Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 07 â Volume 6
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 07:
[Disposição]
Mas, bem, sabe? NĂŁo era como se a party de Haruhiro e os Tokkis tivessem passado trĂȘs dias e trĂȘs noites apenas cavando um buraco. NĂŁo havia noites no Reino do CrepĂșsculo, entĂŁo dizer isso era estranho… talvez? Sim? De qualquer forma, nesses trĂȘs dias, menos da metade das setenta e duas horas foram gastas cavando. No mĂĄximo, umas vinte e quatro horas. O resto foi dormindo.
Não, isso não era bem verdade. Claro, eles faziam pausas, dormiam e até revezavam para voltar ao assentamento e tomar banho, mas faziam outras coisas também.
Taro apareceu por acaso e sugeriu que fossem ver o deus gigante e a hidra por si mesmos. A propĂłsito, a hidra era aquela criatura branca que se contorcia. O pai de Taro, Gogh, havia dado esse nome a ela.
â Ă um bom nome. â O jovem de beleza inigualĂĄvel, Taro, sussurrou para si mesmo, com o rosto tomado por uma felicidade incontida. â A hidra. Ă legal. Meu pai Ă© incrĂvel. Ele Ă© mesmo o meu pai.
Seguindo Taro, que tinha uma profunda admiração e amor por seu pai, e provavelmente por sua mãe também, a party de Haruhiro e os Tokkis se aproximaram do deus gigante e da hidra.
Tanto o deus gigante quanto a hidra estavam em constante movimento, perseguindo as equipes de isca, entĂŁo, no final, o mais perto que conseguiram chegar foi a uns cinquenta metros. Mesmo assim, isso jĂĄ era perigoso o suficiente para eles.
O deus gigante, em particular, tinha um tamanho que só podia ser descrito como além da compreensão humana. Quando Taro disse que estimavam que ele tinha 300 metros de altura, eles só conseguiram dizer: Ah, tå. Tudo isso?
Haruhiro tinha cerca de 1,70 metros de altura, entĂŁo 300 metros era aproximadamente 176,5 vezes isso. Mesmo comparado aos 1,90 metros de Kuzaku, ainda era 156,25 vezes maior. Nem fazia sentido comparar.
Derrotar aquela coisa? De jeito nenhum. ImpossĂvel. Que tipo de piada era essa? NĂŁo havia nada que pudessem fazer. NĂŁo tinha como funcionar.
Era por isso que, segundo Taro, as equipes de isca estavam começando a achar que talvez fosse demais lidar com isso dessa vez.
Bom, Ăłbvio.
Tipo, o que queriam dizer com âdessa vezâ? Ia haver uma prĂłxima? Eles iam enfrentĂĄ-lo na prĂłxima? Eles eram idiotas? Ou simplesmente incrĂveis? SerĂĄ que pessoas tĂŁo incrĂveis vivenciavam as coisas de forma diferente?
De qualquer maneira, era uma boa notĂcia para Haruhiro que o deus gigante estivesse sendo riscado da lista de alvos.
Quero dizer, pense nisso. Os pĂ©s de Haruhiro tinham 25,5 centĂmetros. Se ele multiplicasse isso por 176,5, dava 4.500,75 centĂmetros. Isso era mais de 45 metros.
Aquela coisa nĂŁo cairia em uma armadilha com 30 metros de diĂąmetro. Quanto Ă profundidade, com um corpo massivo de 300 metros de altura, mesmo sendo conservadores, eles precisariam de uns duzentos metros.
ImpossĂvel.
Mesmo deixando de lado a armadilha, era impossĂvel.
Para começar, embora fosse verdade que o deus gigante parecia humanoide visto de longe, e atĂ© caminhava como um, ele estava mais para uma megaconstrução pura e branca em movimento. Era insano pensar em matar aquela coisa. No mĂnimo, deveriam falar em âdestruĂ-laâ.
AlĂ©m disso, se fossem destruĂ-la, Haruhiro tinha que ser humilde e reconhecer que isso exigiria algum tipo de armamento pesado. Como armas de cerco, talvez? Embora, mesmo se conseguissem reunir o suficiente, o inimigo nĂŁo iria ficar parado, esperando ser destruĂdo. NĂŁo, provavelmente atacaria, e isso nĂŁo seria fĂĄcil de lidar. Essa era apenas a opiniĂŁo de Haruhiro, mas nĂŁo era meio impossĂvel?
Agora, quanto Ă hidra…
Devia ser porque eles tinham visto o espetĂĄculo incrĂvel do deus gigante primeiro, antes de ver a hidra. SĂł podia ser isso. Porque quando Haruhiro a olhou, sua primeira impressĂŁo foi: HĂŁ? Ă sĂł isso?
à primeira vista, era mais ou menos do tamanho de um prédio de dois andares. Não, talvez um pouco maior. E era longa.
A hidra era uma criatura de muitas cabeças que parecia uma massa de cobras brancas de atĂ© dois ou trĂȘs metros de espessura.
Ela tinha nove cabeças, parecidas com cobras, mas, surpreendentemente, sem olhos. As criaturas do Reino do CrepĂșsculo pareciam todas ter um olho, entĂŁo ele esperava que houvesse um por cabeça, mas esse nĂŁo era o caso. Talvez isso significasse que, na verdade, elas nĂŁo eram cabeças, mas sim tentĂĄculos.
A hidra se movia torcendo vĂĄrios desses tentĂĄculos. Parecia que quatro tentĂĄculos eram usados para se mover. Os outros cinco se contorciam no ar, como se estivessem procurando algo. Eles provavelmente eram algum tipo de sensores.
â A gente acaba com essa coisa fĂĄcil â Tada disse, dando uma risada debochada.
NĂŁo sei se âfĂĄcilâ Ă© a palavra certa, mas parece mais controlĂĄvel do que o deus gigante eâNĂŁo, nĂŁo, nĂŁo… Haruhiro balançou a cabeça. Calma aĂ, calma aĂ. Eu digo isso, mas ainda Ă© enorme, certo? Se eu levar uma pancada de um desses tentĂĄculos, tenho certeza de que vou morrer na hora.
A hidra estava a uns cinquenta metros de distùncia de Haruhiro e dos outros, se movendo em direção ao oeste, mas não era perto demais? Eles não tinham chegado perto demais? No momento, os cinco tentåculos que a hidra não usava para se mover não estavam apontados para eles. Ou seja, a hidra ou não tinha notado Haruhiro e os outros atrås dela, ou simplesmente não se importava.
Mas e se ela notasse? O que aconteceria entĂŁo? NĂŁo seria perigoso?
â Hum, nĂŁo deverĂamos nos afastar mais…? â arriscou Haruhiro.
Taro olhou para trĂĄs enquanto continuava a andar.
â EstĂĄ tudo bem. Essa distĂąncia Ă© segura. Provavelmente.
â âProvavelmenteâ?
â âNada neste mundo Ă© 100% certo.â Foi o que meu pai me disse.
â Bem, isso pode ser verdade, mas…
â NĂŁo, nĂŁo Ă© âpodeâ â disse Taro com confiança. â As palavras do meu pai sĂŁo absolutas.
Como assim? NĂŁo era nada suposto ser 100% certo?
QuĂŁo bravo esse belo garoto ficaria se Haruhiro cutucasse os furos na lĂłgica dele? Seria interessante ver. NĂŁo, ele nĂŁo queria ver, e nem queria deixar Taro irritado. Isso parecia assustador.
Por sinal, Haruhiro e os outros estavam perseguindo a hidra a um ritmo que era um pouco mais do que uma corrida leve. Tokimune carregava Anna-san nas costas, porque ele disse que seria difĂcil para ela acompanhar, mas Haruhiro tinha que pensar que ele era um pouco mole demais com ela, mesmo que ela fosse a mascote deles.
â Quem tĂĄ servindo de isca? â perguntou Ranta.
Talvez Taro nĂŁo tivesse ouvido, porque ele nĂŁo respondeu.
â Ei, quem Ă©? Ei? Quem tĂĄ servindo de isca? Ei? Ei? Ei? Ei, por que tĂĄ tĂŁo quieto? TĂŽ falando com vocĂȘ, sabia? Heeeey. Ei, ei, heeeey. TĂĄ me ouvindo? TĂŽ perguntando, tĂĄ me ouvindo? Ei!
â TĂŽ ouvindo. â Taro nem se dignou a olhar para Ranta. â Mas nĂŁo quero responder. Minha mĂŁe me disse: âA vida Ă© curta demais para perder tempo falando com idiotas.â
â O quĂȘ, eu sou um idiota?! â gritou Ranta.
â Ă, vocĂȘ Ă© um idiota â Haruhiro nĂŁo conseguiu deixar de concordar.
â VocĂȘ Ă© um idiota, com certeza â Yume concordou.
â Pior que idiota… â Shihoru parecia ter sua prĂłpria opiniĂŁo sobre o quĂŁo idiota Ranta era.
â Ă verdade que seria uma perda de tempo â Mary disse friamente.
â Bem… â Kuzaku, que nĂŁo tinha dito nada, talvez ainda sentisse a necessidade de se segurar.
â Ahaha! â Kikkawa deu um tapinha no ombro de Ranta. â Mas eu adoro o quĂŁo idiota vocĂȘ Ă©! O lixo de um homem Ă© o tesouro de outro, nĂ©?!
â Sai fora! â gritou Ranta. â VocĂȘ Ă© irritante, Kikkawa! Eu nĂŁo sou lixo! Se eles querem me jogar fora como lixo, eu vou jogar eles fora primeiro!
â A gente nĂŁo se importaria, sabe? â disse Haruhiro.
Ranta entrou em pĂąnico.
â V-vocĂȘ… vocĂȘ… seu idiota! NĂŁo Ă© isso que vocĂȘ devia dizer! Era pra vocĂȘ falar algo tipo: âNĂŁo diga isso!â e me repreender! Falar que eu nĂŁo deveria falar sobre jogar as pessoas fora ou ser jogado fora!
â Ranta! â Tokimune abriu um sorriso brilhante, mostrando seus dentes brancos. â VocĂȘ Ă© tĂŁo trabalhoso!
â Tokimune-san?! Sabe, isso nĂŁo soou como um elogio pra mim!
â NĂŁo Ă© elogio, yeah?! â Anna-san lhe mostrou o dedo do meio das costas de Tokimune. â De que tipo de bunda de javali verrugosa vocĂȘ saiu, seu pinto podre?!
â Heh… â Inui deu um sorriso maligno. â Caia na ruĂna, seu cĂŁo do fim…
â CĂŁo? â Mimorin olhou ao redor.
NĂŁo vejo nenhum cĂŁo aqui… Haruhiro concordou.
â Quem Ă© a isca? â perguntou Tada, como se nada tivesse acontecido.
Desta vez, Taro deu uma resposta adequada.
â A hidra tĂĄ sendo guiada principalmente pelo golem Zenmai, do Pingo. O deus gigante era a Lala e o Nono, acho. Eram eles. JĂĄ que vieram aqui montados em dragĂ”es-cavalos.
DragĂ”es-cavalos eram pequenos dragĂ”es que andavam eretos sobre as patas traseiras. Se um dragĂŁo jovem fosse criado desde o ovo, ele podia ser treinado para carregar um humano como um cavalo. Tendo os visto de vez em quando no Posto Avançado do Campo SolitĂĄrio, a princĂpio Haruhiro pensara que gostaria de montar um algum dia. No entanto, quando soube que os dragĂ”es-cavalos tinham suas asas removidas ainda jovens para se tornarem adequados para montar, ele rapidamente perdeu qualquer desejo de fazĂȘ-lo.
â Entendi. â Tada assentiu e parou de andar de repente. â Heeeey, sua hidra estĂșpida! Olha pra mim! Sim, pra mim! TĂŽ aqui! Bem aqui!
SerĂĄ que um humano conseguia gritar tĂŁo alto? Como ele estava conseguindo fazer aquela voz tĂŁo alta? Ele nĂŁo estava transcendendo os limites do corpo humano?
Haruhiro parou, horrorizado. Todos os outros fizeram o mesmo. Até Tokimune e os outros Tokkis ficaram boquiabertos.
â Espereâ â Taro parou, arregalando os olhos. â O que vocĂȘ…?
â Vem pra cima! Heeeey! â Tada apontou seu martelo de guerra para a hidra. â Eu disse, vem pra cima de mim, sua covarde! TĂĄ se sentindo medrosa?! Percebeu que nĂŁo pode me vencer?! VocĂȘ Ă© sĂł uma fracote gigante!
Foi entĂŁo que aconteceu.
A hidra nĂŁo parou. Na verdade, com seu tamanho, talvez nem pudesse parar de repente. No entanto, sua velocidade claramente diminuiu. Um de seus tentĂĄculos, a parte com aparĂȘncia de cabeça na ponta, se virou na direção deles.
Finalmente, a hidra parou de avançar.
Um segundo, depois um terceiro tentåculo se moveram, e suas cabeças sem olhos se voltaram para Haruhiro e o grupo.
â Heh… â Tada apoiou seu martelo no ombro, ajustando os Ăłculos com o dedo indicador da mĂŁo esquerda. â Finalmente me notou, hein. Demorou. Demorou demais.
Tada, pensou Haruhiro. O que vocĂȘ quer dizer com âHehâ? Tada! Tadaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Mesmo que ele dissesse em voz alta, não faria diferença. Haruhiro percebeu isso. Não era incomum conversas simples com Tada desmoronarem. Bem, o que ele podia fazer então?
â Ah, pelo amor de…! â Haruhiro resmungou. Ele ia agir.
Haruhiro agarrou Tada pelo colarinho da roupa de sacerdote.
â Gweh! â Tada gritou.
Talvez estivesse sufocando-o, mas Haruhiro nĂŁo se importava. Era o Tada, afinal. Ele ia sobreviver.
â Todo mundo, corram! â Haruhiro gritou.
Ele disparou em uma corrida desesperada. Felizmente, os Tokkis o seguiram porque parecia divertido, então todos conseguiram começar a fugir sem problemas. A maior preocupação era a ação da hidra.
Se ela viesse atrĂĄs deles, conseguiriam escapar? O que aconteceria se fossem pegos? Teriam que lutar? Ou melhor, teriam que morrer? Era assustador sĂł de pensar nisso, mas a hidra nĂŁo veio atrĂĄs deles.
SerĂĄ que tiveram sorte? NĂŁo, o golem Zenmai, que estava servindo de isca, devia ter feito algo para provocar a hidra com sucesso. Eles deviam muito a Zenmai.
Depois de terem colocado uma distĂąncia de 200 metros entre eles e a hidra, Haruhiro soltou Tada. Ele estava suando muito. Aquilo tinha sido assustador.
â Mano! â Tada segurou a garganta, se aproximando de Haruhiro. â Isso doeu, sabia, Haruhiro!
Ele deu uma cabeçada em Haruhiro, mas este conseguiu se manter firme de alguma forma.
â Ack!
Os olhos de Tada estavam vermelhos. Ele era assustador pra caramba. Mas, se Haruhiro recuasse agora, parecia mais provåvel que fosse morrer. Ele não entendia Tada, e duvidava que algum dia entenderia, mas essa era a sensação que tinha.
â R-Reflete sobre o que vocĂȘ acabou de fazer! â Haruhiro gritou. â Aquilo foi perigoso! Eu nem quero saber o que vocĂȘ estava pensando, e nĂŁo vou perguntar, mas por favor, para com essas besteiras!
â Cala boca! Quem tem que refletir Ă© vocĂȘ!
â Eu nĂŁo estava errado, entĂŁo nĂŁo vou refletir!
â O que vocĂȘ disse?!
â NĂŁo vou refletir! V-VocĂȘ que deveria!
Ohh, serĂĄ que era seguro ir tĂŁo longe? Seria perigoso? Ele nĂŁo sabia. Mas se nĂŁo reagisse Ă pressĂŁo que Tada estava colocando sobre ele, provavelmente seria subestimado. Para resistir, provavelmente precisava manter uma postura firme.
â Quem tem que refletir Ă© vocĂȘ, Tada! â Haruhiro gritou. â VocĂȘ nĂŁo pode colocar seus companheiros em perigo por impulso assim!

â Hahaha! â Tada riu enquanto esfregava suas testas novamente.
Haruhiro nĂŁo recuou. NĂŁo podia. NĂŁo podia ceder. Depois de tudo que tinha dito, se ele recuasse e pedisse desculpas, pareceria um idiota completo. Ele estava quase chorando, mas nĂŁo iria chorar.
â Um novato como vocĂȘ, tentando me dizer…! â Tada balançava a cabeça de um lado para o outro, e suas testas continuavam a se esfregar.
AlguĂ©m me ajude, Haruhiro suplicou em silĂȘncio. AlguĂ©m o pare. Como Tokimune.
No entanto, no momento em que desviasse o olhar de Tada para procurar salvação nos outros, a disputa seria decidida. Ele sentia isso.
â M-Mesmo que eu seja um novato…
â Mesmo que seja um novato, o quĂȘ?! â Tada gritou.
â …Eu sei distinguir o certo do errado melhor que vocĂȘ! â Haruhiro finalizou. â Se vocĂȘ vai agir como uma criança que nĂŁo sabe a diferença, vou ter que te colocar numa coleira e te guiar por aĂ!
â Oh, ho. â Tada recuou de repente, ajustando os Ăłculos com o dedo indicador da mĂŁo esquerda.
Haruhiro quase caiu para frente.
â Nada mal.
…Ele acabou de sorrir? Ele parece feliz? Haruhiro ficou atĂŽnito. Eu nĂŁo entendo esse cara…
Mas estou salvo… acho? Ele pensou, incerto. Pelo menos, nĂŁo parecia que ele estava prestes a ser espancado atĂ© a morte. NĂŁo, se ele baixasse a guarda, Tada poderia vir para cima com o martelo, talvez? SĂł por segurança, era melhor nĂŁo baixar a guarda.
â Haruhiro. â Tokimune mostrou os dentes brancos e fez um sinal de positivo. â Boa luta.
Ah, cale a boca, pensou Haruhiro, mas estava tĂmido demais para ficar bravo.
â Valeu. â Ele disse, inclinando a cabeça levemente.
â Pft… â Taro soltou uma risada, cobrindo o rosto com ambas as mĂŁos. â Heheheheheh! Ahahahahaha! VocĂȘs sĂŁo esquisitos! VocĂȘs sĂŁo todos tĂŁo esquisitos! Bwahahahahahahaha! Gwahahahahahahahah!
Ele estava rindo. Rindo como um louco. Rindo tanto que parecia que ia desmaiar. A visão do belo elfo dobrado de tanto rir foi inesperada e deixou Haruhiro sem reação.
Taro ficou assim por um tempo, depois limpou a garganta de repente e assumiu uma expressão séria. Mas seu rosto estava vermelho. Até suas orelhas compridas estavam vermelhas. Talvez estivesse envergonhado.
â Papai sempre disse: âRir Ă© o melhor remĂ©dio.â â Taro disse solenemente.
Bem, tudo bem entĂŁo, pensou Haruhiro. Que elfo esquisito.
De qualquer forma, entre eventos como aquele, a party de Haruhiro e os Tokkis levaram setenta e duas horas para cavar um buraco de cerca de trinta metros de diĂąmetro e aproximadamente trĂȘs metros de profundidade. Eles colocaram vĂĄrias vigas de suporte dentro do buraco, cobriram a parte superior com redes vindas dos mercadores que ainda estavam no assentamento e depois camuflaram com grama para parecer mais um fosso de armadilha real.
Era fĂĄcil de notar de perto, entĂŁo dificilmente poderia ser chamado de um trabalho perfeito. Ainda assim, se eles conseguissem atrair uma criatura gigante como a hidra para cima dele, talvez ela caĂsse? Possivelmente? Honestamente, nĂŁo havia como saber atĂ© tentarem.
Eles haviam combinado de se reunir de volta na colina inicial assim que terminassem a armadilha. A colina inicial ficava a oeste do assentamento.
Haruhiro e os outros construĂram suas estruturas cerca de cinco quilĂŽmetros ao sul do assentamento. Ia ser no caminho, entĂŁo decidiram parar no assentamento. Eles jĂĄ estavam acostumados com o trabalho de soldados voluntĂĄrios, entĂŁo ninguĂ©m pedia luxos como um banho de verdade, mas queriam ĂĄgua fresca para beber.
Mesmo antes de chegarem ao assentamento, todos achavam que algo estava estranho. Para ser mais claro, tinham um mau pressentimento.
O deus gigante era visĂvel ao longe, a oeste. Se estivesse se movendo, nĂŁo seria realmente um problema.
A questĂŁo era que ele nĂŁo estava. Estava parado.
Pouco antes de chegarem ao assentamento, Anna-san disse distraidamente:
â Aquela… direção da inicial, nĂ©…?
Ă, Haruhiro pensou.
Estava bastante barulhento dentro do assentamento. Embora a maioria dos mercadores jĂĄ tivesse empacotado e partido, ainda havia setenta ou oitenta soldados voluntĂĄrios reunidos ali, afinal.
NĂŁo, se eles apenas estivessem reunidos ali, nĂŁo seria tĂŁo barulhento assim.
â O que foi isso, otĂĄrio?! Quer brigar?! â âOne-on-Oneâ Max do Iron Knuckle estava se aproximando de um homem de cabelo vermelho fogo, como se fosse agarrĂĄ-lo a qualquer momento.
Havia homens formando uma parede ao redor dos dois, zombando e gritando, e era por isso que estava tĂŁo barulhento.
â VocĂȘ quer brigar?! â O homem de cabelo vermelho, que nĂŁo era apenas alto, mas tambĂ©m tinha olhos grandes, um nariz grande e uma boca grande, gritou de volta para Max e nĂŁo recuou nem um pouco. â Pode apostar que eu quero, nanico!
â Quem vocĂȘ tĂĄ chamando de nanico?! Eu nĂŁo sou nanico, vocĂȘ Ă© que Ă© estupidamente grande! â Max gritou.
â NĂŁo culpe os outros por vocĂȘ ser pequeno, Nanico!
â âNanico, nanico, nanicoâ â Ă© sĂł isso que vocĂȘ sabe dizer, GordĂŁo?!
â Quem vocĂȘ tĂĄ chamando de gordo, Nanico?! Eu mantenho meu percentual de gordura corporal em dĂgitos Ășnicos, entĂŁo nĂŁo subestime meu corpo, seu nanico de merda!
â Como diabos vocĂȘ tĂĄ mantendo seu percentual de gordura baixo?! NĂŁo se ache sĂł porque pinta o cabelo de vermelho, seu brutalmortes!
â A palavra que vocĂȘ quer usar Ă© âbrutamontesâ, seu burro!
â NĂŁo tenta escolher grĂŁos com meu jeito de falar, seu idiota ruivo! Quer se queimar?!
â O que diabos quer dizer com âcolher grĂŁosâ?! E se vocĂȘ acha que pode me queimar, entĂŁo tente, seu macaco!
â Quem vocĂȘ tĂĄ chamando de macaco, seu macaco?!
â NinguĂ©m que me chamou de macaco ainda estĂĄ vivo! NĂŁo que alguĂ©m jĂĄ tenha me chamado disso, entendeu?!
â Vou te chamar disso quantas vezes eu quiser! Macaco, macaco, macaco, macaco, maaaaacaco, macaco!
â Seu…!
Os punhos do Ruivo cortaram o ar. Max… nĂŁo desviou. Isso foi provavelmente intencional. Sem evitar o golpe, ele baixou a cintura e recebeu o soco na bochecha esquerda.
Max balançou por um momento, mas aguentou firme.
â Seus socos de mulherzinha nĂŁo doem nem fazem cĂłcegas!
â Ah, Ă©?! â O Ruivo acertou os joelhos de Max com um chute baixo dessa vez. â E isso?!
â Ugwahhhh!
Que chute. Era audacioso e poderoso, mas ao mesmo tempo preciso. Parecia quase como se as duas pernas de Max tivessem se quebrado. No entanto, Max ainda estava de pé. E com um sorriso.
â Gyahyahyahya! Isso nĂŁo funciona comigo!
â VocĂȘ sĂł tĂĄ bancando o forte! â O Ruivo deu um soco no rosto de Max, depois mais um, e outro ainda mais forte. â Essa Ă© sua Ășnica qualidade, seu macaquinho! Toma essa!
â NĂŁo! DĂłi! Nem! Um pouco! Gwahrah!
â Khhh?! â O Ruivo recuou os punhos que estavam massacrando Max.
Sua cabeça. Ele tinha socado a cabeça de Max. Não, Max o deixou socar sua cabeça? O crùnio podia ser bem duro. Se atingisse no ùngulo certo, poderia até desviar uma espada de aço. Ainda assim, Max estava coberto de sangue nesse ponto.
Isso não dói? Ele perdeu completamente a noção? Foi tudo o que Haruhiro conseguiu pensar.
Max imediatamente agarrou o Ruivo. Pegou-o pelas pernas. Derrubou-o de imediato. Montou nele, desferindo socos de cima para baixo no Ruivo.
â Oorah! Ora! Ora! Ora! Ora! Ora! Ora! Ora! Ora!
O Ruivo estava defendendo o rosto com ambos os braçosâou parecia que estava, mas o ataque violento de Max era incrĂvel.
NĂŁo tem como ele revidar assim… No momento em que Haruhiro pensou isso, o Ruivo lançou seu punho direito de baixo para cima.
Se tivesse atingido o queixo, Max certamente teria caĂdo. Sem dĂșvida, teria sido nocauteado.
Mas Max se torceu para o lado, desviando por um trizâe nĂŁo era sĂł isso. Sem perder o ritmo, ele agarrou o braço do Ruivo. Ele se contorceu, tentando aplicar uma chave na articulação.
Contudo, o Ruivo também reagiu rapidamente. Ele se levantou, puxando Max junto com ele, que estava pendurado em seu braço.
â Uwahahahaha! â O Ruivo imediatamente balançou o braço para baixo, tentando jogar Max no chĂŁo.
Haruhiro imaginou a cena de Max sendo esmagado, mas isso não aconteceu. Antes de ser esmagado, Max soltou o braço direito do Ruivo. Com uma flexibilidade e agilidade que o faziam parecer um invertebrado, ele girou uma vez e se levantou.
â Isso nĂŁo vai funcionar comigo, Ducky! JĂĄ Ă© a segunda vez, afinal!
â Eu sabia que nĂŁo ia! Ainda nĂŁo consigo esquecer como foi te esmagar daquela vez! Quero outra dose disso!
â Que coincidĂȘncia, hein? Ăs vezes tambĂ©m sonho com o dia em que te arrebentei de porrada!
â Uwahahaha!
De repente, o Ruivo saiu de sua posição de combate e estendeu a mão direita para Max. Max sorriu e bateu na mão direita do Ruivo com a sua.
Os homens ao redor explodiram em aplausos.
â Max! Maaaax!
â Ducky Ă© o melhor!
â Max Ă© o mais forte!
â Seu buxa, Ducky Ă© claramente mais forte, sabia?!
â Se fosse uma luta pra valer, Ducky seria o primeiro a morrer!
â Seu cu!
â Como Ă©? Seu berserker estĂșpido!
Alguns dos homens estavam se insultando, mas nĂŁo pareciam estar prontos para se matar. Seria exagero dizer que estavam se dando super bem, mas parecia que estavam se divertindo.
â âCuâ? â Yume inclinou a cabeça para o lado.
â Ă sĂł um insulto, provavelmente â Haruhiro respondeu, tentando manter a calma. â Mas, de qualquer forma, vocĂȘ nĂŁo deveria dizer essa palavra.
â Cu? â Yume olhou para ele, intrigada. â Por quĂȘ?
â NĂŁo, tudo bem, eu acho â murmurou Haruhiro. â Quer dizer, nem tanto…
â Escuta, Yume â Ranta suspirou, colocando a mĂŁo no ombro de Yume. â Deixa eu te explicar o que Ă© o cu. Bom, Ă© difĂcil de explicar em palavras, entĂŁo vou te mostrar onde fica. VocĂȘ tem uma bunda, nĂ©? EntĂŁo, lĂĄ dentro da bunda estĂĄ…
â …sujo â Shihoru murmurou para si mesma.
â Esperta! â Kikkawa apontou para Shihoru.
Shihoru se encolheu. â Eu… Eu nĂŁo estava tentando fazer uma piada.

â âMax âOne-on-Oneââ e âDucky âRed Devilââ, hein. â Tada ajeitou os Ăłculos com o dedo indicador da mĂŁo esquerda. â Ă, eles nĂŁo sĂŁo pĂĄreo pra mim.
â Esses dois estĂŁo sempre se enfrentando. â Tokimune olhou para os dois como um pai orgulhoso. â Acho que Ă© como dizem: âquanto mais vocĂȘ briga, melhor se dĂĄ com a pessoa.â
â NĂŁo consigo entender isso… â Mary balançou a cabeça.
â Eles estavam sangrando… â Kuzaku parecia um pouco desconcertado tambĂ©m.
â Heh… â disse Inui.
Tomara que Inui fique quieto, pensou Haruhiro.
â Pensar que começaram esse ritual sem mim… â continuou Inui.
Porque nada do que ele diz faz o menor sentido.
â Ah, seus imbecis! Tem outras coisas pra fazer antes, nĂ©?! â Anna-san pulou com as bochechas infladas. â Outras coisas? Por quĂȘ, shit? O que era? O quĂȘ?
Sinceramente, o que era que eles deveriam estar fazendo primeiro, hein? Haruhiro fechou os olhos, respirando fundo. Talvez ele sempre tenha sido do tipo paciente. De qualquer forma, sentia que havia desenvolvido um nĂvel impressionante de tolerĂąncia.
Quando abriu os olhos, viu Shinohara se aproximando com um grupo de homens e mulheres com capas brancas. Comparado a Max de Iron Knuckle e Ducky dos Berserkers, pessoas que ele jamais entenderia, Shinohara parecia um salvador. Ele até tinha uma auréola de luz ao redor dele. Era uma ilusão?
Bem, claro que era uma ilusão. Não havia como ele ter uma auréola de luz de verdade.
â Urgh… â Mimorin fez uma careta e estreitou os olhos.
SerĂĄ que ele era brilhante demais pra ela? NĂŁo pode ser… serĂĄ que Mimorin tambĂ©m via a aurĂ©ola de luz?
Haruhiro piscou para confirmar por si mesmo. NĂŁo, nem Shinohara, por mais incrĂvel que fosse, emitia uma aurĂ©ola de luz. Isso era Ăłbvio.
â Ei, Haruhiro, Tokimune â Shinohara os cumprimentou. â Parece que estamos numa situação ruim, nĂ©?
â OlĂĄ â Haruhiro acenou com a cabeça, olhando para Shinohara com os olhos semicerrados. â Uma situação ruim? O que vocĂȘ quer dizer com…
â Permitam que eu, Kimura do Orion, explique â o homem de corte militar com Ăłculos interrompeu.
Esse cara de novo.
â Notamos que o deus gigante parou de se mover hĂĄ mais ou menos duas horas. Nossa armadilha jĂĄ estava pronta, entĂŁo decidimos localizar o deus gigante. NĂŁo foi uma tarefa difĂcil. Se vocĂȘ se aproxima do deus gigante, sua localização se torna evidente. E entĂŁo, nĂłs o vimos. O deus gigante se erguendo sobre a colina inicial. Ah, que terrĂvel! Pois aquele Ă© o nosso Ășnico caminho de volta! Agora, embora possamos nĂŁo estar completamente impedidos de retornar, fazĂȘ-lo seria incrivelmente difĂcil!
O que foi que vocĂȘ disse?! Haruhiro quase disse num tom completamente monĂłtono, mas se conteve. NĂŁo estava tĂŁo surpreso.
Ele estava deprimido porque sua pior previsĂŁo, aquela que ele nĂŁo queria considerar, havia se tornado realidade. Mas era sĂł isso. Era tudo.
Pelo que parecia, Shihoru, Mary e Kuzaku perderam toda a empolgação.
Yume parecia estar pensando profundamente. Parecia que ela tinha chegado a uma conclusĂŁo. â Ah! Se nĂŁo podemos voltar, isso quer dizer que nĂŁo temos como ir pra casa?!
â Ele jĂĄ disse isso! VocĂȘ Ă© burra?! â Ranta gritou com ela.
â Yume nĂŁo Ă© burra â ela se defendeu. â Pessoas que chamam as outras de burras, essas sĂŁo as verdadeiras burras, sabia?
â Bom, seguindo sua lĂłgica, as pessoas que chamam os outros de gĂȘnios sĂŁo os verdadeiros gĂȘnios tambĂ©m?! â Ranta esbravejou.
â Hmm. Provavelmente, nĂŁo acha?
â VocĂȘ Ă© uma gĂȘnia! Uma gĂȘnia! Yume, vocĂȘ Ă© uma verdadeira e linda gĂȘnia!
â Ohhh? SĂ©rio? Ranta, entĂŁo Ă© assim que vocĂȘ se sente sobre a Yume â ela sorriu. â TĂĄ meio constrangedor.
â I-Isso Ă© besteira! NĂŁo foi isso que eu quis dizer! NĂŁo Ă© assim, tĂĄ?!
â Seu rosto tĂĄ todo vermelho… â Shihoru olhou de canto para Ranta, tremendo de nojo. â Que nojo…
â Q-Q-Q-Q-Quem tĂĄ com o rosto vermelho, droga?! E o que vocĂȘ quer dizer com nojo?!
â Hmm. â Kimura ajustou os Ăłculos, olhando de Ranta para Yume. â Desculpe se essa Ă© uma pergunta delicada, mas vocĂȘs dois estĂŁo num relacionamento profundamente romĂąntico? Em outras palavras, vocĂȘs sĂŁo namorados?
â Q-Q-Q-O quĂȘ?! â Ranta começou a se agitar tanto que parecia estar dançando. â Q-Q-Q-Que besteira Ă© essa, seu idiota?! N-N-NĂŁo me faça rir!
â Nem pensar. â Yume negou rapidamente. â VocĂȘ tĂĄ errado.
â S-S-Sim! V-V-VocĂȘ tĂĄ errado! N-NĂŁo entenda errado! Eu jamais me contentaria com ela! Quer dizer, olha sĂł esses peitos pequenos!
â NĂŁo chame eles de pequenos!
â Qual o problema com peitos pequenos?! â Kimura de repente ficou furioso. â Plano Ă© sublime! A humanidade ainda nĂŁo inventou nada que possa superar o peito plano! De forma alguma!
â Kimura, acalme-se. â Shinohara parecia um pouco incomodado enquanto dava um tapinha no ombro de Kimura.
â Ah, me desculpe. â Kimura riu. â Perdi a compostura ali. No entanto, permita-me esclarecer qualquer mal-entendido. Embora seja minha filosofia pessoal que peitos pequenos sejam o auge de todas as coisas, eu entendo que eles nĂŁo sĂŁo a Ășnica coisa de valor. Naturalmente, eu tambĂ©m aprecio seios grandes! Na verdade, sou flexĂvel o suficiente para me adaptar a qualquer tamanho de busto!
â VocĂȘ Ă© apaixonado! â Kikkawa ergueu o braço. â VocĂȘ tem paixĂŁo, Kimuracchi! Eu entendo, entendo perfeitamente! Eu sou do mesmo jeito, cara! Qualquer tamanho tĂĄ bom pra mim, com certeza!
â Sim!
Kimura e Kikkawa trocaram um firme aperto de mĂŁo. Parecia que uma amizade apaixonada havia se formado entre eles.
Até Orion tinha estranhos como esses, hein. De alguma forma, isso foi uma descoberta profundamente comovente.
â Hum… â Anna-san deu de ombros e olhou para eles com decepção. â Toda vez que vocĂȘs abrem a boca, Ă© sĂł sobre peitos, peitos, peitos! Isso? Isso Ă© chamado de assĂ©dio sexual, tĂĄ! E se a Anna-san e as outras garotas começarem a falar sobre o tamanho do pĂȘnis na frente de vocĂȘs? Imagina como isso levaria vocĂȘs ao cĂ©u, seus perdedores de pau pequeno!
Mary franziu a testa. â Hayashi? O que houve?
Olhando para o lado, o ex-companheiro de Mary, Hayashi, estava agachado.
â …NĂŁo. NĂŁo Ă© nada. Nada estĂĄ errado. SĂ©rio, nada…
â Oh, my god! â Anna-san cobriu a boca. â SerĂĄ que vocĂȘ tem um âpau pequenoâ? Nada para se preocupar, nĂ©? Dizem que, mesmo pequeno, ainda funciona sem problemas…
â âDizem que,â â Mimorin repetiu sem expressĂŁo.
Por que ela repetiu isso?
Hayashi estava prestes a chorar. Coitado. Mas seria estranho consolĂĄ-lo. Haruhiro nĂŁo poderia oferecer apoio, nem dizer muito nessa situação. Talvez nenhum dos rapazes pudesse, e eles apenas teriam que ficar em silĂȘncio.
â Hmph… â Tada lambeu os lĂĄbios. â Basicamente, vamos ter que lutar. NĂŁo teria como ser de outra maneira.
Esse era o Tada-san. Ele não tinha sensibilidade. Para Tada, isso não fazia diferença, e ele provavelmente nem se preocupava com isso. Por isso, ele ignorava as coisas. Era um jeito bem comum dele agir. Nesse caso, Haruhiro estava feliz por isso.
Ou nĂŁo? Eu estou feliz? Hein? âTemos que lutarâ? Pera aĂ.
â O que vocĂȘ quer dizeâ â Haruhiro esqueceu o que ia perguntar. Mais precisamente, o fato de que ele estava tentando dizer algo sumiu de sua mente.
Noooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooong.
Algo ecoou.
Um som? NĂŁo, era mais uma vibração do que um som. Embora, se bem me lembro, o som Ă© uma vibração, entĂŁo acho que era o mesmo que um som. Que tipo de som? Haruhiro nĂŁo sabia, mas era alto. Seu corpo todo tremia como se tivesse se transformado em um grande tĂmpano. Seu ser inteiro foi abalado pelo som.
NĂŁo houve tempo para se surpreender, ele estava Ă mercĂȘ do som. Essa era uma experiĂȘncia nova para ele. De onde vinha o som? De onde ele tinha vindo, e atĂ© onde ele tinha ido? Ele nĂŁo tinha certeza de quĂŁo vasto o Reino do CrepĂșsculo era, mas nĂŁo podia ser tĂŁo pequeno. SerĂĄ que tinha alcançado o fim de tudo?
Haruhiro viu o som. Ele sacudiu o mundo e o distorceu. As distorçÔes eram visĂveis aos olhos.
Haruhiro segurou o peito. Seu coração estava disparado. O som passou em poucos segundos, no måximo. No entanto, seu coração ainda tremia. Era diferente do seu pulso. Estava dormente? Era algo parecido com isso.
Ele olhou ao redor. Ninguém estava bem. Todos tinham sido atingidos por aquele som agora. Shihoru estava sentada no chão, segurando a cabeça.
â VocĂȘ estĂĄ bem? â Mary segurou Shihoru enquanto a ajudava a se levantar.
Shihoru assentiu, mas parecia nĂŁo conseguir dizer nada. Havia lĂĄgrimas em seus olhos.
â O que… vocĂȘ acha… que foi isso agora? â Haruhiro tentou perguntar a Shinohara, mas logo pensou que Shinohara estaria tĂŁo perdido quanto ele.
Como esperado, Shinohara balançou a cabeça. Seus olhos tinham um brilho mais afiado do que o habitual.
â NĂŁo sei… mas duvido que seja um bom sinal.
â VocĂȘ acha? â Tokimune soltou um suspiro profundo e, em seguida, exibiu seus dentes brancos. â Eu nĂŁo poderia estar mais empolgado, no entanto.
Ah… Isso nĂŁo vai acabar bem, pensou Haruhiro. Eu posso dizer por experiĂȘncia prĂłpria, nunca acontece nada de bom quando Tokimune diz isso. Isso Ă© o pior. Eu nĂŁo gosto mais disso. Como as coisas chegaram a esse ponto? De quem Ă© a culpa? O que estĂĄ acontecendo? Parem, por favor. Droga. Droga. Droga.
Haruhiro soltou todas as reclamaçÔes que pÎde pensar em sua mente, e então engarrafou todas elas.
Eu quero fugir. Mas nĂŁo posso.
Eu estou pronto para issoâmas essa Ă© uma coisa que eu nĂŁo consigo dizer. NĂŁo Ă© possĂvel. Mas tenho que me preparar. NĂŁo importa o que aconteça, tudo o que posso fazer Ă© lidar com isso. NĂŁo importa o que aconteça?
O que diabos vai acontecer aqui?
Eu nĂŁo sei.
Como eu poderia saber?
Os membros do Iron Knuckle e dos Berserkers se reuniram em seus respectivos grupos para discutir. Orion estava fazendo o mesmo. Aqueles que nĂŁo pertenciam a um clĂŁ, ou que tinham vindo ao Reino do CrepĂșsculo como parte de uma party independente, tambĂ©m estavam se reunindo, incertos. De alguma forma, embora a party de Haruhiro e os Tokkis nĂŁo tivessem realmente decidido fazer isso, as circunstĂąncias os levaram a se juntar ao grupo de Orion.
Eles discutiram vĂĄrias coisas.
Onde estĂĄ a party de Soma? Onde estĂŁo Akira-san e sua party? Que som foi esse agora hĂĄ pouco? O que devemos fazer? O que podemos fazer por enquanto? DevĂamos voltar para casa. Mesmo que quisĂ©ssemos voltar, o problema Ă© que nĂŁo hĂĄ um jeito fĂĄcil de fazer isso. EntĂŁo, o que deverĂamos fazer? DevĂamos sair daqui. Mas por que sairĂamos do assentamento? Seja o que for que decidirmos, precisamos escolher uma direção geral a seguir. Ă melhor nĂŁo nos separarmos. Melhor ficarmos juntos. NĂŁo, talvez fosse realmente melhor nos separarmos, para nĂŁo concentrar todo mundo em um sĂł lugar. Se todos estiverem amontoados, hĂĄ o risco de sermos exterminados. Exterminados? O que quer dizer com exterminados? Ainda nĂŁo sabemos, certo? Pode ser que nada aconteça. Onde estĂŁo Soma e sua party? Inicialmente Ăamos nos reunir na colina inicial. Agora nĂŁo podemos; por isso Orion veio para o assentamento. Provavelmente Ă© o mesmo para os outros. EntĂŁo, onde estĂŁo Soma e sua party? Akira-san? O que fazemos? O que devemos fazer? Qual Ă© a ação correta?
A discussão não levava a lugar nenhum. Eles não encontravam respostas. Iron Knuckle e os Berserkers também não estavam se movendo.
Eventualmente, Shinohara e Kimura começaram uma conversa. Parecia que os dois decidiriam o que fazer por Orion.
Havia soldados voluntĂĄrios espalhados, discutindo sobre isso ou aquilo. Era barulhento. Mas nĂŁo sĂł issoâhavia uma inquietação no ar.
Haruhiro precisava dizer algo. Precisava falar com seus companheiros. Porque Haruhiro era o lĂder. Ele precisava decidir. Era assim que se sentia, mas nĂŁo conseguia pensar direito. Nada vinha Ă mente.
Isso nĂŁo era bom. NĂŁo podia deixar as coisas assim. Honestamente, era a Ășnica coisa que Haruhiro sabia. Ele nĂŁo queria olhar seus companheiros nos olhos, entĂŁo abaixou a cabeça.
Isso nĂŁo Ă© bom. SĂ©rio, isso Ă© muito ruim. Ele se sentia mal. NĂŁo consigo respirar direito. EstĂĄ doendo. Eu nĂŁo tinha me preparado para o pior? Que patĂ©tico. Ă, isso mesmo. Eu sou uma pessoa patĂ©tica. Eu sei. NĂŁo consigo ser decisivo, mesmo que eu queira. Afinal, nĂŁo Ă© o que eu sou.
â Ouça â disse Kuzaku. â Eu vou te seguir. NĂŁo importa o que aconteça, eu tĂŽ contigo, Haruhiro. Achei que devia pelo menos dizer isso.
â E-Eu tambĂ©m â Shihoru levantou a mĂŁo levemente. â Haruhiro-kun, vocĂȘ jĂĄ me salvou tantas vezes. Eu queria dizer isso…
â Tem que ser o Haru-kun, nĂ© â disse Yume com uma risadinha.
â Eu tenho certeza â Mary sorriu. â Se vocĂȘ nĂŁo tivesse estado lĂĄ, Haru, algo terrĂvel teria acontecido. Quero dizer, de muitas maneiras. Eu estou aqui agora graças a vocĂȘ.
Tudo ressoou.
De muitas maneiras.
As palavras de Mary, em particular.
Então é assim, né?
NĂŁo era exatamente a melhor maneira de colocar, mas ele sentiu como se algo precioso tivesse sido arrancado dele.
Se ao menos ele tivesse percebido antes. Que ele realmente amava Mary.
Ainda assim, mesmo que ele tivesse se dado conta, esse era Haruhiro. Com certeza, ele nĂŁo teria agido de forma diferente. Em outras palavras, teria resultado na mesma coisa.
Sim. A mesma coisa. As coisas aconteceram desse jeito porque precisavam acontecer.
â Heh â Ranta deu uma risada zombeteira. â VocĂȘs sĂŁo tĂŁo bregas. Queriam tanto disparar suas bandeiras de morte assim? Bando de idiotas. SĂ©rio, sĂ©rio.
Na verdade, foi reconfortante. Se Ranta nĂŁo agisse como Ranta, isso teria tirado Haruhiro do eixo.
Haruhiro girou os ombros, tentando relaxar a tensão. De que adiantava ficar nervoso? Não era esse o tipo de situação.
â Eles nĂŁo vĂŁo morrer, cara â os olhos de Haruhiro provavelmente pareciam sonolentos naquele momento. Claro, ele nĂŁo estava cansado. â Eu nĂŁo vou deixar mais ninguĂ©m morrer.
No momento em que disse isso, ele começou a pensar coisas como: Bem, Ă© o que eu espero, vou me esforçar atĂ© a morte para manter todos vivos, Ă© o que estou dizendo, Ă© uma expressĂŁo de intenção, nĂŁo sei se Ă© possĂvel ou nĂŁo, masâ
Esse era Haruhiro. Ele nĂŁo podia mudar quem era de repente. No entanto, fingir que tinha mudadoâisso, atĂ© certo ponto, ele podia fazer.
â Ducky, estamos indo! â Max levou Iron Knuckle Ă ação. Parecia que eles estavam indo para a colina inicial.
â Façam o que quiserem! Os Berserkers vĂŁo ficar de prontidĂŁo! â gritou Ducky. Parecia que os Berserkers planejavam permanecer no assentamento.
Max e Ducky tinham constituiçÔes fĂsicas diferentes, mas eram do mesmo tipo. Como lĂderes, ou chefes, na verdade, Iron Knuckle e os Berserkers exalavam uma aura semelhante. Eles eram agressivos e chamativos.
Iron Knuckle usava azul e preto, enquanto os Berserkers usavam vermelho como suas cores distintivas, e cada um dos membros exibia essas cores em seus equipamentos. Parecia que eles tinham sĂmbolos de clĂŁ, tambĂ©m. O sĂmbolo do Iron Knuckle era um punho cerrado, enquanto os Berserkers usavam uma caveira com uma espada e um machado cruzados. No entanto, apesar de serem semelhantes, o Iron Knuckle era mais alegre e travesso, dando uma sensação de juventude. JĂĄ os Berserkers tinham o que poderia ser chamado de dignidadeâou, menos caridosamente, de astĂșcia.
Iron Knuckle estava indo ao ataque, os Berserkers na defensiva. Shinohara e Kimura ainda estavam discutindo. O que os Tokkis fariam? Haruhiro olhou para Tokimune para avaliar sua reação.
Hein? Algo estranho? Ele pensou de repente. Estranho como… isso Ă©…
Esse som.
Haruhiro olhou para o leste. Depois, para o sul.
EstĂĄ chegando. Cada vez mais perto. Um gigante branco. Passos, Ă© isso. Essa vibração… SĂŁo os passos de um gigante branco. NĂŁo, mas isso… Espera, o quĂȘ? o nĂșmero…
Não é só um ou dois, né? Quantos são? Não sei. Talvez ainda estejam longe?
Eles estĂŁo vindo de lĂĄ… e de lĂĄ tambĂ©m?
NĂŁo consigo contar. SĂŁo muitos. NĂŁo tenho tempo de ficar aqui contando.
â Te-Tem um enxame de gigantes brancos! â A voz de Haruhiro parecia prestes a falhar.
â Uau… â AtĂ© Tokimune ficou chocado. â EstĂŁo vindo de todos os lados, hein.
Tada riu, girando seu martelo de guerra. â Ă assim que eu gosto.
â Heh… â Inui abriu os braços. â Vento da ruĂna, sopre com toda a sua fĂșria!
â NĂŁo fala essas coisas de mau agouro, tĂĄ?! â Anna-san deu um soco em Inui.
â Eu vou ard-gu, Anna-san, com todo o meu fe-li! â Kikkawa apontou para si mesmo com o polegar.
â Ard-gu e fe-li… â Haruhiro murmurou para si mesmo. Provavelmente eram algumas das palavras confusas de Kikkawa, mas ele nem conseguia mais entender o que significavam.
â Kwahh â Mimorin soltou um som estranho enquanto sacava sua espada.
â Parece que vamos ter que lutar, droga. â Ranta abaixou a viseira do elmo.
â Mas mesmo que a gente vĂĄ lutar… â Kuzaku ajustou o elmo e levantou o escudo. â …serĂĄ que conseguimos?
Yume, Shihoru e Mary estavam todas em silĂȘncio. Suas expressĂ”es eram rĂgidas e sombrias. AtĂ© Yume estava fazendo uma careta.
Haruhiro honestamente queria fugir. Mas a questĂŁo era: para onde? Sim, nĂŁo parecia haver nenhum lugar para ir. Porque o deus gigante estava na colina inicial.
SerĂĄ que o deus gigante tinha feito aquele som incrĂvel? Era esse tipo de coisa que ele estava pensando. E agora as coisas ficaram assim? Dizem que Ă© melhor nĂŁo mexer com os deuses adormecidos, mas talvez nĂłs, soldados voluntĂĄrios, tenhamos irritado os deuses deste Reino do CrepĂșsculo?
NĂŁo importava. Pelo menos, nĂŁo era algo para pensar agora.
â Ei, Shinohara! â Ducky gritou, acenando para eles. â Ajuda a gente aqui! Se separar nĂŁo Ă© uma boa ideia!
â Vamos chamar o Iron Knuckle de volta tambĂ©m. â Shinohara assentiu. â Esse Ă© um momento em que precisamos nos unir, deixando de lado as diferenças entre clĂŁs! O Orion vai fazer como sempre!
â Ouçam, nĂŁo ousem ficar com medo e dar as costas para o inimigo! â Ducky rugiu. â Se fugirem, esperem ser mortos! Enfrentem atĂ© a morte!
â Por que aquele ruivo tĂĄ falando o Ăłbvio? â Tada riu zombando.
Esse cara nĂŁo tinha medo?
Haruhiro estava com medo. Ele sentia suas pernas e seu estĂŽmago tremerem.
O Iron Knuckle deu meia-volta e voltou, liderado por Max.
â Eles estĂŁo vindo, estĂŁo vindo, estĂŁo vindo! â Tokimune batia com a espada no escudo.
Ah, eu nĂŁo quero olharâMas Haruhiro precisava olhar. Os gigantes brancos. Ao sul, ainda estavam longe. Os gigantes brancos a leste estavam bem mais prĂłximos. Pelo que conseguia ver, eram cerca de dez, talvez? Poderiam haver mais atrĂĄs.
Embora houvesse diferenças entre os gigantes brancos, eles podiam ser divididos em trĂȘs categorias de tamanho. Os da classe de quatro metros, os da classe de seis metros e os da classe de oito metros. Aqueles da classe de oito metros eram raros, e Haruhiro nunca tinha visto um antes.
Havia dois que pareciam ser da classe de oito metros. Um era da classe de seis metros, e o resto da classe de quatro metros.
Haruhiro nĂŁo era corajoso e decisivo, nem de coração firme, nem pensava claramente, nem era calmo. O melhor que conseguia fazer era atuar no papel de lĂder destemido. Ele precisava desempenhar esse papel de alguma forma.
Shihoru. Yume. Ranta. Mary. Kuzaku. Ele olhou para o rosto de cada um deles. Tenho meus companheiros, e nĂŁo quero que nenhum deles morra. Ă por isso que precisamos superar isso juntos.
â Se tĂĄ com sono, vai dormir, lĂder â Ranta riu.
â Quantas vezes eu tenho que te dizer? Eu nasci com esses olhos. â Haruhiro bateu o punho contra o peito. â …Beleza. Vamos fazer o que precisamos. O sono pode ficar pra depois.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
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