direita do gigante.
â Ah…! â Haruhiro rolou para evitar o golpe.
â Go, go, go!
Agora era a mĂŁo esquerda. Ela desceu sobre eles.
â Uwahhhhhhhhhhh?! â Kuzaku largou o escudo e continuou a rastejar. Estava desesperado.
Claro, Haruhiro também corria feito um louco com fogo no rabo.
â Nnnngh! â ele grunhiu.
Vai me acertar? Vou ser esmagado?
Quando o chĂŁo tremeu violentamente, ele soltou um grito estranho. Parecia que ele havia escapado.
â M-meu escudo! â Kuzaku arfou.
â N-n-n-n-nĂŁo vale sua vida, tĂĄ?! â Haruhiro gritou.
Ele levantou!
O gigante branco levantou!
â Go! Go, go! Go! Go, go! Go! Go, go, go! â O gigante branco de seis metros de altura se levantou e dançou. NĂŁo, talvez nĂŁo estivesse dançando, mas a forma como vinha em direção a Haruhiro e Kuzaku parecia seguir os passos de algum tipo de dança.
Eu nem sei mais o que estĂĄ acontecendo. EstĂĄ indo em direçÔes aleatĂłrias. De qualquer forma, precisamos evitar os pĂ©s dele. Isso Ă© o mĂĄximo que podemos fazer. Precisamos alcançar os outros. Eu adoraria fazer isso, e estamos mais longe do vale do que antes, mas em que direção eles foram? NĂŁo, isso nĂŁo importaâ
â Somersault Booooooooomb!
HĂŁ?
O gigante branco parou de se mover. Ou melhor, ele tropeçou. Isso aconteceu porque alguém havia acertado seu tornozelo esquerdo com um martelo de guerra, a perna que estava sustentando-o no momento.
Tada.
Por que Tada estĂĄ aqui?
NĂŁo era sĂł o Tada.
â Hah…! â Tokimune exclamou.
Quando Tada acertou o Somersault Bomb, Tokimune o atingiu com um Bash. Bem, nĂŁo exatamente um Bash, parecia mais um simples empurrĂŁo. Ainda assim, ele estava enfrentando um gigante branco de seis metros, sabe? Isso nĂŁo ia sequer abalar a criatura. Se nĂŁo fosse pelo fato de que o Somersault Bomb de Tada o fez tropeçar, claro. O ataque combinado deles funcionou. E, alĂ©m disso…
â Del, hel, en, balk, zel, arve!
Houve um flash de luz e, por algum motivo, uma explosĂŁo perto da virilha do gigante branco. Era a Blast de Mimorin.
O gigante branco perdeu totalmente o equilĂbrio e deu um, dois passos para trĂĄs.
â Haruhiro! â Tokimune se virou com um sorriso exibindo os dentes brancos. â EstĂĄvamos devendo essa! NĂŁo podĂamos deixar vocĂȘ morrer!
â Pare de falar! â Tada girou em cĂrculo, entĂŁo bateu o martelo de guerra com força na canela esquerda do gigante branco. â E ataque! Tornado Slaaaaaaaaaam!
â Gohhhhh?! â O gigante branco balançou de novo. Que poder.
â Caramba, ele Ă© impressionante â Kuzaku sussurrou.
Haruhiro sentia o mesmo, mas orava para que ninguĂ©m começasse a aspirar a ser como ele. Se os membros de sua party começassem a agir assim, seu coração nunca aguentaria o estresse, mesmo que tivesse mais de um. E, fundamentalmente, os humanos sĂł tĂȘm um coração, entĂŁo ele provavelmente morreria de ataque cardĂaco em pouco tempo.
Além disso, embora Haruhiro e Kuzaku tivessem sobrevivido graças a isso, estava realmente tudo bem?
Não era só Tokimune e Tada. Havia Mimorin, que havia conjurado o feitiço antes, e Anna-san. Kikkawa estava dando meia-volta e voltando. Mary, Yume, Shihoru e Ranta também estavam lå. E quanto a Inui? Haruhiro não se importava muito com ele, mas eles haviam perdido a chance de fugir.
Os cultistas e os gigantes brancos de quatro metros logo os alcançariam. Os soldados voluntårios e a hidra também. Isso resultaria em uma confusão generalizada, e eles estariam envolvidos no meio do tumulto.
Não havia garantias de que as coisas seriam melhores para onde estivessem correndo. Ainda assim, havia uma grande diferença entre tudo terminar aqui e haver um próximo destino para o qual poderiam correr. Se fossem apanhados por aquela onda de inimigos e aliados, estavam praticamente condenados. Ele não conseguia evitar esse pensamento.
Parece que este Ă© o fim. Eu posso sentir minhas forças me abandonando. Bem, claro que estĂĄ. Isso Ă© difĂcil. Como eu deveria virar o jogo aqui? Quero dizer, mesmo que eu conseguisse nos colocar de volta nos trilhos, e daĂ? Tenho certeza de que ainda estarĂamos ferrados.
Eu queria poder simplesmente desistir.
FIM DE JOGO
Aquele texto passou pela sua mente.
O que foi isso?
JĂĄ vi isso em algum lugar antes…?
FIM DE JOGO
Fim de jogo ou continuar? Sim / NĂŁo
Vai continuar? S/N
DESEJA TERMINAR O JOGO NOVAMENTE?
Fim de jogo
Um jogo, hein? Haruhiro pensou. Mas isso nĂŁo Ă© um jogo.
â NĂŁo Ă©, certo? Manato, Moguzo? â murmurou.
à por isso que eu não posso desistir. Não até o final. Desistir estå fora de questão.
Primeiro, preciso olhar ao redor. Isso mesmo. Olhe. Olhe direito, e veja.
Iron Knuckle e os Berserkers estavam, em certo grau, ao menos, se movendo juntos como um grupo. Orion estava mais espalhado, mas nenhum dos mantos brancos estava completamente isolado. Pareciam estar se movendo como grupos.
Havia dezenasânĂŁo, facilmente mais de uma centena de cultistas. VĂĄrias centenas. Quanto aos gigantes brancos, a olho nu, havia cerca de dez da classe de quatro metros, dois da classe de seis metros e um ridiculamente enorme que parecia ser da classe de oito metros.
E entĂŁo havia a hidra. Aquela coisa era uma mĂĄ notĂcia. SĂ©rio.
â Kuzaku, vocĂȘ estĂĄ sem o escudo, entĂŁo nĂŁo faça nada muito louco â Haruhiro alertou.
â TĂĄ. Nem se eu quisesse, conseguiria.
â Venha comigo!
Haruhiro levou Kuzaku com ele e se juntou a Ranta, Yume, Shihoru e Mary. Kikkawa, Anna-san e Mimorin também estavam com eles. Logo depois, os cultistas os alcançaram.
â Kikkawa, conto com vocĂȘ como o tanque principal! â Haruhiro chamou.
â Beleza! Pode deixar comigo!
â Todos, fiquem juntos!
Todos deram sua prĂłpria resposta, mas Haruhiro estava mais focado em observar do que em ouvir. Ele precisava fazer isso.
Kikkawa balançou sua espada ao redor e atraiu os inimigos para si. Kuzaku e Ranta reforçaram sua defesa em cada lado, atacando os inimigos ali. Se houvesse inimigos que os trĂȘs nĂŁo pudessem parar, entĂŁo Yume, Mary, Mimorin e, finalmente, Haruhiro os suprimiriam. AtĂ© Anna-san tinha uma espĂ©cie de arma em forma de bastĂŁo pronta, enquanto torcia para o resto do grupo.
Shihoru estava bastante exausta. Ela estava recuperando o fÎlego e procurando o momento certo para usar magia. Os outros soldados voluntårios também pararam de fugir perto de onde Haruhiro e os outros estavam.
Era a hidra. Ela havia alcançado a retaguarda do grupo de soldados voluntårios que fugiam.
O cabelo vermelho de Ducky balançava violentamente enquanto ele gritava algo. Um dos Berserkers foi socado por um gigante branco e girou no ar.
Oh, Haruhiro percebeu. Ă, aquele cara jĂĄ era. Mas agora nĂŁo Ă© hora de se preocupar com os outros.
â Ahhh! â Yume gritou, e seu corpo estremeceu. Era um Tori-san. Ela havia desviado a Lightning Sword Dolphin do Tori-san com seu facĂŁo.
O Tori-san avançou e tentou cortar Yume.
Ele vai matĂĄ-laâNĂŁo, eu nĂŁo vou deixar.
Haruhiro avançou e, ao invés de se colocar entre eles, ele derrubou o Tori-san pelos quadris. Ele usou seu porrete para golpear a mão que o Tori-san segurava a Lightning Sword Dolphin.
Consegui. E aĂ?
Mas o Tori-san nĂŁo soltou sua Lightning Sword Dolphin. Ele apenas puxou de volta. Pior ainda, ele estendeu seu Escudo Espelhado.
Ah, droga. Isso nĂŁo Ă© bom. NĂŁo vou conseguir desviar.
â Urgh! â Haruhiro recebeu o golpe do escudo diretamente e foi arremessado.
SerĂĄ que vou morrer? Ele pensou por um segundo.
â AĂ! â Mimorin gritou.
â Pegue isso! â Mary gritou.
Graças aos seus companheiros, ele não precisou morrer. Foi por pouco. Mimorin e Mary atacaram juntas o Tori-san e o fizeram recuar. Enquanto isso, Yume ajudou Haruhiro a se levantar.
â Desculpa, Haru-kun! â ela disse.
â TĂĄ tudo bem! â ele respondeu.
Haveria erros. NĂŁo era possĂvel reduzir a taxa de falhas a zero. O importante era apoiar quem errava, evitar que se machucassem e sobreviver. Quando os buracos começassem a aparecer, eles precisavam preenchĂȘ-los ou cobri-los para que nĂŁo se tornassem notĂĄveis. Se eles conseguissem apenas repetir esse processo de forma constante, poderiam sair dali vivos de alguma forma. Se era sĂł isso que precisavam, bem, mesmo que nĂŁo fosse o ponto forte de Haruhiro, ele poderia tentar pelo menos.
Embora, naturalmente, houvesse limites.
Tokimune e Tada ainda estavam lutando contra o gigante branco de seis metros. Kikkawa, Kuzaku e Ranta estavam indo bem na linha de frente, e Haruhiro, Yume, Mary e Mimorin estavam mantendo uma posição relativamente eståvel na retaguarda. Graças a isso, Anna-san e Shihoru não precisaram fazer nada até agora. Do jeito que as coisas estavam, provavelmente poderiam contar com a magia de Shihoru quando fosse necessårio. Eles poderiam sustentar esse sistema por enquanto.
Pelo que ele podia ver, Iron Knuckle, os Berserkers, Orion e os outros soldados voluntårios haviam formado suas próprias formaçÔes e estavam conseguindo repelir os inimigos em grupo.
Se os inimigos fossem apenas gigantes brancos de seis metros, talvez nĂŁo fosse impossĂvel derrotĂĄ-los um por um e depois eliminar o inimigo.
O problema seria o gigante branco de oito metros e a hidra.
Os movimentos do gigante de oito metros pareciam lentos, até em comparação com os outros gigantes brancos, mas só o fato de ele estar lå jå atrapalhava. Claro, ele também representava uma ameaça.
A hidra estava balançando cinco de seus tentåculos para atacar os soldados voluntårios, enquanto os outros quatro se arrastavam, pressionando-a para frente.
Quando o gigante branco de oito metros ou a hidra atacavam, os soldados voluntĂĄrios nĂŁo conseguiam lutar. Isso dava uma brecha para os cultistas e outros gigantes brancos atacarem. Eles estavam transformando o campo de batalha em um caos.
O modo como as coisas funcionariam aqui era simples. Se fizessem algo sobre o gigante de oito metros e a hidra, os soldados voluntĂĄrios venceriam. Isso, se conseguissem fazer algo.
No mĂnimo, essa tarefa estava alĂ©m das capacidades de Haruhiro e sua party. Mesmo os Tokkis teriam dificuldade com isso. NĂŁo, provavelmente seria impossĂvel para eles tambĂ©m. Quanto a Iron Knuckle, os Berserkers e Orion, se fossem capazes, jĂĄ teriam feito algo a essa altura. As coisas chegaram a esse ponto porque nĂŁo conseguiram.
Ainda assim, as coisas nĂŁo tinham desmoronado ainda. Sempre que algum soldado voluntĂĄrio era pego pelos tentĂĄculos da hidra, ou jogado no ar pelo gigante de oito metros, e sua party parecia prestes a fugir, alguĂ©m rapidamente entrava para ajudar. âOne-on-Oneâ Max, âRed Devilâ Ducky e Shinohara estavam correndo por todo o campo de batalha para auxiliar seus companheiros.
Com grande esforço, os soldados voluntårios mantinham suas linhas e recuavam lentamente. Haruhiro e sua party estavam fazendo o mesmo. Era um recuo gradual.
Mesmo sendo pressionados, resistiam o melhor que podiam.
Haveria um momento de ruptura, sem dĂșvida.
Eventualmente, seria demais para suportarem, e eles desmoronariam.
Mas era estranho. Mesmo sendo claramente perseguidos, os soldados voluntårios mais experientes não pareciam perturbados, apenas faziam o melhor que podiam. Ninguém tinha se entregado ao desespero, e ninguém transmitia um senso de derrota também.
SerĂĄ que todos haviam parado de pensar em coisas desnecessĂĄrias para que pudessem focar na tarefa em mĂŁos?
No fim, as pessoas sĂł podiam fazer o que era possĂvel. Podiam dar o seu melhor. NĂŁo podiam controlar a situação alĂ©m disso. Mesmo que quisessem que as coisas acontecessem de determinada forma, por mais que desejassem e rezassem, as coisas sĂł aconteceriam do jeito que tinham que acontecer.
â Concentre-se. Concentre-se. Concentre-se… â Enquanto sussurrava isso para si mesmo, Haruhiro olhou em volta. Ele observou e entendeu a situação. Ele desviou a lança de um Pansuke.
Havia uma lacuna se formando entre a linha de frente e a retaguarda, então ele ordenou que a retaguarda avançasse. Outro Pansuke estava se aproximando pela retaguarda, então ele ordenou que Yume e Mary recuassem para ficar atrås de Anna-san e Shihoru.
Kuzaku estava bastante exausto. Haruhiro queria deixå-lo descansar, mas isso não era uma opção.
â Continue firme! â ele gritou para Kuzaku.
Ele desviou a lança de um Pansuke. Queria seguir com um Shatter, mas isso era apenas seu desejo. Não era algo que ele tivesse julgado como viåvel naquele momento. Precisava mostrar moderação.
O gigante de oito metros nĂŁo havia se aproximado muito mais, mas a hidra tinha. Tokimune e Tada, que estavam saltando ao redor do gigante branco de seis metros, iriam ficar bem?
â A hidra estĂĄ vindo! â Haruhiro gritou.
Pelo menos ele os havia avisado. Então, desviou a lança de um Pansuke. Ordenou que Kikkawa, Ranta e Kuzaku se movessem duas posiçÔes para a esquerda.
Swat, Swat, Swat.
Ele olhou ao redor. Estamos indo para o oeste, pensou. Eles estavam se movendo em direção à colina inicial. O deus gigante estava lå.
Em outras palavras, do jeito que as coisas estavam, eles acabariam sendo encurralados entre a hidra e o deus gigante. Isso, claro, se conseguissem durar tanto.
NĂŁo, nĂŁo. NĂŁo pense nisso. NĂŁo se distraia. Concentre-se, concentre-se, concentre-se, concentre-se.
â Gahhh! â Kikkawa acidentalmente atingiu a Lightning Sword Dolphin de um Tori-san e ficou atordoado.
â Seu idiota! â Ranta defletiu a Lightning Sword Dolphin com sua prĂłpria Lightning Sword Dolphin para proteger Kikkawa.
A linha de frente se desfez, e parecia que os cultistas iriam atravessĂĄ-la.
Por um momento, Haruhiro ficou assustado, mas eles conseguiriam passar por isso.
â Kikkawa, continue e troque de lugar com o Ranta! Mimorin, apoie o Kikkawa!
â Certo! â Kikkawa balançou a cabeça para clarear a mente enquanto passava por Ranta.
â Aye! â Mimorin se posicionou diagonalmente atrĂĄs de Kikkawa, desviando a lança de um Pansuke com seu cajado.
Eu sei que tinha outro Tori-san por aqui, pensou Haruhiro, escaneando a ĂĄrea. LĂĄ estĂĄ! Ele deu a volta por trĂĄs de nĂłs.
â Mary!
Reagindo ao aviso, Mary torceu o corpo a tempo de evitar a Lightning Sword Dolphin.
â Ohm, rel, ect, el vel, darsh!
Shihoru usou Shadow Echo. TrĂȘs elementals das sombras voaram em direção ao Tori-san. Estavam relativamente prĂłximos.
Eles iam acertar. NĂŁo, o Tori-san bloqueou dois com seu Escudo Espelhado. Mas um atingiu seu rosto.
A cabeça do Tori-san recuou como se ele tivesse levado um soco. Mary golpeou o Escudo Espelhado dele com seu cajado curto, forçando-o a recuar ainda mais. No entanto, ela não podia se concentrar apenas no Tori-san.
Mary e Yume estavam cada uma lidando com um Pansuke. Com o Tori-san se envolvendo também, elas estavam tendo dificuldades. Mesmo que Anna-san se juntasse a elas, seria pouco e tarde demais, e Shihoru não era capaz de lutar de perto. O próprio Haruhiro jå estava ocupando dois Pansukes com o Swat.
Devo mandar Mimorin recuar? Ele se perguntou. Ou tiro alguém da linha de frente para ajudar? Decida. Agora.
â Kuzaku, vĂĄ para a retaguarda!
â TĂĄ! â Kuzaku começou a recuar imediatamente.
Kuzaku provavelmente estava desesperadamente preocupado com Mary. Seria mais fĂĄcil para ele se estivesse ao lado dela, sem dĂșvida. Agora, como preencher o buraco que ele deixou?
Ranta estava completamente ocupado lidando com o Tori-san Ă frente, enquanto Kikkawa estava enfrentando vĂĄrios inimigos tambĂ©m. Mimorin estava lidando com apenas um Pansuke por enquanto. Se Haruhiro lidasse com esse, liberaria Mimorin…
Foco. Eu preciso focar. Foco, foco.
A hidra.
EstĂĄ perto.
EstĂĄ bem perto. Ou nĂŁo? NĂŁo sei. Mas… parece estar meio perto.
â Uou! â Tokimune estava pendurado na espada, que havia sido cravada no gigante branco perto da cintura, e parecia prestes a ser jogado para fora.
O que diabos ele estå fazendo? Embora, os gigantes brancos tenham corpos bastante duros. Acho que é impressionante ele ter conseguido enfiar a espada ali, né?
Calma. Eu tenho que ficar calmo. Swat, Swat.
â Haaaaaze! â Tada gritou.
Tada ergueu seu martelo de guerra na diagonal, acertando a canela esquerda do gigante branco. O corpo massivo do gigante branco tremeu. Pensando bem, Tada estava teimosamente focado em acertar aquele mesmo ponto. Ele estava sĂ©rio. Tada realmente queria derrubar o gigante branco. Junto com Tokimune, isso talvez fosse possĂvel.
Se tivessem mais tempo, aqueles dois poderiam ter lidado com o gigante branco de seis metros. Naquele instante, algo deve ter acontecido, mas Haruhiro nĂŁo tinha certeza do que exatamente. Ou melhor, por que aquilo aconteceu? E isso seria mesmo possĂvel?
Ele duvidava de seus olhos.
A cabeça do gigante branco de seis metros simplesmente explodiu. Como uma melancia sendo esmagada com um bastão. Não era incomum que uma melancia fosse esmagada, mas aquela era a cabeça de um gigante branco. Não era estranho ela estourar daquele jeito, com os pedaços voando para todos os lados? Era esquisito, não era? Ou serå que Haruhiro era o estranho por pensar assim?
â Waaaaaaaah?! â Tada rugiu. â Essa era minha presa! Quem fez isso?!
Isso mesmo. Não poderia ser um fenÎmeno natural, então alguém devia ter feito isso. Foi magia? Quem fez isso?
NĂŁo demorou muito para a resposta se tornar clara.
â Ohhhhh?! â Ranta saltou para trĂĄs.
Sim, nĂŁo posso culpĂĄ-lo por estar surpreso.
A cabeça do Tori-san havia sumido.
Um machado. Era um machado. Empunhado por uma figura baixa e robusta. O anĂŁo de barba espessa havia se aproximado do Tori-san por trĂĄs e o decapitado com seu machado.
NĂŁo pode ser, pensou Haruhiro. NĂŁo deveria ser possĂvel cortar os ponchos deles. Isso nĂŁo se aplica a esse anĂŁoâao Branken?
â Wahahahaaaaaah! â Branken soltou uma risada rouca e perturbadora enquanto cortava cultistas ao meio, um apĂłs o outro, com o machado aterrorizante que segurava. Ele os cortava com facilidade.
à uma pergunta meio simples, mas esse machado é leve? Parece meio pesado, sabe? Como Branken consegue balançar um machado maior que ele tão facilmente? Porque ele é absurdamente forte? à assim que funciona?
Haruhiro estava distraĂdo com Branken, entĂŁo demorou um pouco para perceber, mas ele nĂŁo era o Ășnico que tinha aparecido. NĂŁo muito longe, havia uma mulher grande balançando uma espada massiva e, claro, derrubando cultistas um apĂłs o outro, ignorando completamente a propriedade de resistĂȘncia Ă s lĂąminas dos ponchos. Aquela era Kayo.
TambĂ©m havia um nĂșmero misterioso de cultistas caindo como moscas, embora nĂŁo tivessem sido cortados. Haruhiro se perguntou o que poderia ser, mas eram flechas. Elas estavam sendo disparadas diretamente no Ășnico olho deles.
De onde estĂŁo vindo as flechas? Ele se perguntou. Oeste, hein.
Provavelmente estavam vindo do oeste. Quando olhou naquela direção, avistou-o. O belo garoto elfo, com seu arco pronto para disparar. Era Taro.
O ex-mago baixinho, Gogh, e a bela maga, Miho, estavam atrås de Taro, com uma expressão de serenidade. O feitiço que havia sido lançado podia ter vindo de Gogh. Ou talvez fosse de Miho.
E entĂŁo…
â Desculpem. Estamos atrasados.
Aquele homem entrou. Desembainhando sua espada, era o ex-soldado voluntĂĄrio mais forte, o homem que era uma lenda indiscutĂvel.
â Aquele cara tem uma aura e tanto… â Ranta disse, com um gemido admirado.
Com certeza, pensou Haruhiro.
As pessoas costumam dizer que alguém com muita presença tem uma aura, mas isso pode ser como realmente seria uma aura.
â Akira-san! â AlguĂ©m chamou o nome dele.
â Ă o Akira-san!
â Akira-san estĂĄ aqui!
â Akira-san!
â Woo! Akira-san!
â Temos o Akira-san!
A atmosfera mudou num instante. Akira-san. Era o Akira-san. Toda a ĂĄrea foi tingida pelas cores de Akira-san! Envolvida pela sua aura!
Os cultistas estavam sendo derrotados em uma luta unilateral contra Branken, Kayo e Taro, e estavam em completo pĂąnico.
Oh, oh? O que Ă© aquele gigante branco de quatro metros? Ele estĂĄ se virando para o Akira-san, nĂŁo estĂĄ?
Akira-san era um homem grande, mas a diferença de tamanho entre ele e o gigante branco ainda era maior do que a de uma criança e um adulto. Mesmo assimâdroga, Akira-san parecia enorme. Por algum motivo, ele parecia maior que o prĂłprio gigante branco.
Bem, isso Ă© imprudente, pensou Haruhiro.
O gigante branco estupidamente tentou atacar Akira-san. Naturalmente, nunca teria chance de acertar. Akira-san se virou e evitou o golpe com tanta facilidade quanto ele poderia ter evitado uma borboleta voando, deixando o punho direito do gigante branco passar por ele. Com um leve movimento, de alguma forma, ele conseguiu se colocar logo atrĂĄs do gigante branco.
â E… agora! â Akira-san subiu no gigante branco. Ele nĂŁo escalou. Com a facilidade de quem sobe uma colina, Akira-san chegou aos ombros do gigante branco bem diante dos olhos deles.
Haruhiro estava assistindo aquilo acontecer, mas nĂŁo conseguia entender. Pode nĂŁo ter sido completamente vertical, mas foi um Ăąngulo incrivelmente Ăngreme. NĂŁo era insano que ele conseguisse escalar assim?
â Descanse em paz, tĂĄ bom? â Akira-san enterrou sua espada profundamente no Ășnico olho do gigante branco. De uma maneira bem despreocupada, tambĂ©m. Era como se ele quisesse dizer: Ei, ao menos lute um pouco.
NĂŁo que o gigante pudesse ouvi-lo se ele dissesse isso. Era tarde demais para isso.
O gigante branco desabou.
Pouco antes das costas do gigante branco tocarem o chĂŁo, Akira-san deu um salto no ar e aterrissou graciosamente.
â Bem, isso supera tudo â Tokimune riu, espantado. â Ele estĂĄ em uma dimensĂŁo completamente diferente da nossa, nĂŁo Ă©?
Realmente é outra dimensão, concordou Haruhiro. Existe tanta diferença assim entre nós?
â E daĂ?! â Tada ajustou os Ăłculos com o dedo indicador esquerdo, depois correu e desferiu seu martelo de guerra no Tori-san mais prĂłximo. â Eu vou criar uma nova dimensĂŁo por conta prĂłpria!
A cabeça do Tori-san e o Escudo espelhado com o qual ele tentou se defender foram esmagados, e ele desabou no chão.
â Yahoo! â Kikkawa pulou de alegria. â NĂŁo sĂł outra dimensĂŁo, mas uma nova, hein?!
Com essas palavras como sinalânĂŁo, isso definitivamente nĂŁo foi o que aconteceuâos soldados voluntĂĄrios começaram sua retaliação. Mas nĂŁo era uma simples retaliação. Era um ataque violento, uma contraofensiva massiva.
Afinal, a lendĂĄria equipe composta por Akira-san, Branken, Kayo, Taro, Gogh e Miho estava dizimando cultistas e gigantes brancos como se fossem ervas daninhas. Embora fosse menos perceptĂvel com os gigantes brancos, os cultistas pareciam ter emoçÔes e estavam claramente em choque e pĂąnico. Muitos deles jĂĄ estavam prestes a fugir. Os soldados voluntĂĄrios, encorajados pela chegada de Akira-san, se uniram e avançaram contra os inimigos.
As lanças dos Pansukes começaram a quebrar uma após a outra. As Lightning Sword Dolphins dos Tori-sans não pareciam tão assustadoras quando todos os atacavam ao mesmo tempo. Suas armas eram arrancadas de suas mãos e seus escudos espelhados eram esmagados. Gigantes brancos, tanto da classe de quatro metros quanto da classe de seis metros, estavam sendo abatidos um após o outro.
Haruhiro e os outros também derrotaram vårios cultistas. Especialmente Ranta e Kikkawa, que se empolgaram e começaram a agir de forma descontrolada.
Onde estava a batalha difĂcil que eles estavam enfrentando atĂ© agora? Haruhiro nĂŁo conseguia deixar de pensar que o problema nĂŁo era o inimigo em si, mas o fluxo dos acontecimentos. Com uma mudança de vento, tudo podia mudar drasticamente, como havia acabado de acontecer. Sendo assim, era totalmente possĂvel que eles fossem repentinamente empurrados de uma posição de vantagem esmagadora para uma desvantagem da qual nĂŁo conseguiriam se recuperar.
Isso estĂĄ… realmente certo? Haruhiro nĂŁo conseguia simplesmente ir com o fluxo e nĂŁo sabia o que fazer com aquilo. Bem, acho que estĂĄ tudo bem. Quando as coisas nĂŁo estĂŁo indo tĂŁo mal, talvez eu deva tentar seguir o ritmo.
â Vejo que vocĂȘ ainda estĂĄ inteiro, Haruhiro-kun â disse uma voz.
Haruhiro ficou chocado ao perceber que Akira-san estava bem ao seu lado. Akira-san guardou sua espada na bainha e cruzou os braços com uma expressão tranquila.
â Ah, Ă©, estamos b-bem, to-todos nĂłs… â Haruhiro respondeu, gaguejando. â Bem, pelo menos a minha party estĂĄ…
â Estamos testando algumas coisas com a party do Soma para ver se conseguimos fazer algo contra o deus gigante.
â Ah, Ă©? E…?
Akira-san balançou a cabeça. â Desde que ele ocupou aquela posição no meio da colina inicial, quase nĂŁo se moveu. Aquela coisa Ă© dura.
â Mesmo pra vocĂȘs?
â Ainda somos soldados voluntĂĄrios, assim como vocĂȘs. A Ășnica diferença Ă© que sobrevivi muito mais tempo do que vocĂȘ. Quando vocĂȘ vive o dobro do tempo, acaba ficando um pouco melhor em algumas coisas.
â Ă assim que funciona?
â Claro que Ă©. â Akira-san sorriu e acenou com a cabeça.
Esse cara estava emanando uma aura que pressionava todo o ambiente momentos atrĂĄs, mas agora parecia apenas um velho simpĂĄtico. Claro, isso nĂŁo era verdade.
â Sou apenas um velho â disse Akira-san. â Por causa da minha idade, sinto vontade de me intrometerâKuzaku-kun, olhe para isso por um momento.
Akira-san chamou Kuzaku, preparou seu escudo e sacou sua espada. Ele avançou, cobrindo metade do corpo com o escudo e, em seguida, desferiu um golpe diagonal em um Pansuke próximo. Até Haruhiro conseguiu entender o que ele estava fazendo. Era a habilidade Punishment do paladino. Mas Akira-san propositalmente interrompeu o movimento da espada pela metade e a puxou de volta. O Pansuke ficou encolhido, como se estivesse paralisado.
â Viu isso? Com a repetição suficiente, vocĂȘ tambĂ©m poderĂĄ fazer isso â disse Akira-san.
â Certo… â Kuzaku estava completamente imĂłvel, observando atentamente.
Eu mesmo poderia ter dito melhor, pensou Haruhiro.
Akira-san usou Punishment no Pansuke mais uma vez, mas dessa vez deixou o golpe acertar. Pelo menos, provavelmente era Punishment, mas parecia completamente diferente.
NĂŁo sei, parecia que era tudo um movimento sĂł.
Defender-se com o escudo, avançar e desferir o golpe com a espada. As trĂȘs açÔes haviam se fundido completamente em uma sĂł.
A espada de Akira-san cortou limpidamente o Pansuke, do ombro esquerdo atĂ© o quadril direito. Parecia que, ao atingir o nĂvel de Branken, Kayo ou Akira-san, os ponchos supostamente impenetrĂĄveis jĂĄ nĂŁo faziam diferença. Isso era algo que realmente poderiam alcançar apenas com repetição? Era difĂcil aceitar essa realidade de maneira simplista, mas Akira-san nĂŁo parecia ser o tipo que inventaria coisas para enganar os mais jovens e menos experientes.
â Tudo se resume ao que vocĂȘ constrĂłi ao longo do tempo. â Akira-san guardou sua espada novamente. â Ă experiĂȘncia. Sinta as coisas por si mesmo e construa com base nisso. Se tudo o que vocĂȘ fez foi aprender uma habilidade, ela Ă© apenas uma habilidade e nada mais. O verdadeiro poder estĂĄ em algum lugar alĂ©m disso. Agora, quanto a como vocĂȘ vai desenvolver esse instinto, bem, realmente, a repetição no campo Ă© a Ășnica maneira.
â Hmm â Gogh resmungou. â Ora, vocĂȘ estĂĄ soando bem convencido.
A bela maga Miho também estava lå. Mesmo que a situação estivesse a favor deles, ainda era uma batalha caótica, então por que aquelas pessoas estavam tão tranquilas, como se estivessem passeando no jardim de casa?
â Dar palestras nĂŁo combina com vocĂȘ, Akira-san â disse Gogh. â VocĂȘ nem Ă© o tipo de seguir teorias. O fato de querer ensinar essas coisas para os mais jovens pode ser uma prova de que vocĂȘ estĂĄ ficando velho.
â Pois Ă© â Akira-san deu de ombros. â Eu mesmo tenho consciĂȘncia disso.
â Ele ainda Ă© jovem â Miho riu, com um sorriso divertido.
â Bwuh! â Ranta pode ter imaginado algo estranho.
â M-Magia! â Shihoru se aproximou, segurando o cajado com força. â O-O que tem… a magia? Tem algum truque?
â Eu quero saber â Mimorin assentiu.
â Ei, espera aĂ â Anna-san olhou em volta, inquieta. â Ă mesmo seguro ficar tagarelando?! Ainda tem muitos, muitos inimigos por aqui, nĂ©?!
â Bem, acho que Ă© hora de trabalhar um pouco â disse Gogh, lançando um olhar para Shihoru e Mimorin. â Eu vou responder Ă sua pergunta enquanto isso. VocĂȘs sĂł estĂŁo na linha de partida da magia quando aprendem adequadamente todos os sĂmbolos elementais que podem pagar para a guilda ensinar. A partir daĂ, depende de vocĂȘs… Miho.
â Certo.
â Vamos lĂĄ.
Gogh e Miho começaram a caminhar. Akira-san os seguiu silenciosamente. Se algum inimigo os atacasse, Akira-san os derrubaria imediatamente.
Logo, os trĂȘs pararam. Eles estavam olhando para o gigante branco da classe de oito metros.
Gogh e Miho começaram a traçar o que pareciam ser sĂmbolos elementais com as pontas de seus cajados.
â De, he, lu, en, ba, zea, ruv, dag, na, mitoh, la, we, swa, va.
â Ne, ve, lu, shia, rass, fe, de, ge, hi, mina, sheh, kweh, du, il.
â Eu nunca vi isso antes â sussurrou Shihoru.
Era verdade. Haruhiro nunca tinha visto sĂmbolos elementais como aqueles antes, e o cĂąntico tambĂ©m era desconhecido. Parecia que a entonação era diferente das invocaçÔes que Shihoru ou Mimorin usavam, tambĂ©m.
O gigante branco da classe de oito metros, percebendo Gogh e Miho, olhou para baixo na direção deles. Logo em seguida, houve um som retumbante thuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuun que parecia tanto agudo quanto grave, e sua cabeça foi explodida.
â …Com um sĂł golpe â Mary ficou boquiaberta.
â Miau… â Yume piscou repetidamente.
â E, bem, hĂĄ inĂșmeros pontos que eu poderia cobrir, mas… â Gogh girou para encarĂĄ-los, passando a mĂŁo pelo cabelo com uma elegĂąncia artĂstica. â Mesmo depois de mudar de classe para sacerdote, consegui alcançar isso com bastante estudo. Mas, sozinho, eu nĂŁo teria conseguido o que acabamos de fazer. Libertamos um elemental e, em seguida, ativamos um poder alternativo. Essas coisas nĂŁo sĂŁo ensinadas na guilda. VocĂȘ tem que estudar por conta prĂłpria, fazer descobertas e refinar suas habilidades… Ufa, estou exausto.
De repente, Gogh abaixou a cabeça e colocou uma mão na testa. Parecia que ele poderia desabar a qualquer momento.
â Oh, cĂ©us â Miho estreitou os olhos e cobriu a boca com as mĂŁos.
â Estamos ficando velhos â Akira-san ofereceu apoio a Gogh. â Mas, no seu caso, seu corpo sempre foi fraco.
â …Cala a boca â resmungou Gogh. â Me deixa em paz.
â Queriiiidoooo…! â Kayo correu na direção dele, deixando um rastro de nĂ©voa de sangue por onde passava. â O que aconteceu?! VocĂȘ estĂĄ bem?! Querido?! Eu nunca vou te perdoar se vocĂȘ morrer antes de mim!
â Papai?! O que aconteceu com o senhor, papai?! NĂŁo morra! â Taro tambĂ©m correu para perto, com o rosto contorcido de angĂșstia.
â Escutem! Eu nĂŁo vou morrer tĂŁo facilmente! â Gogh gritou para eles, mas seu grito foi abafado pelo estrondo ensurdecedor do gigante branco de oito metros caindo pesadamente no chĂŁo.
Quem diria que o gigante branco da classe de oito metros, que tinha sido um problema tĂŁo grande, seria derrotado tĂŁo facilmente?
Os soldados voluntĂĄrios soltaram uma salva de palmas.
â Gwah, hah, hah, hah, hah! â Com uma risada aterrorizante, Branken apontou seu machado em direção ao outro problema. â Agora Ă© a sua vez! Prepare-se para morrer!
Haruhiro tentou engolir a saliva, mas sua boca estava seca, entĂŁo seu pomo de AdĂŁo apenas se moveu inutilmente.
A hidra também parecia ter sentido algo, pois ficou parada onde estava, com seus tentåculos se contorcendo. Não, não estavam apenas se contorcendo. Seus tentåculos se espalharam amplamente, como se estivesse tentando fazer seu jå enorme corpo parecer ainda maior.
â Muito bem. â Akira-san afastou-se de Gogh e sacou sua espada. â Primeiro, vamos ver do que ela Ă© capaz.
Iron Knuckle. Os Berserkers. Orion. Todos eles estavam entre os voluntĂĄrios de elite, mas nĂŁo se moveram, ou nĂŁo conseguiram se mover. Apenas Akira-san, Kayo e Branken se aproximavam da hidra.
Os cinco tentĂĄculos dispararam contra eles de uma vez. TrĂȘs em direção a Akira-san, e um em cada um dos outros, Kayo e Branken.
Eles sĂŁo rĂĄpidos. Mesmo com esse tamanho, sĂŁo tĂŁo rĂĄpidos assim?
Aos olhos de Haruhiro, parecia que estavam se movendo com uma velocidade comparĂĄvel a de uma pessoa brandindo uma espada. Ele pensou por um momento que nĂŁo havia como desviar.
Mas Akira-san deu apenas dois passos råpidos, Kayo avançou e Branken rolou para o lado, cada um evitando os tentåculos à sua maneira.
Akira-san foi para a direita da hidra, enquanto Branken foi para a esquerda. Kayo estava se aproximando diretamente, encurtando a distĂąncia.
A hidra balançava seus tentåculos. Parecia ter dois tipos de ataques com eles: balanços e estocadas verticais.
As estocadas pareciam possĂveis de esquivar, mas os balanços seriam mais difĂceis. Os tentĂĄculos tinham mais de dois metros de diĂąmetro. Se algo tĂŁo grosso e longo viesse contra eles Ă quela velocidade intensa, nĂŁo havia realmente para onde correr. Como Akira-san e os outros conseguiam desviar? Haruhiro nĂŁo conseguia imaginar.
Talvez eles consigam prever. pensou Haruhiro. Devem saber onde os tentĂĄculos nĂŁo podem alcançå-los. Provavelmente. Mas como descobriram isso? Ă um mistĂ©rio. Um grande mistĂ©rio. Sem observar por muito tempo e estudar, isso nĂŁo seria impossĂvel?
â NĂŁo, a menos que vocĂȘ seja o tipo de gĂȘnio que este mundo raramente vĂȘ â disse Gogh, parecendo ter lido o processo de pensamento de Haruhiro. â No fim das contas, a experiĂȘncia Ă© o que mais importa. Quando estamos enfrentando um inimigo que nunca vimos antes, claro que nĂŁo sabemos essas coisas tambĂ©m. No entanto, sempre hĂĄ algumas semelhanças, pontos em comum, com inimigos que enfrentamos antes. O que Ă© semelhante? O que Ă© igual? VocĂȘ nĂŁo pode lidar com eles se ficar se agonizando com essas questĂ”es. O que eu faço aqui? Qual a melhor chance? Seu corpo precisa se mover sozinho antes que vocĂȘ comece a debater consigo mesmo sobre o que fazer.
â E-Essa coisa… â Ranta resmungou. â Eles jĂĄ enfrentaram muitos inimigos parecidos com ela? Ă por isso que conseguem lutar assim, sem se importar?
â Tenho a impressĂŁo de que vai ser bem difĂcil. â Gogh deu de ombros. â Eles terĂŁo dificuldades. Sem acesso Ă magia de luz, estarĂŁo menos dispostos a arriscar.
â VocĂȘ diz isso como se nĂŁo fosse seu problema. â Miho franziu a testa, mas Haruhiro nĂŁo pĂŽde deixar de notar que ela tambĂ©m parecia completamente tranquila com a situação.
â NĂŁo tem onde atacar. â Taro abaixou seu arco, uma expressĂŁo de desagrado distorcendo seu belo rosto. â Odeio inimigos grandes. Queria poder ajudar a mamĂŁe…
Taro parecia mais jovem que Haruhiro e sua equipe, mas devia ter uma experiĂȘncia considerĂĄvel. Dado que estava viajando com Akira-san e sua party, isso era natural.
â Posso fazer uma pergunta? â Kuzaku perguntou hesitante.
Gogh olhou para Kuzaku, indicando com a expressĂŁo que ele deveria continuar.
â VocĂȘ disse âa menos que fossem gĂȘniosâ, mas… â Kuzaku perguntou exatamente o que Haruhiro queria saber. â NĂŁo seria um pouco exagerado dizer que Akira-san e os outros nĂŁo sĂŁo gĂȘnios?
Embora isso fosse verdade para Branken e Kayo tambĂ©m, era incrivelmente difĂcil acreditar nas coisas que Akira-san estava conseguindo. Ele começou focando em desviar dos tentĂĄculos atacantes, mas agora estava fazendo mais do que isso. Depois de desviar, ele atacava com sua espada. AlĂ©m disso, nĂŁo estava se aproximando da hidra lentamente? Provavelmente estava. NĂŁo, nĂŁo era apenas uma suposição, ele definitivamente estava se aproximando.
â Akira nĂŁo Ă© gĂȘnio â Gogh afirmou categoricamente, entĂŁo soltou uma risada maliciosa.
Ele só pode estar mentindo, Haruhiro pensou, incrédulo. Serå que o relacionamento deles estå distorcendo sua percepção?
â VocĂȘ estĂĄ certo â disse Miho instantaneamente.
Haruhiro começou a pensar que talvez não fosse o caso.
â Quando o conheci, ele era um covarde sem esperança.
â O cara ainda Ă© meio tĂmido, sabia? â Gogh concordou.
â Pode ser.
â Mesmo na nossa Ă©poca, havia muitos caras mais fortes que ele.
â Eu diria que Kayo era bem mais corajosa.
â Isso nĂŁo mudou.
â Minha mĂŁe Ă© a mais corajosa do mundo, e meu pai o mais sĂĄbio â declarou Taro com uma expressĂŁo tĂŁo sĂ©ria que era assustadora. â E eu sou o mais sortudo.
â VocĂȘ realmente os ama, nĂŁo Ă©? â Yume comentou com sinceridade.
â Claro que amo! â Taro gritou, arregalando os olhos. â Meu amor por mamĂŁe e papai nĂŁo perde para nada! Nunca! Jamais!
â NĂŁo acho que seja uma questĂŁo de ganhar ou perder â Gogh deu uma risada irĂŽnica enquanto afagava a cabeça de Taro. â De qualquer forma, a Ășnica coisa que posso te dizer com certeza Ă© que Akira nĂŁo Ă© um gĂȘnio. Mas ele sobreviveu. Isso graças a mim, Kayo, Branken, Taro e aos muitos amigos e camaradas que perdemos pelo caminho. Muitos guerreiros e paladinos talentosos e abençoados com aptidĂŁo caĂram, enquanto ele continuou. Ele nĂŁo sobreviveu porque era forte. O que o favoreceu? Se eu tivesse que resumir em uma palavra, seria sorte, acho. Porque ele teve sorte, sobreviveu e conseguiu se tornar forte.
NĂŁo foi apenas um ou dois casosâforam mais de duas dĂ©cadas acumulando sorte. Isso foi o que criou Akira-san.
O quĂŁo sortudo ele era? Mesmo uma Ășnica ocorrĂȘncia de azar poderia ter sido o suficiente para matĂĄ-lo, assim como aconteceu com Manato ou Moguzo.
Pensando por esse lado, se Manato ou Moguzo nĂŁo tivessem morrido quando morreram, teriam tido a chance de se tornar como Akira-san. Na verdade, tanto Manato quanto Moguzo tinham mais aptidĂŁo do que Haruhiro. O que significava que nĂŁo havia garantias de sucesso. Se um soldado voluntĂĄrio tivesse um pouco de azar, jĂĄ era. Ele morreria.
De qualquer forma, Akira-san era um dos poucos escolhidos.
â …Eu nĂŁo sou assim â murmurou Haruhiro.
Akira-san, Branken e Kayo estavam praticamente tocando a hidra. Os cinco tentåculos pareciam incapazes de alcançå-los.
EntĂŁo, de repente, os quatro tentĂĄculos que ela usava para se mover atacaram Akira-san e os outros. Enquanto Haruhiro foi pego de surpresa, Akira-san e os outros pareciam ter antecipado. Esquivando-se e tecendo entre os tentĂĄculos, Branken e Kayo recuaram, mas… Akira-san cravou sua espada na base dos tentĂĄculos.
Com isso como apoio, ele subiu. Era aquele mesmo estilo de escalada, como se estivesse andando por uma colina. Ele correu ao longo do tentĂĄculo.
â Ohh â Gogh estalou os dedos. â Havia uma força que Akira sempre teve. Seu senso de equilĂbrio. Isso Ă© uma coisa em que ele sempre foi acima da mĂ©dia.
â Ele tambĂ©m gostava de lugares altos â Miho riu.
â Deve ser um idiota. â Os cantos dos lĂĄbios de Gogh se curvaram para cima. â EstĂĄ quase na hora, nĂ©?
â Ă, vocĂȘ estĂĄ certo.
Hora de quĂȘ?
O tentĂĄculo tentou sacudir Akira-san. Akira-san saltou. Ele se impulsionou de um tentĂĄculo para outro e depois para mais outro. Akira-san desapareceu atrĂĄs dos tentĂĄculos.
â E-E-E-E-Ele vai ficar bem?! â Kikkawa gritou.
O corpo inteiro da hidra estremeceu.
â Gyahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! â Ela soltou um grito tremendo.
Se uma mulher de mais de dez metros de altura soltasse um grito, poderia ser tão alto quanto aquele. O som saiu da parte inferior da hidra junto com uma rajada de ar, agitando os tentåculos e fazendo-os balançar.
Akira-san rolou para fora de uma brecha entre os tentĂĄculos.
Gogh e Miho desenharam sigilos elementais com seus cajados e entoaram seus feitiços.
â Ea, zu, fa, nwe, meu, hoa, rahi, kweh, ba, ju, sai, le, cthu.
â Ni, fau, shin, dza, wao, iki, le, vu, duma, gis, qua, zu.
â TĂĄ quente?! â Haruhiro cobriu o rosto sem querer e se abaixou. O vento quente o atingiu como uma rajada. Ou talvez fosse mais preciso dizer que o varreu violentamente.
A hidra estava no centro disso. A hidra estava queimandoâNĂŁo, nĂŁo era isso. NĂŁo havia chamas subindo dela. Mas estava quente. Havia um incrĂvel redemoinho de ar quente atormentando os tentĂĄculos da hidra. Esse redemoinho parecia estar indo em direção ao nĂșcleo da hidra. Haruhiro e os outros estavam sendo pegos apenas no rastro. Mesmo assim, estava quente e assustador.
O que estava acontecendo? O que ia acontecer agora? O rastro mudou de direção de repente. Não estava mais soprando em sua direção. Agora estava sugando.
â Uwahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh?! â Ranta gritou.
â Yahooooooooooooooooooooooooooo?! â Kikkawa berrou.
Ranta, Kikkawa, calem a boca.
Eu sei como vocĂȘs se sentem, mas ainda assim.
â Kyaaaah?! â Shihoru gritou.
â Funyaaaaaaaaaaaaa?! â Yume choramingou.
â Yahhhhhhh?! â Mary gritou.
Shihoru, Yume e Mary estavam se abraçando.
â Que diabos?! â Kuzaku se jogou no chĂŁo.
â What the heeeeeeeeeell?! â Anna-san gritou.
Mimorin segurou a apavorada Anna-san, e por alguma razão, ela também tinha uma pegada firme em Haruhiro.
â NĂŁo, eu vou ficar bem, okay? â ele disse.
â SĂł por precaução!
Eu realmente vou ficar bem, e na verdade, Ă© mais difĂcil para mim quando vocĂȘ me segura assim. Pensando bem, Tokimune e Tada estĂŁo bem? AlĂ©m disso, onde estĂĄ Inui?
â Oh!
O vento mudou de direção novamente. Desta vez, não os empurrou nem puxou. Estava soprando de cima para baixo. A massa de ar quente estava pressionando e esmagando-os.
Haruhiro e sua party só estavam sendo atingidos com força suficiente para forçå-los a ficar de quatro, mas a hidra no centro da tempestade estava muito pior.
Sério?
A hidra estava sendo esmagada.
Os nove tentĂĄculos estavam prensados contra o chĂŁo, revelando a parte centralâseu corpo principal, talvez? Ou o tronco? Seja o que for, aquela parte que parecia uma enorme planta carnuda branca havia sido exposta, e o topo dela estava rangendo e afundando cada vez mais a cada segundo.
Que tipo de magia era essa? Magia Arve? Não pode ser magia Kanon, certo? Também não parecia ser magia Falz ou Darsh. Então, o que era? Lembro que o Gogh disse algo sobre liberar elementais e depois ativar um poder alternativo. Seria essa a verdadeira natureza dessa magia de redemoinho super quente e esmagadora?
Eventualmente, o vento quente diminuiu.
A enorme coisa branca que parecia uma planta carnuda parecia ter encolhido para metade do seu tamanho original. NĂŁo era possĂvel confirmar dali, mas o meio dela provavelmente estava bastante afundado.
A hidra nĂŁo se movia mais.
â Ela… morreu? â Ranta caiu de costas, meio fora de si.
â Estou exausto… â Gogh cambaleou.
â Papai! Aqui! â Taro colocou o arco e a aljava debaixo do braço, entĂŁo se agachou na frente de Gogh e lhe ofereceu as costas.
â Agora, ouça… Eu sou seu pai, entendeu? â Mesmo soltando o que parecia ser uma reclamação, Gogh descansou nas costas de Taro. Ele devia estar passando por maus bocados.
â Hee hee. â Miho, sorrindo, parecia nĂŁo estar tendo nenhuma dificuldade. SerĂĄ que ela era durona, alĂ©m de ser incrivelmente bonita? Ou o Gogh Ă© que era fraco demais?
â Acabou…? â Shihoru se agarrava a Yume, tremendo.
â Talvez? â Yume esfregou as costas de Shihoru de forma reconfortante.
â Eu espero que sim. â Mary se juntou a Yume para acalmar Shihoru.
â Ufa… â Kuzaku olhou para cima timidamente.
â JĂĄ estĂĄ seguro? â Mimorin perguntou.
Anna-san, que estava mexendo no peito exageradamente farto de Mimorin por algum motivo, inclinou a cabeça de lado, questionando-se.
SerĂĄ que Ă© aceitĂĄvel quando garotas fazem isso umas com as outras? Haruhiro se perguntou. NĂŁo que ele estivesse com ciĂșmes nem nada. â Q-Quem sabe…
Mas serĂĄ que realmente estava?
Haruhiro não tinha certeza, mas talvez tivesse gostado se Mimorin o soltasse. Ele estava prestes a falar isso, sentindo os seios de Mimorin pressionados contra ele, quando, não muito longe, Tada começou a gritar.
â NĂŁo, isso nĂŁo Ă© divertido! Eu me recuso a deixar que acabe assim tĂŁo fĂĄcil! Eu nem fiz nada ainda! NĂŁo morra, volte Ă vida jĂĄ!
Gyahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
â Kyaaaaaaaaaa! â Mimorin soltou um grito nada caracterĂstico e apertou Haruhiro e Anna-san com força. Ou melhor, estava o estrangulando. Ele nĂŁo conseguia respirar.
Socorro, Haruhiro pediu silenciosamente. Mas, bem, ele nĂŁo podia culpĂĄ-la por estar surpresa. Ele mesmo tinha ficado surpreso.
A hidra, que ele achava estar morta, soltou de repente outro rugido do fundo daquela grande parte branca que parecia uma planta carnuda. E, além disso, o som era mais alto e violento do que da primeira vez. Então, os tentåculos começaram a balançar loucamente.
Akira-san, Branken e Kayo estavam se afastando. Não era surpresa, porque a situação parecia bem perigosa. Os outros soldados voluntårios também estavam em pùnico, assim como Haruhiro e sua party.
â Hahahahahahahahaha! â Tada parecia empolgado. â Bom! Ă assim que eu queria! Me entretenha mais!
â Agora começa a segunda rodada, hein! â Tokimune parecia estar se divertindo.
Eles sĂŁo idiotas…?
â Kwa, do, roh, wo, su, eck, lue, rah, va, le. â Enquanto isso, Miho começou a lançar um feitiço.
Se tivesse que descrever com uma cor, seria roxa. Essa coisa roxa, que nĂŁo era nem uma chama nem um raio, explodiu na gigantesca parte branca da hidra, a parte que parecia uma planta carnuda, com um som rasgante. Ela foi cortada e dilacerada, espalhando uma substĂąncia parecida com muco por toda parte, e a hidra começou a convulsionar, mas vocĂȘ poderia dizer que foi sĂł isso. Mesmo assim, Miho parecia confiante. Ela nĂŁo apenas nĂŁo recuou, como avançou.
â Ah, lua, de, muo, su, vi, gwa, pa, le, tu, kia.
Dessa vez, era um verde escuro. A luz verde-escura piscava repetidamente e atingia a enorme parte branca. Ela perfurava. Riscava. Os tentĂĄculos se contorciam. A hidra se contorcia, espalhando muco por todos os lados, e entĂŁo…
â Ta, tu, rua, fa, yek, nie, she, la, stoa, ryu, kweh, wana.
HĂŁ? Mais? VocĂȘ vai lançar mais?
Um ponto rosa se formou acima da enorme parte branca da hidra que parecia uma planta carnuda. EntĂŁo ele caiu.
Shishishishishishishishishishishishishishishishishishishishishishishishi…
Espera, que tipo de som era aquele? O que era isso? NĂŁo estava claro, mas aparentemente vinha do ponto rosa que havia feito contato com a parte branca da hidra. O que era esse ponto rosa, afinal? Ele estava ficando maior.
O ponto nĂŁo era mais um ponto. Agora era uma esfera. Estava crescendo mais e mais.
Os tentĂĄculos se agitavam loucamente. Suas pontas batiam no chĂŁo. Como se estivesse dizendo, Espera, espera, espera, e tentando pedir um tempo.
Naturalmente, os soldados voluntĂĄrios nĂŁo iam esperar. Dar uma pausa era impensĂĄvel.
A esfera rosa estava apagando a parte branca da hidra, como se estivesse derretendo-a. Por fim, a esfera rosa entrou na parte branca da hidra.
Os nove tentåculos ficaram moles. A parte branca da hidra também parecia ter amolecido.
Miho parou e soltou um suspiro. EntĂŁo, ela deu uma risadinha. â Era teimosa e atrevida, entĂŁo eu a puni um pouco.
Haruhiro ficou chocado e se agarrou a Mimorin sem querer. Ela Ă© uma total sĂĄdica?
â Qual foi! â Tada gritou na cara de Miho. â Quando finalmente estava ficando interessante, vocĂȘ teve que estragar tudo!
â Oh, meu caro. Desculpe.
â Desculpe nĂŁo Ă© suficiente! Agora escute aquiâMurgh?!
…Uau. Haruhiro sabia que nĂŁo podia se surpreender com qualquer coisa, mas isso era realmente espantoso.
Os tentåculos da hidra de repente ficaram cheios de força. Os nove tentåculos se empurraram para fora do chão, e a hidra saltou para o céu.
Ela saltou.
HĂŁ, ela pode saltar?!
â Ah, droga! Afastem-se! â Akira-san gritou.
Era a primeira vez que ele ouvia uma urgĂȘncia na voz de Akira-san.
Akira-san, Branken, Kayo, Miho e Taro, que estava carregando Goghânenhum deles hesitou quando chegou a hora de correr. Foi quase estonteante a forma incrĂvel com que eles fugiram.
A hidra saltou. Voou no ar, balançando seus tentåculos.
Tokimune e Tada também recuaram.
â Mimorin, solte! â Haruhiro se soltou do aperto restritivo de Mimorin. â P-P-P-P-Precisamos sair daqui rĂĄpido!
â Precisamos, sim! â Anna-san gritou.
â Sim! â Mimorin começou a andar, carregando apenas Anna-san.
O restante de seus companheiros também fugiu. Era como uma competição para ver quem poderia correr primeiro. Eles precisavam se afastar da hidra.
Haruhiro continuou movendo as pernas enquanto expressava todos os sentimentos que não conseguia converter em palavras dentro da sua cabeça. Ranta, Mary, Kuzaku, Yume, Shihoru. Todos estão bem. Kikkawa, Tokimune e Tada, também. Inui ainda estå desaparecido, mas quem se importa com ele? E quanto Iron Knuckle, os Berserkers e Orion? Parece que se dispersaram, talvez?
Por sua vez, Haruhiro ainda estava seguindo Akira-san e os outros. Isso estava certo? NĂŁo estava? Ele nĂŁo tinha ideia. NĂŁo conseguia decidir.
De repente, a hidra parou de pular.
Ela estĂĄ vindo.
Ela cravou todos os seus nove tentåculos no chão com força, avançando em uma investida desenfreada.
â Wawawawawawawawaaaaa?! â Haruhiro surtou e começou a balbuciar incompreensivelmente em pĂąnico.
Ferrou? Deu merda, nĂ©? Hein? Eu estraguei tudo? Fiz a coisa errada? Quero dizer, parece que a hidra estĂĄ vindo para cĂĄ. Ela estĂĄ mirando na party de Akira-san? Se estiver, deverĂamos nos separar deles?
â De, he, lu, en, ba, zea, ruv, ah, tu, la! â Gogh, que estava sendo carregado por Taro, virou-se e começou a entoar encantamentos enquanto desenhava o que pareciam ser sigilos elementais com seu cajado.
Boooooooom!
Houve uma explosão diretamente sob a hidra, lançando uma enorme quantidade de grama e terra no ar.
A hidra perdeu o equilĂbrio. Isso foi porque seu ponto de apoio foi destruĂdo com magia. Eles precisavam ganhar o mĂĄximo de distĂąncia possĂvel dela agora. Mas de que adiantaria essa distĂąncia? O que iria acontecer? Ela nĂŁo iria eventualmente alcançå-los? O que fariam se isso acontecesse?
Por enquanto, tudo o que podemos fazer é correr o mais råpido que pudermos, pensou Haruhiro. Se a hidra realmente estå atrås da party de Akira-san, isso não é bom. Não sei como explicar, mas, sabe, existem maneiras melhores de lidar com isso. Tipo, se eu estou pensando na nossa segurança, poderia dizer que só hå uma opção.
Se Haruhiro fosse totalmente honesto, ele achava que o melhor seria nĂŁo seguir a party de Akira-san. Do jeito que as coisas estavam agora, eles estavam na linha reta entre a hidra e a party de Akira-san, e nĂŁo queriam estar lĂĄ. Talvez fosse melhor mudarem de rota e agirem de forma independente.
Eu me sentiria culpado por fazer isso, no entanto. Além disso, não é absolutamente certo que Akira-san e os outros sejam o alvo da criatura. E se não forem? Se ela se virar e nos seguir quando nos afastarmos de Akira-san e os outros, seria um desastre total. Akira-san e sua party não poderiam ajudar, e, bem, seria o nosso fim.
Dito isso, eu tenho quase certeza de que a hidra estĂĄ atrĂĄs de Akira-san e sua party.
Devemos arriscar?
NĂŁo parece uma mĂĄ aposta, mas eu nĂŁo consigo me comprometer totalmente com isso. Eu deveria decidir mais cedo ou mais tarde. Sou tĂŁo indeciso. Odeio isso.
No final, Akira-san e sua party não vão resolver as coisas de alguma forma? à isso que estou pensando? Não posso dizer que essa ideia não passou pela minha cabeça. Isso é basicamente deixar os meus problemas para outra pessoa, não é? Acho que hå algo de errado nisso. Isso estå certo? Não posso dizer que estå, né?
Mesmo em sua indecisão, ele continuava correndo diligentemente quando algo passou na direção contråria.
â HĂŁ? â Haruhiro percebeu. A outra… direção?
Sim. NĂŁo havia dĂșvida. Algo correu em sua direção e entĂŁo passou direto por Haruhiro.
Haruhiro se virou para olhar.
Aquela coisa estava coberta por uma armadura preta.
Ela era justa, parecia leve e era toda preta, mas o que era aquela luz alaranjada que saĂa aqui e ali? Como isso funcionava? Havia uma espada curta e curva, ou melhor, uma katana, em um dos quadris da figura, e uma katana bem longa em suas costas. A pessoa alcançou a katana com uma mĂŁo enquanto continuava correndo. Indo direto em direção Ă hidra.
â Soma… â Haruhiro acidentalmente disse o nome dele, sem o honorĂfico.
Ele ficou ali parado, em transe.
Era Soma.
A hidra estava avançando em direção a eles, e Soma corria na direção oposta, então era certo que os dois se encontrariam.
SerĂĄ que… ele vai ficar bem?
Seria mentira dizer que nĂŁo estava preocupado, mas por algum motivo, Haruhiro nĂŁo conseguia imaginar Soma sendo morto.
A hidra levantou seu enorme corpo com os tentåculos e então se lançou contra Soma.
Soma nĂŁo parou, nem sequer diminuiu o ritmo.
Ele sacou a katana.
Haruhiro conseguiu ver tudo até esse ponto. Mas o que ele fez depois?
Os olhos de Haruhiro estavam bem abertos, e ele observava atentamente, mas ainda assim, nĂŁo conseguia entender.
SĂł sabia que dois dos tentĂĄculos da hidra foram cortados e voaram pelo ar.
A hidra aterrissou com um baque ensurdecedorâmas e quanto a Soma?
Haruhiro foi finalmente tomado pela incerteza. SerĂĄ que Soma foi esmagado?
Os tentĂĄculos da hidra se contorciam e se enrolavam enquanto a criatura tentava virar-se. Isso significava que Soma estava ali? SerĂĄ que ele deslizou por debaixo da hidra? Ou algo assim?
Enquanto Haruhiro ainda estava em suspense, sem saber ao certo o que havia acontecido, a hidra saltou para a esquerda.
Ali.
Aquele Ă© Soma.
Ele estava balançando sua katana. Aquela katana é longa. Por que ela parece tão mais longa do que quando estava presa às suas costas?
Seja como for, os golpes de Soma estavam fazendo a hidra hesitar. Ele estava enfrentando aquela criatura gigantesca em um combate corpo a corpo, e era ele quem a estava empurrando para trĂĄs.
Ă estranho. Isso simplesmente nĂŁo parece certo. O que estĂĄ acontecendo?
â Agora, veja, quando vocĂȘ usa a palavra âgĂȘnioâ… â A prĂłxima coisa que ele notou foi Gogh ao seu lado, ainda sendo carregado nas costas de Taro. â Esse Ă© o tipo de cara de quem vocĂȘ estĂĄ falando. Ele sĂł estĂĄ ativo por um quinto do tempo que nĂłs estamos. E mesmo assim, ele consegue fazer isso. Talento Ă© uma coisa cruel e aterrorizante.
IncrĂvel, pensou Haruhiro. Os rumores sobre ele nĂŁo eram apenas conversa fiada. Soma jĂĄ havia salvado suas vidas antes, tambĂ©m. Ele nĂŁo era chamado de o mais forte Ă toa.
Haruhiro sabia disso. Ou achava que sabia. Mas deve ser que ele nĂŁo entendia verdadeiramente o que isso significava.
Aquela katana devia ser especial de alguma forma. Sua armadura parecia esconder algum poder secreto que transcendia o conhecimento humano. Mesmo assim, Soma era um ser humano de carne e osso. Ele tinha que ser.
Ele era realmente humano, igual a todos eles? Era difĂcil de acreditar.
Soma estava empurrando a hidra para trĂĄs com uma Ășnica katana. Como ele estava cortando aqueles tentĂĄculos de mais de dois metros de espessura? Haruhiro nĂŁo tinha ideia. Era claramente impossĂvel. Mas Soma estava fazendo isso.
à provåvel que Haruhiro não estivesse alucinado; o que presenciava era, de fato, a realidade. Uma realidade que ultrapassava sua compreensão e sua capacidade de imaginação. Na verdade, não havia como ele conceber algo desse tipo.
Se ele dissesse: Um dia, eu vou empunhar uma katana e derrubar um monstro do tamanho de um prédio de dois andares, as pessoas com certeza ririam dele. Haruhiro faria o mesmo, é claro. Se alguém ao seu redor dissesse algo assim, ele pensaria: Que idiota.
SerĂĄ que pessoas como Soma, que tornavam esses sonhos ridĂculos realidade, eram os verdadeiros gĂȘnios?
Gogh estava certoâera cruel. NĂŁo havia como fechar essa lacuna, muito menos superĂĄ-la. Era como a diferença entre a lua e uma bola. Claro, ambas eram redondas, mas tentar comparar as duas era inĂștil. Simplesmente eram diferentes demais.

Mesmo as coisas que vinham à mente quando ele pensava sobre isso eram tão ordinårias que Haruhiro só queria desaparecer. Ele sempre soube que era comum, então não ficava frustrado com isso, mas ainda assim o fazia se sentir vazio. Se ele tivesse pensado que tinha potencial para ser alguém e estivesse mirando o topo, o choque provavelmente o deixaria incapaz de se recuperar.
Ele estava feliz por ele e todos os outros reconhecerem sua mediocridade. Graças a isso, ele sĂł precisava lidar com esse sentimento de impotĂȘncia.
â Soma! â gritou uma criatura de beleza e elegĂąncia sobre-humanas enquanto passava correndo por Haruhiro.
Era natural que ela parecesse inumana. Ela nĂŁo era humana.
Ela é uma elfa. Bem, Taro também é um garoto extraordinariamente bonito. Talvez a raça élfica só tenha gente bonita? De qualquer forma, a beleza dela se destacava. Aquela pele clara dela deveria ser contra as regras. E ela tinha cabelo prateado também. O jeito que os olhos dela brilhavam, pareciam exatamente como joias. Quanto ao seu corpo, ou melhor, sua figura e musculatura, elas não eram nem humanas. Tipo, a cabeça dela é tãoooo pequena. O jeito que ela corre também é diferente. Os passos dela são muito mais leves do que os de um humano. à menos como se ela estivesse impulsionando-se do chão, e mais como se estivesse deslizando sobre ele.
â VocĂȘ estĂĄ correndo sozinho de novo! â Lilia sacou uma espada fina que combinava bem com ela e investiu direto contra a hidra.
Ela era uma dançarina de espada. Era realmente como se ela estivesse dançando. Lilia rodopiava ao redor dos tentåculos, fazendo sua espada dançar. Em vez de cortar os tentåculos com a espada, parecia que ela os cortava com o movimento da espada e de seu corpo. Mesmo que ela não conseguisse cortå-los completamente como Soma, Lilia definitivamente estava ferindo os tentåculos que atacava. Naturalmente, eles não conseguiam tocå-la. Ela nunca deixava nada chegar perto dela.
Enquanto Haruhiro prendia a respiração, observando intensamente as magnĂficas e sublimes tĂ©cnicas de espada da elfa, ele ouviu alguĂ©m soltar um suspiro que parecia um bocejo. Quando olhou para o lado, o homem grande com dreads passou por Haruhiro com passos relaxados, mas incrivelmente largos.
Kemuri era um paladino, assim como Akira-san, Tokimune ou Kuzaku. Naturalmente, isso significava que ele tinha um escudo nas costas, mas a espada muito longa que ele carregava diagonalmente sobre as costas chamou a atenção de Haruhiro primeiro.
Kemuri se aproximou da hidra lentamente, puxando a espada com as duas mĂŁos.
NĂŁo importa o quĂŁo bom ele seja, isso nĂŁo Ă© um pouco descuidado demais?
Um dos tentåculos mirou em Kemuri. De cima e de lado, desceu diagonalmente em direção a ele.
â LĂĄ vai! â Kemuri nĂŁo se esquivou. Ele encontrou o tentĂĄculo com sua espada. â Ho!
Quando colidiu com a espada, o tentåculo foi rasgado ao meio. Como aquilo funcionava? Ele havia acabado de vencer uma disputa de força bruta contra um tentåculo de mais de dois metros de espessura.
â Se ele faz essas coisas, fico surpreso que suas costas nĂŁo doam. â Akira-san estava acariciando o queixo, jĂĄ em modo espectador.
Esse Ă© o problema aqui?
â VocĂȘ tem dores nas costas, afinal. â Miho esfregou as costas de Akira-san.
â Hmph! Eu tambĂ©m poderia fazer isso… â Branken estava com o machado no ombro, parecendo que estava fazendo uma pausa tambĂ©m.
â Eu passo, Obrigada. â Kayo caminhou atĂ© Gogh, pegou seu marido e o carregou nos braços como se ele fosse uma princesa. â VocĂȘ fez um bom trabalho. Deve estar cansado de usar tanta magia, nĂŁo Ă©, querido?
â …Nem estou tĂŁo cansado assim, entĂŁo pare de me carregar desse jeito.
â Nessa idade, o que vocĂȘ tem para se envergonhar? â Kayo perguntou.
â Ă exatamente por causa da minha idade que isso Ă© tĂŁo embaraçoso. Me pĂ”e no chĂŁo!
â Eu nĂŁo quero.
â Droga!
Enquanto observava aquele casal tão próximo que fazia qualquer um que visse se sentir envergonhado por eles, o filho élfico deles usava um sorriso verdadeiramente satisfeito.
â Oh, minha nossa. Ă a Shima-chan â disse Miho. Olhando na mesma direção que ela, Haruhiro viu a sensual oneesan caminhando graciosamente em sua direção.
â OlĂĄ â disse Shima com um aceno de cabeça. â Como estĂĄ a situação aqui?
â EstĂĄ mais difĂcil do que pensĂĄvamos. â Akira-san inclinou um pouco a cabeça para o lado. â Parece que nĂŁo conseguiremos apenas atingir o ponto fraco e terminar rapidamente. Vamos ter que desgastĂĄ-la. Onde estĂĄ o Pingo-kun?
â Ele estĂĄ seguindo de perto o deus gigante. Zenmai tambĂ©m. Ele estĂĄ com Pingo desde que voltou, quando nĂŁo conseguiu mais liderar a hidra.
â VocĂȘ acha que Lala e Nono fugiram? â Akira-san perguntou.
â Eu me pergunto â Shima disse. â NĂŁo dĂĄ para prever esses dois.
â Acho que teremos que cuidar da hidra primeiro.
â Se algo acontecer, eu te curo â disse Shima. â NĂŁo que eu ache que vĂĄ acontecer.
â NĂŁo, eu vou contar com vocĂȘ. Quero dizer, jĂĄ estou ficando velho, afinal. Eu poderia escorregar a qualquer momento.
â SĂł pode estar brincando.
â Estou falando sĂ©rio. â Akira-san deu um longo suspiro. â Branken, Kayo, hora de voltar ao trabalho.
â Muito bem. â Branken acariciou a barba, com um fogo queimando em seus olhos.
â Querido, me espere, tĂĄ? â Kayo colocou Gogh no chĂŁo, entĂŁo girou os braços em cĂrculos para aquecer.
â Eu tambĂ©m vou ajudar! â Taro preparou seu arco.
Eles estĂŁo realmente fazendo isso… Bem, acho que era de se esperar, nĂ©? Quer dizer, parece que Soma, Lilia e Kemuri conseguiriam derrotar aquela coisa sozinhos, pensou Haruhiro. NĂŁo havia nada que ele e os outros pudessem fazer, entĂŁo talvez fosse melhor ficar apenas assistindo o final da luta de camarote. Ou melhor, eles nĂŁo tinham outra escolha a nĂŁo ser fazer isso.
Tada falou: â Vamos roubar o brilho deles, Tokimune.
â Vamos nessa, Tada!
Tada e Tokimune estavam prontos para agir, e Iron Knuckle, os Berserkers e Orion também pareciam ver esse como o momento para virar o jogo, mas Haruhiro não tinha a menor intenção de se meter.
Apesar disso, Ranta disse: â O-O-O-O-Okay, eu tambĂ©m! â com a voz trĂȘmula. Ele era um caso perdido.
â TĂĄ bom, vai lĂĄ entĂŁo â respondeu Haruhiro.
â Espera, vocĂȘ nĂŁo vai me impedir?! Droga, seus olhos de peixe morto! â gritou Ranta.
â Meus olhos nĂŁo tĂȘm nada a ver com isso…
â Claro que tĂȘm, seu idiota! Esse seu olhar me dĂĄ arrepios! â gritou Ranta.
â Akira-san e os outros estĂŁo indo sem vocĂȘ, sabia? â disse Haruhiro.
â Uou, Ă© verdade! Perdi a chance! Cara, jĂĄ era. Que pena, nĂ©? NĂŁo posso ir mais. Tudo culpa sua, Parupiro.
â Minha culpa, nĂ©…
Enquanto pensava, Por que vocĂȘ nĂŁo vai logo e se joga contra a hidra, Haruhiro olhou ao redor. NĂŁo havia como ele lutar contra a hidra, mas ainda poderia haver cultistas ou gigantes brancos vindo. Se necessĂĄrio, eles poderiam lidar com alguns desses.
Ă isso mesmo. Tenho que me concentrar. NĂłs, pessoas normais, precisamos fazer coisas normais. Isso Ă© o suficiente, ou melhor, Ă© tudo o que podemos fazer. Mesmo sendo medianos, nĂŁo vamos deixar nossas habilidades enferrujarem, sabe? Quero dizer, se deixĂĄssemos, serĂamos ainda piores que medianos.
â …Espera? Aquilo Ă©…? HĂŁ…? Espera aĂ… Yume?
â Miau? â perguntou Yume.
â Ei, ali… â Haruhiro apontou para o sul. â Quer dizer, pode ser coisa da minha cabeça, mas…
â HĂŁ? Puxa vida. Tem algo ali â concordou Yume. â NĂŁo tenho certeza, mas talvez seja uma hidra?
â Ă, eu tambĂ©m pensei isso. Parece… â Haruhiro entrou em pĂąnico e olhou novamente. â I-Isso parece uma hidra, nĂ©?! Parece uma h-h-hidra, certo?! NĂŁo Ă©?!
â Outra?! â Mary estremeceu.
â NĂŁo pode ser… â Shihoru estava tremendo.
â HĂŁ? Isso nĂŁo Ă© ruim? â Talvez por causa do cansaço, a postura de Kuzaku estava pior do que o normal.
â VocĂȘ tĂĄ brincando… â Ainda sob o braço de Mimorin, Anna-san protegeu os olhos com uma mĂŁo e olhou para a distĂąncia. â Mas que droga?! No way!
â Ah, nĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, nĂŁo! â Ranta apontou a ponta de sua Lightning Sword Dolphin para Haruhiro. â Isso Ă© tudo culpa sua, cara! Eu te culpo!
â O que foi isso? â Mimorin disse em um tom monĂłtono e deu uma pancada na cabeça de Ranta com seu cajado.
â Urgh… â Ranta se agachou de dor.
â Cara! â Kikkawa tentou fazer uma piada por algum motivo. â Tipo, isso nĂŁo Ă© o fim do mundo? AtĂ© eu tenho que admitir derrota depois de ver isso!
â Hm… â Gogh parecia estar pensando nisso.
â Bem, essa Ă© uma situação complicada â Miho falou em um tom que nĂŁo parecia sĂ©rio o suficiente, considerando a gravidade da situação.
SerĂĄ que Ă© porque ela Ă© bonita demais? Haruhiro se perguntou. Ou isso nĂŁo tem nada a ver?
â Tinha outras, hein â Shima disse com a testa franzida de um jeito que, numa palavra, parecia sedutor.
Espera aĂ, por que essas pessoas estĂŁo agindo tĂŁo tranquilas? Ă experiĂȘncia? Esse tipo de crise nĂŁo significa nada para eles? Talvez pensem que vĂŁo conseguir sair dessa de qualquer jeito?
â A-A-Akira-san! â Haruhiro correu atĂ© ele.
Akira-san estava prestes a atacar a hidra. Mesmo assim, ele notou Haruhiro e se virou para ele.
â O que foi, Haruhiro-kun?
â I-Isso Ă© ruim! Tem uma hidra! â Haruhiro olhou mais uma vez para o sul, depois para o leste e oeste.
Ele quase ficou sem palavras.
NĂŁo, eu nĂŁo posso me perder agora. NĂŁo nesse momento.
Não era só o sul. Foi uma boa ideia ter olhado para o leste e oeste também. Foi bom? Ele não sabia dizer. Mas os fatos eram os fatos.
â T-T-T-T-Tem mais vindo! Eu vejo uma, duas… trĂȘs ou quatro?! Algo assim!
â O que vocĂȘ disse? â AtĂ© Akira-san ficou surpreso com a notĂcia, mas aparentemente nĂŁo a ponto de ficar chocado. Ele deu uma rĂĄpida olhada ao redor, depois levantou a espada bem alto. â Miho, Gogh, mantenham-me informado da situação. A todos os soldados voluntĂĄrios confiantes em suas habilidades! Sigam-me e Soma! NĂŁo fiquem para trĂĄs! A vitĂłria pertencerĂĄ a quem a conquistar!
Com o lendĂĄrio homem os incentivando, os soldados voluntĂĄrios rugiram em unĂssono.
Haruhiro ficou perplexo. Huh? Ă sĂ©rio isso…? Dessa vez, ele realmente ficou sem palavras e permaneceu ali em choque.
NĂŁo, bem… Se Akira-san diz isso… Ă© a resposta certaâEu acho. Provavelmente.
A hidra original jĂĄ havia sido empurrada ao limite por Soma e os outros, restando apenas trĂȘs tentĂĄculos completamente intactos. Ela usava esses tentĂĄculos para saltar e correr. Assim que os tentĂĄculos restantes fossem cortados, nem isso ela conseguiria mais fazer.
Aquela hidra seria derrotada em breve. Mesmo que surgissem novas hidras, isso nĂŁo mudaria a situação. Eles poderiam derrubĂĄ-las uma de cada vez. Akira-san devia estar confiante sobre isso. Se ele tinha Soma e os outros ao seu lado, eles poderiam vencĂȘ-las. Ele devia ter tomado sua decisĂŁo levando tudo isso em consideração.
Haruhiro usou a parte de trĂĄs da mĂŁo para limpar a ĂĄrea em volta da boca e olhou ao redor.
Hidras.
Havia uma ao sul, uma a leste e uma a sudoeste. Isso fazia trĂȘs que ele conseguia ver. Mas nĂŁo podia dizer com certeza que nĂŁo viriam mais. AlĂ©m disso, como ele jĂĄ esperava, nĂŁo eram sĂł as hidras. Ele avistou gigantes brancos tambĂ©m. E cultistas. Com certeza, parte deles viria para atacar os soldados voluntĂĄrios.
Serå que eles estão planejando uså-los? O pensamento passou pela cabeça de Haruhiro de repente.
Entre Soma, Akira-san e suas party, eles poderiam derrotar as hidras. Não precisavam da força dos outros soldados voluntårios. Apesar disso, Akira-san havia incentivado todos a ficarem. Se os inimigos menores se envolvessem na luta, isso complicaria as coisas. Serå que eles estavam planejando usar os outros para lidar com esses pequenos?
NĂŁo, nĂŁo, Akira-san nĂŁo era esse tipo de pessoa. Pelo menos, era a sensação que Haruhiro tinha. Akira-san era um grande homem e uma boa pessoa. Ele nĂŁo usaria os outros como peĂ”es descartĂĄveis. Ele era tĂŁo compreensivo e atencioso com os outros, completamente perfeitoâ
SerĂĄ mesmo?
Ele costumava ser um covarde. Isso foi o que Miho havia dito. Embora ele nĂŁo parecesse nada com isso agora.
Akira-san parecia tĂŁo gentil. Era forte, confiĂĄvel, e se algo acontecesse, parecia que ele protegeria todos, como um paiâmas seria mesmo?
Akira-san nĂŁo era do tipo genial. Houve outros mais talentosos que ele, mas todos morreram. Akira-san sobreviveu e se fortaleceu. Isso foi o que Gogh tinha dito.
Como Akira-san sobreviveu? Não teve, por vezes, que tomar decisÔes duras, até frias? Não foi por isso que ele ficou mais forte e sobreviveu?
Haruhiro se virou e, tentando parecer o mais casual possĂvel, perguntou a Gogh: â Quantas perdas vocĂȘ acha que teremos?
â Oh, vocĂȘ Ă© desse tipo, hein. â Gogh levantou uma sobrancelha. â Isso Ă© um pouco inesperado.
â O que vocĂȘ quer dizer?
â Eu achei que vocĂȘ fosse mais emocional. NĂŁo te conheço tĂŁo bem, entĂŁo era sĂł uma impressĂŁo. Se vocĂȘ consegue calcular as perdas com calma, pode estar mais apto a ser um comandante do que eu pensava.
â …VocĂȘ ainda nĂŁo respondeu minha pergunta.
â Ă questĂŁo de sorte. â Gogh girou o dedo indicador em cĂrculos. â Se a nossa sorte for ruim, atĂ© nĂłs podemos morrer. Ă assim que funciona. NĂŁo tem como dizer quantos vĂŁo morrer. Claro, eu nĂŁo planejo morrer aqui. Se vocĂȘ quer sobreviver, sugiro que fique ao nosso lado.
â Isso nĂŁo estĂĄ certo â disse Haruhiro.
â Huh?
â NĂŁo estĂĄ certo. â Haruhiro suspirou.
Sinto como se o sangue estivesse subindo à cabeça. Não fique emocional. Não estou bravo. Só que, não é isso, pensou.
â Se vocĂȘ diz que sobreviveu por sorte, sĂł pode falar isso em retrospectiva â ele disse. â Na verdade, hĂĄ muitos fatores envolvidos, nĂŁo acha? VocĂȘ chamaria ser usado como um peĂŁo descartĂĄvel por outra pessoa de sorte? Eu nĂŁo vejo dessa forma. Eu tenho casos em que penso: âEu sĂł sobrevivi graças Ă quele caraâ, ou âEu teria morrido se as coisas tivessem acontecido de outra formaâ. Isso nĂŁo Ă© sorte. Ă graças a alguĂ©m, ou algo.
â E daĂ? â Gogh sorria levemente. â O que vocĂȘ quer dizer com isso?
â Eu nĂŁo sei se consigo expressar isso muito bem, mas…
â Vai direto ao ponto. Odeio rodeios.
â S-SĂł… Eu estava pensando, nĂŁo seria possĂvel tentar minimizar o nĂșmero de pessoas que morrem? Sim, tenho certeza de que os fortes podem sobreviver. Pode significar que os que sobrevivem sĂŁo fortes. Mas, mesmo que sejam fracos, ou azarados, as pessoas ainda estĂŁo vivas, nĂŁo estĂŁo?
â Por que deverĂamos nos dar ao trabalho de cuidar dos fracos e azarados? â perguntou Gogh.
â Eu nĂŁo acho que vocĂȘs tĂȘm que cuidar deles…
â Exatamente. NĂŁo somos filantropos, e nĂŁo estamos administrando uma instituição de caridade aqui.
â A-Ainda assim, se houver algo que vocĂȘ possa fazer, por favor, faça.
â Para quĂȘ? â Gogh perguntou.
â Quero dizer, se eles morrerem, acabou tudo!
Haruhiro mordeu o lĂĄbio e balançou a cabeça. Se ele fosse mais inteligente, talvez pudesse ter elaborado um argumento convincente e persuadido Gogh. Ou serĂĄ que o pensamento de Haruhiro estava errado desde o inĂcio?
â Quando vocĂȘ morre, nĂŁo sobra nada â ele explicou. â Pelo menos para aquela pessoa, todas as possibilidades sĂŁo fechadas. EntĂŁo, Ă© tĂŁo estranho que eu queira que o menor nĂșmero possĂvel de pessoas morra? Se nĂŁo houver outro jeito, tudo bem, mas se houver algo que vocĂȘ possa fazer, acho que deve fazĂȘ-lo. Desconsiderar pessoas que vocĂȘ nĂŁo conhece como se fossem apenas uma ferramenta Ă© simplesmente a opção mais fĂĄcil.
â EstĂĄ dizendo que devemos deliberadamente escolher o caminho mais difĂcil? â Gogh exigiu.
â Acho que seria melhor assim.
â VocĂȘ Ă© tĂŁo ingĂȘnuo. â Shima riu. â Mas nĂŁo me importo com isso.
â Mas, Haruhiro-kun. â Miho olhou diretamente nos olhos de Haruhiro. â O que vocĂȘ pode fazer? VocĂȘ nĂŁo quer sacrifĂcios. Isso Ă© bom, mas o que pode fazer a respeito?
â NĂŁo, isso…
Era um olhar estranhamente intenso. Haruhiro quase olhou para baixo, mas conseguiu nĂŁo fazer isso de alguma forma. Com os olhos semicerrados, ele mal conseguiu sustentar o olhar de Miho. Foi o melhor que pĂŽde fazer.
â NĂŁo… nĂŁo hĂĄ nada que eu possa fazer. Na verdade, se houvesse, eu jĂĄ estaria fazendo. Ă por isso que estou pedindo ao Gogh-san.
â Oh… â Os olhos de Miho se arregalaram um pouco.
â VocĂȘ Ă© um absurdo â Gogh franziu a testa e deu de ombros. â NĂŁo acho que essa sua honestidade seja uma virtude. Nem um pouco. Mas Ă© algo que, em algum momento, perdemos. Ă bom voltar Ă s nossas raĂzes de vez em quando.
â Os instintos de Soma podem ter estado certos, sabe. â Com essas palavras misteriosas, Shima se inclinou perto de Haruhiro. Algo cheirava incrivelmente bem.
Espera, ela nĂŁo estĂĄ perto demais?
â Estamos procurando uma maneira de voltar ao nosso mundo original. â Sua voz era quase um sussurro.
Haruhiro tapou os ouvidos e recuou instintivamente. â …HĂŁ? Original? O que vocĂȘ quer dizer, uma maneira de voltar…?
â Esqueça isso por enquanto. â Shima levou o dedo indicador aos lĂĄbios entreabertos. â Falaremos sobre isso outra hora. Primeiro, temos que sair daqui, certo?
â Isso foi ideia sua â Gogh disse, pressionando um dedo na testa de Haruhiro. â Mesmo que vocĂȘ nĂŁo possa fazer nada, se tentar apenas fugir, eu nĂŁo vou tolerar. VocĂȘ vai ficar conosco atĂ© o fim. Pelo menos nos deve isso.
â Okaâ
Ele estava prestes a concordar imediatamente, mas entĂŁo voltou Ă realidade. Esse nĂŁo era sĂł um problema de Haruhiro. Isso afetava seus companheiros tambĂ©m. Haruhiro era o lĂder da party.
Quando ele se virou, Ranta riu e deu-lhe um olhar amargo. â Se vocĂȘ nĂŁo tivesse dito, eu ia dizer, careca.
â NĂŁo tem como isso ser verdade. â Yume inflou uma das bochechas.
â JĂĄ decidi que vou seguir vocĂȘ â disse Kuzaku, parecendo um cachorro grande e leal neste ponto.
â Eu tambĂ©m â Mary sorriu e assentiu.
â …Acho que estĂĄ tudo bem. â Shihoru tambĂ©m lhe deu um sorriso desajeitado.
â Uhh, e quanto a todos nĂłs?! â Kikkawa olhou para Mimorin e Anna-san, depois olhou em volta inquieto. â O quĂȘ?! Onde estĂĄ o Inuicchi?!
â Esse idiota sumiu faz tempo, nĂ©?! â Anna-san gritou.
â SĂ©rio?! Nem percebi â disse Kikkawa. â Bem, tanto faz! Ele provavelmente estĂĄ vivo! Quanto a nĂłs, acho que depende do Tokimune, nĂ©?
â Infelizmente â Mimorin assentiu.
â Ah, que saco. Que dor de cabeça â Gogh olhou rapidamente para Haruhiro e os outros. Sua expressĂŁo mostrava que ele estava de saco cheio, mas seus olhos tinham um brilho que nĂŁo estava ali antes. â Por enquanto, vocĂȘs vĂŁo escoltar Miho, Shima e eu. Fiquem perto e façam o que eu mandar. Vou ensinar o que significa trilhar um caminho espinhoso. A partir de agora, vamos recuar, minimizando as baixas. Vamos dar um jeito de passar pelo deus gigante e escapar do Reino do CrepĂșsculo.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
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