Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 03 â Volume 6
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 03:
[Com Todo Meu Coração]
…E daĂ? Mesmo que fosse verdade, isso significava alguma coisa?
NĂŁo. NĂŁo significava nada. NĂŁo havia nada que ele pudesse fazer a respeito.
Os sentimentos de Haruhiro nĂŁo impactavam a maneira como todos viviam o dia a dia. Seus sentimentos nĂŁo mudavam nada.
Agora ele havia resolvido esses sentimentos, ou aceitado, poderia-se dizer. Na verdade, toda a frustração dele havia evaporado neste ponto. Ele nem ligava mais para o que estava acontecendo entre Mary e Kuzaku.
Bem, nĂŁo tinha chegado ao ponto de ele pensar: Espero que os dois sejam felizes, mas sim: Tudo bem, façam o que quiserem. Ah, e vocĂȘs podem atĂ© pensar que estĂŁo mantendo isso em segredo, mas eu seiâ
Talvez?
Sim, honestamente, ele não conseguia pensar assim também.
Eles achavam que era um segredo, mas ele sabia. O que ele poderia fazer para resolver essa diferença? Ele deveria tentar resolver isso? Ele não tinha certeza.
Era desconfortĂĄvel.
EntĂŁo, quando surgiu a ideia de Vamos voltar para Altana por um tempo, foi um grande alĂvio.
Ele tinha guardado uma boa quantia de dinheiro, então estava na hora de aprender pelo menos uma nova habilidade, e ele queria fazer algumas compras também.
Além disso, ele queria se encarar de forma adequada. Ou melhor, ele precisava de um tempo. Resolver seus sentimentos e tudo mais, não era tão fåcil!
Ao longo de cerca de dois dias, eles viajaram do Assentamento do Reino do CrepĂșsculo, passando pelo Posto Avançado do Campo SolitĂĄrio, e depois atravessando as PlanĂcies do Vento RĂĄpido, atĂ© Altana.
Eles se separaram por um tempo ali. Haruhiro foi para a guilda dos ladrĂ”es, onde passou sete dias aprendendo Stealth (Furtividade), a habilidade suprema dos ladrĂ”es. Ele tinha pensado em aprender Air Throw (Arremesso), uma habilidade de combate e assassinato, mas como lĂder simples e entediante que tambĂ©m fazia o papel de batedor, o que ele realmente queria era o conjunto completo de habilidades que o permitissem ocultar sua presença e nĂŁo ser detectado pelos outros.
Ele pagou 20 moedas de ouro para a guilda por isso. NĂŁo foi baratoâ na verdade, foi caroâmas, se ele nĂŁo aprendesse direito, estaria perdendo uma grande oportunidade. AlĂ©m disso, a mentora de Haruhiro, Barbara, era super rĂgida, entĂŁo nĂŁo havia a menor chance de ela deixĂĄ-lo fazer corpo mole.
â Achei que ia morrer… â Haruhiro gemeu.
Desta vez, sem piadas ou exageros, ela havia dito para ele morrer. Para se tornar um cadĂĄver.
Stealth era composta por trĂȘs tĂ©cnicas amplas:
A primeira, para eliminar sua presença: Hide (Ocultar).
A segunda, para se mover com a presença eliminada: Swing (Balanço).
A terceira, para utilizar todos os seus sentidos e detectar a presença dos outros: Sense (Sentido).
Quando ele começou com Hide, a primeira etapa, Barbara havia ordenado que ele morresse e, em seguida, o puniu impiedosamente quando ele nĂŁo conseguiu fazer direito. Ela quebrou dois, talvez trĂȘs ossos, e entĂŁo o forçou a treinar Hide naquele estado.
Havia uma pessoa com um passado duvidoso, um ex-ladrão que agora era sacerdote. Quando alguém se machucava na guilda dos ladrÔes, ele vinha curar, mas ainda assim era questionåvel se Barbara deveria estar levando seus alunos ao ponto de quase desmaiar de tanta dor. Era cruel.
Como Barbara-sensei dizia, se ela não o quebrasse sob essas condiçÔes extremas, ele não aprenderia direito. Ela estava fazendo isso tudo por ele. Ele deveria estar chorando de gratidão.
Na verdade, era um teste pelo qual ele nĂŁo conseguiria passar sem derramar algumas lĂĄgrimas. Ele podia ver como o que Barbara dizia tinha um pouco de verdade. Contudo, se tivesse cometido um erro, Haruhiro poderia ter morrido. Era assustador.
Mas ter suportado tudo isso valeu a pena. Os fundamentos de Stealth agora estavam gravados profundamente na mente e no corpo de Haruhiro, e nunca mais o deixariam. Agora, atĂ© quando ele vagava sem rumo por Altana Ă noite, ele se pegava usando Hide, Swing e Sense sem nem perceber. Era um pouco estranho, para dizer o mĂnimo.
â VocĂȘ tem aptidĂŁo para isso â Barbara havia dito, oferecendo-lhe um raro elogio. â VocĂȘ realmente deve ter nascido para esse trabalho.
â Bem… â Haruhiro sorriu um pouco enquanto se misturava Ă multidĂŁo no mercado. â Fico feliz em ouvir isso…
Mesmo que seja para ser um ladrão, né?, ele pensou. Não precisa nem dizer, mas um ladrão é alguém que rouba coisas. Um assaltante.
Aparentemente, a guilda dos ladrĂ”es teve suas origens em uma sociedade secreta de ladrĂ”es, ViĂșva Negra, que operava nas sombras do Reino de Arabakia. Quando Arabakia avançou para as fronteiras, a ViĂșva Negra ofereceu ajuda ao ExĂ©rcito Real em troca da libertação de seus camaradas presos. Essa oferta foi aceita, e alguns desses antigos prisioneiros, que foram enviados para a morte certa como batedores nas fronteiras, acabaram criando a guilda dos ladrĂ”es.
Que bela história heroica, hein? Haruhiro pensou. Serå que é por causa dessas origens que o treinamento da guilda dos ladrÔes é tão duro? Ou a Barbara-sensei é só uma sådica?
Qualquer que fosse o caso, um ladrĂŁo ainda era um ladrĂŁo. Alguns usavam as habilidades que adquiriram na guilda para levar uma vida de crimes interminĂĄveis. Haruhiro nĂŁo tinha pensado muito nisso antes de se tornar um ladrĂŁoâna verdade, ele nem pensava nissoâmas, quando ele dizia: Eu sou um ladrĂŁo, fazia mais de uma pessoa franzir a testa. Especialmente aqueles que levavam vidas normais em Altana.
Isso é só preconceito, ele poderia tentar explicar. A maioria dos ladrÔes da guilda são soldados voluntårios e não roubam nada.
Mas a arte do roubo ainda incluĂa habilidades como Picking (Roubo), Burglary (Arrombamento) e atĂ© mesmo Pickpocket (Batedor de Carteiras), todas com aplicaçÔes prĂĄticas. Se quisesse, um ladrĂŁo poderia se voltar para o crime a qualquer momento. NĂŁo era difĂcil culpar as pessoas por serem cautelosas.
â NĂŁo Ă© uma profissĂŁo muito respeitada, nĂ©? â murmurou Haruhiro.
Ele gostava de se esgueirar e fazer reconhecimento. Isso combinava com ele, a ponto de pensar que era sua vocação.
â Mas ladrĂŁo, hein… Talvez eles devessem ter mudado o nome…
Quando a guilda foi formada, não precisavam se chamar de ladrÔes. Poderiam ter escolhido outro nome. Ou serå que os nossos antecessores que fundaram a guilda tinham orgulho de serem ladrÔes? Não, mas isso é algo de que se ter orgulho?
â A guilda dos ladrĂ”es nĂŁo tem um cĂłdigo, entĂŁo alguĂ©m poderia atĂ© fundar outra guilda… NĂŁo que eu vĂĄ fazer isso, Ă© claro â murmurou. â SerĂĄ que alguĂ©m faz isso por mim?
Se alguém fizesse, Haruhiro se juntaria a essa guilda num piscar de olhos.
Vou ficar um pouco triste em romper minha relação de mestre e aprendiz com a Barbara-sensei? Talvez? Talvez não? Quero dizer, a Sensei é assustadora.
Bem, nĂŁo era como se ele estivesse considerando isso seriamente. NĂŁo importava tanto assim.
Ranta havia dito que passaria seis dias aprendendo Missing (Desaparecer), uma habilidade de combate dos Cavaleiros das Trevas. Shihoru havia dito que passaria cinco dias aprendendo Shadow Pond (Lago Sombrio), que pertencia ao foco principal dela, a Magia Darsh, e depois dois dias tentando aprender o feitiço Ice Globe (Globo de Gelo) da Magia Kanon. Yume parecia ter algo em mente e planejava passar sete dias aprendendo habilidades como Hunting (Caça), Tracking (Rastreamento), Pit Trap (Armadilha de Poço) e Bear Trap (Armadilha de Urso).
Como Mary nĂŁo podia usar magia de luz no Reino do CrepĂșsculo, ela decidiu passar cinco dias aprendendo a habilidade de autodefesa Revenge (Vingança), enquanto Kuzaku decidiu passar seis dias aprendendo as tĂ©cnicas defensiva Guard (Guarda) e Tug of War (Cabo de Guerra).
Haruhiro, Shihoru e Yume passaram sete dias treinando, Ranta e Kuzaku seis, e Mary cinco. Quanto aos Tokkis, Anna-san e Tada finalmente aprenderam Sacrament (Sacramento). Os outros também se esforçaram em seus próprios treinamentos, e depois usaram o tempo livre para fazer o que quisessem. Amanhã todos se reuniriam novamente.
Ranta provavelmente estava no Beco Celestial por agora, atrĂĄs de mulheres. Haruhiro nĂŁo sabia muito sobre isso, mas Altana tinha bordĂ©is… Era assim que se chamavam? Lugares onde vocĂȘ pagava para ter a companhia de mulheres, e nĂŁo faltavam pessoas que frequentavam esses lugares.
Na verdade, Ranta o convidara uma vez. Quando ele recusou, Ranta ficou bravo. Ele aparentemente nĂŁo tinha coragem de ir sozinho e estava tentando arrastar Haruhiro junto. Se ele quisesse ir, deveria ter simplesmente erguido a cabeça e ido. No entanto, Ranta simplesmente nĂŁo conseguia se obrigar a dar esse passo, e sem dĂșvida ainda nĂŁo havia ido. Ele provavelmente estava em algum bar, com garotas servindo suas bebidas, afogando as mĂĄgoas, ou paquerando.
Mary e Kuzaku estavam…
Bem, sabe como Ă©? Provavelmente estavam juntos em algum lugar. Claro que estariam! Eles pareciam estar saindo juntos, afinal. Me pergunto se eles estĂŁo… fazendo isso. NĂŁo que eu me importe. Por favor, construam uma famĂlia maravilhosa. SerĂĄ que estou me adiantando? Bem, isso pode acontecer eventualmente. Acho que seria uma boa coisa…? Talvez…?
O sino começou a tocar. Era o sino das seis da tarde. O sino que marcava as horas em Altana começava a tocar a cada duas horas a partir das seis da manhĂŁ. Ăs seis da tarde, ele tocava sete vezes para avisar a chegada da noite e depois âdormiaâ atĂ© o dia seguinte. As lojas no mercado começariam a fechar, enquanto o Beco Celestial se tornaria mais movimentado.
Haruhiro parou em frente Ă Companhia de DepĂłsitos Yorozu.
â Ei.
â TĂĄ atrasado, tĂĄ?! â disse Anna-san, inflando as bochechas de raiva e pulando. â Talvez nĂŁo, nĂ©?! Porque vocĂȘ nĂŁo tĂĄ realmente atrasado, nĂ©?! Mas, em um encontro, o homem tem que chegar cedo, yeah?! Yeah?!
Haruhiro inclinou a cabeça.
â Me desculpa.
â VocĂȘ nĂŁo tĂĄ agindo com retidĂŁo, nĂ©?!
â VocĂȘ quis dizer sinceridade.
â Com sinceridade!
â Ah, entendi â disse Haruhiro. Ela queria que ele fosse sincero com ela? Eu pensei que ela tava falando sobre outra coisa. Que vergonha.
Haruhiro olhou hesitante para a garota alta que estava ao lado de Anna-san.
â … Oi.
â Oi… â Mimorin sorriu. Talvez? Sua expressĂŁo quase nĂŁo mudava, entĂŁo era difĂcil dizer. â Eu queria te ver.
As palavras dela eram diretas o suficiente para nĂŁo haver chance de mal-entendido. Ela era tĂŁo direta que isso fazia o estĂŽmago de Haruhiro doer.
â …Entendo â murmurou ele.
â E vocĂȘ, Haruhiro? â ela perguntou.
â HĂŁ, eu?
â VocĂȘ tambĂ©m queria me ver?
â Er…
Haruhiro abaixou a cabeça. Isso o fazia querer dar uma resposta diplomåtica. Se ele desse, seria mais fåcil. Pelo menos por enquanto. Mas ele não conseguia fazer isso.
Haruhiro levantou o rosto, olhando Mimorin nos olhos.
â Acho que nem tanto.
â Oh! â ela exclamou.
â Dizer isso com uma voz sem emoção nĂŁo ajuda muito…
â Estou muito magoada. Meu coração estĂĄ partido.
â Pronto, pronto, nĂ©? â Anna-san começou a esfregar as costas de Mimorin, ou melhor, o traseiro dela. Haruhiro podia ver as lĂĄgrimas se formando nos olhos de Mimorin, e atĂ© ele ficou surpreso com aquilo.
â NĂŁo, esperaâo-onde estĂĄ o Kikkawa? Ele tambĂ©m devia estar aqui hoje…
â Houve circunferĂȘncia? â Anna-san disse, continuando a esfregar o traseiro de Mimorin enquanto dava de ombros. â Ah! NĂŁo. CircunstĂąncias? Foi por isso que o Kikkawa nĂŁo veio, nĂ©.
â Com o Kikkawa, serĂamos quatro, e poderĂamos ter aproveitado o tempo para nos conhecermos melhor. Foi por isso que eu aceitei…
â Na vida, hĂĄ altos e baixos! NĂ©?! â disse Anna-san.
â NĂŁo entendi…
â Droga, vocĂȘ tem que entender o coração de uma donzela, poxa! NĂ©?!
â TĂĄ tudo bem. â Mimorin limpou as lĂĄgrimas dos olhos usando os dois dedos indicadores. â Isso nĂŁo Ă© o suficiente para me desencorajar.
Desencoraja, por favor,… Haruhiro pensou isso, mas nĂŁo era como se ele quisesse partir o coração de Mimorin. Se possĂvel, ele nĂŁo queria que ela se machucasse.
Ela podia estar em outra party, mas, de certa forma, eles eram como aliados, entĂŁo ele queria se dar bem. Pelo menos, ele nĂŁo queria que a atmosfera ficasse tensa. Ele nĂŁo queria nada especial, apenas que as coisas fossem normais entre eles. No entanto, por algum motivo, Mimorin nĂŁo parecia sentir o mesmo, e ele jĂĄ tinha recebido vĂĄrios convites para sair com ela, sempre por meio de Anna-san.
No começo, eram encontros a sós com Mimorin. Bem, basicamente algo como um encontro. Ficava claro que Anna-san estava tentando fazer ele ir com a maré e ficar com ela, então ele recusava educadamente.
Isso, no entanto, não fez Mimorin desistir, e Anna-san provavelmente ficou irritada com isso também, então os convites continuaram. No final, até Tokimune havia pedido para ele, Por favor, saia em um encontro com ela, só uma vez.
Se ele continuasse recusando, achava que poderia acabar irritando as pessoas, mas Haruhiro podia ser bem teimoso. Ele deu condiçÔes.
Encontro a sĂłs estava fora de questĂŁo. Afinal, como ele jĂĄ tinha deixado claro, Haruhiro nĂŁo estava interessado. Se alguĂ©m mais estivesse presente e fosse estritamente como amigos, Haruhiro nĂŁo odiava Mimorin nem nada do tipo, entĂŁo ele nĂŁo teria problema com isso. Foi assim que, ocasionalmente, Mimorin, Anna-san e mais uma pessoa saĂam para comer com Haruhiro ou faziam caminhadas juntos.
Dessa vez, como estavam de volta a Altana depois de um tempo, a sugestĂŁo foi que os quatroâMimorin, Anna-san, Haruhiro e Kikkawaâfossem a um bom restaurante para jantar juntos. NĂŁo havia razĂŁo para ele recusar, entĂŁo ele aceitou.
Honestamente, ele ainda se sentia um pouco hesitante. Mas não podia negar que estavam começando a se sentir vagamente como amigos, então talvez conseguissem passar por isso numa boa? Foi o que ele pensou.
Talvez estivesse sendo ingĂȘnuo. Ele caiu direitinho na armadilha deles.
Ele nĂŁo estava satisfeito.
Mas também não estava bravo. Ficar bravo só o deixaria cansado.
â Bem, de qualquer forma, vamos comer algo? â Haruhiro perguntou.
â Vou comer. â Mimorin assentiu com firmeza.
Uau, pensou Haruhiro. Os olhos de Mimorin estĂŁo brilhando. Ela tĂĄ tĂŁo feliz assim?
Quando alguĂ©m estĂĄ tĂŁo feliz, Ă© difĂcil nĂŁo se contagiar. Mas eu nĂŁo desgosto dela, entendeu? Acho que ela Ă© um pouco estranha. Ela Ă© alta demais, e eu tenho que olhar para cima, o que acaba me puxando o pescoço, mas isso nĂŁo Ă© um grande problema.
Os trĂȘs se dirigiram ao lugar que Anna-san disse que havia escolhido. Surpreendentemente, o cozinheiro, que tambĂ©m era o dono, era um elfo. Esse restaurante era conhecido pela sua carne apimentada e pela grande variedade de pratos com vegetais.
Era um restaurante longo e estreito, e também lotado, mas eles conseguiram entrar de alguma forma. Havia uma pequena mesa no fundo, cercada por cadeiras de quatro pés. Anna-san e Mimorin se sentaram de um lado, enquanto Haruhiro ficou de frente para elas. Anna-san, que gostava de estar no controle em ocasiÔes como essa, fez os pedidos.
A cerveja de ervas descia mais fåcil que a cerveja comum. Cada prato exalava um aroma maravilhoso que estimulava o apetite, e o sabor também era muito bom.
Durante a refeição, Mimorin não disse nada. Anna-san, por outro lado, era bem falante, como sempre. Mimorin se sentava reta, quase sem fazer barulho. Seu jeito de comer era muito educado.
JĂĄ a maneira como Anna-san comia era bem desleixada. Para ser bem franco, seus modos eram terrĂveis. A verdade era que Haruhiro nĂŁo suportava pessoas que deixavam comida cair, derrubavam coisas e mastigavam alto. Ele nĂŁo a repreendeu nem fez uma cara feia, mas gostaria que ela pudesse melhorar isso.
Nesse ponto, ele via Mimorin de forma favorĂĄvel. Honestamente, ele nĂŁo a odiava como pessoa.
â EntĂŁo? â Anna-san, que parecia estar um pouco alterada pelo ĂĄlcool, fixou o olhar nele e soltou um arroto forte com cheiro de ervas. â O que vocĂȘ tem contra a Mimorin? VocĂȘ Ă© sĂł um Haruhiro estĂșpido. What the hell, seu virgem!
â O que vocĂȘ quer dizer com… â Haruhiro olhou de relance para ver a expressĂŁo de Mimorin.
Os olhos deles se encontraram. Ela estava olhando fixamente para ele.
â Espera, Ă© disso que estamos falando? Eu jĂĄ estou pronto para dizer que podemos ser sĂł amigos, de verdade…
â VocĂȘ pode estar bem com isso, mas a Mimorin nĂŁo estĂĄ, entendeu?! â gritou Anna. â Entenda isso, idiota! Understand?
â No understand â ele disse secamente.
â Como nĂŁo?! Dead or death?!
â Se essas sĂŁo minhas opçÔes, estou morto de qualquer jeito…
â Sem gracinhas! Responde logo! â Anna-san bateu na mesa. â O que hĂĄ de errado com a Mimorin, hein?! Se vocĂȘ nĂŁo tiver bons motivos, eu nĂŁo vou te perdoar, tĂĄ?!
â Anna-san, c-calma… â murmurou Haruhiro.
â Como Ă© que eu vou me acalmar, hein?!
â Pelo menos tenta falar mais baixo…
â Por que vocĂȘ tĂĄ tĂŁo calmo?! Fuck, vocĂȘ me irrita!
â Eu nĂŁo sei o que te dizer…
O restaurante ficou mais silencioso Ă medida que Anna-san ficava cada vez mais exaltada. Aquilo estava ficando muito constrangedor.
Haruhiro pigarreou alto, esfregando a testa. Ele não queria ter aquela conversa, mas se não desse uma resposta séria, Anna-san não iria parar.
â Bem… NĂŁo sei â disse Haruhiro. â NĂŁo Ă©… como posso dizer? NĂŁo Ă© que haja algo de errado com ela, ou que eu nĂŁo goste dela, ou algo assim, sabe?
â EntĂŁo â perguntou Mimorin, inclinando-se para frente â o quĂȘ?
â Hmm… â Haruhiro fechou os olhos, esfregando-os com as duas mĂŁos. â NĂŁo tenho certeza se consigo explicar isso muito bem. Tenho a sensação de que… me falta experiĂȘncia.
â O mesmo vale para mim â disse Mimorin.
â E pra Anna-san tambĂ©m, yeah?!
â …E-eu entendo. Erm, sabe? NĂŁo Ă© uma questĂŁo lĂłgica, certo? Esse tipo de coisa nĂŁo Ă©. Quer dizer, obviamente, nĂ©? Tem coisas como gostar do rosto da pessoa, ou dela ter sido gentil com vocĂȘ, essas coisas. As razĂ”es pelas quais as pessoas, basicamente, se apaixonam e tal? Os gatilhos. Em alguns casos, pode haver um, mas serĂĄ que Ă© sĂł isso? Talvez nĂŁo…
â Eu te amo, Haruhiro â disse Mimorin. â VocĂȘ estĂĄ certo, nĂŁo hĂĄ lĂłgica nisso.
â NĂŁo, escuâ
Ele quase disse Obrigado, mas se forçou a parar. NĂŁo havia dĂșvida de que aquilo o estava incomodando. Se ele agradecesse, seria uma mentira.
â Ă, â disse Haruhiro. â Olha, bem, nĂŁo Ă© que tenha algo errado com vocĂȘ, Ă© sĂł que eu nĂŁo sinto esse tipo de coisa por vocĂȘ, de jeito nenhum. Acho que Ă© ruim eu dizer isso assim tĂŁo direto? Talvez nĂŁo seja?
â Claro que vocĂȘ estĂĄ sendo ruim, nĂ©?! Ohhh, Mimoriiiin, Mimoriiiin…
Anna-san perdeu o controle, tentando abraçar Mimorin pelos ombrosâmas, dada a diferença de tamanho entre elas, isso era impossĂvel. Era um desafio inatingĂvel.
Boa sorte com isso, Anna-san, pensou Haruhiro. A Mimorin ainda estå chorando. Mas cara, ela parece mesmo estar sofrendo. Quando olho para ela, meu peito dói. Isso não significa que vou ceder à emoção, no entanto.
Anna-san começou a chorar também, e quando olhou para ele com os olhos vermelhos e cheios de lågrimas, Haruhiro honestamente quis fugir.
â Haruhiro Ă© cruel! Um homem de coração frio, nĂ©?!
â Ah, claro â ele disse. â NĂŁo posso te culpar por me chamar assim.
â VocĂȘ Ă© uma semente de milho?!
â HĂŁ? Semente de milho…? Ah, quer dizer âadmite”? â Haruhiro perguntou.
(NT: Na tradução inglĂȘs, ela confundiu a palavra âconcedeâ com âCorn seedâ, que significa âsemente de milhoâ.)
â Isso! Essa Ă© a palavra, yeah?! Como vocĂȘ soube?! Isso Ă© incrĂvel!
â Bem, eu tenho que admitir, estou surpreso por ter adivinhado, mas…
â Isso nĂŁo importa, tĂĄ?! â gritou Anna-san.
â Claro que nĂŁo…
â NĂŁo â disse Mimorin com um soluço. â Haruhiro nĂŁo Ă© de coração frio.
â What?! â gritou Anna-san.
â Haruhiro nĂŁo Ă© frio â disse Mimorin. â Ele sĂł nĂŁo Ă© mentiroso.
â Nghhh â Anna gemeu, segurando a cabeça. â NĂŁo Ă© mentiroso? Mas…
VocĂȘ estĂĄ começando a agir como um velho aĂ, Anna-san, pensou Haruhiro.
â Ele simplesmente nĂŁo diz coisas que deixem uma falsa impressĂŁo â Mimorin mordeu o lĂĄbio com força. â Ele nĂŁo me dĂĄ, a quem ele nĂŁo ama, nenhuma esperança.
â Wahhhhhhhhhhh â Anna-san começou a puxar os cabelos, forçando-se a falar com uma voz que parecia prestes a tossir sangue. â Mimoriiiiiiiiiin, vocĂȘ nĂŁo precisava dizer tudo isso, tĂĄ?!
â Eu entendo.
â Maaaassâ
â Eu amo isso nele tambĂ©m.
â Ohhhhhhhh!
â Eu te amo. â Mimorin encarou Haruhiro enquanto as lĂĄgrimas desciam pelo seu rosto. â EntĂŁo, por favor, me deixa te manter como um bichinho de estimação. NĂŁo, quer dizer… namora comigo.
â Me desculpe.
â JĂĄ esperava essa resposta.
Haruhiro continuou, hesitante.
â Bem, sabe… mesmo que essa coisa de âbichinhoâ seja meio estranha, dĂĄ para ver que vocĂȘ estĂĄ falando sĂ©rio e eu entendo, mas… mesmo que eu compreenda isso do meu jeito, ainda assim… isso sĂł piora tudo… sabe? Eu nĂŁo posso simplesmente falar qualquer coisa…

â Idiota! â gritou Anna-san, apontando o dedo para Haruhiro. â VocĂȘ Ă© burro?! TĂĄ na idade de sĂł pensar nessas coisas o tempo todo! Dia e noite, sĂł pensa nisso! Esse Ă© vocĂȘ, jovem! Por que nĂŁo sai com ela e faz o que tem que fazer? Pode, nĂŁo pode? TĂĄ na fase do acasalamento, Ă© ou nĂŁo Ă©?!
â TĂĄ ficando um pouco vulgar aĂ, Anna-san â disse Haruhiro.
â Cala a boca, tĂĄ?! Olha! As peitolas da Mimorin! Boing! Ela tem um corpĂŁo, nĂŁo tem?! NĂŁo dĂĄ vontade de morder aquilo?!
â NĂŁo, eu nĂŁo vou fazer isso â respondeu Haruhiro. â NĂŁo sou o Ranta. Bom, ele sĂł fala da boca pra fora tambĂ©m, entĂŁo duvido que fizesse algo de verdade.
â A Mimorin tĂĄ caidona por vocĂȘ! Completamente! â insistiu Anna. â Com suas sexniques infinitas, ela vai te servir eternamente, sem dĂșvida!
â …Sexniques?
â TĂ©cnicas sexuais sĂŁo sexniques, tĂĄ entendendo?! Special technique! Sacou?!
( Sexual+techniques = sexniques)
â Ă… Mais ou menos. Mas vocĂȘ tĂĄ falando um pouco alto…
â E mais, ela Ă© virgem! Virgem! Nem deu o primeiro beijo ainda!
â Isso Ă© verdade â confirmou Mimorin, com uma expressĂŁo sĂ©ria.
Isso era um ponto importante? Haruhiro nĂŁo entendia muito bem, mas algo parecia estranho se aquilo fosse verdade.
â Huh? …EntĂŁo e essas special… technique…?
â Eu vou estudar â disse Mimorin, assentindo de novo. â TĂĄ tudo bem.
â Deixa com a Anna-san, tĂĄ?! â Anna-san bateu uma mĂŁo em seu prĂłprio peito, que, apesar de grande, nĂŁo era tĂŁo grande quanto o de Mimorin. â A Anna-san vai pegar ela pela mĂŁo e ensinar cada uma das tĂ©cnicas, uma por uma, tĂĄ?!
â VocĂȘ tem bastante experiĂȘncia… entĂŁo? â perguntou Haruhiro, hesitante.
â NĂŁo seja bobo, pervert boy! Eu sou claramente uma virgem fresquinha, tĂĄ?!
â NĂŁo, mas entĂŁoâ
â Heh heh â Anna-san deu um sorriso ousado e beliscou o prĂłprio lĂłbulo da orelha. â A Anna-san sabe muito sobre sexo. Sou o tipo de garota que sĂł aparece uma vez a cada sĂ©culo, sabia? Vai ser fĂĄcil.
â …Entendo.
â Na minha imaginação, eu faço mais de um milhĂŁo de caras chegarem ao clĂmax, sabia?
â Acho que vocĂȘ tĂĄ fantasiando um pouco demais.
â Foi Ăłbvio que era uma piada, tĂĄ?! Porque a Anna-san Ă© uma virgem pura, decente e sagrada!
â Certo, tĂĄ bom. Tudo bem…
Haruhiro tomou um gole da sua cerveja de ervas e olhou para baixo. O restaurante não estava mais silencioso como antes, mas ainda assim eles estavam atraindo atenção, e mais de alguns clientes estavam ouvindo a conversa. Anna-san gostava bastante de piadas sujas. Haruhiro não odiava essas piadas, mas também não gostava tanto delas.
â EntĂŁo, que tal?! â Anna-san tomou um longo gole de sua cerveja de ervas, soltando um suspiro satisfeito. â Por enquanto, por que nĂŁo tenta sair com ela? Tenta, vai? NĂŁo Ă© um mau negĂłcio, tĂĄ? Porque, com esse corpĂŁo, vocĂȘ vai se afogar no desejo sujo todo dia!
â NĂŁo, eu passo.
â Fuck you! â Anna-san mostrou o dedo do meio.
NĂŁo importava o que dissessem, ele nĂŁo ia ceder nisso. Especialmente porque elas eram suas aliadasâmas mesmo que nĂŁo fossem, ele sentiria o mesmo. Ele nĂŁo estava disposto a sair com alguĂ©m por quem nĂŁo tinha sentimentos romĂąnticos. Ou melhor, Haruhiro sentia que isso era impossĂvel para ele. Mesmo que lhe pagassem, ele ainda pensaria assim. Na verdade, se lhe oferecessem dinheiro, isso poderia atĂ© piorar.
Talvez eu sĂł esteja sendo teimoso? pensou. NĂŁo podia negar essa possibilidade, mas a questĂŁo era que ele era assim, simplesmente.
â Existe alguma… â começou Mimorin, mas as lĂĄgrimas começaram a rolar de novo, e ela as enxugou com a mĂŁo. â Desculpa… por chorar.
â …NĂŁo â murmurou. NĂŁo sabia por que, mas aquilo fez seu coração disparar. Por que serĂĄ? Por que seu coração acelerou? Haruhiro nĂŁo fazia ideia. â V-VocĂȘ nĂŁo precisa se desculpar. Erm, ajudaria se vocĂȘ parasse de chorar. NĂŁo Ă© como se eu quisesse te fazer chorar. Eu nĂŁo quero que vocĂȘ chore…
â Isso Ă© uma novidade pra mim â disse Mimorin. â Estou tĂŁo triste que dĂłi.
â …Desculpa.
â NĂŁo se desculpe. NĂŁo Ă© sua culpa, Haruhiro. Eu que me apaixonei por vocĂȘ sozinha.
â Er, Ă©, isso Ă© verdade, mas..
â Posso continuar com minha pergunta? â perguntou Mimorin.
â Ah, claro.
â Existe alguma possibilidade?
â …De quĂȘ?
â Mesmo que nĂŁo agora. Algum dia…
â Hm, vocĂȘ quer dizer em algum momento no futuro? â ele perguntou.
â Sim.
â Hrm…
Haruhiro queria se contorcer, mas se controlou desesperadamente.
NĂŁo sei. Essa Ă© realmente difĂcil. Estou encurralado.
Ele achava que talvez dizer: NĂŁo, em nenhum momento no futuro isso seria possĂvel seria a coisa certa a fazer. Era errado ela se apaixonar por alguĂ©m como Haruhiro em primeiro lugar. O tempo nĂŁo era infinito. Mesmo agora, ele estava passando. NĂŁo era como se ele nĂŁo achasse que ela deveria desistir dele e encontrar outra pessoaâmas, sabe?
Era algo que Haruhiro devia decidir? Mimorin, Ă sua maneira, tinha encontrado algo atraente em Haruhiro. Como resultado, ela se apaixonou por ele. Haruhiro tinha o direito de negar esses sentimentos?
Tendo trabalhado junto com os Tokkis, Haruhiro jå havia pegado uma noção de como Mimorin era. Sim, ela era estranha. Era uma maga, mas não conseguia abandonar os håbitos que adquiriu como guerreira. Ele ficava apavorado quando a via correndo na linha de frente, balançando sua espada. No entanto, ela era forte, e também era boa com a espada. Além disso, se importava muito com seus companheiros.
Ăs vezes, ela era adorĂĄvel.
Ele realmente não a odiava como pessoa. Na verdade, até gostava dela. O problema era o jeito como ela se jogava para cima dele e forçava seus sentimentos. Se não fosse por isso, ele honestamente não teria nenhum problema com ela.
Ele até tinha uma visão positiva da personalidade de Mimorin. Pelo menos, gostava o suficiente para querer respeitar seus pensamentos e sentimentos.
Haruhiro nĂŁo sabia o que fazer com os sentimentos de Mimorin e pensou: Se fĂŽssemos apenas amigos, seria mais fĂĄcil, mas, mesmo assim… nĂŁo seria errado tentar mudar os valores ou sentimentos dela sĂł para se livrar dessa situação incĂŽmoda? No final das contas, ele estava pensando apenas em sua prĂłpria conveniĂȘncia.
Além disso, se ele dissesse que não havia possibilidade de eles ficarem juntos, ele poderia até dizer isso, mas não seria uma mentira? Ninguém sabia o que o amanhã traria. Era questionåvel até se eles ainda estariam vivos.
Apesar disso, serĂĄ que o melhor seria contar essa mentira? Ou ele deveria ser completamente honesto?
O que era o certo? O que ele deveria fazer por Mimorin? SerĂĄ que ele realmente estava pensando em Mimorin? Ou estava apenas fingindo se importar? NĂŁo estaria sendo um hipĂłcrita?
â Posso ser direto? â Haruhiro perguntou finalmente. â Bem, eu vou ser. Eu nĂŁo sei o que Ă© possĂvel. NĂŁo sei o futuro. Isso nĂŁo Ă© sĂł comigo, Ă© com todo mundo. SĂł que, agora, sinceramente, eu acho vocĂȘ uma pessoa interessante. Ă divertido te observar, e eu nĂŁo me importo de conversar de jeito nenhum, mas eu nĂŁo consigo pensar em um relacionamento romĂąntico. Eu realmente sinto como se fosse algo do tipo: NĂŁo podemos ser apenas amigos? Eu nĂŁo consigo fazer mais do que isso agora. Talvez, daqui a alguns anos, eu decida que gosto de vocĂȘ dessa forma, mas eu nĂŁo quero pensar nisso. NĂŁo Ă© algo confiĂĄvel. Mesmo que eu começasse a sentir algo, talvez vocĂȘ jĂĄ tivesse um namorado atĂ© lĂĄ, e eu nĂŁo poderia fazer nada. Ă uma questĂŁo de tempo, sabe? Eu sĂł consigo falar sobre o agora, desculpe. JĂĄ estou com as mĂŁos cheias apenas me preocupando com o presente.
Mimorin encarou profundamente os olhos de Haruhiro, ouvindo com atenção. Não era que ele não achasse isso intimidador, mas fez o måximo para não desviar o olhar. Quando terminou, toda a sua força se esvaiu.
Com certeza devo estar com uma cara de sono agora, ele pensou. NĂŁo estava com sono, mas estava exausto.
â Eu entendo â disse Mimorin, com o rosto todo se contraindo. Ela estreitou os olhos, erguendo os cantos dos lĂĄbios num sorriso que parecia forçado.
Ela entendeu. Graças a deus. Haruhiro fechou os olhos e soltou um suspiro. Isso tira um peso dos meus ombros.
Sabe, meu corpo não é grande, e minha barriga também não é, então hå um limite para o quanto eu posso carregar. Eu só consigo carregar tantas responsabilidades. Eu lidero a party, e faço meu trabalho como ladrão. Esse é meu limite. Não tenho tempo para pensar ou fazer algo além disso.
Isso mesmo. Como romance. Eu nĂŁo tenho tempo para isso. O mesmo vale para a Mary. Se eu tivesse espaço para isso, teria dito alguma coisaâNĂŁo. Talvez nĂŁo. NĂŁo, de jeito nenhum. Isso nĂŁo teria acontecido. Nunca. Eu nĂŁo teria conseguido.
Ă algo pelo qual devo ser grato, ele percebeu. Apesar de suas falhas, Mimorin se apaixonou por ele. Esse tipo de sorte provavelmente nĂŁo acontecia com frequĂȘncia. Talvez nunca mais acontecesse. Essa poderia ser a Ășltima vez. Rejeitar isso poderia ser um desperdĂcio terrĂvel.
Mas o que mais eu poderia fazer? Era verdade que ele nĂŁo sentia o mesmo por ela agora. Ele realmente nĂŁo podia mentir sobre isso. NĂŁo queria enganar a si mesmo, nem enganar Mimorin. Ele nĂŁo podia.
â Bem, Ă© isso â ele disse.
â Mas eu te amo.
â …O quĂȘ? â ele perguntou.
Quando abriu os olhos, Mimorin estava olhando diretamente para Haruhiro. Sem um pingo de dĂșvida, seus olhos estavam sĂ©rios e cheios de sinceridade.
â Agora, eu te amo. Eu te amo Haruhiro. Isso Ă© errado?
â Uau… â Anna-san assobiou, encolhendo os ombros atĂ© que tocassem sua cabeça. â Mimorin Ă© teimosa, hein? Como uma rocha, sim? NĂŁo, como aço, talvez?
Haruhiro olhou para o chĂŁo e coçou a parte de trĂĄs da cabeça. NĂŁo… Isso Ă© errado? NĂŁo sou eu quem deve decidir. NĂŁo Ă© uma questĂŁo de estar certo ou errado. Eu nĂŁo tenho o direito de dizer a ela para nĂŁo sentir isso. Essa Ă© uma escolha dela. Tenho que respeitar isso.
No fim, dizer algo como: Obrigado por entender. Vamos ser amigos, seria só uma forma conveniente de resolver a situação para Haruhiro. Se Mimorin aceitava isso ou não, era uma decisão dela.
Da mesma forma, se Haruhiro aceitava ou nĂŁo os sentimentos de Mimorin, isso era uma escolha dele, mas ele nĂŁo podia mudar os sentimentos dela. Os sentimentos de Mimorin pertenciam apenas a ela.
â NĂŁo estĂĄ errado â ele disse.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
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